Perdida Na Tempestade
32 Capítulo -32- Intolerância...
Notas iniciais
Kikyou despertou, com a água fria em seu rosto. Estava nos braços de um youkai, que pegou a água em um riacho perto de onde estavam. Ele molhava seu rosto de forma delicada, para despertá-la. Assim que abriu os olhos, se afastou dos braços do mesmo, para em seguida encará-lo.
_Quem é você, e porque me trouxe aqui? — A humana ainda estava zonza e não reconheceu os olhos claríssimos de Yuko. O youkai, apenas a encarou friamente.
_ Não me reconhece, humana do general Raijin? Você me ajudou ontem, e eu retribuí o favor. Mas me responda, porque queria acabar com sua vida? — Questionou-a, o youkai raposa dourada, sentando -se no chão na posição de flor de lótus.
_Eu? Mas do que você está falando? E meu nome, é Kikyou, e não "humana do general Raijin". — Kikyou estava irritada com a insinuação de. Yuko levantou uma sobrancelha.
_Ora, "Kikyou", não se faça de tola. Eu vi quando você chegou à varanda completamente transtornada. E vi também quando parou para tomar coragem e em seguida subir na mureta, se jogar. O que esperava fazer? Criar asas? — Yuko falava rispidamente, pois, detestava que insultassem sua inteligência.
_Tem razão eu ia me jogar sim. Mas por que sei fazer isso! — A Miko ficou de pé e levitou diante dos olhos surpresos do youkai, que mal podia acreditar no que via.
_ Eu não sabia que existiam humanas com poderes como os seus. Conheci muitas sacerdotisas mas nenhuma delas, fazia algo semelhante. Como foi que conseguiu? — O youkai era curioso por natureza.
_É uma história longa... -Kikyou desconversou. Mas Yuko estava disposto a saciar sua curiosidade.
_Eu adoro histórias... – O youkai pôs as duas mãos na nuca e recostou-se na árvore atrás de si, encarando Kikyou com um sorriso, malicioso. A miko, ficou receosa, mas resolveu contar-lhe. Apesar dele ser um estranho, havia tentado ajudá-la e retribuir um favor. Isso vindo de um youkai, merecia uma certa consideração.
_Eu era a sacerdotisa da Joia de quatro almas, mas desde que ela foi enfraquecida e desapareceu, eu, a minha irmã de alma, e a protegida do senhor Sesshoumaru, fomos até outra era, aprender com novos mestres os segredos do poder espiritual. Um desses mestres, ensinou-nos que o verdadeiro poder, vem quando se torna aquilo do que você tem mais medo. Cada uma de nós tinha um medo especifico, e teve que aprender a se tornar seu medo. Kagome minha irmã de alma, temia ser apenas uma sombra de mim... Por isso ela passou a dominar todas as sombras. Rin tinha medo de uma youkai dos ventos, de nome Kagura, que mesmo depois de morta continuava invadindo seus sonhos, transformando-os em pesadelos terríveis. Então, Rin, a protegida do lorde Sesshoumaru, dominou os ventos, e os usa como arma. Eu tinha medo de fogo... Eu morri uma vez, e mesmo renascido, pelo poder da joia, as lembranças do fogo consumindo meu corpo, me perturbavam, constantemente...
_Então você dominou o fogo e aumentou seu poder espiritual. Interessante... Eu sinto muito por esse terrível engano, mas pelo modo como se comportou eu realmente achei que estivesse prestes a cometer uma loucura. E a propósito, não me apresentei adequadamente, meu nome é Yuko, general do lorde Ryotaro, senhor das terras do leste. — O youkai kitsune, ficou de pé, fez uma reverência, e sorriu pela primeira vez, de modo sedutor.
Kikyou sorriu e reverenciou-o de volta.
_ O prazer é meu em conhecê-lo, general Yuko. Lamento tê-lo feito pensar tais coisas ao meu respeito, mas se me conhecesse melhor, saberia que não sou do tipo que desiste da vida assim. Eu lutei muito por ela, para perdê-la de maneira tão torpe. -A humana permanecia de pé encarando-o com altivez. Yuko, encarava-a de volta, impressionado com a espantosa fêmea humana a sua frente. Subitamente aproximou-se dela, e a olhou profundamente.
_ Eu gostaria muito disso... De conhecê-la melhor. Porque para mim, é uma grande incógnita, como tantas contradições possam viver em harmonia em um só ser! — Disse ele ainda sem tirar os olhos dela.
_Contradições? Como assim? — Kikyou estava incomodada com o olhar intenso do youkai sobre si. Sentia-se nua diante dos olhos dele.
_Você é humana, mas tem poderes maiores do que os de muitos youkais. É sacerdotisa, e fêmea marcada por um macho youkai. Dorme com ele, mas ainda é virgem. Parece ser frágil, quando é forte, e parece ser forte, quando está mais frágil... E além disso, é tão linda que faria Youkais como eu, perderem a vida apenas para ter você, uma única vez... — Yuko, disse sério, e por alguns segundos Kikyou teve a impressão de que ele tentava se conter. O youkai, em seguida estendeu a mão à ela, para continuar.
_Vamos, Kikyou temos que voltar, o general pode procurar por você e não ficaria bem... para nenhum de nós, sermos vistos aqui, juntos...- Yuko ponderou, pois sabia bem o que um macho enciumado poderia fazer a sua fêmea marcada, se a pegasse em uma situação como aquela, mesmo sendo inocente. Kikyou assentiu com a cabeça e pegou a mão estendida dele. Yuko a envolveu novamente em sua forma de energia, e partiram de volta ao Dai San no shiro.
Kagome estava aflita. Havia se passado quase meia hora desde que Kikyou saíra para buscar a água para Igraine, e até agora nem sinal da miko. Ela mesma decidira ir atrás de Kikyou, mas não a havia encontrado em seu quarto e tampouco na cozinha. Segundo uma das cozinheiras a senhora Kaede teria voltado a sua casa por não estar se sentindo bem, mas havia saído apenas na companhia de Kohako, e que Kikyou teria ido a cozinha, pego a água e uma cesta com doces, e em seguida saído, sem que ela conseguisse precisar a direção. Neste momento, Kagome lembrou-se de algo importante. "Talvez ela tenha ido ver como está Satori Hime". Diante dessa possibilidade, Kagome foi em direção ao quarto de Yukina. Quando chegou a início do corredor, sentiu a presença de Youkais, e escondeu seu cheiro e presença, andando nas pontas dos pés, para não chamar a atenção.
Assim que se aproximou da porta do aposento, sentiu uma força youkai crescente. Caminhou até chegar as grandes portas da biblioteca, aproximou-se, para ouvir, o que se passava. Como as portas eram muito grossas, mas estavam abertas, empurrou delicadamente uma delas, e esgueirou-se, para dentro, pois percebera que havia uma discussão. Dois youkais discutiam atrás das grandes prateleiras de livros, próximos ao ambiente da lareira. Uma vez lá dentro a miko, tratou de se esconder, debaixo de uma escrivaninha, parecida com a de Inuyasha, pois temia que a confusão tivesse a ver com o sumiço repentino de Kikyou. A hipótese no entanto foi descartada depois que Kagome, reconheceu um deles, como Tatsuo, e outro parecia ser Yashiho seu irmão mais jovem. Vendo que se tratava de um assunto de família, Kagome se preparava para sair, mas uma frase fez com que ela ficasse.
_E sempre admirei a sua inteligência e perspicácia, mas agora temo por sua tolice! Dar a joia que pertenceu a nossos ancestrais, a uma hanyou! Ainda bem que nosso pai não está vivo para ver isso! — Yashiho estava exasperado, enquanto Tatsuo falava calmamente.
_ Yashiho, com quem pensa que está falando? Não ouse citar nosso pai para mim! Eu já a escolhi, e está feito! E isso não está em discussão! — Tatsuo, mantinha-se sentado, tentando manter a calma apesar da insolência de Yashiho.
_Como não está em discussão, Tatsuo? Olhe ao seu redor, olhe o que está havendo nesse shiro! Sangue youkai, misturado com o sangue imundo de humanos! Eu poderia esperar isso, de Inuyasha, e até do Lorde Sesshoumaru, já que o pai deles, era dado a esse tipo de aberração. Mas você se envolvendo com uma Hanyou? Nós pertencemos a um clã honrado de sangue puro youkai! Pode se divertir com ela irmão, ela é realmente atraente, mas fazê-la sua fêmea? Que tipo de crias vocês dois terão juntos?
_ Fale baixo! Quer que todos os envolvidos, se ofendam com seu atrevimento? Yashiho eu já te disse que isso não está em discussão! Igraine é filha do grande general Teigure e irmã legítima do general Hikaru, ela não é uma hanyou comum! E além disso... Eu...
_Filha do general que tirou a própria vida, por causa de uma humana? E irmã de Hikaru, aquele sentimentalóide decrépito? É impossível piorar a situação! Irmão, abra seus olhos, e veja com que tipo de youkais está se metendo!
_CALE-SE, YASHIHO! Teigure, foi um dos mais poderosos guerreiros youkais que já existiu. Ele era um nobre da terra de nossos antepassados, que veio para as terras do leste muito antes de nós. O clã dos dragões celestes e o dos Tigres dourados, tem alianças seculares que perduram até hoje! Você não entende o quanto está sendo cego, deixando seu preconceito idiota, lhe impedir de ver algo muito mais importante que as raças! Ela é uma hanyou sim, mas pertence a um clã de nossos aliados seculares. E o mais importante, é que EU A QUERO. E ELA SERÁ A MINHA FÊMEA, VOCÊ QUERENDO OU NÃO, PORQUE SOU EU QUEM DECIDE!
_Não, irmão, é você quem está cego! Mas eu vou abrir seus olhos, pode ter certeza disto! — Yashiho caminhou em direção à porta mas foi seguido por Tatsuo, que o pegou pelo braço.
_Você ousa me ameaçar? Saiba que se tocar um dedo em minha prometida, eu mesmo acabo com você Yashiho! –Tatsuo, empurrou o youkai que caiu de costas, na escrivaninha onde Kagome se encontrava, destruindo-a.
Por sorte, a humana havia encontrado um esconderijo melhor, no grande lustre de ferro do teto. Yashiho levantou-se como se nada tivesse lhe acontecido e saiu sem dizer nada.
Sozinho na biblioteca, Tatsuo, caminhou até uma bandeja com bebidas variadas, mas quando foi pegar a bebida espatifou longe a garrafa, pondo a mão na cabeça, visivelmente perturbado. Kagome fez menção em descer para falar com ele, mas uma youkai com um capuz escuro, entrou nesse momento.
_Senhor Tatsuo, O senhor está bem? Yashiho estava muito nervoso e imagino que tenha sido por causa da Hanyou... Você sabe como ele é... Mas não se preocupe, ele vai acabar entendendo. — A youkai falava calmamente tentado atenuar a situação.
_Eu não sei se ele compreenderá, assim tão facilmente, Aika. Tenho medo que ele faça alguma bobagem... — O youkai caminhou até as grandes janelas, respirando a brisa fresca da manhã.
_Eu vou ficar de olho nele senhor Tatsuo, mas é só para garantir. Eu não acho que ele faria mal a sua prometida... Mas o senhor não acha que deveria contar a ela, o que está acontecendo? Talvez uma boa conversa possa ajudar! — A youkai falava com sabedoria.
_Mas ela pode interpretar mal. Não quero que nem ela, nem Hikaru se ressintam com meu irmão. Hikaru é um grande amigo. E ela, é a fêmea mais apaixonante que eu já conheci. Ela é doce, sensível, e tão bonita... — Tatsuo falava mansamente como se apenas a lembrança de Igraine acalmasse seu coração. A youkai ficou algum tempo em silêncio como se meditasse em cada palavra que ele proferia.
_Senhor Tatsuo, então aconteceu o que o senhor esperava... O senhor encontrou aquele sentimento, não é? Fico feliz, pelo senhor, por conseguir sentir, isso. Eu sei o quanto o senhor o buscou...
_Parece que sim Aika... Eu não sei se é exatamente o mesmo sentimento, mas é um bom começo. Todos os sentimentos começam pequenos, mas crescem se você alimentá-los. Mas, em alguns casos eles já nascem muito grandes e aí fica difícil conseguir assimilá-los bem... — Aika ficou alguns minutos em silêncio como se estivesse escolhendo bem as palavras.
_ O senhor poderia... Poderia me dizer como é? Eu nunca senti nada por nenhum ser... Apenas o senhor e Yashiho, me fizeram sentir algo que não fosse o ódio. Mas eu não quero ter o senhor, ou seu irmão, como meu macho... Então acho que é um sentimento muito diferente... — A youkai estava de costas para Tatsuo, e ele sorriu, pois sabia muito bem o quanto Aika devia estar constrangida. Caminhou até ela e segurou-a pelos ombros.
_Você nunca sentiu isso, apenas por que não encontrou um macho que seja merecedor de tantas dádivas. Você é inteligente, espirituosa, leal. Mas enquanto se esconder, será difícil conhecê-lo. Você merece encontrar e sentir esse sentimento, mais do qualquer youkai que eu conheço, então porque não se mostrar para o mundo? -Disse ele sorrindo. Aika fez um gesto negativo com a cabeça.
_Eu, não devo... Sabe que não sou bela como minha irmã, e como meus pais dizem não devo incomodar os outros com minha feiura... – A youkai, abaixou a cabeça.
_Isso é um absurdo e você sabe o eu penso à respeito! Você não é nada feia, apenas tem uma beleza diferente da de sua irmã. –Tatsuo ainda mantinha suas mãos nos ombros dela. Mas a Aika permanecia indiferente.
_Eu sei que o senhor pensa assim, e eu prometo que no seu casamento, vou usar um chapéu menor... – Disse ela, esboçando um sorriso. Tatsuo sorriu e deu dois passos para trás, para lhe apontar os dedo indicador.
_Quero que não use o chapéu, e isso é uma ordem! – Disse ele estreitando os olhos, com um sorriso maroto nos lábios.
Um barulho na porta e uma bela youkai de cabelos lisos e longos, entrou.
_Ah você está aqui. Veio chorar suas mazelas com o senhor Tatsuo, Aika? -Akane começou com seu deboche.
_O que você quer Akane, Aika está me ajudando em uma pequena tarefa. — Disse Tatsuo, que simplesmente detestava o jeito como Akane, falava com a irmã.
_Desculpe, senhor. O general Raijin nos solicitou ajuda para encontrar a "fêmea" dele. -Disse a youkai tentando disfarçar a alegria que sentia.
_Como assim, o que houve com Kikyou? –Tatsuo parou o que fazia para dar atenção ao assunto, pois tratava-se de algo realmente preocupante.
_Parece que ela, as outras fêmeas humanas, e a hanyou, sua prometida, estavam no jardim na parte traseira do Shiro. Daí, ela entrou, para beber um pouco d'agua, e depois disso, ninguém mais a viu. A fêmea do General Inuyasha também foi procurá-la e até agora nenhuma das duas apareceu. — A youkai falava alternando deboche e desprezo, em sua voz.
_ Kagome e Kikyou... Isso não é bom...Vamos imediatamente, Raijin deve estar preocupado. Tomara que seja apenas um pequeno desencontro. — Disse Tatsuo, caminhando a passos largos e saindo na frente das youkais. Aika se preparava para fazer o mesmo, mas foi impedida por Akane.
_Akane, o que há com você? Não ouviu o senhor Tatsuo? Temos ordens para cumprir! — Disse Aika tentando soltar seu braço que a youkai insistia em segurar.
_Ora e para que a pressa? Com um pouco de sorte, e ela foi devorada por algum youkai selvagem! RSRSRS...
_E que vantagem você teria com isso? Mesmo quando ela não estava aqui, Raijin já não queria você, Akane. — Aika falou seriamente, pois não compreendia o ódio que a irmã nutria por Kikyou, apenas, por ser ela a fêmea que Raijin escolhera para si.
_Cale a sua boca, coisinha feia! Você não se cansa de sentir inveja de mim? É por isso que nossos pais sempre preferiram a mim, a você! Além de feia e invejosa é também burra, não é minha irmãzinha? — Akane falava com tanto desprezo, que Kagome teve vontade de saltar no pescoço dela.
_Me deixe em paz, Akane. Agora solte meu braço, ou vou mostrá-la que apesar de feia posso ser bastante forte. Solte-me! — A youkai falava ressentida enquanto Akane ria alegremente.
_Pode ir, do jeito que você é burra só vai atrapalhar mesmo! Mas eu vou junto, pois quem sabe eu não consiga uma boa chance de ficar a sós com Raijin? — Riu -se a youkai soltando o braço de Aika, e assim que ela virou de costas, acertou-a com seu chicote, jogando-a no chão.
_Isso é para que você não se esqueça de quem sou eu, até mais e nunca mais fique na minha frente! — A youkai falou enquanto caminhava até a porta saindo, sem sequer olhar para trás.
Aika levantou-se e arrancou o que restou da manga de sua capa, observando a enorme queimadura em seu braço. Em poucos segundos a ferida começou a cicatrizar, enquanto Aika permanecia ajoelhada no chão, gemendo de dor. De onde estava Kagome estava chocada pela atitude de Akane para com a própria irmã. Mas tudo acontecera muito rapidamente. E nem mesmo ela teve qualquer reação.
_Aika, é esse seu nome, não é? Desculpe, eu não queria ouvir mas, acabei ouvindo tudo... Você está bem? Mas essa sua irmã é mesmo uma vaca! Como ela pôde fazer isso com você? –A Miko desceu rapidamente chegando ao chão em um salto, e caminhou até onde Aika estava, de modo que a Youkai levantou-se rapidamente.
_Você é a fêmea de Inuyasha? Por que estava aqui nos espionando? -Aika deu um passo para trás como se tivesse medo do que ela poderia fazer.
_Não, eu não estava espionando! Eu estava procurando pela Kikyou e ouvi uma discussão, então eu entrei e quando já estava aqui, percebi que se tratava do Senhor Tatsuo e o irmão dele, e eu fiquei sem graça de sair! E além disso eles estavam falando de Igraine... E eu queira saber se minha amiga corria perigo! Mas isso não importa, deixa eu dar uma olhada nesse ferimento. — Kagome tentava se explicar. Aika ainda não estava muito convencida, mas acalmou-se ao perceber que ela não pretendia atacá-la.
_Não se preocupe, com meu braço, já está começando a cicatrizar... – A youkai tentava desconversar mas Kagome aproximou-se enquanto ela ainda falava e pegou o braço ferido. A youkai ficou surpresa, mas continuou. _ Me chamo Aika, é um prazer conhecê-la, senhora...
_Ohh é verdade, nós sequer fomos apresentadas! Meu nome é Kagome e o prazer é todo meu! E por favor, não me chame de senhora, eu me sinto tão velha! Nossa, sua cicatrização, é mesmo muito boa, uma das melhores que eu já vi. — A miko a reverenciou e a youkai retribuiu.
_Como queira, Kagome. Sim, eu sempre me regenerei com facilidade, mesmo para os padrões youkais. Você sabe onde está a fêmea do general Raijin? — A youkai falava com sinceridade, já que não via perigo na humana.
_Não tenho ideia, ela não costuma sair sem me avisar, mas é estranho, eu não sinto que ela está em perigo... – Kagome usou um pouco de seus poderes no braço da youkai, e em segundos ele estava completamente regenerado, sem qualquer cicatriz. Aika ficou surpresa com o resultado.
_ Obrigada, Kagome, foi muito gentil da sua parte... E quanto à “Kikyou”, bem, talvez ela não esteja. Talvez só tenha ido dar uma volta, e não quis que ninguém soubesse... Não deve estar sendo fácil para ela, depois que Akane passou o desjejum inteiro encarando-a... — Aika sabia bem o quanto sua irmã conseguia ser desagradável.
_ Isso não foi nada... Mas agora que você tocou no assunto, pelo que entendi ela e Raijin tiveram alguma coisa, no passado, certo? E ela está com raiva da Kikyou por que eles estão juntos. Será que ela faria algo com a Kikyou? Quer dizer eu sei que é muito estranho para vocês, virem um youkai como Raijin ao lado de uma humana, mas eles se amam mesmo! Kikyou não é do tipo que morre de amores por Youkais...
_Minha irmã nunca aceitou o fato de Raijin ter desistido dos dois. O orgulho dela não aceita isso. Ela não fez nada com a Kikyou, eu estava com ela o tempo todo. E eu acredito em você. Conheço Raijin à um tempo considerável, e sei que ele não marcaria uma fêmea, se não tivesse certeza do que queria. Ele também não é do tipo que morre de amores, por humanas...
_ Ãhh me desculpe, por me meter mas, por que ela te trata dessa maneira? E porque você não se defendeu?
_Muito pelo contrário, você não está se metendo em nada... Akane sempre me odiou, por eu ter nascido junto com ela. Ela é alta, corpulenta e bela, e por isso é uma representante à altura de meu clã. Meus pais sempre tiveram muito orgulho dela, e eu... Sou apenas eu! Não sou como ela... Eu aprendi muito cedo que não adianta discutir... Ela é capaz de qualquer coisa para conseguir o que quer, mas é uma excelente guerreira, e leal, ao lorde Sesshoumaru, e é isso o que conta. E embora você não a conheça bem, você tem razão, ela é uma vaca! — Disse a youkai finalmente deixando um sorriso singelo transparecer. Kagome sorriu de volta.
_Bem acho melhor irmos procurar, pela Kikyou... Você vem comigo? — Perguntou Kagome, preparando suas sombras. Aika olhou de lado antes de responder.
_Acho que vou da maneira tradicional mesmo... Eu sou mais eficiente assim! Até mais Kagome, nos vemos mais tarde. E mais uma vez, obrigada... — Disse a youkai saindo em disparada, da biblioteca. Kagome sorriu, e fixou sua mente na sombra de Kikyou. Mas não conseguia se prender a ela. Era como se ela estivesse em alta velocidade e mesmo pelas sombras seria muito difícil acompanha-la. Parou de usar seus poderes, e respirou fundo. “Ah Kikyou, onde você está?” pensou, sentindo-se impotente.
_Pronto, chegamos. – Yuko soltou Kikyou, e ela continuou de frente para ele, assim que voltaram ao shiro, mais precisamente ao quarto onde Yuko, estava hospedado.
_Obrigada... – Disse a miko, sem conseguir encarar os olhos cristalinos de Yuko.
_Pelo quê, eu não fiz nada, você não precisava de minha ajuda... – O youkai a encarava ainda mais intrigado.
_Talvez você tenha sim, me ajudado... Naquele momento eu realmente precisava sair um pouco... E além disso, mesmo que não fosse necessário, mas, o que vale é a intensão, não é o que dizem? – Kikyou sorriu sem jeito. Yuko retribuiu o sorriso, e em seguida soltou a mão de Kikyou e deu dois passos para trás.
_Use seus poderes para purificar o meu cheiro, que está em você. E faça isso já, você tem vinte segundos, antes que seu macho nos encontre. Disse Yuko lavando as mãos com a ajuda de uma ânfora e uma bacia que estavam em cima do criado mudo. Em seguida caminhou até uma poltrona que estava ao lado da cama, e virada para a porta e sentou-se para esperar.
Kikyou criou a barreira o mais rápido que conseguiu, e assim que terminou ouviu batidas na porta.
_Entre... –Disse Yuko, sem olhar na direção da miko.
_Ah você está aí, que grande alívio... Pensei que tivesse a ver com o sumiço da fêmea do general Raijin! –Hokuto entrou no quarto e encarou Yuko, sentado em uma poltrona de frente para porta.
_ Bom dia para você também Hokuto. E porque eu faria isso? Do jeito que você fala, ela vai pensar que sou um sequestrador.
_Ela? Ela quem? — Questionou o youkai grifo, passando os olhos pelo quarto e não encontrando ninguém. Yuko levantou-se e olhou ao redor mas Kikyou não estava mais lá.
_Ahh não... Você está envolvido nisso! Yuko, o general Raijin tem fixação por essa fêmea! Se você fez algo com ela, ele vai... –Hokuto sentou-se na poltrona, enquanto falava mas foi interrompido bruscamente, por Yuko.
_Eu nunca faria nada que ela não quisesse, você sabe bem disso, Hokuto. E quanto ao tal Raijin, eu tenho minhas dúvidas no que diz respeito às suas reais intenções com essa Miko. Apesar dele tê-la marcado, ela ainda é virgem, e eu não vi nenhuma joia de compromisso com ela. –Yuko demonstrava sua irritação, e suas desconfianças.
_O que você quer dizer com isso? – Hokuto, estreitou os olhos para Yuko. Sabia que o Kitsune era muito mais esperto do que aparentava.
_Que esse youkai só a marcou por capricho... Ele não pretende ter nenhum compromisso verdadeiro com ela. –Yuko tinha um brilho diferente nos olhos e Hokuto, percebeu. Por mais que o youkai grifo, quisesse argumentar, havia algo estranho acontecendo.
Aika, capitã do General Tatsuo.

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