Perdida Na Tempestade

81 Desvendando os mistérios...


Notas iniciais
AAAh os mistérios que se escondem em nossos corações... São tantooos!!! Imaginem os que existem nos corações dos youkais? Pera, youkai tem coração? Sério? A o Kazuyia tem! Tem sim, não é Aika?

Quando Satori, Kagura e Kaede chegaram ao salão, Hideaki, Isamu e Ritorirï as aguardavam.

—E então, como foi? –Isamu perguntou curioso e tenso.

—Eu ouvi o barulho da janela abrindo... Acho que Katashi já levou-a para o quarto de Hideaki! –Satori respondeu animada.

—E vocês conseguiram preparar tudo? –Kagura perguntou mal contendo a ansiedade.

—Sim! Acho que a senhora Emi vai gostar da surpresa... –Ritorirï respondeu sorridente.

—Tomara que sim... Ver nossa mãe nessa angustia toda, foi uma verdadeira tortura... –Hideaki murmurou e todos concordaram.

—Espera um pouco aí, isso tudo foi armado? Kagura, porque não me disse nada!? Kaede disse revoltada.

—Ah, Kaede não foi uma armação planejada. Apenas aproveitei-me que Satori estava disposta a ajudar e usei meu poder discretamente para pedir à Hideaki que chamasse Katashi. –Kagura se explicou sorrindo.

—AH sim, sei! Mesmo assim devia ter me dito!Eu vou te dar o desconto, porque afinal, a senhora Emi precisava mesmo de ajuda e não parecia estar disposta a dar uma chance ao general... Tomara que eles se entendam! –Kaede ponderou.

—Ora, ora, então aí está você, Kaede! Venhaa aqui, afinal, está na hora de você dançar com o meu macho! –Kikyou disse irritada, e após cumprimentar rapidamente os demais, saiu arrastando Kaede até Raijin aguardava desconfiado, para a valsa, para fazê-la passar pelo mesmo constrangimento que Kikyou passara com Hokuto.

Logo em seguida Satori, que precisava manter as aparências e seguir com as valsas, retornou ao seu lugar, e Isamu e Ritorirï gentilmente se ofereceram para acompanhá-la.

Kagura e Hideaki novamente se viram sozinhos, e o inu youkai aproximou-se e deu o braço para a youkai dos ventos que prontamente o pegou, e seguiu com ele, passando pelo salão, e indo na direção dos jardins.

Os dois mantinham-se em silêncio, e assim que se afastaram dos convidados, e do local da festa, Kagura achou melhor questioná-lo.

—Onde estamos indo, Hideaki? –Perguntou ela timidamente.

— Ao meu lugar favorito aqui neste shiro... Há algo que quero que você veja... – Ele murmurou sorrindo ainda mais charmoso.

Os dois continuaram caminhando juntos, por alguns minutos enquanto conversavam amenidades, e quando chegaram ao fim do Jardim, uma construção, chamou a atenção da youkai.

Tratava-se de uma espécie de templo antigo, construído com pedras, e madeira, iluminado por algumas lanternas.

—Que lugar é esse? –Kagura questionou, ao subir as escadas para adentrar ao salão principal.

—Este é templo memorial, construído para homenagear os Inu youkais, que morreram nestas terras. Sempre que eu venho visitar o Mikadzuki no Shiro, eu venho até aqui, por que este lugar sempre me transmitiu muita paz. E paz, é algo que você não está tendo hoje, não é, Kagura? Conte-me o que te aflige... Eu farei tudo para ajudá-la... –Hideaki, murmurou sentando-se no Tatame do interior do templo, e convidando Kagura a fazer o mesmo.

—Eu realmente estou inquieta hoje... Pensei que fosse por causa de sua mãe, mas... Não! Meu coração está tomado por uma angústia sufocante, mas eu não sei o porquê disto... Tudo que me vem à cabeça é a imagem de Leodora, a minha amiga que ficou em Meikakuna mün. Mesmo que eu saiba que ela está bem... Não estou convencida disto... –Kagura revelou, em desabafo.

—Entendo... É o tipo de situação que só se resolve quando vemos com nossos próprios olhos, que o nosso ente querido, está realmente à salvo... Nós podemos ir à Meikakuna mün daqui há alguns dias, se você quiser... –Hideaki disse com gentileza.

—Eu quero, sim... Quero muito vê-la. Obrigada Hideaki, você tem sido muito atencioso comigo... Eu nem sei se posso, retribuí-lo á altura. –Kagura murmurou sentindo o rosto inteiro corar.

— Não se preocupe com isso... Tenho certeza de que você irá me pagar cada segundo, da minha atenção com juros... Está vendo aquela pintura à esquerda? –O Inu youkai apontou, uma enorme pintura, estava iluminada por velas e cercadas de oferendas, em um canto próximo à onde eles estavam sentados.

—Oh... Hideaki, esta é...?! –Kagura exclamou surpresa.

—Sim... Esta é Arina... A minha... Mãe! –Sussurrou o youkai um tanto quanto desconfortável.

—Ela é linda... Não me admire que Emi, tenha ficado tão insegura... –Kagura murmurou.

—Sim, ela era muito bonita... Eu já havia vindo aqui antes, mas... Confesso que ela nunca me chamou muito a atenção... Até agora... Mesmo assim... Não consigo me identificar com ela... – O inuyoukai murmurou, com melancolia.

—Hideaki... Não deve se martirizar por isso... Afinal você não a conheceu! Muito do que somos é devido ao que vivemos e aprendemos. Mas mesmo em sua essência... Você tem muito dela. –Kagura murmurou para encorajá-lo.

—Devo ter algo... Mas não sei se isso é bom. Afinal, Arina caiu em sua própria desgraça... –Hideaki ponderou.

—Mas isso não vai acontecer à você... –Kagura disse com veemência.

—Como pode ter tanta certeza? –Hideaki estreitou os olhos na direção da youkai.

—Arina sofreu por causa de seu próprio medo... Ela não confiou em seu macho, e acabou permitindo que a discórdia destruísse sua vida... –Kagura encarou a pintura à sua frente.

—Mas isso também pode me acometer... Eu também posso enlouquecer de medo de ficar sozinho... Você, assim, como o Hokuto, em sua época, tem sentimentos para com outro ser, igualmente comprometido... E que ironia do destino, saber que eu estou apaixonado, e quero me unir à uma fêmea que ama o meu primo, Sesshoumaru... –Hideaki sussurrou, ainda encarando a youkai dos ventos, com seus olhos estreitados, buscando notar cada reação dela.

—Eu não o amo, Hideaki... Eu me enganei quanto à isso... O que senti por Sesshoumaru, foi uma profunda admiração, aliada à gratidão, mas, como eu nunca havia conhecido o amor... Confundi as coisas... Hoje eu consigo ver que o lugar dele, é ao lado de Rin, que o ama verdadeiramente. E o meu lugar... –Kagura disse com convicção, mas subitamente parou de falar, sentindo seu rosto queimar de vergonha.

Mas Hideaki queria ouvi-la, à qualquer custo, por isso, pegou-a pelo queixo, e sussurrou para ela, enquanto as bocas quase se tocavam.

—Diga-me Kagura... Onde é o seu lugar? –Hideaki balbuciou mantendo toda sua atenção nos lábios da youkai dos ventos.

—Meu... Lugar... É... Ao seu lado... – Kagura murmurou, antes de ser beijada com força e desejo pelo inu youkai.

Aproveitando-se que estavam sobre um tatame, Hideaki, deitou Kagura lentamente, enquanto se beijavam ficando sobre ela finalmente quando chegaram ao chão.

A youkai dos ventos tinha seu coração acelerado, e as bochechas coradas, enquanto seus olhos fitavam os do Hideaki e sua boca entre aberta ansiava por outro beijo. E o Inu Youkai o deu, de forma muito lenta, e sedutora, de modo a deixar ambos excitados ao extremo.

Kagura arfava, enquanto era observada pelo Inu youkai desejoso, que à esta altura acariciava-lhe o corpo, buscando seduzi-la ainda mais.

—Hideaki... P-Pare... Nós não devemos fazer isso... Ainda mais, aqui... –Kagura gemeu, tentando recuperar seu autocontrole.

—Não se preocupe, não faremos nada aqui... Mas... Eu estou no meu limite, Kagura... Eu nunca desejei tanto uma fêmea, quanto desejo você. –Hideaki rosnou sensualmente, como uma fera faminta, mantendo se na mesma posição.

—Hideaki... Eu... –Kagura gemeu, deixando algumas lágrimas rolarem, enquanto virava seu rosto e ela abria o vestido de maneira permissiva e ao mesmo tento sofrida, atitude que fez Hideaki ficar atônito.

—Kagura ...? Por que está agindo assim? –O youkai questionou-a erguendo-se e sentando-se, para em seguida puxar Kagura para seu colo e tentar entender sua reação.

—Hideaki, eu só... Aceitei me entregar para você... Não era isso que queria? –Kagura murmurou inteiramente corada evitando o olhar do Inu youkai sobre si.

—Entendo... Finalmente tudo faz sentido agora... –Hideaki suspirou.

—O que quer dizer com isso? Do que está falando? –Kagura o encarou, finalmente, assombrada, com as palavras do youkai.

_Quero dizer que finalmente entendo, por isso que você sempre evita qualquer situação romântica ou física para comigo... Você vê o sexo como algum tipo de humilhação. Kagura me perdoe por não ter percebido antes. –Hideaki disse com resignação, enquanto a abraçava, mantendo-a em seus braços.

—A culpa não é sua. Eu lhe avisei que não era uma virgem, mas não contei o que me aconteceu. –Kagura suspirou pesarosamente afastando-se dos braços do youkai para ficar de frente para ele.

—Você não precisa me dizer nada se não quiser, Kagura. –Hideaki disse com gentileza.

—Mas eu quero lhe contar... Você merece saber de tudo sobre a fêmea que você quer marcar... –Disse com firmeza a youkai dos ventos.

Ainda no salão, Talon estava contrariado, por ter sido impedido por seu pai de ir atrás de Minara depois da discussão com o general. Sentado, na mesa onde sua família se encontrava, ele permanecia absorto em seus pensamentos, sobretudo preocupado com a hanma ruiva, enquanto Naelle e o capitão Masato, conversavam animadamente com os sogros, Freyia e Ryouko que correspondiam com a mesma animação.

O outro irmão de Talon, Kedrik, flertava com as jovens fêmeas do salão, e constantemente saía para as danças. Na última vez que retornou, no entanto, acabou arrastando com muita insistência, Talon, para junto de um grupo de fêmeas youkais, que pareciam muito interessadas nos príncipes.

As donzelas conversavam animadamente, mas Talon não estava muito interessado. Porém, um par de olhos cor de coral que estavam na direção dele deixou-o curioso.

Agláia, a bela youkai de longos cabelos louros, e sorriso discreto, estava acompanhada de Akane, outra youkai, de cabelos negros, olhar sedutor e um corpo com formas que fariam qualquer macho perder a cabeça.

Talon encarou as duas com seus olhos estreitados, pois sabia que ambas eram capitãs do Lorde Sesshoumaru, e ele já as havia visto em outras ocasiões. Entretanto, as duas lançavam altivos olhares, quase irônicos, em sua direção, e isto incomodou. O jovem youkai endireitou o corpo e preparou-se para abordá-las quando uma mão o tocou levemente no ombro, fazendo voltar-se para trás por reflexo.

—Boa noite filhote! Espero não estar incomodando, mas eu não podia deixar a oportunidade passar... –Disse a voz grave do gorudën Taiga de olhos vermelhos.

—Boa noite... E que oportunidade seria essa? –Talon disse ao encará-lo com simpatia e curiosidade.

—Já faz algum tempo que eu queria cumprimentá-lo. Sendo filho de meu amigo Ryouko, tinha certeza de que você seria um príncipe incrível. Só não imaginava que tivesse poderes tão peculiares. Mas onde estão meus modos? Eu sou Teigure, general de Inu no Taishou, ou melhor dizendo, antigo general. Você salvou meu filho Hikaru, no dia da união da Miko, e do lobo branco, lembra-se? –Teigure explicou-se com polidez, mas sem formalidades.

—Sim, lembro-me... Mas como eu disse antes, não foi nada demais, General. Tenho certeza de que fariam o mesmo por mim... –Talon disse com modéstia.

—Foi um grande ato. Digno de um príncipe! Eu podia jurar que você e meu filho Hikaru haviam criado laços de uma grande amizade, pela afinidade que possuem, mas ainda há pouco percebi que não estão tão próximos... –Teigure murmurou estreitando os olhos.

—Para ser franco com o senhor, também achei que seríamos ao menos mais próximos, mas, parece que seu filho está cego de ciúmes, de sua hime. –Talon respondeu sem rodeios.

—Ah sim, Minara... Sabe garoto, Hikaru sempre foi completamente louco por essa fêmea. Eles passaram muito tempo sem se virem, e quando se reencontraram se uniram quase que imediatamente! O que os une, é um sentimento muito forte, não há duvidas disso, por isso, de certa forma, eu entendo este destempero de meu filho, e acho que você também entenderia, se estivesse no lugar dele, não concorda? –Teigure chamou- o a realidade.

—Sim... Eu acho que consigo entendê-lo... Mas não foi a minha intenção, fazer com que ele se sentisse inseguro. Eu não estava cortejando a hime, muito pelo contrário... –Talon desconversou, um pouco antes de ser cortado por Teigure.

—Ela é linda, e tem um temperamento ainda mais encantador para qualquer macho, que goste de desafios, garoto. É normal se sentir atraído por uma fêmea assim, não precisa se envergonhar... No entanto, tudo isso vai ficar no passado, em breve. Você e meu filho, ainda serão grandes amigos, tenho certeza disso! Afinal, vocês dois tem gostos parecidos. Hahahaha... –Teigure falou com cumplicidade, para Talon que acabou rindo e concordando com o general.

—Bem, se o senhor diz... De qualquer forma, eu gostei muito de conhecer o senhor... –Talon disse com gentileza.

—Pode parar de me chamar de senhor, garoto. Chame-me apenas de Teigure! –O antigo general foi igualmente simpático.

—Sim, mas apenas se parar de me chamar de Garoto! –Talon pediu e Teigure aceitou.

Os dois ficaram sentados conversando trivialidades, por algum tempo, antes que Claire os encontrasse e se juntasse à eles. Após as apresentações, os três ainda conversaram por um tempo, enquanto os olhos de Ryouko se enchiam de comoção e seu coração, de alívio, ao ver o filho tão amado, cercado de pessoas de sua estima, e ainda mais, ao perceber que Agláia e Akane, haviam deixado Talon de lado, para se preocuparem com outras de suas coisas mesquinhas.

—Parece que elas não vão mais tentar incomodar o príncipe, Lorde Ryouko. –Murmurou Aika, respeitosamente, para o senhor das terras do fogo.

—Sim... E eu devo agradecê-la por toda a sua ajuda, Capitã. Sem sua discrição, e perspicácia, meu filho estaria correndo um grande risco... –Ryouko respondeu-a com real gratidão.

—O senhor não me deve nada... Faço tudo isso, em nome das terras oeste. É uma questão pessoal, que o senhor saiba que nem todos os capitães do lorde Sesshoumaru são malignos ou egoístas. Além disso, o general Teigure, realmente queria muito conhecer o Príncipe. Agláia ou Akane, não vão ousar se meterem com qualquer amigo do general e de sua fêmea... –Aika comentou, sentindo-se incomodada, sobretudo pela conduta de sua irmã.

—Eu entendo sua colocação. Mas saiba que nem por um minuto, sequer eu imaginei que todos fossem assim. Contudo... A coruja branca é uma ameaça que não deve ser ignorada. Apesar de sua aparente fidelidade ao lorde Sesshoumaru, suas reais intenções ainda não foram conhecidas. Eu tive o desprazer de ver sua frieza de muito perto, quando ela foi ao meu reino, há tantos anos... Pessoalmente, ela é um dos poucos seres, a quem eu temo... –Ryouko afirmou com seus olhos estreitados.

—O senhor está certo, quanto á Agláia. Ela não deve ser ignorada... Mas... Se me permite... Eu gostaria de saber o que aconteceu naquela ocasião... –Aika começou a perguntar com muito jeito.

Ela já havia indagado o lorde na ocasião da união de Kikyou, mas ele desconversara. Nesta mesma noite ela percebeu que Agláia, olhava com muita insistência para Talon, e acabara descobrindo por acaso, que lorde Ryouko, temia esse súbito interesse da coruja branca, e procurava um modo de afastá-la de seu filho.

E foi desta maneira que Aika conseguira firmar um acordo, mesmo que de maneira informal, com o Lorde, prometendo-o ajudá-lo a manter Agláia longe de Talon.

Com a ajuda de Igraine e Naelle, ambas amigas de Aika, a youkai salamandra conseguira obter a informação de que o antigo general Teigure e sua fêmea estavam interessados em conhecer o príncipe das terras do fogo. E não era segredo para ninguém, que Agláia, temia Claire e buscava afastar-se de sua presença sempre que fosse possível, desde que a miko estrangeira, a ameaçara, no dia da união de Hikaru e Minara.

Agora que ela conseguira finalmente seu propósito, chegara a hora de saber do Lorde o que acontecera à Lily, e principalmente ao filhote que ela guardara no ventre.

Ryouko pensara por alguns minutos no questionamento da tímida youkai. Seu coração estava cansado de guardar tamanha história e a capitã, provara seu valor, mas ainda assim, ele temia contar o tudo o que acontecera.

—Capitã, eu creio que este não é o melhor lugar para termos esta conversa... –Começou ele, fazendo com que Aika suspirasse desapontada.

—Está certo, Lorde... Se precisar de mim eu... –Aika falou tentando disfarçar sua decepção. No entanto, foi cortada por uma voz feminina que surpreendeu até mesmo ao youkai Dragão.

—Acho que devemos ter essa conversa em nosso palácio, na próxima lua. O que me diz capitã? –Freyia, disse com um sorriso discreto nos lábios, ao ver a animação voltar ao semblante de Aika.

—Lady Freyia? Eu... Eu não quero causar nenhum incomodo... –Aika murmurou nitidamente constrangida.

—Não causará capitã. Freyia tem razão, é melhor que esta conversa aconteça de uma vez, e que melhor lugar para isso do que nossa casa? Seria uma grande honra, tê-la como nossa convidada... –Ryouko encarou sua fêmea que sorria para ele com resignação, e entendeu que ela também achava por bem que tudo fosse devidamente resolvido.

Aika estava pronta para responder positivamente. Finalmente ela estava prestes, a saber, toda a verdade sobre o que acontecera a Lily a youkai que engravidara de Hikaru. No entanto, alguém se aproximou muito rápido. Tão rapidamente que Aika não conseguiu notar sua presença, tampouco reagir.

—Ah realmente será uma enorme honra para nós, sermos seus convidados, lorde. Mas não sei se minha prometida e eu poderemos ir, não é Aika, meu amor? –Uma voz masculina grave, conhecida por ela disse enquanto a abraçava pelos ombros.

—K-Kazuyia? O q-que está fazendo aqui??? –Aika disse incrédula, enquanto Kazuyia, piscava para ela com toda a intimidade.

—Oi querida, desculpe minhas maneiras, mas eu estava com saudades!Lorde, milady, eu sou o capitão do general Raijin, Kazuyia, o prometido da Aika! –Kazuyia se apresentou com naturalidade e gentileza.

—Ah sim, como vai capitão? Nós estávamos convidando sua prometida para que ela conheça nosso belo reino. Gostaríamos que ela fosse nossa hóspede, em nosso castelo. E bem, já que o senhor é prometido dela, nosso convite se estende também ao senhor, capitão. –Ryouko disse cordialmente, um pouco tenso, pela intromissão repentina.

—Sim! Será um imenso prazer recebê-los. Quando será a união de vocês? Nesta época do ano, nosso reino não é tão quente quanto os demais, e até a neve costumeiramente aparece em algumas noites. As fontes de águas termais ficam muito mais agradáveis e até mesmo as águas do mar em nossa costa, ficam mais agitadas e formam um lindo espetáculo. Na próxima lua nova, teremos um festival em nosso reino. Acho que é uma época perfeita para uma lua de mel! Tenho certeza de que apreciarão bastante sua estadia. Voltarão ainda mais apaixonados de lá! –Freyia comentou sorrindo animadamente.

—A-A-Apai... Xonados? –Aika gaguejou, afogando-se em vergonha.

—Bem, se a Milady Freyia, pensa assim então nós não podemos nos negar a isto! Nossa união deverá acontecer o mais breve possível! Será uma cerimônia íntima, já que somos muito discretos. Iremos visitá-los, na lua nova, e aumentaremos nosso amor, ao infinito Aika! –Kazuyia falou com entusiasmo conseguindo a simpatia do lorde e de Freyia.

—Está certo, então... Vamos aguardar vocês no primeiro dia da próxima lua nova. Obrigado mais uma vez por tudo Aika e até lá... –Ryouko despediu-se com gentileza. Em seguida, ele e Freyia, se afastaram do lugar reservado onde estavam deixando Aika e Kazuyia sozinhos.

Aika ainda estava em choque, e mal conseguia respirar. Sentia seu corpo inteiro formigando, seu rosto em brasa, e seu coração tomado de ira por não conseguir reagir. Assim que o lorde e sua fêmea se afastaram o suficiente para sumir de sua vista, ela conseguiu se desvencilhar dos braços de Kazuyia e saiu pisando duro para embrenhar-se nas partes vazias do jardim. Mas para sua agonia maior, Kazuyia a seguiu.

—Ei, Aika? Onde pensa que está indo? –O lobo da neve questionou-a contrariado.

—Vou para longe de você, seu louco! Como pode dizer aos senhores da terra do leste que nós dois, vamos nos unir? –Aika conseguiu responder ainda arfando de raiva e vergonha.

—Ei, fale baixo! Não queremos que ninguém ouça isso! Ora, isso são modos de me agradecer? Eu acabei de tirar você de uma encrenca daquelas, e é assim que você me agradece? –Kazuyia disse enquanto parava e cruzava os braços como se estivesse mesmo chateado.

—Encrenca? Você me fez passar por idiota! Como pode achar que me ajudou com alguma coisa, mentindo desse jeito? –Aika voltou-se para ele ainda mais irritada.

Kazuyia aproveitou-se que ela havia parado para usar sua velocidade para aparecer na frente da youkai salamandra.

—Ora e você acha prudente ir ao shiro de um reino aliado, sozinha? Lembre-se que lá você não é nada além de uma presa fácil! –Kazuyia disse seriamente.

—Eu sou amiga da filha deles! Eles nunca me fariam mal algum, Kazuyia! –Aika argumentou.

—Você é muito inocente Aika. Eles têm mais dois filhotes... Dois príncipes que podem fazer o que quiserem com você e alegarem que foi um acidente! Acha mesmo que as terras do oeste declarariam guerra contra um aliado poderoso por causa de uma capitã? A sua vida corre perigo naquele lugar Aika, será que você não entende isso? –Kazuyia continuou com seriedade e Aika pretendia retrucar, mas deu-se conta de que ele realmente parecia preocupado com ela.

—Kazuyia... Você... Porque está fazendo isso? Dizer que tem um compromisso comigo... Isso não vai afetá-lo? –Aika murmurou envergonhada, sem ousar perguntar suas verdadeiras dúvidas.

— Digamos que eu também tenha um lado bonzinho... E, além disso, as terras do fogo têm fêmeas lindíssimas e muito quentes sabe? Ah não se preocupe, ninguém precisa saber disso. Só estaremos compromissados quando estivermos dentro das terras do fogo. Até lá eu sou solteiríssimo, e você... Bom você é a Aika! –Kazuyia respondeu com um sorriso cínico.

—Ah Kazuyia... Eu devia imaginar que você tinha uma segundo intenção por trás de tudo isso! Bem, acho que não há nada que eu possa fazer agora... Então... Esteja pronto na próxima lua nova. –Aika suspirou para buscar a paciência necessária antes de seguir seu caminho.

Deu dois passos na direção do jardim, mas antes de concluir o terceiro passo, Kazuyia pegou-a pelo pulso direito.

—Espera, Aika... –O lobo da neve murmurou ainda segurando-a, mas mantendo a cabeça baixa como se estivesse constrangido.

—O que foi Kazuyia...? O que você quer de mim agora?-Aika endireitou o corpo e encarou-o surpresa e contrariada.

— Eu estava te procurando para te mostrar mais algumas bebidas... Como você havia dito que apreciava, então... Imaginei que quisesse conhecer mais algumas bebidas bem raras... Comigo. E... Já que estamos compromissados, mesmo que de mentirinha, acho que seria bom se aparecêssemos juntos, mais vezes... –Kazuyia disse com certo desconforto.

Aika pensou em recusar, mas com certeza isso faria com que o youkai desconfiasse de suas palavras ditas anteriormente, quando ela queria testá-lo. Além disso, Kazuyia parecia perturbado e ela ainda queria saber quais as reais intenções do lobo da neve, especialmente agora que ele aparentemente tentava protegê-la.

—Ah, obrigada Kazuyia... Você... Você tem razão... Não quero nem imaginar o que pode acontecer se o lorde desconfiar disso. É claro que quero... –Aika murmurou, com um sorriso tímido.

— Está certo, então, vamos? Há uma bebida destilada rara no salão. Dizem que o lorde Sesshoumaru recebeu de presente de uma tribo de youkais que vivem além do mar! – Kazuyia perguntou estendendo o braço à Aika que relutantemente aceitou.

E ambos caminharam salão adentro, lutando internamente para manterem as aparências.