Perdida Na Tempestade
56 Capítulo - 56- Semelhanças...
Notas iniciais
Brunhilde teve uma grande surpresa ao conhecer Freyia, uma hanma nascida na trigésima segunda geração do clã de seu pai. Eram portanto, como parentes e mesmo com tanto tempo de diferença eram muito parecidas fisicamente, com a diferença dos cabelos de Freyia serem louros.
_Viu, mãe eu disse que ela parecida com você! Mas mais ainda, é a Naelle! — Minara reafirmou e Brunhilde confirmou. Naelle parecia-se muito mais, com Brunhilde, mesmo sendo filha de um youkai.
_Eu conheci Minara Hime quando Lady Izanami foi me buscar nas terras altas. Eles acreditavam que eu era a sua encarnação lady Brunhilde. E conhecendo-a de perto, vejo que foram generosos para comigo. — Freyia comentou humildemente.
_É muita gentileza sua, Freyia! Mas que bom que conheceu minha mãe, ela era um ser notável. -Brunhilde afirmou saudosa.
_Era sim. Foi graças à ela que conheci meu macho. Eu devo tudo o que tenho de mais precioso à ela. Estive em Meikakü mum, apenas algumas vezes, mas é a primeira vez que venho depois que ela partiu para o outro mundo... Já a Naelle vinha com mais frequência desde que Minara despertou curada. -Lamentou, Freyia.
_É verdade, tia Freyia, mas isso me lembra que eu não conheço seu filho mais velho, ele esteve em treinamento durante este tempo, não é mesmo? — Minara questionou curiosa.
_Sim querida, mas felizmente os vinte anos de treinamento nas terras altas, finalmente acabaram. Talon estava louco para conhecer Meikakü mum. Imagine agora que Brunhilde e Kurö Ookami estão de volta? Ele também tem muita curiosidade para conhecê-la, Minara hime. — Freyia comentou animando-se.
_Ora e porque ele não veio com vocês?
_Não é de bom tom, ver uma noiva que está se aprontando, minha querida... Ele não quis ser inconveniente.
_Então não seja por isso, tia! Venha Naelle, vamos ver seu irmão, rapidinho! — Minara levantou-se e correu para a porta.
_Mas querida, é sua união! Você pode deixar para se falarem outro dia! — Freyia ponderou.
_Ih que nada, tia Freyia, eu ainda tenho tempo! Até daqui à pouco! — E puxando Naelle pela mão, as duas saíram correndo.
_Não se preocupe, Freyia, Minara não vai demorar. Mas fale-me, você tem noticias de nosso clã? — Brunhilde mudou o assunto para não deixar Freyia constrangida.
Minara e Naelle foram em direção aos aposentos, correndo, e ao chegarem ao saguão vislumbraram vários youkais que ainda estavam chegando para a comemoração da união. alguns a ignoravam, outros estreitavam os olhos para observá-las melhor, mas isso não as impediu de chegarem aos aposentos. No entanto, ficaram frustradas ao perceberem que eles haviam saído.
_E agora, Mina, o que vamos fazer?- Naelle questionou-a.
_Vamos procurá-los! Eu me lembro do Kedrik, ele não deve ter mudado muito nesses dez anos! O macho que estiver com ele, deve ser o seu outro irmão!-Minara presumiu.
_Tem certeza disso, Mina? Eu acho melhor a gente voltar... Está cheio de youkais estranhos aqui, pode ser perigoso... — A jovem Naelle presumiu com sensatez.
_Que nada, Naelle se aparecer algum engraçadinho, você usa o seu espelho de gelo, e eu uso o tempo espaço!Rsrsrs agora vamos, logo,que eu não posso demorar muito, lembra? — Minara brincou e saiu correndo levando Naelle pela mão.
Ao chegarem ao saguão decidiram que Naelle procuraria nos andares superiores, próximos ao salão de festas, enquanto Minara procuraria do lado de fora do shiro. Minara saiu e foi em direção ao festival. Por ser próximo do horário de saída da escolinha, ainda haviam algumas crianças por perto, apreciando as tendas, e os jogos. Ao vê-la um grupo de seis crianças correu para abraçá-la. Após algusn beijos e abraços sinceros, ela se despediu-se das crianças e cumprimentou alguns de seus aldeões que pararam para falar com ela. Alguns metros dentro da avenida de tendas momentadas, Minara reconheceu Kyo que estava acompanhado de outro youkai, bebericando e conversando em uma barraca e decidiu ir até eles.
_Kyo! Que belo treinador é você, que desapareceu? -Minara o abraçou com carinho.
_Minara hime! É tão bom ver você, viva e bem! Deixe eu lhe apresentar o Yuko, outro general das Terra do leste. — Kyo sorriu sincero, ao contemplá-la.
_Como vai Yuko, está gostando de Meikakü mum? — Minara perguntou simpaticamente.
_Vou bem, Minara Hime. Estou gostando muito. É um bom lugar para se descansar o corpo, e os olhos. — O youkai disse, admirando uma linda moça youkai que os servia.
_É sim, por isso, tenho tanto orgulho daqui. Aproveite seu "Tino" para belas fêmeas e leva o Kyo, para conversar com as sacerdotizas! Ele é muito admirado, por elas, mas ele é tímido! — Minara arrancou risadas do kitsune.
_Pode deixar, milady, seu desejo é uma ordem! — Yuko respondeu reverênciando-a.
_Você não devia estar se arrumando? Todas as noivas passam o dia de sua união se preparando!- Kyo perguntou.
_Ah, eu já fiz as unhas, e o resto agora é fácil... E você sabe que a vaidade e eu, não combinamos! -A hime disse, e em seguida despediu-se, e continuou sua busca.
Minara, estava feliz por sua bela vila, estar tão bonita, e todos que a conheciam, a cumprimentavam e ofereciam doces e presentes. Chegando ao fim das tendas, Minara viu que alguns youkais se dirigiam à uma estrada de terra que dava para os criadores de peixe, e para a fonte de àgua natural. Resolveu seguí-los e encontrou uma outra parte do festival, com mais algumas tendas e uma banda tocando bem à beira das fontes. Era um pedaço do festival afastado, propiciamente feito, para os mais reclusos. Não haviam muitos youkais, ou quaisquer outros seres, e parecia calmo em relação ao resto do festival. Como não vislumbrou nenhum ser que lhe lembrava Kedrik, deu meia volta e começou a retornar. Foi neste momento que um jovem youkai, aproximou-se dela, e entregou-lhe um lírio branco. Minara se assustou, mas acabou por pegar a flor, imaginando que fosse um presente por sua união.
_Porque uma moça tão bonita, está sozinha? — Perguntou-lhe o jovem com um sorriso luminoso nos lábios.
_Eu nunca estou sozinha. Está é a minha cidade... — Minara respondeu surpresa com a atitude dele.
_Então, não há um lugar onde possamos ficar à sós? — O jovem galanteador, disse se aproximando de Minara, que reconhecia nele traços muito familiares, mas não conseguia precisar a quem pertenciam.
_Mesmo que houvesse, eu nunca estaria só. -Disse novamente a hanma ruiva sorrindo e mostrando a marca falsa.
_Então você pertence à um youkai... E onde está este tolo, que deixa uma fêmea tão linda como você sozinha? — O Belo e jovem youkai, questionou-a, ainda mais charmoso.
_Chega garoto, eu já lhe disse que sou comprometida. Agora seja um bom menino e vá procurar uma boa moça desempedida, para você. -Minara deu a conversa por encerrada.
_Eu possívelmente sou mais velho que você, mas isso não vem ao caso. A questão, é que sou eu, quem decide se vou ou não me interessar por você... — O jovem youkai, aproximou-se tanto, que a pegou pelo queixo.
_Acho que vai preferir não se interessar — Minara bateu na mão do abusado jovem, e saiu rapidamente indo em direção ao shiro.
_Eu não disse que você podia ir... — O youkai pegou-a pelo braço, e sussurou para ela com todo o seu galanteio, arrancando um gemido abafado da hanma com o susto.
_Solte-me, ou vou lhe mostrar quem eu sou... — A hanma esbravejou, entre os dentes. Diante da ira dela, o jovem revolveu mudar sua atitude.
_Desculpe-me... eu não devia ser tão grosseiro... Normalmente eu não tenho esse tipo de atitude, mas... Você... -O jovem passou a mão pela cabeça, em um gesto mais do que conhecido por ela.
_Eu o quê? Eu não fiz nada! — Minara disse, curiosa com o estranho jeito do youkai.
_Sei que não... Você, é... Muito atraente, garotinha... E não estou falando só de beleza física, que você tem bastante, mas me refiro à sua personalidade forte, quase selvagem. — O youkai confidenciou-lhe parecendo incomodado, em dizer o que pensava.
_Rsrsrs isso é sinal de que você, não é muito inteligente! A maioria dos machos prefere passar longe de uma personalidade como a minha! -Minara debochou.
_A maioria dos machos, vive dentro de uma redoma de conforto, imaginando que são únicos e que têm absoluto controle sobre suas vidas, e tudo o que são, verdadeiramente, é um monte de carne podre, aprisionada em seus próprios preconceitos machistas, e racistas... Eu não sou assim, e nem quero ser! Prefiro viver a vida real, garota, e o que é mais real, do que a força de uma fêmea selvagem, consciente de sua beleza e força, assim como você? -
_Uau... Agora vi tudo! Você é um filósofo! Rsrsrsrsr! -Minara continuou rindo divertida.
_Não! Mas meu pai, é um youkai muito erudito. Como consequência, eu também tenho um bom conhecimento literário...
_E se vale dele, para conquistar as fêmeas incautas! Que cafajeste! Kkkkkk...- Minara arrancou risadas do jovem que acabou por concordar, piscando pra ela.
_Não, eu não engano ninguém, como um cafajeste, faria... Mas agora, deixe eu lhe mostrar que não sou tão grosseiro... Dança comigo, para que eu possa me redimir!- O jovem reverênciou-a e estendeu-lhe a mão grande de dedos finos, com garras bem afiadas, e feitas, com direito à três delas, a do indicador, do anelar, e do e do polegar de cada mão, pintadas de preto.
_Não é uma boa ideia... Eu estou sem tempo, preciso me preparar para a cerimônia... — Minara lembrou-se, tentando colocar uma distância entre eles.
_Por favor, eu só preciso de uma dança, para tirar a má impressão que causei. Vai me negar esta chance? Lembre-se de que sempre, existe tempo para uma última dança... — O jovem sorriu e em seguida ajoelhou-se, para ser mais insistente.
_Está bem, mas pare com isso, se não, todos vão reparar! — Minara pegou a mão ainda estendida, para cessar os olhares alheios, ao casal.
O jovem segurou a mão de Minara e sorriu de lado, satisfeito, antes de caminhar com ela até a pista onde apenas dois casais, dançavam de rosto colado. A música era tipicamente oriental, mas o jovem caminhou até os músicos, e em segundos retornou, pegando Minara pela mão direita e passando o braço dela por seu ombro, segurou-a pelo quadril, com a mão esquerda aproximando os corpos, enquanto aguardava o início da música.
_O que está fazendo? Não é assim que se dança, aqui! -Minara estranhou,pois danças de camponeses só seriam apreciadas depois de dois ou três mil anos, no futuro.
_Aprendi essa dança com minha irmã caçula, agora tudo o que você tem de fazer é confiar em mim...
_Irmã caçula? -Perguntou Minara, mas o jovem já não respondeu, pois a música começara.
Com uma batida mais forte, que ditava os movimentos dos pés, a música era instrumental e muito alegre por si só, e ambos dançavam vigorosamente, cada qual querendo impressionar o outro com sua habilidade. O youkai de olhos amarelados, rodopiava Minara e a pegava de volta com desenvoltura, enquanto a hanma sorria divertida. Ao fim da música, o jovem a desceu colando seus corpos, e quando Minara percebeu ele estava muito próximo de seu rosto. Mas ao contrário do que ela imaginava, ele se levantou e a ergueu, para bater palmas para ela.
_Muito bem, garotinha! Você dançou como uma profissional... O que foi, ficou surpresa? — O jovem sorriu passando as mãos pelos longos cabelos louros acinzentados, jogando-os para trás. Aquele gesto, era muitíssimo familiar para Minara, mas ela não se dava conta do porquê.
_Eu achei que você fosse tentar alguma coisa, comigo. — Minara declarou respirando fundo para desacelerar seu coração.
_Eu confesso que fiquei tentado à fazê-lo, mas quero te mostrar que não sou assim, lembra? Além disso, você tem de ir, para se arrumar e se eu te beijasse, você não voltaria para casa hoje... — O youkai ergueu uma sobrancelha, sorrindo sedutor, enquanto acariciava suavemente a mão de Minara que ainda estava entre as suas.
_Nossa, você é mesmo muito soberbo! Nunca conheci alquém tão convencido! Eu nunca permitiria que nada acontecesse entre nós. Sou uma fêmea marcada e amo, meu macho... -Minara declarou, com convicção.
_Acredito em você... Mesmo assim, eu não mudaria uma palavra do que lhe disse. Você me atrai muito, e cada vez mais, garotinha... — O youkai murmurou estendendo a mão na direção dos cabelos da hanma, tirando uma flor, de trás da orelha dela.
_Você também faz truques! Rsrss, agora deu pra perceber que é um conquistador, profissional! Sério, você devia escrever um livro sobre isso! Garanto que ia fazer sucesso. — Minara desdenhou enquanto seguia em direção à estrada de chão batido, para retornar ao Shiro.
_kkkk é uma boa ideia... Talvez eu o faça algum dia... Mas eu não sou um conquistador profissional... — O jovem fez um gesto demonstrando que a acompanharia.
_Você não precisa me levar, pode ficar aqui e tentar uma nova conquista! Prometo que não vou contar a ninguém que falhou em tentar comigo...
_Isso é tentador, mas, ao contrário do macho, insuportávelmente sortudo, que possui você, eu não costumo permitir que as fêmeas andem sozinhas. Ainda mais, por uma estrada deserta, ao pôr do sol.
_Ele também não permitiria se soubesse... Mas eu não sou do tipo que obedece... E além disso aqui é a minha casa, o meu povo, e eu não temo andar por aqui.
_Então, a garotinha é independente e mal criada? Isso está ficando ainda mais interessante...
_Você é um macho muito simpático, sabia? Eu gostei de falar com você! Foi um dos poucos que não me tratou como criança apesar de ficar me chamando de garotinha! Poderíamos ser amigos, se você parasse com esse papo de conquistador!
_Eu agradeço os elogios, mas vou continuar te chamando de garotinha, e quanto ao resto, fico lisongeado por querer a minha amizade, e posso te garantir que você já a tem. Mas como disse antes, eu não sou um conquistador...
_Ah não? -Minara parou e se voltou para ele, encarando-o com ironia.
_Não... — O jovem parou, e encarou-a igualmente, desta vez, com seriedade enquanto os raios do sol, que se amenizavam prontos para se deitarem junto com o dia, dançavam nos cabelos sanguíneos da hanma, deixando -os vários tons mais vermelhos, como um espetáculo de luzes.
Aproximou-se dela, em meio àquele encantamento, e tomou o rosto dela com uma mão, acariciando-a com o polegar. Minara não viu malícia naquele gesto, e ainda com uma expressão irônica na face, preparava-se para falar quando foi interrompida pela voz grave e sussurrante do youkai.
_Se eu fosse um conquistador, usaria todo o meu talento, para conquistá-la, porque eu sei, eu vejo em seus olhos, eu ouço em cada palavra que você diz, que você vale à pena... Você vale cada amanhecer que eu já contemplei, até hoje, e mesmo que eu morra pelo que estou fazendo, sei que vai valer a pena... — O jovem disse antes de beijar as mãos de Minara em um beijo casto, cheio de sentimentos, que fez a hanma se arrepiar.
_Eu tenho que ir... -A hanma puxou as mãos, que jaziam dentre as do youkai, e voltou-se para sair dali o quanto antes.
_Eu não sei o seu nome...- O youkai disse fazendo-a encará-lo.
_Minara? Você o encontrou! Agora temos de voltar, tia Brunhilde disse que está ficando tarde! — Naelle, que vinha correndo aproximou-se deles, e continuou depois de tomar fôlego.
_E então Talon, ela não é incrível?
_Minara hime... -O youkai balbuciou, surpreso.
_Você... Você é Lukyan Talon Dragon, o filho da minha tia Freyia?- Minara disse igualmente surpresa.
_Ué, vocês não haviam se apresentado? -Naelle sorriu divertida.
_Então você, vai se unir à um general das Terras do Oeste, ao nascer da lua... Não acredito nisso, passei anos querendo conhecê-la, e quando o faço, você vai unir à outro macho... Isso é tão surreal! — Talon passou novamente as mãos pelos cabelos, levemente nervoso.
_Está tudo bem Talon? Você está estranho!- Naelle questionou-o.
_Está sim, Naelle. Bem, eu vou acompanhá-las de volta ao shiro. É melhor irmos andando, vocês não podem se atrasar.
_Isso não é necessário, Talon, podemos voltar sozinhas. Fique e divirta-se mais um pouco... Você tem tempo antes da cerimônia... — Minara tentou mudar o assunto, sem sucesso.
_Não há nada para mim aqui. E como já lhe disse, não deixo fêmeas andando sozinhas... — Talon continuou andando mas desta vez sua expressão estava séria,e Minara resolveu não discutir.
Caminharam de volta ao shiro com certa urgência, entre assuntos pequenos e paralelos. De vez em quando Talon voltava seu olhar para Minara, mas rapidamente eles voltavam a face para outra direção. Minara sentia algo estranho ao lado dele. Como se sentisse atraída, mas não era algo sexual. Talvez fosse por ser uma boa companhia, mas ela se negava a pensar nisso. Amava a Hikaru, e isso era uma grande certeza em sua vida.
Ao chegarem ao shiro, os três se despediram e Minara partiu correndo para seu aposento, onde Brunhilde a esperava com um banho de jacintos, flores que diziam inspirar a calma e a clareza dos pensamentos. Brunhilde fez questão de se arrumar ao lado de Minara e apenas as duas. Apesar de estarem novamente juntas, ela mal conhecia aquela fêmea adulta que sua pequena filha havia se tornado. Envolta em um roupão atoalhado, Brunhilde massageou os cabelos da filha com unguentos, enquanto conversavam trivialidades.
_Mãe, eu posso te perguntar uma coisa íntima? — Minara baixou os olhos,exatamente como fazia quando estava contrariada e Brunhilde percebeu que sua pequena não havia mudado tanto assim.
_Claro, minha filha! O que lhe aflige? -Brunhilde disse enquanto secava os cabelos de Minara com uma toalha, com ela ainda dentro da banheira.
_Como foi que você teve certeza de que o papai, era o amor de sua vida?
_Ah, bom, eu nem sempre soube... Quando nos conhecemos, seu pai e eu, tínhamos uma rixa. Ele era muito autoritário, comigo, porque me achava muito jovem. E eu fazia o possível para prová-lo que não era! Nesta época eu havia acabado de sair daqui para viver no Mikadzuki no Shiro, na torre construída para mim por Inu no Taishou. Meu pai havia morrido, e eu estava envolvida com outro macho...- A hanyou revelou quase sem querer.
_Outro macho?? Você namorou outro macho antes do papai?? Quem foi esse outro, mãe? — Minara se surpreendeu.
_Ah, não foi bem um namoro! Nós, nos víamos quase todos os dias, e ele fazia questão de me cortejar. Me lembro de um baile no Mikadzuki, onde nós escandalizamos a corte de Inu no Taishou, dançando juntos, e foi uma noite incrível... Mas tudo o que aconteceu entre nós, foi um beijo. Nós perdemos o contato depois que eu tive que viajar, para ajudar na guerra das terras negras, em companhia do seu pai. Passamos algum tempo juntos e nós acabamos por nos aproximar... — Brunhilde esplicou sendo o mais sincera possível.
_Mãe, você não disse quem foi esse outro!
_Promete que não vai contar isso à ninguém?
_Claro, mãe!
_Foi o príncipe Sesshoumaru... Mas não comente isso nem mesmo com Hikaru. Depois que retornei, seu pai contou que nós nos uniríamos e ele nunca mais falou comigo. Acho que se magoou com isso, mas no fundo nós dois sabíamos que nunca daria certo entre nós...
_Mãe??? Você e o Sesshoumaru??? Nem eu, nunca imaginei isso!- Minara escandalizou-se.
_Não se esqueça que você prometeu não dizer nada à ninguém! Agora me diga porque está me perguntando isso? Você tem alguma dúvida?- Brunhilde perguntou certa de que Minara estava preocupada.
_Eu amo o Hikaru... Mas tem horas em que eu acho que não o conheço! Tenho medo de estar cometendo um engano... Sabe quando a gente quer tanto uma coisa que de repente se pergunta, o porquê de querer tanto? É mais ou menos isso, que eu estou sentindo... E eu não consigo ver o meu futuro, e tampouco o passado de Hikaru... Sinto que há algo, nele que eu deveria saber... — A hanma disse abrindo seu coração para sua mãe. Brunhilde ponderou e percebeu a angústia dela.
_Eu entendo o que está sentindo, Minara. Eu também costumava me sentir assim, porque também não conseguia ver meu futuro... Mas olhe ao seu redor, e veja como os seres que não tem o nosso dom, se comportam. Eles fazem o seu melhor e deixam que o futuro cuide deles! E se não der certo, eles recomeçam,minha filha, muitas vezes, do zero... Você e eu não somos mais fracas do que os outros. Se algo não der certo, minha criança, aqui é seu lar, e nós vamos recomeçar do zero, juntas. — A hanyou disse emocionada.
Minara saiu da banheira e vestiu seu roupão para abraçar a mãe, e chorar em seus braços.
_Mina, tem certeza de que é só isso mesmo? Nunca vi você assim, tão fragilizada. -
_Eu não quero sair daqui... Não quero deixar Meikakü Mum, e nem você, e nem o papai, e os meus amigos... — A hanma disse ainda com a cabeça afundada no ombro de Brunhilde.
_Mas meu amor, você poderá vir nos ver quando quiser! Sei que isso assusta um pouco, mas pode ser que você e o Hikaru decidam ficar... Não precisa ter medo disso, minha bonequinha...
_Está certa mãe... Eu o amo... Amo tanto, que passo mal, só de vê-lo se aproximar de mim... Mas eu sei que vai doer... Eu sinto que há algo errado,mãe... Eu não queria sentir! Mas eu não consigo deixar de pensar nisso... — Minara desabou e a hanyou apertou com força em seus braços.
_Não se preocupe minha filha, não há o que temer... Com tanto amor, que sei, que ele tem por você, vocês vão conseguir superar qualquer problema meu anjinho... De qualquer forma, pode desistir de tudo isto agora mesmo. Essa união foi ideia sua, mas se quiser pode desistir, e continuar vivendo com ele, até decidirem se é isso mesmo o que você quer!
_Isso não seria bem visto, mãe...
_Quero que os outros se danem junto com suas opiniões! O que me importa é VOCÊ e sua felicidade, apenas isso!- A hanyou foi enfática arrancando um sorriso de sua filha.
_Tá bom mãe... Rsrsrsr... Obrigada por estar comigo... — E assim dizendo abraçou novamente sua mãe, com todo o seu carinho.
Tudo continuou correndo conforme o planejado. As duas passaram preciosos momentos juntas. E a hanyou alada, ficou maravilhada com sua pequena filha, vestida de noiva. Como último toque aos cabelos de Minara presos em uma trança embutida frouxa, a tiara de ouro com a cabeça da águia na fronte, e as asas douradas localizadas nas laterais da cabeça, símbolo do clã das feiticeiras do tempo.
_Mãe... É linda! — A hanma exclamou.
_É sua, minha bonequinha... Quero que você seja muito feliz, minha filha... E se por algum motivo, passar pela sua cabeça que você não é, quero que você saiba, que aqui é, e sempre será a sua casa... Nunca se esqueça disso. — Brunhilde disse, encarando a filha.
A hanyou usava um vestido cujo decote, era todo drapeado e preso em uma só alça e deixava suas costas e asas, descobertas e à vontade. Era de um tom de verde água, muito discreto, e que combinava perfeitamente com suas jóias e braceletes dourados.
Rirorirï também havia acabado de se aprontar e Emi que estava com ela, estava emocionada ao contemplar a beleza de sua nora. Ela deu à Usage, um medalhão com o símbolo do clã de Isamu, que ela prontamente colocou, ficando ainda mais tensa, e emocionada.
Lukian Talon Dragon Príncipe das terras do Fogo.

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