Perdida Na Tempestade

12 Capítulo 12-A força do sangue e a dor da solidão..


Notas iniciais
Obrigada pelos comentários e por aqueles que favoritaram a fic! Eu fico realmente muito motivada com todas essas demonstrações! Bem, nesse cap., trago alguns reencontros já esperados e também muito sedução! Será que vai dar namoro? Boa leitura!

Sesshoumaru continuava muito irritado.

Como se não bastasse a noite atribulada por conta dos sonhos, que ele tivera, sonhos lívidos, onde Rin aparecia para ele e o seduzia. Sonhos que o transportaram para a parte mais intima de sua mente.

Mas o pior havia acontecido há pouco. Ela o havia enfrentado. Não havia mais como ignorar que Rin, sua pequena e doce Rin, agora era uma mulher forte e segura de si. Mas seus lindos olhos castanhos, ainda tinham o mesmo brilho, a mesma doçura, muito embora exalassem uma mágoa inquietante que estilhaçava o coração frio dele. Aquela mulher poderosa, que não precisava dele, ainda era a sua Rin. E ele a queria de volta.

Desde que ele havia permitido que ela acompanhasse as humanas de Inuyasha, não havia um dia que ele não se lembrasse dela, e se recriminasse por isso. Afinal ela era uma humana e talvez nem se lembrasse mais dele. Mas ao vê-la, linda, naquela festa, algo em seu íntimo, subitamente ascendeu.

Ela estava tão radiante, que ele hesitou. Havia muitos youkais naquela festa e nem todos eram amistosos. Todos os olhos estavam sobre ele, e qualquer ação que a envolvesse poderia ser arriscado. E a última coisa que ele queria era vê-la correndo perigo.

Mas ele não fora o único macho que notara o quão magnífica sua protegida havia se tornado. Ao observá-la dançando tão graciosamente com Kohako, Sesshoumaru sentira o amargor do ciúme lhe consumir. Naquele instante um pensamento egoísta e persistente lhe tomou a mente, sendo constantemente afastado pelo Ino youkai: Rin não poderia pertencer a outro, senão a ele.

Envolto na batalha mental travada entre seus desejos mais íntimos e sua razão inabalável, Sesshoumaru sequer viu o tempo passar. Estava trancado em seu aposento andando de uma lado para o outro como um animal enjaulado.

Subtamente ouviu uma risada que ele conhecia bem e olhou pela janela lateral de seu aposento. Rin estava conversando com Kohako, e ambos sorriam animadamente e pareciam muito felizes em rever um ao outro.

Observando silenciosamente a cena, Sesshoumaru estreitou os olhos, tomado novamente, pelo incômodo amargor do ciúme.

—Maldição... -Esbravejou ele, fechando as cortinas de seu aposento, enquanto buscava desesperadamente recuperar a racionalidade.

Ainda na sala de refeições Kagome, Igraine e Inuyasha faziam um verdadeiro interrogatório à Kikyou, pois desejavam saber os mínimos detalhes de sua “noite”, com Raijin.

—Kikyou como você pode ser tão tola! Ir parar no quarto de um Youkai e ainda DORMIR COM ELE? TEM IDEIA DO QUE ELE PODERIA FAZER COM VOCÊ???- O hanyo gritava sem perceber.

—Ele não poderia me fazer nada Inuyasha, não no estado dele! Não precisa ficar preocupado comigo, Eu sei me cuidar, e você sabe muito bem disso! – Respondeu Kikyou com ternura, pois sabia que só desse jeito conseguia desarmá-lo.

—Mas Kikyou eles não são simples Youkais. Eles veem de clãs de youkais guerreiros! –Respondeu Inuyasha mudando de bravo para preocupado.

—Ele está certo, Kikyou você se arriscou muito! –Repetiu Igraine que era observada por dois Youkais atentos.

—Kikyou, eu concordo com eles. Mas sou infinitamente grata por isso. Se não fosse por você, não quero nem pensar do que seria do meu irmão... –Disse Yukina que se aproximou do grupo trazendo consigo os dois youkais restantes, já que Sesshoumaru, Janken, Isamu e Raijin já haviam se retirado.

Hikaru olhou para Igraine com carinho. Aproximou-se dela devagar e em seguida ficou olhando nos olhos azuis da hanyou.

—Seus olhos... –Disse o youkai tigre, encarando a hanyo abertamente.

—São azuis... Não se parecem com os de nosso pai... Mas você tem olhos iguais aos de minha mãe, mesmo não sendo filho dela... –Disse a Hanyou com uma doce tristeza. E diante disso, Hikaru, deu um leve sorriso.

—Seus olhos, são da cor dos olhos do pai de meu pai. Os olhos vermelhos foram herança da mãe dele. Meu pai sempre quis tê-los, ele achava olhos vermelhos muito femininos. Mas os meus também saíram ao de minha mãe. Ele ficaria feliz em saber que pelo menos você herdou os belos olhos do pai dele. Você mesma, se parece muito com meu pai... – Observou, ele pegando uma mecha do longo cabelo loiro de Igraine e percebendo que tinha a mesma tonalidade de dourado.

Ao fitar os olhos da hanyou percebeu que ela chorava, mas tinha um sorriso nos lábios. O cheiro dela era o mesmo cheiro de Claire quando estava grávida. Ele havia demorado a reconhecer aquele cheiro, mas agora tinha certeza. Era ela, a hanyou gerada no ventre de Claire, a sua mãe humana. Tocou no topo da cabeça dela e trouxe-a para junto de si, quase que mecanicamente. Seu belo rosto estava com uma expressão triste, mas ele nada dizia, parecia absorto em seus pensamentos. Lembrou-se de tudo o que ocorrera no passado turbulento.

—Você está pensando nela, não é? Na Minara... –Perguntou Igraine ao perceber a dor nos olhos do irmão.

—Estou, mas não somente nela... É impossível me esquecer dela e de tudo o que nos aconteceu. Nosso clã sofreu um duro golpe com a sua perda e a da nossa mãe. Por isso, estou muito feliz por ter encontrado você, Igraine. Nossos pais, não morreram em vão... E você e eu somos a prova disso.–Respondeu ele sorrindo entre lágrimas de alívio.


Igraine sorriu abertamente e abraçou o irmão com força. Ele foi pego de surpresa, mas retribuiu o abraço como todo o carinho. Ao redor deles Kagome sorria, mas teve de limpar uma lágrima que escorreu de seus olhos.

—Ahh Isso não é lindo Inuyasha? – Perguntou ela ao perceber que o hanyou também estava emocionado. Aproximou-se dele e acariciou lhe, o rosto.

—Eu fico feliz por Hikaru. Ele é um dos meus melhores aliados, foi o primeiro a me aceitar como general e posso dizer que somos amigos. Espero que ela consiga um dia fazê-lo esquecer de toda a dor que ele passou. – Respondeu Inuyasha abraçando Kagome enquanto olhava para os dois irmãos ainda abraçados.

Yukina apenas observava os presentes sem nada dizer. Mas parecia que algo a incomodava. Kikyou mais uma vez percebeu que havia algo errado com ela, mas também nada disse. Um pouco mais afastado estava Tatsuo que também só observava curioso.

Nesse momento Rin retornava à sala na companhia de Kohako e Shippou. Pôs as mãos à boca com a surpresa de ver Igraine abraçada ao irmão. As lágrimas rolavam de seus olhos com abundância, mas apesar disso sentia-se imensamente feliz. Em seguida pulou no pescoço de sua amiga miko.

—Kikyou! Fiquei tão preocupada... Mas eu tinha certeza que você estava bem! –Disse a ela com um olhar confiante que fez Kikyou ficar emocionada.

Ambas conversavam ainda um pouco mais, cercadas pelos demais presentes, que mantinham conversas paralelas, quando uma voz sutil chamou a atenção de ambas.

— Senhora, pode me acompanhar?- O senhor Raijin deseja vê-la. – Dirigiu-se a Kikyou, uma jovem serva que se aproximou sorrateiramente.

—Raijin? Mas o que ele pode querer comigo? – Perguntou Kikyou, embora soubesse exatamente do que se tratava e até estivesse esperando por isso.

Kikyou não queria ir à princípio, queria ficar ali olhando Hikaru e sua beleza, muito mais impressionante que a descrita no diário. Não que, Raijin não fosse bonito, muito pelo contrário, mas não era gentil como Hikaru. Lembrou-se de como estava deitada ao lado dele. Lembrou-se de como ficaram se olhando enquanto o sono não veio.

Kikyou suspirou alto enquanto se lembrava da noite anterior e chamou a atenção de Kagome que apenas sorriu para sua irmã de alma. Ela sabia que havia algo a mais naquela história. Havia alguma razão mais profunda, pela qual Kikyou havia ajudado Raijin, mas isso ela mesma descobriria mais tarde, quando estivessem a sós.

—Kikyou é melhor que você vá discretamente ver meu irmão. Se ele pediu para chama-la, é por que deve ser algo importante. Raijin não é do tipo que agradece... – Disse Yukina pondo a mão sobre o ombro de Kikyou, como estivesse dando a ela coragem para ir.

Kikyou sabia que Yukina tinha razão, ela deveria ir ver do que se tratava. Aproveitando-se que Inuyasha conversava ainda abraçado a Kagome, apenas dirigiu um olhar para Rin e ela puxou Yukina para sua frente cobrindo assim o campo de visão de Inuyasha.

Depois de alguns passos estava de volta ao quarto de Raijin. A jovem empregada parou na entrada da suíte, bateu de leve na porta de madeira e elas ouviram um “Entre” vindo de dentro do cômodo. A jovem serva então fez menção para que Kikyou entrasse sozinha e voltou ao seu posto de trabalho.

“Novamente sozinha com ele...” Pensou a miko, antes de abrir a porta. Lá dentro Raijin estava na varanda, de pé, olhando a paisagem. E Kikyou então reparou no quanto ele era atraente. Ali assim sob os reflexos do sol ele parecia um príncipe encantado, das terras nórdicas. Ao perceber a presença de Kikyou ele voltou-se para dentro da suíte. Olhou-a de cima à baixo e em seguida sentou-se em uma das duas poltronas separadas por uma mesinha redonda, encostadas à parede oposta do cômodo.

—Sente-se. –Disse ele olhando-a com atenção, mostrando à outra poltrona.

Kikyou apenas assentiu com a cabeça e caminhou até onde ele estava. No caminho passou pelo guarda vestidos e pela cama. Sentou-se finalmente ao lado dele e esperou que ele dissesse alguma coisa.

—E então miko, pode me dizer qual das duas Youkais deixou o veneno cair? –Perguntou ele com rispidez.

—Misao. –Respondeu Kikyou, secamente.

—Você a conhece? –Perguntou ele com desconfiança.

—Não! Mas ouvi os nomes delas no momento em que estavam fazendo cena.

—Você já estava aqui desde esse momento? –Perguntou Raijin curioso. Kikyou sentiu o rosto em brasas. Ela teria de dizer que havia visto e ouvido tudo! Inclusive ele nu e excitado. As risadas dele tiraram na de seus pensamentos.

—Do que está rindo? – Perguntou ela sem entender.

—Você viu tudo não foi? E então, o que achou? Gostou de me ver com aquelas youkais? –Disse ele colocando o dorso para a frente encurtando a distância entre eles, e sorrindo maliciosamente.

Kikyou ficou ainda mais vermelha e sem ação. Mas não deixou de notar o quanto ele ficava lindo quando sorria. “Pare com isso, Kikyou, concentre-se” Pensou ela. E foi o que fez, endireitou a coluna e ergueu seu queixo, encarando-o de cima.

—Sim eu vi tudo! Como você já deve ter notado eu não costumo ver esse tipo de coisa, mas pela reação delas, você foi muito mal... –Disse ela sorrindo trunfante, enquanto o sorriso de Raijin se desvaía.

— Por que você me ajudou? Você não precisava ter feito isso. –Disse ele mudando de assunto enquanto se jogava no encosto da poltrona.

—Por que era importante. Se estamos em uma guerra, então cada vida é importante. Além disso, ninguém merece morrer por ser ruim de cama! -Respondeu ela agora com sarcasmo.

Raijin estreitou os olhos. Aquela humana estava passando dos limites. Ela não perderia essa oportunidade de atormentá-lo. Ele parecia estar irritado, mas Kikyou não tinha medo dele. Não, depois de tudo o que tinha enfrentado para ajudá-lo.

—E, além disso... Quando estava com elas, e mesmo depois que as dispensou você parecia estar perdido. Eu imaginei que talvez precisasse de ajuda. – Continuou a miko, censurando-se intimamente por dizer tais coisas. Raijin imediatamente ficou sério apenas fitando-a com um misto de surpresa e curiosidade. Levantou-se e caminhou até o móvel próximo da porta. Abriu a gaveta e pegou uma joia.

—Acho que se enganou, miko, eu estou muito bem, e sei exatamente o que faço. Pegue, aceite isso como pagamento pela ajuda que me deu. – Disse ele entregando a ela um lindo colar de ouro com pedras brancas muito brilhantes.

Kikyou contemplou a joia nas mãos de Raijin por alguns segundos. Mas não parecia estar gostando.

—Vai me dar uma joia, como pagamento?- Perguntou ela com indignação.

—Se quiser posso lhe dar outra... –Continuou ele pegando outra joia.

—Eu não quero droga de joia nenhuma! Por quem você me toma? Por uma das suas vadias? Mas a culpa é minha por achar que Youkais como você poderiam ter algum tipo de gratidão! Ela disse, agora com raiva.

—Se não gosta de joias é só dizer, posso pagar de outro jeito. O que você quer? Ouro, prata, pedrarias, animais, escravos... É só dizer!-Disse Raijin com irritação. Aquela maldita humana que ousava insinuar que ele estava precisando de ajuda, agora tinha a audácia de querer que ele tivesse gratidão!

—Quero algo que você com toda a sua arrogância, nunca vai poder me dar! Seu Youkai maldito!- Gritou Kikyou se sentindo humilhada pela proposta dele, e incrivelmente triste.

Mas nem mesmo ela sabia por que estava tão magoada com ele. Raijin por sua vez, sentia-se ainda mais humilhado por aquela humana ter visto sua fragilidade. E ainda mais triste por vê-la se descontrolar assim com ele. A lembrança do belo rosto dela estava ainda em sua mente, dormindo em seu peito. E agora ela estava diante dele, a ponto de chorar. E ele não sabia explicar porque, mas isso o incomodava muito.

—Eu sou um youkai e não possuo nenhum sentimento! Quer que eu seja grato a você uma humana, por me "salvar"? Isso é patético e eu não me prestaria a isso, jamais! Então, eu vou perguntar pela última vez... O que você quer, humana? Diga logo e acabaremos com isso. – Disse ele jogando as joias no chão.

—Ah é? Você não tem sentimentos? Então, a ‘humana’ aqui, já sabe o que quer! – Vociferou ela e em um súbito, antes de lançar-se de encontro ao corpo do youkai, beijando os lábios de Raijin com urgência.

O youkai foi pego de surpresa, mas correspondeu o beijo como se fosse uma necessidade. Passou os braços pelas costas de Kikyou e agarrou-a pelos cabelos com força, mas sem machuca-la, apenas para não permitir que ela saísse de seu controle. Em seguida empurrou-a até a cama e deitou-se com ela sem parar de beijá-la. Kikyou não conseguia pensar direito, apenas sentia os lábios de Raijin beijando os seus e naquele momento nada parecia ter muita importância. O lobo da neve estava fascinado com a boca deliciosa da humana. Não desejava parar de beija-la e naquele momento o mundo parecia ter parado. Aquela fêmea humana estava enlouquecendo-o com sua altivez. Ele nunca havia conhecido uma fêmea que tivesse chegado tão perto dele e ainda tivesse coragem suficiente para beijá-lo. Parou um pouco para respirar e olhar para seu rosto ainda mais belo de perto.

—Humana maldita, você é louca.... – Sussurrou ele, arfante.

—Maldito youkai, burro.... –Respondeu ela no mesmo tom de voz igualmente arfante. E voltou a beijá-lo, deixando o youkai ainda mais fascinado.

Abriu um pouco a boca e permitiu que a língua dele a invadisse. Depois de alguns minutos de beijo quente e molhado, Raijin queria mais. Pôs a mão sobre o tecido que recobria os seios quentes dela e Kikyou deixou um gemido escapar. O youkai fechou os olhos para sentir o cheiro de cio dela. Estava muito excitado. De um jeito que nunca havia sentido. Abriu a parte de cima do quimono e ficou com o peito nu. Kikyou tocou o dorso dele com delicadeza. As pontas dos dedos desceram desde o pescoço passaram pelo peitoral forte, e chegaram até o abdome definido onde Kikyou passou de leve as unhas. Raijin rosnou de desejo. E foi a vez de Kikyou sorrir com malícia. Ficou de joelhos na cama à frente de Raijin, e abriu levemente a parte de cima do quimono que vestia ficando com os seios cobertos apenas por um top de tecido fino que fazia as vezes de sutiã. Em seguida soltou os longos cabelos, e deixou que eles caíssem em suas costas.

Raijin permanecia inerte, indefeso e absolutamente fascinado com o que via. Kikyou abraçou-o colando sua pele quente à do lobo da neve, que suspirou ao sentí-la, tomado pela sensação de conforto que aquele contato lhe proporcionara. Após alguns segundos, o youkai nem sequer fez menção em se afastar. Ele apenas queria ficar ali, daquele jeito sentindo aquela paz viciante. Kikyou percebeu que ele havia ficado mais calmo e olhou para ele curiosa. Ele afastou-se um pouco, do abraço dela e em seguida arrumou os travesseiros de modo que ficassem mais altos. Deitou-se quase sentado e puxou Kikyou para junto dele, para que ela se aconchegasse em seu peito, enquanto acariciava a pele macia das costas dela. Kikyou ficou sem palavras. Aquele era o mesmo youkai que participara da orgia com duas fêmeas na noite anterior? Nem de longe, parecia. Raijin percebeu pelo silêncio dela no que ela estava pensando.

— Eu... Estava bêbado e não me importava com elas... Não me orgulho de ter feito o que fiz, mas também não me envergonho. Elas já participaram de orgias comigo antes, sabiam exatamente como eu as trataria. No entanto você me viu fazendo aquilo com elas e mesmo assim não teve medo de deitar-se comigo. Eu nunca havia conhecido uma fêmea tão corajosa. Quanto mais uma humana... Você disse que eu... Parecia perdido. Foi isso que motivou você a me salvar? — Ele perguntou nitidamente constrangido, mas olhando-a nos olhos.

—Dizem que os pares sempre se reconhecem... Eu percebi a sua solidão porque ela é muito parecida com a minha... Mesmo estando cercados por pessoas que nos admiram e respeitam, às vezes... Eu me sentia a criatura mais solitária do mundo. Era como se... me faltasse um pedaço... –Sussurrou Kikyou baixando os olhos e deixando que duas lágrimas escorressem pelo seu rosto. Raijin tinha os olhos arregalados, surpreso com as palavras dela. “Como você viu?” Pensou ele ainda em silêncio.

—Obrigado.... ....Kikyou... Você... Droga... Porque você é desse jeito... Como pode saber tanto sobre mim... – Murmurou ele, confuso e assombrado. Em seguida beijou-a novamente com delicadeza.

—Não sei... Eu também estou estranhando muito, tudo isso... Eu não sou desse jeito. Aliás... Foi você que tirou minha roupa ontem à noite? –Perguntou ela com um sorriso malicioso no rosto. Raijin sorriu igualmente.

—Infelizmente, não. Quando acordei estava lavado em suor, mas permanecia agarrado em você. Então, fui tomar um banho e quando saí, Yukina havia conseguido abrir a porta.

—Yukina me viu deitada na sua cama?- Perguntou ela, surpresa.

—Não só ela como os generais e o próprio lorde Sesshoumaru. Todos estavam tentando abrir a porta, imaginando o que teria acontecido comigo. E você nunca imaginaria a cara de surpresa deles em vir você na minha cama. –Contou Raijin ainda sorrindo divertido com a situação.

Kikyou estava apavorada. Mas se acalmou quando Raijin continuou.

— Mas o mais engraçado foi quando eles perceberam que você continuava virgem! Todos me olharam como se perguntassem: “o que há com você?” Haha, Isso sim foi estranho! Mas depois que eles saíram eu pedi a uma serva que trocasse suas roupas já que elas estavam molhadas com meu suor. –Raijin riu ainda mais. Kikyou respirou aliviada e Raijin percebeu.

—Você teve medo de ter perdido sua reputação?- Continuou o Youkai.

—Não me importo com isso. Mas não gostaria de ser vista como uma mulher fácil. Nenhuma fêmea quer isso. -Raijin ia respondê-la, mas foi interrompido por batidas na porta e uma voz conhecida.

—Kikyou, você ainda está aí? General Raijin, tem alguém aí com você?- Era Inuyasha que havia percebido que Kikyou sumira de repente. Raijin fez cara de quem não gostou.

—Tinha de ser esse hanyou! Mas o que ele tanto quer com você?- Perguntou Raijin com desconfiança. Kikyou sentou-se na cama e vestiu-se. Vendo que ela ficara incomodada, Raijin vestiu-se também e se levantou da cama indo em direção à porta.

—O que você quer General Inuyasha? Estou ocupado!- Disse Raijin abrindo à porta de leve apenas para falar com ele mantendo o contato visual. Quando ele se aproximou Inuyasha sentiu o perigo iminente. O cheiro de Kikyou estava todo nele.

— Onde ela está? O que você fez com ela, seu maldito?- Gritou Inuyasha empurrando a porta e entrando no quarto. No entanto não a encontrou.

— Eu fiz? Eu não fiz nada a ela! Mas quem você pensa que é para me acusar? Repetiu Raijin com revolta por ver que ela havia saído sem se despedir.

— Eu estou aqui Inuyasha. – Falou Kikyou aparecendo do lado de fora do quarto. _ Eu estava andando pelo jardim quando ouvi seus gritos. Mas o que você pensa que está fazendo? Eu já não expliquei o que aconteceu? E mesmo se eu estivesse com ele, que direito você tem de interferir? -Disse ela exaltada.

Raijin encarou-a com certa irritação. “Por que diabos você tem que dar explicações a esse hanyou?” Pensou ele.

—Mas... Mas Kikyou, eu só quero te proteger! –Gaguejou Inuyasha, tentando se fazer entender.

— Mas você não precisa. Eu já sei me cuidar sozinha. Eu te digo quando precisar de ajuda. Agora com sua licença eu vou me retirar, vou voltar para a mansão de Shippou. Preciso descansar para as novas batalhas que nos aguardam. – Disse ela dando as costas à ele.

—Não precisa se dar ao trabalho. Ontem mesmo eu trouxe as suas coisas para cá. Seu quarto é lá, o segundo após a escada. Venha eu mostro á você. – Disse Inuyasha se encaminhado até ela com rapidez.

Em seguida desculpou-se com Raijin e saiu puxando Kikyou pelo braço. Raijin não gostou nada de vê-lo tocando nela. Mesmo que fosse apenas no braço. Fechou a porta e fitou a cama onde alguns segundos antes eles estavam deitados juntos. “Maldito hanyou!” Pensou novamente ele. No fim do corredor um certo lorde Inu dai Youkai apenas apreciava a situação. Raijin era seu primeiro general, e uma espécie de melhor amigo. Ele costumava compartilhar da mesma opinião sobre humanos que Sesshoumaru. Era impossível imaginá-lo encantado com uma reles fêmea humana.

Embora o próprio Sesshoumaru, achasse a situação de Raijin, ridícula, não poderia repreendê-lo. Afinal ele mesmo ainda estava com uma humana em seus pensamentos. Juntamente com a lembrança de Brunhilde. Embora tentasse evitar, as lembranças da primeira vez que ele a vira teimavam em vir à tona.

Balançou a cabeça e procurou se concentrar em como faria para afastar Kohako de Rin, e quem sabe até ajudar a Raijin a colocar sua mente em ordem.

—Pronto aqui estamos, esse é seu quarto. Agora me diga por que o general Raijin estava com seu cheiro?-Perguntou Inuyasha cruzando os braços.

—Inuyasha eu já lhe disse para me deixar em paz! -Vociferou Kikyou.

—Eu só quero a verdade! Se você quer ficar bancando a garotinha inocente tudo bem! Mas eu quero saber a verdade. Eu TENHO QUE SABER! –Disse ele aos gritos.

—Eu estava com ele! É isso o que você quer saber? Pronto!- Respondeu ela. Inuyasha pareceu chocado, e respirou fundo antes de responder.

—Eu prometi que cuidaria de você e farei isso respeitando as suas decisões, mas Kikyou, você tem de me dizer o que está fazendo! Como posso ajudar você se eu sequer sei o que está havendo entre você e o Raijin? -O hanyou foi enfático e maduro.

—Você tem toda a razão, mas eu... Eu... Eu não sei ainda, Inuyasha! Tudo parece muito confuso, e ao mesmo tempo é tão... Simples... Por enquanto, não quero que você tome partido disso. Há coisas mais importantes para resolvermos agora. Estou muito feliz por você e Kagome terem finalmente se acertado. – Disse Kikyou com o coração lívido, pois realmente estava em paz. Inuyasha ficou um pouco desconcertado, mas dirigiu um sorriso de alívio.

—Ontem à noite eu anunciei que vou tomá-la como minha fêmea. E fui chamado de louco por Sesshoumaru. Mas eu a amo e acho que já esperamos demais para ficarmos juntos. É isso o que quero para você, Kikyou, quero que encontre alguém que te ame e respeite tanto quanto eu amo e respeito Kagome.

—Eu sei. E eu também quero muito isso. Eu mudei muito depois que fui para a era moderna. Eu aprendi muitas coisas, mas principalmente eu me conheci melhor. Sei que está preocupado, e com razão, mas eu prometo que assim que tomar uma decisão à respeito de Raijin , você será o segundo a saber. A primeira será Kagome! –Respondeu ela sorrindo. O hanyou assentiu com a cabeça e saiu do aposento ordenando a ela que descansasse por hora.

Assim que ele fechou a porta atrás de si, Kikyou se deitou na imensa cama e se permitiu ficar lembrando se dos beijos de Raijin.

Notas finais
E aí gostou? que bom fico feliz, favorite ou recomende a fic! Não gostou? fique a vontade para comentar e me dizer o seu ponto de vista! Obrigada a todos pelo carinho! Até a próxima!