Perdida Na Tempestade
2 Capítulo 2 - O tempo não para...
Notas iniciais
Aos primeiros sinais da Aurora, Sesshoumaru levantou se e foi ao encontro de Jaken, seu fiel criado. Encontrou o já na cozinha do grandioso castelo, dando ordens às criadas.
—Vamos logo com esse desjejum! O senhor Sessshoumaru não gosta de demoras. Preparem a comida humana, com capricho! O senhor Sessshoumaru vai gostar de ver Rin comer com prazer.
— Jaken!- Chamou Sesshoumaru por detrás da porta
— AHHH senhor Sessshoumaru! O senhor deseja alguma coisa?
—Venha ao meu escritório.
— Imediatamente, senhor Sessshoumaru!
Caminharam em silêncio até o suntuoso cômodo. O castelo em si, era de muito bom gosto. Paredes com centenas de peças da mais rara tapeçaria, Móveis em madeira nobre e objetos em ouro e prata, eram comuns em seu interior. O escritório não fugia a regra. Havia um grande candelabro de ouro maciço no centro do cômodo. Logo à frente das grandes janelas, cortina de seda vermelha escura, com desenhos em dourado. A grande mesa de madeira escura era imponente e tinha esculpida nas pernas a figura de duas belas mulheres. As poltronas eram toda mesma madeira com almofadas também em seda vermelha escura. Ao lado das paredes grandes estantes com pergaminhos, livros e objetos de decoração. Sesshoumaru entrou e sentou se atrás de sua grandiosa mesa. Janken chegou segundos depois e com dificuldade fechou as grandes portas de madeira nobre.
—Pois não senhor Sessshoumaru, o que o senhor deseja?
—Janken, quero que prepare tudo para que viajemos imediatamente.
— Agora? Mas, senhor nós não voltaríamos para aquele vilarejo zinho inútil só depois de amanhã?
— Sim, mas mudei de ideia. Quero que prepare tudo agora mesmo. E não se esqueça de aprontar também a Rin.
— Mas senhor? Aquela humana, quer dizer, a Hime Rin, não deveria ficar em segurança aqui no castelo?
— Cale se, Janken! Apenas faça o que o lhe mandei! Partiremos dentro de duas horas. Quero chegar lá antes do fim da tarde. Vociferou Sesshoumaru, enquanto Janken saía como uma bala porta afora.
— Sim senhor Sessshoumaru!
Ao vê lo sair, Sesshoumaru virou se na elegante poltrona até ficar de frente para as janelas. Ficou olhando o céu que começava a clarear em razão do sol que estava nascendo. A bela voz não saia de seus pensamentos. Fechou os olhos a fim de lembrar se de seu sonho em sua totalidade. Lembrou se de ter se banhado. De ter ido se deitar em sua luxuosa cama. Depois um lapso. Provavelmente havia adormecido nesse momento. Logo em seguida lembrou se de sentir uma presença, sentou se na cama. Estava completamente nu. Apenas envolto com seus lençóis, feitos do mais puro linho. Havia uma luz muito forte. Mas era aquela voz que o tinha deixado mais intrigado. A bela voz de uma fêmea.
"—Senhor Sesshoumaru... Sou uma humilde serva... Ouça me, pela honra de seu pai, meu antigo senhor, Inu no Taishou...
—Quem ousa, citar a honra de meu pai?
— Apenas posso dizer lhe que sou sua serva, como fui de seu pai... E estou aqui para alertá-lo... Eis que agora vivemos um tempo de paz... Mas posso garantir lhe que ela não vai durar...
— Pois saiba, serva insolente, que ousou adentrar em meu quarto, que a paz é algo que não foi feito para durar.
— Pois eu lhe afirmo, meu senhor que se conseguires superar o grande embate que se dará, que teremos uma paz realmente duradoura, que há de seguir até a décima geração de sua casa.
— Embate? Do que te referes, serva insolente?
— Refiro-me a grande batalha que o futuro lhe reserva... E para que o senhor tenha êxito nesta empreitada deve permitir que sua pequena humana possa acompanhar as mikos até a era moderna... Lá ela poderá aprender novas técnicas de batalha, conhecer novas plantas e novos remédios, que lhe serão muito úteis. Uma vez que essa grande batalha virá com o intuito de destruir todos os reinos e poderá levar à extinção da raça humana...
— Mas que grande tolice! O meu reino jamais será destruído ! Este Sesshoumaru não permitirá isso!
— O senhor precisa acreditar... Tem de permitir que a criança vá... Eu sei que desejas o melhor para ela... Consigo perceber seus sentimentos... Lá, ela estará segura e crescerá cercada de sabedoria e força... Além disso, ela poderá aprender grandes feitiços com as Mikos... Eu lhe garanto meu senhor que ela só tem a ganhar...
— Como posso confiar em alguém que sequer vejo? Mostre se! — Ordenou ele, e nesse momento Sesshoumaru percebeu a luz diminuir e uma silhueta foi se formando até aparecer sua forma completa. E diante dele uma jovem fêmea apareceu. Ela possuía a pele morena bronzeada. Os cabelos em um tom escuro de vermelho eram lisos até o meio das costas, cortados na altura do queixo nas mechas da frente, mas desciam pelas costas chegando a cachos grandes na altura dos quadris. Seus olhos eram de um tom de castanho esverdeado, quase cristalinos. Seu rosto era anguloso, tinha sobrancelhas arqueadas e bem desenhadas, os olhos eram ocidentais, um nariz aquilino e uma boca carnuda de cor vermelha clara completavam o belo rosto da fêmea. Seu corpo era voluptuoso, com seios fartos em contraste com os ombros estreitos e o quadril grande. Ela estava vestida com uma Armadura prateada que desenhava os contornos dos seios e descia ate a cintura fina. Por baixo, um vestido azul escuro de mangas compridas que deixava seus ombros à mostra, mas descia até cobrir seus pés. Por fora, o grande Dai youkai permanecia impassível, com a mesma expressão serena de sempre. Mas por dentro estava realmente impressionado, não só com a beleza dela. Mas ao aparecer por inteiro, seu cheiro se fez presente e Sesshoumaru aspirou aquela combinação de canela, amêndoas, e pimenta rosa. Um cheiro doce e quente, misturado ao doce perfume natural de sua virgindade. Mas como? Seria possível que seu olfato tão apurado, o estava enganando? Sesshoumaru estava perplexo em perceber que a fêmea era humana.
— O senhor tem toda a razão, não posso pedir que confie em mim se nem sequer me mostrei ao senhor... -Disse ela, sorrindo gentilmente e se aproximando até sentar se na beira da cama de Sesshoumaru. -
— Me perdoe a insolência meu senhor, eu não pretendia afronta lo ...
—Bruni...? Não... Você é... familiar... Mas afinal quem é você?-Sesshoumaru balbuciou incerto.
— Sei que tem muito que perguntar meu senhor, mas ironicamente, não tenho muito tempo... Por favor, apenas confie no destino... Leve sua pequena Hime até as Mikos, e elas vão levá la para a era moderna. Acredite meu senhor, sei que estou lhe pedindo algo muito difícil.. Mas também sei que será muito importante para todos nós... Principalmente para o senhor...
Sesshoumaru pretendia indagar lhe ainda, mas, ela levantou se de repente e desapareceu envolta na luz. E foi nesse momento que ele novamente se viu desperto e não sentiu nem a presença e nem o cheiro da tal fêmea. Estava sonhando.
Sesshoumaru estava ciente de todo o sonho que tivera. Mas havia algo que não parecia estar certo. De qualquer forma ele sabia que aquele sonho era importante. Ele realmente estava preocupado com o futuro de Rin. Ele sabia que ela era uma criança humana, e que crescer no mundo youkai seria difícil para ela. Ele pretendia deixa la aproveitar um pouco mais de sua infância antes de apresenta la as suas obrigações como Hime das terras do oeste. Mas sentia se inquietado com a ideia de deixa la partir com as Mikos. Olhou novamente para o céu. O sol estava nascendo com todo o seu esplendor. A serva poderia ter razão, mesmo que aquilo fosse um simples sonho. Embora a sua intuição e todos os seus instintos, gritassem que não.
Na aldeia da Senhora kaede o dia começara da mesma forma. Todos os adultos levantavam cedo para suas obrigações. Kikyou e kagome no entanto, permaneciam dormindo. A velha kaede presumiu que elas tivessem ficado na conversa até mais tarde, e decidiu dar lhes um pouco mais de tempo. Ela sabia que ambas estavam tentando se entender e que deveria estar sendo difícil para as duas, aceitarem a decisão de Inuyasha de se tornar general de Sesshoumaru.
—Bom dia Senhora kaede! – Disse Sango ao chegar na cabana da velha senhora. _ Onde está a kagome?
—Bom dia Sango. Kagome e Kikyou estão dormindo ainda. Eu não quis despertá-las, acho que foram dormir mais tarde ontem.
—Senhora kaede... O que acha que vai acontecer a elas agora que Inuyasha acabou por não escolher nenhuma delas? Será que kagome vai embora de vez?– Disse Sango, abaixando a voz de modo temeroso.
— Não sei, Sango... Só espero que elas realmente não entrem em conflito por causa disso. Ambas dividem a alma! Elas devem ficar juntas. Eu temo que isso possa separa las para sempre. E isso não será bom para nenhuma delas! – Disse a velha com o olhar preocupado.
—Eu entendo sua preocupação senhora Kaede. Eu confesso que não conheço muito bem a Kikyou, mas tenho muito carinho por Kagome. Não gostaria que ela fosse embora de vez...
—Ninguém vai embora de vez Sango. Eu te prometo! Bom dia, para as duas! – Disse kagome se aproximando delas.
—Kagome? Eu sinto muito se te acordamos! -Disse a velha senhora. _Não precisa se levantar agora, pode dormir mais um pouco se quiser.
— Oh, não é necessário senhora Kaede, eu estou bem descansada. Além disso, temos muitas coisas a fazer.
—Que coisas? – Indagou Sango.
— Coisas importantes, como nos despedir de vocês. – Completou Kikyou ao se aproximar delas._ bom dia Sango, bom dia minha querida irmã.
— Se despedirem? Como assim? – Sango e a senhora Kaede se entre olharam.
—Eu decidi que vou voltar para minha era e Kikyou vai comigo.
— Mas kagome você acabou de dizer que não iria embora!
— Não Sango, eu disse que não iria embora definitivamente! Nós vamos para a minha era por que eu tenho que completar os meus estudos! E kikyou também poderá aprender muito lá.
Sango estreitou os olhos. Ficou de frente para Kagome segurou-a pelos ombros e disse:
— Vai fugir dele, é isso? Vai embora para tentar esquecê lo? É isso que você quer?
— Não estou fugindo Sango! Isso aconteceria de qualquer forma! Eu tenho que completar os meus estudos pra ajudar as pessoas daqui! Sem a joia e sem conhecimento, eu sou inútil...
—Não diga isso, Kagome você foi uma das pessoas responsáveis pela recuperação da joia e pela morte de Naraku! Se não fosse por você nós não conseguiríamos! -Respondeu Sango.
— Se não fosse por você e por sua bondade, eu não estaria viva e Inuyasha poderia ficar com você! – Disse kikyou com o olhar marejado se virando de costas. _Eu não consigo deixar de pensar que eu deveria estar viva... Sinto muito ter te atrapalhado Kagome.
—Kikyou, já conversamos sobre isso... você não tem culpa! – disse kagome , livrando se de Sango e virando se para Kikyou.
— Kagome tem razão Kikyou, você não tem culpa... Nenhuma de vocês tem. Só eu sou culpado... – respondeu uma voz que adentrava na casa nesse instante.
— Inuyasha... – Disse Kikyou olhando para baixo. Ele chegou perto dela e enxugou as lágrimas que caiam do seu queixo em seguida, a abraçou e fez sinal para que Kagome se aproximasse. Assim que ela chegou perto, ele a abraçou também. E ficaram assim os três abraçados chorando.
Foi Inuyasha que quebrou o silêncio.
— Eu quero que vocês duas me perdoem. Eu não sei como, mas amo as duas. E como para mim, os sentimentos são difíceis de entender, eu preciso de tempo. Eu preciso de tempo para saber o que é amor, ou o que é amizade. Sesshoumaru é o senhor por direito dessas terras. Assim que me tornar seu general, eu serei o senhor destas terras, em nome dele. O vilarejo estará seguro. Quando isso acontecer, NÓS TRÊS resolveremos isso. Faremos isso juntos. Não quero magoá las mais do que já magoei... Elas se olharam e concordaram com ele. Kagome acrescentou:
— Nós vamos para a minha era. Eu e kikyou também precisamos desse tempo. –Inuyasha parecia em choque com a notícia. Mas nada disse. Apenas olhava para elas como se tivesse levado um soco no estômago.
—Mas voltaremos... Assim que tivermos concluído a nossa tarefa. – Disse kikyou se afastando do abraço do hanyo.
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