Perdida Na Tempestade
52 Capítulo -52- Você me destruiu, ou fui eu, quem me deixou morrer?
Notas iniciais
Em seus aposentos, para onde havia retornado após tomar à contra gosto seu desjejum, Yashiro continuava pensativo. Por mais que tentasse, não conseguia tirar as imagens da noite anterior da cabeça. Balançou a cabeça negativamente quando se deu conta de que havia se envolvido mais rapidamente e intensamente com a hanma do que pressuponha.
Encontrava-se tão absorto em seus pensamentos, que se assustou, quando Tatsuo abriu a porta abruptamente.
_Porque não me respondeu? Eu bati várias vezes na porta! — Tatsuo o questionou, seriamente. Pela expressão em seu rosto, estava bastante preocupado.
_Eu sinto, muito, não ouvi você bater. -Respondeu Yashiro. Após passar o susto inicial, ele acalmou-se e deu de ombros.
_Não brinque comigo, Yashiro! Onde você passou a noite? — Tatsuo perguntou secamente.
Yashiro não respondeu. Não sabia o que dizer à ele simplesmente por que, não esperava encontrá-lo tão cedo. Como explicar que ele havia se embriagado, e desvirginado, uma hanma? Ele não tinha ideia de como fazê-lo, por isso, resolveu optar pela mentira, mesmo tendo consciência que Tatsuo, dificilmente acreditaria.
_Eu saí para dar uma volta... Precisava pensar... — Mentiu o youkai.
_E para onde você foi? Estive em seu quarto bem cedo, e você não se encontrava aqui! Eu fiquei preocupado, Yashiro! — Tatsuo disse, ao perceber que ela parecia perturbado.
_Sinto muito irmão. — Respondeu yashiro, olhando para o chão.
_Agora estou verdadeiramente preocupado! Você está me pedindo desculpa? O que foi que aconteceu?- Tatsuo foi do exaltado, ao profundamente preocupado, em questão de segundos.
_Nada, Tatsuo... Agora se me dá licença, eu preciso dormir um pouco, já que não dormi quase nada...
_ Yashiro... Eu sou seu irmão, lembra? Nós sempre fomos companheiros! Quando foi que você deixou de confiar em mim? — Tatsuo, perguntou com amargura.
_Eu confio em você, Tatsuo... Mesmo depois do susto que levei ao descobrir que você pretende marcar uma hanyou...
_Yashiro, você não entende?! Eu me encantei por ela desde o primeiro momento em que a vi. Não foi preciso mais do que um encontro para que eu sentisse que ela era feita para mim. Ainda mais, quando soube que se tratava da irmã de Hikaru. Ela ainda é muito jovem, mas eu lhe garanto que ela trará muito orgulho ao nosso clã!-Tatsuo se explicou.
_Eu não acredito nisso, irmão. Acho que você a superestima. Mas já estou me cansando de tentar avisá-lo...
_Espero que esteja mesmo. Eu não vou desistir de Igraine, e se você ousar fazer algo para me afastar dela, eu juro que você irá se arrepender amargamente. Mas me avise se precisar de algo. Lady Brunhilde, e Kurö Ookami, pediram ao Lorde Sesshoumaru que ficasse com seus generais, mais alguns dias. Portanto, pode descansar à vontade já que, ficaremos mais tempo.
As palavras de Tatsuo fizeram com que Yashiro, se lembrasse, de sua reação ao ver Janis pela primeira vez. A beleza dela lhe fez prisioneiro desde aquele momento. Depois a resposta dela quando estavam na sala de cura, o que provava a sua coragem e inteligência. "Não foi preciso mais do que um encontro, para que eu soubesse que ela era feita para mim." Pensou ele, nas palavras do irmão que se faziam suas, naquele momento.
Em meio aos pensamentos que lhe ocorriam sua expressão melancólica, tornou a aparecer, mas desta vez Tatsuo tivera a acerteza de que algo pertubador acontecera a seu irmão. Entretanto, ele não lhe contaria, e disto Tatsuo tinha a certeza plena. Era melor deixá-lo com seus pensamentos, ou sua insistência poderia distânciá-los ainda mais.
_ Bem, descanse, meu irmão. E se precisar de algo, seja qualquer coisa, mesmo pequena, não hesite em me avisar. Estarei sempre ao seu lado Yashiho, nunca se esqueça disto. -Tatsuo se despediu novamente, usando um tom mais do que fraternal na voz, e olhando nos olhos de Yashiho.
Yashiho sentiu que seu irmão estava sendo sincero. E apesar disto, nada fez além de abraça-lo forte e caminhar até a aporta para abrí-la. Depois que Tatsuo saiu, um sentimento de traição lhe ocorreu, e ele respirou profundamente na intenção de descarregar a tenção. Decidiu distrair -se, embora sair de seu quarto fosse algo que não lhe agradasse, ele sabia que Meikakü mum, era um reino belíssimo, cercado de plantas e animais que só eram encontrados naquele local. Além disto, haviam belas fêmeas youkais, e talvez alguma delas lhe interessasse. Focando neste pensamento, arrumou-se dignamente e saiu respirando fundo, como se quisesse deixar para trás a noite que tivera. Como se isso fosse possível.
Masato colocou Kaede/ Tomoko na varanda de seu aposento, pois sabia que dificilmente alguém estivesse daquele lado do shiro, àquela hora da manhã. Assim que pousaram, ele a deixou lá e saiu em busca de Brunhilde para contar o que tinha acontecido com Minara quando encontrara Kaede na floresta e como a transformara em "Tomoko". Ele sabia que sendo ela a nova Senhora de Meikakü mum e mãe de Minara, nunca rejeitaria o pedido da filha e com certeza a ajudaria a descobrir qual o destino de Tomoko.
Brunhilde estava à porta da cozinha dando ordens às criadas, mas estava preocupada, pois tinha de ir ajudar os aldeões com a preparação dos festejos, que mesmo improvisados, eram muito necessários para trazer um pouco de alegria àquela gente. Masato a viu, e aproximou-se rapidamente dela.
_ Lady Brunhilde, sou o capitão de general Hikaru, Masato, e preciso urgentemente falar com a senhora.
_ Oh, olá, Masato, como é bom vê-lo depois de tanto tempo! Eu gostaria muito de conversar, mas, estou um pouco atarefada neste momento... — Brunhilde respondeu, constrangida.
_Garanto que o assunto que vamos tratar, poderá lhe ajudar muito com estas tarefas. — Masato garantiu abrindo um sorriso enigmático.
_ Está bem, você me convenceu!De qualquer forma não poderei me demorar muito... — Brunhilde sorriu aliviada.
_Venha comigo, milady. — Sorriu de volta o youkai morcego reverênciando-a em sinal de respeito.
E sem mais delongas, voltou-se para seu aposento tendo Brunhilde curiosa atrás de si. Assim que chegaram em seu quarto, encontraram Tomoko, acomodada em uma poltrona.
_ Lady Brunhilde, Minara e eu, sentimos uma pertubação e encontramos uma velha Miko, morrendo na floresta. Ela nos contou que se tratava da irmã de Kikyou, que veio nos ajudar com a guerra. Mas infelizmente ela foi atacada por um youkai e como já estava em idade avançada, estava morrendo... Foi então que aconteceu... — O youkai começou a contar o acontecera.
_O que aconteceu Masato? — Brunhilde perguntou atônita, curiosa com a presença da bela humana.
_Minara Hime a tocou, e ela, tornou-se esta jovem... Minara Hime disse que seus poderes voltaram depressa, por que os ventos do destino assim o determinaram. Masato concluiu.
_Isso é muito raro... O destino é construído por nossas próprias mãos, mas as vezes, quando nossos passos nos levam para muito longe do que merecemos, o destino age, e nos traz de volta... Como feiticeiras do tempo, devemos prover isto, ou repeli-lo. — Brunhilde disse enquanto examinava Tomoko, que sorria sem graça, e ao mesmo tempo encantada com a figura de Brunhilde.
_ Minha senhora a Hime Minara, pediu-me para que trocasse de nome e não deixasse ninguém a reconhecer-me, pelo menos por enquanto. Ela acha que dessa forma estarei protegida de constrangimentos. Por isso pediu-me que dissesse que estava vido para começar vida nova. Eu fui a governanta do Dai San no shiro, e posso ajudar a comandar a cozinha. Mas sou Miko e curadeira então se quiser posso ajudar de outra forma. -Tomoko disse arrancando um sorriso de Brunhilde que ficou satisfeita com a vivacidade dela.
_Claro! Isso vai ser ótimo! Minara fez bem em preservá-la. Assim pelo menos por enquanto, teremos tempo para descobrir qual o seu verdadeiro destino, Kaede, ou melhor, Tomoko. Agora precisamos arrumar umas vestimentas para você! Venha comigo, nós vamos ver isso e preparar seu quarto, assim você podera trabalhar em paz. — Brunhilde explicou caminhando até a porta, pois ainda estava com pressa.
Tomoko seguiu-a depressa. Diante de tanta consideração, Tomoko, fez questão de agradecer a Masato, com uma respeitosa reverência.
O youkai morcego, despediu-se com a mesma cordialidade, e foi tratar de outro assunto. Um, que envolvia uma certa desconfiança, de uma amiga, e que poderia causar-lhe uma imensa dor.
Desceram dois lances de escadas e caminharam para um corredor à esquerda que levava à quartos menores, mas igualmente luxuosos. No penúltimo quarto, Brunhilde retirou uma chave de debaixo do tapete da entrada e abriu a porta entrando rapidamente.
_Aqui está Kaede, ohh me desculpe Tomoko! Eu tenho que prestar atenção nisto! Tomoko, aqui está o seu quarto. Não é muito grande, mas fica na parte mais discreta do palácio, e eu duvido que você seja incomodada por alguém. Dentro dos armários à roupas de cama, e na cômoda próxima da janela tem roupas. A maioria é simples, para os servos, e sacerdotizas de cura, mas temos vestidos mais rebuscados, para ocasiões especiais, como mais tarde, na recepção que eu gostaria muito que você fosse. Entretanto, se precisar de algo, qualquer coisa, pode falar comigo ou a Minara, ou mesmo ao Masato, apenas não diga à mais ninguém o "nosso" segredo, está bem? -Brunhilde alertou-a.
Tomoko concordou, e pediu para se banhar antes de ir ajudar na cozinha. Estava ainda um pouco cansada, mas sentia-se imunda, e precisava urgentemente de um banho para despertá-la. Brunhilde concordou e foi para a cozinha adiantar o que pudesse.
Kazuyia estava beirando o ataque de nervos. Havia ajudado a montar barracas depois, ajudou a transportar as frutas e legumes, depois ajudou a levar os sacos de açúcar e os tonéis de mel, e por fim ajudara a matar os animais que seriam preparados. Tudo isso, apenas para ficar perto de Aika, e até aquele presente momento, ela sequer lhe dirigira a palavra. Estava exausto, mas ao menos tinha despertado o interesse de algumas fêmeas da vila.
Meikakü mun era um dos poucos lugares que aceitava todo o tipo de morador. Cor da pele, religião, tipo de cultura, tipo de sangue ou raça, sexo ou preferência sexual, nada disse era mal visto desde que seu portador, agisse com responsabilidade e sem interferir negativamente na vida de ninguém. A mixegenação de raças era tão grande, que aquele era possivelmente o único lugar naquelas terras, onde era possível ver um casal de raças diferentes, ter uma vida normal. Havia todos os tons de pele, e todas as cores imagináveis de olhos do mesmo modo, os cabelos, possuíam muitas cores, e iam desde sua forma mais lisa, passando pelos cacheados até chegarem aos bem crespos. Por conta disso, o povo era belo, e único. E sua maior diretriz era o respeito mútuo. Aquele que não cumprisse, com essa norma, era expulso, ou preso pela guarda. Mas em geral, toda a população, estava satisfeita, sabendo que poderiam ter uma vida de prosperidade e principalmente paz, se trabalhassem todos juntos pelo futuro de todos, e era com imensa alegria que cumpriam esse papel. Vê-los, daquela forma, trabalhando juntos, por toda uma vila, causava um estranho efeito em todos os youkais tradicionais, e isto era nítido, mas em Kazuyia, despertava uma sensação estranha e por ele nunca sentida. Ele se sentia desconfortável, mas, ao mesmo tempo, era prazeroso, sentir aquilo.
Quando finalmente disseram que já haviam cumprido as tarefas, os homens comemoraram cantando e suas vozes ecoavam pelos túneis, quando voltavam dos campos onde deixavam os rebanhos. Kazuyia sentiu uma overdose daquela sensação, e a alegria ameaçou sufocar lhe. Ele fez menção em parar, mas foi apoiado por alguém e quando se virou para ver quem o havia abraçado, para ajudá-lo a continuar, qual não foi seu susto, ao perceber que se tratava de Aika.
_Calma aí, Kazuyia! Você trabalhou muito, e ainda está se recuperando da batalha de ontem. E agora, deixa a emoção deles lhe invadir? Isso é demais, até para você! -Disse ela com um leve sorriso nos lábios.
Kazuyia iria respondê-la. Mas naquele momento, qualquer palavra poderia tirá-la dali, e ele não queria isso. Apenas sorriu de volta da maneira mais encantadora que conseguiu e continuou andando, mas tropeçando propositalmente, de vez em quando, para garantir que ela continuasse ao seu lado.
O almoço fora servido no shiro, mas a maioria dos hóspedes preferiu se alimentar em seus aposentos. Especialmente os youkais que gostavam de comer longe dos humanos. Assim como os humanos, nem sempre, se davam bem comendo perto dos youkais.
Ao contrário da comida humana, a comida youkai tinha como base sangue, e carne em geral crua. Vísceras eram apreciadas como iguarias, mas o modo como a presa havia morrido e a idade da presa também influenciavam no sabor. Geralmente quanto mais sofrida a presa mais apetitosa a carne. E quanto mais jovem também. Seguindo, portanto essa visão, carne de filhotes, que foram aterrorizados antes da morte, eram as mais apetitosas. E vendo por este lado, não era difícil julgar o povo humano que simplesmente tinha pavor dos youkais...
Contudo os youkais ditos, modernos, não comiam mais humanos, mas tinham consciência de que poderiam enfraquecer em relação aos que ainda mantinham esse costume. Por isso o sangue ainda era utilizado. E quanto mais forte o humano, mais forte seu sangue.
Logo após o almoço servido, Ryotaro estava dirigindo-se ao seu aposento pois desejava banhar-se e descansar. No entanto lembrou-se de que Yukina estava na mesma situação que ele se encontrava, pois também seu prometido havia rompido com o compromisso, por conta de outra pessoa. Decidiu ir visitá-la, secretamente para que não criar especulações. Quando chegou à porta de quarto no fim do corredor, sentiu um cheiro débil de sangue. Bateu na porta uma, duas, três vezes, mas ela não respondeu. Correu até a varanda do fim do corredor e abriu suas asas para vislumbrar a varanda do quarto de Yukina. A porta se encontrava entre aberta e foi por alí que ele conseguiu entrar no aposento. Olhou ao redor e percebeu que o cheiro de sangue embora muito frágil, estava mais forte. A porta do banehiro estava aberta, e Ryotaro entrou, ao perceber que o cheiro vinha de lá. Aproximou-se da banheira e vislumbrou a youkai, vestida com robe negro, dentro da banheira cheia de sangue. Ryotaro chamou-a novamente, e vendo que ela sequer se mexia, ele aproximou-se e percebeu que os pulsos da youkai estavam cortados, e que ela e a banheira estavam envolvidos por uma barreira de energia que impedia que o cheiro d sangue saísse, mas que, já estava prestes a se romper.
Ryotaro aproximou-se e mesmo sentindo a dor da barreira, puxou a tampa do ralo, fazendo com que o sangue misturado com a agua se esvaísse no ralo. Em seguida a barreira se rompeu, e ele tratou de estancar o sangue que corria livre dos pulsos da youkai, cauterizando o local com seu poder de fogo. Neste momento a loba da neve abriu os olhos.
_Ryotaro... Ryotaro... Eu quero morrer... -Gemeu ela, chorando.
_Não quer, não, Yukina... Você precisa enxergar que você é mais forte que isso. — O lorde Youkai disse tentando animá-la.
_Ryo.. Taro... Eu não consigo mais... Não quero mais magoar ninguém... Eu quero que Isamu, fique em paz... Ele tinha razão... Eu nunca o amei.. Eu amei Kurö Ookami e apenas ele... Mas ele não me quis, ele nunca me quis! -Continuou ela cada vez mais fraca.
_Quer que ele fique em paz? Então fique VOCÊ, em paz primeiro! Esqueça Kurö Ookami, ele foi honesto com você! Isso não pode continuar assim, Yukina! Olhe para mim. Eu já fui a escória de meu próprio povo, e hoje posso erguer minha cabeça, seguro do macho que sou! Você não é diferente de mim, Yukina, mas precisa se levantar e fazer o que é certo! -Disse o youkai de maneira dura, para que ela compreendesse, que não podia se entregar ao rancor.
A loba da neve ponderou, e ainda chorando, abraçou os braços de Ryotaro. Ele compreendia perfeitamente a dor dela.
_Você tem toda a razão... Eu tive medo de sofrer, e mesmo assim estou sofrendo... Mesmo sabendo que vai doer ainda mais, eu preciso partir, Ryotaro... Preciso partir até que essa ferida se feche e eu finalmente possa me curar... Curar-me, de mim mesma! — Ela disse resignada, respirando profundamente para recuperar-se das lágrimas.
_Fugir também não resolverá Yukina... –Ryotaro disse melancólico. Depois, ajudou-a voltar ao quarto. Antes, porém ela se banhou e teve de tirar todo o sangue que ficara em seu corpo, para evitar que descobrissem o que ela, em seu desespero tentou fazer. Ryotaro deitou-a na cama e deixou-a com a promessa de que ela nunca estaria sozinha. Eram amigos, e se curariam juntos.
Ryotaro foi procurar por uma serva que pudesse auxiliá-la, já que a loba da neve lhe implorara que não contasse nada do acontecido, a seus pais. Ele sabia que o ocorrido era muito sério, e que com certeza seria muito mal visto, por todos. Ele queria protegê-la, pois sabia bem o que ela estava passando. Parou um pouco e respirou tentando espantar as lembranças de seu passado. Seu corpo ainda sentia as dores das mágoas. Pensou em Minara e lembrou-se de como ela o repelira. Ele se considerava um macho forte, mas nem toda a força do mundo, pode segurar as lágrimas de um coração sofrido. Talvez fosse melhor fugir com Yukina, para tentarem ajudar um ao outro em suas respectivas dores. Talvez fugir, fosse o único remédio, para seu coração ferido.
Em meio aos seus pensamentos, algumas servas passaram por ele, e pôde ouvi-las comentarem que Minara havia escolhido se unir à Hikaru, em uma cerimônia simples, naquela mesma noite. Um estalo se deu em seu peito, e ele não conseguia mais raciocinar. Sua dor extravasou de tal maneira que foi percebida por uma serva que estava com seu rosto inteiramente coberto, e se encontrava entre as outras, e correu para acudi-lo. A melodiosa voz de Leodora fez com ele a encarasse.
_Acalme-se meu senhor eu vou ajudá-lo. -Disse a Hanma com convicção, apoiando o corpo de Ryotaro que se ajeitou rapidamente, fazendo com que ela o encarasse. Ele era muito familiar e isto a incomodou.
_Não sei se você poderá me ajudar... — Ryotaro disse, ao achar que se tratava de uma serva humana. O cheiro dela, no entanto não lhe era estranho.
_Eu garanto que vou tentar... -Disse ela com objetividade. Chamando a atenção do youkai, que se recompôs e pediu que ela o seguisse.
Caminharam por alguns minutos em silêncio, até que chegaram ao aposento de Yukina. Para surpresa de Ryotaro, ela havia se banhado, e estava dormindo. Leodora aproximou-se dela e a examinou constatando o que ela havia feito. Ela pegou algumas roupas de cama e com a ajuda de Ryotaro, trocou as sujas pelas limpas. Em seguida abriu bem as janelas e deixou que a luz da tarde entrasse.
_Fique aqui, eu já volto. -Disse a serva, imperativa.
Depois de ter feito isto, ela saiu levando a roupa suja, e minutos depois retornou com um carrinho com uma sopa, uma ânfora de água e um aparelho de chá para ser servido para duas pessoas. Com a ajuda de Ryotaro, ela despertou Yukina e lhe dando colheradas à boca, fez com que ela comesse toda a sopa. Em seguida serviu o chá para Ryotaro que se encontrava sentado em uma poltrona no mesmo lugar onde ela o havia deixado.
_Não quero. — Disse o youkai.
_Não perguntei se quer, eu lhe servi para que bebesse. Vai lhe fazer muito bem. -Retrucou a serva, servindo outro para Yukina que estava sentada na cama já visivelmente melhor.
_Como é? Com quem pensa que está falando serva? -Ryotaro disse, elevando o tom de voz.
_Estou falando com um doente. -Respondeu simplesmente, ela, enquanto servia Yukina, sem e importar com as palavras agressivas dele.
_Está louca? Estou perfeitamente bem! -O youkai declarou ficando de pé.
_Seu coração está partido em mil pedaços, e ameaça parar de bater! -Se isso não for uma doença, então, o que é? -Ela continuou no mesmo tom, encarando-o e tocando-o no peito a altura do coração.
Ryotaro tinha os olhos arregalados. Ela sabia. Subitamente ele ajeitou-se na poltrona e tomou o chá por ela oferecido.
_Quanto à senhorita, vou preparar lhe um delicioso banho de rosas e frutas vermelhas. Depois a manicure fará suas unhas e arrumará seu cabelo. Vou providenciar-lhe um belo vestido para usar hoje à noite. A senhora tem alguma cor preferida, senhorita Yukina? — Perguntou Leodora, com a mesma cordialidade e no mesmo tom.
_Não acho necessário... Eu não irei a lugar algum. -Protestou Yukina.
_E vai deixar que todos sintam pena da senhorita? Não, a senhora não quer isso, acredite em mim. Se quiser ficar curada, deve primeiro se libertar. Deve parar de olhar o que você perdeu e passar a valorizar o que se tem. Este é o primeiro passo, senhorita Yukina. -Leodora fez com a youkai se calasse e simplesmente concordasse com um aceno de cabeça, envergonhada por sua própria ignorância.
_Gosto dos tons de azul verde e prata. — Respondeu a youkai, tentando ser mais simpática com a serva que de alguma maneira era mais sábia do que ela, e talvez fosse seu tom de voz, doce e maternal, ou talvez sua integridade, ela se fazia confiável, até mesmo para um youkai.
_Prepararei o mesmo para o senhor. Tudo bem? Tem alguma cor, ou pedido especial?
_Tanto faz... só quero que essa noite acabe logo... — Respondeu ele à contra-gosto
_Acho que vou providenciar um belo fraque de tecido azul escuro, ou talvez uma veste bordada, no mesmo tom violeta azulado de seus olhos, meu senhor. Vai ficar um belo par para sua amiga. -Leodora tentou animá-los
_Neste caso eu prefiro um traje vermelho escuro ou preto. São minhas cores favoritas.-Respondeu Ryotaro, encarando-a de soslaio.
_São as minhas também. É uma excelente escolha, meu senhor. Agora, se me dão licença, vou providenciar tudo. -Disse a serva de rosto coberto, saindo em direção à onde estavam as servas do castelo, e indo buscar as frutas vermelhas.
No caminho, no entanto, não deixou de notar a coincidência, da escolha das cores. Assim que chegou à costureira, cogitou vários trajes, mas acabou por optar por uma veste longa de seda preta, com uma calça da mesma cor. A camisa de gola alta era de algodão vermelha escura e ficava por baixo da veste, deixando-se aparecer apenas por cima da gola da veste e por baixo dos punhos, da mesma que era levemente mais larga nesta parte e era adornada por botões de ouro envelhecido. Assim como os botões da frente da veste. No bolso do lado esquerdo na altura do peitoral um botão de rosa, vermelho, arrematava a beleza da peça. Para Yukina, um vestido de tule negro sobreposto em seda azul turquesa, de mangas curtas, e decote quadrado, acinturado e rodado, com pedrarias no busto e mangas, para chamar a atenção para seu rosto. Os dois foram desenhados e cortados em questão de segundos e antes que Leodora saísse da loja já estavam sendo costurados.
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