Perdida Na Tempestade

59 Capítulo 59- A honra e o Medo...


Notas iniciais
Voltei, com notícias quentíssimas da "badalada balada" dos youkais mais gostosos do pedaço! E olha que essa, nem é a mais quente... Imagina só, como não vai ser o casamento triplo dos Inu Dai youkais ???? Mal posso esperar para ver... Mas enfim, neste cap vamos ver porque, Sesshoumaru estava tão preocupado, e até se reconciliou com sua amiga amicíssima, a "Brunni". Os grandes lordes vão literalmente pisar nas nossas amigas humanas... Ou não??? Vamos ao texto??!!

Inuyasha tomou a mão de Kagome, e pretendia levá-la a algum lugar mais afastado, para conversarem a sós, mas foi impedido por seu pai, que levou Byakurö para que dançasse com ele. Embora quisesse declinar a oferta, sabia que seria uma grande ofensa à youkai. Quando voltou-se para Kagome, ela já estava nos braços de Raijin, que deixara Kikyou aos cuidados de Koüga. Em uma reviravolta, o lobo da neve soltou faíscas dos olhos, ao vir que era sua mãe, quem dançaria com o inu dai youkai.

A vitória do ex hanyou, no entanto cessou quando percebeu que Sesshoumaru, havia tomado Izayoi para a dança. Raijin sorria um pouco mais conformado, mas sabendo que ali começaria uma grande batalha de sexualidade e provocação, como há muito não se via em baile algum naquelas terras. Começava então a terceira valsa de Honraria, com um ritmo mais denso assim com o ar ao redor dos casais.

Koüga começou a dança com Kikyou apenas porque Raijin lhe pedira que o "honrasse" daquela forma. Mas ele sabia que era chegado o momento para questioná-la sobre sua aparência similar com Kagome. Seus belos olhos azuis fuzilavam os negros olhos de Kikyou, como se tateassem cada centímetro de sua alma, em busca de respostas.

_Porque me olha desta maneira? Há algo errado?- Kikyou perguntou finalmente.

_Não há nada errado com seu lindo rosto... Mas sua semelhança com Kagome, me desperta a curiosidade lady Kikyou. — Respondeu-a o youkai lobo.

Koüga trajava um quimono tradicional, no mesmo modelo mais aberto no peito, cor de prata, fosco, com detalhes em azul cobalto na altura dos ombros, bem como o obi trançado em sua cintura. Seus cabelos negros, estavam soltos, caíndo pelos ombros e descendo pelas costas como uma cascata negra adornados por uma discreta testeira em prata com uma pequena cabeça de lobo encrustrada na lateral direita da peça. Conforme se mexiam mais ritmados por conta da batida mais densa, mais próximos ficavam e Kikyou pegou-se admirando o perfume de sândalo e cítricos que ele usava. Algo que remetia o frescor das florestas onde o youkai havia sido criado livre, assim como sua colônia.

_ Eu e Kagome somos irmãs de alma... — Ela respondeu timidamente, tentando fugir do momento envolvente em que estavam.

_É claro... Eu me lembro de você, agora... A sacerdotiza da Shikon no tama! Imaginei que tivesse morrido... Mas percebo que está mais viva do que nunca...

_O que quer dizer com isso?

_Seu cheiro é inebriante... E o pulsar do seu sangue nas veias, é tão forte, que eu... Sinto sede... — Respondeu o youkai sério, mas com um olhar intenso sobre a miko que rezou para que aquela dança tão provocante terminasse logo.

Suas orações foram ouvidas e alguns momentos depois, Koüga a reverênciava para entregá-la à seu próximo par. A miko respirou aliviada, quando viu Raijin vir ao seu encontro. Mas para sua surpresa, ele foi detido por um youkai que a princípio ela não reconheceu, e por conta da multidão que se mexia em sua frente desapareceu sem que ela conseguisse identificar. Logo em seguida foi o próprio Inu no Taishou quem se aproximou de Raijin entregando-lhe Izayoi e Kikyou compreendeu que ele teria de dançar com ela daquela vez. Inu no Taishou tomou Kagome, enquanto Inuyasha tomava Satori, e Sesshoumaru tomava à Claire. A Miko suspirou aliviada imaginando pois, que ao menos naquela dança, as coisas seriam mais amenas. Mal deu dois passos, foi detida por um kitsune de cabelos claríssimos e louros, que trajava um belo quimono tradicional imaculadamente branco, com detalhes geométricos, em dourado, nos ombros e barras amplas das mangas. A peça superior, era aberta no peito até pouco abaixo do umbigo, onde era fechado por um amplo obi dourado e vermelho de onde pendiam nove pontas trançadas que desciam-lhe pelo lado direito do corpo, pelas calças pregueadas igualmente brancas. Os cabelos soltos não tinham nenhum adorno, e desciam impecáveis pelos ombros largos do youkai, que não era tão massudo quanto Hikaru ou Hokuto, mas possuía um dorso, muito bem torneado e um olhar ainda mais sedutor do que qualquer outro.

_Yuko... — Kikyou murmurou surpresa com todo o explendor do youkai que sorriu discreto enquanto a reverênciava tomando-a para a próxima dança.

_Kikyou... Vejo que continua a ter o mesmo cheiro de antes... Este general Raijin deve ser mesmo um macho de muita paciência... -O youkai, disse devorando a humana com os olhos.

_Yuko, eu prefiro que não fale dele desta maneira... Além disso não sei se é prudente dançarmos...- A miko tentou afastar-se.

_Eu não falei por mal. Realmente admiro aquilo que ele tem, e eu não... Pode ficar sossegada, bela flor do inferno, ele acabou de me conceder a honraria de dançar com sua fêmea...- Yuko disse colocando uma mão na cintura da miko e pegando a mão dela, para passar por seu pescoço, aproximando-se perigosamente seu corpo do dela.

_ Yuko... Eu...

_Shiiii... Não diga nada que possa fazê-la se arrepender, minha linda Flor do inferno... Eu só quero poder te sentir por alguns minutos... Isso já me basta... — O youkai a cortou, enquanto levava a mão direita da jovem até a altura dos lábios, para analizá-la. Depois de alguns segundos o kitsune encarou-a, e recomeçou a falar.

_Está vendo os nós de seus dedos? São feitos com uma pele mais sensível, que o restante da mão, e tem terminações nervosas igualmente mais sensíveis, como as que temos nos nossos joelhos. Seguindo essa linha de raciocínio, quando eu pego, nos nós de seus dedos, é como se eu estivesse tocando seus joelhos...

_Yuko, pare! -Kikyou disse baxinho,pois tinha medo que alguém os ouvisse.

_Não precisa relutar, Kikyou... Apenas me deixe terminar minha observação, antes que a valsa comece... Onde estávamos? Ah sim... Eu estava subindo pelas suas coxas... Vê essa parte carnuda dos dedos? Tão macia, e tão firme? Ela é como as suas coxas... Suas coxas, são brancas e firmes, não são Kikyou? Sim... Eu posso sentí-las se contorcendo, irriquietas...

_Yuko pare já com isso ou eu vou...

_Você não irá me fazer mal, bela flor... Está fascinada com minha percepção... Seu macho não tem feito jus à fera que ele criou, não é? Mas enquanto ele se diverte com a fêmea errada, eu estou aqui, estudando cada detalhe da fêmea mais intrigante que já conheci... E eu não sou o único... Mas voltemos, à nossa "aula de particularidades". Esses dois dedos, o indicador e o médio, quando os colocamos juntos, e em separado dos demais, nos dão uma ampla visão de como é o seu quadril... Bem, já sabemos que seus joelhos são finos, e que suas coxas são brancas, e firmes... E agora percebemos que seu quadril é estreito, e bem desenhado... Com um púbis levemente arrebitado e tentador... Ah Kikyou... Se estes dedos são suas pernas, depois de acariciar seus joelhos, e massagear suas brancas coxas, eu me atreveria à... — E dizendo isto o Kitsune abriu suavemente os dois dedos da miko que ele segurava, e lambeu-lhe discretamente o meio deles, deixando a miko com as pernas trêmulas.

Yuko continuou segurando-a pela cintura, enquanto ela tentava se refazer, mas era uma tarefa difícil especialmente estando ela, ainda com seu corpo colado ao dele. Yuko por sua vez sentia-se maravilhado, ao perceber o quanto a respiração dela se acelerara. Prova de que ao menos daquela vez, o kitsune havia obtido hêsito.

O quarta valsa, estava começando e conforme o costume seu rítmo era ainda mais sedutor do que a anterior. Os jogos de sedução, estavam apenas começando, mas, já haviam machos explodindo de ciúmes. Yashiro era a prova disto. Apesar de dançar com diversas fêmeas, nenhuma delas, lhe fazia esquecer de olhar para Janis, e sentir o ódio lhe escurecer as vistas. Ela estava sendo cobiçada para as danças, e embora não tivesse um macho para ser honrado, ela mesma era a honraria máxima, para qualquer macho. Seu corpo estava moldado pelo provocante vestido preto e seus cabelos louros semipresos, destacavam ainda mais sua sedutora beleza de fêmea recém-deflorada. Janis sentia-se vingada ao perceber que o youkai dos logos cabelos azuis, se contorcia para manter o controle. E ela ainda colaborava, balançando os quadris enquanto dançava, correspondendo mesmo que mínimamente a cada investida sedutora de seus parceiros.

Yashiro por sua vez tentava em vão, manter o controle. Tinha vontade de ir até a hanma e arrancar-lhe o pouco tecido que a cobria e fazer amor com ela, ali mesmo, para que todos soubessem que ela era dele. Sim, ela lhe pertencia! Afinal, ele fora o primeiro a tirar sua virgindade, enquanto ela mordia o lábio inferior e gemia o nome dele... O youkai balançou a cabeça tentando não se lembrar de tudo aquilo que tanto lhe excitava. Mas ela não se cansava de provocá-lo. E ele tinha de agir, ou a hanma amaldiçoada, lhe tiraria o juízo.

_Porque não vai logo falar com ela? — Tatsuo que abrira a mão da dança e permitira que Igraine dançasse com Shippöu, se aproximou, e diante do comportamento estranho do irmão, reconheceu de imediato do que se tratava.

_Eu não tenho nada a dizer à ela... — Yashiro disse tomando o restante da bebida em sua taça, e pegando outra, cujo conteúdo, virou na garganta com a mesma facilidade.

_Vá com calma, com a bebida, Yashiro... A Janis é uma linda fêmea... Não há um macho neste shiro que não a deseje... Sabe, ela e a Igraine, se conhecem. Se quiser eu posso pedir à Igraine, que convide à Janis, para se sentar conosco em algum lugar mais reservado... E então irmão, o que me diz? — Tatsuo continuou, tendo agora a certeza de que seu irmão estava realmente interessado na Hanma.

_ E o que eu diria à ela? "Que lindo, esse vestido, todos os machos deste maldito salão querem copular, com você, por causa dele!" ou ainda "Nossa, como você é oferecida! Não gostaria de se embriagar e dormir comigo de novo? Ah sim, você vai fazer isso com o próximo idiota, agora... Mas quem sabe eu possa pegar o que restar de você, depois disso?" Francamente Tatsuo, acho que você não está me ouvindo! — Yashiro explodiu quebrando a taça em suas mãos enquanto arfafa de ódio.

Tatsuo, não pensou duas vezes, pegou um lenço e comprimiu o ferimento de seu irmão, enquanto o levava, para uma varanda afastada, onde pudessem conversar em paz. Em questão de segundos o ferimento, começou a cicatrizar-se. Depois de ter resolvido o problema, Tatsuo achou melhor questionar seu irmão,e descobrir definitivamente o que estava havendo.

_Yashiro, o que aconteceu entre você e a Janis?- Tatsuo perguntou secamente cruzando os braços na frente do corpo. Yashiro pensou em mentir, mas estava cansado e desorientado.

_Eu a encontrei ontem, bebemos uma bebida forte e ficamos conversando... Eu acabei dormindo com ela. Mas com mil demônios ela, ela era virgem, Tatsuo! Uma fêmea linda como ela, e eu fui o primeiro... Se isso não quer dizer que ela me escolheu para ser seu dono, então... — Yashiro explicou demonstrando toda a irritação e a frustração que havia sentido o dia todo.

_Acalme-se Yashiro, isso não é uma coisa necessariamente ruim! Como você mesmo disse, ela é uma fêmea linda, e muito especial. Não há nada de errado nisso, tudo o que você tem de fazer é se unir à ela, porque você a desonrou, só isso. — Tatsuo sentou-se ao lado do irmão tentando simplificar o problema.

_Me unir? Tatsuo, ela é uma hanma! Eu não posso me unir à ela! E eu ofereci à ela que fosse minha amante, mas ela não aceitou! Me pôs pra fora, e disse para que eu me esquecesse de tudo! E agora ela está lá, me provocando... E eu estou prestes a perder a cabeça! — Tatsuo abaixou a cabeça e tocou o canto internos dos olhos com o polegar e o dedos indicadicador e médio da mão direita.

_Por favor, me diga que você não fez isso! Yashiro! Como pôde sugerir à uma fêmea que acabou de lhe entregar sua honra, para ser uma amante? Ela é uma hanma muito preciosa! É a encarnação da filha do Deus Datara e da princesa Tsugumi. O reino dela se fundiu às terras do oeste há muitos anos. Além disso, é um ser extraordinário, dona de um caráter raro! Como pôde pedir à uma fêmea como esta, que fosse sua amante? Pelo amor que você tem pelos nossos pais, me diga que você não sugeriu à ela, que ficaria só com ela, enquanto ela vivesse!

_Tatsuo eu não...

_Yashiro, se ela fosse a minha irmã, eu mataria você, não pelo que vocês fizeram, mas pelo abuso das suas palavras! -Tatsuo foi enérgico.

_Eu ofereci à ela uma oportunidade única! — Yashiro se defendeu.

_Irmão, mesmo que fosse algo "único", ela não aceitou, e eu não a culpo por isso. Pelo contrário, percebo que ela faz jus ao caráter que tem. E você está transtornado, simplesmente porque está morrendo de ciúmes dela. Não vê o quanto está se martirizando por causa de um preconceito bobo?

_Ciúmes, Tatsuo? Não me faça rir, você sabe perfeitamente que nós youkais não temos sentimentos!

_Temos sim, Yashiro, e não sabemos lidar com eles e por isso cometemos erros imperdoáveis...Se quer ter alguma paz, eu sugiro que procure a Janis, e se entenda com ela.

_Eu não vou atrás daquela oferecida! Aposto que ela já está aos beijos com qualquer idiota. Só de imaginar, eu tenho vontade de acabar com aquela hanma maldita!

_Ela é uma fêmea linda, uma guerreira poderosa, inteligente, e com um caráter indelével. Além disso, pelo seu comportamento imagino que mesmo que nunca tivesse feito sexo, ela sabia exatamente o que fazer, e como fazer... O que mais se deve esperar de uma fêmea?- Tatsuo resumiu, constrangendo levemente o irmão.

_Que ela seja de sangue nobre youkai! Como o nosso, Tatsuo!- Yashiro tinha a resposta na ponta da língua.

_Acorde Yashiro! Você tem de se conscientizar que precisa encontrar uma fêmea que possa te fazer feliz, para que o resto de sua vida não seja tão amargo! Se você se unir à uma fêmea só por causa de um título, e ela vai viver com você, sem se importar com quem você realmente é. Tanto faz, se for um assassino frio, ou um homossexual, nada vai importar além do seu estatus sanguíneo. Você vai viver de aparências como noventa e nove porcento dos casais youkais que conhecemos. Isso não assusta você, irmão, porque não teve tempo de conviver com nossos pais. Logo fomos enviados para o treinamento e eles se mataram antes que terminássemos. Não tem ideia, do quanto eles se odiavam, e do quanto tentavam machucar um ao outro! — Tatsuo disse fechando os olhos para reprimir as lembranças tão amargas.

_Se mataram? Como assim? Eu não fazia ideia de que eles se comportassem assim, mas nossos pais, foram assassinados Tatsuo! — Yashiro estreitou os olhos surpreso e mortificado com as palavras do irmão.

_Eu nunca permiti que você soubesse, mas acho que chegou a hora de saber o que verdadeiramente aconteceu aos nossos pais, Yashiro. Nossa Mãe era uma youkai muito gentil, mas ao mesmo tempo, tinha uma personalidade forte, e nosso pai, era controlador e machista. Eles pertenciam à ramificações da mesma família, e se uniram por causa do clã, para mantê-lo puro. Mas nunca se deram bem, e acabaram se odiando cada dia mais... — Tatsuo dizia olhando pela janela, dando à entender que não queria encarar Yashiro.

_O que está querendo me dizer Tatsuo?

_Estou dizendo que o ciúme de nosso pai, foi tão forte que ele nos mandou ainda pequenos para sermos treinados, não para o nosso bem, mas para nos afastar de nossa mãe. Depois de alguns anos, nosso pai, assassinou nossa mãe por causa de uma carta que ela escreveu para nós dois. Mesmo com a morte dela ela não nunca mais recobrou a sanidade e acabou tirando a própria vida. O irmão mais velho de nosso pai, nosso parente mais antigo, cuidou de esconder todas as evidências, e publicamente disse que eles foram assassinados. Somente quando nos tornamos adultos e viemos para as terras do oeste, foi que ele, temendo a morte por conta da idade avançada, me contou tudo. Desde então eu jurei para mim mesmo que encontraria uma fêmea para mim, por quem eu me apaixonasse verdadeiramente. E depois de tantos anos... Quando eu estava prestes à desistir, eu encontrei a Igraine, e decidi conquistá-la. -Tatsuo estava cabisbaixo enquanto Yashiro compreendia o motivo de seu irmão ignorar sua herança sanguínea.

_Tatsuo, isso é horrivel... Eu nunca poderia imaginar que nosso pai pudessa cometer uma atrocidade desta! — Yashiro estava chocado, mas se levantou-e pôs a mão no ombro do irmão em sinal de apoio.

_Acredite em mim yashiro, não vale à pena sacrificar sua vida em nome de um preconceito. É muito mais válido encontrar uma fêmea que lhe desperte o melhor, para que vocês gerem filhotes capazes de lutar para defenderem a própria felicidade.

Yashiro não respondeu. Apenas abraçou o irmão enquanto tentava assimilar tudo aquilo. seu coração transbordou de dor e lágrimas nervosas caíram de ambas as faces. Se permitiram ficar daquela maneira até que ambos se acalmassem.

Shippöu estava ainda mais elegante do que o de costume. Os cabelos ruivos do jovem Kitsune estavam soltos e seu quimono negro com detalhes em azul, destacava ainda mais sua beleza. Igraine se sentia constrangida em dançar com o macho com o qual havia flertado antes de Tatsuo. Mas havia algo no kitsune que a deixava intrigada. Talvez fosse o ar melancólico em seu rosto, ou o misterioso olhar que ele lançava a ermo vez por outra.

_ Shippöu, você está bem? Eu sei que nós não nos falamos desde que eu cheguei... Mas... — A hanyou começou a falar para quebrar o silêncio.

_ Igraine... Está tudo bem... Você se encantou com o general Tatsuo, e eu fiquei muito feliz em saber que estão juntos. Nós não tivemos nada além de uma troca de olhares... Você é linda Igraine, merece um macho que te ame, mais do que qualquer coisa... — O Kitsune disse com sinceridade, encarando-a com doçura.

_Mas eu sinto que você não está bem... E... Tatsuo é ótimo, mas eu não sei se estou mesmo apaixonada por ele... — A hanyou reribuiu a sinceridade.

_É simples descobrir... — O kitsune mudou a postura da dança, e passou a segurar a hanyou apenas pelos quadris, unindo-os aos seus, logo após enlaçar o pescoço com os braços da hanma. Os dois corpos continuaram seguindo o ritmo denso e marcado sensualmente, enquanto se encaravam visivelmente excitados com a proximidade.

_Shippöu... Não devemos... — Ela murmurou sentindo o corpo másculo e quente do youkai comprimido contra o seu.

_Porque? Não está gostando? — O jovem Kitsune sussurrou de modo sensual nas orelhas de gato da hanyou que corou imediatamente.

_Tatsuo... Eu não posso fazer isso... Não quero, magoá-lo... — A hanyou murmurou suspirando. Aquele apelo erótico era muito grande, mas apesar disto, ela só conseguia pensar que não queria perder Tatsuo.

Subitamente o Kitsune a soltou fazendo-a encará-lo surpresa.

_Você já tem a sua resposta, minha querida... Não se preocupe comigo, pequena hanyou, eu estou bem. Mas quero que me prometa que vai ficar bem também. -O kitsune disse com um sorriso quase tão luminoso quanto o primeiro sorriso dele que Igraine havia contemplado.

_Eu prometo Shippöu... Mas acho que deveria ir atrás dela... Afinal você também já tem a sua resposta... — Igraine disse apontando a direção onde Solten estava sentada. Shippöu encarou a hanyou estreitando os olhos para ela, como se perguntasse " como você sabe?" E a hanyou continuou.
_ Ela é minha mais nova amiga... E me contou sobre como um tal kitsune mudou toda a sua vida... Parece que é comum dos youkais, deixarem as coisas mal resolvidas, e sofrerem com isso...

_Nem todos, minha doce prometida... — Tatsuo disse ao se aproximar e ouvir a última frase da hanyou à Shippöu. A valsa terminara naquele instante, e ele viera buscar sua prometida para ficarem um pouco a sós.

_ Obrigado pela honraria, capitão. — O general dragão, o reverênciou.

_Sou eu quem deve lhe agradecer, general. Até mais, Igraine, Tatsuo... Vou resolver umas pendências... -Disse o kitsune sorrindo e indo na direção da mesa onde Souten se encontrava junto com Kagura e Aika.

Leodora estava sendo convidada para dançar constantemente, mas repetidamente se negava, e preferia ficar contemplando as belas rosas vermelhas dos arranjos. Quase tão lindas quanto seu arranjo que junto aos lindos cachos de seu cabelo, desciam-lhe pelas costas. A lembrança do que ocorrera à Yukina, a deixava sem chão, e por mais que tivesse fé em Minara e ìcaro, ela sabia que seria difícil que a loba da neve, voltasse à vida. Aquele ataque, não havia sido uma mera coinscidência. A própria criatura havia dito que sabia que Izanami havia reunido as chaves em Meikakümun e Leodora temia por suas vidas. Como líder da Sociedade dos oito, era sua obrigação averiguar aquele misterioso ataque bem como o vasamento de informações. "O destino acabara de suscitar mais um guardião... Isso não foi coincidência! Esse Masato, deve saber de algum detalhe que nos passou despercebido. Só espero que o ìcaro consiga trazer a Yukina de volta... Vamos precisar de toda a ajuda possível..." A hanma morena pensava consigo, quando Naelle se aproximou e tentou animá-la, fazendo com que ela se lembrasse de Minara e da fé que ela demonstrava.

As duas se permitiram ficar na mesa próxima à pista de dança, conversando trivialidades para amenizar os pesares de seus corações, e fingir não ver, os olhares sinistros da maioria dos convidados, Youkais nobres de sangue puro, que insistiam em demonstrar toda a repugnância que sentiam por outras raças. Em um desses momentos, seus olhos tristonhos cruzaram o olhos azuis violetas de um youkai que a encarava há algum tempo. Mesmo de maneira displiscente Leodora sustentou o olhar surpresa com a petulância do macho youkai. Ao reconhecê-lo, no entanto, ela virou o rosto constrangida. Tratava-se do macho que a havia ensopado derrubando-a na banheira e que logo em seguida se redimira ajudando-a a se aprontar para buscar seus pequenos.

_ O que foi Leo? Você está corada! — Naelle perguntou curiosa, enquanto se endireitava na cadeira, para sorver uma bebida de frutas.

_ É que... Eu vi uma pessoa que não devia... — Leodora explicou à grosso modo.

_Essa "pessoa" é ruivo, alto, bonitão e tem cara de "oi, eu sou bonito, gostoso, e vou te fazer sofrer!", como diria a Mina? -Naelle perguntou enquanto brincava com um pedaço de fruta dentro de sua taça, de maneira displiscente.

_É sim... Como você sabe?Usou seu poder em mim?- Leodora perguntou curiosa.

_Claro que não Leo, não seja boba... É porque essa "pessoa" está vindo para cá... — A hanma explicou com a mesma calma. Ela agora tentava pegar a frutinha.

_Essa não... — A morena suspirou nervosamente.

_Boa noite donzelas... Permita-me apresentar-me. Eu sou Kyo, general das terras do Leste. Será que a nobre hime das terras de fogo, me honraria com a próxima dança? — Kyo disse ao se aproximar das duas.

Naelle encarou Leodora com surpresa, mas a morena apenas sorriu aliviada e fez um sinal afirmativo com a cabeça que Naelle compreendeu e executou timidamente. A ingênua hanma aceitou o pedido tendo o cuidado de guardar seu copo, antes de ir em direção à pista para a próxima valsa enquanto Leodora sorria aliviada. No entanto seu alívio não durou muito.

_Boa noite serva... Ou eu deveria dizer, bela serva... — Uma voz conhecida por ela lhe murmurou ao seu lado direito.

Instintivamente a hanma virou o rosto e ficou cara-a cara com Ryotaro, que estava sentado, muito próximo dela, e a encarava com ainda mais intensidade do que no "acidente" da banheira. Como ela não lhe respondera, o youkai fênix quebrou o encantamento e prosseguiu com o dialogo.
_Há propósito, você não me disse seu nome...

_Leo... Leodora, meu senhor... — A hanma disse simplesmente, tentando se refazer do susto.

_É um imenso prazer, conhecê-la, Leodora. Eu sou...

_Ryo... Eu vou me ausentar por alguns minutos... Se precisar de mim, sabe onde me encontrar... Boa noite, bela jovem... — Yuko avisou à Ryotaro, e em seguida cumprimentou à Leodora, ficando impressionado com a beleza da serva que ele reconhecera pelo cheiro. Ryotaro afirmou que sim com a cabeça, e logo em seguida voltou-se para continuar a conversa interrompida.

_Ryo... — Leodora tomou a dianteira.

_Como disse? — Ryotaro perguntou curioso.

_Seu nome. Você ia se apresentar mas seu amigo o fez primeiro... Ele o chamou de Ryo, não é este seu nome? — A hanma questionou-o.

Ryotaro pensou em explicar à ela, que apenas seus amigos mais íntimos o chamavam daquela maneira, mas sentiu que a constrangeria novamente e isto era tudo o que ele não queria.

_É sim... Me chamo Ryo, e é um prazer conhecê-la, Leodora. — O youkai disse finalmente fazendo uma reverência exagerada, arrancando um sorriso da hanma.

_O prazer é todo meu... — Ela se limitou a dizer pois ainda sentia-se acuada.

_Me concederia a honra da próxima dança, Leodora?- O youkai foi direto.

_A próxima? Mas estão dançando as valsas de Honraria... Não sei se lhe seria apropriado dançar as ultimas danças de honraria com uma humana... — Leodora o testou.

_E por que não?

_O senhor é um youkai, e pelos amigos que possui imagino que seja de um alto posto, das terras do leste... Não seria de bom tom ser "honrado", por uma simples humana, serva de um castelo e mãe solteira. Aliás, nem lhe é prudente que nos vejam conversando... Não me leve à mal, mas confesso que eu não me sentiria à vontade para ser vista ao lado de um general... — Leodora foi franca, tendo o cuidado apenas de não ser grosseira. Se já estava com medo dele antes, imagine depois de saber que era amigo de Yuko e Kyo, e possivelmente tinha ligações com seu pior pesadelo, o tal Lorde Ryotaro.

_ Na verdade, eu não vejo impecilho algum em sua condição sanguínea, ou social... Você certamente é mais digna do que as nobres youkais dentro deste salão. — O youkai disse com sinceridade. Ele sabia que ela estava sendo mais do que prudente, e compreendia isso, mas sentia que havia mais alguma coisa que a incomodava.

_Como pode me dizer tais coisas... Você mal me conhece... — Leodora disse em tom de ofensa.

_Conheço o suficente... Suas atitudes falam muito mais alto do que sua aparência, Leodora... Não entendo porque esconde tanto seu rosto, se seu coração é tão explícito através de seus atos... — Ryotaro falou seriamente, fazendo com que a hanma fizesse menção em se levantar. Ryotaro no entanto à impediu segurando-a delicadamente pelo cotovelo.

_Sabe o que eu não entendo? Porque um youkai de prestígio como você, insiste em querer iludir alguém como eu... Sou só uma serva, mãe solteira, e humana! Não há nada em mim que possa lhe interessar! -Leodora se repetiu, exasperada com uma mistura de angústia e sarcásmo na voz.

_Eu não estou iludindo. Estou sendo franco com você, embora todos os meus sentidos me mandem não ser... Não sei se está percebendo, mas é você quem está sendo preconceituosa. Está me repelindo, porque sou youkai, ou julga que eu pertença à um alto escalão? — O youkai perguntou encarando-a.

_O quê? Eu não sou preconceituosa! Tenho muitos amigos youkais e Hanyous! -Leodora se defendeu, traindo -se.

_ Eu sei que tem. Eu a vi com Yukina, um pouco antes da cerimônia. Eu acabei de encontrar você sentada ao lado da princesa humana das terras do fogo... Então acho que o problema não é o fato de ser youkai, ou ser de um alto escalão como você alegou... O problema é eu pertencer às terras do leste... Não é isso? Diga, Leodora... O que mudou desde que nos vimos mais cedo, no meu quarto?

_Escute, eu lhe sou muito grata pela gentileza de mais cedo, mas isso não significa que eu deva sucumbir aos seus desejos e...

_ Leodora, pare! Eu não estou lhe cobrando nada disso! Porque está agindo dessa forma, criando muralhas para me afastar? Eu sei que você sentiu o mesmo que eu...

_Engano seu... Meu coração não é tão humano quanto parece. Com sua licença, Meu senhor... — A hanma se levantou e saiu deixando Ryotaro,ainda mais irritado.

A hanma afastou-se caminhando o mais rápido possível, cuidando apenas para não trombar com ninguém. No entanto, olhos invejosos, a perseguiam por todo o salão, e esperavam o momento certo para agir. Enquanto Leodora driblava os seres à sua frente, para sair do salão, subitamente uma fêmea puxou-a abruptamente pelo braço.

_ Onde vai com tanta pressa, humana? Vai servir à algum macho, já? — Uma youkai com olhos e cabelos negros disse em tom de escárnio.

_Aonde vou não é de sua conta, youkai... Tire suas mãos imundas de cima de mim! -Leodora vociferou puxando o braço enquanto encarava a youkai.

Subitamente os outros quatro ocupantes da mesa, de onde a youkai havia se levantado momentos antes para puxar Leodora, dois machos e mais duas fêmeas, voltaram suas atenções para a cena.

_Ora, ora... Essa humana é mesmo, muito abusada! Também pudera... Do jeito que nossos lordes têm agido, é óbvio que essas reles criaturas se achem no direito de tentar nos afrontar! — Outra youkai, de visionomia muito semelhante à primeira, mas com o diferencial de ter cabelos claros assim como seus olhos, se ergueu e encarou Leodora, enquanto destilava todo o seu ódio.

_ Pandora, Perséfone! Deixem -na partir, minhas queridas... Não percamos mais, nossa bela noite, com uma criatura tão medíocre... — Um belo macho youkai com um olhar tão frio quanto sedutor, disse sorrindo passivamente.

_Perdoe-nos Lorde Fauno... Mas estas humanas nos tiram do sério! Como podem ousar pensar que podem ser como nós? — A youkai morena, de nome Pandora, afirmou voltando ao tom, frio e baixo, comumente usado pelos Dai youkais.

_Veja esta, por exemplo? Veste-se e comporta-se como uma prostituta e ainda se acha no direito de se sentir ofendida!- A fêmea de cabelos claros, de nome Perséfone, continuou as ofensas.

_Quisera qualquer uma de vocês, ter metade de minha beleza e estarem vestidas à minha altura! Mesmo se o fizessem, jamais poderiam ser comparadas comigo, ou com uma de minha raça... Youkais... Precisam mesmo fazer uma coisa assim, para chamar a atenção de um macho? Que coisa tão deplorável... -Leodora retrucou antes de dar as costas à todos, com toda a classe e o orgulho que Izanami lhe ensinara a usar.

Seguiu seu caminho resignada, mas de cabeça erguida deixando as youkais boquiabertas com sua petulância. Fauno no entanto, sorriu divertido, e apenas com um olhar para o macho que se encontrava ao seu lado direito, o fez se levantar, e sair discretamente, indo na mesma direção onde a bela humana havia acabado de passar.

Notas finais
Gente eu agradeço imensamente cada comentário e cada leitor! Obrigada pela paciência hoje e sempre! Até a próxima!!!!