Perdida Na Tempestade
75 Revelações esperadas...
Notas iniciais
Em meikakuna mün, os dias continuavam passando na mais absoluta paz, e tranquilidade. Alguns dias após a união de Raijin e Kikyou, Ryotaro, ficou temeroso, por conta de sua situação com Leodora.
Não que estivessem passando por alguma pendência, muito pelo contrário, já que na ocasião em que Kyo retornara levando Yuko de volta às terras do leste, ele levara consigo também, uma carta de Ryotaro, para seu pai, e sua mãe, onde ele dizia que havia encontrado a sua fêmea, e que levaria algum tempo para retornar.
Na carta, escrita longe do conhecimento da própria Leodora, o youkai fênix, pedia à seu pai, que continuasse cuidando do reino por mais algum tempo até que ele retornasse. Quatro dias após a partida de Kyo e Yuko, um mensageiro das terras do leste, foi até o shiro de Meikakuna mün procurar por Ryotaro.
Brunhilde fora incumbida de ajudar Ryotaro em sua farsa, por Minara, discordava em absoluto do que ele estava fazendo, mas concordara em ajudá-lo, ao perceber o forte sentimento que o movia.
Com a ajuda da hanyou, a atual soberana de Meikakuna Mün, Ryotaro, estava conseguindo, manter-se em anonimato, e burlar qualquer suposta desconfiança que pudesse acometer à Leodora.
Foi a própria Brunhilde quem recebeu com a maior discrição possível, o mensageiro enviado, pelas terras do leste. E ela própria, foi buscá-lo, referindo-se à ele, como um general, que deveria ir tomar conhecimento, das ordens do lorde das terras do leste.
Em poucos minutos, Ryotaro e Brunhilde, já estavam de volta, ao shiro. Ao finalmente encontrar o mensageiro, ele, lhe entregou um pergaminho, uma bolsa de couro. Na bolsa havia dinheiro, bastante para que ele e sua família vivessem confortavelmente por alguns anos.
No pergaminho, uma carta com o selo de seus pais, que escreveram em resposta ao que ele lhe pedira. Seus pais, lhe felicitavam pela notícia, mas sobretudo, sua mãe, escrevera sobre toda a ansiedade que sentia em conhecer a nora, e na decepção de não poder organizar a recepção. Ela também enaltecia o filho, por tudo o que ele havia feito ao seu pai, em sua ausência, e falava do quanto eles o amava. Por fim, eles também se propunham a cuidar do reino pelo tempo que fosse necessário, mas deixavam bastante claro, que Ryotaro, era o lorde vigente e, portanto deveria voltar o quanto antes.
Após desenrolar quase todo pergaminho, Ryorato, viu outro pedaço de papel cair no chão. Tratava-se de outra carta, muito mais simples, que estava escondida, dentro da carta de seus pais, e foi com espanto e emoção, que Ryotaro, leu o que ela dizia.
“ Amado filho, me perdoe... Por favor, tente me entender, antes de me julgar... Estou feliz por você estar unido à uma fêmea que você preze... Desejo-lhes toda a felicidade de uma vida próspera e cheia de prazeres. Entretanto, há algo que você deve saber...
Eu fui um monstro sob muitos aspectos e com muitos seres, tão inocentes quanto você. Minha malignidade foi tamanha, que me aliei à demônios, apenas para conseguir um modo de alimentar minha vingança vazia. Eu foi capaz de enganar uma tribo inteira, para sequestrar uma menina hanma, apenas para que ela e seus poderes financiassem as minhas guerras insanas... Eu rogo, aos deuses que me perdoem pelo que fiz àquela criança... Eu a marquei em SEU nome. E após isso, a fiz minha prisioneira, e extraí dela sua infância... Se ao menos eu pudesse dizer-lhe que aquela marca, pode ser desfeita! Mas sou um covarde! Tão covarde que não consigo contar à minha fêmea aquilo que eu fiz... Esta é a razão desta carta que lhe escrevo em segredo. Perdoe-me meu filho, por mais esta vergonha que lhe faço passar... A hanma foi salva por Izanami, à muitos anos, e eu não tive coragem, de tentar encontrá-la. Entretanto, eu tenho a certeza de que ela ainda está em Meikakuna mün. Meu filho, se você puder... Encontre-a e conte à ela que eu me arrependo, e que faltou-me coragem, e lucidez, para lhe pedir perdão por todo mal que lhe fiz. Se você puder, meu amado filho, diga à ela, que sua marca apesar de ter sido feita para ser sua, sairá, do corpo dela, no dia em que ela entregar sua virgindade.
Eu lamento imensamente ter de ser você à consertar os meus erros, mas peço que o faça, em nome da compaixão que vive em seu coração. Por sua piedade, salve-a, meu filho... Salve à Leodora...”
O coração de Ryotaro estava sobressaltado. Sua face, estava transtornada, à ponto de Brunhilde questioná-lo se estava bem. Diante da sua afirmativa a hanyou sorriu compreendendo que ele não queria se expor ainda mais.
Após recuperar-se Ryotaro, pediu uma pena e papel ao mensageiro que prontamente o atendeu, e escreveu uma nova nota, ao seu pai, tendo o cuidado, de lacrá-la, com um selo de cera, antes de entregar ao mensageiro, e pedir à ele que entregasse apenas ao seu pai, de modo que sua mãe não notasse.
Meu pai,
Não o julgo apesar de tudo. Sei que sua insanidade foi causada pela dor, e hoje, posso dizer que lhe entendo perfeitamente. Se eu, por acaso perdesse minha fêmea, e o paraíso que ela me deu, acho que não suportaria mais viver.
Eu não lhe revelei o nome de minha fêmea, por que não queria atingi-lo, ou deixá-lo angustiado. Mas diante de seu pedido, devo acalmá-lo, pois Leodora é a minha fêmea.
Eu a amo, meu pai, e amo os nosso filhos adotivos que ela tão gentilmente compartilhou comigo.
Fiz dela, minha fêmea, por um contrato, pois ela não sabe que sou seu filho. Ela continua achando que sou um dos generais, mas a cada dia que passa, fica mais difícil esconder-lhe a verdade, e isto me tira a paz.
Falta-me a coragem de contar-lhe a verdade, pois temo perdê-la. Mesmo assim, sinto que não demorará muito para que ela seja minha de todas as formas. E confesso que anseio por este momento, tanto por meus sentimentos, quanto pela certeza de que quando isto acontecer, o senhor, meu pai, terá menos uma culpa para carregar.
Com saudades...
Ryotaro.
O youkai fênix permaneceu, na sala por mais alguns minutos, pensando em tudo o que havia lido. Era nítido, que havia chegado a hora de se falar a verdade, embora ele ainda temesse perdê-la.
Sua angústia transpareceu-se no momento em que o mensageiro deixou o escritório do shiro onde estavam, pois o mesmo, suspirou pesadamente.
—E então, já sabe como vai contar à ela? –Perguntou-se Brunhilde encarando-o com um sorriso terno.
—Não faço ideia de como fazê-lo... Mas de qualquer forma... É chegada à hora. –Ryotaro disse pensativo.
—Apenas mostre seus sentimentos, Ryo... Você tem um coração de rara beleza. Tudo o que tem de fazer é mostrá-lo para Leo. Ela já o ama, de qualquer forma... –Brunhilde sorriu ainda mais animada, reconfortando o coração do youkai.
Ryotaro, apenas acenou com a cabeça e sorriu de volta, antes de sair da sala.
Os dias passaram depressa, e ruivo youkai continuava sem saber o que fazer.
A manhã da véspera da união dos Inuyoukais havia chegado, e enquanto as crianças estavam na escolinha, e Leodora lavava as roupas, _e ele as pendurava no varal_ a cabeça do youkai fervilhava de pensamentos. Foi retirado abruptamente deles, no entanto, quando um cheiro muito familiar lhe acometeu.
Um cheiro familiar demais para ser verdade, seguido de batidas na porta.
A hanma retirou o avental úmido, e de forma mecânica foi ver do que se tratava, sem perceber que Ryotaro ficara apreensivo.
Ao abrir a porta, qual não foi a surpresa da morena, ao ver uma bela fêmea cercada de caixas e sacolas, que estava à porta, sorrindo cordialmente.
—Olá? Posso ajudá-la? –Perguntou a morena sorrindo em meio à surpresa.
—Oh, você deve ser Leodora, não? Sinto o cheiro de meu filho, junto à você! Pela beleza que você ostenta, imagino que meu filho, deve ter se apaixonado à primeira vista! –Disse sorrindo graciosamente a fêmea de olhos violetas claríssimos.
—Obrigada, mas... Eu não estou entendendo... –Leodora argumentou gentilmente.
—Mãe! O que você está fazendo aqui? –Ryotaro disse, ao chegar atrás da morena para constatar que seu olfato estava certo.
—Oh, olá meu querido? Eu senti saudades, e não aguentei esperar! O seu pai tentou me deter, mas eu o convenci à me deixar visitá-lo, antes de irmos para a união de Inu no Taishou. – A hanyou sorriu antes de abraçar o filho que estava quase entrando em pânico.
—M-Mãe... Meu pai... Ele lhe contou sobre... –Ryotaro murmurou.
—Querido, um casal não deve ter segredos de um para o com o outro. Além disso, seu pai precisava desabafar... Eu imagino que você também precise disso, não é? Não se preocupe, eu filho, eu vim ajudá-lo! –Saori murmurou no ouvido do filho, ao abraçá-lo, fazendo compreender que Kyuura havia contado sobre tudo, inclusive sua carta.
—Não quero ser rude, mas... Sua mãe não havia morrido há alguns anos? –Leodora questionou ao lembrar-se da conversa que tivera com Ryotaro, ainda no shiro, na ocasião em que ele havia a salvado do Lorde Fauno.
—Sim, eu parti muito cedo... E por causa disso, coisas horríveis aconteceram a seres inocentes, como o meu filho, Ryo... Meu macho e eu estamos de volta graças ao feitiço de Minara hime, e estamos dispostos a concertar essas coisas, e faremos isso, juntos, como uma família. Agora, permita-me apresentar-me decentemente. Eu sou Saori, e sou a mãe do Ryo. – Lady Saori explicou dizendo a verdade apesar de tudo.
—Sinto muito pelo inconveniente. É um grande prazer conhecê-la, Senhora Saori. Eu sou Leodora, a fêmea do Ryo. Por favor, entre, e sinta-se à vontade! – Respondeu Leodora com gentileza.
—Obrigada Leodora, mas o prazer maior é meu em estar aqui, conhecendo a minha nora, e mãe dos meus netos! Aliás, onde eles estão? Eu trouxe presentes para todos! –Exclamou a hanyou mostrando as muitas caixas e sacolas. Ryotaro prontificou-se a pegá-las, enquanto sua mãe entrava na casa.
—As crianças estão na escolinha mãe... –Ryotaro afirmou enquanto levava as caixas para os quartos.
—Senhora Saori, não precisava se incomodar... –Leodora disse ligeiramente corada, ao ver a grande quantidade de presentes trazidos por ela.
—Ah, não é nenhum incômodo... Eu não sabia a idade correta deles, então trouxe apenas algumas lembrancinhas... Estou realmente curiosa para vê-los. –Saori afirmou com simpatia.
—Você os verá em breve, mãe... –Ryotaro disse com certa impaciência e angustiado por conta da presença dela.
—A senhora deseja alguma coisa? Eu posso preparar-lhe um chá? –Leodora perguntou educadamente.
—Ah não, eu não quero incomodar! Imagino que vocês estavam ocupados, pois não? Talvez eu possa ajudar em alguma coisa! – Saori ofereceu-se animada.
—Estávamos lavando roupa mãe, e já estávamos acabando... Nada demais, como pode perceber... –Ryotaro suspirou tentando se conter.
—Ryo, tem razão, senhora Saori, não era nada demais. Tenho certeza de que um bom chá de flores amarelas lhe daria, um novo vigor! Eu vou prepará-lo em um instante. –Leodora disse, levantando-se, e indo para a cozinha.
—Mãe, a senhora não devia ... –Ryotaro sussurrou quase inaudível, ao ver que Leodora havia se afastado.
—Ora, meu filho, eu percebi pela sua carta que você precisava de ajuda! Além disso, seu pai precisa deste alívio...
—Mas, eu não consegui contar à ela... Não tenho coragem para isso!
—Filho, você é o macho mais corajoso que eu conheço. Não se deixe abater por este obstáculo! Vocês formam um lindo, casal, dá pra ver nos olhos de vocês, que estão apaixonados, um pelo outro!
—Eu... Só não quero decepcioná-la! Não faço ideia de como posso contar isso à ela, sem que ela se magoe...
—Você só precisa de uma boa oportunidade! Se conseguir criar o clima perfeito, vocês dois perceberão que por mais que tentem, não poderão viver separados!
—E como é que eu faço isso? Nunca precisei criar nenhum tipo de “clima”! Leodora é a minha fêmea... Não posso perdê-la!
—Eu já preparei tudo! Você e Leodora vão à sair e ficar à sós, e eu ficarei com as crianças! Eu perguntei á Brunhilde e ela me falou de um lugar perfeito! Nós conseguimos deixar tudo acertado. Depois disso, você terá uma noite inteira para contar à ela... –Saori disse ao filho, enfaticamente, mas não se deu conta de que Leodora já estava voltando da cozinha.
—Senhora Saori? A senhora prefere açúcar ou mel? Contar? Contar algo à mim? Do que vocês estão falando? –Leodora ouviu o finzinho da conversa, e ficou curiosa.
—Sim, contar sobre o meu presente de união, para vocês dois! Mas o Ryo está tão nervoso que sequer quer te contar! Ele acha que você não aceitará! –Saori comentou sorrindo, sempre dizendo a verdade mas de modo a ser discreta com os fatos.
—Ryo? Ah, senhora Saori, isso é muita gentileza sua... Mas isso não é necessário! A sua presença é o maior presente que poderia nos proporcionar... –Leodora disse sorrindo.
— Leo, minha mãe, nos presenteou com uma noite fora, e ela se prontificou a ficar aqui com as crianças. –Ryotaro completou sorrindo sem graça.
—Passar à noite fora?Mas... Isso, não é viável... –Leodora estreitou os olhos, preocupada.
— Há uma instância termal que fica há alguns quilômetros daqui, ao norte, próximo ao templo onde vocês se uniram! Eu me informei e disseram-me que é um ótimo lugar, então tomei a liberdade de deixar reservado ao menos uma noite para vocês. –Saori explicou.
—Mas, senhora Saori, minhas crianças são pequenas, e podem dar mais trabalho do que a senhora pode supor... Eles também podem ficar intimidados por não conhecerem bem a senhora. Não sei se seria uma boa ideia... –Leodora questionou preocupada.
—A sua preocupação, me deixa ainda mais simpática à sua união com meu filho, Leodora. Mas não há porque se preocupar. Eu adoro filhotes, e sei que nos daremos muito bem! Além disso, uma senhora chamada Nana, lá do shiro, me ouviu perguntando sobre a instância, e se prontificou a dormir aqui e me ajudar! –Saori disse ainda mais confiante. O que despertou certo alívio da hanma.
—Bem, se é assim, eu não vejo motivos para não irmos... Não é mesmo, Leodora? –Ryotaro reforçou a ideia, e a hanma concordou, ainda ressabiada, com um aceno de cabeça.
O dia correu sem maiores percalços. Os três almoçaram juntos e quando a tarde começava a avançar para o fim, Nana chegou trazendo os pequenos.
Saori encantou-se com a beleza e vivacidade deles, e Leodora, ficou um pouco mais tranquila ao perceber que a empatia entre eles foi recíproca. Não demorou muito para que ela e Ryotaro saíssem, voando na direção da tal Instância termal que Saori havia mencionado.
Ryotaro a levou nos braços, em sua forma de energia por pouco mais de uma hora, quando algumas luzes o fizeram descer. A instância estava aos pés de uma montanha, mas ao contrário do que se pensava não era nada muito grande. Havia uma casa construída em pedras e madeira, com três pequenas cabanas ao fundo.
As cabanas distavam umas das outras, por vários metros, e cada uma possuía sua própria piscina natural. Assim que chegaram foram direto à casa principal, onde foram recebidos por uma youkai tanuki de olhos vermelhos e cabelos longos e pretos e brancos.
—Olá senhores! Devem ser Lady Leodora, e o Lorde Ryo, estou certa?Eu me chamo Kimi, e sou sua serva enquanto estiverem hospedados aqui! –Perguntou a pequenina sorrindo graciosamente.
Leodora foi pega de surpresa pela expressão da youkai, que se referiu à Ryotaro, como lorde Ryo. A hanma não pode deixar de sentir um arrepio, por conta da lembrança de Ryotaro, não que ela não houvesse notado a semelhança dos nomes, mas por conta da conotação de Lorde, que a fez imaginar-se ao lado do próprio Ryotaro.
Ao perceber que a morena hesitara, Ryotaro pôs-se à sua frente e respondeu à Tanuki.
—Somos nós mesmos... Minha mãe esteve aqui, e deixou-nos uma noite acertada. –Disse o youkai fênix com precisão.
—Sim, sim! Mas que pena que só possam ficar uma noite! Geralmente os casais ficam mais do que isso, em lua de mel! –Murmurou a coelhinha sorrindo maliciosa.
—Estamos um pouco cansados... Poderia nos dizer onde ficaremos? –Ryotaro continuou com sua objetividade.
—Ah claro! Só um minuto! Makoto, eei Makotoo! –Disse a pequena antes de voltar-se para chamar em alta voz, outro youkai Tanuki,desta vez um macho,com cabelos e olhos castanhos. O rapaz, que aparentava ter uns 18 anos humanos, veio rapidamente em direção à eles.
—Boa noite senhores! É um prazer recebê-los! –Disse o jovem cumprimentando-os, e recebendo uma reverência do casal.
— Senhores, este é o meu irmão caçula, Makoto! Por favor, Makoto, leve-os ao quarto especial. Eles estão em lua de mel!-Vibrou a Tanuki, ao apresentar o irmão.
—Venham comigo, por favor senhores! –Limitou-se a dizer o sorridente youkai ao perceber o olhar desconfortável de Leodora com os comentários de sua irmã.
Ryotaro, pegou a mão de Leodora, que continuava pensativa, e puseram-se à andar por uma trilha que levava ás cabanas. Entretanto após passarem por elas, continuaram andando até chegar à uma quarta cabana bastante afastada das demais, mais próxima do cume da montanha.
A cabana era pequena, e apesar de ser construída com pedras e madeira por fora, por dentro estava bem ao estilo nipônico.
Haviam basicamente dois cômodos e um banheiro. No primeiro cômodo, o menor dos dois, havia uma mesa baixa, para refeições, e um aparador junto à parede com uma apetitosa cesta de frutas, além de uma cômoda mediana. Uma cama de casal, feita em tatames estava no meio do segundo cômodo, com uma lareira, pequena, ao lado esquerdo. Na frente da cama portas de correr garantiam uma bela vista da piscina e do céu estrelado, e ao lado direto da mesma, estava a porta do banheiro.
Assim que entraram, Makoto, foi até a cômoda, e mostrou os quimonos de descanso, e toalhas felpudas, para que o casal fizesse uso. Logo em seguida o youkai, avisou que traria o jantar dentro de duas horas, e saiu sorridente.
—O que achou Leo? Você parece estar incomodada com algo... –Disse o youkai enquanto caminhava até o outro cômodo, observando a hanma enquanto ela abria as portas de correr.
—É um belo lugar... Foi mesmo muita gentileza da sua mãe, nos proporcionar isso... Eu estou bem, Ryo. Não é nada, apenas uma dor de cabeça momentânea. –A hanma morena disfarçou.
—Fico feliz que tenha gostado do lugar... –Murmurou ele, se aproximando lentamente dela, que neste instante, sentava-se na soleira da porta, para contemplar o sol escondendo-se atrás da montanha, e a piscina de água natural iluminada por velas, logo à sua frente.
—E você, gostou? Achei que você ficou tenso com a visita da sua mãe... –A hanma disse encarando-o, enquanto ele agachava-se para sentar-se ao lado dela.
—Eu só não a esperava... Eu havia avisado os dois sobre a nossa união, mas não esperava que eles nos visitassem... Sobretudo a minha mãe! –Disse o youkai com sinceridade.
—Eu gostei dela... É sincera e dedicada, e esforça-se para ser gentil com todos... Imagino que não seja perfeita, mas, suas qualidades me conquistaram... –Leodora garantiu.
—Ela também gostou muito de você... Disse que nós somos um belo casal... –Riu-se o youkai fênix.
— ... Que bom... – A hanma murmurou corando-se.
Diante do silêncio constrangedor que se instaurou Ryotaro decidiu levantar-se.
—O que você acha de aproveitarmos um pouco as águas? Não seria a primeira vez que nós tomamos banho juntos, e, além disso, o jantar vai demorar um pouco, de qualquer forma... –Ryotaro convidou-a disfarçando seu rosto corado. Sentia-se um perfeito idiota por não conseguir falar abertamente com a hanma morena, mesmo compartilhando com ela tanta intimidade.
—Ah... Está bem! Mas só se você prometer que não vai ficar me olhando... Eu morro de vergonha, e lembre-se que da primeira vez eu não sabia de nada! –A hanma concordou defendendo-se.
Os dois foram juntos para a piscina termal, se despiram de costas um para o outro, e se permitiram conversar sobre suas banalidades. O clima passou de tenso, para relaxado, em poucos minutos.
—Ah Ryo, eu nunca vou me esquecer da cara apavorada que vocÊ fez na primeira vez que me despi na sua frente. Hahaha... E olha que eu não fiquei nua! –Leodora ria ao se lembrar.
—Isso por que você não viu a cara que fez quando me encontrou na banheira! Hahahaha... Você levou um baita susto, não foi? –Ryotaro respondeu à altura.
—Ah sim... Eu nunca me imaginei tomando banho com um macho! A não ser... –Leodora começou a falar, mas subitamente parou, ao lembrar-se do quão constrangedor seria se ela concluísse.
—Pode falar, Leo. É Ryotaro não é? Você imaginou uma vida ao lado dele, não foi? – O youkai grifo questionou-a, da maneira mais delicada que encontrou.
—Ryo... Eu... –A hanma murmurou confusa.
—Se abra, para mim, Leo... Diga me tudo... Sou seu macho, não sou? –Ryotaro concluiu, pegando nas mãos da hanma, e ficando frente à frente com ela.
—Eu imaginei uma vida inteira ao lado dele... Mas isso não importa mais... –Leodora disse com convicção, encarando o youkai fênix.
—E por que não? –Ryotaro disse com seu coração contrito.
—Porque a vida que eu tenho com você, é muito melhor... Eu nunca pensei que pudesse ser tão feliz, quanto sou ao seu lado, Ryo... –A hanma sorriu, antes de acariciar o rosto de Ryotaro, que a beijou muito delicadamente.
—Leo... Eu... Fico me perguntando o que falta, para sermos um casal de verdade... Eu desejo tanto você... –Ryotaro murmurou, olhando para a face morena, de olhos cor de mel.
—Ryo...Eu também desejo muito você... Mas não podemos... A marca daquele maldito, não me deixa ser livre, para ser sua... –A hanma murmurou desconfortável, mas com sinceridade.
—Leo, não fale assim... Ryotaro não teve culpa do que aconteceu com você... –Ryotaro murmurou ainda encarando-a.
—Você o está defendendo? Porque? Ryotaro é um maldito, porque não deteve seu pai, em suas maldades! –A hanma justificou-se estreitando, os olhos, desconfiada.
— Porque você sempre o vê como uma maldição? Ryotaro nunca soube de você! Kyuura, fez o que fez, porque estava insano! A morte da fêmea dele o enlouqueceu, e você sabe disso... –Ryotaro, encarou-a, seriamente, e viu seus olhos cor de mel, se sobressaltarem.
—Ryo, nada justificaria o que ele me fez! Que tipo de filho, deixa um pai insano cometer todos os tipos de crime, contra seres inocentes?
— Kyuura era o Lorde, e Ryotaro um simples príncipe! Ele tentou impedir diversas vezes, mas nem sempre teve êxito. Você não tem motivos para odiá-lo, Leo. Ele não estava com Kyuura quando ele te raptou! –Ryotaro, continuou encarando-a, extravasando cada vez mais sua opinião, enquanto a hanma se afastava, visivelmente irritada.
—Ele nunca se importou! NUNCA! Ele só tinha olhos para Minara, e sequer se importou em saber dos crimes de seu pai!Eu não entendo você! Porque resolveu me afrontar desta forma? –Leodora vociferou enquanto alcançava sua toalha para sair da piscina natural.
—Você está enganada! Ele passou os últimos séculos recuperando a confiança daqueles que Kyuura traiu! Ele ressarciu e recuperou todos os que Kyuura prejudicou! Minara foi salva pelas mãos dele! E ele se encantou com a imagem desprotegida daquela criança! Eu não estou te afrontando! Só estou te mostrando, a verdade, e a verdade, é que Ryotaro NUNCA SOUBE DE VOCÊ, Leo... –O youkai disse, enquanto Leodora ficava de pé, e cobria sua nudez com a toalha, visivelmente nervosa com aquela discussão.
—Para Ryo! –Pediu ela, enquanto tentava se afastar, saindo da piscina, e calçando as getas.
—Não! Você é que precisa parar! RYOTARO NÃO É UM DEMÔNIO! –O youkai fênix, disse saindo da piscina, e enrolando a toalha no quadril, para segui-la.
—PARA RYO! –Gritou a hanma seriamente, encarando o youkai, que ignorou o pedido, e continuou, enquanto a segurava pelo braço.
—Aceite a verdade, Leo! Se ele soubesse, do seu sofrimento, ELE TERIA TE SALVADO! –A frase de Ryotaro, mal saiu, e seu rosto foi atingido, por um sonoro tapa, dado pela hanma.
Ryotaro encarou-a perplexo, enquanto segurava a face atingida. A hanma morena chorava de raiva, encarando-o com um animal ferido. Após alguns segundos Ryotaro recuperou sua postura, e aproximou-se dela.
—Leo... Me perdoe... –Sussurrou ele, tentando abraçá-la, ao se dar conta de que tinha ido longe demais.
—Perdoar o quê? Você tem toda a razão... Pena que eu já não sinto mais nada por ele... Mas o que me choca, é ver você, tão empenhado para proteger o macho que eu amei um dia! Porque fazer isso? –Questionou ela, afastando-se dele.
—Leo... Você entendeu tudo errado, eu... Só não quero que me odeie... Eu queria ter te contado antes... –Murmurou Ryotaro ainda segurando-a pela mão, tentando desesperadamente se aproximar.
—Contado o quê? Que está cansado de brincar de casinha? Me jogar nos braços de Ryotaro, não vai resolver o problema... Eu amo você, Ryo... De um modo como nunca amei ninguém, nem mesmo o tal Ryotaro que eu idealizei! Se tem algo para me dizer, diga agora, com todas as letras, de uma vez! — A hanma, encarou o youkai, resignada, mas com coragem.
—Leo, não... Eu nunca quis ferir você... Eu também te amo de um modo que nunca havia experimentado. Eu realmente amo você, Leodora... Eu te amo, de verdade... –Ryotaro, abraçou-a com toda a sua paixão, beijando-lhe o topo da cabeça. _ E eu sempre amei... Mesmo quando eu achava que amava à Minara, eu estava amando você! Eu amava a delicadeza e a gentileza que você tem... Eu amava o espírito responsável e caridoso que VOCÊ é... EU AMAVA VOCÊ, enquanto meus olhos viam à Minara... –Ryotaro murmurou, enquanto Leodora afastava-se lentamente do peito dele, para encará-lo.
—Ryo... O que você... –A hanma morena murmurou com seus olhos estreitados, ainda nos braços do youkai que vertia lágrimas de alívio.
—Leo, por favor, me perdoe... Você prometeu que jamais me deixaria! Se fizer isso, Leo, eu vou enlouquecer, assim como meu pai... Eu não posso mais viver longe de você, Leo... –Continuou o youkai com olhos embriagados de paixão.
—Ryotaro... Lorde Ryotaro... –Murmurou a hanma, afastando-se para encarar o youkai que vertia dolorosas lágrimas, com os olhos baixos, sem coragem de olhar nos olhos dela.
O youkai fênix, rangeu os dentes, ao ouvir os passos da hanma primeiro se afastando. E após alguns minutos, se aproximando lentamente.
Foi com surpresa que Ryotaro sentiu as mãos quentes de Leodora tocarem seu rosto, levantando-o para fazê-lo encará-la.
A hanma sorria docemente, enquanto ostentava um colar com uma grande pedra vermelha nas mãos, que Ryotaro reconheceu imediatamente.
—Isso, é...
—Sim, é o seu rubi mágico... Nunca se questionou quem foi que te deu isso? –Sussurrou a hanma, ainda sorrindo.
—... Eu... Meu pai me deu... Ele disse que pertencia à minha mãe... –Ryotaro estava confuso, com o questionamento dela.
—Rs... Esse Rubi foi meu presente de casamento para você... Foi eu mesma quem o extraiu da terra, e o enfeitiçou... –A hanma disse nostálgica.
—Leo... Isso, quer dizer, que... Você... –Ryotaro encarou-a com seus olhos abertos, completamente surpreso.
—A primeira vez que vi esse rubi com você, foi na minha cozinha, quando você me pediu para ser sua fêmea... Achei que fosse coincidência, ou que talvez fosse houvesse ganhado este colar em alguma outra situação... Mas quando você começou a me questionar sobre os meus sentimentos, eu tive certeza de que era você, príncipe Ryotaro, que estava vivendo comigo... Eu só continuei em silêncio porque queria que partisse de você a atitude de me contar. Era por isso, que eu sempre fazia questão de expor meu rancor contra Ryotaro, para ver o quanto você conseguiria mentir. Até o tapa que eu lhe dei agora foi exclusivamente, para obrigá-lo, a se abrir para mim... –A hanma confessou com um sorriso malicioso nos lábios.
—Leo, você sabia de tudo... Eu devia esperar isso... Você é muito mais do que sempre demonstrou para mim... Sua inteligência, e sua astúcia, não me surpreendem... Mas você não é a única que sabia algo escondido... Não mesmo, senhora, “chave do destino do ventre fecundo da terra”... –Ryotaro, murmurou com seus olhos estreitados, e um sorriso bobo nos lábios.
—Como soube disso? –Questionou a hanma, enquanto afastava-se lentamente.
—Por isso... –O youkai entrelaçou seus dedos, aos da hanma, erguendo as mãos de ambos até a altura em que pudessem observar o fogo que emanava delas quando se uniam, antes de continuar. _Eu sou fênix, o pássaro de fogo, é natural que eu me conecte tão facilmente ao ventre da terra, onde o fogo é mais forte e a lava incandescente é o meu ninho... E é claro, que meu filho, Azrael me contou a lenda das chaves, então não foi difícil associar as os fatos... –Riu-se o youkai, arrancando também uma risada da hanma.
_Estou feliz em saber que finalmente nos encontramos lorde Ryotaro... E mais ainda em saber que você não quis me enganar propositalmente... –Leodora disse retirando sua mão da do youkai, mas quando virou-lhe as costas, mencionando voltar para a cabana, Ryotaro, puxou-lhe pelo punho e a beijou com toda a sua paixão.
Seus lábios foram tomados com avidez pelo youkai fênix, enquanto seus corpos colados aqueciam um ao outro, pelo desejo, da brisa gélida da noite que começava a soprar.
Leodora correspondia a cada gesto, com a mesma desenvoltura, deixando o clima ainda mais quente. Quando finalmente se afastaram, do beijo, mantivera os corpos colados, sentindo o calor um do outro.
—E agora... O que a gente faz Lorde Ryotaro? Ainda quer ficar comigo para sempre, mesmo sabendo quem sou eu? –A hanma questionou ainda arfante.
—Eu poderia lhe fazer a mesma pergunta, Leodora... Mas eu soube desde o início quem você é, Leodora... Você é minha fêmea, a mãe dos meus filhos, minha prometida... Você foi feita para mim, e eu não vou esperar mais nenhum segundo, para torná-la minha definitivamente... –Sussurrou o youkai, antes de ser surpreendido pela hanma que tomou sua boca, ferozmente, em um beijo erótico, onde as línguas se tocavam incessantemente, despertando um desejo forte, e incapaz de ser contido.
Leodora sorria entre os encontros das línguas, tornando o beijo, molhado, quase indecente. Ela finalmente estava livre para viver toda a luxúria que sempre lhe fora negada, e estava decidida a ter a noite que sempre sonhara. Ainda beijando-o, a hanma, desceu suas mãos, pelas costas do youkai, até chegar à toalha que ele mantinha na cintura, arrancando-a por completo, com um gesto rápido.
Após isso, Leo ajoelhou-se e abocanhou o membro retesado e grosseiro do youkai que gemeu alto com a carícia inesperada. A língua da morena brincava com a glade do pênis, e em seguida descia até o escroto, fazendo Ryotaro, segurar-se ao máximo para não derramar-se na boca da hanma.
As toalhas estavam estendidas no chão, e foi naquele lugar, ás margens de uma piscina de águas termais, que Ryotaro deitou Leodora, para provar seu sexo. Ele demorou-se em lamber e mordiscar o clitóris da hanma, que mordia os dedos, para sufocar seus gritos de prazer. Não demorou muito para que ela se derramasse, em seu primeiro orgasmo.
—Isso é a minha vingança pelo que você me fez agora à pouco... Me chupar daquele jeito, quase me levou à loucura... Seu corpo é muito sensível, Leodora... Mas acho que com o tempo, você vai conseguir aguentar mais um pouco... – Murmurou o youkai enquanto inclinava-se sobre ela, para beijar-lhe levemente e mordiscar o bico, do seio direito.
—Você vai ter que me ensinar algumas coisas... Mas outras eu sei fazer sozinha... Eu quero mais, Ryotaro... Eu quero tudo... – Sussurrou a morena com um olhar tão quente sexualmente falando, que deixou Ryotaro, sedento.
—Eu vou te levar para aquela cama, e você vai ser minha, de um modo que nunca mais poderá pertencer à outro macho... Porque assim, que eu fizer amor com você, eu vou te marcar de novo, com minhas próprias garras, e beber o seu sangue, hanma. –Disse o ruivo youkai, enquanto sorria malicioso, para a hanma, vendo-a se sentar para encará-lo, enquanto recuperava-se languidamente.
Leodora sorriu de volta, e quando ele estava prestes à se erguer, a hanma saltou sobre ele, deitando-o de volta ao chão, enquanto ela subia sob seu ventre.
—Eu não quero ir para cama nenhuma... A terra é a minha cama, Ryotaro... Portanto, a nossa primeira vez, tem que ser aqui... Quer provar o meu sangue? Então comece provando o sangue da maior aliança que eu fiz com você... –A hanma sussurrou, despertando o desejo mais profundo de Ryotaro, enquanto sentava-se lentamente no enorme membro grosseiro e completamente retesado do youkai.
A visão da face da hanma que permanecia de olhos fechados, enquanto mordia os lábios por si, só, já era excitante ao extremo para o ele. Mas sentir seu membro pulsante rasgando lentamente o corpo virgem dela era alucinante. Ryotaro, estava deitado de costas, apoiado pelo cotovelo direito, observando a hanma que forçava seu próprio corpo contra o dele. Quando finalmente ela se sentou encaixando-se sobre o membro, Ryotaro sentou-se para abraçá-la, e apoiá-la pelos quadris para ajudá-la a se mexer, o mais delicadamente possível.
Não demorou muito para que o cheiro do sangue virginal lhe invadisse as narinas, enquanto Ryotaro beijava a hanma sentindo a respiração descompassada dela juntar-se à sua.
O interior dela era incrivelmente quente e apertado, de modo que ele estava se esforçando ao máximo para fazê-la se derramar antes dele, mas sentia, para sua surpresa, que realmente não conseguiria se segurar por muito tempo. Os movimentos rapidamente se tornaram incisivos, e a cada minuto, Ryotaro sentia-se ainda mais enlouquecido por ela. Seus corpos pegavam fogo literalmente enquanto ambos se encaravam completamente tomados pelo desejo.
Quando o orgasmo estava chegando, os olhos de Ryotaro ficaram vermelhos como sangue e seus cabelos começaram a voar ao seu redor. Leodora por sua vez sentia algo queimar em seu ventre, mas não conseguia parar de se movimentar em cima do youkai, pois sentia a cada segundo, que estava chegando ao ápice do prazer. Após alguns minutos, os dois gozaram juntos, Ryotaro gemendo alto, e Leodora abafando um grito enquanto mordia o ombro do youkai.
Logo após isso, ainda com Ryotaro dentro de si, a hanma, jogou os cabelos para a esquerda, e sorrindo levou seu pescoço até a boca do youkai.
Ryotaro compreendeu imediatamente o que ela queria, e ainda em sua forma youkai, mordeu o pescoço da hanma para beber-lhe um pouco de seu sangue, antes de descer por seu ombro, e cravar sua garra no braço da morena e marcá-la.
Leodora não gritou apesar da forte dor. Mas após alguns minutos a hanma caiu sobre os braços do youkai, tremendo como se estivesse em convulsão.
Ryotaro, aguardou apreensivo, até que a marca prevalecesse. Quando a hanma simplesmente volltou ao normal, muito delicadamente ele ficou de pé, erguendo-a nos braços, e logo em seguida, levou -a para as águas, para banhar seu corpo suado, e exausto. Mais alguns minutos de angustia se passaram, até que a hanma despertou nos braços de Ryotaro, que a segurava forte junto ao peito, como se ela pudesse fugir à qualquer momento, e por ainda estar nua, pode constatar com deleite, que a marca em sua virilha havia desaparecido, mas outra um pouco abaixo de seu ombro, havia surgido.
O tempo passou mais rápido que se pressupunha, e logo se aproximou a véspera da união de Kagome, Rin, e Izayoi, com os três inu daí youkais. A festa que a princípio seria no Daí san no shiro, foi relocada para o Mikadzuki, tendo em vista que se tratava do palácio principal, do reino, e por conta disso, o maior deles. Já na entrada das carruagens, era possível ver ao início, da ornamentação feita com Flores, e bandeiras com o crescente vermelho, símbolo dos inu youkais.
Satori estava atarefada, com os preparativos, e dava graças aos deuses, por isso, já que depois do ocorrido em Meikakuna mun, ela sentia-se a pior das criaturas. Não que culpasse alguém, por sua queda, mas a dor das revelações que fizera, vinha-a definhando, e a decepção nos olhos de Inu no Taishou, ao contemplá-la, só piorava as coisas para ela.
Apenas Izayoi, havia ficado ao seu lado. A princesa humana, não a deixara sequer um minuto sozinha, e por diversas vezes, havia deixado seu leito, para dormir abraçada à Satori, de modo que a youkai sentia-se amparada em todos os momentos por aquela que era tida como sua rival. Era, portanto, por ela, que Satori, estava preparando com esmero, cada detalhe daquela comemoração.
Além de tudo o que vivera, ela encontrara Kurome, outra Inuzuki , mas que ao contrário do que se podia supor, era tida por ela, com desprezo, por pertencer à um ramo secundário do clã, considerado desonrado, por não possuírem o crescente na testa, pois, por conta da índole maligna, comum à maioria dos secundários, o Deus tsukuyomi, que dera a origem dos clãs Inu, abandonara a vertente secundária dos Inuzuki, retirando deles, a sua marca do crescente.
Após isso, os Inuzuki secundários, chamavam a si mesmos de “Akuma no inu”, que significa, cão demônio. E como esperado, os membros, eram em sua maioria, mercenários, dedicados à magia negra e outras atividades escusas, como o rapto e a venda de seres para sacrifícios, entre outras coisas igualmente malignas.
Apesar de Kurome ser considerada a “hime” dos Akuma no inu, seu título era oriundo da riqueza e do poder de seu pai, Akirä, ambas adquiridas através da morte e do sofrimento de muitos seres, sobretudo, humanos e hanmas.
Por não haver uma hime dos inuzuki , Sesshoumaru acatou o pedido do próprio Akirä, que ofereceu Kurome, como sinal de respeito e submissão, ao lorde das terras do oeste.
Satori havia tomado conhecimento do estranho, “presente”, e apesar de não gostar nenhum um pouco, sabia, que Sesshoumaru não deveria recusar a oferta. Desta forma, ele tornou-a sua concubina, sem se importar com a má fama que acompanhava sua família, mas enxergando o seu sangue Inu, puro, além da aliança com aqueles que poderiam ser grandes inimigos futuros.
Por aqueles dias, Satori notou que havia algo estranho no Shiro. Uma pesada aura a incomodava profundamente, além é claro dos olhares desanimados de Sesshoumaru, que ela conhecia bem, e que significavam que algo estava errado. Não demorou muito para que ela finalmente encontrasse, com Kurome.
Ao vê-la na torre das 4 luas, Satori fui imediatamente expulsá-la, mas ao se aproximar, soube da prenhes, por seu cheiro, e teve de ouvir de sua própria boca, que o filhote era de Sesshoumaru.
Satori sentiu seu coração ser tomado de amargura, e agonia, tanto por seu filho, quantos pelas terras do oeste, que ela tanto sacrificara, de modo que tudo o que pode fazer foi retornar para seus aposentos, e chorar.
A youkai balançou a cabeça para afastar os pensamentos que lhe acometiam. E resolveu entrar para descansar um pouco, e pensar em alguma saída para o enorme problema que ela ajudara a criar.
Após algumas horas, começaram a chegar, as carruagens, com os generais que ficariam instalados do Mikadzuki até a cerimônia. Com o retorno das feiticeiras do tempo, os antigos portais que ligavam os shiros, reduzindo o tempo de viagem em apenas algumas poucas horas, foram completamente reestabelecidos, em seus locais, tidos como sagrados, que eram guardados por soldados de cada shiro, mais um guarda de elite de meikakunamün dotado de um amuleto que possibilitava ligar o portal e abri-lo em qualquer outro local sagrado.
Sendo assim, não levou mais do que 2 ou 3 horas para que cada general, mesmo aquele que vivesse mais longe chegasse ao seu destino, e Kagome respirou aliviada por isso.
Conforme os dias se passaram, os enjoos se tornaram frequentes. Por conta disso, uma viagem mais longa certamente a deixaria, muito debilitada.
Inuyasha estava o tempo todo ao seu lado, ajudando-a com todos os detalhes para que ela não se cansasse com nada.
Penteava-lhe os cabelos, ajudava-a a se vestir, banhava-a, levava-a nos braços para que ela não subisse as escadas, e descia-a também, para que ela não caísse. Dava-lhe comida na boca, e cuidava do horário de suas vitaminas, prescritas pela própria Kaede. E passava horas conversando com o feto pequenino, beijando e acariciando a barriga de sua fêmea. Uma dedicação apaixonada, que só aumentava os sentimentos que nutriam um pelo outro.
Naquele momento, ele estava sentado ao seu lado, segurando sua mão e apoiando sua cabeça para que ela descansasse, tendo Rin ansiosa pelo reencontro com seu macho, bem à sua frente. Quando chegaram finalmente à porta do shiro, ele ajudou-as a descerem da carruagem, e acompanhou-as até a porta de entrada, onde Janken os esperava.
—Senhor Janken! Que saudades do senhor! –Disse Rin, ao encontrá-lo, abaixando-se para abraça-lo.
—O-Oh menina, pare com isso! Você é a futura Senhora das terras do oeste, e não deve me cumprimentar assim... –Janken disse corado.
—Deixe disso senhor Janken! O senhor será sempre meu amigo, antes de qualquer coisa! –Rin disse sorrindo, e antes que o batráquio pudesse argumentar qualquer coisa, o cheiro da prenhês de Kagome, se fez presente, fazendo-o admirar o jovem casal.
—Olá Janken, como estão todos? –Perguntou Inuyasha, mas foi respondido por uma voz masculina que veio até o hall de entrada seguindo o cheiro de Kagome.
—Menina Rin, Kagome, e Inuyasha! Estávamos à espera de vocês. Eu senti falta das minhas noras! E estava louco para ver como está o meu neto! –Inu no Taishou cumprimentou as duas humanas, e em seguida abraçou seu filho.
—Está tudo bem, meu pai. Seu neto está a cada dia mais forte! –Inuyasha disse com orgulho.
—Então venham logo, estão todos querendo parabenizá-los, e há um certo, inu youkai orgulhoso, que mal pode esperar para ver você, menina Rin. –Disse sorrindo o daí youkai, enquanto oferecia seu braço às duas fêmeas, e caminhava com elas para dentro do salão, tendo Inuyasha atrás de si.
Ao se aproximarem algumas pessoas correram para abraçá-las. Eram elas, Igraine, Kikyou, Minara, Naelle, Ritorïri, Kagura e Yukina.
Quando Kikyou aproximou-se de Kagome, ambas ficaram frente à frente, e se olharam intensamente. As lágrimas desciam pela face de ambas, e quando Kagome aproximou-se para abraçá-la, Kikyou, colou sua testa à dela, e colocou sua mão sobre o ventre de Kagome.
—Eu... Estou tão feliz, por você, minha irmã... –Murmurou Kikyou ainda tocando o ventre de Kagome.
—Eu... Também estou feliz... Senti tanto a sua falta Kikyou... –Kagome murmurou igualmente.
As jovens fêmeas estavam encantadas com a gravidez da amiga, e abraçaram-se para matar a saudade latente que as acometia.
Após o reencontro, condensado, em um momento de pura felicidade, Rin perguntou à Inu no Taishou, por Sesshoumaru, e sem esperar resposta correu para a biblioteca onde Sesshoumaru costumava estar àquela hora. Abriu a porta apressada, e caminhou rapidamente até a mesa onde o Inu youkai se encontrava pensativo. Assim que os olhos de Rin encontraram os de Sesshoumaru, o youkai ergueu-se da cadeira e foi na direção dela.
O sorriso veio de forma natural, seguido do ímpeto de correr para os braços dele.
Sem perder nem um segundo, afundou o rosto no peito do youkai e sentiu-lhe o perfume fresco e envolvente como o sândalo.
Sesshoumaru também não se conteve. Apertou-a conta o peito, e sentiu o calor de Rin, que tanto lhe fazia falta antes de beijá-la ardentemente.
—Meu Sesshoumaru... Senti tantas saudades, que achei que enlouqueceria... –Murmurou ela, encarando-o.
—Não sentiu mais do que eu... Minha Rin... –Sussurrou o youkai, acariciando o rosto de sua fêmea.
O momento de paixão, e ternura, no entanto foi interrompido, por uma súbita pulsação mais forte, que fez com que a humana arfasse, preocupando o inu youkai.
—Rin? O que foi?-Perguntou Sesshoumaru estreitando os olhos.
—N-Não sei... Acho que não foi nada... –Rin afirmou sorrindo confiante.
—Seu coração ficou descontrolado por alguns segundos, eu pude ouvir bem. Você tem certeza de que está tudo bem? –O youkai perguntou mais uma vez.
—Deve ter sido à viagem, apenas isso... Eu estava tão ansiosa para te ver, meu amor! – Disse a humana antes de segurar o rosto de Sesshoumaru com delicadeza, e beijá-lo novamente com todo o seu amor.
No fundo Rin sabia, que não fora a viagem, tampouco a ansiedade, que fizera seu coração sobressaltar-se. O verdadeiro culpado, era a súbita imagem do rosto de uma youkai de cabelos brancos, que lhe invadiu a mente.
No entanto, aquele não era o momento para preocupar Sesshoumaru, já que por sua expressão, ele já teria coisas suficientes para se preocupar.
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