Perdida Na Tempestade
4 Capítulo 4 - Fazendo acontecer...
Notas iniciais
Haviam se passado dois anos desde que elas deixaram a era antiga e o tempo realmente estava sendo um bom aliado. Kagome estava prestes a terminar o ensino médio e se preparava para fazer a faculdade de engenharia civil. Kikyou havia conseguido alcançá-la e se preparava para a faculdade de enfermagem. Rin estava com 13 anos, e gostava muito da nova vida embora sentisse muito a falta se Seshoumaru e até mesmo de Janken. Elas estudavam e treinavam técnicas de luta físicas associadas ao controle de suas energias espirituais. Portanto, sempre que era possível, visitavam outros templos para conhecer outros mestres e aprender com eles tudo o que pudessem.
O feriado se aproximava. Após Kagome, encontrar uma carta enviada por uma monja budista convidando seu avô para conhecer seu templo na índia, ela e as demais, decidiram contatara velha senhora e foram gentilmente convidadas para darem continuidade ao seus aprendizados lá.
Elas estavam seguras financeiramente pois na ocasião da viagem Sesshoumaru deu a Rin muitas moedas de ouro que foram prontamente disponibilizadas por ela, para que as três pudessem se preparar mais adequadamente.
— Kikyou você está com o meu passaporte?-Perguntou Kagome.
—Sim kagome ele ficou comigo desde a última viagem lembra? Estou com os passaportes e também com as passagens.
— Rin pega a autorização que a mamãe deixou assinada. Está na porta da geladeira.
—Certo Kagome!
— vamos logo meninas, ou vamos perder o voo!
— Certo Kikyou, Rin e eu estamos prontas!
— Bem, então vamos!
Muitas horas de avião, seguidas de boas horas de trem e mais algumas de taxi depois, elas finalmente chegaram ao seu destino, completamente, exaustas.
O antigo templo ficava ao norte de Nova Deli próximo à fronteira com o Nepal, uma região de paisagens igualmente deslumbrantes da índia. O prédio em si era uma construção simples, mas de arquitetura bem antiga, e datava de 1678 mais ou menos a época do início da colonização inglesa.
As três moças bateram na grande porta do templo com dificuldade.
— Olá somos as meninas que vieram para estudar no templo! — Disse Kagome se esforçando para dar um sorriso.
—Olá?- Repetiu Kikyou, já sem muita paciência.
Depois de alguns minutos a porta se abriu e um pequeno homenzinho com a cabeça raspada as recebeu. Desculpou se, mas avisou que o templo costumava fechar depois de um determinado horário, e que eles já não mais as esperavam naquele dia.
— Venham comigo eu vou acomodá-las. A sacerdotisa Niyati, já está descansando. Poderão falar com ela ao amanhecer. -Disse o simpático homenzinho, cujo nome era Arjun. Ele parou diante de uma grande porta de madeira bruta tirou uma chave grande e envelhecida do bolso de sua vestimenta característica dos monges, e abriu a grande porta. _ Aqui está esse será o quarto de vocês enquanto estiverem aqui, e ali atrás é o banheiro de vocês.
— A Miko já está descansando? Mas mal acabou de anoitecer! Por acaso ela está doente? Indagou Kikiyou desconfiada.
— Oh não, não, a sacerdotisa esta cansada por causa da filha dela, a criança é muito agitada sabe? Por isso ela a põe para dormir bem cedo. -O monge disse desconversando.
—Ah sim eu sei bem o quanto uma criança pode ser cansativa. -Disse Kagome olhando para Rin.
— Ei isso não é verdade! Eu sou muito comportada!- Protestou a menina.
— Bem, muito obrigada por nos acomodar. Nós vamos desarrumar nossas malas agora. _ concluiu Kikyou com certa pressa.
— Está bem então, o jantar já foi servido, mas vocês podem ficar à vontade para irem à cozinha, quando quiserem e se servirem daquilo que quiserem. Aqui, essas duas chaves, a primeira é do quarto, a segunda é do portão dianteiro poderão sair e entrar a qualquer hora. Só há uma proibição, não devem ir além da cozinha. A outra ala é restrita. Apenas a sacerdotisa e sua filha podem estar lá. Compreenderam?
— Claro, sem problemas. Respondeu kagome.
— Não iremos além, não se preocupe. Até amanhã e obrigada. – Disse Kikyou quase expulsando o Monge do quarto e fechando a porta atrás dele.
— Kikyou, por que você fez isso? Está muito cansada? Perguntou inocentemente Rin, mas foi logo interrompida por Kikyou que tinha os dedos nos lábios, pedindo que falassem baixo.
—O que foi Kikyou? Você viu alguma coisa?
—Você não percebeu Kagome? Tem alguma coisa muito estranha por aqui!
— Eu senti que estávamos sendo observadas quando entramos.
— Eu não me referia a isso Rin, mas já que tocou no assunto. Também tive a impressão de estar sendo observada.
—Poxa acho que estou tão cansada que não senti nada. Mas você disse que não se referia a isso, então, ao que você se referia Kikiyou?
—O Arjun disse que a sacerdotisa tem uma filha. Mas acontece que a senhora Niyati é conhecida por ser uma das mais antigas sacerdotisas nessa parte do mundo. Ela deve ter muito mais de meio século! Como alguém assim pode ter problemas com a filha?
—Ah Kikyou, talvez a filha dela possa ser uma pessoa doente.
— Não sei não Kagome. Do jeito que Arjun falava me pareceu que se referia a uma menina como a Rin.
— E você Rin, o que acha? Rin? Cadê a RIn?
— Ela não está aqui! Vamos Kagome!
Saíram do quarto com todo o cuidado possível para não fazerem nenhum barulho. Foram em direção ao um grande cômodo sem porta que julgaram se tratar da cozinha. Rin estava lá sentada calmamente comendo uma maça.
— Rin ficou maluca? Quer nos matar de susto?
— Desculpe Kagome, mas é que eu fiquei com fome e vocês estavam conversando tão baixinho que eu não quis atrapalhar.
— Kagome você esta sentindo isso? Disse Kikyou e aproximando da outra extremidade da cozinha, onde havia outra saída, essa sim lacrada, com uma porta simples de madeira com um símbolo esculpido.
— O que é isso na porta Kikyou? Um selo? Eu estou sentindo uma energia, mas me parece muito fraca.
— Sim, é um selo de energia. Ele lacra a energia dentro de um determinado lugar. Só estamos sentindo isso por que somos sacerdotisas, e aumentamos muito o nosso poder. Um Simples monge não conseguiria sentir. Parece que tem alguém tentando manter alguma escondida, e não quer que mais ninguém sinta a sua presença.
— Então é por isso que não se pode ir além, Kikyou?
— Parece que sim, Rin. Eu bem que desconfiei que havia alguma coisa estranha! Essa História de filha de uma senhora de idade avançada. É muito surreal!
— Mas o que será esta energia? Acha que pode ser um Youkai?
— talvez seja um de pequeno porte Kagome, Não me parece ser algo muito poderoso.
— E então? O que estamos esperando? Vamos até lá! Disse Rin já com as mãos sobre a porta. Mas no momento em que a tocou um grande estrondo se fez ouvir do outro lado, como se alguém tivesse caído. Kagome correu para o quarto a fim de pegar o arco de Kikyou e também o seu.
— Rin se afaste da porta! –Gritou Kikyou, enquanto se preparava para se defender. Mas Rin não se mexeu. Continuava a abrir a porta com as mãos como se nada estivesse acontecendo.
—Não se preocupe Kikyou, ela não vai nos fazer mal.
— Ela? Não seja teimosa Rin, não abra essa porta! – Quando Kikyou estava prestes a puxar Rin, pelo braço, a porta se abriu e atrás dela uma grande surpresa. Neste instante Kagome surgiu com os arcos e gritou para que Kikyou pegasse o dela.
—Vamos Kikyou saia da frente! – Dito isso Kikyou e Rin deram um passo, cada uma para um lado oposto, saindo do campo de visão de Kagome, e ela levou um susto tão grande q deixou cair o arco q empunhava.
— Céus!?- Ela exclamou surpresa.
Do outro lado da porta sentada no chão, estava uma menina com orelhas felinas como de um tigre. Ela tinha longos cabelos louros, e olhos de um azul profundo e parecia tão assustada quanto as outras.
— Que barulho é esse? Igraine? O que está faze... Oh não... Como foi que vocês conseguiram abrir essa porta? – Disse uma velha mulher que se aproximou correndo.
— Me desculpe, mas eu só empurrei a porta! Disse Rin sem jeito.
—_Vocês devem ser as meninas que vieram estudar aqui no templo, certo? Eu sou a sacerdotisa Niyati. Não é possível! Esse selo tem muitos anos, e é muito poderoso ninguém consegue abrir essa porta a não ser que seja uma pessoa abençoada pelo buda.
— Nós somos Mikos, e parece que agora todas nós somos. – Disse Kikyou olhando e sorrindo para Rin.
— Ah Rin eu sempre soube que você era especial! – Disse Kagome abraçando a menina.
— Elas são Mikos? Senhora Niyati isso é a mesma coisa que vc é, não é? – Disse a menina enquanto se levantava. _ Desculpa se assustei vocês, mas é que eu ouvi barulhos e fiquei curiosa para vê-las. Meu nome é Igraine e eu tenho 14 anos! Muito prazer!
— O prazer é todo nosso Igraine, eu me chamo Kagome Higuhashi, e esta é Rin e essa aqui na sua frente é a Kikyou.
—Humm deixe me ver você. Disse Kikyou chegando perto da menina a ponto de toca la. _ isso aqui são orelhas?
— Sim são. Eu tenho orelhas de tigre, também tenho uma visão e um olfato apurados e garras. Ah e eu também sou bem veloz!
— Kagome essas orelhas não lhe são familiares? Ela é uma hanyou!
— Sim é isso mesmo que ela é. Mas Como vocês sabem?
— Simples, Senhora Niyati, nós vivemos na era antiga onde haviam Youkais.- Respondeu Kikyou.
— Estamos aqui para aprender tudo o que for necessário e depois voltaremos para a era antiga para ajudar o nosso povo. -Rin completou.
— Oh então os deuses ouviram minhas preces. Eu tenho pedido ajuda há muito tempo!- a velha senhora exclamou.
— Como assim Senhora Niyati? Perguntou lhe Rin.
— Vou contar lhes tudo, mas é melhor sairmos daqui. Venham comigo. –Disse a velha senhora fechando a porta e levando as para dentro da ala proibida. Elas entraram em um cômodo que parecia ser um escritório, muito simples, havia muitos pergaminhos abertos e outros empilhados pelo chão.
—Sentem-se. É aqui que eu tenho passado as noites, como podem ver, eu tenho tentado de tudo!
—Tentado o que? — Perguntou Rin olhando com carinho para Igraine que retribuía o olhar e enquanto mexia as orelhas.
— Tentado encontrar um modo de levar Igraine para a casa. — Respondeu a sacerdotisa sentando no chão em uma pequena almofada em volta de uma mesa retangular. Em seguida ela as chamou com as mãos e as meninas se sentaram em volta dela. Quando todas se acomodaram ela começou a falar.
— A mãe de Igraine apareceu nas portas desse mesmo templo há 14 anos. Ela estava em dores para dar a luz e muito debilitada por conta de uma ferida abaixo do seio esquerdo, que não parava de sangrar. O parto foi difícil, tanto pela debilidade de sua saúde como pela posição da criança. Nós pedimos socorro ao hospital mais próximo mas não havia tempo para esperar pelo médico. Eu já havia ajudado em outros partos, então me prontifiquei a ajudá-la. Ela implorava para que eu salvasse a criança. Quando a bebê nasceu finalmente, eu fiquei em choque. A mulher embalou a pequenina nos braços e sorriu entre lágrimas. Me lembro de cada palavra dita por ela...
"—Minha pequena Igraine... Seu pai e eu te amamos tanto... Por favor, sacerdotisa... cuide da minha filhinha... Hikaru... Hikaru virá buscá-la... Seu irmãozão, cuidará de vc..." — Ela disse antes de finalmente sucumbir.
Depois que ela morreu, nós preparamos seu corpo para um funeral digno e acabamos por encontrar entre os poucos pertences que ela carregava, o diário dela. Pelo que pude entender aquela mulher era uma sacerdotisa budista neste mesmo templo, mas muito antes de todos nós, na época da fundação. Ela veio para a índia com a família e acabou se tornando uma discípula da primeira sacerdotisa desse templo. Segundo os documentos do templo, ela estava desaparecida há mais de 300 anos! Qual não foi a minha surpresa quando comecei a ler o diário e me deparei com essa história. Para ser bem franca eu não acreditava que ela fosse totalmente real. Mas sendo vocês da onde são e tendo o conhecimento que vocês têm da era antiga, tenho certeza que poderão entender exatamente tudo o que aconteceu a ela em seus mínimos detalhes. -A velha senhora disse com esperança e emoção enquanto tirava um piso do chão no exato lugar onde estava sentada, revelando um fundo falso e retirando dele um embrulho, antes de continuar. —Aqui está, por favor, leiam com cuidado e respeito. Igraine e sua amiga menor ainda não tem idade para saber de toda história dela.
Kagome e kikyou se olharam e em seguida kikyou que estava mais próxima da velha senhora pegou de suas mãos o pequeno embrulho, abriu o com cuidado e revelou o rústico diário que já tinhas as folhas amareladas pelo tempo. Kagome se ajeitou atrás de Kikyou para ler junto dela as primeiras palavras daquele manuscrito.
—Este diário pertence à Claire Wilhelm. — Leu kagome em voz alta.
—Sim, este era o nome dela. Ela era estrangeira mesmo aqui. Dentro do diário há alguns documentos e registros do templo da chegada e partida dela. Os documentos comprovam que ela viveu aqui por pelo menos 2 anos antes de conhecer o xintoísmo. Ela se identificou com a doutrina e acabou se mudando para o Japão para continuar seus ensinamentos lá. Pelos registros encontrados, Claire era de uma família abastada e muito culta. Ela era escocesa de nascimento, mas foi criada em Londres. Seu pai era um embaixador inglês, e sua mãe uma aristocrata pertencente a uma importante família. Ela tinha apenas 19 anos quando partiu e não parecia ter muito mais do que isso quando deu a luz a Igraine. — Respondeu a senhora Niyati intrigando ainda mais as jovens.
Igraine.
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