Perdida Na Tempestade
9 Capítulo 9 – Sem tempo para amar...
Notas iniciais
Com a ajuda de Kirara todos saíram sem maiores dificuldades do poço. E se surpreenderam imensamente com o que viram: o poço estava situado em meio a um delicado jardim de cerejeiras.
—Por Kami... Onde nós estamos? O come-ossos nos levou para outro lugar? -Kagome perguntou assustada.
—Nada disso Gome. Esse é o Jardim da esperança. Foi uma das primeiras obras que o general Inuyasha construiu. Nem preciso dizer para quem ele fez isso, não é? -Riu o raposinho maliciosamente.
Kagome corou inteiramente.
—Ora Shippöu, não diga bobagens... É melhor irmos andando logo... -Kagome virou o rosto enquanto pegava suas coisas.
—Irmos andando, para onde, necessariamente? -Igraine questionou ao olhar na direção da sáida do jardim e observar uma carruagem com dois animais quadrúpedes semelhantes a lagartos, mas do tamanho de cavalos, estacionada na lateral de uma estrada de pedras circundada por uma densa floresta.
—Shippöu cadê o vilarejo? -Kikyou questionou surpresa.
—Ah, é. Vocês se lembram que eu disse que tivemos muitos ataques logo depois que vocês partiram? Bem, nós resolvemos levar a aldeia para perto do shiro e isso deu certo. Venham por aqui, meninas, a carruagem está a nossa espera.
Ao visualizar Shippöu o cocheiro, um jovem humano, prontamente desceu de seu assento e ajudou as moças com a bagagem, acomodando todos antes de partirem.
A carruagem seguiu tranquilamente um longo caminho até a nova vila, revelando ao fim de algumas horas de viagem, uma cidadela, pequenina mas próspera. Havia muito mais casas e campos de plantações diversas. Era cercada por quatro construções, que estavam localizadas afastadas, nas extremidades do local. Na parte mais alta aninhado em uma colina ficava o grandioso shiro.
As quatro moças mal podiam acreditar em seus olhos. Shippöu notou a expressão de surpresa e encantamento nos rostos delas.
—Eu disse que estivemos ocupados... – Riu-se ele.
—Mas de onde saiu toda essa gente? -Indagou Kikyou.
—São das antigas aldeias ao redor. Reunimos as pessoas nesta vila, pois deste modo seria mais fácil protegê-las. Em troca da segurança eles ajudaram a construir tudo por aqui. E sem Youkais para destruir as lavouras e o gado, agora temos sempre muita comida. -Explicou ele.
Logo após a entrada havia alguns entrepostos com todo o tipo de mercadoria, algumas casas e até um pequeno restaurante. Mais à frente havia uma escola e um parque onde crianças brincavam tranquilamente.
—Shippöu o que aconteceu com a minha irmã? -Perguntou Kikyou preocupada.
—Ah não se preocupe Kikyou, ela está vivendo comigo lá no minha casa. É lá que vocês vão ficar se não se importarem é claro. Mas a sua nova casa mesmo, é lá no templo. Ele foi feito especialmente para vocês.
— Oh Shippöu é muita gentileza sua. Mas não queremos te dar trabalho.- Disse Kagome imaginando que Shippou teria uma pequena casa, e já com a senhora Kaede, como hóspede, seria constrangedor ter tantas pessoas para um pequeno espaço.
— Mas não é trabalho algum, a senhora Kaede vai ficar satisfeita em ver vocês. -E diante da alegre justificativa dele, Kagome resolveu manter o silêncio.
A carruagem andou por mais uns 30 minutos, até chegaram a extremidade esquerda da cidadela de onde tinham uma visão mais próxima do templo e do shiro.
—Pronto, senhoritas, chegamos! E Shippöu apontou para uma mansão de pedra e madeira clara. Já na entrada, um belo e delicado jardim abria caminho para a varanda da mansão, onde havia móveis de vime e juta recobertos com tecidos macios.
Ao abrir a porta, adentraram em uma aconchegante sala, toda decorada em tons de azul turquesa e dourado.
—Arisu, estou em casa, temos visitas. – Disse Shippou em voz alta. E vindo do interior da mansão uma youkai adulta com olhos e cabelos de cor violeta apresentou-se diante deles. Os cabelos estavam presos, bem alinhados em um coque alto, seu corpo esbelto vestia um quimono justo, negro com um avental branco com pequenas rendas nas pontas.
— Seja bem vindo de volta a sua casa, meu senhor. –Cumprimentou a youkai a Shippou.
—Obrigado Arisu. Estas são minhas amigas aquelas das quais conversamos mais cedo. Quero que cuide bem delas Arisu.
—Sim senhor, será um grande prazer servir as senhoras. – Respondeu ela com graciosidade
—O prazer será todo nosso, Arisu. É um prazer enorme conhecer a esposa do Shippou. — Kagome sorriu disfarçando a surpresa. Arisu deu uma risada discreta.
—Kagome, ela não é minha esposa! Ela é minha serva. – respondeu Shippou rindo também.
—Serva? Ai desculpa! Eu e minha boca! – respondeu a miko corada de vergonha.
—Não tem problema Kagome. Arisu onde está a senhora Kaede?
—Ela foi até a horta do templo, disse que precisava de algumas ervas. Mas ela não deve demorar.
—Certo então, bem, vamos ajudar as nossas hóspedes a se instalarem.
—Certo meu senhor.
E foram pelas escadas para apresentarem cada uma a seu quarto. Shippou ajudou as com as malas e fez questão de mostrar a cada uma delas, seu próprio quarto. A última a ser instalada foi Igraine, e Shippou, mostrou-se extremamente interessado em ajudar a hanyo. Só quando teve certeza de que elas estavam bem instaladas é que, desceu para seu escritório. Uma vez lá pegou uma certa correspondência e retornou para vê- las. Reuniu-as no quarto de Kagome para dar lhe a notícia.
—Meninas, eu tenho que colocar vocês à par de toda a situação. Eu fui buscar vocês hoje por que ao entardecer, haverá uma recepção em homenagem ao senhor Sesshoumaru, com todos os generais das terras do oeste. -E Shippou mostrou a elas uma carta-convite para uma recepção que seria realizada ali no Shiro de Inuyasha, em homenagem à Sesshoumaru.
—Uma festa em homenagem à Sesshoumaru? Shippöu, eu pensei que estávamos nos preparando para uma batalha, não para uma festa!-Kagome argumentou.
—A ideia da festa é só uma fachada, um pretexto para reunir os generais e seus capitães sem que o inimigo perceba que estamos nos preparando para reagir. Amanhã bem cedo haverá uma reunião secreta para resolver os detalhes da nossa estratégia de guerra. Eu imagino que essa também é a oportunidade perfeita para anunciar o retorno de vocês e esclarecer a situação de Igraine. -O raposinho falou com perspicácia.
— Mas Shippöu nós sequer fomos convidadas! -Protestou Rin.
—Não há o que discutir. Shippöu está certo, nós temos de ir a essa reunião se quisermos ser de alguma ajuda. Além disso, todos os generais estarão aqui. Será a sua chance Igraine. -Kikyou ponderou e as demais concordaram.
—Temos pouco mais de três horas para nos prepararmos para essa festa. Eu instruí Arisu a preparar antecipadamente vestimentas e adornos adequados à ocasião e tudo mais que vocês precisarem. -Shippöu explicou antes de sair pela porta do aposento e chamar pela serva nos corredores. _Arisu, traga a encomenda!
Alguns segundos depois a serva youkai adentrou ao quarto levando um carrinho com seis caixas de madeira laqueada grandes empilhadas na parte de baixo e outras seis caixas menores colocadas na parte de cima do carrinho. Cuidadosamente a serva colocou as caixas maiores sobre a cama e abriu cada uma delas revelando lindos quimonos de festas. Nas caixas menores haviam jóias refinadas, perfumes e maquiagens.
—Por Kami! Shippöu onde você roubou tudo isso? -Kagome puxou o raposinho pela orelha.
—Ai ai ai ai ai... Não Kagome. Eu não roubei nada! Eu encomendei tudo isso para vocês! Aaii... Pode soltar a minha orelha ? Isso dói muito! -Shippöu respondeu levemente irritado.
—Mas Shippöu isso tudo deve ter custado muito caro. Não podemos aceitar. -Kikyou respondeu ainda surpresa com tanto luxo.
_Acreditem em mim vocês irão precisar de tudo isso se quiserem estar à altura das youkais que estarão nesta festa. Os quimonos foram todos costurados pela Arisu, eu só precisei encomendar os tecidos. E a maioria dessas joias me foram dadas pela lady Yukina. -Shippöu as tranquilizou.
—São lindos... Tudo aqui é...-Igraine murmurou pensativa enquanto olhava pela janela o grandioso shiro na colina.
—Eu sei que tudo isso é muito repentino. Mas nós lutamos muito para conseguirmos chegar até aqui e ainda temos muito o que fazer. Ainda há muito preconceito com os humanos e hanyos e mesmo eu sendo um youkai, eu lamento isso profundamente. É por isso que é tão importante que vocês estejam aqui hoje. A presença de vocês Kagome e Kikyou é importante para nós, seus amigos. E você Rin é a hime das terras do Oeste, a protegida do lorde Sesshoumaru. E além disso vocês trouxeram com vocês a filha perdida do general Teigure. Igraine, você vai dar um novo ânimo á todos aqueles que conheceram e admiraram o seu pai. -O raposinho caminhou até a hanyou e sorriu gentilmente enquanto falava.
Igraine retribuiu o sorriso e concordou com a cabeça.
—Me perdoe Shippöu... Eu acho que estou muito impressionada com tantas mudanças. Eu quase não acredito que estamos no pequeno vilarejo em que vivemos juntos... Eu nem sequer te agradeci por ter ido nos buscar.- Kagome tomou a palavra.
—Está tudo bem, Gome. Vamos nos concentrar na festa de mais tarde. Precisamos estar preparados para isso. -Shippöu abraçou à miko calorosamente. Em seguida despediu-se das demais e saiu do aposento fechando a porta atrás de si.
Kagome percebera que Kikyou parecia um pouco perturbada, e decidiu ficar a sós com ela.
—Bom meninas vocês ouviram o Shippou. Temos que nos arrumar logo! Eu sugiro que Igraine, se arrume junto com a Rin e assim faremos isso mais rapidamente. O que vocês acham?
—Certo Gome, temos muito o que fazer. Vamos Rin, eu vou arrumar o seu cabelo daquele jeito que você gosta! -Disse Igraine levantando-se em um pulo e puxando Rin pelo braço em seguida pegaram cada uma uma caixa e levaram Arisu com elas.
Assim que elas saíram e fecharam a porta, Kagome voltou-se para Kikyou que se encontrava de pé próxima à janela, olhando fixamente para fora, no mesmo lugar onde Igraine se encontrava anteriormente. No entanto estava nítido que ela não estava vendo nada. Kagome se aproximou dela, e a abraçou pelas costas.
—Kikyou... Você está preocupada com Inuyasha, não é? –Kikyou voltou-se para Kagome e olhou a nos olhos. Deu um sorriso sincero, mesmo com os olhos marejados.
—Irmãzinha, eu não estou preocupada com isso. Sei que deveria ter tido essa conversa com você antes, e acredite eu planejava fazer isso antes de retornarmos mas... Tudo isso aconteceu tão depressa! Gome, durante uito tempo, eu me perguntei se eu realmente amava Inuyasha. Mas tudo mudou no momento em que li aquele diário... A verdade é que eu nunca amei Inuyasha... Não, como ele merecia ser amado. Eu sempre o subestimei por ser um hanyo e usei isso como desculpa para não confiar nele. Mas a verdade é que eu o usei como muleta para mim mesma. Uma desculpa para ser livre da joia de quatro almas e das duras responsabilidades que eu mesma me impus. Ele é um ótimo amigo e eu desejo do fundo do meu coração que ele seja imensamente feliz. Mas não consigo me ver ao lado dele pelo resto da minha vida... -Kikyou abriu seu coração com sinceridade.
—Mas.. Kikyou...
—Gome, eu cometi um erro enorme... Eu deveria ter visto isso antes de partirmos... Mas a verdade é que quando eu o conheci, eu estava tão cega, tão empenhada em ser a sacerdotisa santa e perfeita! Que não me dei conta de que eu estava me sacrificando. Eu estava me matando aos poucos, me cobrando todas aquelas responsabilidades, colocando o mundo nos meus ombros! E eu odiava tanto aquilo... Quando conheci Inuyasha eu admirei a sua persistência, e eu via nele a bondade genuína que poucos seres podem ter. E eu queria ajudá-lo a concluir seu desejo, não por amor... Mas para delegar a ele a responsabilidade que eu havia tomado para mim, e finalmente poder ser eu mesma, e não a sacerdotisa da shikon no tama... Apenas depois desses anos, com você e as meninas, eu pude enxergar como eu o via de verdade. Eu nunca fui tão feliz, como fui nesses anos. Se eu dissesse que senti falta de Inuyasha somente, eu estaria mentindo. Eu senti saudades de todos e minha mente sempre voltava para este vilarejo, para a casa de minha irmã e de nossos amigos... Mas ao contrário de mim eu sei que você pensou nele todos os dias. Eu sei que você rezou e pediu por ele, todas as noites antes de dormir. Que você se preocupou em como ele estava se saindo no treinamento e chorou de saudade diversas vezes... E isso é um amor real, Gome. Esse é o modo como ele realmente merece ser amado. -Kikyou concluiu limpando as lágrimas que desciam pela face de Kagome.
— Kikyou... Mas, e se ele escolher você? Ele era tão apaixonado por você...
—Gome, eu só fui um porto seguro para ele que estava cansado de estar só. Ele se apoiou em mim assim como eu me apoiei nele. Mas tudo não passou de uma conveniência que se tornou uma amizade. Afinal, se ele me amasse de verdade, não teria se apaixonado por você e muito menos teria hesitado. Nós podemos ter a mesma alma. Mas não temos a mesma personalidade. Somos parecidas mas, não temos a mesma aparência. Acredite em Mim Gome, ele ama você, mas é burro demais para admitir. Ou pelo menos era... Porque se aquele jardim da esperança construído justamente naquele lugar tão especial para vocês dois, não for uma declaração de amor... Então eu não sei mais o que é. -Kikyou concluiu absolutamente confiante do que dizia.
—Eu nem sei o que te dizer Kikyou... Aquele local é muito especial para nós... Mas não se esqueça que nós duas fomos embora juntas... Ele poderia ter pensado em você também... -Kagome virou o rosto.
—Eu duvido... Inuyasha se sente responsável por mim, agora que eu voltei a vida. Mas não há nada além disso, e eu não tenho dúvidas de que ele percebeu isso. Agora eu preciso que você me perdoe por ter sido tão cega e carente à ponto de não enxergar o que estava bem na minha frente... E ter atrapalhado o seu laço. E prometa-me que também vai perdoar aquele cão sarnento com coração de ouro, e ser muito feliz com ele. -Kikyou abraçou novamente à Kagome que sorriu em meio às lagrimas e acabou concordando com a irmã de alma.
—Hoje descobrimos que muita coisa mudou... Nós mudamos... a Vila, e nossos amigos... E ainda precisamos mudar muito mais. E nós temos de estar muito bem vestidas para fazer frente àquelas lindas youkais! -E dizendo isso, Kagome secou os olhos e caminhou até uma das caixas. Abriu uma com cuida do e tirou de dentro dela um quimono de pura seda verde jade, com flores douradas bordadas.
—Acho que você vai ficar linda com este aqui! Você fica muito bem com esse tom de verde! -Kagome afirmou. Kikyou sorriu, e foi até ela para ver de perto a peça.
—Não sei, não Gome... Acho que esse ficará melhor em você... -Disse Kikyou.
Após verificarem as demais caixas, ouviram batidas na porta. Era Arisu, que havia acabado de preparar o banho de Rin e Igraine e chegara para preparar o banho delas.
No fim do corredor, estava a suíte de Shippöu, tão bem decorada quanto o restante da mansão. Ele jazia na água de sua banheira, pensando em como faria para dizer a Inuyasha que ele havia desobedecido suas ordens e ido buscar as Mikos e tudo por causa de um sonho com uma fêmea que ele sequer conhecia. Em seu sonho, a fêmea dizia que era chegado a hora do retorno das moças. Pois elas, teriam um papel fundamental na guerra que estava por vir.
Shippöu sabia que aquele não havia sido um sonho comum. Mas quando tentara alertar seu general, ouvira do hanyou que a aquele seria o pior momento para que elas retornassem tendo em vista a gravidade da situação. Apesar de concordar em parte com o que ele dissera, Shippöu sabia que Inuyasha tinha amor pelas duas. Cada uma à sua maneira. E do mesmo modo que Sesshoumaru amava a Rin. E em um momento como aquele, elas eram um incentivo importante que eles continuassem o legado deixado por Inu no Taishou de respeito e proteção aos humanos.
Enquanto pensava em todas as incógnitas que tinha de resolver, o jovem youkai saiu lentamente da água e vestiu seu roupão felpudo. Depois enrolou os cabelos em uma toalha, e olhou-se no grande espelho que havia em frente á banheira, respirando fundo, para livrar se da tensão. Saiu do quarto de banho em direção ao armário. Tirou de lá um imponente Quimono azul escuro com detalhes brancos. Pôs meias e uma espécie de bota de couro fino e solado de um tipo de madeira resistente mas flexível, que tinha na fronte uma escama de metal prateado. Amarrou o calçado, de cor preta, baixo da rótula do joelho e vestiu o Rokushaku (uma espécie de tapa sexo japonês) e a hakama (Calça do quimono comprida e com várias pregas). Em seguida vestiu uma espécie de camisa transpassada branca e fina e a fechou com um obi de seda também preta. Por cima desta vestiu a comprida parte superior do quimono deixando a aberta. Nos ombros uma capa de pele de raposa. A mesma pele que pertenceu a seu pai. Depois de vestido, soltou os cabelos e os penteou, mantendo os presos em um rabo de cavalo baixo. Ungiu-se com óleo de perfume fresco e discreto. Olhou-se novamente no espelho, e ficou satisfeito com o que via. Sabia que estava imponente, com seu traje, e que certamente impressionaria as moças. Por fim pegou sua katana (espada) e saiu de seu quarto, passando em frente aos quartos onde estavam suas hóspedes. Desceu a escada e resolveu esperar por elas em seu escritório enquanto degustava um bom saquê, com esperança de que a bebida lhe acalmasse os ânimos.
Enquanto isso, Rin já estava praticamente pronta. Ela estava vestida com um quimono de seda fina que tinha as mangas e a barra com um detalhe sobreposto, que dava a impressão que ela estava vestindo 3 quimonos, a primeira camada era mais comprida, com uma cauda insinuada e era cor de pêssego, a segunda levemente mais curta era de um dourado claro e brilhante e o terceira mais curta era cor de rosa. Fechando o quimono Um obi bordado, em um tom de rosa forte, com uma fita de seda dourada que descia até os pés de Rin. Os cabelos compridos estavam arrumados e presos apenas por finas mexas de cabelo, tiradas das laterais do rosto e presas atrás da cabeça por uma delicada trança. Seu corpo assim como o de Igraine exalava o cheiro do óleo de rosas vermelhas, usadas por elas no banho. Rin havia delineado os olhos e agora servia-se de um gloss labial enquanto Arisu prendia um pente de ouro e madre pérolas nos cabelos da jovem.
Igraine terminava de vestir seu quimono vermelho escuro com bordados geométricos dourados nas mangas amplas e na barra. O Obi que ela usava era mais largo e justo, quase como um corselete, preto com uma estampa floral grande e arrematado por uma fita dourada igualmente longa. Os cabelos de Igraine estavam semi presos em um penteado rebuscado e ela usava alguns grampos com predarias que combinavam com seus brincos.
Estavam praticamente prontas quando Kagome e Kikyou, foram até o aposento para vê-las.
Kagome usava um quimono longo e liso, de cor verde jade. Por cima, outra capa igualmente longa e aberta, transparente, mas, com flores e folhas bordadas em tons de dourado. Por cima um Obi verde escuro e branco. A maquiagem dela era leve composta de um bom rímel e um batom coral. Já Kikyou, Usava um quimono longo e brilhante de cor preta com flores brancas e vermelhas nas mangas e barra. As mangas eram justas até os cotovelos e depois se abriam e o próprio quimono era justo até a cintura, mas descia pelas pernas, tornando-se levemente rodado. O obi que ela usava era vermelho com uma fita de seda preta no meio... Os cabelos também estavam presos em um rebuscado penteado tradicional e ela usava um adorno composto por rosas de tecido vermelho, pérolas e pedrarias.
Arisu ajudou-as a terminarem de se arrumarem e quando finalmente terminaram, pôs as duas mãos à boca enquanto dizia a elas o motivo de seu espanto.
— Vocês estão belíssimas! Tenho certeza que o senhor Shippöu ficará muito satisfeito em vê-las.- A youkai afirmou com veemência.
—Tem certeza disso? Será que não estamos exageradas? Perguntou Rin, pois estava acostumada com a simplicidade de sua calça jeans e tênis surrados que ela havia aprendido a adorar.
—Com certeza não estão. Todos os generais bem como suas fêmeas deverão estar ricamente vestidos para mostrar a imponência de seus feudos. -Arisu justificou.
—E nós estamos à altura? — Perguntou Igraine, terminando de se maquiar e olhando com desconfiança para a própria imagem.
—Eu diria que estão muito acima das expectativas. Eu mesma quase não as reconheço! –Respondeu uma voz que vinha da porta entre aberta. Ao abrir completamente a porta eis que surge uma velha senhora, com uma inexplicável expressão de felicidade.
—Senhora Kaede! -Exclamou Rin abraçando-a. Seguida por Kagome e Kikyou.
—Como vocês estão lindas! E quem é essa? –Perguntou Kaede apontando para Igraine com desconfiança.
—Essa é a Igraine. Ela é uma hanyo que nós conhecemos na minha era-Respondeu Kagome, apresentando Igraine que fez uma reverência a velha senhora.
—O prazer é todo meu Igraine. Bem, vejo que Shippou está mesmo conseguindo por seu plano em ação. Aquele raposinho é mesmo muito inteligente. -A velha senhora elogiou.
—Senhora Kaede a senhora não vai à recepção?-Perguntou Rin notando que a velha senhora embora estivesse bem vestida não estava pronta para uma recepção.
—Ah não, querida. Estou muito cansada para isso. Além disso, eu vou dormir fora hoje. Mas vão e aproveitem tudo por mim. Shippöu está lá em baixo andando de um lado para o outro. Parece que está mais ansioso em vê-las do que o próprio Inuyasha! -Kaede disse animadamente.
—Eu tenho minhas dúvidas... -Kikyou disse enigmática.
—Humm... Conheço esse olhar, Kikyou. Imagino que você esteja planejando algo. Mas devo adverti-la, minha irmã. As coisas muraram bastante por aqui. E além disso, os youkais que vocês verão hoje são a elite dessas terras. São poderosos, esnobes e perigosos, então o que quer que você tenha em mente, tome muito cuidado.
—Não tenho dúvidas disso, Kaede. Bom, estamos prontas. Vamos meninas, vamos descer. Kaede minha irmã, é muito bom saber que você está bem. Amanhã conversaremos com mais calma. –E dizendo isso abraçou demoradamente a velha senhora e desceram todas juntas. Shippöu estava na sala esperando por elas, pois havia visto que a carruagem deles já estava à espera. Do alto da escada elas começaram a aparecer. Cada uma mais linda que a outra. Elas, no entanto estavam também encantadas com a imponência de Shippöu.
—Vocês estão verdadeiramente encantadoras. -O jovem raposa declarou.
—Você também está muito bonito Shippöu, você não acha Igraine? — Rin, argumentou, fazendo Igraine corar.
—Está sim ele está muito bem... -Igraine elogiou o jovem youkai discretamente.
— Vamos, a carruagem nos espera. — Disse Shippöu abrindo a porta. Lá fora a noite já começava a tomar forma.
Havia um cocheiro youkai que abriu a porta da carruagem para elas. À caminho do shiro elas perceberam que havia outras carruagens se encaminhando para o mesmo destino.
O “Dai san no shiro”(terceiro castelo) Como era conhecido o Shiro de Inuyasha, era um shiro imponente com uma atmosfera rústica. Era localizado em uma colina não muito alta, e tinha uma grande área plana em frente a sua entrada principal. A carruagem as deixou na frente do shiro que estava ornamentada com tochas. Shippou desceu primeiro e ajudou as jovens a descer da carruagem, sob o olhar atento dos guardas youkais, que estavam na porta do shiro.
—Shippou... Você tem certeza de que nós, devemos fazer isso?- Disse Kagome aflita ao ver tanta opulência. As outras carruagens traziam machos e fêmeas youkais de rara beleza que lançavam olhares frios sobre as jovens mikos.
—Sim Kagome nós faremos isso! Escutem bem Rin, Igraine e você também Kagome. Nós passamos os últimos oito anos treinando e estudando para ajudarmos as pessoas dessa era. Nós sempre soubemos como são os youkais, e nós escolhemos viver aqui. Estamos aqui com um propósito, e eu não vou desistir, e nem vocês! – Disse-lhes Kikyou chamando-as a razão.
—Sim Kikyou você está certa. Nós sabemos muito mais que essas youkais fúteis! – Disse Rin se enchendo de coragem.
—Isso mesmo, agora sim estou vendo a Kagome , a Kikyou e a Rin que eu conheço! E você Igraine, sei que também é muito corajosa. – Disse ele pegando a mão da hanyo e beijando-a novamente. _Chegou a hora. -Continuou Shippöu levando as jovens humanas que agora estavam cheias de autoconfiança e mantinham o queixo erguido.
Havia na entrada um guarda que verificava os convites e outro já dentro do Shiro que anunciava os convidados pelo nome. Após entregar seu convite, por pura praxe já que era o capitão dos próprios soldados que ali estavam Shippöu avisou que as moças eram suas acompanhantes. Ao entrar o soldado de dentro perguntou-lhes quem eram as moças e seus nomes para serem anunciados.
—Por favor, anuncie Capitão da guarda Shippöu, e suas acompanhantes, Igraine Wilhelm e as três Mikos da nova era, senhorita Kagome, senhorita Kikyou e senhorita Rin.
O Guarda assentiu com a cabeça, e eles ficaram na ordem sugerida por Shippou ao guarda, bem de frente para o salão onde acontecia a recepção. Quando o guarda repetiu a plenos pulmões:
— Capitão da guarda Shippou, e suas acompanhantes, Igraine Willhelm as três Mikos da nova era, senhorita Kagome, senhorita Kikyou e senhorita Rin.
Igraine, adulta.

Fale com o autor