Perdida Na Tempestade
15 Capítulo 15- Fazendo Sentir...
Notas iniciais
A madrugada parecia durar uma eternidade para Tatsuo. Igraine ainda não havia despertado desde o ataque e tal fato não permitia que o youkai dragão dormisse adequadamente. Sozinho em seu aposento, Tatsuo tentava colocar seus pensamentos em ordem, mas as lembranças da jovem hanyo insistiam em lhe invadir.
Aproveitando-se que a madrugada avançara e que todos dormiam, o general resolvera ir discretamente checar o estado em que a hanyo se encontrava e talvez acalmar um pouco seu frio coração, torturado pela preocupação. Usando seus poderes youkais, encaminhou-se até a varanda do quarto de Igraine, e abriu a porta, mesmo estando devidamente trancada, com todo o cuidado para não ser ouvido.
O quarto estava mergulhado na penumbra da noite, sendo iluminado apenas pelas chamas da lareira acesa. O youkai dragão caminhou até a beira da cama mas para sua surpresa não encontrou a loura dormindo sobre ela. Apenas algumas manchas de sangue sobre o lençol.
Preocupado, o general olhou ao redor do aposento e procurou em vão por qualquer vestígio da jovem hanyo. Estava prestes a chamar os guardas do shiro quando percebeu que o cheiro de sangue estava vindo de dentro do banheiro.
Cuidadosamente abriu a porta que estava somente encostada e encontrou a hanyo sentada ao chão apoiada na beira da latrina, consciente, mas muito enfraquecida.
—Igraine! O que aconteceu? -Tatsuo abaixou-se para tentar erguê-la.
—N-Não... Por favor Tatsuo, não me toque... Eu... Eu estou imunda... E-eu preciso me banhar, mas não consigo ficar de pé... -Murmurou a hanyo envergonhada com a situação. Tatsuo era a última pessoa que ela esperava ver naquele momento.
—Mas Igraine, você está ferida... E eu sinto o cheiro do seu sangue. Deixe me te ajudar. Mas se minha presença lhe constranger, me deixe chamar alguma das mikos, elas certamente virão em seu auxílio. -O youkai respondeu ainda abaixado ao lado dela.
—NÃO... Não, por favor, está muito tarde.... E-e eu estou bem... Por favor, eu não quero preocupar mais ninguém... Esse sangue não é do meu ferimento... Vou me recuperar logo e então poderei me banhar... -A hanyo falou com seus olhos molhados e face vermelha de vergonha. Tinha vontade de sumir dali.
O general sorriu e balançou a cabeça negativamente. Caminhou para fora do aposento e retirou seus calçados e a parte de cima de seu rebuscado quimono. Em seguida retornou ao banheiro trazendo consigo o lençol sujo de sangue e um quimono de descanso e pôs-se a encher a banheira e colocar unguentos e perfumes na água. Quando concluiu a tarefa, caminhou até a hanyo e prendeu lhe os longos cabelos com uma toalha antes de erguê-la do chão, sem nenhuma cerimônia.
—Está muito tarde, e consequentemente, a água não está muito quente, então teremos que ser breves. -Disse ele colocando a hanyo na banheira.
—M-mas Tatsuo!- Protestou ela, inutilmente.
—Eu vou me virar enquanto você retira suas roupas, mas não posso te deixar sozinha, estando você tão enfraquecida. Lave-se o quanto desejar e quando terminar me diga, para que eu possa te levar para o quarto. -Explicou o general ficando de costas para a banheira.
A hanyo mal podia acreditar na situação. Pensou em protestar mas a água estava ficando fria rapidamente, então resolveu cooperar para tentar sair dali o mais brevemente possível. Retirou a calcinha suja de sangue e a camisa que vestia e molhou-se até o pescoço na agua perfumada da banheira e lavou-se sentindo o alívio da limpeza em seu corpo dolorido. Voltou-se de soslaio para olhar o general e se deu conta de que ele estava lavando as manchas do lençol na pia.
—Tat... Tatsuooo?! O que pensa QUE ESTÁ FAZENDO? -Ela questionou sentindo o rosto em brasas.
—Lavando as manchas do seu sangue. Se essa situação lhe constrange à ponto de você não querer que eu chame sequer uma das mikos para ajudá-la, imagino que vai querer fazer isso, por si mesma. Então, eu estou lavando, antes que você mesma o faça. -O general respondeu displicentemente com toda a naturalidade.
—M-mas Tatsuo, você não entendeu? Isso não é sangue do meu ferimento, isso é sangue menstrual! E você está tocando nisso! -Igraine quase sussurrou querendo morrer de tanta vergonha.
—Mas, eu sei disso. Eu soube desde que senti o cheiro pela primeira vez. O que tem de errado em tocar no seu sangue? Seja do seu cio ou não, ainda é o mesmo sangue. -O general respondeu ainda sem olhar para ela.
—Você... Sabia? E não está enojado? -Igraine questionou incrédula e chorosa.
—Eu deveria?
—N-não sei... Eu... Algumas pessoas... Lá onde eu fui criada... Dizem que isso é impuro... -A hanyo murmurou.
—Isso é algo natural, Igraine. Acontece com todas as fêmeas saudáveis. Não há porquê se sentir constrangida por isso. Quando tirei você da batalha, eu fiquei com minhas mãos sujas do seu sangue. E essa não é uma boa lembrança... Mas agora, estou feliz que você esteja sangrando, pois isso significa que seu corpo está se recuperando adequadamente. Então, eu lhe asseguro, que prefiro mil vezes tocar o seu sangue menstrual do que tocar seu sangue causado por um ferimento... -O dragão explicou seu alívio, deixando a hanyo sem fala. Algumas lágrimas desceram por seus olhos enquanto ela tentava disfarçar o nó em sua garganta.
—Bom, parece que eu já terminei aqui, vou estender o lençol da varanda para que seque. Não demore muito, ou a água fria vai lhe causar desconfortos. -O youkai dragão torceu bem o lençol em suas mãos antes de concluir.
—Estou terminando... -A hanyo respondeu finalmente.
— Me chame quando estiver pronta. -Tatsuo concluiu saindo sem se virar para ela.
Igraine pôs as mãos sobre a boca tentando não fazer nenhum som, enquanto chorava, emocionada com o gesto e as palavras daquele gentil youkai. Alguns minutos depois de uma luta intensa para se acalmar a hanyo lavou o rosto e lembrou-se que havia trazido alguns absorventes consigo quando se esgueirou até o banheiro, minutos antes de Tatsuo aparecer.
Após secar o corpo e vestir o quimono de dormir, caminhou cuidadosamente até a pia e retirou de uma da gavetas localizadas no móvel abaixo da cuba, um dos absorventes internos que ela trouxera da nova era. Colocou-o cuidadosamente e lavou novamente as mãos enquanto se olhava no espelho ainda incrédula com o que havia ocorrido consigo.
Finalmente pronta, ela saiu do banheiro ainda cambaleando, e encontrou a cama arrumada com um lençol limpo esperando por ela, mas não havia sinal de Tatsuo. Caminhou até a varanda e também não encontrou nem o general, muito menos o lençol. De volta ao quarto, sentou-se na cama sentindo um enorme vazio. Como se algo muito importante estivesse faltando. Retirou a toalha da cabeça e deixou seus longos cabelos louros bagunçados caírem por seus ombros e costas, enquanto sua mente tentava imaginar onde Tatsuo teria ido, e se ele demoraria a voltar.
Minutos depois o general retornara ao aposento trazendo consigo uma bandeja com chá quente, biscoitos e algumas frutas cortadas em uma tigela de mel e leite morno.
—Igraine? Ah, eu me demorei muito! Lamento por isso... Enquanto eu levava o lençol, pensei que você pudesse estar com fome. Não é um banquete, mas é o melhor que eu pude fazer sozinho naquela cozinha enorme. -O youkai sorria ligeiramente constrangido.
—Você fez isso para mim? Tatsuo... Quanta gentileza a sua. -Igraine sorriu de volta absolutamente encantada, mas não conseguiu segurar as lágrimas.
—Igraine, o que houve? Porque você está chorando? Eu fiz algo errado? -O general voltou a se preocupar. Colocou a bandeja no móvel próximo e sentou-se na cama, para encara-la.
—Não... Você não fez nada errado... É que... Você está sendo tão gentil comigo, desde sempre. E eu não sei se fiz algo para merecer isso. É tão estranho... E tão reconfortante. -A hanyo murmurou buscando as palavras.
—Mas Igraine... Isso é o que amigos fazem, não é? Você e eu somos amigos... Então eu só estou fazendo o mínimo. Você faria o mesmo por mim. -O youkai secou as lágrimas da loura, que balançou a cabeça positivamente.
—Obrigada... De verdade, obrigada por tudo. -Agradeceu ela, ainda emocionada.
— Por nada. Agora tome um pouco de chá. Vai aquecer o seu corpo e te ajudar a relaxar.
A hanyo assentiu com a cabeça e sorveu o chá deliciosamente quente e doce que ele lhe servira. Enquanto ela comia, eles conversavam sobre a batalha que haviam tido anteriormente e todas as curiosidades e amenidades que compartilhavam. O tempo passou em um sopro e quando perceberam o dia começava a amanhecer. A hanyo finalmente cedeu ao cansaço antes dos primeiros raios do sol enquanto segurava a mão de Tatsuo que não ousava se mexer para não despertá-la. Em um rompante impensado, o dragão deitou-se ao lado dela e com sua mão livre puxou delicadamente uma mecha de seus cabelos, enrolando seus dedos na mesma, como se quisesse se prender a ela. Permitiu-se ficar daquela maneira até cochilar, sendo acordado algum tempo depois quando ouvira que alguém se aproximara da porta da frente do aposento. Temendo um julgamento errôneo, da situação, o general saiu pela porta da varanda e voltou discretamente ao seu aposento ainda confortado pelo cheiro da hanyo que exalava de si mesmo.
Depois de alguns segundos parado na porta, Raijin entrou e agiu com naturalidade. Cumprimentou Kikyou friamente e depois a Hikaru, com normalidade.
—Desculpe, entrar sem bater, eu interrompo algo importante?-Disse ele com uma ironia quase imperceptível.
—Só se você considera uma troca de curativos e a ajuda para se vestir importantes. Aliás, que bom que está aqui, assim posso agradecê-lo pessoalmente pela ajuda. Raijin, obrigado. – Disse Hikaru se esforçando para fazer uma reverência. Raijin o reverenciou igualmente. Kikyou achou melhor deixá-los sozinhos.
— Bem se me dão licença eu tenho de ir ver Igraine. Se a conheço bem deve estar morrendo de fome! Vejo vocês na reunião mais tarde. -Disse ela se retirando ainda surpresa com o comportamento de Raijin.
Fechou a porta e virou-se para chegar até o quarto de Igraine, mas mal deu dois passos e ouviu a porta abrir novamente. Era Raijin que se aproximou dela, diretamente, pegou-a abruptamente pelo pulso e a levou para seu quarto em questão de segundos e sem dizer nada.
—O que é isso, o que pensa que está fazendo, Raijin?– Disse ela indignada quando entraram no aposento, enquanto Raijin voltava-se para a porta e trancava-a.
—Eu faço as perguntas aqui, humana. E acho muito prudente da sua parte me responder diretamente antes que eu me irrite ainda mais... Acha que eu sou algum brinquedo, é isso? – Perguntou ele entre os dentes.
—O quê? Do que você está falando? Foi você que mal me cumprimentou!- Disse ela confusa, pois não tinha a menor ideia de por que ele agia daquela forma.
—Não se faça de desentendida, miko. Quero saber, por que diabos você me beijou e passou a noite de ontem comigo, se está nítido que seu verdadeiro objetivo é estar com Hikaru! – Disse ele com raiva e desprezo nos olhos. Kikyou assustou-se com o que ouvia.
— Você ficou com ciúmes... -Murmurou ela, surpresa. Mas Raijin, estava fora de si.
—Não brinque comigo, Kikyou! – Disse ele em voz alta.
—Eu não estou brincando! Eu admiro Hikaru, sim, se é o que você quer saber, mas o admiro pela coragem que ele tem. Ele era amigo de Minara e também de hanyous e humanos. E não permitia que os preconceitos dos outros lhe atingissem! — A miko argumentou.
— Você mal o conhece! Só porque ele tolerava aquela menininha insuportável, acha que ele é um macho admirável e corajoso? Quanta ingenuidade! -O youkai lobo desdenhou.
— Eu não sou ingênua! É verdade que eu conheço Hikaru apenas pelos olhos de Claire, mas isso não quer dizer que ele não mereça a minha admiração por sua ações. Ser um youkai capaz de amar, é algo que não pode ser esquecido! -Kikyou rebateu com altivez.
—Você esteve comigo todo esse tempo, pensando nele, é isso que você está me dizendo?– Disse ele, descontrolando-se e apertando o braço dela.
—Você está enlouquecendo de ciúmes, Raijin! Eu nunca estaria com um macho pensando em outro! Não sou as youkais interesseiras com quem você costumava estar! EU QUIS ESTAR COM VOCÊ, e você sabe que tudo o que vivemos foi real. Mesmo sendo eu uma simples humana, eu posso te fazer sentir! – Gritou Kikyou, sentindo o braço doer, mas se mantendo firme. Não daria a ele esse sabor.
— Me fazer sentir? Sentir o amor? Desculpe-me, mas eu não sou Hikaru! Não sou capaz de amar uma garotinha humana! — Respondeu ele com ironia.
Kikyou sentiu o peito apertar. Nunca passou pela cabeça dela ouvir aquilo dele, e o pior sentir o que sentia. Puxou o braço para sair dele. Em seguida encarou-o. Raijin percebeu que havia mágoa em seus olhos, e chegou a sentir cheiro de lágrimas, mas pelo visto a humana havia engolido o choro.
—Eu sei... Agora mais do que nunca eu sei... Deixe-me sair, eu não vou mais incomodá-lo. -Disse ela, baixando o olhar.
—Sair? Não... Você não queria me fazer sentir? Pois agora vai ter de fazer. Você é minha, Kikyou. Você me pertence! -Raijin afirmou parecendo ainda mais irritado.
— Como é? Eu não sou sua, Raijin! Não, desse jeito...Você não pode me obrigar!- Respondeu Kikyou apavorada com a audácia dele enquanto tentava soltar-se. Mas Raijin não estava disposto a deixá-la ir.
—Ah é... Você é minha, sim... Você gostou de me ver com aquelas putas youkais, não gostou? Pois eu ainda vou ter o prazer de obrigar você a me ver transar com outras, muitas e muitas vezes! Para que você sinta o quanto é ruim... Sentir isso que você me fez sentir! -Raijin vociferava, como um animal ferido.
—Chega Raijin! Você não percebe? Eu não fiz nada! Você está sentindo ciúme... É só isso... Mas não há sequer motivo, para isso. Hikaru só tem olhos para Igraine e Minara nesse momento e... -A miko tentou chamá-lo a razão.
—E você só tem olhos para ele, não é? Não é mesmo humana? Você quer se esfregar nele como fez comigo não é? –Raijin sequer esperou que Kikyou concluísse seu raciocínio. O lobo da neve estava com tanto ódio que estava prestes a assumir sua forma Youkai.
Kikyou não pensou duas vezes e deu-lhe um sonoro tapa na face de Raijin, com toda a sua força, fazendo com que o youkai se afastasse segurando o rosto absolutamente surpreso e finalmente percebendo o quão longe ele havia chegado.
—Cale a sua boca, youkai imundo! Eu tenho nojo de você... Nojo! Como eu pude ser tão tola em acreditar que você pudesse merecer o melhor de mim... Eu quis te dar tudo Raijin... — Gritou ela segurando firmemente as lágrimas.
Ainda segurando o próprio rosto, Raijin sentiu seu coração dilacerado com as palavras dela.
Sua mente lógica parecia falhar miseravelmente e seu único pensamento concomitante em sua mente, era que ele não queria perdê-la. Em um movimento rápido, pegou-a novamente pelos braços e a beijou com força.
—Tem nojo agora? Continua com nojo? –repetia ele enquanto a beijava. Kikyou tentava se soltar, mas não conseguia, e depois de algum tempo não queria. Raijin continuava a beijá-la como se fosse morrer se não o fizesse.
—O que está fazendo comigo? Por que eu estou agindo dessa forma? Eu não quero que você se afaste de mim, Kikyou... Eu não quero te machucar. Me perdoe por isso. Mas eu não sei como agir! -Perguntava ele desesperado, encarando-a com o mesmo olhar perdido que ele possuía quando ela o viu pela primeira vez.
—Eu não fiz nada... !- Murmurou ela, finalmente deixando algumas lágrimas rolarem.
Raijin a abraçou e a tomou nos braços, agarrando-se a ela como se ela fosse seu bem mais precioso.
—Me perdoe... Por tudo isso. -O youkai murmurou, apertando os olhos, arrependido por fazê-la chorar.
Ficaram naquela posição por alguns minutos até que ambos se acalmassem. Raijin passou as narinas no pescoço e aspirou o cheiro delicioso e inebriante dela.
Kikyou abriu os olhos e encontrou os dele, ainda mais intrigados, olhando intensamente para ela. Como o olhar de uma fera, encantada com a presa. Embora ele soubesse que ela era humana, não lhe parecia ser uma fêmea frágil. Ela não era como as outras humanas que a acompanhavam, era sombria e soturna como uma youkai. E ele nunca desejara tanto uma fêmea. Nunca tinha sentido necessidade de possuir nenhuma fêmea. No entanto ela o fazia sentir, muito mais do que desejo. Ela o fazia ter necessidade de tê-la só para ele.
—Só de pensar que você pode querer estar com outro macho, eu perco a cabeça... Você é minha, Kikyou... MINHA! Diga que será só minha...Diga... — Dizia ele de forma sedutora com suas mãos entrelaçadas nos longos e negros cabelos da miko.
— Raijin... Eu serei... Serei só sua... – Gemeu ela, vendo os olhos de Raijin se iluminarem.
O youkai a beijou apaixonadamente e por longos minutos antes de colocá-la sobre a cama.
Inebriado de desejo e paixão, o lobo da neve tirou a parte de cima do quimono que vestia, e a camisa de botões e o sutiã de Kikyou, deitando-se sobre ela logo em seguida.
— Ahh como é bom sentir a tua pele na minha... Você é tão quente... –Sussurrava ele enquanto colava o peito aos seios dela. Após mais um beijo molhado, Raijin baixou os lábios, e abocanhou os seios de Kikyou com sofreguidão.
A miko gemia baixinho, pois sabia que àquela hora todos já haviam despertado. Raijin percebeu a tensão no corpo dela.
— O que foi Kikyou? Você... não me deseja?- Perguntou ele, inseguro e preocupado.
—Não é nada disso... É só que os outros, já devem estar acordando... Eu não gostaria que me ouvissem... – Disse ela baixinho, com sua face corada.
Raijin sorriu de lado. Depois lambeu os seios, bem lentamente, olhando nos olhos dela. Kikyou levou dois dedos à boca para mordê-los e assim conter um gemido. Raijin sorriu largamente, de forma sedutora.
— Você fica linda quando fica excitada. Mas não quer que eles saibam que está comigo, ou que esta fazendo isso? – Perguntou ele estreitando os olhos.
— Não quero que saibam que estou fazendo isso... Falando sério, eu sou uma miko, e sou a mais velha entre elas. Eu deveria dar o exemplo... – Explicou-se ela.
—Como assim, exemplo? – Perguntou Raijin, apoiando a cabeça nos seios dela, enquanto Kikyou lhe acariciava os longos cabelos.
— Ah você sabe! Eu não deveria estar fazendo esse tipo de coisa... Sendo solteira... Por mais livre que eu seja ainda vivemos em uma sociedade onde mulheres são julgadas por sua postura quanto ao sexo antes do casamento. Eu não posso me dar ao luxo de ser desmerecida por isso antes de concluir minha missão como sacerdotisa. E, além disso, nós teremos uma reunião daqui a pouco. O que começarmos, teremos de parar abruptamente em pouco tempo. Você compreende? -Perguntou ela ainda acariciando os cabelos de Raijin.
O lobo da neve baixou os olhos, pensativo. Mas logo em seguida sorriu para a miko, beijando-a novamente com delicadeza.
—Eu compreendo, Kikyou. E tenho que admitir que é a primeira vez que eu penso sobre isso. Desde que te conheci você tem me mostrado um mundo muito diferente do que eu via. Eu admiro sua postura e o seu engajamento em se tornar o esteio que seu povo tanto precisa. Mesmo que isso signifique que eu tenha que esperar um pouco mais... – Disse ele se levantando, e se vestindo.
Depois estendeu a mão para ela e ajudou-a a se levantar e a se vestir. Abraçou-a ainda por alguns minutos permitindo-se colar sua testa a dela enquanto seus pensamentos divagavam sobre toda aquela situação. Quando finalmente se soltaram Raijin abriu a porta para que ela pudesse ir se aprontar para a reunião que logo começaria.
—Será que alguém nos ouviu, Raijin? – Perguntou ela aflita.
— Não se preocupe não há ninguém aqui. Não demore, muito. Essa reunião será muito importante para esclarecermos certos aspectos importantes quanto ao futuro. – Respondeu ele, com um ar célebre pairando sobre suas palavras, enquanto segurava o queixo dela, depositando um beijo de despedida ao concluir sua fala.
Kikyou apenas assentiu com a cabeça e saiu em direção a seu quarto.
Depois que ela se foi, Raijin caminhou até pequeno móvel ao lado da cama e de uma das gavetas tirou uma caixa de madeira laqueada, a mesma onde ele guardava as joias com as quais pagava pelos "serviços" de suas concubinas. Retirou as joias da caixa cuidadosamente e tocou em uma parte específica no fundo da peça revelando um compartimento escondido. De dentro do pequeno espaço, o youkai retirou um colar em prata puríssima, com uma garra cristalizada usada como pingente.
O lobo da neve colocou a requintada peça em sua mãos e observou -a por alguns instantes, com um semblante sério e pensativo.
"Não quero que saibam que estou fazendo isso... Falando sério, eu sou uma miko, e sou a mais velha entre elas. Eu deveria dar o exemplo..."
As palavras de Kikyou ecoavam em sua memória, incomodando-o de modo severo. E ele tinha certeza de que ela estava certa em ser prudente, mas essa prudência não duraria muito se as coisas entre eles continuassem seguindo o mesmo ritmo. Era chegada a hora de Raijin agir com responsabilidade e ele estava surpreso em perceber que a ideia não lhe parecia assustadora ou castrativa como ele imaginara que seria, muito pelo contrário. Naquele instante segurando aquela joia tão importante em suas mãos, Raijin sentiu-se pronto para assumir o papel que lhe cabia, e sentia-se muito bem com isso.
A miko entrou, e fechou a porta atrás de si, permitindo-se ficar encostada à porta para pôr os pensamentos em ordem. No entanto ela não contava com uma visita.
—Está tudo bem Kikyou? Onde você estava? Eu fiquei preocupada e... Ai não! Kikyou você estava com o Raijin de novo? – Disse Kagome que esperava por ela.
—Kagome, que susto...! Eu... Eu estava... Eu não sei o que eu estou fazendo! Desde que eu pus meus olhos nele, não consigo tirá-lo da cabeça, não consigo me controlar! – Respondeu ela angustiada, jogando-se nos braços de sua irmã de alma, enquanto as lágrimas desciam sem controle.
Kagome abraçou a de volta, assombrada, pois nunca vira Kikyou descontrolar daquela maneira antes.
—O que ele te fez? Diga-me que eu mesma vou lá, quebrar a cara dele!
— Ele não fez nada que eu... Que eu não quisesse!- Disse Kikyou limpando os olhos.
Kagome parecia ainda mais confusa. Ela sabia que Kikyou não se deixaria levar pela conversa mole de qualquer macho youkai. Mas pode perceber claramente que Kikyou estava mesmo envolvida com ele.
—Kikyou... Aconteceu... Lembra-se do que a voz nos disse, naquele sonho? Ela disse que quando retornássemos, encontraríamos os nossos amores verdadeiros! Kikyou é isso! Você e Raijin estão se apaixonando! –Disse Kagome pegando a amiga pelos braços, para olhar para ela. Kikyou tinha os olhos arregalados.
—Não pode ser, Kagome. Nós nos conhecemos há tão pouco tempo! – disse Kikyou com as mãos na cabeça.
—E isso lá é problema? – Continuou Kagome, com um sorriso. _Kikyou, quem disse que amor tem que vir com tempo? O amor não precisa de motivos para acontecer... Ele só acontece! – Disse ela tentando acalma-la.
— Kagome! Não... Eu, não... – Ela tentava se justificar, mas ao encarar Kagome, parou de falar e se deixou ficar nos braços dela. Não havia como negar. Ela estava mesmo completamente apaixonada por ele.
Em seguida contou a ela tudo o que havia acontecido ainda há alguns instantes no quarto do general.
—Kikyou, isso não é o fim do mundo. Pelo que você me contou ele parece estar tão envolvido quanto você! Aliás ele deve estar mesmo apavorado! Inuyasha me contou que o General Raijin, nunca teve um compromisso sério. Ele estava com medo dele estar te iludindo. Mas a situação parece ser muito mais profunda do que nós pensávamos. -Kagome ponderou diante do cenário descontrolado de ambos.
—Pensando por esse lado... Eu acho que consigo entendê-lo apesar de tudo. Mas não sei como isso pode funcionar. -Kikyou falou com sinceridade.
—Ora Kikyou, isso vai funcionar se vocês dois quiserem isso. Nós duas vamos conversar sobe isso com calma depois. Agora você precisa se arrumar depressa. A reunião começará logo e nós temos que estar lá prontas para fazermos nossa parte. -Kagome ponderou com praticidade.
—Ah sim... Quase me esqueci disso. Bem, eu não tenho para onde fugir mesmo! – Kikyou ralhou, antes de ir se trocar apressadamente.
Ao chegarem à sala de refeições, repararam que com exceção delas e de Igraine, todos já estavam à mesa. Entraram calmamente, cumprimentaram todos os presentes e procuraram se sentar.
Raijin estava sentado no lado oposto a ela, mas, duas cadeiras depois. Trocaram olhares cúmplices por alguns segundos. As conversas paralelas estavam ocupando a quase todos, até que Sesshoumaru resolveu tomar a palavra.
—Bem acho que devemos começar recapitulando o que passamos ontem. Como vimos, nosso inimigo é Mizuki, viúva e irmã do traidor Shigeko. O que explica o veneno encontrado, já que o clã das serpentes brancas, ao qual Mizuki era a líder, é perito em venenos. – Lembrou-os Sesshoumaru
— O tal Yuu, o cúmplice dela, é também um renegado. Eu procurei informações e as minhas fontes me confirmaram que se trata do filho de um ex-nobre, que foi despojado de seu título e bens depois que descobriram suas transações escusas com o clã das serpentes brancas. –Respondeu Isamu, como sempre muito bem informado.
—Mas a grande pergunta é: Como, e por que eles obtiveram Minara? –Perguntou Kikyou deixando todos em silêncio.
Yukina estava ainda mais pálida do que nunca. E Kikyou ao perceber isso, continuou seu questionamento.
—Yukina, você nos contou que era aprendiz de Brunhilde, certo? Mas o engraçado é que em nenhum momento, essa informação é citada no diário de Claire. Você saberia explicar o por quê? – Perguntou Kikyou, com delicadeza, pois não desejava acusá-la.
—Sim, mas na verdade é uma história longa e desnecessária... –respondeu ela tentando se esquivar.
—Ao contrário Yukina, qualquer detalhe pode ser importante. –Continuou Kagome, pois compartilhava da mesma opinião que Kikyou, a respeito de Yukina. A youkai olhou angustiada para Sesshoumaru que assentiu com a cabeça deixando-a ainda mais nervosa.
—Bem, é que... – parou e respirou. _É que, ninguém sabia que Brunhilde me treinava. Apenas meus pais, e o marido dela. Brunhilde achava melhor assim, era uma questão de segurança. Vocês estão fugindo do foco original do problema! Temos que ter certeza se, a fêmea que vocês viram era realmente Minara. A verdadeira, nunca teve poderes!- Disse Yukina visivelmente irritada.
— Não tenho nenhuma dúvida quanto a isso, Yukina. Aquela era mesmo a Minara, filha de Brunhilde e Kurö Ookami. Mas quanto aos poderes que ela apresenta, não se parecem sequer com os de Brunhilde. Ela parece ser muito mais poderosa. -Hikaru respondeu com a autoridade de quem conhecia bem as duas fêmeas.
—Eu analisei as penas que estavam em Hikaru e Minara. A de Hikaru tinha uma composição muito semelhante ao veneno usado no chicote que atacou Igraine. É um veneno que só afeta os youkais. Já a pena que atingiu Minara estava cheia de um veneno diferente. Ele atinge tanto humanos quanto youkais, e ataca principalmente o sistema nervoso central, fazendo com que as vítimas fiquem suscetíveis a ordens de terceiros. Em outras palavras não é um veneno e sim um soro de obediência. – Disse Kagome, séria.
—Não há dúvidas de que Minara está sendo usada como arma. Por isso disseram que o efeito do veneno havia acabado. E mesmo estando envenenada, por um instante, ela recuperou a consciência. Nossa, quanta maldade... –Disse Rin, abalada com a malícia dos youkais inimigos.
—Este demônio de fogo que atacou o Lorde Seshoumaru e Rin não era o mesmo que meu pai abateu na ocasião do ataque à Brunhilde e Claire? Como isso é possível? -Raijin questionou ainda tentando compreender.
—Não tenho certeza quanto a isso Raijin. Tudo o que eu sabia era que Kyuura havia morrido no mesmo ataque que ele e Shigeko planejaram contra os generais de meu pai. Mas aquele youkai era indubitavelmente igual a ele. -Sesshoumaru ponderou igualmente intrigado.
—Kyuura era o lorde das terras do Leste, na mesma época que lorde Inu no Taishou governava as terras do Oeste. Mas ele nem sempre, foi nosso inimigo. Pelo que sei, ele enlouqueceu depois que sua fêmea morreu de causas desconhecidas. Ele declarou guerra contra as terras do Oeste depois que a mãe de Brunhilde se negou a entregá-la para ele e foi obviamente apoiada pelo lorde Inu no Taishou. Ele estava tão obcecado em conseguir o poder de uma feiticeira do tempo que chegou a atacá-las. Foi Kurö Ookami quem as salvou. E logo após isso, Brunhilde assumiu o posto de sua mãe, como feiticeira das terras do oeste e foi viver no shiro da lua crescente junto com o Lorde e a lady destas terras. -Yukina narrou, com seus olhos marejados, visivelmente abalada com tais lembranças.
—Hikaru, você e Yukina foram os primeiros a chegar aqui, depois da tragédia. Sei que já repetiu isso um milhão de vezes, mas o que foi que você encontrou? – Perguntou Sesshoumaru de braços cruzados e olhar obstinado. Tais lembranças o incomodavam igualmente.
Hikaru fechou os olhos e respirou fundo. A dor da lembrança era demasiado forte, mesmo depois de tanto tempo.
—Quando cheguei encontrei o shiro destruído. Os corpos de Kuro Ookami e Brunhilde juntos logo na entrada. Eles estavam abraçados. Os dois morreram com o mesmo golpe. A espada envenenada de Shigeko os atravessou. Me lembro dos gritos de desespero de Yukina, enquanto ela segurava o general Susanoo nos braços. Havia uma grande ferida nele que não parava de sangrar. Não havia nenhum sinal de Claire. Nem um cheiro ou pedaço de roupa. Absolutamente nada. Eu também procurei por Minara, mas tudo o que encontrei foi o sangue dela. E havia muito sangue... E pedaços distorcidos de pele e carne humana. Tudo indicava que ela tivesse sido dilacerada. – Descreveu Hikaru, amargurado, enquanto os demais ouviam atentamente no mais absoluto silêncio.
Kagome e Rin tinham lágrimas nos olhos. Kikyou sentia –se impotente diante da verdade. Ela nunca havia imaginado que Brunhilde e seu amado Kuro Ookami tivessem acabado daquele jeito.
Após mais alguns minutos, Sesshoumaru finalmente se pronunciou.
—Bem, já deliberamos o bastante por agora. Voltaremos a nos reunir na hora do jantar. Enquanto isso, eu quero que busquem suas fontes. Nós temos que encontrar o esconderijo deles o quanto antes. –O lorde youkai se levantou ao concluir retornando diretamente aos seus aposentos, desejoso, de ficar só com seus pensamentos.
Raijin fez um sinal discreto para que Kikyou ficasse e ela obedeceu. Quando todos saíram Raijin agarrou a jovem pela cintura com urgência.
—Venha comigo. – Disse ele enquanto a tomava nos braços, se transformava em sua forma de energia e a levava para o jardim externo.
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