Perdida Na Tempestade
8 Capítulo 8 - Na trilha das horas...
Notas iniciais
A tarde transcorreu agitada com todos os preparativos do banquete de meu casamento. Confesso que como mulher, criada em uma família tradicional, imaginei este dia algumas vezes. Mas nem em meus maiores sonhos, minha união poderia ser mais perfeita. As flores recém colhidas, as comidas saborosas e exóticas, os cheiros das especiarias e até mesmo os convidados em suas vestimentas e adornos luxuosos criavam a atmosfera de sonho em que eu estava inserida. E apesar de não haver muitos convidados, era impressionante constatar que tudo havia sido preparado em um único dia.
Meu vestido de noiva era um exemplo dessa eficiência mágica. Eu o vi ser produzido por uma velha senhora youkai que possuía dois pares de braços e uma cauda como de uma lagarta, no lugar das pernas. Ela tirou as minhas medidas e me perguntou como eu gostaria de meu vestido. Eu expliquei a ela que estaria satisfeita com qualquer vestido que ela pudesse me fazer e que era grata a ela por toda a atenção que ela me destinava. Ela me encarou com uma sobrancelha erguida, mas sorriu para mim após alguns segundos. Em seguida eu fui levada para me banhar, pentear e maquiar.
Quando terminei finalmente de me arrumar, recebi meu vestido de seda pura totalmente pronto e bordado com cristais e pérolas. A velha senhora fez questão de levá-lo pessoalmente à mim. E disse me que esperava que meu vestido estivesse à altura de minha humildade. Eu mal pude acreditar quando me vi vestida e pronta. As lágrimas foram inevitáveis.
Meu general era uma visão à parte. Ele me esperava à frente do altar vestido como um rei. Eu senti minhas pernas fraquejarem e sorte a minha o lorde Inu no Taishou ser tão gentil a ponto de me acompanhar até o altar. Midoriko foi a celebrante de minha união. E por diversas vezes eu percebi seus olhos marejarem. Apesar das circunstâncias, o laço que me une ao meu general é capaz de emocionar até as pessoas mais incrédulas.
Após a cerimonia, o banquete se estendeu por toda a noite e madrugada. Apenas na manhã seguinte a maioria de nossos convidados começou a deixar o shiro. Eu estava tão empolgada que não senti o sono nem o cansaço até simplesmente adormecer sentada na mesa de desjejum.
Quando acordei estava no shiro de meu general, em "nosso quarto" e "nossa cama". Me recriminei por sequer ter me despedido adequadamente de Brunhilde e seu marido que tão gentilmente me receberam, mas Teigure me tranquilizou dizendo que devemos retribuir a gentileza deles em breve, quando nos visitarem. Eu só sei que terei de aprender bem depressa a ser a "lady" deste shiro e estou bastante empenhada nisso. Quero que meu general e meu filho, sintam orgulho de mim. E sei que seremos felizes para sempre, como nos contos infantis.
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Kikyou havia passado a noite acordada. Não conseguia dormir depois de tudo o que havia lido. A história de Claire era simplesmente fascinante. E o melhor, era um relato incrível dos fatos que antecederam o nascimento de Inuyasha e a criação das chamadas "Terras do Oeste". Apesar da própria Kikyou nunca ter ouvido falar de alguns daqueles nomes, tudo se encaixava perfeitamente. O diário terminava de maneira súbita, sem informar o que acontecera ou dar qualquer pista do que poderia ter desencadeado os eventos que resultaram na morte de Inu no taishou, ou mesmo da própria Claire.
A Miko então pensou em Sesshoumaru, e na relação delicada que ele e Inu no Taishou, aparentemente possuíam que tornou-se insustentável quando o filho descobrira sobre a paixão de seu pai pela princesa humana Izayoi. Em seu diário Claire descreveu que ambos nutriam uma desconfiança mútua, e que Teigure e os demais generais ponderaram diversas vezes sobre como poderiam amenizar tal situação.
Pensou em Brunhilde e sua família, e no que poderia ter acontecido eles. Lembrou-se da terra inóspita e fragilizada onde ela própria nascera, vivera e morrera e no quão diferente sua vida poderia ter sido se Inu no Taishou não tivesse morrido.
Olhou para Kagome que dormia tranquilamente e lembrou-se da voz que as chamara ainda na era antiga. Apenas naquele momento, Kikyou compreendia que a tal serva sabia de Igraine. Ela havia delegado as jovens mikos, não somente o dever de encontrá-la, como também de aprenderem tudo o que fosse necessário a era antiga e isso, significava que ela também sabia que as mikos provavelmente voltariam a ter o seu papel como "médicas e assistentes sociais" do reino.
"Poderia aquela voz, ser da falecida Claire? -Pensou ela consigo mesma.
Não... Claire morreu na era moderna e está enterrada lá." -Ela lembrou-se. Então, isso quer dizer... _continuou ela com seus pensamentos.
—Que mais alguém sobreviveu. Alguém que conheceu todos eles. -Kagome murmurou ainda sonolenta. Kikyou virou-se para ela instintivamente mas não se assustou. Era comum que Kagome compartilhasse de suas preocupações e pensamentos.
—Exato, Gome. Mas quem seria, e por quê nos procurou? Além disso, o próprio Seshoumaru não parecia conhecê-la! -Kikyou murmurou instigada.
—Não sei... Mas, poderíamos descobrir isso amanhã? Eu estou cansada Kikyou! -A jovem virou-se de lado e cobriu a cabeça voltando quase imediatamente a dormir.
Kikyou suspirou e revirou os olhos ao ver a cena. Por fim deu de ombros, deitou se ao lado de Kagome e tratou de dormir.
Seis anos se passaram desde a viagem à índia. As meninas haviam crescido e eram agora jovens mulheres, independentes e bem sucedidas. Apenas alguns meses depois da visita delas ao templo, Igraine acabara por ir viver com elas no Japão. As quatro cresceram e amadureceram juntas, e faziam planos de retornarem à era antiga após a formatura de Rin, que estava marcada para o fim daquele semestre.
Após a chegada de Igraine, Kikyou traçara um plano, que visava aumentar e potencializar os conhecimentos adquiridos por elas. Tornou-se óbvio para elas, que Sesshoumaru estava determinado a retomar o projeto de seu pai, de tornar as Terras do Oeste um reino seguro para as raças mais frágeis, sobretudo, os humanos e hanyous. E como mikos, elas deveriam estar prontas para prover com tecnologia e conhecimento o novo reino de modo a impulsioná-lo de maneira ainda mais eficiente.
Kikyou acordou cedo naquela manhã. Fez sua higiene pessoal e quando se preparava para descer e preparar o café da manhã, percebeu que havia mais alguém acordado. Saiu do quarto, que divida com Kagome deixando-a ainda adormecida, e caminhou até o quarto ao lado. Já ao chegar à porta pode ouvir Rin chorar.
— Rin ? Mas o que está havendo? -Ela perguntou preocupada.
—Oh desculpe-me Kikyou, eu não queria assustá-la. Respondeu a jovem limpando os olhos.
—Rin, não precisa disfarçar, sei que está chorando. É por causa do diário, não é?
Rin baixou os olhos. Depois de mais de oito anos longe da era antiga, ela agora era uma moça linda. Seus olhos continuavam castanhos e brilhantes. Seus cabelos negros eram lisos e pesados e estavam na altura do quadril. Ela era magra e pequena em estatura.
Ela e Igraine eram amigas inseparáveis, e dividiam o mesmo quarto. Como já haviam atingido a maioridade, Kagome e Kikyou haviam permitido a ela e a Igraine lerem o diário de Claire advertindo-as sobre o conteúdo forte e pessoal.
—Foi isso sim Kikyou, ela ainda fica muito chocada com a história de Sesshoumaru e o pai dele. Até mais chocada do que eu, quando eu soube que tinha um irmão! — Respondeu Igraine entrando no quarto. Igraine era pouco mais velha que Rin, ligeiramente mais alta, e seu corpo era mais curvilíneo.
Rin nada disse apenas continuava com seus olhos abaixados.
— Eu também fiquei muito mexida com essa história toda, Rin. – Disse Kikyou, sentando se na cama ao lado da jovem. Igraine sentou de frente para as duas e ficou olhando para elas recordando se, que quando ela havia chegado do templo indiano, Kikyou estava estranha, calada, e parecia triste. “Então era por causa do Diário.” Pensou ela.
— Esse diário da sua mãe, Igraine, nos diz muita coisa. Principalmente por que convivemos com os descendentes de algumas pessoas citadas nele. E algumas que gostaríamos de ter conhecido. – E dizendo isso deu um suspiro, que foi seguido por um suspiro de Rin. Ambas se olharam e Rin sorriu.
—Quem você gostaria de ter conhecido, Kikyou?- Perguntou Rin fazendo com que Kikyou sentisse o rosto em brasa.
— Ora Rin quem poderia ser? Eu queria ter conhecido a Midoriko em pessoa só isso!- Respondeu Kikyou exasperada. Igraine estava ainda sentada na frente delas, mas, parecia estar muito longe.
— E você Igraine, o que achou da sua história? Disse Kikyou, tentando tirar o foco da conversa de si.
—Incrível... Eu queria ter conhecido a minha família e os amigos dos meus pais... Sabe, mesmo não conhecendo ninguém citado por esse diário, e tendo eu, que pular algumas páginas, para não ler sobre como meu pai tirou a virgindade da minha mãe, estou muito feliz que minha mãe tenha me deixado esse relato. Me aquece o coração saber que eles eram felizes e que me quiseram tanto. – As lágrimas desceram pelo seu rosto. A hanyou, limpou-as, mas elas continuaram caindo. _ Kikyou, será que existe alguma chance de eu encontrar meu pai ou meu irmão?
Kikyou engoliu em seco. Pensou em Hikaru e em como ele mudara ao aceitar o amor maternal de Claire. Sua beleza e gentileza descritas nas últimas páginas do diário, encantariam até a pessoa de coração mais gélido. Será que ele também estaria vivo? Pensou ela consigo mesma.
— Mas é claro que sim, Igraine. Assim que retornarmos, vamos procurar por Sesshoumaru. Eu tenho certeza que ele nos dirá algo sobre seu pai ou Hikaru. -A Miko respondeu afastando seus pensamentos pessimistas. Igraine merecia ao menos ter esperanças.
—Dirá sim! O senhor Sesshoumaru vai nos ajudar a encontra-lo. – Disse Rin se levantando, e secando as lágrimas de Igraine. A hanyou deu um sorriso e assentiu com a cabeça.
— Oaaaahhh , o que vocês estão fazendo aqui? Ainda é muito cedo para a gente. – Disse Kagome se espreguiçando.
— Haha irmãzinha, Bom dia! Venha, você e eu faremos um belo café da manhã, para nós. – Disse Kikyou pegando Kagome pela mão e a levando para a cozinha, sob o sonolento protesto dela.
Rin continuou encarando o diário em suas mãos. Após alguns momentos estendeu o objeto para Igraine e sorriu finalmente.
—Guarde bem isso, Igraine. É importante saber o quanto somos amadas. -Rin murmurou sorrindo melancólica.
—Você também é muito amada, Rin. Temos muita sorte em estarmos todas juntas. E esse tal de Sesshoumaru também deve te amar muito. Afinal, ele te salvou da morte duas vezes, não se esqueça disso. -Igraine tentou animar a jovem miko.
—Eu não me esqueço. Por mais doloroso que tenha sido, eu adorava estar ao lado dele. Guardo essas lembranças com muito carinho. — Rin respondeu com seu rosto vermelho.
— Você o ama mesmo, não é? Quando foi que isso aconteceu? Quero dizer, você está longe dele há tanto tempo... E antes você era uma criança! Isso parece confuso pra mim. -Igraine sentou-se ao lado de Rin e encarou-a com seu sorriso mais doce.
_Eu sempre o admirei. Mas só me dei conta de que isso era amor, quando fui beijada pela primeira vez. Você se lembra do Hatori do segundo ano? Eu só conseguia me lembrar do senhor Sesshoumaru e no que ele estaria fazendo. E em como ele reagiria se soubesse que eu estava sendo beijada por outro... — Rin murmurou aninhando-se no colo de Igraine.
—Claro que me lembro. Você passou uma semana inteira robotizada. E o Hatori todo feliz, achando que você estava apaixonada por ele. Haha que trouxa. Bom, como eu te disse na época, pelo menos ele era gostoso. Meu primeiro beijo foi um desastre! -Igraine riu enquanto acariciava os cabelos da amiga.
—Seu primeiro beijo? Mas Igraine você nunca me falou sobre isso! -Rin protestou intrigada.
—Ora Rin, é porque eu NUNCA beijei ninguém. Eu tenho quase dezenove anos! Isso é praticamente uma tragédia. -A hanyou argumentou.
—Mas Igraine, a culpa disso é apenas sua. Você se lembra como o Kakeru passou o colegial inteiro tentando se aproximar de você? E o Hiro o nosso Senpai? Você nem sequer deixou que eles falassem com você! -Rin murmurou.
—E você se esqueceu do Mamoru e do Yuki... Mas Rin, não é minha culpa se eles não me cativaram. Eu não conseguia sentir nada por eles! E eles esperavam que eu fizesse o quê? Ficasse de joelhos esperando que eles se aproximassem? Eu não sou assim... Se eles me quisessem realmente então deveriam ter lutado por mim, ou pelo menos tentado me conquistar adequadamente! -A hanyou disse com convicção e segurança.
—Puxa... Eu não tinha pensado por esse lado... Mas... Igraine... Você... Você acha que eu estou sendo infantil? Quero dizer... O diário de sua mãe me dá esperanças. Mas mesmo depois de tanto tempo um humano e um youkai juntos é algo muito problemático. Eu provavelmente nunca serei correspondida... Talvez eu só esteja sendo muito romântica... -Rin disse melancolicamente.
—Não Rin, você não está sendo infantil. Pelo contrário, você está sendo madura e corajosa ao admitir seus sentimentos, mesmo que você possa nunca ser correspondida. Eu nunca amei ninguém assim como você. O único amor que eu conheço é o que eu nutri pela monja Nyhati como uma mãe e por vocês, minhas irmãs e amigas, então eu não entendo você completamente. Mas vou apoiar você incondicionalmente em tudo aquilo que você quiser fazer. Como sempre fiz. -Igraine sorriu calorosamente e Rin a abraçou apertado.
—Você tem toda a razão Igraine. Nós temos muita sorte em estarmos juntas. — Rin disse se erguendo da cama.
—Eu sempre tenho razão!-Igraine levantou-se e piscou para a amiga. Ambas riram juntas mas a hanyou parou subitamente.
Igraine farejou o ar e levou o dedo indicador à boca em sinal de silêncio. Rin assentiu com a cabeça e em gesto rápido, escondeu-se atrás da porta do quarto. A hanyou posicionou-se ao lado da janela ficando invisível imediatamente.
Alguns segundos depois, as duas viram uma figura masculina entrar rapidamente pela janela do quarto. Subitamente Rin saiu de trás da porta portando dois grandes leques vermelhos.
—O que você quer aqui, youkai? Fale logo e talvez eu poupe você. -Disse Rin empunhando seus leques ainda fechados.
—R-Rin? É você mesma? Nossa, como você cresceu! — O macho youkai respondeu com surpresa. Rin estreitou seus olhos para encará-lo. A voz dele era muito familiar.
Levou alguns segundos para que Rin começasse a reconhecer o macho á sua frente. No entanto Igraine não parecia disposta a esperar. Ela sacou e encostou uma de suas "Sai" no pescoço do jovem youkai antes de ficar novamente visível.
—Sim, a Rin cresceu e nunca está sozinha. Agora comece a falar antes que eu perca a paciência e abra a sua garganta por conta própria! -Igraine falou com frieza.
—Uma hanyou? Uau, vocês estiveram bastante ocupadas aqui, não é mesmo? Haha... Você realmente não está me reconhecendo Rin? Estou começando a ficar preocupado -O jovem riu nervosamente.
Rin encarou-o por mais alguns instantes. Ele era altivo, e embora fosse magro tinha braços e pernas torneados com músculos definidos, e ombros largos. Sua pele era clara e seus olhos verdes contrastavam com seus cabelos longos e ruivos alaranjados, cortados em franja na frente, e desciam soltos pelos ombros até o fim das costas. Ele estava imponentemente vestido com um quimono azul escuro com uma armadura de metal prateado com uma ombreira e por cima um obi preto.
—Shippöu? Não acredito... É você mesmo? — Rin disse com alegria, pulando no pescoço do jovem raposa que suspirou aliviado.
—Finalmente, não é Rin? Por um momento achei que não me reconheceria! -O ruivo pareceu irritadiço, mas logo voltou a sorrir.
—Ah Shippou, é que você cresceu muito. Está muito diferente! E eu não esperava te ver por aqui! -Rin justificou sem graça.
—Eu? Você já se olhou no espelho ? Você cresceu tanto quanto eu. E devo admitir que se tornou uma linda fêmea, Rin. –Disse o jovem youkai com um sorriso galante. Depois, ele pegou a mão de Igraine e a reverenciou para se apresentar.
— Jovem hanyou, permita-me. Eu sou Shippöu, o segundo capitão do senhor Inuyasha, o terceiro general do reino do oeste. É um imenso prazer conhece-la. – Concluiu o raposinho, beijando delicadamente os nós dos dedos da mão direita, de Igraine.
—Igraine... Encantada em conhecê-lo. -A hanyou respondeu incomodada com a proximidade do jovem youkai, enquanto Rin se mostrava surpresa com a elegância demonstrada por ele.
—Nossa Shippöu como você mudou. Está tão...- A jovem miko começou a falar.
—Civilizado? Ha ha sim, eu sei. Faz parte do treinamento ao qual fomos e estamos sendo submetidos. Somos reeducados e aprendemos boas maneiras e diplomacia além do árduo treinamento físico. -Shippöu esclareceu.
—Por Kami, Shippöu? Eu sabia que era você, mas não esperava que você tivesse mudado tanto! -Kagome declarou ao entrar no quarto.
Ela e Kikyou subiram rápido por que sentiram um miasma familiar. Ao entrarem no quarto viram o youkai raposo beijando a mão de Igraine e ambas mal puderam crer em seus olhos.
Shippou adulto.

—Kagome, quanto tempo, que saudade. Você continua muito bonita Kagome. E você também Kikyou. – Disse Shippöu abraçando as duas afetuosamente.
— Shippöu, nossa, Kagome tem razão você cresceu muito! Como vão todos lá na vila?-Perguntou Kikyou, encarando-o ainda surpresa com sua mudança.
— A vila ainda está bem. Eu estava com muita saudade de vocês. Aliás , todos estávamos. -Disse ele ainda segurando as mãos das duas.
—Todos? Todos... quem? -Kikyou perguntou desconfiada.
—Nós todos. A senhora Kaede, Sango e Mirok, Kohako e eu... E principalmente o General Inuyasha. -Shippöu explicou com sinceridade.
—General...Ele tornou-se mesmo um general de Sesshoumaru. Mas ele não deveria estar ainda em treinamento? Só se passaram oito anos... -Kikyou questionou apreensiva.
—O Lorde Sesshoumaru subestimou o general Inuyasha. Ele imaginou que levaria cerca de dez anos para que ele conseguisse atingir seus objetivos e concluir o treinamento. Mas ele levou pouco mais da metade do tempo! Ele retornou e nomeou a mim e ao Mirok como seus capitães. Embora teoricamente ainda estejamos em treinamento estamos em nossa função desde então já que o reino precisava se reerguer depressa, pois, depois que o Lorde Sesshoumaru assumiu seu trono, muitos youkais quiseram tomar o poder dele para si. -Shippöu contou sem rodeios.
—Então, parece que vocês estiveram bastante ocupados... -Kagome murmurou.
—Muito mesmo. A reconstrução do reino tem exigido muito de todos nós. Nos primeiros anos após a partida de vocês, tivemos muitos ataques de youkais nas aldeias humanas. Foi bastante difícil para todos nós. Nos últimos anos os ataques diminuíram nas aldeias ao redor dos feudos dos generais. Mas a incidência ainda é bastante alta. E agora com essa nova ameaça... As coisas podem ficar ainda piores! -Shippöu murmurou angustiado.
—Nova ameaça? Do que você está falando? O que está acontecendo? – Perguntou Kikyou, aflita.
— Um inimigo perigoso, um demônio poderoso de nome Kyuura. Dizem que ele é filho de um deus do fogo. Ele conseguiu uma arma poderosa, capaz de destruir cidades inteiras em questão de minutos. Ele tomou o reino das terras do norte e do leste. E o próximo alvo devem ser as terras do Oeste.
—Oh não! Me diga por favor, Shippöu, o senhor Sesshoumaru está em perigo?-Perguntou Rin aflita.
—Infelizmente, todos os nossos amigos estão. Mas estamos nos preparando para o ataque. O lorde, seus generais e capitães, estamos prontos para tentar defender as terras do Oeste! -Shippoü bradou com orgulho.
— Os generais? Que generais, são esses? Há outros além de Inuyasha? – Perguntou Kikyou.
—Sim, existem cinco ao todo. Além do general Inuyasha, são Youkais de clãs poderosos que fizeram alianças com o Senhor Inu no Taishou há muitos séculos.
—Você sabe me dizer se há entre esses generais algum que se chame Teigure? -Igraine perguntou mal disfarçando sua ansiedade.
—Não... Havia um general Teigure há muitos séculos, pelo que eu soube, mas ele morreu na mesma época que o Lorde Inu no Taishou. Mas o filho dele o general Hikaru, assumiu o legado do pai. Ele é um youkai tigre poderosíssimo, temido e respeitado por todos. Ele também foi um dos responsáveis pelo treinamento do general Inuyasha.
—Meu irmão... Ele está vivo! Meu irmão é um general!-Igraine quase gritou de emoção pulando nos braços de Rin que a abraçou fortemente.
—Sim Igraine! Eu te disse que nós íamos encontrá-lo! -Rin sorriu enquanto Kikyou suspirava discretamente de alivio e surpresa.
—Seu irmão? Espere um pouco, como isso é possível? -Shippöu perguntou confuso.
—O general Teigure era o meu pai. Minha mãe ficou grávida de mim na mesma época que o lorde Inu no Taishou engravidou a princesa Izayoi. Mas por algum motivo que eu desconheço eu nasci no futuro e nesta era. Minha mãe era Claire Willhelm. -Igraine resumiu.
—Espere um pouco... Eu ouvi esse nome. Claire Willhelm era uma miko poderosa que foi marcada pelo general Teigure. Ela estava para dar a luz, mas houve um ataque no shiro deles. Uma armadilha arquitetada pelo general Shigeko. Ele reuniu os generais Teigure, Kurö Ookami e Suzanoo no shiro e os atacou covardemente. Shigeko aliou-se a Ryukutsusei e Kyuura, e eles pretendiam tomar o poder sobre as terras do Oeste. Mesmo sem seus generais o lorde Inu no Taishou conseguiu vencer Ryukutsusei ainda que isso tenha custado sua vida, já que ele também tivera que lutar contra o algoz da hime Izayoi que havia acabado de dar a luz. Durante o ataque de Shigeko, Lady Claire tambem foi atacada mas nem o corpo dela, nem do bebê nunca foram achados. O general Teigure tirou a própria vida depois que ela desapareceu... Eu sinto muito por te dizer isso, Igraine. Eu não sei de mais detalhes, pois não me pareceu pertinente perguntar sobre isso. A verdade é que esse ataque culminou também na morte do lorde das terras do oeste e de outros generais, como Susanoo e Kurö Ookami e de toda a sua família... Enfim... Foi uma tragédia para todo o reino, que ninguém gosta de relembrar... -Shippöu comentou com pesar.
—Então foi isso... Por isso Claire não deu nenhuma pista do que acontecera, em seu diário. Igraine e Inuyasha nasceriam no mesmo dia e esse tal de Shigeko sabia disso. -Kagome concluiu surpresa.
—Sempre que uma humana dá a luz a um hanyou, o risco dela morrer no parto é muito grande. Por isso havia a necessidade dos generais apoiarem uns aos outros nesta ocasião. O traidor Shigeko deveria resgatar a princesa Izayoi e levá-la até o shiro do general Teigure, junto com o general Susanoo. Mas ao invés disso, ele preparou uma armadilha mortal para seus companheiros. -Shippöu explicou.
—Mas isso ainda não explica como Claire foi parar no futuro e na nova era. Parece que ainda há muitas lacunas nesta história que precisamos preencher. -Kikyou quebrou o silêncio pesado que se instaurou sobre eles.
—Eu sei quem pode explicar tudo isso. Lady Yukina, a nova feiticeira das terras do Oeste. Ela é filha do general Susanoo e irmã do general Raijin que herdou do pai o título e o legado. Foi com a ajuda dela que eu consegui atravessar o poço. Ouçam meninas, o general Inuyasha não sabe que eu estou aqui. Ele não concorda com retorno de vocês neste momento e me proibiu de fazer isso, por que temia pela segurança de vocês. Mas eu tenho certeza de que não poderia haver um momento mais propício. Nós precisamos de toda a ajuda possível! -O youkai raposa foi enfático.
—Nós entendemos Shippou. Você está fazendo o que é certo. Eu fico feliz que você confie em nós dessa maneira. Se nossa era está em perigo, então certamente nós temos que ajudar. -Rin sorriu para o youkai raposo.
—Você está corretíssima Rin. Bem, meninas vocês ouviram o Shippöu. Está na hora de voltarmos. Preparem tudo, vamos voltar para casa. -Kikyou ordenou com segurança.
E dito isso foram as duas, Kagome e Kikyou para o quarto arrumar seus pertences. Rin também pôs-se a arrumar suas coisas, e Igraine pretendia fazer o mesmo. Shippou sentou-se na cama de Igraine e ficou acariciando kirara que pulara a janela e neste momento dormia em seu colo, enquanto observava a bela hanyou que se movimentava à sua frente.
No início da tarde todas estavam prontas. As malas foram reduzidas ao mínimo possível e mesmo assim, Kagome queria levar sua motocicleta nova, enquanto Rin queria levar alguns baldes de sorvete. Kikyou e Igraine tiveram que argumentar que não seria possível e nem viável.
—Adeus senhora Higurashi somos muito gratas por tudo o que fez por nós. – Disse Kikyou segurando as mãos da mãe de Kagome. A despedida da família Higurashi foi emocionada, afinal foram quase oito anos de convivência fraterna.
Algumas lágrimas e muitos abraços depois, as moças acompanhadas pelo jovem youkai se encontravam diante do poço come ossos, com seus corações aos pulos, pela expectativa do retorno.
—Bem está na hora de irmos. Kirara você vai primeiro. Vamos, vocês todas, tem de dar as mãos. Com licença senhorita. — Instruiu-as Shippou e em seguida pegando a mão de Igraine, que ficou vermelha com o gesto. E após fazer isto, deu um grande salto e arrastou as corajosas moças com ele.
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