Perdida Na Tempestade

57 Capítulo -57- Ao Nascer da Lua...


Notas iniciais
Chegueiiii depois de me entupir de rabanada e não tomar nenhuma, no ano novo, (malditos remédios)!EEEEis me aqui! E trago o casório do ano! OU não! Porque teremos outros que vão sacudir o bambuzal... Então, vamos ao texto???

A hora se aproximava. O crepúsculo já havia se pronunciado no céu, e a lua estava próxima de seu nascimento. Hikaru e Isamu, já estavam diante do altar do anfiteatro localizado no centro da praça principal do vilarejo, construído justamente para estas ocasiões. Tratava-se na verdade, de um bosque amplamente arborizado, cercado por árvores milenares, e com centenas de outras espécies de plantas e pequenos animais. Era delimitado por uma trilha de pedras brancas que levava à todas as partes do bosque, bem como ao centro onde fora construído o anfiteatro com as mesmas pedras brancas do chão, pedras tiradas da montanha, na ocasião da construção do shiro. Toda a estradinha, era iluminada por tochas altas de ferro fundido onde ardiam cristais mágicos, emanando uma luz deveras mais forte que o fogo e de coloração levemente azulada. O anfiteatro, era cerca de um metro e vinte centímetros mais alto que o nível da estrada que acabava em suas escadas, tinha a forma oval, tendo uma de suas extremidades na entrada e a mais distante coberta pelo altar. Não era coberto por telhado, e estava delimitado por altas colunas de mármore trabalhadas à mão por hábeis artistas. Acima das colunas havia uma espécie de mezanino, em forma de meia lua, cujo lado fechado estava acima da entrada e as extremidades, cada uma com uma escada, estavam de frente para o altar. Nesta parte mais alta, construída em meias paredes sólidas e fechadas do lado de fora e pequenas colunas de pedra pelo lado de dentro, havia um corredor que ia de uma extremidade à outra e pequenos círculos internos, como camarotes, que eram cobertos por tendas de tecido, igualmente redondas, e que possuíam uma ampla visão do altar bem como de toda a parte interna do anfiteatro. Os "camarotes", eram decorados com tecidos, e bancos de pedra com almofadas confortáveis, e contavam ainda com um servo que ficava à disposição de cada um dos honrados youkais que tivessem o privilégio de estar naquela posição. Na parte térrea, livre de paredes, haviam várias fileiras de cadeiras de pedra, e entre elas, um caminho que levava diretamente ao altar, e estava adornada por um "tapete" de mosaicos de pedras em vários tons de azul. O altar, era uma obra de arte à parte. Fora construído mais alto, e sua escada magnifíca de mármore, era adornada por duas figuras de pedra, uma em cada lado, que representavam os celestiais que deram origem ao mundo. Um pouco atrás, das estátuas, estavam duas enormes águias de pedra que foram projetadas e esculpidas de modo que pareciam que o próprio altar fora construído sobre suas costas enquanto elas tentavam alçar vôo. Finalmente no altar, Junto à parede traseira, estavam as três grandes e imponentes estátuas de pedra adornadas com ouro e pedras preciosas, de Tsukuyomi, Amaterasu, e Susanoo, os três principais deuses, cada um com sua particularidade e magnitude. À frente deles, uma mesa alta de pedra, adornada com um castiçal e duas taças, todos os três, confeccionados em ouro.

Hikaru e Isamu, já se encontravam no altar segundo o costume de o macho aguardar a fêmea, assim como o bom caçador, que espera que sua presa venha até ele. Ambos transpareciam tranquilidade, mas estavam irriquietos por dentro, sobretudo, Hikaru. Mal podia esperar para ver como havia ficado a sua menina com o vestido encomendado por ele. Já Isamu estava curioso, para ver o que sua deliciosa usagi vestiria para ele. Não havia mais dúvidas, em seu lógico coração de youkai, sobre ela, e isso lhe transmitia uma imensa paz, que somada à inquietação e esperá-la, lhe fazia sentir-se vivo, como há muito não sentia. Como só ela, verdadeiramente, o fizera sentir.

Apesar de suas emoções, serem parecidas as vestimentas, eram bastante diferentes. Isamu, usava um quimono tradicional negro, mais aberto no peito, com estampas de meias luas, em vermelho, nos ombros e costas, as espadas tradicionais do clã, assim como o medalhão com o brasão, em seu pescoço. Ele tinha ainda os cabelos presos apenas por finas tranças feitas pelas mechas localizadas acima das orelhas, e presas atrás da cabeça, em um coque estilizado, arrematado, por um pente de penas longas e igualmente negras. Suas asas negras, estavam abertas, e seus vermelhos olhos, brilhantes de alegria, traíam a expressão fria de sempre. Sua figura lembrava um anjo negro, belo, sedutor e imponente, digno de sua patente de general, e de sua condição de príncipe dos Karasu.

Hikaru por sua vez, tinha o dorso musculoso de pele dourada, nu até acintura. Seu único adorno, era uma ampla capa de pele de tigre demônio, cuja cabeça da fera, parecia "morder" o ombro esquerdo, e parte da pele felpuda, cobria-lhe até o cotovelo do braço esquerdo, enquanto a outra ponta, passava por baixo do braço direito, e ia encontrar com a outra extremidade, para fechar-se em grandes abotoaduras quadradas de ouro, no peito do youkai. O ombro esquerdo embora desnudo da capa, estava coberto por uma ombreira de armadura, trabalhada em ouro, com duas partes: a externa, maior e mais aberta e ovalada e a interna, por baixo da primeira, mais rente ao braço, descendo até o meio do braço musculoso. Os cabelos, estavam soltos, como uma cascata douradada que descia-lhe até a cintura, e destacava ainda mais o brilhante pêlo da capa que descia pelas costas, até um pouco abaixo de seus pés. A calça do youkai era pregueada e larga, de cor marron escura, sem detalhe mais algum, e seus pés estavam calçados por sapatos recobertos por escamas de metal dourado. Ainda em sua cabeça, uma discreta coroa medieval, dourada, com uma esmeralda quadrada ao centro, remetia sua condição real, por muitos desconhecida. O youkai tigre, destilava toda a nobreza de seu sangue, e não havia uma fêmea que não notasse sua máscula beleza, iluminada pelo brilho de satisfação em seus olhos.

Começaram então à chegar os amigos mais íntimos. Os Inu Dai youkais, Sesshoumaru e Inuyasha, vinham trajando os tradicionais quimonos brancos com detalhes geométricos vermelhos, na altura dos ombros. A parte de cima da vestimenta era mais aberta e revelava os definidos peitorais, bem como as marcas arrouxeadas compridas e afiladas que vinham desde o lado até a altura dos mamilos, mas um pouco abaixo, bem em cima das costelas. Os longos cabelos brancos, estavam soltos, cada qual com um adorno. Sesshoumaru usava uma coroa de ouro branco com três pontas sendo a do meio mais alta. Já Inuyasha, usava uma tiara com apenas duas pontas, uma em cada lateral da cabeça, feita do mesmo material que a de seu meio irmão, mas deveras mais simples. Ambos adornos, realçavam ainda mais a beleza dos rostos, tanto o de pele branca como porcelana de Sesshoumaru como o de pele dourada de Inuyasha. As calças pregueadas, igualmente brancas, revelavam vagamente os pés cobertos com getas e meias brancas, enquanto ostentavam as espadas brilhantes e tão cobiçadas de ambos. kagome, e Rin, os acompanhavam e estavam igualmente elegantes e orgulhosas de seus lindos machos. Os dois casais, preferiram se sentar nas primeiras fileiras,enquanto o patriarca do clã, Inu no Taishou, impecávelmente vestido, com sua capa de pele, e orgulhosamente acompanhado por suas duas belas e elegantes fêmeas, Izayoi e Satori, preferiu subir ao camarote reservado para si, para terem um pouco mais de privacidade enquanto resolvia suas pendências com elas. Aika e Masato, que por acaso chegaram juntos, também foram cumprimentar Hikaru e Isamu e foram se sentar na terceira fileira. Yuko, Kyo e Ryotaro, também foram cumprimentar os noivos, e por insistência do próprio Ryotaro. Logo que se apresnetou à Isamu fez questão de frisar o quanto Ritorirï era especial, tendo o cuidado apenas de não parecer ser muito íntimo dela. Em seguida voltou-se à Hikaru, e após um breve período encarando-o, em silêncio, os dois apertaram as mãos, em um gesto cheio de significados. Feito isso, Ryotaro ainda em silêncio, deu às costas aos dois e acompanhado de seus generais, subiu para o segundo camarote. Raijin e Kikyou seguidos por Byaküro e Susanoo e Yukina, também foram cumprimentá-los antes de subirem ao camarote reservado para eles. Para surpresa de todos, Yukina estava belíssima e não parecia nem um pouco abalada. Cumprimentou Isamu cordialmente e desejou a ele, sinceramente, muitas felicidades. Quando estava indo se sentar com seus pais, no entanto, ela avistou uma belíssima jovem humana vestida de vermelho, que quando a viu, reverênciou-a sorrindo, e Yukina reconheceu seus gestos. Pediu licença à seus parentes e foi sentar-se com Leodora, não escondendo nem por um minuto, sua surpresa com a beleza da humana. Junto com Leo, estava também Naelle, a "prima" de Minara, e sua amiga de muitos anos. E por ser a princesa das Terras do fogo, a jovem também era conhecida por Yukina. Talon e Kedric preferiram se sentarem juntos e pouco afastados dos pais, e da irmã, já que Kedrik , tinham muito à contar sobre as belas fêmeas que haviam conhecido. Os demais convidados, foram chegando aos poucos, cada qual mais imponente e curiosamente vestido conforme os costumes de sua região e sua posição no clã e em seus respectivos reinos.

E foi neste momento que Brunhilde deixou Minara no quarto, e desceu para juntar-se à Kurö Ookami no camarote destinado à eles. Estava tão absorta, que não viu que uma sombra, que saiu detrás de uma cortina no corredor, e se esgueirou sorrateira, para o aposento onde Minara estava.

A princesa se preparava para sair, quando uma fêmea bela e misteriosa de aparência poucomais madura, apareceu atrás de si.

_Ai! Nossa, você me assustou! -Minara declarou sorrindo surpresa.

_Desculpe me, Hime, eu não pretendia assustá-la. Só estou aqui, como sua amiga...

_Desculpe-me... Mas eu acho que não a conheço... -A hanma respondeu, tentando não ser grosseira.

_Sou uma amiga muito antiga de sua avó, Izanami... Mas isso não é importante... Estou aqui para avisá-la, Minara hime. Eu sou a única pessoa aqui que vai ser realmente franca com você. Está cometendo um grande erro, e talvez seja o maior erro de sua vida. Hikaru não é o youkai bonzinho que você acredita conhecer. Ele é um montro, capaz das maiores atrocidades. Se vier comigo, eu lhe mostrarei que...

_Rsrsrs senhora... Olha, eu não sei quem é você, ou o que você quer, mas, posso lhe garantir que eu conheço Hikaru. Ele não é um monstro! — Minara a cortou.

_Ah é mesmo... Você não sabe nada sobre o passado dele, não é? Pobre criança... Não sabe o quanto está sendo enganada... — A bela youkai, de longos cabelos louros platinados disse maternalmente, pegando Minara pelas mãos.

_O que está querendo me dizer? Afinal, quem é você? O que você quer! -Minara a questionou perdendo a paciência.

_Deixe-me mostrá-la, criança dos celestiais... Olhe fixamente para o espelho e abra sua mente, minha querida... Deixe que o passado se descortine diante de seus olhos... — A bela insistiu, docemente.

Minara não respondeu imediatamente. Respirou fundo e acalmou-se, lembrando de tudo o que vivera para ter Hikaru ao seu lado. Deveria ela saber aquilo que ele insistia em esconder dela? Após ponderar por alguns segundos, a hanma abriu os olhos decidida.

_Vá embora, quem quer que seja você... Eu vou me unir à ele... Mesmo que ele tenha tido duzentas amantes, antes de mim. Todos temos um passado, e eu não posso julgá-lo, por isso.... — Minara afirmou corajosamente.

_Não estou falando deste tipo de passado, Minara hime... Estou falando de sermos quem somos... Acredite em mim, tudo o que quero é justiça. Eu sei o monstro que ele é... Ele está usando você, apenas por que quer encontrar a maldita hanma, que ele tanto amava, e que morreu por causa dele! Até o vestido que você está usando agora é o mesmo que ela usava quando eles se uniram... Fuja enquanto pode, menina, porque você não vai durar um mês, casada com ele... — A fêmea segurou-a novamente pelos ombros mas desta vez a virou bruscamente de frente para o espelho, segurando-a para que ela permanece olhando fixamente. Em poucos segundos, sua visão ficou turva, e quando ela voltou ao normal, Minara viu o reflexo de outra fêmea no espelho, vestida com um vestido muito semelhante ao seu. E no lugar da bela youkai loura, que ainda estava atrás dela, segurando-a pelos ombros, havia uma demônia, na mesma posição, sorrindo diabolicamente.

A hanma não se assustou à princípio, mas sentiu uma pressão no peito e um desespero, nunca antes sentidos por ela, enquanto vozes, nunca antes ouvidas por ela, lhe sopravam aos ouvidos. Uma barreira se formou ao seu redor, impedindo-a de sair daquele tormento, fazendo com que a agonia aumentasse.

"Você tem que me matar meu amor..." "Ela esta prenhe!"... "Nosso filho não vai nascer em um mundo sem fututo!" " Maldita, eu vou acabar com você..." Você me traiu, seu ingrato?" "Eu vou te amar para sempre, meu amor..."

A hanma pôs as mãos nos ouvidos, tentando parar de ouvir tudo aquilo, mas as vozes continuavam falando cada vez mais alto e mais tumultuadas. Como consequência, do descontrole que tomou conta de si, a hanma, gritou à plenos pulmões. Neste exato instante, Yukina, sentiu um aperto no peito. Ergueu-se do lugar que ocupava, e com a mão direita sobre o coração correu na direção do shiro, sendo seguida por Leodora e Naelle.

_O que houve Yukina? Você está pálida! -Leodora, questionou-a quando chegaram à entrada do shiro.

_Estou com uma impressão muito ruim, Leo... Eu não sei dizer porque, mas, eu SEI QUE MINARA CORRE PERIGO... -A youkai respondeu séria, ainda correndo na direção do quarto de Brunhilde. Naelle e Leodora que corriam logo atrás, se entre-olharam e continuaram à seguí-la.

Ao chegarem ao andar correto, Leodora sentiu a presença maligna, que foi confirmada pelo grito de Minara.

_Minaa! -Gritou Naelle, tomando a dianteira das três fêmeas.

Ao abrir a porta do aposento, as três encontraram uma criatura cujo odor pútrido, só era superado por sua horrível aparência. Os olhos eram faiscantes de um tom de verde brilhante como esmeraldas do inferno. Seu corpo, um cadáver, já em estado de decomposição avançado, mas mesmo assim era possível notar que se tratava de uma fêmea. Os cabelos desgrenhados e falhos, eram brancos fantasmagóricos, assim como as garras que ela possuía.

_Mas o que é isso? -Leodora balbuciou, surpresa. Aproveitando-se da hesitação delas, a criatura, lançou-as contra a parede oposta do aposento.

Leodora e Yukina levantaram-se com certa dificuldade, e correram para acudir Naelle, que foi lançada contra a janela. O impacto fez com que os delicados vitrais se espatifassem, e permitissem que o corpo da jovem hanma caísse para fora do aposento, para o grande abismo que se encontrava do lado de dentro da montanha. Felizmente, ela ficou suspensa, pois conseguira, segurar-se impulsivamente na ponta da cortina, presa acima das janelas.

_Naeelleee, aguente firmee! -Leodora gritou, enquanto Yukina tentava distrair o monstro, para que a hanma morena conseguisse ajudar a amiga.

_Eu ordeno que você nos deixe em paz, demônio! -Disse Yukina, criando uma lança de gelo e partindo pra cima da criatura, que se defendeu com um báculo de metal negro, com uma enorme e grosseira pedra verde.

_Não ouse interferir, feiticeira, eu vou levar a chave comigo! -Vociferou a poderosa bruxa, revidando o ataque e desferindo outro ainda mais vigoroso.

Mas Yukina não desistiu, e ambas continuaram lutando fervorosamente, até que em um descuido da criatura, Yukina, conseguiu desferir um golpe, certeiro e obrigou -a a recuar.

_Posso ser apenas uma feiticeira, mas não sou indefesa! — Yukina bradou, enquanto a criatura se levantava, com dificuldade e ficava de pé entre gargalhadas demoníacas.

_Você não é páreo para mim filhote ingênua, dos lobos da neve... — E dizendo isso, a monstra, concentrou uma bola de energia e conjurando um feitiço, arremessou seu poder em Yukina. A loba da neve viu sua lança ser espatifada pela poder de sua inimiga, antes de ser atingida em seu próprio corpo.

Uma dor lacerante atingiu-a, ao mesmo tempo que todos os músculos de seu corpo, ficaram paralisados, e a feiticeira ainda pôde ver enquanto a criatura se aproximava mais e mais dela, com seus olhos em chamas verdes de ódio. Quando estava prestes à desferir seu golpe final, com seu báculo sinistro, foi impedida por um muro de pedras que surgiu ao seu redor, protegendo Yukina. A monstra no entanto, não se manteve presa por muito, tempo, e espatifou o muro no momento em que Leodora se aproximava para ajudar Yukina a se levantar.

_Uma hanma da terra, bem aqui em Meikakümun? Que interessante... Vejamos quem você é realmente... — Disse a monstra, desferindo um raio verde de seu báculo, na direção de Leodora que empurrou a feiticeira youkai e deixou-se ser atingida pelo golpe.

O raio do báculo não causou danos na hanma, mas iluminou de verde, seu ventre, o que causou espanto na monstra, que sorriu maldosamente. Leodora aproveitou-se da distração da criatura e abriu seus braços. Usando seu poder, arrancou duas pilastras uma de cada lateral do corredor e usou-as para imprensar a monstra, enquanto suas mãos se uniam em um movimento sonoro e preciso, de bater de palmas. Assim que os movimentos cessaram, indicando um possível fim, Leodora prontamente pegou Yukina e ajudou-a novamente a se levantar, imaginando que havia conseguido derrotar a criatura. Mas quando colocou Yukina, de pé, para ver Minara e Naelle, foi pêga pela criatura que saiu silenciosamente transformando-se em um expectro ainda mais sinistro e horripilante.

_Ora, ora... Então é mesmo verdade? As chaves foram todas reunidas pela velha Izanami, não é mesmo " Ventre fecundo da terra" ? — Disse a bruxa agarrando Leodora pelos ombros e erguendo-a para colocá-la em uma barreira semelhante à que Minara se encontrava.

Neste instante, Naelle surgiu, e de seus olhos, um brilho mágico, criou, vários espelhos de gelo ao redor da criatura. Em instantes, os vários reflexos da monstra, saíram dos espelhos, e a atacaram diversas vezes, criando uma espécie de prisão.

_Leo... Yukina, temos que libertá-las, depressa... Essa coisa é muito forte, vai matar a todas nós! — Naelle disse ao se aproximar da loba da neve, desesperada com a situação.

_Acalme-se Naelle... Eu não VOU PERMITIR QUE NENHUMA DE VOCÊS MORRA! -Yukina disse em voz alta, mais para si do que para Naelle enquanto usava seu youki e sua magia para libertar-se do efeito causado pelo primeiro ataque, sofrido por ela, e atacar a barreira que envolvia Leodora.

Alguns segundos se passaram até que finalmente Leodora conseguisse sair da barreira. A hanma morena caiu de joelhos ainda atordoada.

_Leo, você está bem? -Naelle perguntou amparando a amiga.

_Estou bem... Mas e a criatura?

_ Ela está presa na minha armadilha... Ei, onde ela...-Naelle foi impedida de terminar a frase, pelo expectro que a atirou em outra barreira juntamente com Leodora.

_Vocês acharam mesmo que poderiam me derrotar? Agora, eu tenho a chave dos "olhos da tempestade de gelo", juntamente com o "ventre fecundo da mãe terra", e ao "Braço forte da justiça". Três chaves em um só ataque... — A criatura revelou, enquanto observava Naelle, Leodora e Minara, que estavam suspensas nas barreiras de magia negra.

Neste instante, Yukina tentou reagir novamente, mas a criatura atirou-se sobre ela, e a agarrou pelo pescoço. A loba da neve tentou em vão, lutar para sair da situação, mas a medonha criatura, lhe sufocava impiedosamente.

_Hora de morrer loba da neve... Seu lindo corpinho vai me ser muito útil, assim como este último, que você e suas amiguinhas destruíram!

_Quem... Quem é... Você... — Yukina disse tentando descobrir de quem se tratava.

_Eu? Sou apenas a maior feiticeira que já viveu... EU SOU... — Neste instante, os olhos da youkai loba da neve, se escureceram, e a vida começou a se esvair de seu corpo. Estava prestes a perder a consciência, quando um uivo se fez ouvir por ela. Mas também, lhe foi o último som, antes que seu coração parasse de bater.

Um grande lobo de pelo plumbeo, e olhos castanho amarelados, atacou a criatura, jogando-a com força contra a parede. Ela se levantou com dificuldade mas foi golpeada mais duas vezes e a última por uma espada de energia negra, que usou tanta força que acabou jogando a criatura do alto do shiro.

_ìcaro, ela não está respirando!- Gritou Masato, ao amigo hanma, que assim como o youkai morcego, havia pressentido um perigo terrível, e naquele momento tratava de examinar Yukina.

Do alto do buraco na parede feito pela impacto recebido pela criatura, ìcaro olhava para baixo procurando qulaquer sinal de vida, do ser, que caíra do alto do shiro, na floresta aos pés da montanha. Enquanto voltava à sua forma humana, o hanma ouviu o grito de Masato, seguido pelo de Leodora, que chorava chamando pela loba da neve.

Rapidamente o hanma, retornou para junto dos demais, e tomou a youkai de corpo gélido entre seus braços quentes. Masato deixou Yukina, e foi para junto de Minara que apesar de livre da barreira negra, ainda se debatia. Para seu assombro, a hanma estava presa em um transe, provocado por magia negra. Usando seu poder mental, o youkai morcego, entrou sem dificuldade na mente da hanma e para sua surpresa descobriu que a criatura, havia usado a magia para criar um elo psíquico, com a hanma, e naquele momento, fazia com que ela contemplasse as lembranças que em parte pertenciam à própria criatura, mas que compartilhava, com outro ser, muito conhecido por ele. Como um filme, as imagens passavam e eram rapidamente assimiladas pela mente de Minara. O youkai morcego, reconheceu que as lembranças eram sobre a vida de Hikaru, tratando desde sua infância, e seguindo pela fase de vida conhecida pelos youkais de "primeira juventude", que é o período que se segue ao youkai assim que ele simplesmente para de envelhecer na velocidade humana e começa a envelhecer lentamente, por volta dos quinze ou desesseis anos. Assim sendo, apesar de ter praticamente a mesma aparência que tinha, o Hikaru da primeira juventude, tinha menos de cem anos de idade. No entanto, as lembranças que se seguiram neste período, eram assustadoras,e diante da violência dos fatos e da gravidade do que via, Masato cortou bruscamente a conexão psiquica da criatura com Minara, mesmo sabendo que era algo muito arriscado. Ele ainda, apagou as memórias ressentes da hanma, e trancou as lembranças remanescentes, em uma parte profunda e inconsciente da mente da hanma, como uma espécie de baú mental, inacessível voluntariamente, para a própria Minara. Ao terminar isso, torceu de todo o seu coração para que ela reagisse bem à quebra do elo, bem como à invasão mental sofrida. Quando voltou a si, teve esperar apenas alguns segundos, antes de ver Minara abrir os olhos, sem qualquer consciência do que havia acontecido.

Ìcaro ainda lutava para trazer Yukina de volta, e Masato percebeu que era tarde demais. Naelle chorava copiosamente abraçada à Leodora que também estava inconsolável. O youkai morcego, estava surpreso com a emoção demonstrada pelo amigo, que lutava enérgicamente, para salvar a vida de uma desconhecida, mas, estava ainda mais surpreso consigo mesmo, ao se pegar abraçando Naelle, em um gesto tão inconsciente, quanto natural.

A hanma, por sua vez, aconchegou-se nos braços do youkai morcego, sem nenhuma reserva, como se já o conhecesse e isto intrigou ainda mais à Masato. Porém, vê-la chorar lhe perturbou consideravelmente, e o youkai encontrou alívio, ao segurá-la em seus braços, como se protegê-la, fosse algo muito mais importante do que qualquer outra coisa.

_ìcaro... Ela se foi... — Masato, balbuciou, ao ver que o tempo passara e Yukina permanecia sem reagir aos esforços do hanma.

_Não! Yukina, você não pode nos deixar! Não agora, que esteve tão perto... -Minara aproximou-se da youkai, e foi amparada por Leodora. Mesmo chorando muito a hanma ruiva, não se deixou abater pelo desespero, e afastou-se de Leodora para continuar falando.
_ìcaro, é ela! Eu sei que você já a reconheceu... É ela, Ìcaro, a YUKINA! Ela é, A SUA METADE! ELA é uma guardiã assim como você! E como você também ,Masato! — A hanma declarou quase como um desabafo.

_MInara hime, eu não estou entendendo... — Masato questionou-a encaixando mentalmente as palavras dela.

_Você foi escolhido, Masato. VOCÊ é um guardião, das cinco chaves do destino, assim como o Ìcaro, e a Yukina... Os DEUSES escolheram vocês, e os prepararam por toda a vida, para que assumissem este compromisso! E a prova disso, foi que mesmo eu, a tendo humilhado... ELA VEIO ME SALVAR! OUVIU ISSO, DESTINO? ELA MUDOU! ELA NÃO É MAIS A YOUKAI EGOÍSTA E ORGULHOSA, QUE FOI UM DIA! YUKINA, VOLTE! Não é justo, você me deixar assim... NÃO É JUSTO! -Minara gritava enquanto unia sua testa à fria face da youkai.

Masato compreendeu finalmente o que havia lhe acontecido mais cedo. Fora por isso, que ele soubera de tudo, tão detalhadamente. Era por este motivo que Brunhilde, bradava ser a "serva do Destino". Uma mistura de orgulho, e agonia lhe rondaram o peito, especialmente ao lembrar-se de Lily e todo o seu sofrimento. Ìcaro por sua vez estava perplexo. O corpo frio da fêmea em seus braços estava inerte, mas era como se estivesse cheio de vida. Justo ele, que acreditava piamente em sentimentos construídos ao longo de uma vida, estava diante da perda irreparável, de uma fêmea que ele não conhecera, mas que deveria compartilhar a vida ao seu lado. Eles não tiveram tempo, para se apaixonarem, e para construírem um amor, real e sólido, mas seu coração quente de hanma de fogo, estava repleto de dor.

_Não, ainda tem um jeito...! — Afirmou o hanma, antes de retomar a forma do grande lobo cinza-escuro. Em seguida transformou-se em uma forma humanóide, semelhante a um lobo de pé, em um corpo de homem. Essa forma, chamada "Crinos", era a forma mais poderosa dos chamados "homens lobo", os poucos guerreiros, remanescentes da tribo de Kurö Ookami, que possuiam que graças ao próprio antigo general e sua magia, o poder da licantropia em seu sangue, e assim como Ìcaro, considerado, entre seu povo e pelo próprio Sesshoumaru, o mais poderoso deles, desde Kurö Ookami.

Todos se perguntavam o que ele estaria tentando fazer, já que já havia passado mais de dez minutos, sem que Yukina respirasse. Com sua voz, gutural, o homem-lobo, chamou a responsabilidade para si.

_ Minara, vá... Seu prometido lhe aguarda no altar... Eu lhe asseguro, que vou trazê-la de volta! — O hanma disse, tomando o corpo frio mas ainda maleável de Yukina nos braços e saindo em direção ao buraco na parede, para desaparecer na escuridão, da floresta.

Masato compreendeu que ele certamente usaria a magia negra aprendida em mais de cinco séculos por seu povo desde muito antes de Kurö Ookami, e dominada por Ìcaro, para tentar salvar a youkai. O youkai morcego tratou de enconrajar as hanmas, mas apesar do prognóstico, ruim, Minara esbanjava confiança em ìcaro, e no destino de Yukina, e isso acabou contagiando as demais. Neste instante, Brunhilde entrou correndo apavorada com a destruição vista. Ela abraçou demoradamente sua filha, e Minara explicou-lhe que haviam sido atacadas, por uma criatura estranha, mas que Ìcaro e Masato a haviam ajudado. A hanyou estranhou toda a situação, mas como elas pareciam estar bem, e o tempo estava se esgotando, para o nascimento da lua, achou por bem apenas ajudá-las a se ajeitarem rapidamente enquanto Masato se encarregaria de avisar à Kurö Ookami e a Hikaru, tudo o que havia acontecido.

Ìcaro corria e saltava entre a floresta, farejando ar, levando com todo o cuidado, o corpo da youkai em seus braços. Estava em busca de um lugar afastado, onde pudesse estar seguro para realizar o que tinha em mente. Após poucos minutos correndo pela mata, finalmente Ìcaro encontrou uma pedra alta, próxima a um despenhadeiro. Pelo brisa leve que soprava contra ele, se deu conta de que não havia ninguém à léguas dali, e que tinham uma ampla visão do céu, bem como da lua que começava a nascer, dourada, no horizonte. ìcaro acomodou a jovem sobre a pedra, e pôs-se a proferir as palavras em seu dialeto antigo, clamando pela magia da noite, e pelo poder de Tsukuyomi o deus da lua, e por Izanagi, o Deus do mundo dos mortos. Mas para sua surpresa, nem um, ou outro, se manifestou diante dele, e sim, uma figura mais conhecida e querida por ele.

_ Ìcaro... Como é bom ver, o meu amado neto do coração!- Disse uma voz por ele, jamais esperada.

_ Vovó Izanami??? Mas não pode ser! — O Hanma perguntou incrédulo, ao vislumbrar o espírito da antiga youkai, se manifestar diante dele, envolto em uma luz branca.

_Sou eu, sim, querido... Fico feliz que não tenha me esquecido. — Izanami disse sorrindo altiva, antes de voltar seu olhar para o corpo de Yukina, e continuar a falar.
_Esta é a filha de Susanoo o general de Inu no Taishou que mais ajudou seu povo... Ela é também, aquela que trará a paz concreta às terras negras... Mas então, porque ela está jazindo na nossa frente?- Perguntou ela, examinando o cadáver com atenção.

_Ela foi atacada por um demônio, para defender Minara, e parou de respirar... E eu tinha esperança de que a magia da noite pudesse trazê-la de volta! Por favor, Senhora Izanami... Ajude-me, a trazê-la de volta! — O hanma implorou humildemente, voltando à sua forma humana.

_Querido... Eu não posso ajudá-lo... Sinto muito... A alma de Yukina, tem muito ainda o que fazer nesta terra, e eu não compreendo por que ela se foi desta maneira tão abrupta. Ela estava pagando, pelos muitos pecados que cometeu e talvez seu destino tenha sido alterado, mas... Eu estou morta, meu querido, não posso fazer nada, apenas você, tem o poder, de trazê-la de volta.

_E como eu farei isso, vovó? Por favor, me diga!

_Marque-a...

_Marcá-la?? Mas se eu fizer isso, ela...

_Será sua responsabilidade por toda a sua vida... É o único modo de mostrar ao destino que ela precisa viver... Você se responsabilizaria, pela fêmea que traiu e enganou todos aqueles que confiaram nela? Pense bem, Ìcaro, porque você tem pouco tempo... Antes que a lua perca a cor dourada, você tem de marcá-la, ou ela morrerá, e como bem sabe, qualquer decisão que você tomar, vai acompanhá-lo por toda a vida... — A misteriosa youkai disse antes de desaparecer como fumaça, sem responder as muitas questões que Ìcaro queria perguntar.

O hanma contemplou, novamente a bela youkai à sua frente. Aquela era Yukina, a loba da neve, que como feiticeira das terras do oeste, ajudara seu povo, com remédios e com poções. Mas era também de seu conhecimento, que ela era responsável direta pela morte de Brunhilde e Kurö Ookami, e dos generais de Inu no Taishou. Uma fêmea, que sofrera muito com seus erros, mas que ironicamente encontrara sua morte, enquanto fazia o bem. Seria mesmo certo, confiar algo tão valoroso, à uma fêmea que colocara todos em risco por causa de seu orgulho? Valeria a pena, colocar sua vida em risco para salvar a fêmea que traiu até mesmo à quem mais dizia " amar"? Os questionamentos lhe queimavam o peito, mas subitamente, ele lembrou-se das palavras de Minara.

"Mesmo eu, a tendo humilhado... ELA VEIO ME SALVAR! OUVIU ISSO, DESTINO? ELA MUDOU! ELA NÃO É MAIS A YOUKAI EGOÍSTA E ORGULHOSA, QUE FOI UM DIA! YUKINA, VOLTE! Não é justo, você me deixar assim... NÃO É JUSTO!"
"ìcaro, é ela! Eu sei que você já a reconheceu... É ela, Ìcaro, a YUKINA! Ela é, A SUA METADE! ELA é uma guardiã assim como você!"

Ícaro respirou fundo, e seus olhos se encheram de lágrimas ao imaginar que diante dele, estava a sua metade de alma, que ele tanto buscara e que agora, mesmo estando tão perto, parecia perdida para sempre. Sentiu-se desamparado, com tamanha perda, mas mantinha seu resguardo em relação ao passado da youkai. Quanto mais olhava para ela, mais linda ela lhe parecia, e mais triste seu coração ficava. Como podia ser possível, que aquela linda fêmea pudesse estar morta? Seria fácil para qualquer macho apaixonar-se por sua beleza. Entretando, seu passado era algo instransponível para a maioria. A lua começava a mudar seu brilho dourado, iluminando o cadáver, e a mente de Ìcaro.

_Eu quis tanto um amor real e agora estou diante dele... E eu ainda o quero... Eu aceito seu passado, Yukina... Agora, volte para mim... Volte para mim, minha fêmea... — O hanma murmurou, voltando à se transformar em sua forma Crinos, para logo à seguir despir o dorso da youkai e mordê-la acima do seio direito, para marcá-la como sua, daquele momento em diante.

No altar preparado para a cerimônia de união, a lua já estava nascendo e Hikaru pediu que Isamu e Ritorirï fizessem seus votos primeiro, ao ser avisado de que Minara havia sido atacada. Apesar de estar muito nervoso, Kurö Ookami e seu pai Teigure o impediram de sair do altar para ir vê-la, justificando que tudo estava sobre controle.

Na entrada da praça, dentro de uma liteira, Ritorirï se negava à entrar sem Minara. Sua insistência, enchia sua sogra de orgulho, e seu sogro de irritação, mas acabou também, por chamar a atenção das sacerdotizas que entrariam junto com as noivas. Todas se perguntavam o que estava havendo, mas ninguém tinha respostas concretas. Brunhilde e Kurö Ookami estavam no altar, esperando a decisão da filha. Diante do atraso, Agláia sorria contente em seu lugar, ao lado de Akane. Sesshoumaru por sua vez, estava inquieto. Ele sabia que algo havia acontecido com Minara, e por diversas vezes pensou em ir ver do que se tratava, mas acabava decidindo ficar e esperar. Ryotaro estava agitado... Seu medo era que algo ruim tivesse acontecido com Minara. Quando se levantou e fez menção em ir buscá-la, ouviu o bradar dos cornos e o coral começou a cantar. Ele avistou as sacerdotizas que vinham com seus vestidos esvoaçantes e brancos, jogando pétalas de flores e abrindo caminho para Minara e Ritorirï que vinham nas literas. Hikaru sorriu aliviado ao vê-la descer, sã e salva, e se aproximar de mãos dadas com a antiga serva. Isamu por sua vez, estava tomado de orgulho pela beleza da pequena Usagi. E quando Ritorirï chegou ao altar, ele secou suas lágrimas e beijou sua testa com doçura.

Foram eles que proferiram seus votos primeiro, e em seguida ao invés de marcá-la, pois já o tinha feito, ele pegou uma grande taça de cristal enquanto Ritorirï esticava o braço direito. Isamu beijou seu pulso, antes de rasgá-lo com sua presa e deixar o sangue ser aparado pela taça em sua mão. Assim que uma boa quantidade de seu sangue tingiu a taça. Isamu entregou à ela um lenço e ela comprimiu o corte que já começava a cicatrizar. O youkai então esperou para que Hikaru fizesse o mesmo com Minara.

Em seguida foi a vez de Hikaru, proferir seus votos

_Eu estou aqui como youkai, do honrado clã gorudën Taiga, para me subjugar. E o faço, porque para mim a tua vida é mais valiosa do que a minha. Tua felicidade é mais importante que a minha... E eu juro, por meu clã, e por todos aqueles que me antecederam que nunca vou deixar te, ou me negar a ti. Eu te aceito, e me torno um só ser contigo, de hoje até minha morte, e porque é por ti, e só por ti, que deixaria tudo o que sou, e o que poderia ser...

Assim que o youkai emocionado terminou, era a vez de Minara. Apesar de hesitante, ela os proferiu de uma maneira única e emocionante.

_Não estou aqui, como princesa... Estou aqui, como uma simples criatura... Porque acredito com toda as minhas forças que você é merecedor de todo o meu amor. E porque confio nos deuses que nos uniram. E mesmo que o mundo esteja desabando ao meu redor, com você ao meu lado eu sou mais forte. Me uno a você youkai, sabendo o que você é, e desejando de todo o meu coração lhe servir por toda a minha vida. Me uno e me torno sua, por que mesmo em meio à morte iminente, eu confio em você.

Hikaru estava orgulhoso dela. Sua fêmea estava lindíssima no vestido que ele tanto sonhara vê-la, e ele podia ouvir os machos clamando pela beleza dela, em seus mais profanos sonhos. Ele acariciou seu rosto, e pegou sua mão, e em seguida pegou a grande taça de cristal, para fazer com ela o mesmo ritual realizado anteriormente por Isamu.

O sangue quente escorria pela taça e quando atingiu pouco menos da metade da mesma, Minara retirou o braço e o estancou o sangue com um lenço dado pelo próprio Hikaru, que tomou a taça em suas mãos, e juntamente com Isamu ofereceu aos três ídolos de pedra, e aos presentes, antes de beber inteiramente, sorvendo cada gota de olhos fechados. Do mesmo modo, Isamu tomou a taça e o bebeu de uma só vez, lambendo os lábios quando terminou. Quando Hikaru abriu seus olhos, estavam completamente negros e ele transformou -se em um híbrido, meio humano, meio tigre demônio, enquanto Isamu se transformava no híbrido Karasu, com quatro olhos, vermelhos, e pele negra. Os dois youkais ergueram novamente as taças vazias em direção aos ídolos, e as jogaram no chão. Uma deixa, para que as tochas que iluminavam o local, fossem apagadas e para que os demais machos youkais ficassem de pé, e tomassem suas formas youkais, em sinal de apoio e unidade. Em questão de segundos, todos os machos youkais presentes foram se transformando em suas formas híbridas. Até mesmo a pessoa mais acostumada com youkais, ficaria tensa em meio aquela situação e Minara não era excessão. Sua respiração ficou descompassada com a cena apavorante: apenas sob a luz da lua cheia, centenas de olhos brilhantes, e formas animalescas e demoníacas observavam entre guinchos, grunhidos e uivos, o que aconteceria a seguir.

_Boa sorte. — Murmurou Isamu à Hikaru, já em sua forma Híbrida.

Hikaru, aproximou-se de Minara e pegou o braço da humana onde se encontrava a marca falsa. Olhando a nos olhos, ele cravou a garra na marca como uma faca de pequeno porte e pôs-se a desenhar seu brasão, enquanto a Hanma gritava, e se debatia, tomada pela dor insuportável, sendo impedida de fugir, pelo braço livre de Hikaru que a imprensava contra seu corpo para imobilizá-la. Era uma cena forte, e as mikos, bem como, as hanmas ficaram chocadas, mesmo tendo durado apenas pouco mais de um minuto. Quando terminou, Hikaru e os outros, voltaram à suas formas humanas, e as luzes foram novamente acesas, enquanto Minara estava parcialmente inconsciente.

A marca costumava cicatrizar e aderir quase instantâneamente, em fêmeas youkais. Mas em fêmeas de outras raças, elas dependiam da força de cada uma delas. As humanas costumavam ser as que mais sofriam e em alguns casos, a marca as levava à morte. Por isso foi com grande silêncio, que os instantes seguintes se seguiram. Hikaru a segurava pelas costas enquanto a mão direita segurava a cabeça da hanma, que tremia e revirava os olhos. O youkai estava tenso e não cansava de olhar para ela na esperança de que tudo aquilo acabasse logo. Finalmente , ela suspirou pesadamente, e abriu os olhos, enquanto os presentes aplaudiam. Aquilo indicava que a cerimônia havia chegado ao fim, e tinha sido bem sucedida.

_Olhe pra mim, Mina... Você está bem?- Hikaru perguntou à ela ainda preocupado.

_Estou... Só um pouco cansada... Ai... Agora eu sei por que a gente só pode ser marcada uma vez na vida... -Disse ela sorrindo, de olhos fechados.

Hikaru riu, e continuou apoiando-a mas virou-se para onde Isamu estava, beijando apaixonadamente sua pequena usagi.

Notas finais
Obrigada mais e uma vez e sempre à todos que lêem e comentam e tem paciência comigo!!! Valeu mesmo por tudo, fiquem em paz e até a próxima!