Perdida Na Tempestade
1 Capítulo 1 - Mudança de ventos...
Notas iniciais

Já haviam se passado duas semanas desde a derradeira batalha que finalmente encerrara a Naraku e suas crias. Mas a luta fora muito grande. Todos ficaram seriamente feridos e seus corpos e corações, ainda se recuperavam de todos os ferimentos. Mas tudo isso valera a pena. A jóia de quatro almas havia sido recuperada, e finalmente enfraquecida.
Estava muito claro, para todos que haviam participado daquela guerra, que não havia pedido mais justo a se fazer do que trazer de volta à vida aquela que morreu para proteger a joia. A própria Kikyou parecia não acreditar quando ouviu Kagome bradar tais palavras.
A gratidão emocionada, foi o primeiro grande sentimento a tomar o coração ressuscitado da miko, seguido pela admiração e pelo imenso amor fraternal por aquela com quem ela dividia a alma. Não foi preciso mais do que alguns dias de descanso e convivência, para que ambas chegassem à conclusão de que não podiam se culpar pelos sentimentos que as duas nutriam por Inuyasha.
Eram irmãs de alma, e isso estava tão claro quanto as manhãs de primavera ensolarada que se seguiam em paz desde a batalha final. A cada dia que passavam juntas, elas estavam mais unidas, mas não como duas pessoas iguais, que vivam a mesma vida, mas como pessoas diferentes que se completavam na mesma sintonia, e estavam felizes com isso.
Elas completavam a frase uma da outra, e muitas vezes conseguiam se comunicar com um olhar ou um sorriso. Elas se aceitaram e aprenderam que para sempre estariam unidas, não apenas pela alma, mas pela fraternidade que desenvolveram naturalmente.
Os demais envolvidos ainda se recuperavam da batalha, mas o ânimo entre eles eram notável. Sango e Kohako haviam decidido fixar suas vidas naquele pequeno vilarejo, pois estavam exaustos da vida nômade e sem perspectiva de futuro, que ambos levavam. Seriam mais úteis ali, lutando e trabalhando pelo crescimento daquela pequena vila.
Mirok, estava livre do buraco de vento, e a tranquilidade daqueles dias de paz, permitiam ao monge sonhar com um futuro longínquo e mais ameno. E talvez, ele até pudesse criar seus herdeiros e ter uma vida longa e feliz. Tais pensamentos, insistiam em pousar em sua mente, sempre que ele via o sorriso de Sango.
Shippöu vivia junto à Kaede desde então, e tornara-se um bom companheiro para a velha miko. As pessoas do pequeno vilarejo próximo ao poço come ossos, estavam animadas com a ajuda dos novo moradores fixos. Até mesmo o fato de ter um hanyou, um pequeno youkai ou uma miko ressussitada, entre eles, não parecia ser um problema para aquela gente.
Inuyasha por sua vez, mantinha-se em constante observação dos demais. Aqueles dias eram repletos de sentimentos confusos, ambíguos e angustiantes para ele. As duas moças mais importantes de sua vida estavam vivas e unidas como irmãs, como deveriam ser desde o princípio. Mas a cruel dúvida em seu peito era, tão excruciante quanto a flecha que o mantivera preso por cinquenta anos.
Como escolher apenas uma delas? Ambas eram por ele amadas. Uma era a paixão não realizada. Um amor, perdido no meio de tantas mentiras e traições. A outra era a paixão livre e sem impedimentos. Um amor nascido da amizade e do companheirismo. E a cada vez que ele as via seu peito doía ainda mais. Ele simplesmente não podia escolher sem sentir o peso da renúncia.
Não poderia portanto, ser mais conveniente naquele momento, concentrar-se no inusitado convite de Sesshoumaru. O Dai youkai, havia partido logo após o fim da batalha, para curar suas feridas e recuperar suas forças, e Inuyasha achava que demoraria para revê-lo, mas para sua surpresa, uma carta enviada por ele e endereçada ao hanyou chegara a alguns dias.
Naquela manhã, ele decidira se afastar do vilarejo, para tentar manter sua atenção total na carta e finalmente ter uma pista do que Sesshoumaru realmente estava planejando com tudo aquilo.
Quando percebeu que se encontrava só, o hanyou tirou o pergaminho de dentro de seu kimono, e o desenrolou lentamente, ponderando cada palavra escrita.
"Apesar de não sentir que você é meu irmão, é inegável que a herança deixada por nosso pai faz de vc, um guerreiro de valor. E por mais que a opinião dele sobre nós ainda me seja algo controverso, está claro, que ambos temos a necessidade de proteger algo que nos é precioso. Diante disso, este Sesshoumaru quer lhe fazer uma proposta. Como é de seu conhecimento, nosso pai era o senhor das terras do oeste e desde sua morte seu titulo e reino foram negligenciados, já que sua herança, não foi reivindicada. Agora que tenseiga e tessaiga estão em nosso poder, eu, como dai youkai e herdeiro legítimo do trono, assumirei o reino, bem como suas responsabilidades para com estes povos. Obviamente há muito a se fazer e portanto toda a ajuda pode me ser muito útil, por isso, eu gostaria que considerasse tornar se um de meus generais. Se vc aceitar, terá que passar por um árduo treinamento que perdurará por até 10 anos em isolamento. Tal treinamento vai explorar sua natureza youkai, e ensina-lo a controlar seus poderes e explorar os poderes da herança de nosso pai. Obviamente, por todo seu esforço, você será ricamente recompensado. Deixará de ser um reles hanyou para tornar-se o senhor de parte das minhas terras, respondendo apenas a mim. Justamente essa parte das minhas terras onde fica a vila de seus amigos humanos. Será respeitado, por sua patente e poderá ajudar esses humanos a progredirem e prosperarem.
Compreendo que todas essas informações são demasiadas para o seu intelecto pequeno e defasado, portanto lhe darei um tempo para decidires. Tens até a lua cheia”
Ao reler o documento, o hanyou suspirou pesadamente. A velha Kaede havia lhe dado poucas informações sobre o antigo senhor das terras do Oeste, mas estas estavam de acordo com o que lhe dizia Sesshoumaru. A velha também havia conseguido alguns pergaminhos antigos que falavam da prosperidade das vilas e de como muitas delas deixaram de existir depois da morte do antigo lorde.
Após tantos dias de deliberação, a lua já estava próxima de sua mudança. Ele tinha que dar uma resposta para Sesshoumaru. E por mais que negasse, sentia no fundo de seu coração que essa era sua única opção. Era o único jeito de manter os humanos seguros. A coisa certa a se fazer naquele momento de tantas incertezas. Ficar longe delas seria difícil. Mas pior do que isso, seria magoar o coração de uma delas. Um misto de covardia e dor fez o hanyou cerrar os punhos enquanto sua mente divagava. A tarde deitou-se sobre ele e trouxe a noite sem nenhuma cerimônia.
Guiado pela brisa quente do crepúsculo, o hanyou ergueu-se pesaroso e dirigiu seus passos para a aldeia. Não demorou muito para sentir os cheiros delas. Kagome estava na varanda da casa da Senhora Kaede, lendo um livro antigo. Kikyou estava ao seu lado entretida com uma revista da era moderna. As duas estavam compenetradas na leitura, cada qual ao seu modo.
O hanyou se aproximou lentamente e chamou pelas duas. Kagome ergueu-se rapidamente.
— Onde você estava Inuyasha? Eu não o vi o dia todo!- Kagome pôs as mãos sobre a cintura.
— Eu precisava pensar sobre algo... -Ele parecia escolher as palavras. _ É que eu tomei uma decisão... Eu vou aceitar o convite de Sesshoumaru. Eu decidi que vou treinar para me tornar seu general. -O hanyou falou sem encará-la.
— Você o que? -Disse Kagome visivelmente irritada e confusa antes de prosseguir, _Ficou Louco Inuyasha? Essa é provavelmente mais uma armadilha dele para pegar a Tessaiga! – concluiu ela.
— Não, Kagome não é. Eu já verifiquei, e parece que Sesshoumaru está dizendo a verdade. O treinamento deve durar 10 anos. Mas acredito que valerá à pena. -O hanyou foi conciso em sua resposta.
—Então é isso? Vc prefere fugir por 10 anos em um treinamento infernal à escolher entre uma de nós... Não sei se isso é maturidade ou covardia Inuyasha. Mas de qualquer forma, espero que saiba que nem eu nem a Kagome vamos esperar por vc... — Kikyou disse com frieza, erguendo-se e fechando a revista. Em seguida ela encarou Kagome e sorriu docemente percebendo que ela tinha seus olhos cheios de lágrimas.
— Kikyou... Eu... Eu gostaria que eu pudesse ser tão corajoso quanto vc e a Kagome... Mas eu não sou... Eu não posso escolher uma de vocês! Não agora! Eu estou muito confuso. Além disso, eu preciso cuidar dessas pessoas. E essa é a minha chance de provar que não sou um hanyou inútil! E além disso... Kagome e você tinham planos e sonhos antes de me conhecer. Eu não vou ser um impedimento para vcs. Não farei isso novamente. — Ele respondeu resignado.
— Você tem toda a razão Inuyasha! — Kagome secou os olhos. _ Essas pessoas dependem de nós. E principalmente de você. Se Sesshoumaru te deu essa chance e se ela é mesmo verdadeira, então você deve mesmo ir!
—Sim, Kagome assim como também é nossa responsabilidade... Nós também faremos o nosso melhor. –disse Kikyou.
O hanyou engoliu em seco e passou pelas duas para logo em seguida entrar na casa da Senhora Kaede.
Alguns minutos depois na hora do jantar enquanto todos estavam em volta da mesa, Inuyasha compartilhou com todos a sua decisão.
— Eu quero dizer lhes que vou embora à lua cheia com Sesshoumaru. Ele me ofereceu o cargo de general e eu aceitei. Vou passar 10 anos treinando para isso. Mas vou voltar para me tornar o senhor destas terras.
Todos se entreolhavam até que Shippöu deu uma grande gargalhada.
— Hahahaha Essa foi muito boa Inuyasha!
—Não é brincadeira Shippöu!- Respondeu o hanyou aos gritos.
— Ele está fazendo o que deve ser feito. _Afirmou Mirok, e completou.- _Seshoumaru vai retomar as terras do oeste. Imagine o que poderia acontecer se essas terras tivessem outro Youkai como senhor? Teríamos outra guerra, e o povo não suportaria.
— Sim Mirok, você tem razão. Disse a senhora Kaede. _Mas nunca imaginei que você Inuyasha, fosse chamar essa responsabilidade toda para si!
—Alguém tem que fazê lo. E eu não quero perder mais ninguém por que não sou forte. – Disse o hanyou se levantando. _Boa noite para vocês eu vou me deitar.
— Boa noite... Responderam todos.
Em seguida Kagome e kikyou também se levantaram. Começaram a retirar os pratos e a limpar tudo. Faziam tudo de maneira mecânica, e nem sequer se olhavam. No estante porém que o fizeram perceberam que ambas tinham os olhos marejados. Elas pararam então o que faziam, e se abraçaram. Era óbvio que ambas compartilhavam a mesma dor. E mais óbvio ainda que nenhuma delas tivesse culpa.
— O que faremos agora, kagome? Eu compreendo o que ele sente. Eu não poderia nunca, escolher... -Kikyou disse com sinceridade.
— Eu vou voltar pra minha era... Vou deixá-los viverem o amor de vocês. Afinal se eu não tivesse aparecido nada disso estaria acontecendo. -Kagome murmurou.
— Não, Kagome... Ele está fazendo isso por que nos proteger. Está disposto a perder nós duas apenas para nos manter seguras... Parece que ele finalmente compreendeu que essa gente precisa dele. Todos nós precisamos.
— Vamos dormir Kikyou... Não há nada que possamos fazer nesse momento.
— Está certo, Gome...
E foram se deitar, lado a lado, de mãos dadas.
Com muita dificuldade as duas adormeceram, mas no meio da noite, uma luz as despertou.
— Mas o que é isso? O sol já nasceu? Kikyou, você está vendo isso também?
— Sim Kagome, mas isso não é o sol!
E do meio da luz uma bela voz feminina se fez ouvir.
— Não tenham medo Mikos. Eu não vou fazer lhes mal..
— E quem é você? Por que está aqui? Gritou Kikyou já preparando-se para pegar seu arco.
— Eu sou alguém que sentiu a dor de vocês. E posso dizer lhes que ela vai passar... O hanyou... Ele é um príncipe destas terras e precisa fazer o que lhe foi proposto... E vocês têm de ir fazerem suas respectivas partes...
— Mas do que vc esta falando? -Disse kagome já de pé, e escondendo o rosto com o ante braço.
— Vocês tem de se prepararem... Assim como o príncipe hanyou... Voltem para a era moderna, e se preparem... Adquiram todo o conhecimento sobre medicina, biologia, agronomia, tecnologia... Tudo o que for necessário, para a melhora da vida dos humanos desta era. Todo o conhecimento que puderem usar aqui, será de suma importância para a construção deste reino... As terras do Oeste serão prósperas durante muitas gerações, e será graças a vocês. E eu posso garantir lhes que não perderão nada partindo agora, pois somente quando retornarem conhecerão os seus verdadeiros amores... – E nesse momento a luz começou a diminuir enquanto as jovens se entre olhavam surpresas.
— Vocês precisam levar a criança do Lorde com vocês... Ela é muito especial...
— Criança do Lorde? Que criança?- Questionou Kikyou.
— Está falando de Rin? A criança do Lorde Sesshoumaru? Ele não vai permitir isso! -Kagome concluiu exasperada.
— Sim... A hime das terras do Oeste... E não se preocupem, ela virá até vocês...
E em um rompante Kikyou despertou. Olhou para os lados e na direção onde tinha visto a suposta luz, não havia nada lá.
— Que sonho estranho! –disse ela para si mesma.
— Kikyou! — Gritou kagome. _ Kikyou eu tive um sonho esquisito tinha uma luz e uma voz, e você estava lá!
— E a voz dizia que nós tínhamos que ir para sua era, não é?
— Sim! Ei, mas como você sabe?
—Eu sonhei com a mesma coisa, kagome!
— Mas como é possível?
Em outro lugar longe dali, Um Lorde Youkai acordava sobressaltado. Levantou se e se dirigiu ao quarto de Rin. E para seu alívio a pequena estava dormindo tranquilamente. Voltou para seu quarto, foi direto para sua majestosa sacada, e sentou se em uma poltrona revestida da mais pura seda. Sabia que não voltaria dormir, então pôs se a olhar o céu e a pensar no estranho sonho que tivera.
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