Perdida Na Tempestade

7 Capítulo 7- E o tempo que virá...


Notas iniciais
Eu gostaria de pedir aos leitores que me deem o ar de sua sugestões pois estou mesmo precisando delas, para nortear essa fic. Bem aqui estão mais alguns de meus personagens. Espero que gostem, e se gostarem me favoritem!! Bom aqui vamos nós!

Os olhos de Teigure se ascenderam na meia luz em que estávamos. Eu dobrei meu corpo e o beijei ainda mais desejosa dele.

—Claire... Eu não consigo me controlar mais... Você tem consciência... isso, mudará sua vida para sempre... Não haverá volta. -Ele gemeu forçando sua ereção contra meu sexo.

—E sei dos riscos. Mas não quero que você se controle... Eu sussurrei em seu ouvido, apertando o laço em meus dedos com a mesma força que apertava meus olhos.

Ele retirou sua calça e ambos nus nos abraçamos ávidos pela pele um do outro. Novamente ele me deitou de costas na cama e olhando me nos olhos penetrou-me devagar.

—Olhe para mim Claire... Você é minha agora... e eu sou seu... Não feche os seus olhos, olhe para mim... -Ele murmurou beijando me sensualmente enquanto tirava minha virgindade muito gentilmente.

Após alguns minutos ele passou a se movimentar dentro de mim. Sempre muito gentilmente como se temesse me machucar. Não demorou quase nada para que eu visse seu corpo mudar novamente. O monstro revelou-se diante de meu olhos e eu continuei encarando-o e mantendo minhas mãos entrelaçadas nas dele.

—Eu sou sua... E você é meu.. Apenas meu. Eu amo você, Teigure — Eu sussurrei beijando carinhosamente sua face transformada e remexendo meu quadril de forma provocadora.

Ele gemeu alto e começou a se mover mais e mais depressa. Alguns minutos depois nós nos derramamos juntos em um orgasmo intenso e quente. Enquanto uma luz prateada clareava todo o aposento. O cordão em minhas mãos se tornara uma corrente prateada intrínseca e iluminada.

Eu sorri enquanto a via sumir lentamente. Eu sabia que embora eu não pudesse mais vê-lo, aquele laço estaria sempre ali.

Voltei a encarar meu amado youkai e para minha surpresa ele ainda permanecia naquela forma me olhando intensamente.

—Claire... Você me aceitou como o monstro que eu sou. Aceite minha marca... Seja minha por toda a nossa vida. — Ele pediu com sua voz gutural.

—Eu aceito... -Sussurrei antes de ser mordida por ele em meu ombro direito.

Me lembro de gritar de dor e espanto, antes que tudo ficasse escuro e silencioso. Quando voltei a mim, ele estava comigo em seus braços e parecia muito preocupado.

—Claire... Você está bem? Fale comigo, por favor. Fale comigo, Claire. — Ele murmurava desesperado.

—Eu... Você me mordeu? Porque... -Eu questionei confusa levando minha mão na região atingida. Mas não havia nenhuma ferida lá, apenas uma cicatriz.

—Essa é a minha marca Claire. A partir de hoje você e eu somos um só e essa marca é a prova disso. -Ele me disse enquanto me acariciava nitidamente aliviado.

Olhei ao redor e percebi que o dia já estava amanhecendo. Eu permanecia abraçada a ele e embora meu corpo inteiro estivesse dolorido, fizemos amor novamente, pois nosso desejo estava longe de ser saciado.

Acordei novamente ainda no quarto de general iluminado pela luz do sol do fim da manhã. Procurei por Teigure na cama mas não o encontrei e instintivamente toquei meu ombro. Minha cicatriz estava lá e isso acalmou meu coração.

Olhei ao redor e percebi que haviam roupas femininas sobre um móvel aos pés da cama. Levantei-me ainda dolorida e absolutamente satisfeita e fui fazer minha higiene matinal. Encontrei a banheira cheia de deliciosa água quente e unguentos perfumados. Banhei me cuidadosamente, perfumei-me e me maquiei como de costume. Em seguida vesti-me e arrumei meus cabelos, ponderando sobre cada detalhe antes de sair do aposento.

Desci as escadas em direção à sala de jantar procurando por meu general, quando ouvi algumas vozes conhecidas e desconhecidas, vindas da sala de entrada do shiro. Caminhei calmamente até lá e para minha surpresa havia um grande acumulado de seres preparando o que parecia ser uma comemoração. Confusa caminhei por entre os servos procurando por qualquer rosto conhecido que pudesse me ajudar.

—Ah, você finalmente despertou querida Claire! -Disse uma voz desconhecida por mim até então.

Foi então que eu avistei uma bela mulher de longos cabelos vermelhos como o sangue e olhos azuis como o céu da primavera. De suas costas saíam asas brancas como de uma águia. Ela era alta e corpulenta, exatamente como uma valquíria saída diretamente dos contos nórdicos que meu pai me contava quando criança.

Ela se aproximou de mim sorrindo docemente e me abraçou tão fraternalmente que eu mal pude acreditar que estava acordada.

—Parabéns por sua união ao general Teigure. Eu sei que tudo isso pode ser uma verdadeira confusão para você, mas Claire nós esperávamos por você há tanto tempo! -Ela disse com tanta empolgação na voz, que me senti ingrata por não conhecê-la.

—Ah me perdoe, eu sequer me apresentei. Eu sou Brunhilde, sou a lady deste shiro e feiticeira das terras do Oeste. Eu sinto muito ter deixado você aqui sem as boas vindas que você merecia, mas assim que você e Midoriko puseram seus pés no shiro eu tive uma visão. Tornou-se imprescindível que nós agíssemos naquele momento ou tudo poderia estar perdido. Aquele artefato é de suma importância para o nosso futuro. Além disso eu sabia que você e o general Teigure não resistiriam à linha do destino que os prendia. -Ela levou me até uma mesa posta enquanto falava.

—Por favor, perdoe me pelos meus modos, mas acho que não compreendo o que está havendo. -Eu tentei argumentar.

—Querida Claire, está tudo bem, deixe me pôr você a par de tudo. Antes de partir pedi a minha serva pessoal que cuidasse de você em todas as sua necessidades. Pois bem, nós chegamos ainda há poucos minutos. Mas minha serva e a governanta já estavam preparando todo esse banquete. Acredito que tenha sido por conta do belíssimo laço de prata que você e o general construíram. Nesse momento todos os demais generais e o próprio lorde Inu no Taishou estão vindo para cá prestar homenagens a você e o general Teigure. -Ela explicou com simpatia enquanto me servia uma xícara de chá.

—T-todos os generais? Mas... Eu sou humana! Isso... Isso não é um problema? -Eu quase gritei nervosamente.

—Sim Claire, você é uma miko humana. E eu sou uma hanyou! E esse é mais um motivo para comemorarmos. Esses conceitos arcaicos já deveriam ter caído há muito tempo. Pelo menos na minha terra natal eles não existem mais... -Brunhilde disse confiante enquanto servia duas xícaras de chá sobre a mesa. Em seguida retirou a sua delicadamente e sorveu um pouco da bebida ainda quente, antes de voltar a me encarar. Acho que minha face confusa estava nítida demais, pois ela simplesmente sorriu e continuou falando.

— Eu sou hanyou. Significa que sou filha de um humano e um youkai. Minha mãe é a youkai. Ela e meu pai se apaixonaram há muitos séculos. Por conta disso, eles foram perseguidos e sofreram muitas perdas. Foi nesta época que meus pais conheceram e se aliaram ao Lorde Inu no Taishou e juntos eles criaram todo esse reino. Desde então, meus pais se estabeleceram ao sul das terras do oeste onde ergueram o shiro de Meikakuna mun, onde os seres não são pré julgados por suas raça. Foi lá que eu nasci. O meu pai vivia nas terras altas, um lugar ao extremo norte do continente, onde a neve o gelo são eternos. Quando ele viu minhas asas, ele escolheu meu nome, em homenagem as guerreiras que segundo a lenda, deram origem ao povo dele.

—Uma Valquíria... Como eu havia imaginado quando a vi. -Eu sorri compreendendo finalmente que meu raciocínio tinha fundamento.

—Sim, exatamente isso. Mas vamos falar de hoje. Hoje é um dia de comemoração. Não há motivos para que você se preocupe com mais nada, mas sei que as dúvidas estão fervilhando em sua cabeça. Este é o momento para que você se livre de todas elas. Pergunte-me o que quiser!

—Oh, bem. Eu posso começar, perguntando onde está o general Teigure?

—Claro Claire. Ele está em reunião, junto com Kurö Ookami, seus capitães e o general Susanoo. Eles estão aguardando o Lorde Inu no Taishou e os demais generais para falarem do artefato que foi encontrado e também de você.

—E a Midoriko, como e onde ela está?

—Midoriko retornou conosco, Claire. Ela foi ao templo onde vocês moravam, mas me garantiu que retornará para o banquete. Ela foi crucial para conseguirmos tomar posse do artefato sagrado que nós trouxemos. Certamente ela precisa de um bom descanso.

—Que bom. Eu quero muito vê-la. Quero que ela saiba que eu estou muito feliz.

—Ela sabe disso. Assim que chegamos, soubemos pelo próprio general, que você havia sido marcada por ele. Midoriko ficou profundamente apreensiva. O general convidou-a para constatar com seus próprios olhos que você estava bem. Nós entramos no quarto e você estava dormindo profundamente. Foi então que minha serva mostrou a ela o laço de prata. -Isso é uma prova irrefutável, mesmo entre os humanos desta era. -Brunhilde ponderou.

— Isso é bom, não é? Quero dizer... Temos um compromisso real e concreto. — Eu questionei, tentando não deixar minhas dúvidas muito óbvias.

—Certamente. Sabe, Claire, meu pai costumava dizer que quando um macho realmente ama e deseja uma fêmea, ele a coloca onde ela deve estar. Tenho certeza de que o general Teigure já lhe explicou sobre isso, mas é sempre bom ressaltar certos aspectos da realidade desta era. O general Teigure sabe que ocupa um lugar de prestígio e responsabilidade. Ele poderia ter seu próprio harém, com as mais belas youkais que quisesse e isso não seria desonroso para nenhum dos envolvidos. Para os youkais estar em uma posição de prestígio é o mais importante. A maioria deles, não conhecesse os sentimentos, como os humanos. E isso lhes dá uma grande vantagem, pois não precisam ter apreço pela vida dos mais fracos. Esse mundo pertence aos mais fortes, mas eles nunca precisaram proteger nada e ninguém, além de seus próprios interesses. Tudo isso começou a mudar com as terras do oeste. Certamente ainda temos muito a fazer e temos muitos inimigos poderosos que tentarão nos impedir. Por isso cada vitória deve ser comemorada. O general Teigure encontrou o seu laço de prata depois de tantas décadas de solidão. Vocês dois merecem todas as homenagens que uma união tradicional teria. -Brunhilde explicou com sinceridade e certo amargor em suas palavras.

— De fato, ele me explicou tudo isso. Mas acho que ouvindo de você, posso finalmente dimensionar o tamanho desta situação inteira. Nós éramos de mundos tão diferentes. E mesmo assim, estaremos juntos por toda a vida. E eu quero isso. Eu vou ser a fêmea dele e a mãe dos filhos dele. Todos eles. E vamos ter hanyous, como você Brunhilde e eles vão nos encher de orgulho. Ele já me marcou Brunhilde. Nosso laço está concretizado. -E mostrei a ela a marca em meu ombro, sentindo um misto de orgulho e medo, enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas.

(Mesmo agora enquanto escrevo essa memória, sinto minhas lágrimas descerem quentes por minha face. E eu tenho que ter cuidado com isso, pois Teigure sente o cheiro das minhas lágrimas e sempre corre para me ver quando isso acontece. Depois que eu explico o motivo da minha emoção, ele sorri e me dá um beijo carinhoso, mas eu percebo que ele ainda não entende os meus motivos.)

Brunhilde também limpou uma lágrima e a garganta antes de prosseguir.

—Eu fico imensamente feliz em saber disso, Claire. E falando sobre filhos, você já conheceu Hikaru?

—Ainda não. Eu sei muito pouco sobre ele, na verdade, apenas o que Teigure me disse. Isso me remete à próxima pergunta: Como ele é, Brunhilde?

—Ah eu esperava que você me perguntasse sobre isso. O que posso falar sobre Hikaru? Ele é fruto de uma relação de Teigure com uma youkai pertencente à um dinastia distinta e poderosa. Parece que essa tal fêmea youkai, foi prometida ao general há muito séculos. Porém, antes que ele a marcasse, ela o seduziu e fugiu logo que descobriu a gravidez. O general Teigure sequer soube da gestação ou de seu paradeiro por muitos anos, até que ela morreu em circunstâncias muito adversas, quando Hikaru ainda era bem jovem. Ele mesmo mandou avisar ao pai sobre o que ocorrera. Quando Teigure soube da existência de seu primogênito, quase enlouqueceu. Ele abandonou suas terras nativas e seu próprio clã e partiu para encontrá-lo. Durante a longa viagem, ele conheceu Inu no Taishou e seu propósito e o ajudou em uma batalha contra um terrível inimigo. Após a vitória, Lorde Inu no Taishou cumpriu sua promessa e ajudou o mais novo amigo a resgatar seu filho das longínquas terras além do mar. Eles então, retornaram para as terras do oeste para recomeçarem seu clã juntos e aceitaram o convite feito por Inu no Taishou, para que seu valoroso amigo Teigure se tornasse um de seus generais. Hikaru é um excelente jovem youkai. Tem o caráter e a hombridade de seu pai, embora sua beleza seja ainda mais acentuada, algo que ele possivelmente herdou da mãe. Mas não diga isso á nenhum deles. Hikaru detesta que falem dela. Não me está muito claro o motivo para tamanha aversão, mas, Hikaru a considera uma parte detestável de sua vida.

_ Brunhilde... Eu confesso que me sinto um pouco insegura. Eu nunca tive filhos... Será que diante de tudo isso, ele me aceitará? -Eu questionei com o coração na mão.

— Querida Claire, os filhos não precisam nascer de nossos corpos. Basta que nasçam em nossos corações. Você está disposta a amar esse filho, como se tivesse o seu próprio sangue, então você vai ser a mãe que ele merece e precisa. O querer é a chave do poder. Hikaru nunca conheceu um amor de mãe real. À princípio ele vai relutar. Mas com o passar dos anos, ele vai compreender o seu amor. — A hanyou afirmou pegando minhas mãos entre as suas.

Brunhilde me deixava muito a vontade. Eu não relutei em contar lhe como me sentia. Minhas dúvidas por mais absurdas que fossem eram todas pertinentes a ela. Eu tinha a impressão de conhecê-la desde sempre. Estávamos animadamente conversando quando uma menina que aparentava ter 5 anos humanos se aproximou correndo.

—Mamãe, você viu o Hikaru? Estamos brincando de esconde-esconde e eu não consigo acha-lo! Aposto que ele está trapaceando de novo! Hummft isso é tão injusto! -A menina cruzou os braços sobre o corpo enquanto fazia um bico involuntário.

—Minara, tenha modos. Primeiro se deve cumprimentar as pessoas, depois dizer a que veio. Claire, essa menininha emburrada aqui é minha filha, Minara. -Brunhilde disse em tom de repreensão encarando a mocinha que finalmente pareceu me notar.

_Ahh oi! Você é a tia Claire, não é? -Disse a menina apontando para mim. E eu então pude vislumbrar o sorriso da criança. Ela tinha cabelos lisos e pesados mas com as pontas cacheadas, de cor vermelha escura. Seu olhos eram castanhos esverdeados, e sua pele, morena. Uma bonita mistura entre os traços delicados de Brunhilde com cores mais incisivas e frias que eu presumi pertencerem ao pai. Seu vestido era azul e branco, rodado e ia até o meio das canelas da menina, que usava meias e ceroulas brancas que terminavam nos joelhos.

—Sim eu sou a tia Claire. E você parece uma boneca!- Exclamei impressionada com a beleza e desenvoltura da criança.

—Você também parece boneca, tia Claire! É verdade que você vai ser a mamãe do Hikaru? OH simmmm agora eu vejo! Você tem os olhos da cor dos dele!- Ela disse estendendo as mãozinhas para tocar meu rosto.

— Ah, S-sim. Eu sou a mamãe dele agora. Você acha que ele vai gostar disso? -Eu a respondi um pouco confusa.

— Sim! Ele precisa de uma mamãe logo! Você pode brigar com ele, tia Claire e colocar ele de castigo, todas as vezes que ele ficar invisível ou ler o que eu estou pensando! ÊÊÊÊÊÊêêêê... Eu preciso procurar o Hikaru. Depois eu volto, tá? Tchau mamãe, tchau tia Claire!- A menina saiu correndo alegremente enquanto eu e Brunhilde ríamos da situação.

— Brunhilde, ela é... Eu quero dizer, não identifiquei nada que diferencie a sua filha de qualquer outra criança do vilarejo...- Perguntei sem jeito, quando me dei conta de que não havia nada de "anormal" com a energia espiritual da menina, muito menos com sua aparência.

— Sim Claire, ela é humana. Assim como o pai. Meu macho, Kurö Ookami é um humano com força espiritual mais forte que o normal que nasceu nas terras negras, um lugar perigoso e inóspito que está bem na fronteira norte das terras do oeste. O Rei Pantera, um youkai cruel que havia reivindicado para si o título de Lorde das terras negras, percebeu nele o seu dom. Ele o poupou e o adotou quando ele ainda era bem pequeno, depois de dizimar a tribo inteira e praticamente toda a sua família. O falso lorde o treinou, e ensinou a ele o uso da magia, enquanto torturava a sua mente do menino esperando que ela se quebrasse, assim como a sua força de vontade. Mas a dor de perder sua família e ter sua vida roubada, mantiveram a mente do menino focada em um propósito: A vingança. Anos mais tarde a oportunidade surgiu quando Kurö Ookami foi enviado pelo rei Pantera para confrontar e matar o lorde das terras vizinhas. E foi deste modo que ele conheceu o Lorde Inu no Taishou e descobriu nele um verdadeiro Lorde, justo e merecedor de sua lealdade. Após uma sangrenta batalha, eles finalmente derrotaram o Rei Pantera e Kuro Ookami teve sua vingança. Como prova de sua gratidão, Lorde Inu no Taishou, o trouxe para as terras do Oeste, para que se tornasse um de seus generais.- Brunhilde explicou melancólica.

— Eu compreendo. Nossa... Que história incrível. Este Lorde, Inu no Taishou está sempre no centro das histórias de vida de todos aqui. Quantos generais o Lorde Inu no Taishou, tem? Eu sei que Teigure e seu marido são generais, mas, do jeito que você fala tenho a impressão que há mais deles.- Eu questionei maravilhada com tudo o que eu ouvia.

—Sim, você tem razão. Minha mãe é uma youkai muito antiga. Ela é uma serva do destino, assim como eu. Nós conseguimos ver além do tempo. E somos usadas pelo destino como suas pontes para que todos tenham justiça diante de seus atos. Lorde Inu no Taishou prima por sua hombridade e justiça. E é por isso que nós o servimos. Outros como o general Teigure, ou meu macho Kurö Ookami o servem por amizade e gratidão. Há ainda outros que o servem para honrar suas alianças políticas e econômicas. -Brunhilde explicou antes de sorver mais um gole de chá. Depois ela colocou a xícara sobre a mesa e abriu os braços, fechando–os lentamente até ficar com as mãos abertas e paralelas à frente dos seios, formando uma grande bola de energia que se transformou em um espelho.

—Olhe bem Claire, vou apresenta-la aos outros.- E no pseudo-espelho vi imagens se formando lentamente até ficar semelhante a uma tela viva.

—O senhor Inu no Taishou, tem 5 generais ao todo e são conhecidos como as ‘cinco garras da morte’. Eles vêm de clãs poderosos e tradicionais de youkais, que fizeram alianças desde a fundação do reino. Além daqueles que você já conhece há o general Shigeko pertencente ao clã das serpentes brancas. Ele é um youkai aparentemente calmo e inofensivo, devido a sua fala calma e não mais alta que um suspiro humano. Mas é um ser frio e calculista. Ele é casado com a própria irmã gêmea, a igualmente perigosa Mizuki. E eles optaram por isso de comum acordo, pois assim manteriam o clã puro. -E então, eu vi aparecer na ‘tela’ do espelho, a figura do Youkai, de pele muito branca com cabelos verdes escuros e olhos verde amarelados. Além disso, os cabelos eram longos e muito lisos, presos em rabo de cavalo baixo. Ele era alto e esguio. Junto dele uma fêmea Youkai também muito branca, com as mesmas características.

—Irmãos? Isso... É tolerável? Para mim, isso é repugnante!- Protestei enquanto Brunhilde assentia com a cabeça, parecendo igualmente enojada.

—O quarto general é o Dai Youkai Susanoo, descende do próprio Deus das tempestades. Ele é casado com Byakurö, uma Youkai loba da neve, e tem dois filhos: Yukina, a primogênita, uma jovem youkai de grande beleza e graça, e Raijin o filho mais jovem cujo temperamento introspectivo é ainda um mistério para todos. — E a imagem de um corpulento youkai e com longos cabelos brancos e olhos negros surgiu no espelho mágico. Junto dele uma bela fêmea youkai de cabelos negros e azulados e olhos de um tom de cinza muito claro quase brancos, uma Youkai mais jovem, com cabelos negros e olhos de um tom de azul claríssimo, e por fim um jovem youkai que parecia ter a mesma idade da moça, mas com cabelos brancos e olhos cinza claríssimos.

—Que lindos. Eles tem olhos como dos lobos e a mesma altivez do olhar. -Eu murmurei surpresa com o que via.

—Apesar de ter uma ascendência tão nobre, Susanoo bem como sua fêmea, compartilham do mesmo coração complacente com humanos, e da mesma ideologia que propaga o lorde Inu no Taishou. Contudo, eles são uma das poucas exceções em todo os clãs dos lobos.

—Por último o General Katashi, o Karasu no ryōshu Youkai (Youkai senhor dos corvos). Ele possui duas katanas chamadas de Shi no tsubasa (asas da morte). Sua fêmea tem uma personalidade doce e gentil, seu nome é Emi. Eles têm dois filhos. O mais velho é um Inu youkai, filhote adotivo dos dois mas igualmente amado por ambos. Seu nome é Hideaki. O filho mais jovem é Isamu, que tem a beleza da mãe e a mesma personalidade forte do pai.- E o espelho mostrou a visão de um Youkai com a aparência de um oriental típico, com cabelos lisos cortados em franja, cinza escuros e olhos vermelhos como sangue. Ao seu lado uma fêmea branca de cabelos negros e olhos violetas. Depois e um Youkai jovem com cabelos brancos na altura dos ombros e olhos amarelos. sua pele era quase como bronze e seu sorriso era gentil e honesto. Logo em seguida apareceu a imagem de outro youkai de cabelos negros, com um corte semelhante ao do general, e olhos vermelhos.

Brunhilde fechou o espelho em suas mãos e subitamente se levantou.

—Ah não, é ele mesmo. Eu tenho que encontrar a Minara! Claire, por favor, você pode me ajuduar com isso? Eu preciso encontrá-la logo. -Brunhilde me disse aflita. Obviamente eu concordei em ajudá-la e fui em direção á porta enquanto Brunhilde abria suas lindas asas para subir mais depressa, e procurar no segundo andar.

Ao contornar os jardins em direção á entrada principal, procurando qualquer vestígio da criança, cheguei à frente do Shiro, e ouviu um grande barulho. Como se algo grande tivesse caído ao chão. Meu sangue gelou, por lembrar-me da criança.

Aproximei da porta de entrada do shiro com cuidado, pois havia uma aglomeração de servos e após chegar perto suficiente pode ouvir a risadinha da menina do lado de fora.

—Peguei você, Lorde Inu no Taishou! Viu, eu sou muito rápida!- Ela falou com satisfação enquanto eu me aproximava lentamente surpresa com o que eu via.

— Ah sim é claro que é. Mas você não devia pular de uma altura como aquela. Se eu não tivesse te visto você poderia morrer. -Respondeu calmamente o Dai Youkai, com a menina no colo. Sua imponencia o denunciava aonde quer que ele fosse. Aquele era o imponente Lorde Inu no Taishou em pessoa. Ao olhar ao redor pude observar a admiração de todos os servos que o saudavam com orgulho e respeito.

—Ah, mas você sempre me vê! Você sempre sente o meu cheiro. O senhor é muito forte Lorde Inu no Taishou!- A menina murmurou emburrada.

E diante dessas palavras, o Lorde sorriu. Ele olhou para mim ainda sorrindo e cumprimentou me com uma reverência feita com a cabeça.

—Você deve ser a fêmea de Teigure, a sacerdotisa que veio do futuro, certo? Eu sou Inu no Taishou, O Lorde das Terras do Oeste. -Disse o dai Youkai impecavelmente vestido com um quimono vermelho com detalhes brancos um obi de metal prateado. Ele era alto e belo, e seus longos cabelos prateados estavam presos em um rabo de cavalo.

—S-sim, sou eu... Eu sou Claire Willhelm, e é um grande prazer, finalmente conhecê-lo, Lorde Inu no Taishou. -Respondi sentindo o peso de ser associada ao meu general.

—Claire você a encontrou? Ah, senhor Inu no Taishou, como vai, meu Lorde? Ah não! Minara, você pulou da janela de novo? Quantas vezes eu tenho que lhe dizer, para não fazer isso? O Senhor Inu no Taishou, não é um alvo, e também não precisa ter seus poderes testados por você! -A voz de Brunhilde se fez ouvir atrás de mim e eu me virei para ouvi-la.

_Ah mamãe desculpa! É que eu gosto de pular no colo dele, é tão fofinho aqui!- Disse a menina se aconchegando junto à estola de pele usada pelo Dai youkai.

—Deixe-a Brunhilde, ela não fez por mal. Ela apenas sabe que pode confiar em mim. Ter a confiança de um ser tão pequeno e frágil me faz muito bem.- O Lorde retrucou aconchegando a menina nos braços.

—Eu não sou pequena eu já sou uma mocinha! Eu já tô quase grande para casar com o Príncipe Sesshoumaru. -Eu abafei uma risada mas Brunhlde parece constrangida e o Dai Youkai ficou sério. Ele parecia estar pronto para dizer alguma coisa, mas foi interrompido por outra voz masculina.

—Ah, então você vai se casar com Sesshoumaru? E eu, como fico? — Disse um jovem Youkai se aproximando de nós.

Só de olhar para ele, eu sabia de quem se tratava. Longos cabelos lisos e loiros, pele dourada, rosto afilado e delicado e um par de olhos verdes da mesma tonalidade que os meus. Hikaru era ainda mais lindo que o pai, embora sua aparência fosse de alguém bem mais jovem, com aproximadamente 16 anos humanos.

—Ah aí está você, Hikaru? Eu procurei você pelo castelo inteiro! Não se preocupe Hikaru eu vou me casar com você também. Eu posso, não posso senhor Inu no Taishou?

—Não, querida, você vai ter de escolher um deles. Mas eu não gostaria que você se casasse com Sesshoumaru. -O Lorde ainda estava com a pequena no colo, mas seu rosto agora estava sério. A menina olhava para ele sem entender, mas abriu um sorriso antes de responder.

—Ah tá bom. Quando eu ficar bem grandona assim, eu vou escolher. Eu quero me casar com o príncipe por que eu sonhei que ia ter uma filha com o cabelo branquinho igual ao dele. Eu posso casar com qualquer um dos seus generais, menos com o Raijin, por que ele não gosta de mim. E a irmã dele é muito chata! Só o meu tio Susanoo e a tia Byakurö é que são legais. Senhor Inu no Taishou por que youkais legais tem filhos chatos?- Foi então que o Lorde deu uma sonora gargalhada e Brunhilde resolveu agir.

—Já chega Minara, deixe o senhor Inu no Taishou em paz! Seu tio Teigure e seu pai estão esperando por ele. Agora venha aqui. E estendeu os braços para pegar a pequena que foi a contragosto.

O Lorde Inu no Taishou, beijou a cabeça da menina, pediu licença à nós e se encaminhou para dentro do shiro. Minara estava ainda no colo da mãe, quando olhou para mim, e se lembrou de nossa conversa.

—Hikaru, olha, a sua mãe chegou! Põe ele de castigo tia Claire!

Eu sorri sem graça. Apesar da beleza, Hikaru tinha uma melancolia aparente.

—Como vai Claire, finalmente posso me apresentar apropriadamente. Eu sou Hikaru, sou filho e capitão do general Teigure. -Disse ele educadamente, aproximando-se e fazendo uma reverência.

Neste instante senti me estranhamente próxima a ele. A melancolia nos olhos dele, me fizeram enxergar a mim mesma. Senti como se já o conhecesse, como se ele fosse uma parte de mim que precisasse da maturidade que eu desfrutava naquele momento. Resolvi fazer aquilo que sempre havia feito em todas as questões que envolvessem minha vida. Segui meus instintos, e deixei que suas emoções me guiassem. Abri meus braços e abracei Hikaru, sentindo meu peito transbordar de empatia e carinho.

O jovem Youkai não esboçou reação, mas ficou nítido que ele estava assustado demais com aquele gesto. Subitamente, ele se afastou, e me encarou-a por alguns segundos.

—Não sei o que pretendia com esse abraço. Mas gostaria que a senhora se mante-se afastada já que é a fêmea de meu pai, e a ele deve respeito.

—Hikaru, meu querido? O que está dizendo? Claire o abraçou com carinho, apenas isso.-Brunhilde interferiu com doçura.

—Ela não é minha Mãe, Brunhilde, é a fêmea de meu pai. E mesmo que ela não tenha nenhuma malícia, ela tem de aprender a ser mais comedida. Eu sou um macho Youkai. Qualquer fêmea que me toque pode despertar meus instintos. -Disse o jovem dando as costas para nós duas.

Brunhilde permaneceu em silêncio, mas lançou me um olhar como se pedisse desculpas pelo jovem. Eu sorri para ela, na esperança de acalmá-la, pois eu sabia que ele estava apenas assustado.

Ao dar o primeiro passo para sair de perto de nós, Hikaru sentiu algo agarrando suas pernas. Era a pequena mãozinha de Minara, que tinha os olhos cheios de lágrimas.

—Hikaru, eu não posso te tocar também?- Disse a menina com seus olhinhos marejados.

Hikaru agiu rapidamente e a pegou no colo. O desconforto dele era palpável.

—Não... É claro que não, Mina. Por favor, não chore Minara. Você é diferente. Não é uma fêmea, é a minha Minara, minha menina. E nada vai mudar isso, nunca, ouviu?-Disse ele secando as lágrimas no rostinho infantil.

—Quando eu crescer vou me casar com você Hikaru. Eu já decidi. Não quero ficar longe de você nunca! Você vai casar comigo, Hikaru- Respondeu a criança abraçando o Jovem Youkai.

Hikaru retribuiu o abraço, enquanto absorvia aquelas doces palavras. E aliviado, abriu um largo sorriso.

Notas finais
Pessoal eu gostaria muito mesmo de saber a opiniões de vocês sobre a fic. Se puderem eu agradeço muito mesmo. Até mais!