Perdida Na Tempestade
31 Capítulo -31- Pondo tudo a perder...
Notas iniciais
No dai San no shiro a reunião continuava e tudo já estava praticamente decidido. O clima era de concentração, mas Kikyou permanecia incomodada com o olhar da youkai à sua frente. Era um olhar maligno, cheio de ressentimento, como se ela estivesse prestes a pular em sua garganta à qualquer momento. Raijin sentiu que algo incomodava sua fêmea e instintivamente pegou em sua mão, que jazia sobre seu colo. Kikyou entendeu que ele tentava acalmá-la, como se aquele gesto quisesse dizer, "estou aqui, ela não lhe fará mal". A miko sorriu e olhou para ele que estava compenetrado, prestando a máxima atenção na sugestões de seu capitão, Shuhei. Olhou para Kagome, Rin e Igraine, e notou que elas estavam tão aprensivas quanto ela. Mesmos os youkais aparentemente, mais tolerantes, com humanos, as olhavam com desconfiança e isso as incomodava. Como se lesse seus pensamentos, Sesshoumaru encerrou a rápida reunião e dispensou-os. Usando seus poderes telepáticos, chamou kagome, e pediu que ela e Rin a esperassem na porta dos jardins dos fundos do shiro, enquanto ela própria foi atrás de Igraine. Após alguns minutos, todas conseguiram chegar ao lugar combinado.
_Kikyou, o que houve? Você descobriu alguma coisa? -Kagome falava seriamente, enquanto caminhavam para uma parte mais resguardada do jardins.
_Sim! Descobri que temos que sair um pouco e respirar ou vamos enlouquecer!- Kikyou sorriu afastando a tensão que se fazia presente. Rin sorriu e pôs as mãos no peito.
_Ufaa Kikyou! por um momento achei que você fosse brigar comigo, por que eu não disse nada a vocês sobre o pedido do Sesshoumaru. -Igraine tomou a palavra.
_Sim a kikyou não vai fazer isso, mas EU VOU! COMO VOCÊ PÔDE RIN?- A hanyou falava com o punho cerrado. Enquanto Rin ficava vermelha.
_Do mesmo jeito que você fez Igraine! Ou vai me dizer que você contou a alguma de nós, sobre sua saída de ontem?- Kikyou ergueu uma sobrancelha acusadora para a hanyou que riu desconcertada.
_O quê? Foi por isso que você desceu com o Tatsuo? Você está com ele? Igraine sua... -Rin demonstrou toda sua revolta, correndo atrás dela e a jogando no chão com uma seção de cócegas.
_Nossa, olha pra gente! Estamos todas comprometidas e só tem uma semana que estamos aqui! Mas com certeza você e Tatsuo juntos é uma grande surpresa, Igraine! Eu podia jurar que você estava apaixonada pelo Shippö! — Dissse kagome piscando os olhos com deboche. A hanyou sorriu sem graça.
_Eu confesso que gostei muito do jeito que o Shippö me tratou mas foi só um flerte! O que o senhor... quer dizer o Tatsuo, fez por mim ontem... Foi irresistível! Ele me levou a um lugar lindo aqui perto, e depois disse que eu era especial... depois nos sentamos à sombra de um pessegueiro em flor, e ficamos olhando a lua e as estrelas, refletidas na fonte... foi tão... — A hanyou se desmanchou em elogios, e Rin completou.
_Vocês transaram? Ahh, Igraine! O que seu irmão vai dizer? -Rin pôs as mãos no rosto, apreensiva. A hanyou sentou-se na relva e a encarou.
_Não! Não aconteceu nada! Ele me fez dormir no colo dele, apenas isso! Ele me beijou e depois me disse que me queria, mas do jeito certo... E me pediu pra ser a prometida dele e que faria eu me apaixonar por ele assim como ele se apaixonou por mim! Isso não é lindoo?! — As humanas a encararam surpresas.
_Ele fez mesmo isso? Nossa que romântico! Nunca imaginei que um Youkai, pudesse ser assim! -Disse Kagome sentada aos pés de uma árvore enquanto Kikyou se deitava em seu colo.
_É mesmo, imagina só! Te levar a um lugar lindo, te dizer que quer fazer do jeito certo, e depois te pedir pra ser a noiva dele, e sequer te tocar, Igraine, parece que ele gosta mesmo de você! — Disse Kikyou. Em seguida olhou para o alto da árvore e disse sorrindo.
_Pode descer daí Souten, não estamos fazendo nada em segredo. -Disse a humana e em seguida Kagome completou.
_Você também Ritorirï, as duas são bem vindas entre nós.
_Ai, Souten eu disse que não era boa ideia! — Disse Ritorirï descendo da árvore com cuidado.
_Ai, ai ai... Desculpa meninas! Mas eu vi vocês saindo discretamente e decidi seguir vocês! E você, veio por que quis, Ritorirï! -Disse a youkai sentando-se no chão aos pés das humanas. Ritorirï sorriu sem jeito.
_Eu sinto muitíssimo. Se vocês quiserem nós iremos embora. -Disse a serva youkai.
_Não é necessário! Podem ficar! Nós sabíamos que estavam nos seguindo só não entendíamos o porque! — Respondeu Rin, sorrindo e convidando Ritorirï a se sentar.
_Nós estávamos sufocadas naquela reunião. Apesar de sermos youkais parece que estamos um pouco deslocadas... Os mais poderosos clãs estão representados aqui hoje, a maioria deles é elitista inclusive com os próprios youkais. Como por exemplo o clã do seu prometido, o senhor Tatsuo. Os narukami, são muito orgulhosos, é surpreendente que um nobre como ele escolha para sua prometida uma Hanyou! -Disse Ritorirï à Igraine, que ficou surpresa em saber disso.
_Baaahhh Eu estou me lixando, para a opinião deles! Mas cá entre nós, aquele tal de Hideaki, é tão charmoso! Ele, o Shuhei aquele que tem "ar" de nobre clássico, e os olhos verdes brilhantes do Nagato? Pelos Deuses, são colírios para os olhos! -Continuou Souten, se derretendo entre as opções. E as humanas concordaram.
_ Souten você conhece aquela youkai de cabelos cor de ameixa? Aquela que estava à minha frente...-Kikyou perguntou timidamente.
_ Lamento Kikyou, mas não.Tudo o que eu sei, é que ela não tirava os olhos de cima de você... E parecia estar com muita raiva! — respondeu Souten. Kikyou assentiu com a cabeça, e ficou em silêncio absorvendo a informação. Ela não era a única que tinha notado.
As jovens fêmeas continuaram falando dos belos machos youkais.
_Com certeza o Hokuto é o mais charmoso! — opinou Kagome.
_ Mas Kagome e o Köuga? Não vai dizer que não sentiu nem uma pontinha de vontade de agarrar ele? — provocou-a Kikyou.
_Ele mudou bastante, está mais maduro... Assim como Inuyasha. — respondeu ela sem se importar com a provocação.
_Eu acho que o mais bonito é o irmão do Tatsuo. Mas confesso que aquele youkai de cabelos brancos que se parece Sesshoumaru, também é bastante sedutor! — Kikyou opinou arrancando risadas nervosas das fêmeas.
_Eu gostei muito daquele que tem olhos vermelhos e cabelos roxinhos! E também do que se parece com o senhor Sesshoumaru, ele parece ser tão cavalheiro! — Foi a vez de Rin.
_E você Ritorirï, o que você acha? -perguntou Igraine, pois a notou muito calada.
_Eu... Acho que vocês têm razão, são todos muito bonitos. O senhor Hikaru, também é belíssimo e tão gentil... Mas...
_Mas?? — quis saber Kikyou.
_O senhor, Isamu... é o mais bonito... — A youkai ficou ainda mais tímida.
_OHHH você gosta dele, Ritorirï? -Rin perguntou alegremente.
_Eu não sei! Eu não sei bem o que significa gostar...
_Explique-se, Ritorirï, e não se preocupe, você está entre amigas! Ninguém aqui vai te criticar. -Adiantou-se Igraine, e a serva youkai assentiu com a cabeça.
_Quando cheguei aqui, estava com o senhor Hikaru. Nós sentimos o cheio de Hayato e o seguimos até uma clareira onde segundo o senhor Hikaru, havia uma porta secreta que dava para o quarto da feiticeira Yukina. Quando atingimos a tal porta o senhor Isamu, estava congelado em gelo espesso. Um feitiço poderoso, muito difícil de se destruir. Ele estava quase morto, mas felizmente o senhor Hikaru conseguiu quebrar o feitiço com sua espada. Depois me pediu para curá-lo. E assim eu fiz. Eu o pus em meus braços e usei meus poderes de cura, e não pude deixar e notar o rosto lindo dele. Havia cheiro de lágrimas e uma expressão de tristeza e dor, e naqueles poucos minutos, eu pedi aos deuses que não o deixassem morrer. Não antes, dele ter a chance de mudar aquela expressão e voltar a sorrir... Eu senti uma vontade tão grande de vê-lo sorrir... Que acho que seria capaz de dar minha vida, para que ele tivesse essa chance... E os deuses me ouviram! Por que ele acordou logo depois e foi ajudar o senhor Hikaru a salvar o lorde Sesshoumaru. — Concluiu a serva youkai disfarçando os olhos marejados. Kagome Rin e Igraine, também tinham seus olhos marejados e apenas Kikyou e Souten não compartilhavam da mesma sensação, mas concordavam que era algo muito intenso.
_Ritorirï, você acabou de descrever o verdadeiro amor! Você não percebe? Querer que alguém seja feliz mesmo custando sua vida, é amar!- Kagome explicou.
_Sim mas não é recíproco! O tal Isamu, sequer agradeceu! -Disse Souten, cruzando os braços. Ritorirï abaixou o olhar.
_Souten! Olha o que você fez ela ficou triste! O senhor Isamu, não é mal Ritorirï, só que é um youkai que não conviveu com humanos! E ele está triste por que, Yukina era a prometida dele... Mas parece que ela não estava feliz em sê-lo...-Disse Rin acariciando os cabelos da serva.
_Como sabe disso, Rin?- Questionou-a Igraine.
_Eu falei com ele, na biblioteca, naquele dia em que o senhor Sesshoumaru, quase me beijou, lembra que eu te contei?
_Ah é lembro sim! Mas é estranho, o tempo todo o senhor Isamu, não deu uma palavra e parecia estar perdido, lá no quarto do Sesshoumaru, lembro-me de que quando Ritorirï saiu com a notícia de que Rin e Sesshoumaru estavam bem, o senhor Isamu, simplesmente pôs a mão sobre o peito como se sentisse seu próprio coração bater pela primeira vez! — Igraine recordou-se.
_ É verdade Igraine! Um detalhe que passou despercebido. E vocês viram como Isamu estava hoje? Ele parecia estar muito bem! Quase, que como se estivesse aliviado!- Disse Kagome.
_Raijin me disse hoje pela manhã que, ontem à noite, Isamu desistiu de firmar seu compromisso com Yukina... Ele fará tudo para salvá-la, logicamente, mas depois disso, ambos estarão livres. — Disse Kikyou sorrindo e olhando de soslaio pra Ritorirï, que voltou a encará-las com seus olhos brilhando.
_É... verdade? Mesmo? — Perguntou ela, e as moças riram satisfeitas.
_É verdade sim! Mas quero avisá-la que você está apaixonada! — Comentou Kikyou. Ritorirï ficou ainda mais corada, mas sorriu também enquanto tentava sem sucesso buscar a ponta de seu cabelo, outrora longo.
_Eu sei que seria muito bom ter esperanças, mas Souten tem razão. Ele nunca vai retribuir, os meus sentimentos... Ah, de novo! Eu sempre me esqueço que meu cabelo está curtinho!Eu tinha os cabelos na altura dos meus joelhos... Mas quando fugi o senhor Ryotaro, teve de cortá-los para queimar junto com o cadáver da outra youkai, para que ela tivesse o meu cheiro. E agora que eu mais precisava deles... — Ritorirï segurava as pontas irregulares de seu cabelo, enquanto sorria melancólica. -Rin no entanto olhou para Igraine que entendeu o recado e saiu em disparada usando sua invisibilidade e velocidade.
_Nada disso, você está errada! Você é muito bonita também, Ritorirï e não vai precisar de seus cabelos compridos para ser ainda mais bonita! -Assim que Rin, terminou de falar, Igraine retornou com uma maleta mediana, de tecido vermelho com bolinhas pretas, nas mãos.
_afff, aqui está, Rin, uff, fui o mais rápido que pude!- A hanyou entregou o objeto à humana e se deixou cair no chão, arfante. Souten olhou curiosa para a humana e engantinhou até ela, para ver o que havia dentro daquela mala estranha.
_Rin, você é mesmo um gênio! -Riu Kikyou, ao perceber do que se tratava, e se levantando do colo de Kagome, pois sabia que todas teriam de ajudar.
_Obrigada Kikyou! Ritorirï, nessa mala eu guardo as coisas que eu uso, para ficar mais bonita! Lá na era de Kagome, Igraine e eu aprendemos a usar as ervas para confeccionar remédios, poções e até mesmo cosméticos! Venha ver! Aqui temos maquiagem, cremes hidratantes, perfumes! Ah, aqui está o que estou procurando! Escovas de cabelo, pentes, minha tesoura, e meus aparelhos para alisar e fazer cachos nos cabelos! -As duas youkais olhvam curiosas para os aparelhos. Embora conhecessem maquiagens, perfumes e cremes, os aparelhos eram estranhos para elas.
_ Venha aqui, Ritorirï! Vamos começar a esculpir sua beleza! — Disse Igraine segurando uma capa de tecido fino e liso, e assim que a Youkai timidamente sentou-se no chão, a hanyou a vestiu com a capa pegou uma tesoura fina e um pente, e preparou-se para dar um novo corte para os cabelos dela.
_É muita generosidade de vocês... — Disse a Youkai sorrindo delicada, enquanto ouvia o tilintar da tesoura em seus cabelos.
_Eu não conheco muito bem todas vocês, mas conheço bem a Kagome, e ela é sim muito generosa... Sempre foi! — Disse Souten enquanto experimentava um batom, com a ajuda de Rin. Kagome sorriu para ela, mas reparou que Igraine precisava de algo para humedecer os cabelos de Ritorirï de modo à alinhá-los melhor.
_Espera Igraine deixa que eu vou buscar um pouco de água, assim fica mais fácil! — Disse ela, Mas Kikyou, interveio.
_Não Kagome, deixe que eu vou, estou querendo beber um gole dágua também... E bisbilhotar se ainda sobrou um pouco daquele bolo de cerejas! -Disse enquanto se levantava e ia apressada em direção á cozinha, mas apenas deu dois passos e ouviu "traz pra mim, também" Dito por toda as demais fêmeas, que se puseram a rir enquanto Kikyou estreitava os olhos e suspirava, para finalmente balbuciar um "ok". Caminhou pelo jardim, até chegar a porta do shiho por onde entrou sorrateira. Continuou silenciosamente até a cozinha, onde encontrou-se com Kaede, logo na porta. A velha humana abraçou-a como se não a visse há muito tempo e em seguida puxou-a para uma saleta mais reservada da imensa cozinha, algo como uma adega.
_Kikyou, o que aconteceu com você? Aquele monstro, se valeu da astúcia para te obrigar a ceder a ele, não foi, minha irmã?- A velha tinha ódio no olhar misturado a uma imensa revolta na voz.
_Kaede.. Não, não foi nada disso! Ele não me obrigou a nada! Eu, é que quis que fosse assim! Minha irmã, por favor, não se torture por isso, eu estou apaixonada... verdadeiramente! — Disse Kikyou docemente, tentando acalmar a irmã. Mas Kaede, apenas afastou-se dela, e olhou-a com desprezo, para em seguida dar lhe um tapa na face.
_Esqueceu-se de tudo o que passamos nas mãos dos malditos youkais? Esqueceu-se de tudo o que você sofreu por causa deles? Como você pôde descer tão baixo, se tornando fêmea de um desses monstros? — Kikyou estava em choque pela audácia da velha, mas mais ainda por ver Kaede tão amargurada.
_Kaede, como ousa me agredir, posso ser mais jovem mas ainda sou sua irmã mais velha! Que desrespeito é este? E que tanto ódio, é esse que vejo em você? Você nunca foi assim! O que está acontecendo com você, Kaede? — Kikyou a pegou pelos punhos, encarando-a.
_Olhe pra mim e você verá! Eu passei a minha vida aqui, neste lugar, lutando contra youkais, para proteger as pessoas! Eu abri mão de tudo na minha vida para lutar contra os youkais e vingar a sua morte! Sou sua irmã mais jovem e olhe, o que restou de mim? Nada... Sou só uma velha imprestável que nunca fez nada por si mesma! E depois de tudo, você, que foi a razão da minha luta, se torna a mulher de um deles? Como quer que eu me sinta, Kikyou? — A velha disse, enquanto algumas lágrimas desciam de sua face.
Kikyou soltou os pulsos dela, caindo em si. Ela sabia que sua irmã, havia limitado sua vida por se tornar sacerdotiza no lugar dela, para defender as pessoas do vilarejo, mas nunca lhe ocorrera que tivesse feito isto por ela. Imaginou o quanto a velha senhora deveria ter sofrido, abrindo mão de coisas tão importantes quanto o amor e uma família.
_Kaede... Eu não sabia... Eu sinto muito, irmã. — Kikyou estava tão surpresa que mal conseguia responder. A velha a encarou e percebeu o quanto ela estava surpresa.
_Eu sei que sente... E de certa forma, você não tem culpa de nada. Eu sinto muito pelo tapa, eu exagerei. Agora eu preciso voltar a coordenar essas servas. Nos falamos mais tarde. — Kaede abriu a porta e saiu na frente de Kikyou que ainda estava perturbada com o que ouvira. Em seguida uma empregada caminhou até ela, lhe serviu um copo de água fresca e lhe estendeu uma cesta. Diante da expressão interrogativa da humana, a serva explicou que se tratava do bolo de cerejas, e de mais algumas guloseimas, que a própria Kaede havia mandado guardar para ela, assim que a reunião terminara há poucos minutos.
KIkyou hesitou um pouco mas por fim pegou a cesta e saiu em direção ao jardins. Quando estava chegando na porta de saída, no entanto, as lágrimas desceram, involuntárias. Como não queria que as amigas a vissem naquele estado, decidiu lavar primeiramente seu rosto. Andou alguns passos, na direção do escritório de Inuyasha, pois sabia que havia um banheiro lá. Assim que entrou no corredor, percebeu que haviam muitos youkais naquela parte do shiro. Para não chamar a atenção escondeu seu cheiro e presença e levitou levemente para que seus passos não fossem ouvidos. Passou pelo escritório e descobriu que lá estavam Raijin e seus capitães, Köuga, Shuhei, e Kasuyia e Isamu e seus capitães, Hideaki e Nagato. Demourou-se um pouco na porta para tentar ouvir o que diziam, mas só compreendia risadas, e sons desconexos, o que já era muito, tendo em vista que as paredes e portas do shiro, isolavam perfeitamente todo e qualquer ruído. De repente ouviu passos atrás de si, e rapidamento correu para as grandes portas, à frente do escritório. Felizmente não estava trancada, e Kikyou constatou que se tratava de um outro quarto. Dentro dele a camareira deu um grande salto, pelo susto, pois não sentira a presença nem o cheiro de kikyou, mas antes que pudese gritar a humana a prendeu em uma barreira de energia, para que nenhum som saísse dela.
_Ooi, lembra de mim? Me desculpe! Eu não queria te assustar! Eu vou te soltar, mas você não pode gritar, está certo? — Disse a Miko, com delicadeza. A Serva assentiu com a cabeça e se acalmou ao reconhecer Kikyou. Tratava-se da mesma que a havia ajudado na ocasião em que fora encontrada dormindo com Raijin.
_Tudo bem, senhora? Precisa de algo? — A jovem serva falava igualmente baixo, quase como um sussuro.
_Nesse momento, só preciso, saber quem está entrando ali... — Murmurou a miko, certa de que a serva por ser youkai, lhe ouvia perfeitamente. Em seguida, dobrou seu corpo, para olhar pela fechadura, e vislumbrar rapidamente as figuras de duas youkais entrando no escritório. A primeira possuía um corpo esguio, e mais baixo que a outra. Os cabelos estavam presos, debaixo de um capuz negro, que escondia parte de seu rosto. Pelo pouco que via, kikyou vislumbrou os olhos roxos e apagados, pairando em um rosto simples, e sem expressão. A outra era a personificação de uma deusa do sexo. Um corpo voluptuoso, e um belo rosto, composto por um par de olhos verde jade, e cabelos escuros, extremamente lisos, e uma pele clara, tão macia e delicada que se assemelhava a textura de um pêssego. Ela usava uma maquiagem arrojada, e Kikyou a reconheceu de imediato. Tratava-se da Youkai que a encarou durante todo o desjejum. Voltou-se para a serva, que a olhava curiosa, e interrogou-a.
_Você percebeu o cheiro, das fêmeas que entraram no escritório?
_Sim, senhora. São as senhoras Akane e Aika, as capitãs do senhor Tatsuo. — Respondeu a serva sem titubear.
_Você as conhece? — Kikyou aproximou-se para tentar arrancar dela tudo o que fosse possível.
_Sim, este aqui é o quarto delas... Elas são gêmeas, mas como a senhora viu, não são idênticas. — Respondeu a serva calmamente. Kikyou gelou. Era mesmo por sorte, elas não a pegaram ali, em seu próprio quarto.
_Eu não sei o porquê, mas, uma delas, aquela que usa um quimono justíssimo, e escuro, ela não parou de me encarar durante o desjejum... Me olhava com um olhar tão obstinado, tão, maligno... — Kikyou estava impressionada e não conseguia disfarçar.
_Acho que a senhora deve estar falando de lady Akane. Ela é uma youkai exuberante, e luxuriosa. É muito bonita, sim, mas é altiva e orgulhosa e muito perigosa. Dizem que ela tem o macho que quer em suas mãos... — A serva falava olhando nos olhos da humana para transmitir a ela toda a veracidade dos fatos.
_Como assim? — Questionou Kikyou.
_Ela gosta de colecionar conquistas. Machos comprometidos e poderosos, são seus favoritos. Dizem que apenas um de seus escolhidos, foi capaz de resistir a todo o encanto dela. E acredito que seja por isso, que ela esteja incomodando a senhora... — A serva titubeou, mas sabia que deveria revelar toda a verdade, à humana, pois com certeza sua vida dependia disso.
_É mesmo, e quem será esse herói? — Kikyou falou com sarcasmo.
_Foi o senhor Raijin. Dizem que eles tiveram um romance, há alguns anos, e que a senhora Akane pretendia se torna a fêmea dele. Mas de súbito o senhor Raijin, mudou de ideia, e rompeu seu relacionamento com ela, sem dar muitas explicações. Dizem que ele foi a primeira e única, desventura amorosa da senhora Akane, mas, que ambos nunca mais se recuperaram plenamente disso. Mas agora que a senhora se tornou a fêmea marcada dele, é sinal de que o senhor Raijin, já a esqueceu por completo! — Kikyou sentiu como se perdesse seu chão. Lembrou-se imediatamente ao semblante de Raijin quando estava com as prostitutas youkais, na desastrosa ocasião em que se conheceram. O olhar perdido, dele, só podia ser uma coisa, ele ainda não havia se esquecido da youkai.
_Senhora? A senhora está sentindo algo? — A serva aproximou-se e pegou o pulso gelado de Kikyou, ao notar a súbita mudança de cor na face da humana.
A mente de Kikyou fervilhava. Tudo parecia se encaixar perfeitamente. "Era por isso, que ele fazia questão de parecer bem, e para isso usava as prostitutas e a bebida! Era por isso que ele parecia perdido! Ele deveria amá-la de verdade, mas por ser orgulhoso, preferiu se afastar da youkai, a assumir que tinha sentimentos por ela!" — Kikyou ficou tão abalada, que permitiu que seu cheiro e presença ficassem expostos. Olhou para o rosto da serva youkai que parecia estar mesmo preocupada com sua saúde, e se esforçou para ficar de pé. Queria ir para longe, apenas para não ter que encarar nem a Raijin, nem a Kaede novamente.
_Não se preocupe, eeu estou bem... Obrigada e não se preocupe, mesmo, está bem? Vamos fingir que essa conversa não existiu... Pode fazer, isso por mim? -A humana falava pausadamente, tentando se recuperar. A serva Youkai sabia que ela estava abalada, e assentiu com a cabeça para que ela não ficasse ainda mais nervosa.
A humana despediu-se da serva e caminhou até a varanda, pois não desejava ser percebida por Raijin, ou qualquer outro youkai. Assim que apoiou seus braços na mureta, respirou fundo e ficou contemplando os pés, tentando se acalmar. Algumas lágrimas caíram de seus olhos e ela se recriminou por não ser mais forte. Enxugou-as, e respirou mais profundamente, até conseguir se controlar. Quando finalmente se estabilizou, subiu na mureta e quando se preparava para levitar e ir lentamente até o chão, foi atingida por alguma coisa que a pegou nos braços e a levou para um ponto distante do shiro.
Akane, Capitã do general Tatsuo.

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