Perdida Na Tempestade
66 Encontro Marcado com a Esperança...
Notas iniciais
O encontro com Tomoko estava indo bem. Até eles se encontrarem com Susanoo, Byakuro, e Kikyou, e Kaede desesperar-se com medo de ser reconhecida por sua irmã. Ao vê-los se aproximar, a miko soltou o braço do youkai e saiu correndo como uma louca.
Hokuto não soube o que pensar à respeito do súbito descontrole da jovem humana, e apesar de ofendido, por ter sido abandonado em pleno “encontro”, decidiu ir atrás dela. Tirou a parte de cima de seu quimono, ficando apenas de Hakamas, (calças amplas do quimono tradicional masculino), e abriu suas asas brancas e imponentes, para procurá-la de cima, por conta da multidão. Encontrou-a já na saída da vila, na estrada que dava para a entrada dos jardins que circundavam a montanha. Ele voou na direção dela, que ainda corria, olhando para trás de vez em quando para ver ser era seguida, e pousou bem na frente dela, no momento em que ela olhava para trás. A miko trombou com toda a velocidade no peito nu do youkai Grifo, que segurou-a pelos pulsos, para que ela não caísse.
Kaede/Tomoko estava arfante e muito assustada. Hokuto mantinha sua expressão fechada, enquanto a encarava, o que fazia a tensão entre eles aumentar ainda mais.
—O que há com você, humana? Porque fugiu como uma louca, poderia ter se machucado, ou pior, machucado alguém que não tem nada haver com você! Se não desejava ser vista em minha companhia deveria ter me dito antes de sairmos do shiro. –Hokuto disse com seriedade e frieza.
—Não... Eu... Não é... Não é nada disso... Perdoe-me... É que... Eu não posso te dizer... A hime Minara me pediu segredo, por enquanto... –Kaede disse ainda arfante.
—Você não respondeu minha pergunta... O que fez você agir dessa forma? –Hokuto continuou estreitando os olhos.
—Eu já lhe disse! Não posso te contar! –Kaede respondeu irritada.
—Não pode me contar? Você me deixou sozinho como se eu não fosse ninguém! E do jeito que correu, não pretendia voltar para me dar nenhuma explicação! Afinal, o que acontece com você? Acaso é louca?
—Eu já pedi perdão! Eu sei que não agi da maneira correta, com o senhor, mas eu não tive escolha! Havia alguém lá, que por mais que eu quisesse, não pode me ver! –Kaede mordeu o lábio inferior, para tentar conter as lágrimas, mas elas desceram sem controle, deixando Hokuto ainda mais atônito.
—Aquela humana, a fêmea de Raijin, o filho de Susanoo e Byakuro, e que estavam com eles agora... Foi por causa dela, não foi? É a ela que você se refere, e é por causa dela que você está assim... –Hokuto concluiu instintivamente.
—Eu não posso... –Kaede/Tomoko, começou a secar as lágrimas enquanto falava, mas foi interrompida por Hokuto, que lhe acariciou o rosto suavemente, antes de secar lhe as lágrimas.
—Este fardo, é demasiado pesado, para que você o carregue sozinha Tomoko... Conte-me, e eu ajudarei com isto. E quanto à Hime, pode deixar que eu me entenderei com ela, pessoalmente depois. Eu lhe dou minha palavra de que ficarei ao seu lado, não importa as circunstâncias. –Hokuto disse calmamente, olhando nos olhos da miko.
Kaede sentiu-se protegida, de uma maneira que poucas vezes havia sentido. Respirou fundo, e decidiu que era melhor mesmo conversar com alguém, e ninguém melhor do que o amado general Hokuto, para ajudá-la a se esconder e disfarçar.
— Kaede... –Ela murmurou com seus olhos para baixo.
—O que disse? –Hokuto pegou-a pelo queixo obrigando-a a encará-lo.
—Meu nome, verdadeiro, é Kaede... Eu sou uma miko muito antiga, da aldeia das terras do general Inuyasha. Kikyou, a fêmea do general Raijin, é minha irmã... – Kaede começou a contar.
—Kaede... Combina mais com você, do que Tomoko... E então, Kaede, o que houve com você, e porque Minara não quer que você encontre sua irmã? –Hokuto questionou estranhando o fato.
—Por que... Kikyou é minha irmã mais velha... Mas ela morreu quando ainda era jovem... E eu dediquei minha vida à cuidar da nossa aldeia e dar continuidade ao trabalho dela. Quando ela ressuscitou, voltou jovem e bonita, mas eu já estava velha e marcada pelo tempo. Eu... Não vivi minha vida... Quando a guerra aconteceu, eu vim em socorro, da minha irmã, mas meu corpo quase octogenário não suportou um ataque de um youkai... Foi quando Minara Hime me encontrou e instintivamente me devolveu a juventude e a minha beleza, mas me pediu segredo, pois acreditava que o destino me reservava alguma missão. – Concluiu Kaede, com um suspiro de alívio.
—Bom isso explica muitas coisas... Mas não explica uma delas... –Hokuto baixou o olhar e se afastou um pouco.
—O quê você quer dizer com isso? –Kaede questionou-o incomodada com a atitude dele.
—Como você deve saber, eu tenho quase sete vezes a sua idade, portanto, já saí com fêmeas muito mais velhas do que você... Quando conheci você ontem, achei estranho o fato de você parecer tão jovem e ser tão antiquada em certas questões. E, além disso, a sua maturidade e sabedoria, foram fatores que chamaram bastante à atenção. Confesso que havia um bom tempo, que eu havia conhecido uma fêmea com quem pudesse conversar coisas tão variadas, e com tanta qualidade. Tanto tempo, que eu cheguei a cogitar que você fosse uma fraude... –Hokuto disse com sinceridade.
— Eu sinto muito por isso... E pensar que eu tentei ao máximo não transparecer quem sou! Acho que não sou uma boa atriz. –Kaede concluiu aborrecida, mas aliviada.
— Não precisa se desculpar. Entendo que você fez o que julgou certo. Assim como julgou correto me contar no momento em que eu lhe dei minha palavra. Próprio de uma fêmea sábia e prudente. – O youkai grifo elogiou-a.
—Gentileza sua. Mas acho que nem mesmo a idade me fez ser muito prudente. Se eu o fosse certamente não teria vindo atrás de Kikyou. E com certeza não teria me metido em toda essa confusão. –Kaede reconheceu.
—Não vejo por esse lado. A meu ver, você foi muito corajosa e altruísta. Sabia de suas limitações e mesmo assim veio tentar proteger sua irmã. E quanto ao resto, eu não posso falar muito. Mas como sei que não nos cruzamos no daí san no shiro, não sei como você era antes. Mas tenho a impressão de que você está melhor agora... –Hokuto sorriu malicioso.
—Mas eu o reconheci, por me lembrar, de tê-lo visto, lá! Mas o senhor tem razão, nós não nos encontramos. Como sabia disso?-A miko questionou curiosa.
—Seu cheiro. Mesmo estando envelhecida, você deveria manter o mesmo cheiro. Se não o reconheci imediatamente, é sinal de que não cruzamos nossos caminhos, infelizmente... –Hokuto lamentou chocando Kaede.
—Infelizmente? Você acha que poderíamos ter qualquer diálogo se eu ainda fosse uma velha Miko? –Kaede estranhou, e chegou mesmo a deixar a dúvida toma parte em sua frase.
—E porque não? Acha mesmo que a aparência me é algo tão vital? É claro que a aparência, é sempre um fator importante quando conhecemos um ser. Mas para ser franco com você, já tive fêmeas belíssimas ao meu lado, e nem por isso, me diverti como ontem, e até mesmo hoje. Isto, antes de você sair correndo e me deixar lá plantado... A sua companhia, me é muito agradável, e eu me sinto muito bem, quando estamos juntos. –Hokuto encarou-a com um ar de consternação.
—General Hokuto... Eu não queria fazê-lo passar por tal constrangimento... O senhor me foi um grande amigo... Quer dizer... Eu nunca havia socializado com um macho youkai antes... Mas... Se não fosse pelo senhor, a minha noite de ontem teria sido um desastre. Eu me senti tão deslocada perto de todos aqueles seres, que até mesmo os humanos me pareciam desconhecidos. E se não fosse, a sua gentileza, em ir me entregar um simples vestido, eu não teria realizado um antigo sonho... O de dançar em uma imponente festa! Realmente lamento por estragar nosso encontro de hoje... Também apreciei muito a sua companhia, e apesar de não transparecer, eu ansiei muito para que fossemos amigos... Mas, se o senhor não vê possibilidade disso, e sabendo, que lhe dei razões para isto, eu não posso obrigá-lo... Só posso agradecer por tudo o que senhor me fez, e pedir perdão por estragar a nossa amizade... –Kaede disse com pesar. Sentia o peito pesado, e uma sensação de perda que a fazia querer sumir dali. Chegou a dar as costas ao youkai grifo, mas quando deu o primeiro passo para sair do lugar onde estavam Hokuto se pronunciou.
—Não vai me perguntar qual a coisa que ainda permanece inexplicada depois de tudo que dissemos? –O Youkai grifo questionou-a e caminhou até ela lentamente. Kaede virou-se e encontrou-o já atrás de si. Estavam muito próximos e as respirações se confundiam. Kaede olhava para cima, enquanto, Hokuto olhava para baixo, se encarando, intensamente. Os corpos não se tocavam, mas estavam há apenas, milímetros de distancia.
—O que ainda não foi explicado, depois de tudo o que dissemos? Murmurou a miko embriagada pelos olhos do youkai grifo.
— Porque, você, uma antiga miko, humana, fascina-me tanto...? –Balbuciou o youkai confuso e desesperado antes de afundar suas mãos nos cabelos de Kaede e trazê-la para si, em um beijo forte e desejoso.
Kaede não resistiu. Aquela sensação era absolutamente nova para ela, já que nunca havia sido beijada, antes, quanto mais por um macho youkai desejoso dela.
Hokuto a dominou com a pressão gentil, mas possessiva, de seus lábios, e quando percebeu que ela se encontrava domada, permitiu que sua língua encontrasse a dela, para juntas despertarem ainda mais o desejo. Kaede sentia-se invadida por aquele beijo obsceno e mesmo assim, delicioso. As mãos dela estavam sob o peito nu do youkai Griffo e ela sentiu a pele arder em desejo, quando quase sem querer, ela o arranhou levemente. Os corpos estavam colados, presos pelos braços de Hokuto que se mantinham na cabeça de Kaede segurando levemente os cabelos dela, e o outro em sua cintura mantendo-a à sua mercê. A humana sentia o corpo trair-lhe, e o desejo que sentia era tão forte que ela sentiu-se desfalecer. Hokuto parou o beijo por alguns instantes para observar a expressão de embriaguês da humana, por perceber que ela estava trêmula, e Kaede percebeu nos olhos dele, que ao contrário dela que já se encontrava vencida pelo desejo, Hokuto ainda lutava para se controlar.
—Kaede... ? Você está bem? –Hokuto perguntou enquanto buscava recuperar o fôlego, e o juízo.
—Eu... Estou sim... Eu... O que foi isso? –Kaede quis saber, tendo em vista que nada mais era o que parecia.
—Nós nos beijamos... Não se lembra? –Hokuto sorriu desconfiado, ainda preso à ela, na mesma posição, observando o belo rosto da humana.
—Eu sei que nos beijamos... Mas não sei o que isso significa... Eu nunca havia sido beijada antes... –A miko disse displicentemente, mas logo se deu conta do que havia dito, e recriminou-se, enquanto sentia o rosto queimar de vergonha.
—Por favor, não se envergonhe por isso. Eu já sabia da sua virgindade, pelo seu cheiro, mas digamos que ser o primeiro a beijar você, me é algo ainda mais agradável. Sou mesmo um youkai de muita sorte, como lady Izanami me costumava dizer... Bem, respondendo à sua pergunta pode-se dizer que um beijo significa muitas coisas. Mas no nosso caso, acho que comprova que não poderemos ser apenas amigos. Teremos que ser algo mais do que isso. –O Grifo murmurou tomando Kaede nos braços sem qualquer cerimônia.
—General Hokuto? Para onde estamos indo? – Kaede limitou-se a perguntar ainda absorta pela atmosfera de fascínio que o grifo exalava.
—Vamos sair daqui... Vou levá-la à um lugar onde possamos conversar melhor... – Hokuto disse sorrindo sedutoramente.
Voou com ela alguns minutos para dentro da estrada, em um local aberto e gramado, cercado por heras e contornados por cercas vivas, altas. Mais afastado, encontrava-se um dos muitos jardins que havia em contorno da montanha. Este em particular, era mais afastado e discreto, mas ainda assim, era belíssimo. Havia uma espécie de clareira, cercada por árvores altas e centenárias, com um grande salgueiro situado, em um espaço seco, projetado no centro de um lago artificial. Pequenos peixinhos, que brilhavam no escuro, completavam a beleza do lugar. Hokuto voou até o salgueiro passando pelo lago e pôs Kaede no chão. Apesar de estar escuro, com apenas a luz da lua e a débil luz dos peixinhos, a humana pode notar que o lugar era de rara beleza.
—Que lindo... Não tinha visto este lugar ainda... –Kaede disse surpresa.
—Eu sei que não... É um dos meus locais favoritos... Ás vezes venho aqui para pensar e colocar meus pensamentos em ordem. –Hokuto disse recostando-se no caule da árvore, e sentando-se em uma das altas raízes que mais parecia um banco, e descia até tocar a água.
—Também costumo fazer isso... Escolher um lugar onde eu possa pensar e colocar meus pensamentos em ordem... Geralmente eu fazia isso próximo a um rio que havia atrás do templo que o general Inuyasha construiu para minha irmã... Muitas, das minhas lembranças, são amargas e doloridas. Nem sempre é fácil lidar com elas... –Kaede disse com sinceridade.
—Eu sei como é... Também tenho as minhas... O mais difícil é não permitir que essas lembranças destruam a nossa essência. –O griffo ponderou.
— Sim... Isso é mesmo muito difícil e... Ahh! –Kaede foi interrompida por Hokuto, que a puxou pela mão para sentá-la em seu colo. A miko foi pega de surpresa, mas protestou.
—Ei, não acho que seja prudente ficarmos nesta posição... –Kaede disse levantando-se. Hokuto apenas sorriu, levantou-se, puxou-a novamente e pressionou o corpo dela contra o tronco no salgueiro.
— Como queira senhora Kaede... Mas lembro-me de você ter dito que não era uma fêmea muito prudente. –Disse o youkai grifo sorrindo malicioso, enquanto acariciava o rosto vermelho da miko, irritada. Antes que ela lhe respondesse, ele continuou.
—Não se preocupe, tem minha palavra de que eu não vou desonrá-la. E não faremos nada que você não queira muito... Estamos aqui para conversarmos sobre a nossa situação, agora que nos beijamos. Como eu disse antes, no nosso caso, significa que teremos que estar juntos. –Hokuto murmurou ainda na mesma posição.
—C-omo assim? O senhor quer dizer... Estar juntos, como um casal? –Kaede perguntou assustada.
— Já pode parar de me chamar de senhor, Kaede... E sim, é isso o quero dizer. Sabe, você não é a única a ser “antiquada” por aqui. Não acho correto, sair por aí, beijando uma fêmea virgem, sem que eu esteja devidamente compromissado com ela. –Hokuto disse com seriedade.
—Não me diga que o senhor, vai me marcar? Por favor, general, reconsidere! Nos mal nos conhecemos!–Kaede disse transparecendo todo o seu pavor, já que aquilo estava muito além daquilo que ela julgava correto.
— Já te pedi para parar de me chamar de Senhor e general. Chame-me pelo meu nome, Kaede. Ou vou fazê-la me chamar... Fique sossegada. Eu sei que é muito cedo para um relacionamento definitivo entre nós. Apenas quero que você tenha em mente, que está compromissada comigo. Eu não gosto de dividir o que é meu. Enquanto estiver na situação, que lhe proponho, não poderá ser tocada por nenhum outro macho. Serás minha assim, como eu também serei apenas seu. –Hokuto explicou, seriamente.
— O general youkai amado por todos servos de Meikakuna Mun e eu, uma miko antiga? Senhor Hokuto acha mesmo que isso poderá dar certo? –Kaede disse com pavor, mas Hokuto não a respondeu.
Apenas beijou-a novamente colando seu corpo ao dela, e pressionando-a contra o tronco do salgueiro, para que ela sentisse sua excitação. Em seguida afundou seu rosto no pescoço da humana e lambeu-lhe a orelha antes de sussurrar sedutoramente.
—Diga meu nome...
—General Hokuto... Pare, por fav... –Kaede murmurou, mas foi interrompida por outro beijo. Desta vez o youkai grifo passou a mão por dentro do quimono de saia ampla e mais curta, ( na altura das canelas) que Kaede usava, desnudando-lhe o ombro, do lado direito de seu corpo, passando a beijar e lamber a pele desnuda, até o pescoço da miko.
Kaede protestou, mas Hokuto a manteve sob seu controle, e por mais que ela dissesse para que ele se detivesse, o cheiro de seu cio era cada vez mais forte, o youkai grifo sabia que ela estava gostando da carícia. E vendo-a nesta situação, completamente entregue à vontade dele, Hokuto novamente sussurrou.
—Diga meu nome... –O youkai grifo exigiu com sua a voz rouca.
—Ho...Hokuto... – Gemeu a miko.
—É assim que quero que você me chame... Assim, entendeu? –O youkai foi enfático e sedutor.
Kaede não respondeu verbalmente. Apenas fez um gesto positivo com a cabeça. O youkai cobriu-lhe novamente o ombro, e sentou-se novamente na raiz, enquanto segurava a humana pela mão. Mas não a puxou para si, como fez anteriormente. Apenas a chamou para ele, da maneira mais delicada possível.
—Sente-se comigo... –Hokuto pediu com seu sorriso mais doce. E Kaede não ousou recusar. Apoiada pelas mãos do youkai sentou-se em seu colo, e logo aninhou-se em seu peito nu e aconchegantemente quente, e pode ouvir-lhe o sombrio coração batendo.
—Sen... Hokuto... Não podemos fazer isso... Sei que o senhor tem todas as fêmeas que quer aos seus pés, mas nunca se apaixona por nenhuma... Por que se interessar por mim?O meu coração já passou por tantas decepções... Se eu me permitir me envolver mais, pelo senhor, vou sofrer ainda mais.-Kaede disse com seus olhos marejados.
—Kaede, o que dizem sobre mim é verdade. Tive várias amantes ao longo da vida, e não me apaixonei por nenhuma delas. Mas usei da mesma sinceridade para com elas, que estou usando para você agora. Eu só senti algo que as pessoas descrevem por paixão, ou amor, uma vez , quando eu era muito jovem, e não escondo de ninguém que foi uma experiência que me magoou demais, e eu não queria passar por ela novamente, e talvez este tenha sido o real motivo de não ter acontecido. Assim como você, meu coração também foi muito ferido. E do mesmo modo que você nunca havia se envolvido com um youkai, eu nunca havia me envolvido com uma humana anteriormente, quanto mais, uma virgem. Se prestarmos atenção à isso, acho que não somos tão diferentes assim... Não posso prometer que vou me apaixonar por você, nem que você se apaixonará por mim. Apenas quero ficar com você, cuidar de você, e tê-la ao meu lado enquanto isso for prazeroso, para nós dois. –O grifo suspirou exalando toda a sua seriedade.
— É incrível como aprendi nestes dois últimos dias aqui... E com você... Nunca imaginei que um youkai pudesse sofrer por amor. Mas ouvindo você, e observando os demais, percebo que fui injusta com minha irmã, e com Kagome. Hokuto... Seria impossível para mim, não me apaixonar por um macho que admiro tanto... Já lhe entreguei meu primeiro beijo, e isto faz do senhor, um macho que eu nunca mais esquecerei. Isso significa que eu... Já estou presa, ao senhor. Mas para vivermos o que me propõe, basta que sejamos amigos... –Kaede retrucou sentindo o peito arder com suas palavras.
—Não... Amigos não se beijam... E eu quero beijar você, muitas vezes ainda. Ter você nos meus braços, sentir sua pele, desnuda sob a minha boca... Ter seus carinhos, seu abraço, e toda a sua atenção, como macho. São coisas que apenas amigos não fazem. Eu também lhe admiro muito, Kaede. E não vou esquecê-la por ser a primeira em séculos, que me faz ter vontade de contrair um novo compromisso. –Hokuto afirmou enquanto acariciava os cabelos soltos da miko.
Os dois continuaram sua longa e agradável conversa, e se permitiram, ficar ali, sob a luz cálida da lua sentindo o calor um do outro por algum tempo.
A noite avançou silenciosa e adormeceu boa parte dos convidados e moradores de meikakuna mun. E os dias posteriores correram sem maiores problemas, nem sinal da tal criatura que atacara as hanmas. A novidade do compromisso entre Kaede e Hokuto, encheu o povo de esperança e as servas da cozinha de assunto.
Em seu Shiro, Sesshoumaru tentava colocar as coisas e organizar a construção do novo shiro que serviria de morada para seu pai e suas duas fêmeas. Além de ter de suportar o fato de Kurome estar prenhe de um filho seu. Felizmente para ela, ele havia concordado em deixá-la permanecer na torre das quatro luas, até o nascimento do filhote. Mas apesar de todos os problemas, Sesshoumaru só conseguia pensar em Rin, e em sua reação ao saber o que se passava.
Por conta de já ter sido marcada, e da situação de Yukina, Kikyou decidiu que sua união aconteceria de maneira simples, ali mesmo em meikakuna mun, assim que o festival acabasse. O dia tão esperado chegou depressa.
Os preparativos foram todos voltados para um grande templo construído em pedras brancas, com várias cerejeiras em seu pátio principal, que ficava na parte mais afastada da vila, próximo ás plantações de trigo e arroz. Um cenário bucólico e romântico pouco visitado pelos moradores, e cuidado pelas sacerdotisas de Meikakuna mun.
As próprias sacerdotisas foram responsáveis por toda a decoração, feita com as flores das cerejeiras e outras flores e plantas orientais. A cerimônia estava marcada para o fim da tarde, e logo após o almoço, Kikyou já se sentia apreensiva, pois sua irmã não havia chegado para a cerimônia. Como não sabia o que havia acontecido com Kaede, Kikyou imaginava que ela estava ressentida com sua união, e sentia-se profundamente magoada com o descaso de sua irmã. Kagome tentava animá-la, dizendo que a velha Kaede jamais faria algo do tipo, mas Kikyou sentia-se abandonada.
As horas se passaram, e finalmente chegara o momento.
—Kikyou, você está muito linda!-Kagome disse ao vê-la vestida como uma típica noiva nipônica.
—Mas ainda falta algo... Aqui está, minha querida.- Disse Byakurö estendendo um delicado pente em ouro branco, madre pérola, e safiras, com o símbolo do clã dos lobos da neve.
—Senhora Byakuro... É lindo demais! –Kikyou disse surpresa.
—Ora Kikyou... Você pertence ao nosso clã. Merece ostentar as joias que pertencem a nossa família. –Yukina disse segurando a mão de sua cunhada, que estava emocionada.
—Obrigada, Yukina... Byakuro, eu não sei o como agradecer por tudo... Eu queria muito que minha irmã estivesse aqui. Ela era minha única família de sangue, e virou-me as costas. –Kikyou disse com os olhos marejados.
—Não precisa agradecer. Agora eu serei sua mãe, Susanno seu pai, e Yukina é sua irmã. Somos uma família, minha querida, e você faz parte dela. –Byakuro afirmou abraçando a humana com carinho, e puxando Yukina e Kagome para abraçá-la também.
E em meio à todo o clima fraterno, batidas foram ouvidas à porta. E Yukina foi saber do que se tratava.
Quando a porta se abriu, Minara saltou sobre o pescoço de Yukina.
—Oiii que saudade de você! –Minara disse abraçando a loba da neve.
—Como assim saudade? Passamos o dia juntas ontem mesmo, quando fomos experimentar as roupas! E ante ontem, quando viemos ver a arrumação, e antes de anteontem, e no dia anterior! –Yukina disse sorrindo, fazendo todas rirem junto.
—Eu sei, mas como eu já te disse, é que eu não quero ficar longe de você, Yukina! Seremos sempre unidas! Amigas para sempre!-A hanma disse dando pulinhos.
—Eu sei, Mina... Nós vamos ser!Só preciso me acostumar com tanto amor!-Yukina respondeu corada.
—Nossa, Kikyou, você está linda! Tia Byakuro, a senhora tem um excelente gosto para joias! Mas eu também trouxe uma joia para a sua união Kikyou! – Minara disse apontando para uma jovem humana, que se encontrava ainda porta, mas que tinha chegado junto com Minara.
—Ei, você é a fêmea que o general Hokuto está cortejando, não é? Fiquei muito feliz em saber que temos mais uma humana no nosso time! –Kagome disse, mas a jovem não respondeu. Apenas manteve seus olhos lacrimosos, fixos nos de Kikyou.
—É verdade, me lembro de tê-la visto de relance algumas vezes... Como é mesmo seu nome? -Kikyou completou surpresa em vê-la chorando.
—Eu, me chamo... Kaede... – Disse a humana sorrindo entre lágrimas.
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