Perdida Na Tempestade
35 Capítulo -35- Amor que liberta, desejo que mata...
Notas iniciais
Todos haviam se encaminhado a seus devidos aposentos. Hokuto permanecia sentado, enquanto a sala se esvaziava, gradativamente. Apenas Satori, permanecia de pé na mesma posição anterior, de costas para ele, olhando para a paisagem da varanda. Assim que todos se retiraram ele se levantou, e antes de tomar a direção de seu quarto, Satori virou-se para encará-lo.
—Já faz muito tempo... Por onde andou? -Perguntou ela baixando o olhar. Hokuto ficou em silêncio por alguns segundos, ponderando se responderia ou não a pergunta dela. Por fim decidiu responder.
—Eu voltei as minha terras. Ao reino de meus pais. Estive lá até dois meses atrás. Quando retornei a Meikaku mün, fui feito prisioneiro. E acabei vindo parar aqui...
—Você me ajudou ontem... Eu senti seu cheiro nas minhas roupas... Obrigada...
—Yuko ajudou você. Eu só trouxe vocês dois aqui. -Murmurou o youkai grifo, olhando para o chão.
—Você não mudou nada nestes anos... Pelo contrário, a maturidade lhe fez ainda mais belo...
—Esta enganada Satori, aquele youkai que você conheceu, cheio de sentimentos, morreu. Ele morreu consumido pela culpa. E pela dor de sua traição... E dizendo isso, Hokuto encarou os olhos de Satori, e mergulhou nas amargas lembranças, que há tanto lutava para esquecer.
Hokuto era ainda muito jovem, tão jovem, quantos os youkais que se encontravam presentes naquele Shiro. Sua família, pertencia à nobreza de um reino muito distante dali, conhecido como as terras altas.
Em uma visita de Izanami, às terras altas, ela conhecera os pais de Hokuto, e conquistara sua afeição e respeito. Quando ela quis partir, o jovem Hokuto, quis ir com ela, para serví-la, e se tornou seu primeiro e único general. Izanami era conhecida e temida, e por onde ia, havia sempre um youkai tentando enfrentá-la, e mesmo que ela detestasse lutar, em muitos casos isso se fazia necessário. E foi assim que Hokuto, e Izanami, conheceram Inu no Taishou.
Não que ele os tivesse atacado, muito longe disso. Fora ajudá-los, depois que o rei pantera os emboscara. A esta altura Izanami viu nos olhos dele que era seu destino se tornar um grande senhor, daquelas terras selvagens. Mas só havia um modo de unificar aquele reino: A união do dois principais clãs Inu. De um lado, estavam, Inu no Taishou e sua prima Arina, os representantes dos Inukami, os cães demônios, detentores de um grande poder físico. Do outro, a princesa Satori, última remanescente dos Inuzuki, um poderoso clã Inu cujos poderes mágicos eram assombrosos. A união das duas casas, reuniria os inus youkais formando um novo reino, que segundo Izanami, estava fadado à supremacia. Izanami que havia se tornado a primeira e grande aliada de Inu no Taishou, enviou, seu general para buscar a princesa, enquanto ela e o Inu youkai erguiam o Mikadzuki no shiro, ( castelo da lua crescente) O principal shiro das recém criado reino das terras do oeste.
Hokuto sabia que era uma longa viagem, mas isso por si só não o incomodava. Era o fato de Arina ir junto que o deixava apreensivo. Ela era uma youkai guerreira, dotada de grande beleza, mas ainda muito jovem e inexperiente. E ele temia que ela lhe causasse algum problema.
Foram quase três meses de viagem, até o extremo sul, nas fronteiras da terra do gelo, onde se encontrava a mansão dos Inuzuki. A viagem até ali, transcorria normalmente. Arina havia se mostrado, uma fêmea explêndida, dona de uma grande força e de muita sabedoria. Hokuto e ela formaram uma bela dupla. A chegada à mansão dos Inuzuki foi bem vista pelos próprios, e eles concordaram em dar a hime Satori, para se unir à Inu no Taishou. Mas no momento em que pôs os olhos sobre Satori, Hokuto sentiu algo que nunca havia sentido antes. E nas semanas que se seguiram, ele percebeu que o que sentia era correspondido. Eles passavam cada vez mais tempo juntos, e o inevitável acabou acontecendo.
Era uma bela noite de lua cheia, e a viajem de retorno começaria no dia seguinte. Hokuto e Satori conversavam sobre o futuro, na varanda do mansão que pertencera a seus pais.
—Como será que Inu no Taishou vai me receber? Será que ele vai me achar bonita? Não que eu me importe, com isso... Ele ia querer me marcar ainda que eu fosse a pior das criaturas... -A youkai questionava de forma melancólica. Hokuto encarava-a e sem pensar muito em seus atos, tocou o rosto dela.
—Ele seria louco, se não achasse. — Disse o youkai grifo. Mas logo se deu conta do que fazia e retirou a mão da face de Satori, assustado com seu descontrole.
—Eu não me importo com o que ele pensa... Só me importa saber se você me acha bonita... -Disse a youkai pegando novamente a mão dele e a pondo no mesmo lugar que se encontrava outrora.
—Eu nunca conheci uma youkai mais linda do que você... Satori, eu não sei como te dizer isso, mas não consigo esconder quem sou, e o que sinto... — Hokuto estava confuso e escolhia as palavras.
—Eu também... Estou apaixonada por você... -Disse ela e quando deu por si, estavam nos braços um do outro, beijando-se apaixonadamente. Como o cheiro de alguém se aproximava, Hokuto tomou-a nos braços e levou-a até uma cabana de caça que ficava nas proximidades da mansão dos Inuzuki.
—O que estamos fazendo é errado... Você sabe! Inu no Taishou é meu amigo, e seu futuro macho! — Disse o youkai grifo, segurando a face da youkai e encarando-a.
—Sei bem quem ele é... Mas temo que meu coração não o reconheça como seu dono... Ele somente quer você Hokuto... Eu preciso de você... Apaixonadamente... Desesperadamente... -Disse a youkai retirando o quimono que vestia, e deixando a lua iluminar seu belo corpo nu. O youkai Grifo, não mais pôde resistir a ela.
—Sabe o que eu sinto... Eu te desejo, mais do que tudo... Quero que sejas minha... — E dizendo isso, beijou-a delicadamente. As mãos estavam ávidas por cada centímetro daquela pele clara como porcelana, e macia como seda. Satori o despiu devagar, saboreando cada parte desnuda do corpo de Hokuto. O desejo os consumia, e o youkai grifo deitou-a na modesta cama e enquanto acariciava os seios da youkai. Satori, pegou o membro do youkai grifo com as mãos e masturbou-o arrancando gemidos cada vez mais fortes do youkai. Hokuto, soltou-se das mãos dela, e tocou a intimidade de Satori, introduzindo, o polegar na intimidade dela. A youkai gemia, e Hokuto, pegou-a pelos quadris e enterrou fundo seu membro retesado, arrancando de uma só vez a virgindade da Youkai. O medo nos olhos dela deu lugar a uma paixão incontrolável e toda a dúvida se dissipou no momento em que chegaram juntos ao orgasmo. Eles fizeram amor, durante toda aquela noite e quando a aurora chegou, Hokuto tinha Satori em seus braços.
— O que faremos agora? -Questionou a youkai acariciando o peito musculoso dele.
—Vamos voltar como combinado. Mas assim que chegarmos eu vou contar a Inu no Taishou que fiz de você a minha fêmea. — O youkai grifo disse sem pestanejar, fazendo Satori erguer a cabeça para encará-lo
—Não podemos fazer isso Hokuto. Ele vai nos matar! — Disse ela, visivelmente preocupada.
—Então morreremos juntos e com honra. Ninguém teve culpa do que aconteceu entre nós. E eu amo você Satori. Eu não menti... Você vai ser a minha fêmea, se você quiser... Você aceita? -Disse ele segurando-a pelo queixo. Satori sorriu, confusa e surpresa. Sentia o peito cheio de paixão por ele, mas não sabia precisar, o que era, todo aquele sentimento.
—Eu aceito... E se for para morrer, que seja ao seu lado... — Respondeu a youkai, entregando-se novamente à Hokuto.
A viagem prosseguiu sem maiores complicações. O maior problema era disfarçar para que Arina, que estava com eles, não desconfiasse de nada. Hokuto queria que Inu no Taishou fosse o primeiro a saber. Mas assim que chegaram ao Mekadzuki no shiro, uma grande surpresa os aguardava. Três chefes dos clãs mais poderosos daquela região, haviam se unido à Inu no Taishou e se encontravam presentes aguardando a chegada de Satori Hime, para consolidar a aliança. Assim que avistaram a carruagem centenas de seres, humanos e youkais se aproximaram com gritos de boas vindas. Hokuto foi recepcionado pelo próprio Inu no Taishou e chamou-o para uma conversa.
—Hokuto! Você é um youkai honrado! Eu lhe serei eternamente grato, meu amigo, por me trazer a minha prometida sã e salva! E bem há tempo. Vou marcá-la hoje mesmo, na frente dos líderes dos clãs e teremos uma aliança vitalícia com eles! As terras do oeste finalmente vão se tornar um reino forte e consolidado e isso graças a você, meu amigo. Será sempre bem-vindo ao meu Shiro. Mas o que você deseja me dizer? — Inu no taishou era só elogios e gratidão ao amigo. Hokuto tinha o peito partido pelo arrependimento. No momento em que ia confessar sua traição, no entanto, Satori entrou na sala.
—Ele quer te contar que não sou mais uma virgem. Eu fui deflorada por um macho que me desiludiu e eu ainda o amo. Mas estou disposta a unir os clãs e transformar esse lugar inóspito na casa de nossos sucessores. -Disse a youkai sem dar chance para que Hokuto contasse. Inu no Taishou foi pego de surpresa enquanto Hokuto encarava Satori, paralisado.
—Eu entendo. E sei que a união dos clãs é algo de suma importância para todos nós, mas eu não vou obrigá-la a nada. Se você ama a outro macho, eu a liberto de sua obrigação para comigo.-Disse Inu no taishou encarando-a.
—Não há o que decidir. Eu quero ser sua fêmea e prometo ajudá-lo a construir um grande reino. — Satori disse, olhando nos olhos de Inu no taishou, gravando ainda mais dor, no peito do youkai grifo.
—Eu não me importo com sua virgindade. Fico feliz que você tenha a coragem e hombridade de me contar a verdade. Terei muito prazer em marcá-la Satori hime. — Respondeu o inu Dai youkai, quebrando o silêncio e beijando a mão dela em sinal de respeito. Em seguida um youkai imponente bateu na porta e Inu no taishou apresentou-os.
—Katashi, este é o general de Meikakum Mün, Hokuto de Lionheart. E esta é a senhora das terras do oeste, Satori hime.
—É um prazer conhecê-lo. Então este é o famoso general Hokuto de quem todos falam. -Katashi encarou Hokuto com arrogância. Mas o youkai grifo sequer percebeu. Tudo a seu redor parecia estar se quebrando. O chão a seus pés havia desaparecido.
—O prazer é todo meu... -Limitou-se Hokuto a dizer.
—O que há com você, meu amigo? Está sentindo algo? -Inu no Taishou estreitou os olhos preocupado.
—Deve ser o cansaço da viagem. O general Hokuto, esteve muito empenhado durante toda a sua missão. -Satori apressou-se em dizer.
—Está certo, vou pedir a uma serva para acomodá-lo. Nos falaremos mais tarde. Enquanto isso quero que descanse. Será meu convidado de honra no banquete de hoje à noite.
—Não precisa se preocupar, eu mesma vou providenciar tudo. Como senhora das terras do oeste não posso permitir que o general seja mal recepcionado. — Satori sorriu forçado, e Inu no Taishou consentiu. Em seguida se retirou e pediu que Satori não demorasse para encontrá-lo. Quando se viram novamente a sós, a face tranquila de Satori se transformou em uma face angustiada.
—Hokuto, por favor, me entenda... — Disse ela, ao contemplar a face inerte do youkai.
—Entender? O que quer que eu entenda? Que você se encantou com seu prometido? Ou o poder lhe subiu à cabeça? Diga-me Satori, porque me enganou? — Hokuto pegou-a pelos pulsos. Tinha os olhos em fendas, e o coração partido.
—Eu nunca te enganei! Hokuto, olhe ao redor! Se essa união não acontecer, essas terras estarão condenadas! Pense em todos que vivem aqui! Pense em Inu no taishou! Acha que ele vai suportar a nossa traição? -Satori, estava sofrendo, mas seu senso de dever para com seu clã, falava mais forte.
—Ele te deu uma escolha... E você optou pelo poder! -Hokuto, não compreendia o que ela havia feito. Olhou-a novamente nos olhos, deixando transparecer todo o seu rancor, e saiu sem dizer uma só palavra.
Disfarçou o quanto pôde mas acabou por sair pelos fundos. Naquele momento, tudo o que ele mais queria era sair dali. Quando estava prestes a abrir suas asas e voar, ouviu uma voz conhecida. Arina o chamava.
—Hokuto, onde você vai? — Questionou ela, melancólica.
—Vou embora Arina, não há mais nada para eu fazer aqui. Eu já cumpri minha missão...
—Hokuto, por favor, não se vá... _ a youkai saltou no pescoço do youkai grifo, beijando-o desajeitada. Hokuto a afastou, sem compreender o que se passava.
—Arina? O que você está fazendo? -O youkai grifo foi pego de surpresa. Arina era muito discreta, nunca faria algo daquele tipo, mas naquele momento, ela parecia perdida.
—Beijando você... Hokuto, eu... Eu não quero que se vá... Quero que fique comigo... Eu acho que estou apaixonada por você. — Arina falava tentando conter o constrangimento.
—Arina... Eu não posso... Eu amo outra fêmea... Não seria justo, ficar com você, sentindo o que sinto por outra... — Disse Hokuto, apoiando as mãos nos ombros de Arina. Apesar de se sentir traído por Satori, ele não poderia mentir para ela.
—Outra? Então... Você vai ficar com ela?- A youkai abaixou os olhos, mirando o chão.
—Eu nunca mais irei vê-la... Eu vou embora, para tirá-la de meu peito, nem que tenha que atravessá-lo com minha espada... — O youkai disse amargurado. Sentia-se a pior das criaturas, por se deixar levar por um simples sentimento. Era óbvio que Satori escolheria ficar com Inu no Taishou.
—Hokuto! Não diga isso... Você não pode morrer... Meikaku namün precisa de você... Eu preciso de você... Eu sei que você só me vê como uma youkai jovem, mas se me der uma chance, posso provar a você, que posso fazê-lo muito feliz... Hokuto, eu quero ser sua fêmea... E abriria mão de qualquer coisa por você... — E dizendo isso, pegou a face do youkai grifo e beijou-o com doçura. Hokuto permitiu e correspondeu ao beijo dela, por que se sentia amado, e isso fazia seu coração doer menos.
Foi tirado, de suas amargas lembranças pela voz de Satori.
—Está pensando nela, não é mesmo? Está pensando naquela...
—Dobre sua língua para falar de Arina! Ela era minha fêmea marcada! E foi por sua culpa, culpa de seu veneno que ela fugiu!
—Eu só lhe contei a verdade! Estava cansada se ouvir as lamúrias de Arina, em relação à tal fêmea que você amava! Ela merecia saber que era eu...Que eu era a fêmea que você amava! Ela fugiu por que era fraca... Por que preferia fugir, à enfrentar que você nunca a amaria!
—MAS EU A AMAVA! Eu amei Arina, e se teve uma época em que fui feliz, foi ao lado dela! E você destruiu isso... Você se uniu a Katashi e envenenaram Arina contra mim... A única alternativa que eu tive foi ir embora... Quando eu soube que Inu no Taishou tinha um filho bastardo, eu fiz a única coisa que podia... Eu o ajudei... Eu cuidei de InuYasha como se fosse meu filho... O filho que eu queria ter com você... O filho que Arina, me prometeu mas nunca me deu... -O youkai ficou de costas para Satori.
— Nós estamos livres, agora... Sesshoumaru, é o senhor das Terras do Oeste. Eu não devo mais nada a estas terras... -Disse Satori, abraçando-o pelas costas. Mas Hokuto tirou as mãos dela ao redor de si, encarando-a com desprezo.
—O youkai que amou você, morreu Satori... Eu nunca mais vou sentir amor por outra fêmea... E por você, eu só tenho desprezo e rancor... Com sua licença, senhora das terras do Oeste... — E dizendo isso retirou-se dali deixando a youkai perplexa.
Satori saiu em direção à seu quarto, e assim que percebeu-se sozinha, desabou na cama e sentiu o calor das lágrimas em seu rosto.
"Maldita... Arina... Maldita, Arina! Ele nunca vai saber... Nunca, eu juro, ele nunca vai saber... Sua maldita!" Pensava ela, ainda sem conseguir aceitar as palavras de Hokuto.
Os youkais estavam se preparando o mais rapidamente que podiam. Raijin tentou convencer Kikyou a ficar, mas sabia que era inútil. Ela não aceitara ficar de fora da batalha. E além disso ele tinha de admitir, que com seus poderes ela e as demais mikos, seriam muito importantes. Igraine, Rin, Souten e Ritorirï se arrumaram juntas. Mas como Ritorirï se arrumou primeiro, incubiu-se de ir ao quarto de Rin, para pegar a carta que Minara havia lhe dado contendo a última profecia de Izanami.
O corredor principal era composto por quartos dos dois lados e clarabóias intercaladas por grandes castiçais de cristal. O quarto de Rin e das demais convidadas era ao lado esquerdo, enquanto os quartos dos generais, eram do lado direito, e o de Sesshoumaru no fim do corredor. Ritorirï saiu do quarto de Igraine e caminhou rapidamente até o quarto de Rin, sem perceber que alguém a observava. Entrou e pôs-se a procurar, a carta, com todo afinco e certificando-se que não estava bagunçando nada. Estava tão empenhada que levou um grande susto ao ouvir uma certa voz.
—Já encontrou o que procura? -Disse Isamu desencostando da soleira da porta da varanda.
— Ahh ... Senhor Isamu... Eu não tinha visto o senhor aí... -Disse ela, sem encará-lo, sentindo seu rosto corando.
—Eu acabei de chegar... Desculpe, eu não pretendia assustá-la. Achei que conseguiria sentir meu cheiro. — Disse o youkai erguendo uma sobrancelha.
—Eu sou uma youkai doméstica... Eu não tenho sentidos muito aguçados... Só para temperos... -Respondeu ela, se recriminando mentalmente por sua resposta. " Só para temperos? Isso foi tão piegas!"
—Eu nunca conheci uma youkai que não soubesse se defender! Até mesmos alguns humanos sabem!
—É.. Parece que eu sou uma exceção... -Disse ela, virando o rosto, pois sentia-o queimar, de vergonha.
Ficaram em silêncio por alguns segundos até que Isamu, aproximou-se dela e pegou-a pelo queixo, virando o rosto dela para que o encarasse.
— Eu não fiz uma crítica, apenas uma observação. Não precisa se envergonhar. Você tem muitas outras qualidades que muitas youkais não têm.
—E.. Eu? -Balbuciou ela, quase sem conseguir respirar, pela proximidade dele.
—Sim... Você tem coração quente... E foi graças a ele que eu estou vivo. Eu queria agradecê-la. Por isso, pode me pedir o que quiser, que eu lhe darei. -Disse ele, soltando o queixo dela, mas sem se afastar.
A jovem serva youkai, virou-se de costas para o youkai corvo e fitou o chão ponderando a oferta dele. Havia algo que ela desejava muito. Algo que ela temia que acontecesse. E foi nisto que ela pensou ao proferir seu pedido.
— O senhor sabe que eu sou uma serva. E infelizmente, minha senhora é Mizuki. Eu vou retornar porque preciso ajudá-los a salvar Minara hime, porque essa é a coisa certa a se fazer. Mas se por acaso a senhora Mizuki, tiver oportunidade... Se porventura vencer esta guerra... Ela vai me castigar, mais do que a todos os outros inimigos... E vai me entregar como divertimento para seus soldados e eu aceito se este for o meu destino. Mas eu não gostaria de entregar minha pureza, a castidade que mantive por tantos anos, para seres tão desprezíveis. Senhor Isamu... Eu quero que senhor me deflore! -A serva permanecia de costas mas o constrangimento estava misturado às lágrimas que ela derramava, e Isamu percebia isso pelo cheiro.
Estava chocado, tanto pela perspicácia dela, quanto pela coragem. Não havia dúvidas de que ela era uma fêmea honrada, por pensar em sua castidade como algo que não deveria ser entregue a qualquer macho.
—Mas por que eu? -Disse ele sem conseguir proferir mais nada.
—Porque eu gosto do senhor... Quando lhe deitei os olhos pela primeira vez, eu... Eu gostei muito do senhor... E eu pedi aos Deuses que me ajudassem à salvá-lo. Meu senhor, eu sei que isso é uma grande afronta, mas por favor, tenha compaixão. -Respondeu ela, com toda a sua humildade.
Foi a vez do coração do youkai senhor dos corvos, bater mais apressado. Ele aproximou-se dela, e virou-a para ele, em seguida pegou sua mão e sentou-se na cama, pondo Ritorirï sentada ao seu lado.
—Eu não posso fazer o que me pede. Nenhuma fêmea com sua doçura merece ter sua honra arrancada assim, de qualquer modo. Ouça, eu sei que você está com medo. Mas eu juro, que vou proteger você, com minha vida. E ninguém vai te fazer mal... Nunca mais. -Disse ele beijando a mão da Youkai que encarava-o com seus olhos úmidos.
— Obrigada... Muito Obrigada senhor Isamu... Mas há algo que eu tenho que lhe entregar... Algo que pertence genuinamente, ao senhor...
—O que é?-Questionou o youkai corvo, olhando-a divertidamente, pesando se tratar de algum objeto.
—Isso... -Ritorirï, curvou-se até o youkai e beijou-o com tanta delicadeza e paixão, que Isamu, ficou parado, e só correspondeu depois de alguns segundos. Mesmo assim, quando se separaram, o youkai ficou confuso, em relação ao que àquilo significava.
—Por que me beijou? Eu lhe disse que vou protegê-la com minha vida. Você não mais terá que temer a violência de ninguém! Você não me deve nada... -Disse Isamu confuso e exasperado.
—Este foi o meu primeiro beijo... E ele pertence ao senhor... O meu primeiro amor... -E dizendo isso a youkai pegou algo, em cima de uma pequena estante, e correu em direção à porta sem nada mais dizer.
Isamu permaneceu sentado, perplexo com as palavras da jovem serva. A ingenuidade e humildade dela, lhe tocavam a alma. E sem se dar conta saiu do quarto de Rin, e retornou ao seu, com a mão sobre o peito. Pela primeira vez sentia o coração bater forte, por causa de uma simples e humilde serva que havia lhe dado aquilo que lhe era mais precioso: O seu primeiro sentimento. Ouviu algumas batidas na porta, mas sequer respondeu. Os youkais responsáveis pela batida, entraram e encontraram Isamu, colocando vagarosamente sua armadura. Nagato e Hideaki se entre olharam, e por fim Nagato o questionou.
—Isamu? Você está bem?
—Estou sim, Nagato... Estou vivo... E me sinto muito bem assim. Respondeu ele, sorrindo misterioso.
Akane terminava de vestir sua armadura dourada por cima de seu quimono cor de berinjela, justíssimo, com fendas laterais que chegavam à cintura e deixavam as laterais dos quadris largos e as coxas grossas e musculosas, aparentes. Na cintura, o corpete da armadura, que cobria os seios e destacava bem a cintura fina. Nas pernas meias pretas, amarradas com um laço de seda acima do meio da coxa, e nos pés, sapatos de couro preto. Aika, observava a irmã de longe, enquanto calçava suas botas largas de pele e trançava seus longos cabelos, pretos azulados.
—Nossa Aika, como você é branca! Vejo todas as veias do seu corpo! Que nojo! –Disse Akane se aproximando. Aika correu para pegar sua capa com capuz, mas Akane foi mais rápida.
—Pare com isso, Akane, nós temos pouco tempo. – Disse Aika seriamente.
—Infelizmente você tem razão. Mas só vou te entregar se me disser como alguém tão linda como eu pode ser trocada por uma humana horrorosa daquelas? – A youkai precisava ter seu ego afagado.
—Akane, ele não te trocou. Ele terminou a relação de vocês há muito tempo! A humana não teve nada a ver com isso. –Respondeu calmamente a youkai. Ela vestia uma espécie de macacão de couro preto, que ao contrário da irmã cobria seu corpo inteiro, desde o pescoço, até os tornozelos. Na cintura e dorso, uma armadura semelhante à de Akane.
—Sabe irmãzinha, sua resposta não me convenceu... Mas é melhor você se cobrir, ou vai matar a todos de medo, com essa sua cara esquálida! KKkkk.... –Disse Akane, entregando a capa à Aika que apenas a vestiu e cobriu-se com o capuz, sem responder a irmã. Akane pretendia ainda debochar mais dela, mas ouviu batidas na porta.
Caminhou até a porta e abriu. Era Agláia, que entrou e fez um gesto para que Akane fechasse a porta. Em seguida viu Aika terminando de se arrumar, e sem qualquer cerimônia pediu para que ela se retirasse. Aika a encarou por alguns segundos, mas por fim, como já estava pronta, saiu sem dizer nada.
—E então Agláia, imagino que já tenha em mente um modo de tirar a tal Minara do seu caminho. Rsrsrsrs –Disse Akane, jogando-se em uma poltrona e cruzando as pernas.
—Você me surpreendeu agora, Akane! Não pensei que você tivesse um raciocínio lógico, tão perspicaz! Rsrsrsrs... Mas a resposta é sim. Mas vou precisar de sua ajuda. – Disse Agláia sentando-se com toda a pompa, e pousando o indicador no queixo. De repente uma batida na porta e Akane levantou-se depressa, mas ao abri-la, não viu ninguém.
— Que estranho, não era ninguém! Fale rápido, Agláia, não temos muito tempo antes de Sesshoumaru, partir para o ataque. – Disse a youkai, sentando-se novamente.
—Bem, pelo o que ouvimos, o tal Lorde Ryotaro é louco, pela vadia da Minara, e está cheio de ódio, por descobrir que ela transou com Hikaru, já que ele julga que ela lhe pertence.
—Você pretende matá-la? Como fez com aquela princesa youkai? Como era mesmo o nome dela... Lily! Aquela, que Hikaru, mantinha no shiro dele, como sua amante, e que ficou grávida... –Akane disse sorrindo, lembrando-se do ocorrido.
—Eu sei de quem se trata, não precisa me lembrar dessa imunda! Tenho dores de cabeça só de me lembrar dela... Nunca tive tanto prazer em matar alguém como tive ao matá-la. –Vociferou Agláia.
—É eu me lembro! Você ficou tão leve depois que quebramos o pescoço dela... Foi um golpe de mestre arrancar o filhote que ela levava no ventre. Mas não precisava deixa-lo naquele vilarejo! Hoje, ele deve estar um adulto! Daria um excelente escravo... Principalmente se for tão bonito quanto Hikaru... –Akane novamente provocou-a.
—Ah, é, sim e quando Hikaru sentisse o cheiro dele, o que diríamos? "OH DESCULPE, EU NÃO SABIA QUE ERA SEU FILHO!" Sinceramente Akane, já está na hora de usar esse seu cérebro! Se ficássemos com ele estaríamos admitindo que estivemos com ela, e que ela estava mesmo grávida e disso Hikaru nunca soube! Nós a raptamos antes que ele percebesse... Acho que aquele filhote não resistiu. Era muito prematuro, e só não ficamos com ele por que era enrugado e horroroso, não se lembra? –Agláia ficou de pé e continuou a falar, sem dar chance para que Akane respondesse.
—Vamos falar da minha verdadeira rival: Minara! A vadia da Lily, era só uma puta, que Hikaru abrigou, por que teve pena, dela ser uma fugitiva da guerra das Terras do fogo. Depois, ele uniu o útil ao agradável, e passou a foder com ela, já que a própria, vivia se esfregando nele! Mas mesmo enquanto transava com ela, ele nunca, absolutamente nunca, se apaixonou. O amor de Hikaru, só pertenceu a Minara, desde que aquela vadia entrou na vida dele, quando ainda era um maldito bebê! –Agláia tinha os olhos brilhando de ódio.
—Você bem que poderia se esfregar nele também... Quem sabe não daria certo? — Akane, disse piscando o olho.
—Eu adoraria... Mas Hikaru respeitava muito o meu pai... Tanto que nunca me deixou chegar perto dele! Ele sabe que eu o desejo, e que se me comer, vai ter que se casar comigo! -Agláia respondeu, bufando.
—Ainda bem que meu clã não tem estas besteiras! Pelo contrário, as fêmeas mais disputadas, são as mais experientes... E você sabe muito bem que eu sou muito experiente, não sabe? –Akane piscou para Agláia, olhando para o decotado vestido branco que ela usava.
—Não há nada que eu queira mais do que foder com ele. Ahh, só de me lembrar do corpo dele, que tesão que eu estou sentindo... ! -A bela youkai com cabelos dourados como o trigo, deitou-se na cama e revirou-se.
—Ele é realmente muito gostoso... Eu também gostaria muito de foder com ele. Mas será que ele aguentaria, nós duas? Eu sei o quanto você é fogosa... –Disse Akane, sentando-se ao lado dela e acariciando o traseiro de Agláia.
—E então, posso contar ou não com você para me ajudar com a vagabunda? –Perguntou Agláia.
—Você não me disse se vai matá-la... –Disse Akane sorrindo de lado.
—Ela não pode morrer... Se isso acontecesse seria uma grande desvantagem para o lorde Sesshoumaru. Além disso Hikaru se fecharia novamente, e eu não quero ter que esperar mais duzentos anos para ter aquele corpo lindo, e aquele pau delicioso, me fudendo gostoso... – Disse a youkai loura prendendo os cabelos em um rabo de cavalo alto, e sorrindo com malícia.
—Então como vamos fazer isso? – Akane fechava a armadura e penteava os cabelos.
—Vamos provar que ela só transou com ele, por que queria recuperar sua essência celestial. Você viu como ele hesitou quando eu levantei a hipótese? Essa dívida pode ser a rachadura que precisamos para destruir esse sentimento ridículo. – Disse Agláia se olhando no espelho.
—Eu vou ajudar... Mas com uma condição. Quero que você me ajude a destruir a piranha humana que está com Raijin...
—Claro, eu faço isso com todo o prazer! Aquela miko ridícula, estava se derretendo para o meu Hikaru, na mesa, ainda há pouco! Elas podem ser uma pedra no meu sapato...
—Então temos um acordo... Só lembrando que ao contrário da vagabunda da Minara, Sesshoumaru não precisa da miko... Então, quero a cabeça dela, pendurada no armário, para eu olhar para ela, enquanto estiver transando de novo com Raijin... Ai sinto tanto a falta dele... Ele era tão gostoso, e costumava me comer com tanta força! -Riu-se Akane acompanhada por Agláia. Em seguida ambas saíram e foram encontrar os demais capitães.
Nagato, Capitão do general Isamu, e seu olhar hipnotizante...

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