Perdida Na Tempestade
21 Capítulo 21- Sem forças para lutar...
Notas iniciais
A escuridão já havia tomado conta do quarto de Hikaru. Já haviam se passado algumas horas que batidas suaves na porta, e o aviso do jantar foram ignorados por ele. O youkai permanecia no aposento, envolto em uma pesada nuvem de sentimentos e pensamentos sufocantes.
O belo tigre dourado, não havia se dado conta de quanto tempo havia se passado desde que deixara Rin, Tatsuo e Igraine, para simplesmente se render à tais sentimentos. Ele soubera de tudo desde o princípio. Nem fora preciso ler a fundo a mente de Rin para saber de seu amor ardente por Sesshoumaru. Para Hikaru, a real preocupação dela em saber sobre os sentimentos do lorde eram visíveis e palpáveis assim como as intenções do lorde youkai em colocar Janken para vigiá-la. O sentimento era forte e mútuo, embora, ambos não soubessem disso. Com a mesma naturalidade, Hikaru havia observado, Tatsuo e Igraine e a crescente afinidade que ambos exalavam. Em pouco tempo, e com um pouco mais de proximidade, os casais acabariam percebendo o laço que começavam a compartilhar.
Hikaru sorriu levemente enquanto pensava sobre isso. Ele já estava acostumado a "ler" os seres ao seu redor. Não importava a raça, afinal, todos os seres se comportavam da mesma maneira, quando estavam se apaixonando. E aquela era a segunda vez que tal pensamento lhe invadia a mente, já que, ainda pela manhã, Hikaru havia observado como Raijin se descontrolara ao ver Kikyou consolá-lo.
Ajeitou-se na poltrona onde estivera se refugiando pelas últimas horas, afundado em tais pensamentos, buscando consolo em mais um cálice de bebida destilada. Ao menos, os amores que se formavam pareciam promissores, embora todos eles, tivessem o mesmo drama em particular: Eram formados por seres de raças diferentes, um deles em alto escalão, e outro considerado plebeu. Não havia dúvidas de que haveria escândalo entre a nobreza dos reinos aliados. E talvez esse fosse o início de uma enorme crise política, e Hikaru pensava ainda sobre isso, quando se deu conta de que a garrafa de bebida, estava no fim.
Suspirou pesadamente e passou a mão pela testa, tentando remover os longos cabelos dourados que lhe caiam pelo rosto. Ele havia inutilmente tentado manter sua mente ocupada, divagando sobre as questões alheias. Mas inevitavelmente seus pensamentos corriam de volta ao passado e retornavam ao presente, lhe torturando com a imagem de Minara, e de todo o sofrimento que ela poderia ter sido submetida ao longo de tantos anos. E foram muitos anos. Muito tempo longe dela. O tigre dourado buscava conter seus pensamentos e emoções, mas sentia o peso de seu passado sufocar lhe de modo avassalador.
Em um rompante espatifou a garrafa em suas mãos, enquanto lágrimas abundantes brotavam como torrentes de seus olhos amargurados. Os dentes rangiam em ódio e angústia enquanto sua mente o colocava em seu passado, em lembranças obscuras e dolorosas cobertas de culpa.
De sua mão direita o sangue quente fluía abundante de seu ferimento grave, mas muito menos doloroso, do que suas lembranças.
O youkai sufocou um rosnado e um soluço, e respirou fundo, buscando voltar à razão. Após alguns instantes, pôs-se a arrancar os pedaços de vidro que ainda estavam presos em suas mãos feridas, uma vez que as mesmas começavam a cicatrizar. Ascendeu a lareira do aposento tentando disfarçar o forte odor de sangue que o cômodo exalava, e pôs-se a limpar tudo rapidamente e o mais silenciosamente possível, pois não desejava chamar a atenção dos demais youkais, do shiro, para seu descontrole momentâneo.
Terminada a tarefa, Hikaru preparou para si um banho frio buscando acalmar a mente, mas nada parecia fazer efeito. Aquele estava sendo um dia especialmente difícil para ele, e o youkai sentia como se estivesse prestes a enlouquecer de desespero e frustração.
Terminou seu banho e vestiu-se com um quimono de descanso deixando a parte de cima aberta, enquanto secava seus longos cabelos dourados à grosso modo. Ele julgava que não havia motivos para decoro, pois aquela hora, certamente ninguém mais o incomodaria.
De volta ao quarto o youkai caminhou para a porta que levava à varanda, quando uma luz invadiu o aposento, chamando sua atenção.
— Hikaru! Eu estava com tanta saudade! – Disse Minara, enquanto emergia da luz, caminhando sorridente até onde ele se encontrava.
—Que droga... Estou enlouquecendo finalmente... — Murmurou o youkai tigre, descrente e pessimista, indo em direção ao carrinho de bebidas que estava próximo à entrada da varanda.
—Não está, não... Quero dizer, eu não estou aqui completamente, e normalmente poderia usar isso para ir a qualquer lugar, mas há feitiços que me impedem. Então, eu estou aqui apenas por um período de tempo. Mas ainda assim... Sou eu! – Respondeu ela, contrariada e frustrada com a atitude dele.
O youkai ignorou suas palavras enquanto caminhava de volta ao carrinho de bebidas, passando bem o lado dela ignorando completamente a presença da jovem. Minara no entanto, não ficou surpresa com o comportamento do youkai. Permitiu-se apenas observar de perto os movimentos do youkai e não deixou de notar os ferimentos em sua mão, bem como a ferida em sua costas.
—Eu reconheço esse ferimento, das suas costas... Mas esse da sua mão, parece ser recente... O que houve Hikaru? -A jovem indagou, pegando o youkai pelas mãos delicadamente.
—Eu quebrei a última garrafa de trigo destilado que eu tinha. Fiz o que deveria para ser chamado à realidade antes de enlouquecer. Mas parece que isso não funcionou. -O youkai respondeu soltando sua mão dentre as dela.
Em seguida serviu-se de mais uma dose generosa de bebida, e engoliu o líquido todo de uma vez, fazendo uma careta involuntária quando o álcool desceu queimando sua garganta.
—Não diga isso... Você não está louco! Pelo contrário, vc sempre foi muito mais lúcido que a maioria dos youkais que eu conheci. -Minara ponderou.
—Estou louco sim... Você, não é real... E eu não bebi o suficiente para estar bêbado... – Disse ele balançando a cabeça em negação.
Minara se aproximou e tocou o rosto dele forçando-o a olhar profundamente em seus olhos.
— Eu sei que você teve visões comigo antes... Mas olha pra mim, agora! Sou eu, sim! Não consegue sentir o meu calor? Por acaso você conhece alguma ilusão que tenha cheiro?- Disse ela sorrindo, enquanto segurava a face de Hikaru.
Com seus olhos estreitados, o youkai tigre a observou por um instante antes de fazer um movimento rápido e preciso, puxando a jovem pela cintura colando o corpo dela ao seu.
Hikaru a encarou minuciosamente e em seguida aproximou seu rosto do pescoço da jovem fêmea, tendo o cuidado de retirar sutilmente os cabelos dela do caminho, enquanto a ponta de seu nariz tocava levemente a pele delicada. O youkai aspirou delicadamente o cheiro de Minara, que permanecia imóvel, surpresa e tensa com a proximidade dos dois.
—Minara... Você voltou para mim! Você está aqui, comigo... De alguma forma está... – Murmurou ele, abraçando-a finalmente, com a voz embargada em um misto de alívio e urgência.
Minara retribuiu o abraço e as lágrimas caíram de ambos os rostos. E ambos se permitiram ficar abraçados por longos minutos, até que a dor se esvaísse, ou pelo menos, amenizasse.
—Eu tenho tanto para te dizer... Tanto para perguntar. Me perdoe Minara... Eu me desesperei com a sua morte e sequer imaginei que você pudesse estar presa em algum lugar. Todo o seu sofrimento é culpa minha!-Hikaru baixou a cabeça sentindo o peso de suas palavras, mas Minara sorriu com doçura.
—Não há nada a perdoar... Nada disso foi culpa sua! E eu não estive em sofrimento... Eu fui ferida no ataque que matou meus pais... Uma ferida profunda causada pela lâmina envenenada de Shingeko. Eu morreria logo se não fosse levada para minha avó. Ela me manteve viva, mas em um estado de suspensão, sabe, aquele coma mágico que as feiticeiras do tempo conseguem fazer? Bem, esse foi o recurso que minha avó utilizou enquanto buscava uma cura para mim. Minha avó acabou se sacrificando para que eu conseguisse sobreviver. Então na verdade, passei todos esses anos, oscilando entre alguns curtos períodos acordada e outros bem longos, dormindo profundamente. Só estou verdadeiramente consciente, há alguns meses. Mas não tive tempo de procurar por você... Logo que isso aconteceu, Mizuki invadiu Meikakunamün e tomou meu reino. É por isso que eu não posso sequer tentar fugir de lá, nem deixar que vocês simplesmente me resgatem. Meu povo está sendo escravizado. E eu preciso salvá-los! -Minara explicou.
—Mas... Mina, Meikakunamün deixou de existir há mais de cem anos! Eu estive lá, procurando por Izanami. Não há mais nada lá! -Hikaru exclamou incrédulo.
—Não, Hikaru... Isso foi o que minha avó queria que vocês acreditassem. Ela sabia do plano de Inu no Taishou para seus herdeiros, e temia que Sesshoumaru tentasse usá-la ou me reaver, para obter alguma vantagem. Eu sempre estive lá... -Minara baixou seus olhos para não ver o desespero na face do youkai.
Hikaru deu as costas à ela e passou a mão nervosamente pelos cabelos. Sentia-se um tolo, traído e enganado. Seus olhos estavam cheios de lágrimas frias de ódio. Minara suspirou e o abraçou pelas costas, tentando amenizar os pesados sentimentos que tomavam o youkai que permanecia em silêncio.
—Eu sei, o quanto você sofreu Hikaru... E posso te garantir que não houve um dia sequer que eu não tenha pensado em você, e sentido a sua falta... Tudo o que eu mais quero é acabar logo com tudo isso de uma vez, pra ficar com você para sempre... -Minara murmurou. A sinceridade em suas palavras, acalentou o coração amargurado do youkai tigre, fazendo com que ele volta-se para ela para abraçá-la mais uma vez.
—Então me diga, como posso salvar você... -O youkai suspirou buscando a lucidez.
—Eu estou no covil de Mizuki, o que ela construiu sobre as ruínas de meu reino. Mas estou bem, então não se preocupe! Há uma serva de nome Ritorirï, e ela conhece todos os detalhes da prisão onde eu e meu povo, somos reféns. Ela, assim como Ryotaro, tem a minha inteira confiança e... –Disse a humana tentando tranquilizá-lo, mas foi abruptamente interrompida pelo youkai.
—Ryotaro? O maldito que era seu prometido? O mesmo que levou você de meus braços? -Hikaru disse com frieza, soltando-se abraço de Minara para encará-la incrédulo.
—Sim e não... Ryotaro me salvou da morte certa... Foi ele quem me levou até minha avó quando eu fui ferida. E apesar dele estar aparentemente ao lado de Mizuki, tudo o que ele tem feito é me ajudar... Nós, não somos próximos, nem tivemos tempo para nos conhecermos adequadamente, mas eu confio na amizade dele. -Minara ergueu uma sobrancelha estranhando o comportamento do youkai tigre.
—Confia na amizade dele? Você sabe que não é isso que ele quer, não sabe? Você é prometida dele, Minara... E se tornou uma fêmea encantadora. Tenho certeza de que seu amigo Ryotaro, também notou isso. -Hikaru disse com frieza, enquanto tentava evitar que seus olhos devorassem as formas generosas de Minara. A jovem soltou uma gargalhada após alguns segundos de silêncio.
—Você está com ciúmes? Sério? Isso é muito repentino, mas sabe, eu adorei saber que você me acha encantadora... — Ela disse sorrindo, enquanto encarava o youkai com uma expressão divertida e maliciosa.
—Ciúmes, eu? Não... Apenas estou sendo realista. Ele tem direitos e deveres sobre você. E ele está apenas cumprindo com essa obrigação. Não tem nada haver com amizade... Você está sendo ingênua, quanto à esse tal Ryotaro. -Hikaru respondeu irritado.
—Sabe, você não mudou quase nada. Está mais forte, eu reconheço, mas seu rosto continua tão lindo quanto era antes. –Disse a humana acariciando o rosto do youkai.
Hikaru fechou os olhos enquanto a humana encaixava o rosto dele em sua mão. Em seguida ela o tocou no ombro esquerdo e desceu a mão pelo peito forte do youkai. Hikaru afastou-se um pouco, e segurou o pulso da jovem, tentando disfarçar o forte desejo que sentiu.
—Não... Não me toque desse jeito. -O youkai ordenou.
—Porquê? Vai me dizer, que sou uma "fêmea crescida" e que qualquer fêmea que te toque, te excita? Não seja ridículo... Nós dois sabemos que eu sequer preciso te tocar para que você se sinta excitado... -A jovem murmurou sensualmente.
Minara puxou-o pela gola do quimono em um movimento preciso e milimétrico, e uniu as bocas, com desejo.
Hikaru retribuiu de forma lasciva, mas logo se deu conta do que fazia e parou, com os olhos abertos, absolutamente sem ação.
— Mina... Por que fez isso? Isso não é... Nós... Não podemos! – Disse ele, tentando se desvencilhar dela.
—Sabe que eu não posso? Não posso mais perder meu tempo... Sabe quanto tempo eu esperei por isso? Quantas vezes eu sonhei que estava na sua cama com você? Eu já era sua, desde o ventre da minha mãe, não era? –Questionou a humana, de olhos fechados, ainda agarrada a ele.
Hikaru afastou-a delicadamente e passou a mão pelos cabelos, tentando aliviar a tensão.
—Mina... Eu... Eu não sei do que você está falando! Eu não posso tomá-la por fêmea, isso seria uma coisa absurda! Você está marcada. Você pertence a outro macho... – Disse ele tentando justificar-se, beirando o descontrole.
—Ahhh, Não me venha com essa! Você se aproximou da minha mãe, porque viu algo em mim... Você viu nosso futuro... Não foi? Porque não me diz logo a verdade, Hikaru? Eu sei que você sempre me amou... E sei o quanto você lutou para que eu nunca soubesse disso! Mas acontece que eu sei! Eu SEMPRE SOUBE... – A jovem esbravejou, abrindo seu coração sem reservas.
—Você está confusa... Você passou muito tempo longe, e deve ter uma visão distorcida dos fatos. Nós éramos amigos, éramos como irmãos... E... –O youkai tigre tentou desconversar, mas Minara continuava irredutível.
A jovem deu um passo para trás e com um movimento preciso, abriu suas mãos em volta do corpo, emanando uma débil luz que aos poucos, se tornou um iluminado laço vermelho, que pendia de sua mão, e se estendia até a mão do youkai tigre. Hikaru ergueu sua mão até diante dos olhos e encarou o laço escarlate, antes de abaixar a cabeça em um sinal negativo.
—Olha, eu sei que você e eu ainda temos, muito o que aprender, um sobre o outro. Mas a primeira coisa que eu quero que você saiba sobre mim, é que eu não suporto mentiras. Fale a verdade pra mim, por pior que ela seja! Eu sou capaz de compreender e até perdoar qualquer erro. Mas eu jamais suportaria saber que o macho que eu amo, tenta me enganar. E eu juro que se você mentir pra mim, de novo, arranco o nosso laço de uma vez por todas e nunca mais você vai me ver... -A moça falou com seriedade e mágoa.
Hikaru encarou-a ainda por alguns segundos buscando as palavras.
—Você tem razão... Eu menti. Eu vi você... Quando toquei na barriga de Brunhilde, eu vi você... Linda... Exatamente como você é hoje... Vi você em meus braços... Vi toda a felicidade que teríamos juntos. Mas também vi seu sofrimento... E isso me apavorou... Eu nunca havia visto o meu futuro antes, e isso nunca mais aconteceu... Mas naquele instante eu soube do nosso laço, e fiz o possível para escondê-lo, porque eu sabia que se você ficasse comigo, você sofreria, e eu não queria que você sofresse... E quando a tragédia aconteceu, eu achei que parte de mim havia morrido... Minara, eu... Eu faria qualquer coisa para proteger você... Porque eu te amo e vou amar para sempre... Mas eu não pude te salvar... Eu não fui capaz e acho que nunca serei capaz disso... — Hikaru sussurrou verbalizando todo o seu sofrimento e frustração. Minara o observava em silêncio permitindo que ele se abrisse para ela.
—E eu.. tenho que conviver com isso... Tenho que conviver com o fato de que jamais serei capaz de salvar a mulher que eu amo! Então me perdoe pelo que vou fazer agora mas... Eu não posso suportar a ideia de que você vai sofrer ainda mais por minha causa... — E dizendo isso o youkai tigre preparou-se para cortar o laço vermelho cintilante.
Mas antes que pudesse fazê-lo, Minara saltou sobre ele como uma fera faminta. E mesmo sendo ele, considerado um dos mais velozes e poderosos generais de Sesshoumaru, foi surpreendido pela velocidade e força da jovem.
—Você acha mesmo que eu vou deixar você fazer isso? Eu, não acredito em você... Eu acho que posso me salvar sozinha... – Disse ela, entrelaçando seus dedos aos do youkai, que estava deitado no chão abaixo dela completamente preso pelo laço vermelho escarlate.
Minara sorriu antes de inclinar-se para beijar novamente o youkai com urgência e paixão. Mas desta vez Hikaru se rendeu totalmente à ela. Estava exausto de resistir aquele sentimento. As bocas se uniram em uma dança frenética e apaixonada sob a luz da lareira. E logo o youkai inverteu as posições para colocar-se entre as pernas da jovem.
—Eu amo você... Eu amo... Você... Minara... Vou amar para sempre... Sussurrou ele enquanto pressionava o membro, duro e ereto que já era visível através da calça do fino quimono de dormir contra o sexo húmido de Minara.
A humana gemeu e ergueu completamente o queixo, que ele mordeu delicadamente, para depois depositar outro beijo em sua boca. Mas desta vez Hikaru conduziu o beijo, colocando sua língua na boca da humana, em uma dança erótica e frenética enquanto suas mãos exploravam o corpo dela. Minara gemeu baixinho com o toque forte de Hikaru em seus seios e nádegas. Ele a apertava contra seu corpo como se quisesse se fundir a ela. Com as garras, o youkai abaixou o decote do vestido dela, libertando-lhe, os seios grandes e macios. Hikaru continuava a beijá-la, mas passou a acariciar os seios dela com mais atenção. Passou os dedos pelo bico e finalmente apertou-os com mais força fazendo Minara gemer. Os sons dos gemidos dela o faziam ficar ainda mais excitado. Minara passou as unhas de leve nas costas do youkai e ele pegou-a nos braços e a pôs na cama deitando sutilmente sobre ela, como um predador faminto. Hikaru chupava seus seios e mordia com força os bicos. A humana gemia enlouquecida com as carícias. Em meio a todo prazer que ambos sentiam e proporcionavam um ao outro, o sofrimento por terem ficado afastados por tantos anos, se dissipava lentamente.
Naquele momento eles estavam juntos, se entregando inteiramente um ao outro, sem reservas ou medos enquanto o laço que compartilhavam se tornava cada vez mais forte e os prendia mais e mais. Em pouco tempo ambos se despiram completamente para poderem se tocar ainda mais intimamente.
Hikaru estava fascinado com o corpo cheio dela, composto por uma cintura mais fina, quadril largo, pontuado por coxas grossas e ombros estreitos com seios grandes. Minara encolheu-se um pouco, levemente envergonhada pelo olhar do youkai.
—Você é ainda mais linda do que eu imaginei nos meus melhores sonhos... -Murmurou o youkai no ouvido da jovem ruborizada que sorriu de olhos fechados.
—Você é suspeito pra falar... Mas também é o único que importa, então... -Ela sorriu iluminada pelo elogio.
—Eu sei que isso pode cortar totalmente o clima, mas eu preciso saber... Tem certeza que quer isso? –Disse ele sorrindo, entre suspiros de desejo.
E neste instante a jovem fechou seus olhos e beijou o youkai depositando na carícia todo o amor guardado em seu peito para ele. Estavam ainda unidos pelo beijo, quando o laço em suas mãos, começou a faiscar e iluminar todo o aposento com sua luz prateada.
—Eu preciso mesmo responder? -Sussurrou ela sorrindo enquanto ambos permaneciam envoltos em um magnífico laço de prata que tingia de luz o aposento inteiro.
—Minara... eu amo você. E eu não ligo se o que estamos fazendo é errado, mas estou disposto a tudo para tê-la. Não quero te perder nunca mais... Eu... Não posso perder você de novo... Quero que seja minha... Para sempre... Aceite, eu te peço. – Disse o youkai com os olhos marejados. Minara sorriu permitindo ainda que as lágrimas descessem por seus olhos.
—Eu aceito... – Disse ela, mas ao terminar de dizer, sentiu uma dor dilacerante em seu ombro.
Sua marca estava reagindo de alguma forma, brilhando e faiscando, como se estivesse prestes a explodir.
—AAAAAArrrrrgg. –Gritou a humana segurando o ombro enquanto ela mesma começava a desaparecer.
—O que houve? Fale comigo Minara! -Hikaru tentou segurá-la.
—Meu ombro... Eu... tenho de ir ... Não vou suportar manter os dois corpos. Tenho que voltar... Por favor, Hikaru, me espere... Ritorirï chegará logo. Eu amo você... -Ela balbuciou entre lágrimas, sentindo que era a hora de partir.
—Minara, não... Fique comigo!- O youkai implorou, apavorado.
Mas Minara sorriu em meio a dor e mostrou o laço prateado em suas mãos.
—Meu amor... Não existe um lugar onde eu possa ir que me afaste de você... Eu vou voltar, eu juro. Eu vou voltar para ser só sua. Eu te amo, Hikaru... – E dizendo isso a humana se esvaiu junto com a luz que a envolvia deixando um rastro de penas brancas.
No quarto onde ficava presa, Minara despertou, ainda grogue por conta do veneno. A dor era tão forte que não havia forças nela, sequer para pensar em fugir. As lágrimas desciam queimando seu rosto. Era como se uma brasa estivesse dentro de seu ombro. Não suportando mais tanto desespero, a humana viu em cima de um móvel, uma katana decorativa. Esgueirou-se até ela, fazendo o mínimo de barulho possível e a desembainhou. “Chega disso, chega dessa maldita dor” pensou ela antes de tentar transpassar seu próprio ombro. No entanto foi impedida por um macho youkai que conseguiu tomar a espada a tempo. E parecia estarrecido ao ver as lágrimas descendo pelo rosto dela.
— Minara Hime? Acalme-se por favor! O que houve? -Perguntou o macho youkai amparando-a.
—Quem é você, seu maldito? -Perguntou ela espantada, lutando para enxergar com precisão, e manter a consciência embora mal se aguentasse sobre suas pernas.
—Não precisa ter medo, sou eu, Ryotaro – Disse ele, calmamente, enquanto colocava a katana o mais longe possível dela.
—Ryotaro... Você me assustou... ARGGHH... – Disse ela se afastando para rasgar a manga do vestido e olhar para a marca, que apesar do sangue, permanecia a mesma. Exatamente um pássaro em um círculo de fogo.
Ryotaro se aproximou para examinar a marca e assim que tocou no braço da jovem a dor se dissipou.
—O que aconteceu com você? Em um momento, você dormia calmamente, e no outro sua marca começou a sangrar e faiscar. Quando pensei em fazer algo, você se ergueu da cama como uma morta viva. -Ryotaro questionou surpreso e preocupado.
—Eu estava... Enfim... Isso não é importante agora. Essa marca é falsa de qualquer maneira. Não deveria estar me causando nenhum transtorno... -Minara desconversou frustrada por ter de deixar Hikaru, justo no momento em que finalmente ele se rendia a ela.
—Sim, é falsa, mas... Ainda é um artefato mágico feito por uma feiticeira poderosa. Você deve se lembrar que os poderes de sua mãe eram amplamente admirados e conhecidos. O que quer que você esteja fazendo, você deve ter mais cuidado. -Ryotaro a preveniu mantendo a discrição já que havia notado que ela não queria colocá-lo a par do que ocorrera verdadeiramente.
—Eu... Vou me lembrar disso, Lorde Ryotaro. Obrigada por me ajudar de qualquer maneira. -A jovem agradeceu enquanto voltava à cama sendo ainda amparada pelo youkai fênix.
—Estou aqui para isso. -Respondeu Ryotaro. Após acomodá-la deitada e cobrí-la, o youkai ainda ajudou a jovem a limpar o ferimento e nesse momento, seus olhos se perderem nos da moça.
Foram apenas alguns segundos. Mas o solitário lorde se permitiu imaginar que talvez tudo aquilo não tivesse sido em vão. Seu coração foi tomado por velhas fantasias onde ele finalmente conheceria uma rainha. A sua rainha. Uma fêmea tão delicada e dotada de virtudes que fosse capaz de domar e encantar seu coração amargurado pela tristeza. Apenas alguns segundos que lhe alimentavam a esperança de que talvez sua busca finalmente tivesse chegado ao fim, no momento em que soubera que Minara havia finalmente despertado.
—Você não está totalmente errado... -Minara murmurou trazendo o youkai de volta à razão.
—Não estou? O que quer dizer com isso? -Ryotaro afastou-se assombrado e levemente envergonhado.
—A sua rainha... Ela existe. E ela virá até você quando tudo isso acabar. Mas... Não sou eu, Ryotaro. Eu... Não sou seu laço de prata. — A jovem ajeitou-se na cama e o encarou com gentileza.
—Você... Como você sabe? Você leu minha mente? -Ryotaro perguntou inteiramente perplexo.
—Eu lamento... Isso acabou de me ocorrer... — Disse a humana pondo a mão na testa, se recriminando por tal feito.
—Agora me lembro. Um dos relatórios do general Kyo, dizia que você parecia estar desenvolvendo uma característica desconhecida por todos que conviveram com sua avó em Meikakumün. Você estava lendo mentes... Não é verdade?
—É...! Não...! Eu não sei ao certo... Essa não é uma característica que eu consiga controlar. E Também não pertence nem ao clã de minha mãe e tampouco de meu pai... Kyo... Eu nunca mais o vi desde que Mizuki apareceu... Ele me ensinou tudo o que sei. E morreu tentando me ajudar. – Disse a humana, aparentando uma tristeza ainda mais doce.
Ryotaro encarava-a desconfiado. Ele sabia que Minara amava outro macho, mas nunca conseguiu descobrir de quem se tratava.
— Você gostava muito dele, não? Foram mais do que amigos? –Perguntou o youkai, aparentando tranquilidade, mas interiormente, tentava limpar os pensamentos, para que ela não conseguisse perceber suas reais intenções.
—Gostava sim. E ele não era só um amigo. Ele foi o melhor amigo que eu pude ter. Ele me ajudou muito, principalmente, quando percebi que não tinha o perfil “Princesa encantada”. Mas você está fugindo do real assunto aqui. –Minara argumentou calmamente, aparentando a exaustão de seu corpo físico.
—Eu entendo que queira se fazer entender, mas está fraca e eu estou aqui para ajudá-la. Teremos tempo para ponderar sobre os demais aspectos. Dentro de pouco tempo lorde Sesshoumaru e seus generais virão e com a ajuda deles nós conseguiremos tirar você e seu povo desse lugar . E eu juro que tudo isso, vai ser só uma lembrança ruim.
—A minha vida é uma lembrança ruim... Há muito pouca coisa que me lembre, que me deixe contente. – Disse-lhe a humana amargurada.
—A minha também. E parece que pelo menos isso nós temos em comum. – E dizendo isso Fez com que ela se perguntasse o que teria acontecido a ele.
No dai san no shiro Hikaru sentiu-se impotente diante daquela situação tão complexa. Caminhou até a sacada e contemplou o tempo chuvoso. “Perdoem-me Brunhilde, Kuro Ookami, eu não consegui cumprir a promessa que fiz a vocês. Eu sou mais fraco do que pensei, não posso viver sem ela.” Pensou o Youkai, olhando para as nuvens, e deixando que a chuva fina, o lavasse de sua culpa.
Quando as primeiras luzes do dia começaram a aparecer, Hikaru já estava determinado a sair. Não dormira quase nada, sonhando com Minara, nua, dizendo que o amava, e com trocas de juras de amor eterno, entre eles.
Com as mãos segurando a cabeça, sentado sobre a cama, queria acreditar que estava tudo bem, mas acordar sem ela ao seu lado lhe parecia ser a prova de que precisava fazer algo para salvá-la ou enlouqueceria.
O desejo que sentia era insuportável. Tudo o que via, lembrava Minara de alguma forma. Nunca havia se sentido assim em relação a ela. Mas também nunca a havia beijado, ou tocado de forma tão íntima. Vestiu-se rapidamente e saiu antes que os outros acordassem.
—General Hikaru, acordado tão cedo, o senhor precisa de algo? – Perguntou um soldado youkai, responsável pelo turno da noite, assim que Hikaru chegou à porta principal do shiro.
—Sele meu animal, eu vou sair. – Disse o youkai secamente.
Após alguns minutos, o soldado voltou com Kemono seu cavalo youkai, devidamente selado e pronto para partir. Hikaru entregou um bilhete para o soldado, e lhe ordenou que entregasse a Sesshoumaru sama, assim que ele acordasse. Em seguida montou e saiu velozmente sem dizer o rumo que tomava.
O dia amanheceu levemente chuvoso. Sesshoumaru acordara muito cedo, e estava profundamente abalado com a noite que tivera. Primeiro Minara lhe aparecera, falando aquelas coisas tão duras e ao mesmo tempo, tão reais.
E ainda disse que lhe mostraria seu futuro se ele fosse forte. Ele não entendera bem aquelas palavras, mas o que viu em seguida foi algo, que o deixou ainda mais confuso. Uma Rin, madura, linda e confiante, ao seu lado como senhora das terras do oeste, com quem ele havia constituído uma família, igualmente linda que o enchia de orgulho. Quando acordou, estava tomado pelo mesmo sentimento forte que o dominou em sua visão. Procurou instintivamente pelo corpo de Rin, em sua cama, e quando não o encontrou sentiu-se estranhamente solitário e desolado. Ele imaginou que tudo não passara de um sonho, mas se convenceu que não, ao terminar seu banho e escovar seus cabelos e perceber neles uma pequena trança. “Você esteve mesmo aqui. Agora só me resta recuperar você, para que me ajude a ter aquilo que me mostrou, Minara.” Pensou ele, enquanto olhava o sol sair entre nuvens.
Sesshoumaru e Rin
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