Perdida Na Tempestade
73 Ficando sem saída...
Notas iniciais
A noite se aproximava, enquanto Leodora suspirava na varanda de sua casa. As chaves do destino haviam acabado de se separarem de uma maneira muito rápida, mas também muito feliz.
Suas crianças brincavam com Ryotaro no quintal, e ela sorria sem perceber. Assim que avistou a primeira estrela no céu, Leodora resolveu entrar para fazer o jantar.
Não demorou muito para que tudo ficasse pronto. Ryotaro levou-os para banharem-se, e os colocou na mesa para que jantassem todos juntos. Quando terminaram o youkai fênix os levou para fazerem a higiene noturna e os colocou na cama, como sempre fazia.
Esta era a doce rotina que havia sido instaurada, desde que o youkai entrou em suas vidas. As crianças já chamavam Ryotaro de “papai” e isso o deixava ainda mais feliz.
Após alguns minutos, a cozinha estava limpa, e Leodora julgou que Ryotaro, ainda estava no quarto com o pequeno Ângelus fazendo-o dormir, pois o pequeno era sempre o último a pegar no sono. A hanma correu para seu aposento e pegou seu quimono de dormir, imaginando que tinha tempo para banhar-se antes de Ryotaro terminar sua tarefa. As luzes do candelabro do banheiro já estavam acesas, mas ela não se importou, tendo em vista que era comum deixar as velas acesas desde que escurecera.
O banheiro, não era muito grande, mas contava com uma grande e funda banheira de madeira, que estava situada nos fundos do aposento, junto à janela. Havia uma latrina, uma pia, e um pequeno chuveiro, todos feitos da mesma madeira.
Na frente da banheira, cuja altura era de cerca de 60cm por 4m de largura, sendo, pois, mais alta que o nível do chão do cômodo, e por conta disso, possuía alguns degraus na parte da frente, para que se pudesse entrar sem maiores riscos, e também para dentro, pelo mesmo motivo.
Na fronte da banheira, bem na direção acima dos degraus, Leodora havia instalado de modo improvisado, cortinas de bambu, de mais ou menos um metro de largura cada, para que as crianças não jogassem muita água para fora da banheira quando estivessem usando-a, o que não era comum, já que por serem pequenos, e por questão de praticidade, usavam quase sempre o pequeno chuveiro.
Ao trancar a porta, a hanma pôs-se na frente da pia, para despir-se. E enquanto o fazia, olhava o espelho atrás de si, quase que de maneira involuntária.
—Ah... Essa marca... Meu quadril ficou muito grande, por causa dela! –Murmurou a hanma para si mesma, em tom de censura.
Após retirar toda a roupa, a hanma olhou na direção da banheira, e reparou que as velas ao lado da mesma estavam apagadas, deixando a banheira em certa penumbra. Pensou em acendê-las, mas lembrou-se que estava com pressa, pois não queria deixar Ryotaro esperando para banhar-se.
Aproximou-se da banheira, e se deu conta também, que a mesma já estava cheia. Surpresa e ao mesmo tempo curiosa, a hanma afastou a cortina, sem retirá-la da direção em que estava, para tocar a água, percebendo que estava ainda bem quente.
—Que estranho... Será que o Ryo, deixou a banheira cheia? –Murmurou novamente ela, apressando-se ainda mais para banhar-se.
Entrou na água de lado, olhando para os degraus, de maneira mecânica, como sempre fazia, enquanto segurava os cabelos, e se apoiava na beirada com a mão livre. Ao sair dos degraus, a Hanma ajoelhou-se para mergulhar o corpo até o pescoço, ficando novamente de pé em seguida, para ensaboar-se com uma essência perfumada e líquida.
Primeiro o pescoço, braços, axilas e a área dos ombros, depois o colo, e os seios. Após isso, mergulhou-se novamente, e ainda de joelhos, desceu as mãos pelo quadril, lavando delicadamente a marca e púbis e as nádegas, antes de afastar-se lentamente pela água, esperando encostar-se a parte oposta da banheira, ficando assim, de frente para a porta do banheiro, para lavar as pernas.
Mas suas costas não tocaram as paredes de madeira, e sim um corpo másculo. Em um impulso Leodora virou-se abruptamente e procurou ficar de pé, ficando com água até acima da altura do quadril.
—AHHH ... –Gritou a hanma.
—Calma, Leo, sou eu. –Ryotaro tentou fazê-la se acalmar.
—O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? VOC.... hummmumm... –A hanma gritou novamente, mas teve sua boca fechada por Ryotaro.
—Não grite... As crianças vão acordar assustadas... Eu já estava aqui, quando você entrou... Esqueci que você não sente o meu cheiro... Desculpe! –Ryotaro sussurrou, e após isso, soltou a boca da hanma que se voltou para encará-lo novamente.
—Tudo bem... Mas você podia ter me avisado! Eu só fiquei nervosa porque achei que fosse um estranho, e... Ahh.... –A hanma começou a explicar, mas deu conta de que estava nua, com Ryotaro, e rapidamente abaixou-se n’água, enquanto cobria os seios com os braços.
—Leo, eu já pedi para não gritar... –Ryotaro murmurou constrangido e levemente irritado.
—Desculpe... Esqueci que eu estava sem roupa... –Sussurrou a hanma encostando-se na parede de madeira do lado oposto ao de Ryo, próximo aos degraus.
Os dois se encararam visivelmente constrangidos por alguns minutos. Até que Ryotaro riu.
—O que é tão engraçado? –Quis saber Leodora.
—Nós somos... Haha... Nós praticamente nos conhecemos em uma banheira... E olhe onde estamos?! –O youkai abafou outra risada.
—Sim... Haha... Mas estávamos vestidos... –Leodora também riu, mas completou.
—E que diferença isso, faz? Eu já vi você só de roupa íntima... –Ryotaro se lembrou do episodio onde ela mostrou sua marca.
—Ora! Mas eu tinha que te mostrar, não? De que outra forma você me entenderia? –Leodora se defendeu.
—Poderia ter só dito... Acho que você queria que eu visse seu corpo... –Ryotaro provocou-a sorrindo malicioso.
—Ahh... Com certeza! Por acaso, fui eu quem quis tirar as calças quando eu te dei um simples banho calmante? –Leodora respondeu com o mesmo deboche.
—Ora eu só sugeri isso porque achei que você poderia me fazer uma massagem nas pernas... –Ryotaro disse com desdém.
—hahaha... Por acaso eu tenho cara de massagista? -Riu-se a hanma enquanto jogava água no rosto do youkai.
—Ah é assim? –Perguntou Ryotaro, sorrindo fingindo irritação, antes de jogar água na hanma que revidou rindo.
—Não! Não molhe o meu cabelo! Hahaha...
—Ahh então o ponto fraco é o cabelo? Vamos ver se esses cachinhos sabem nadar! –Disse Ryotaro com uma expressão maliciosa.
—Não se atreva, Ryo! Haha... Ahhh! –Leodora tentou puxar a cortina de bambu para se proteger d’agua, mas não calculou a força, e acabou arrancando a mesma, que só não lhe caiu na cabeça, por que Ryotaro foi mais rápido.
Ambos estavam muito próximos. O tórax definido de Ryotaro estava à sua frente segurando a cortina, acima da cabeça de Leodora. Tão próximos que poderiam sentir o álito um do outro em suas faces. O youkai fênix jogou para fora da banheira a cortina, mas permaneceu encarando a hanma com seus olhos violetas, enquanto seus braços apoiavam na borda da banheira, enlaçando a hanma morena.
A hanma também mal se movia. Seus olhos estavam fixos nos de Ryotaro, e na expressão confusa dele. Seu coração batia acelerado, quase saindo pela boca, enquanto sua mente divagava entre pensamentos escusos com a boca de Ryotaro tomando a sua de modo avassalador.
Ryotaro trincou os dentes, ao sentir o doce cheiro de excitação misturado ao da virgindade da hanma tomarem conta do ambiente.
A água começou a esquentar novamente para surpresa de Ryotaro, e desespero de Leodora.
— Pensei que você só tivesse poder sobre a terra... Murmurou o youkai enquanto acariciava delicadamente o rosto de Leodora.
—Não sou como as outras hanmas da terra... Eu... Sou... Diferente... Eu controlo a terra desde os minérios, até a lava incandescente... –Leodora murmurou enquanto segurava a mão de Ryotaro sobre seu rosto, enquanto o encarava com uma expressão perdida, e assustada.
—Leo... Eu prometi que não te tocaria... Mas... –Ryotaro gemeu, enquanto entrelaçava suas mãos as da hanma, para logo em seguida aproximar-se de Leo e beijá-la, finalmente.
Beijaram-se com toda a paixão e com todo o desejo que haviam reprimido em seus corações. As peles quentes se tocaram, causando ainda mais desejo. Ryotaro tocava a pele macia das costas da hanma, mantendo-a em seu beijo desejoso, enquanto sentia em seu próprio peito os seios volumosos, e incrivelmente quentes da hanma.
—Leo... Eu desejo tanto você... –Ryotaro sussurrou, mantendo-a em seu abraço.
—Também te desejo muito... Não consigo mais me controlar... Ryo... Estou com muito medo... Mas... Não quero parar... –Leodora disse deixando uma lágrima descer pela tez morena.
—Leo... Eu... Tenho que te dizer uma coisa... Eu preciso te contar que... –Ryotaro buscava as palavras, mas todas elas fugiam em sua mente.
Subitamente a morena baixou os olhos.
—Eu sei o que vai me dizer Ryo... Desculpe-me por tudo isso... –A hanma disse tristemente, antes de se afastar do youkai atônito.
—Espere Leo... O que... –Ryotaro pegou-a pelos ombros impedindo-a de sair da banheira.
—Você ia me dizer que ainda ama a fêmea que te magoou não é? Eu... Eu sou a culpada por isso... Eu aceitei me unir à você, mesmo sabendo que não poderia lhe pertencer, e que você amava outra fêmea... E agora estou aqui, sendo inconsequente, e confundindo as coisas... Você e eu somos amigos e é só isso! –Leodora argumentou tirando a mão do youkai de seu braço, com certa frieza, e erguendo-se para sair da banheira, cobrindo seu sexo e seios com os braços.
Ryotaro permitiu que ela saísse do banheiro. E não demorou muito para que o cheiro das lágrimas da hanma morena se fizesse sentir por ele. Para sua surpresa, sentiu-se destroçado.
Era como se tivesse perdido algo mais importante que o ar de seus pulmões.
Ele não revelara à hanma, que quando ela entrara no banheiro, ele havia percebido a intenção dela em se banhar.
Mesmo assim, esgueirou-se para trás da cortina de bambu, pois o enorme desejo que sentia pela hanma, não o permitiu se revelar. Ao vê-la se despir, o youkai, sentiu-se como se estivesse hipnotizado pela pele morena desnuda, e simplesmente não teve forças para alertá-la sobre sua presença.
Ele sabia a verdade. Sua união com Leodora não tinha nada de falso. A sua marca estava nela, e tudo o que ele precisava para sacramentar de vez a sua união para com ela, era tomá-la para si. E apesar de prometer ajudá-la a se livrar da marca, era nítido para Ryotaro, que cada dia que passava ao lado dela, ficava mais difícil cumprir sua promessa.
As palavras da hanma ecoavam em sua mente, e ele colocou as mãos sobre a cabeça, para organizar as ideias.
“Você ia me dizer que ainda ama a fêmea que te magoou não é? Eu... Eu sou a culpada por isso... Eu aceitei me unir à você, mesmo sabendo que não poderia lhe pertencer, e que você amava outra fêmea... E agora estou aqui, sendo inconsequente, e confundindo as coisas... Você e eu somos amigos e é só isso!” Disse a hanma várias vezes na mente de Ryotaro.
No entanto, ele notou que quando ela tocara no assunto, de seu coração ferido, a lembrança de Minara tornou-se presente. Mas para sua inteira surpresa, seu coração não correspondia mais em nada. Entretanto saber que Leodora poderia deixá-lo manifestava uma dor única, nunca sentida por ele anteriormente.
Apenas uma dúvida permanecia na mente de Ryotaro. Era a lembrança da visão que Minara havia lhe dado. Leodora não possuía nenhum anel de Safira, e isto ainda o perturbava, mesmo que minimamente.
Ainda envolto em tais pensamentos, Ryotaro ergueu-se da banheira, e colocou seu roupão no corpo ainda úmido, e foi para o quarto que dividia com Leodora.
A hanma estava se penteando como todas as noites, e baixou o olhar quando o viu entrando no quarto.
Ryotaro, então foi até ela e tomou-a nos braços, em outro beijo abrasador.
A hanma tentou evitá-lo, mas o desejo tomou conta de si, fazendo com que ela abrisse os lábios, para receber a língua furiosa de Ryotaro.
Ryotaro ergueu-a nos braços sem a menor dificuldade e colocou-a sentada sobre a penteadeira, encaixando-se entre as pernas vacilantes da hanma embriagada de paixão.
—Ryo... Por favor, não podemos...! Isso é perigoso demais... –Gemia a hanma tentando alertá-lo.
—Eu estou apaixonado por você, Leo... E só por você... Não existe outra... Não mais... –Ryotaro sussurrou, enquanto tocava delicadamente a parte interna das coxas da hanma fazendo-a gemer baixinho.
—Ryo... Eu também... Estou apaixonada por você, e a cada dia eu sinto... Que me apaixono mais... Só tenho medo dessa maldita marca... Não quero, perder você, Ryo...–A hanma murmurou, temerosa.
—Leo... Eu... Antes que façamos qualquer coisa... Eu... Preciso, contar a você, algo sobre mim... –Ryotaro tentou recomeçar o tão delicado assunto.
Mas, algumas batidas miúdas na porta do quarto, acalmaram os ânimos, e mudaram o foco da conversa. Era a pequena Áureael, que havia tido em pesadelo.
—Mamãe... Eu sonhei com uma bruxa... Uma bruxa de olhos verdes! – Disse a criança chorosa.
—Calma querida, mamãe está aqui com você... –Murmurou Leodora ao abraçar a menina, ainda na porta.
—Posso dormir aqui... Com você e o papai? –Questionou a menina, vacilante.
—Claro que pode Áureael. Papai vai vigiar o seu sono, não se preocupe... –Ryotaro disse, carinhosamente, enquanto a erguia nos braços para alentá-la.
Após isso, foi até as duas camas, de solteiro, e uniu-as, fazendo assim uma cama de casal.
A menina acabou dormindo entre Ryotaro e Leodora, e quando Ryotaro conseguiu levá-la de volta para seu quarto, Leodora já estava dormindo pesadamente.
O youkai fênix, a aconchegou em seu peito, e tentou dormir, sem sucesso, pois seus pensamentos, confusos e preocupados, não o permitiam.
Ele teria de tomar uma decisão. Ou esperava pela tal fêmea de sua visão, e ajudava Leodora a se livrar de sua marca, ou continuava apaixonando-se a cada dia por ela, e permitindo que ela também se apaixonasse, de modo a assumi-la definitivamente.
Os dois modos tinham percausos. Se a livrasse da marca, possivelmente teria de viver longe dela e de seus já tão amados filhotes adotivos. Se ficasse com a hanma teria de encontrar um modo seguro de contar-lhe a verdade sobre si.
Essa escolha definiria todo o futuro de Ryotaro, e de Leodora, e o fato era que do jeito que estavam envolvidos, não demoraria muito para que sucumbissem ao desejo que sentiam um pelo outro.
Após algumas horas, Ryotaro finalmente caiu no sono, e sem que ele tivesse sequer qualquer suspeita, do lado de fora da casa, de uma distância não muito afastada, um par de olhos verdes fantasmagóricos espreitava o doce lar do youkai.
A noite já estava caindo, quando a caravana de Raijin chegou ao seu destino, os portões de ferro que fechavam a estrada de pedras que percorria toda a extensão das terras do Dai Shi no Shiro. Para Kikyou que observava atenta, a todo o caminho percorrido, a visão do grande portão e das torres de sentinelas, era algo imponente e ao mesmo tempo aterrorizante.
O vento gélido soprava contra as carruagens, enquanto o ranger do enorme portão se abrindo revelava a figura de dois enormes machos youkais, que saíram ao encontro das carruagens para conferir com precisão quem eram os ocupantes da mesma.
Quanto mais se aproximavam já na penumbra do crepúsculo, mais ficava nítida sua aparência assustadora.
Eram como lobos humanoides, com pelo menos dois metros de altura, pelagem plúmbea, garras e presas avantajadas e aparentes, e estavam vestidos com partes de armaduras de ferro escuro, nos ombros, peitorais e quadris. Os olhos vermelhos brilhavam na penumbra, enquanto rosnavam e farejavam o ar, buscando conhecer quem verdadeiramente eram os viajantes que se apresentavam diante deles.
Kikyou ficou apreensiva, mas Raijin a acalmou, apertando delicadamente sua mão, enquanto falava de dentro da carruagem.
—O que há com vocês sentinelas? Acaso não conhecem o cheiro de seu General, e de seus capitães? Sou eu mesmo o general Raijin que estou aqui diante de vocês... –Raijin falou em alta voz.
—Perdão pelo transtorno senhor... Mas sentimos cheiro de humanos... Pensamos que pudesse se tratar de alguma astúcia deles... –Justificou-se um deles, com sua voz gutural,enquanto reverenciava seu senhor.
—Sim, general... Há um cheiro de fêmea humana muito forte vindo desta carruagem... Fêmea recém-deflorada... –Disse o outro sendo mais indiscreto, enquanto sorria de lado, e lambia os lábios de maneira grotesca. Kikyou sentia a face queimar de vergonha e ojeriza.
—Entendo... Pois saibam que a partir desta data sentirão cheiro de fêmea humana sempre que eu estiver por perto... –Disse Raijin antes de abrir a porta da carruagem, e empurrá-la o suficiente para que os youkais sentinelas vissem Kikyou que se segurou ao máximo para não transparecer seu pavor.
—General Raijin? O senhor tomou uma... –Riu-se maliciosamente o primeiro sentinela antes de ser interrompido por Raijin.
—Esta é minha fêmea, Lady Kikyou. –Disse Raijin, seriamente, enquanto os soldados surpresos se entre olhavam, e por fim a reverenciavam. Após isso, Raijin fechou a porta da carruagem, abruptamente, e a caravana seguiu sem maiores percalços.
Após passarem pelos portões Kikyou suspirou aliviando a tenção que sentira anteriormente, Raijin lhe sorriu, enquanto acariciava seu rosto, para acalmá-la.
—Não se preocupe Kikyou... Você está segura nestas terras... Ninguém ousará fazer mal a minha fêmea... – Disse o youkai antes de beijá-la ternamente. Kikyou apenas sorriu –lhe de volta e concordou com a cabeça.
À frente deles, serpenteava a imensa estrada de pedras azuladas, que guiava a caravana, por entre uma floresta densa e sombria, já que à esta altura, as luzes do portão já não eram mais eficientes.
Aos poucos algumas propriedades rurais eram vistas e após mais de uma hora, as luzes de um vilarejo começaram a aparecer.
A estrada continuava por dentro do vilarejo, sendo cortada por apenas algumas vielas, que acomodavam algumas centenas de moradias, e pequenos comércios.
Kikyou observou alarmada, que não havia humanos no vilarejo, mas somente youkais, e que conforme a carruagem passava todos os que estavam nas ruas erguiam a cabeça para olharem surpresos e até mesmo enervados para dentro dela.
Ao saírem de dentro da vila, a estrada continuou subindo levemente, após mais um bom tempo, outro portão chamou a atenção da miko. Este parecia ainda mais reforçado que o primeiro, e estava com mais sentinelas, exatamente como os primeiros.
Desta vez a carruagem não foi detida, embora o comportamento dos youkais, fosse ainda muito suspeito.
Dentro deste novo portão, mais um vilarejo, se via não muito longe, e apenas Hanyous e humanos viviam neste. Somente após saírem deste segundo vilarejo e continuarem subindo pela estrada, por mais alguns minutos puderam, ver, nas extremas laterais do planalto, um a cada lado, as luzes dos palacetes de Kazuyia e Shuhei, tendo o shiro bem no meio.
Finalmente as carruagens chegaram à um cruzamento, onde a estrada transformava-se em Quatro estradas, cada uma levando à um local diferente. Neste instante a caravana parou, e Koüga, Kazuyia e Shuhei se despediram dos demais para tomarem os respectivos caminhos de seus lares.
Raijin e seus familiares continuaram em frente, e após algum tempo chegaram ao átrio principal do Dai Shi no shiro.
Kikyou percebeu que o shiro, era maior que o de Inuyasha, mas possuía uma atmosfera mais lúgubre e pesada, apesar das inúmeras roseiras brancas que subiam pelas paredes externas. Ainda no pátio principal, Kikyou vislumbrou os serviçais, quase todos youkais, que estavam na porta aguardando seu senhor para dar-lhe as boas vindas.
Todos pareciam maravilhados ao virem seu antigo mestre, Susanoo e sua lady Byaküro, e pareciam ressabiados, ao virem que Ícaro o embaixador, havia tomado Yukina como fêmea. Entretanto, quando Raijin levou Kikyou de mãos dadas, a surpresa e descrença tomou conta de seus semblantes, e foi impossível para Kikyou, não percebê-lo.
—Lorde Raijin, que bom que está de volta ao seu lar, com toda a sua família novamente reunida... Mas... Quem é... Esta... –Murmurou um youkai mais velho, de olhos azuis violetas e cabelos longos e cinzentos, vestido de maneira formal, que Kikyou julgou se tratar de um servo, mordomo assim como Janken.
—Seiji, esta é nossa nora, Kikyou. Ela é uma miko muito poderosa, e será a mãe de nossos netos, portanto queremos que ela seja muito bem tratada aqui, já que ela é a lady deste shiro, e destas terras... –Byaküro disse com firmeza para que todos os servos ouvissem.
—Ah sim... Seja bem-vinda milady Kikyou... Espero que tudo seja de seu agrado. Por aqui, senhores, o jantar está prestes a ser servido... –Disse o mordomo youkai , enquanto todos entravam no shiro.
A entrada do shiro levava a um salão tão grande, quanto luxuoso, que não possuía varandas, mas sim, portas de ferro e vidro imensas compostas por vitrais delicados, e grossas cortinas de veludo azul petróleo, em contraste ao piso de pedra polida, cor de gelo. Três grandes castiçais prateados faziam a iluminação do salão. No teto do salão afrescos delicadamente pintados mostravam uma noite tempestuosa e raios brilhantes. No final do salão uma escada majestosamente protuberante e bem no centro da parede, ocultava de maneira sugestiva, dois arcos um à cada lado, que lavam aos demais aposentos do andar térreo. No topo da escada, nos cantos de cada parede oposta, mezaninos redondos e protuberantes, como camarotes sobre o salão. E ao lado de cada um deles, uma escada levava ao terceiro andar do shiro. Assim sendo uma escada para o segundo andar, e duas para terceiro, tendo ao lado de cada uma delas um “camarote”, e entre elas o espaço para ir para a escada do primeiro andar.
Ao olhar por uma das Janelas-portas, Kikyou vislumbrou o pequeno jardim que emoldurava o shiro, juntamente com uma mureta.
A sala de jantar ficava atrás da escada, na entrada à direita da mesma, e seguia os mesmos moldes imponentes do restante do shiro, com confortáveis poltronas e demais móveis em tons de prata, branco e azul petróleo.
A mesa estava ricamente posta, e os serviçais aguardavam na entrada com bacias e ânforas para lavar as mãos dos seus senhores.
Uma destas servas, ao ver Kikyou quase deixou a bacia cair de suas mãos, assustada. Foi a própria miko quem a ajudou segurando o objeto antes que caísse.
—M-mil Perdões milady.... Eu... –Murmurou a jovem desconcertada.
—Ora, Mariko, qual foi o desastre que você causou agora? –Perguntou Seiji, virando os olhos com desdém.
—Ela não fez nada demais... Seu nome é Mariko, certo? –Disse Kikyou perguntando a jovem moça com doçura.
—Sim, Milady... –Respondeu ela de cabeça baixa, enquanto o olhar Seiji, a censurava duramente.
— Muito prazer... Eu sou Kikyou... Não precisa se preocupar... Isso acontece com todo mundo... Eu fico contente de ao menos ter uma humana neste shiro... –Murmurou Kikyou sorrindo.
—Você não precisará se preocupar com isso, minha querida! Poderá visitar o vilarejo que fica aos pé do shiro, quando quiser! Mas, você tem razão, parece que só tem a Mariko, de humana por aqui... Humm... Mariko, o que você acha de ser a serva pessoal da Lady Kikyou? –Disse Byaküro com entusiasmo.
—S-sim... Se a milady me aceitar... –Murmurou Mariko sem disfarçar um sorriso.
—Mas... Byaküro... Eu nunca tive uma serva! Não acho que seja necessário! –Kikyou afirmou corada.
—Mas é claro que é necessária querida! Está decidido, Mariko, pode ir preparar o banho da lady, você agora é serva pessoal dela, sim, querida? –Byaküro disse com segurança e uma pequena ponta de satisfação na voz.
A jovem Mariko cumprimentou-a antes de sair na direção dos aposentos.
Após isso, Seiji anunciou o início do jantar, e os demais servos trouxeram a comida e começaram a servir os youkais.
—Perdoe-me milady, o seu jantar está sendo preparado de improviso, já que não imaginávamos que teríamos uma humana na mesa... –Murmurou Seiji, com um olhar sombrio, que Kikyou conseguiu ver bem, e que a deixou arrepiada.
A comida servida era uma espécie de sopa, composta de pedaços de carne mal passada, coberta com um caldo enegrecido, servido com pedaços de pão sem fermento. Uma bebida com cheiro forte de álcool fora servida à todos menos à miko, por opção dela mesma, enquanto, ela lutava para transparecer naturalidade.
A miko já havia feito suas refeições com Raijin e outros youkais, e a comida deles não a incomodara antes. Mas aquela refeição em especial a deixara bastante, sobressaltada.
Quando todos terminaram a sopa, o mordomo Seiji mandou que trouxessem o prato principal.
Uma grande bandeja tampada, foi colocada por dois servos no centro da mesa. Após isso, Seiji, dirigiu-se a Kikyou, com um sorriso simpático nos lábios.
—Milady, eu imagino que aprecie carne de porco... Pelo que sei os humanos a adoram... Estou certo? –Perguntou o lobo cinzento, quase com inocência na voz.
—Ah... Sim... Eu aprecio sim! –Respondeu Kikyou com o máximo de simpatia que pode.
—Ah que bom! Então por favor aprecie o prato principal... Carne de porco fresca! –O mordomo disse com um sorriso sarcástico, antes de erguer a tampa da bandeja de prata.
Dentro da bandeja havia sim, um leitão. O animal limpo, amarrado, deitado em uma poça de seu próprio sangue, e ainda agonizantemente vivo. A língua fora arrancada, e ele não emitia nenhum som, apenas os olhos mexiam apavorados.
O mordomo, ainda sobre o olhar apavorado de Kikyou, cravou uma faca no coração do animal, antes de arrancá-lo e oferecê-lo a miko.
Kikyou não o respondeu. Apenas levantou-se ofegante e disse que não estava com fome.
Correu o máximo que pode e subiu as escadas como se sua vida dependesse disso.
Ao chegar ao segundo andar, encontrou Mariko que a levou para um dos aposentos do andar.
A miko nem sequer reparou nos detalhes do quarto que estava apenas correu orientada pela serva, para o banheiro e vomitou a biles amarga, já que não tinha comido nada desde cedo.
—Calma senhora... Quer que eu chame Raijin-sama? –Perguntou Mariko, nervosa por ver a gentil senhora passando tão mal.
—Não Mariko... Por favor, apenas fique comigo aqui... Já vai passar... Eu só preciso de um banho e de descanso... –Kikyou minimizou.
Assim que a miko apresentou uma melhora considerável, a serva então a levou, até a escada, onde subiram até o terceiro andar. Enquanto caminhavam, Kikyou contou pelos menos oito aposentos mais a porta do fim do corredor.
E foi exatamente lá que Mariko levou Kikyou, apresentando-a ao aposento como seu novo “quarto”.
O quarto era grande, e luxuoso como era de se esperar, com piso de mármore azul polar, e paredes de mesma cor. Uma cama grande de casal, feita em pilares de um material semelhante ao cristal, com dossel e cortinas azuis com bordas com fios de prata, estava localizada a esquerda da porta de entrada, no meio da parede lateral. A parede oposta da porta de entrada era inteiramente de ferro e vidro multifacetado, com grossas cortinas de veludo para garantir a privacidade, e onde havia outra porta, do mesmo material, que dava para uma confortável varanda com vista para o vale. Lá embaixo Kikyou vislumbrou em meio à escuridão, algo que parecia uma imensa lagoa e mais uma densa floresta. Do lado esquerdo ainda em referencia à porta de entrada do aposento, uma lareira grande centralizada entre duas entradas.
Ao passar pela entrada à direita da lareira, Kikyou percebeu que as duas entradas levavam à um mesmo aposento, mas que era dividido por cômodas de vidro, decorado como se fossem mostruários. Nas paredes, armários e compartimentos de metal cromado e vidro, onde estavam Joias e roupas masculinas, todos situados à direita do aposento. À direita onde haviam entrado, os compartimentos estavam vazios, tendo apenas em alguns deles, as roupas e os demais pertences que Kikyou havia trazido. Enquanto à esquerda, estavam quimonos e roupas masculinas, além de joias e sapatos, todos, segundo Mariko explicara, pertencentes à Raijin.
Após passarem por este ambiente, encontraram outra porta, que levava à uma banheira redonda e uma pia, tendo outra porta ao lado, com um sanitário e outra pequena pia.
No aposento da banheira, o maior dos dois, havia uma janela tão grandiosa quanto as Janelas portas que haviam no salão. Ao lado da banheira de mármore azulado, um armário e um grandioso espelho com molduras que imitavam galhos de prata.
Kikyou despiu-se com cuidado e com a ajuda de Mariko, começou a se banhar. Após terminar, de banhar-se, se ungiu, perfumou-se e vestiu um quimono de dormir que havia ganhado de presente de casamento e decidiu deitar-se um pouco para recuperar as energias.
Mal o havia feito batidas na porta foram ouvidas. Byaküro, e Yukina chegavam com uma bandeja de chá e alguns bolinhos feitos com frutas para a nora.
—Kikyou você está bem? –Perguntou Yukina com real preocupação.
—Ah minha querida! Eu mesma preparei este lanchinho para você, meu bem... Você não pode dormir de barriga vazia! –Byaküro disse maternalmente.
_ O Seiji ficou arrasado com sua partida. Pediu mil desculpas, por tê-la ofendido... –Yukina murmurou descrente.
—Ah, Byaküro, é muita gentileza sua... Yukina, se você quer mesmo a minha opinião sobre o tal de Seiji, eu...
—Senhora, o senhor Seiji, odeia humanos! Ele fez de propósito! Ele expulsou a maioria dos humanos que trabalhava aqui! Ele nos detesta! –Disse Mariko, explodindo. Depois disso, pediu perdão e já ia saindo do quarto, quando Yukina, a segurou pela mão, com um sorriso doce nos lábios.
—Parabéns pela coragem, menina... Eu percebi seu valor no momento em que pus meus olhos em você! Por isso, pedi que ficasse ao lado da minha nora. E quanto ao Seiji, bom, embora ele seja o filho de um grande amigo, o nosso antigo mordomo, o senhor Hiro, minha intuição me diz que ele é exatamente tudo isso que você acabou de dizer e muito mais... –Byaküro disse sorrindo simpaticamente para Mariko.
—Seiji, foi escolhido pelo próprio senhor Hiro, quando ele nos deixou... Raijin e eu achamos melhor acatar o último desejo dele. No entanto, salta aos olhos, que ele tem um grande problema em ter humanos por perto... –Yukina disse desconcertada.
—Eu também percebi que ele não gostou nem um pouco de saber que eu sou humana, Mariko... Mas eu não entendi Vocês, Yukina e Byaküro, se perceberam tudo isso, porque vocês simplesmente não o mandam embora daqui? –Kikyou quis saber.
—Porque quero que você aprenda uma lição importante. Eu lhe disse, antes, os youkais que respeitam os seres humanos, são poucas exceções. Você deve ter reparado que o clima, aqui nestas terras, é bem diferente do que você viu em Meikakuna mün e no Daí san no shiro, certo? A simpatia que Susanoo e eu sempre tivemos para com os humanos, não é uma prática comum de nosso clã, e mesmo Raijin, nosso próprio filho, não compartilhava da mesma opinião que nós tínhamos e temos. Isso até você chegar à vida dele. Apesar de ele ser o general, agora, e, portanto líder de todos que vivem nas terras deste shiro, isso não quer dizer que os outros youkais sejam eles de nosso clã ou apenas aqueles que convivem conosco, vão aceitá-la prontamente por respeito à Raijin...E isso se aplica à Seiji. Se mandarmos Seiji embora daqui, apenas daremos mais motivos para que odeiem você, e não vai resolver o real problema Kikyou. Você é que terá que aprender a lidar com youkais preconceituosos como ele. –Disse Byaküro com firmeza, enquanto segurava as mãos de Kikyou, para apoiá-la.
—Estou entendendo... Bom, você tem razão, eu terei que aprender de uma forma ou outra... –Kikyou disse com certo desânimo.
—Não fique assim, Kikyou... Você conseguiu conquistar o mais difícil, o Raijin! Com a nossa ajuda e da Mariko, os outros serão mais fáceis, você vai ver!-Yukina animou-a.
—Não tenho tanta certeza, Yukina... Só posso dizer que será uma pena que você vá embora amanhã... –Kikyou disse sorrindo melancolicamente.
—É... Mas... Mamãe vai ajudá-la, e ela é muito boa nisso... –Yukina afirmou encarando a mãe com doçura.
—Sim, vou ajudá-la... E vou ajudar você também minha filha... Assim que Kikyou e Raijin estiverem bem, eu vou passar alguns dias com você... Está bem? –Byaküro disse emocionada, antes de abraçar sua cria.
Ficaram pois, conversando alegremente enquanto Kikyou comia e sorvia seu chá. Após mais alguns minutos, Raijin abriu a porta e bateu com os dedos na soleira para chamar a atenção das fêmeas.
—Ei, a festa acabou! Que tal me deixarem aproveitar um pouquinho da minha fêmea? –Raijin disse sorrindo malicioso, antes de levar um cascudo da mãe.
—Ela está exausta Raijin! Não se atreva a querer acasalar com ela neste estado, ouviu bem? –Disse Byaküro ligeiramente irritada. Deixando Yukina vermelha de vergonha.
—Mãee! Isso dói! Ora como você quer que eu te dê netos se não posso tocar nela? –Reclamou o youkai.
—Ora, espere ela estar descansada e tranquila! Não seja um boçal!Aliás, estou começando a achar melhor que ela durma comigo e com seu pai de novo... –Byaküro estava falando quando foi cortada por outro macho, que entrou sorrateira no aposento.
—Oh não querida... Hoje infelizmente, não poderemos... Eu estou com saudade de possuir a minha fêmea... Você entende, não é mesmo, minha querida Kikyou?! –Murmurou Susanoo no ouvido da youkai fazendo-a sorrir maliciosa, antes de falar abertamente para a miko, deixando Kikyou ainda mais sem graça.
—Isso ,mesmo pai, eu entendo perfeitamente... AAihhh! –Raijin disse antes de levar outro tapa na cabeça desta vez do pai.
—Isso não quer dizer que você pode se aproveitar da pobre Kikyou! Cuide muito bem, dela, ouviu Raijin? Bem, boa noite meus queridos... Até amanhã!–Disse Susanno, antes de levantar Byakuro nos braços e sair com ela pela porta sob os olhares incrédulos e surpresos dos demais.
Mariko, que havia preparado o banho de Raijin, e estava vermelha dos pés à cabeça, saiu após o casal apaixonado.
Nesse instante Ícaro apareceu na porta, com a mesma expressão confusa no rosto.
—Eu acho que vi, Susanoo Sama levando Byaküro sama, no colo para o quarto... Está tudo bem? –Perguntou o hanma moreno.
—Haha... Está sim, Ícaro. Vamos para o quarto que eu te explico tudo... Boa noite Raijin, e Kikyou... Descansem... Até amanhã! –Despediu-se Yukina enquanto lava Ícaro para fora do aposento e fechava a porta.
—AHH enfim sós... Humm... Você já se banhou? Que pena... Queria que tivesse me esperado... Mas, não há problema, você pode me acompanhar no meu banho... E aí pode me contar tudo o que te aflige, enquanto esfrega minhas costas... Ou enquanto eu massageio seus pezinhos... O que me diz...? –Raijin perguntou, enquanto puxava a coberta para puxar os pés de Kikyou, e beijá-los sensualmente.
—Ah... Acho que vou aceitar seu convite... Mas tem uma condição... –Disse a miko sorrindo inocentemente.
—Humm, e qual seria, essa condição? –Raijin cruzou os braços à frente do corpo, desconfiado.
—Vai ter que me levar no colo, igual ao seu pai quando levou sua mãe... –Disse Kikyou, abrindo um largo sorriso que encantou Raijin.
—Oh, se é assim... –Disse Raijin, antes de erguer Kikyou, sem nenhuma dificuldade e ir em direção à grande banheira.
Ao chegar lá, Raijin colocou a miko à beira da banheira, antes de despir-se por completo e banhar-se, enquanto conversavam sobre todas as dúvidas da miko. Após isso, acalorados pelo momento de intimidade, fizeram amor até se saciarem.
Foi no meio da noite que Kagura e Kanna e restante da caravana de Isamu, chegaram ao imponente Daí GO no shiro.
Assim como os demais shiros,o Daí Go ficava no alto, no topo de um elevado.
A região, em que estavam, era uma serra litorânea e possuía grandes rochedos próximos ao mar, tendo no lado oposto, as montanhas cobertas por florestas impenetráveis, praticamente intocadas por mãos humanas. Em um planalto no início de uma grande cordilheira, protegido por rochedos íngremes como estacas pontiagudas, estava o Daí Go no Shiro, surgindo do meio da floresta, tendo duas cachoeiras, uma a cada lado, e algumas vilas à seus pés. A mais próxima ao shiro, era uma vila de humanos, que prosperava à sombra da imponência e da proteção do shiro. Mais abaixo, nas florestas mais densas havia mais duas vilas, ambas de youkais. A cordilheira que se iniciava no shiro, se estendia por mais de sessenta quilômetros dentro do território e só poderia ser atravessada voando, já que o terreno era demasiado instável para qualquer criatura que andasse. Ao final, dela, ao lado oposto ao do Daí Go, estava situada a vila dos tengus, na montanha dos Karasu, onde Katashi e seu coração partido, também haviam chegado.
O Daí Go possuía ainda jardins e pomares em degraus, todos milimetricamente concebidos e executados, o que tornava a paisagem ainda mais bela. Atrás do Shiro, em lados opostos, acima do grande rio que dava origem as cachoeiras laterais do shiro, com escadas magníficas que subiam pelas laterais do rochedo, cada qual ao seu lado, estavam esculpidas as grandiosas casas de Hideaki e Nagato.
A pequena Kanna segurava a mão de Kagura, apreensiva com os youkais e Hanyous que aguardavam nas escadarias frontais do Shiro.
Ao perceber a angústia da criança youkai, Emi aproximou-se e pegou-lhe a outra mão, e com um sorriso, doce, tentou confortá-la.
Kanna sorriu de volta, e olhou novamente para frente, desta vez, com confiança.
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