Perdida Na Tempestade
6 Capítulo 6 - Desvendando o tempo passado...
Notas iniciais
Kagome e Kikyou acordaram no dia seguinte com o diário sobre o peito. As duas se levantaram e prontamente foram fazer a higiene matinal. Após isso se vestiram para seu treinamento, pentearam e prenderam os cabelos. E só nesse momento em que uma penteava e prendia o longo cabelo da outra é que se permitiram comentar sobre o que haviam lido.
—Kikyou... O que você acha que aconteceu com ela?
— Eu não faço ideia... Só descobriremos isso quando terminarmos esse diário. -Kikyou murmurou tentando disfarçar sua amargura.
—Kikyou, o que você tem? Você parece chateada desde que paramos de ler o diário... Pode me dizer Kikyou... Eu sou sua amiga, lembra? Sua irmã de alma! O que houve?
—É que... Lendo sobre aquele Lorde youkai eu... Eu me lembrei de Inuyasha... Eu só queria que ele também agisse assim... Quando nos conhecemos ele era impetuoso, e parecia ser tão decidido! Ele me desafiava e estava sempre disposto a qualquer coisa para vencer. E por um momento pensei que talvez ele pudesse me salvar. Livrar-me do grande fardo que era a joia e poder viver uma vida normal ao meu lado. Acho que foi por isso que me apaixonei por ele. Eu simplesmente criei uma ilusão para mim mesma. Eu agreguei uma imagem para ele que não era real. -Disse Kikyou, deixando cair algumas lágrimas.
—Kikyou... Não pense assim.
—Ele sempre amou a você, Kagome. Por que vocês não precisavam de nada um do outro. O amor de vocês apenas aconteceu...
—Bom dia Kagome E Kikyou... Oh, você está chorando? O que aconteceu?– Perguntou Rin que acabara de entrar no quarto e se dirigia a Kikyou, limpando suas lágrimas com suas mãozinhas.
— Não chore senhorita Kikyou, você é tão bonita. Não merece chorar por nada. – Completou Igraine com um sorriso doce.
—Não se preocupem meninas, eu estou bem, vamos, está na hora de começarmos o nosso treinamento. –Disse Kikyou, limpando os olhos rapidamente e se levantando. Ela não desejava que as meninas soubessem o real motivo por trás de sua tristeza.
As meninas menores então correram para fora para de mãos dadas sorrindo alegremente e Kikyou seguiu-as prontamente. No entanto, Kagome segurou-a pela mão e ela voltou se para trás.
— Não é sua culpa, Kikyou. Lembre se do que a voz nos disse. Assim que voltarmos encontraremos nossos amores verdadeiros. Mas independente disso, eu quero que você saiba que será sempre a minha irmã de alma. Não importa qual seja a nossa escolha, prometa— me que nada vai mudar entre a gente... Por favor, prometa!- Kagome encarou-a com seriedade embora seus olhos estivessem cheios de lágrimas.
Kikyou encarou-a de volta por alguns segundos antes de abraçá-la com todo o seu carinho.
— É claro que eu prometo. Não se preocupe Kagome, nada mudará...
Após mais um longo e cansativo dia de treinamento e educação no templo, Kikyou que já estava pronta para dormir pegou o diário de Claire que estava guardado em sua mala, e fez menção de abrí-lo, mas foi interrompida por Kagome.
— Nãaao Kikyou, não faça isso!-Gritou ela enquanto corria para tentar tomar o manuscrito das mãos de Kikyou que simplesmente desviou o corpo fazendo com que a garota caísse sobre o futon.
— Ora, mas por que não Kagome? Nós últimos três dias você tem encontrado desculpas para não lermos, mas será que você não se lembra que prometemos a senhora Niyhati que nós vasculharíamos esse diário para procurar todas as informações possíveis? -Kikyou falou seriamente.
— Mas Kikyou... Eu sei disso. Me desculpe, mas eu só não queria que você ficasse triste.- Kagome escondeu a cabeça debaixo do travesseiro.
— Gome... Eu estou bem! Eu só precisava desabafar... E nós não podemos continuar perdendo tempo. Agora, chega pra lá pois eu preciso de espaço para me deitar, que a gente tem que ler logo isso! -Kikyou disse imperativamente. E kagome prontamente ajeitou-se batendo continência.
As duas riram descontraídas por alguns minutos antes de finalmente começarem a leitura.
— Deixe ver onde paramos? Ah aqui está...
" Acordei antes do sol nascer, provavelmente por conta da agitação do dia anterior. Fiz minhas orações e minha higiene matinal, e escolhi um quimono dos novos que Midoriko me encomendou. Me vesti e maquiei pensando em como meu anfitrião reagiria a minha presença. Um pensamento um tanto quanto escuso, na minha opinião.
Desci para o desjejum e não o encontrei na mesa à minha espera. Tomei meu café sozinha e decidi depois de alguma relutância perguntar à uma serva youkai que me servia, pelo lorde Teigure. Ela contou-me que ele já havia levantado e tomado sua refeição matinal e àquela hora, ele provavelmente estaria na área de treinamento. Fiquei em silêncio por um momento ponderando sobre as informações que ela havia me dado e acho que minha tentativa de me conter, tornou-se óbvia demais. A jovem serva parou de retirar a mesa e encarou-me por alguns segundos. Envergonhada, eu me levantei para voltar ao meu quarto. Mal dei o primeiro passo, e ela disse baixinho, quase como um sussurro.
—Eu posso levá-la até lá. Se a senhorita quiser...
Eu sorri de alívio quase instantaneamente. Sem conseguir encará-la, assenti com a cabeça e voltei meu corpo na direção dela.
Ela pediu me para esperar um pouco, enquanto ela levaria a louça usada por mim de volta a cozinha do shiro. Demorou uma eternidade para que ela retornasse, embora eu tivesse certeza de que não haviam passado nem dez minutos.
Ela caminhou em direção ao jardim e tomou um novo caminho que permeava a parte traseira do shiro levando à um lugar cercado por soldados já que o alojamento deles também fica nos arredores.
Continuamos passando pelo caminho de pedras e entrando por um portal alto, avistamos um semi-círculo como um anfiteatro, cercado por muitos soldados que pareciam assistir animados algo que acontecia no meio da arena.
Os gritos animados e frenéticos dos machos, tornava-se cada vez mais alto, mas conforme eu ia me aproximando, eles se voltavam para mim, e o silêncio repentino somado aos olhares curiosos e surpresos para mim, tornavam a situação assustadora.
A minha presença certamente não era esperada naquele local e eu tive muita vontade de sair correndo dali. Quando chegamos finalmente à beira da arena avistei o Lorde de peito nu, lutando com outro soldado armado com uma espada imensa. Ambos pareciam ter ferimentos leves, mas a batalha parecia ferrenha.
Eu prendi a respiração e senti meu coração pular do peito, quando todos os machos ao meu redor, pareceram olhar para mim ao mesmo tempo, calando os sons selvagens que outrora eles emitiam simultaneamente.
O General que estava de costas para mim, voltou seu olhar na minha direção, imediatamente. Seus olhos vermelhos estavam acesos como brasas acentuados pela esclera negra, e seus caninos estavam maiores como dentes de um tigre sedento de sangue. Levantei os olhos com o susto. Ao olhar ao redor vi uma névoa negra emanando de todos aqueles seres, enquanto seus olhos se ascendiam vermelhos como sangue.
Deu um passo para trás apavorada com aquela visão que piscava como se meus olhos estivessem entrando e saindo de algum tipo de véu. Como se eu estivesse afundando em um pesadelo. Busquei o ar sem sucesso e ouvi meu próprio grito de desespero, antes de perder a força nas pernas.
Fechei meus olhos por alguns segundos e tudo ficou em silêncio. Quando os abri novamente com dificuldade, o general me segurava nos braços. Meu corpo estava entorpecido mas eu lutava para manter a consciência e tentar me recompor.
—Calma Claire eu vou te levar para o shiro. -Ele argumentou enquanto me carregava com todo o cuidado.
Eu reparei seu rosto preocupado, e ele havia voltado à mesma beleza encantadora de antes. Mas eu o havia visto e estava certa do que vira. Ele era um monstro, como o que tentara me devorar e eu não poderia mais esquecer disso.
—Eu... E-eu posso andar. -Murmurei tentando não entrar em pânico novamente.
—Não se preocupe com isso, Claire. Você não é pesada para mim. — Ele sorriu encantadoramente.
Mas eu não poderia mais me enganar. Minha mente estava confusa e eu não sabia mais como me conter. Lembrei me de meu treinamento com Midoriko e de minha adaga presa na minha cintura.
—Eu disse que posso andar! -Eu respondi pulando dos braços dele.
Ele pareceu surpreso e desapontado com minha atitude e tentou argumentar comigo.
—Claire eu lamento que você tenha me visto daquela maneira. Eu queria ter preparado você para isso, mas por favor, tente manter a calma. Ainda sou eu, o mesmo macho que você conheceu, lembra-se?
— Você é um youkai... Vocês, comem pessoas, não comem? Eu mal conheço você...Foi um erro meu não desconfiar de nada... Eu não quero ser rude... Mas estou tão assustada. Você... Todos naquela arena! Todo esse mundo louco está afundado em... escuridão... Eu preciso... Eu preciso sair daqui! -Gritei sentindo meu corpo estremecido de medo e as lágrimas descerem por meu rosto.
O rosto antes tão plácido de general Teigure converteu-se em uma face preocupada e acometida por uma enorme culpa. Minhas lágrimas pareciam afetá-lo de alguma maneira.
—Claire... Por favor... Não deixe o medo dominar você. — Ele tentou me tocar novamente. Mas eu estava fora de mim. Puxei a adaga prateada que Midoriko havia me dado e apontando na direção dele, mandei que ele se afastasse.
Mas ele não o fez. Ele se aproximou de mim e segurou a adaga pela lâmina, deixando que seu sangue escorresse pela arma.
—Se me ferir fizer você se sentir melhor, então faça isso Claire. Mas por favor... Não olhe para mim dessa maneira. Eu não vou machucar você. Eu nunca faria isso. Me deixe levar você para o shiro. Eu vou te servir outro chai ainda mais doce como você disse que gosta. E você vai se sentir em casa novamente e todo esse medo vai passar. -Ele murmurou se aproximando de mim e me abraçando ainda sem soltar a lâmina da adaga.
Eu soltei aquela arma, e retribuí o abraço, agarrando me à ele de maneira desesperada, como se buscasse em seus ombros, um apoio seguro. Chorei até soluçar, como uma criança desamparada nos braços da mãe. Quando finalmente me acalmei, ele me acomodou em seus braços e me levou para meu quarto no shiro.
Com todo o cuidado ele me deitou na cama de madeira e retirou meus calçados. Logo em seguida me cobriu com um cobre leito que estava dobrado na beirada do móvel e sussurrou que eu deveria descansar um pouco antes de dar as costas a mim para sair do aposento. Mas antes que ele se afastasse eu o impedi.
Foi um reflexo. Um movimento involuntário. Eu segurei seu pulso e pedi para que ele ficasse. Senti muita vergonha no entanto, quando ele encarou-me e em silêncio ponderou sobre minhas palavras.
Virei meu rosto para o lado oposto, mas então senti que ele se deitava ao meu lado, quando voltei meu rosto novamente para ver onde ele estava, percebi seu rosto muito próximo do meu, me olhando intensamente com doçura. Seu hálito quente estava no meu rosto enquanto minhas mãos se apoiavam em seu dorso nu.
Fiquei paralisada com a proximidade e minha respiração se acelerou. O que foi perceptível para ele.
—Estou perto demais? -Ele perguntou enquanto retirava uma mecha do meu cabelo da frente do meu rosto. Sua voz estava rouca e ainda mais quente.
Eu queria dizer que sim, que ele estava perto demais, mas não pude. Meu corpo não me respondia. Minha mente não era mais lógica. Nada fazia nenhum sentido para mim. Apenas o calor que subia por meu ventre. Um calor absurdo e enlouquecedor que a ponta dos dedos dele roçando no meu rosto, causava no meu corpo. Incapaz de encará-lo, fechei meus olhos e num movimento súbito impulsionei meus lábios de encontro aos dele.
Ele ficou imóvel inicialmente. E eu fiz menção em me afastar, mas logo sua mão puxou-me sem dificuldade pela cintura aproximando seu corpo incandescente do meu para tomar-me novamente em um beijo molhado e cheio de urgência.
Paramos para recuperar o fôlego e talvez a razão, após alguns minutos. Eu estava arfando, enlouquecida por um desejo tão forte que me dava medo. Ele sentou-se na cama e colocou as mãos sobre a cabeça como se buscasse se acalmar desesperadamente.
Eu não conseguia impedir minhas mãos de tocar suas costas nuas. A pele dourada dele, refletia a claridade da manhã que entrava pelas cortinas abertas do quarto. A cada toque meu, eu sentia que ele resistia menos.
—Claire... -Ele gemeu ainda de costas para mim.
—Não podemos... Eu sei... Mas... Por quê? Por eu ser uma humana e você um youkai, ou por nos conhecermos à poucos dias? Ou porque vamos nos arrepender depois do que fizermos? -Eu queria entender o que se passava pela cabeça dele e seus motivos para se segurar.
— Existe também o fato de eu ser um monstro, não se esqueça que você viu a minha verdadeira forma. Sabe, Claire, entre os youkais, se envolver com humanos é visto como um tipo de fraqueza. Nós não somos guiados pelas emoções como vocês e nem vivemos tão pouco. Aqui nas terras do Oeste, os humanos são visto como aliados que precisam de nossa proteção. Mas fora daqui, muito comumente vocês são alimento. São vistos por muitos youkais poderosos como um tipo de gado que só deve viver para nos servir. Quando vim para estas terras, para me tornar um general de Inu no taishou, eu nunca pensei que isso pudesse acontecer comigo. Nunca pensei que eu pudesse desejar tanto, uma fêmea humana... -Ele disse sinceramente enquanto voltava-se para mim.
Senti meus olhos marejarem enquanto eu o encarava. Ele me deitou de costas na cama e apoiou-se nos cotovelos ficando sobre mim enquanto seu joelho buscava apoio entre as minhas pernas.
—Eu sinto muito... Eu não deveria ter... -Eu balbuciei mas ele me interrompeu com outro beijo igualmente intenso.
—Não quero que se desculpe. Você não fez nada de errado. Faz ideia do quanto eu lutei comigo mesmo para não beijar você imediatamente quando a vi pela primeira vez, Claire? E nos dias que se seguiram... Eu tive que me deter diversas vezes para não bater na sua porta nessa madrugada, porque eu desejava apenas, falar mais um pouco com você. Não dormi quase nada, então resolvi ir até a área de treinamento dos soldados desafiá-los. Me pareceu a única coisa capaz de aliviar a minha ansiedade em ver você novamente. E esse sentimento é completamente novo e assustador para mim. Então para responder a sua pergunta anterior... Nós não podemos continuar... apenas se você não quiser. Porque eu realmente não me importo com quem você é... ou de onde você vem, ou ainda sua raça. E eu jamais vou me arrepender de ter você nos meus braços, porquê você é a primeira fêmea que me despertou esse sentimento... Mas devo ter a coerência de te avisar, porque você é uma miko virgem, e desconhece os nossos costumes. — Ele disse se levantando e se sentando ao meu lado.
— Eu não entendi... O que você quer dizer? -Eu questionei me sentando sobre a cama para encará-lo.
—Claire... Como dai youkai e general das terras do oeste eu devo servir de exemplo e ser um macho honrado. Se você se entregar a mim, eu serei obrigado a tomar você como minha fêmea marcada. Então, eu aconselho você a pensar bem em tudo isso. Porque não existe volta. Só a morte poderá livrar você da minha marca. Só a morte poderá extinguir nosso vínculo. Compreende a gravidade disso? — Ele disse seriamente.
Eu fiquei em choque ao compreender o que ele estava tentando me dizer. Todo aquele desejo estava não só me enlouquecendo como também me arrastando para algo definitivo e perigoso. E mesmo assim, eu não conseguia me ver longe dele. Lembrei-me da visão na arena e fixei me nela para buscar pela minha razão. Após alguns minutos percebi que ele se levantara da cama.
Encarei-o ainda confusa e em silêncio enquanto ele caminhava para a porta do aposento.
— Eu sei que isso tudo é muito para pensar. Então, vou deixar você pensar com calma, Claire. Se você precisar de algo basta chamar pela serva. Se precisar de mim, chame pelo meu nome. -Ele disse sorrindo docemente. Mas seu olhar transparecia uma angustia. Uma angústia que eu conhecia bem.
Assim que a porta se fechou, deixei meu corpo cair sobre a cama, exausta, confusa e absolutamente solitária.
Acordei ao anoitecer. Minha cabeça doía levemente e eu me encaminhei até o banheiro para ajeitar minha aparência.
Ao me encarar no espelho percebi meu rosto inchado, pelo sono em excesso e pelo choro incontrolado. Despi me e preparei me para me banhar abrindo o alçapão que encheria a banheira de madeira de água morna. Entrei na água e mergulhei a cabeça buscando refrescar me inteiramente.
Em seguida sentei-me e abracei meus joelhos enquanto me lembrava de tudo o que havia acontecido desde que eu chegara naquele shiro. Meu primeiro olhar ao lorde Teigure e o encantamento que ele me causou. As especiarias, as palavras doces. A nostalgia da lembrança da casa. As descobertas interessantes, as risadas. O conforto de sua presença. O horror de sua verdadeira aparência. O calor de seu corpo. O calor do meu corpo ao ser tocada por ele. O medo, a excitação, o desejo.
Tudo em tão pouco tempo. Tudo tão intensamente. Assim que terminei meu banho vesti me com um quimono de descanso e envolvi meus cabelos em uma toalha. Ouvi batidas na porta de meu quarto. A governanta me trazia uma refeição já que eu não havia descido para o almoço. Ela perguntou se eu estava bem e se havia acontecido algo comigo.
Eu a tranquilizei dizendo que estava tudo bem. Ela sorriu e saiu discretamente do aposento. Todos devem ter vistos o que ocorreu comigo. Senti-me envergonhada e tentei concentrar minhas atenções na comida à minha frente. Comi o delicioso prato de arroz, carne e legumes lembrando-me do almoços constrangidos que havia tido com o general. Tudo era tão novo e tão saudoso na minha visão. O que ele estaria fazendo naquele momento? Será que estava pensando em mim do mesmo modo que eu me lembrava dele?
Depois que terminei minha refeição, peguei meu diário, escrevi e reescrevi tudo o que eu sentia para tentar colocar minhas ideias em ordem. Agora, relendo tudo isso, percebo que realmente tem algo acontecendo comigo. Algo que nunca me ocorreu. Se ao menos Midoriko estivesse aqui, ela me daria segurança. Mas a verdade é que eu sinto a falta dele. Eu queria que ele estivesse aqui comigo, me tocando me possuindo. Mesmo que ele seja um monstro, eu ainda sinto que de alguma forma eu já sou parte dele.
Não sei mais o que pensar... E ainda tenho a madrugada inteira pela frente."
"Ainda era madrugada quando eu despertei. Não devo ter dormido por mais do que duas horas e o dia estava longe de amanhecer. Quase enlouquecendo de ansiedade, resolvi me levantar ir até a cozinha tomar um pouco de leite e talvez dar uma volta no jardim antes que as paredes desse quarto me sufoquem.
Coloquei um manto longo de tecido grosso com capuz, sobre a túnica de dormir que eu vestia e calcei minhas getas sobre as meias antes de sair.
Desci as escadas e caminhei pelo shiro em penumbras e procurando pela cozinha, como se procura uma agulha em um palheiro. Após alguns instantes senti uma presença e ao me virar assustei me com uma serva que levava um castiçal em uma mão e uma bandeja em outra.
_Precisa de alguma coisa senhorita? — ela perguntou cordialmente.
—Ah, sim... Quero dizer, não. Bem, eu só preciso ir até a cozinha. Eu pensei em tomar um pouco de leite e... — Ainda não tinha terminado de falar quando a serva mostrou me o copo de leite que ela trazia na bandeja.
Eu agradeci surpresa com a providência dela. Tomei o leite amornecido ali mesmo e agradeci a ela pela competência e atenção. Só então percebi que se tratava da mesma serva que havia me acompanhado até a arena.
Baixei meus olhos envergonhada e dessa vez não me permiti perguntar sobre o general Teigure. Mas foi a vez dela começar a falar.
—Lamento se causei algum problema para a senhorita. -Ela disse se curvando.
—Oh não... Você não causou. Eu é que devo pedir desculpas. Eu, não deveria ter incomodado você com minha curiosidade. -Eu disse envergonhada.
—Senhorita se me permite dizer, não há vergonha alguma em sentir-se atraída por um macho belo como o lorde Teigure. E parece que a atração é mútua, mesmo a senhora sendo uma humana. — A jovem serva completou delicadamente.
—Por que... Porquê está me dizendo isso? Como você... sabe? — Eu perguntei escolhendo as palavras.
—Eu sou uma youkai oráculo. Eu possuo um olho do destino. Meu dom não é tão forte quanto o de lady Brunhilde a esposa do Lorde deste shiro, mas eu consigo ver as linhas que cruzam a vidas dos seres. -Respondeu ela erguendo sua franja espessa de cabelos negros, para mostrar um terceiro olho.
—Linhas... Q-que tipo de linhas? — Eu murmurei chocada.
—Linhas do destino. Nesse exato momento há uma linha de destino ligando você ao general Teigure. Ela era fina como um fio de cabelo quando a senhorita chegou aqui, acompanhada da senhorita Midoriko. Mas a cada minuto que a senhorita passou ao lado do general, essa linha tornou-se mais e mais forte. -Respondeu a jovem serva calmamente. Em seguida ela iluminou suas mãos e em resposta um cordão incandescente preso em minha mão esquerda apareceu repentinamente.
Eu fiquei sem fala observando o cordão vermelho e brilhante preso em meu último dedo. O cordão dava várias voltas pelo chão e sumia por baixo da porta de entrada do aposento onde estávamos.
Encarei a serva, surpresa. E ela sorriu animadamente.
—Isso... Isso é real? -Eu perguntei incrédula.
—Sim, senhorita. Isso é real. -Ela respondeu com seriedade.
Eu sorri ao tocar o cordão e ele iluminou-se ainda mais.
—É você quem está fazendo tudo isso? — Eu perguntei maravilhada com o brilho intenso do cordão.
—Não... É a senhorita que está fazendo. Ao tomar conhecimento da linha que lhe prende ao lorde Teigure, o seu coração conformou-se com seu sentimento. Dessa forma, a senhorita tornou a linha ainda mais forte. — Ela explicou sorrindo.
Meu coração encheu-se de uma súbita alegria. Eu mal podia acreditar nos meus olhos.
A serva então desejou me uma boa noite e preparou-se para sair, mas antes de fazê-lo, voltou-se novamente para mim e disse com seriedade e complacência.
—Senhorita usei meus poderes para que apenas a senhorita pudesse ver e sentir essa linha. Eu devo preveni-la contudo que apesar desse cordão ser forte, não é inquebrável. Pelo menos, não ainda. Se a senhorita quiser enfraquecê-lo basta negar seus sentimentos até que ele se rompa, mas eu aviso logo que isso será muito doloroso para todos os envolvidos. Mas caso a senhorita decida que precisa continuar fortalecendo essa linha do destino, ela poderá se tornar um laço de prata. Um laço assim une duas almas por toda a eternidade e mesmo a morte não poderá rompê-lo. A escolha é apenas de vocês dois. — Concluiu a serva antes de despedir- se e desaparecer na escuridão do shiro.
Novamente a dúvida voltou a assombrar a minha mente. Segurei o fio em minhas mãos e percebi que ele retrocedera um pouco. A dúvida enfraquecia o laço e causava uma dor física que apesar de ser suportável era absurdamente real.
Ainda segurando o fio, caminhei pelo shiro e abri as portas laterais que levavam até o jardim. Mesmo o vento frio da madrugada não conseguia resfriar minha mente presa naquela tarde aos olhares e palavras dele. Eu suspirei pesadamente enquanto me encaminhava para o centro do jardim, mal iluminado por algumas tochas.
Novamente senti uma presença se aproximar de mim. E eu sabia quem era antes mesmo que ele dissesse qualquer coisa.
—Você não deveria andar sozinha à noite. Pode ser muito perigoso, mesmo aqui. -Disse uma voz que eu conhecia bem. Meu coração quase pulou do meu peito com a emoção de ouvi-lo novamente e o fio em minhas mãos pulsou alegremente.
—Eu não conseguia dormir... -Respondi sem jeito, sem me virar para onde ele estava.
—Eu também não... Começo a achar que tudo isso é uma grande loucura. — Ele murmurou e eu senti o fio diminuindo novamente.
— Você quer... Esquecer tudo isso? — Perguntei indecisa, voltando me para ele, para encará-lo, sentindo o fio diminuir mais uma vez.
—Eu... Não sei se poderia.... Mas eu prometi que te daria todo o tempo que você precisasse Claire. Não quero que se sinta pressionada. -Ele pôs a mão sobre o peito enquanto me encarava com seu olhar mais terno. O fio em minhas mãos se iluminou novamente, voltando a crescer.
—Diga me Teigure... O que você quer de mim? — Eu perguntei me aproximando dele.
—Claire, eu te disse anteriormente. Tudo está em suas mãos. -Ele respondeu se esquivando da resposta que eu queria. O fio diminuiu novamente e eu o apertei com força entre meus dedos.
—Não... Eu não posso carregar esse fardo sozinha. Diga me o que você quer, diga me tudo. Se renda a mim, Teigure, para que eu possa me render a você igualmente. — Eu argumentei com o coração nas mãos, segurando o fio que agora estava muito mais fino. Aproximei me ainda mais dele e acariciei sua face confusa pousando minha mão e o fio sobre o peito dele.
Ele me encarou em silêncio e eu pude sentir seu coração pulsando mais rápido enquanto o fio se iluminava novamente.
—Você me enfeitiçou Miko. Não sei como fizeste isso... Mas eu quero você, mais do que qualquer outra coisa... Eu quero você para sempre. -Ele disse puxando meu corpo de encontro ao dele, para um beijo apaixonado.
Os lábios do meu general me devoraram em um beijo apaixonado que me estremeceu por completo. Quando me afastei para encará-lo arfante de desejo percebi o fio novamente incandescente e poderoso em minhas mãos.
Naquele instante eu só tinha certeza de que não queria vê-lo retroceder nunca mais. Movida por esse sentimento afundei meu rosto no pescoço de meu adorado general e implorei para que ele me fizesse dele naquele momento.
Ele me encarou surpreso e hesitante.
—Claire... Você... Você tem certeza? Nós podemos esperar... Eu posso esperar o quanto você quiser e precisar. -Ele sussurrou segurando meu rosto entre as mãos.
—Eu não preciso esperar... Você me pertence e eu não quero mais esperar para ser sua... Eu amo você, Teigure... -Eu disse convicta das minhas palavras, enquanto abria o cordão do manto que eu usava.
Ele me observou com um olhar faminto, por alguns instantes antes de me tomar nos braços e me carregar até seu aposento. Não faço ideia de como ele realizou tal tarefa, pois não parou de me beijar um minuto sequer.
Ele me colocou sobre a cama delicadamente antes de retirar a parte superior do quimono expondo seus torso delineado antes de se deitar sobre mim para mais um beijo calorosamente intenso.
Suas mãos passaram do meu rosto para tatearem meu corpo delicadamente e em seguida com possessividade, arrancando de meus lábios suspiros e gemidos velados
As mãos dele escorregaram para dentro da túnica que eu vestia e descobriram meus seios que estavam ávidos por seu toque. Ele rasgou a túnica como se ela fosse de papel e sorriu de lado quando percebeu o assombro nos meus olhos.
—Hmm... Esses tecidos finos são tão bonitos, mas estragam fácil... -Ele sussurrou enquanto colava seu peito ao meu.
—Você vai ter que me dar outra... — Eu respondi tentando amenizar o constrangimento.
— Tudo o que você desejar, minha fêmea... Mas eu prefiro você assim, nua e em meus braços. — Ele disse antes de voltar a me beijar cada vez mais intensamente.
Sua boca desceu por meu pescoço e colo e ele tomou meus seios em seus lábios enquanto suas garras tateavam meu quadril e rasgavam a calcinha que eu vestia. Após fartar-se com meus seios ele desceu seus lábios por meu ventre e colocou seu rosto na minha intimidade. Sua língua tocava meu clitóris massageando-o compassivamente fazendo com que meu corpo se contorcesse de prazer.
Eu gemia e arfava tomada pelo prazer que as carícias dele me proporcionavam, e após alguns minutos senti meu ventre se derreter como uma vela diante da chama. Derramei me nos lábios de meu youkai.
Ele sorria malicioso enquanto observava minha respiração voltar ao normal.
—Está satisfeita agora, Claire? Eu lhe dei todo o prazer que você ansiava? -Ele perguntou me deitando-se ao meu lado.
—Não... Eu quero mais, muito mais. -Respondi enquanto me sentava sobre o membro dele ainda coberto pela hakama.
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