Perdida Na Tempestade

19 Capítulo 19- Aliado improvável...


Notas iniciais
Olá eu disse que estava quase pronto, não foi? Aqui estamos com mais algumas revelações estranhas e uma briguinha anunciada do nosso casalzinho mais cute cute, bem quer dizer, que ERA o casal mais cute cute!Agora, de volta as brigas! vamos ver?

—Algo errado? – Perguntou ele com sarcasmo. A jovem serva se esforçou para respondê-lo.

—Não... Lorde... Ryotaro, mas, eu já terminei. O senhor deseja mais alguma coisa, ou, eu posso me retirar, meu senhor? –Perguntou da maneira mais profissional que conseguiu, mantendo sua postura de serva.

O youkai ficou sério, como se estivesse pensando nas opções. Em seguida caminhou até a mesa posta por ela e fez um sinal para que ela se sentasse. Ritorirï sentiu o sangue gelar, mas obedeceu. O youkai sentou-se, apoiou o cotovelo esquerdo em cima da mesa e segurou o queixo com seus dedos finos e elegantes.

—Como ela está? –Perguntou em voz baixa.

Ritorirï estava muito desconfiada com a suposta preocupação repentina do lorde youkai com Minara. “Será que ele desconfia de algo? Por kami que voz tão linda! Eu poderia passar a noite ouvindo a voz dele...” Pensava ela, enquanto analisava a melhor forma de se expressar.

—Se o senhor se refere à princesa, ela está bem. Quero dizer, está dopada com o soro, mas pelo menos agora não vai mais se machucar com as correntes e nem parar de comer. –Respondeu ela tentando parecer indiferente. O dai youkai olhava-a com uma expressão séria e indecifrável.

—Então você não se importa, está apenas fazendo seu trabalho... Certo? – Perguntou ele, de modo sedutor. Ritorirï assentiu com a cabeça. E Ryotaro parecia ainda mais incomodado. Levantou-se e chegou bem perto da serva youkai, a ponto de aproximar seu rosto do dela.

—Não minta para mim. Eu detesto mentiras. Sei exatamente que ela não está nada bem, e que você é o único ser que se preocupa realmente com ela... Depois de mim... –Disse ele, segurando o queixo dela para obrigá-la a encará-lo e estreitando os olhos. Ritorirï congelou de medo.

Apesar de youkai, ela nunca lutara, e sequer sabia se defender. Sempre fora protegida por ser a melhor serva de sua senhora, mas ali onde estavam não havia nenhum tipo de proteção. Os únicos poderes que ela possuía eram o dom de cura, e a ótima destreza para cozinhar. Piscou os olhos nervosamente, sentindo a respiração quente de Ryotaro em sua face. Mesmo assim, não estava disposta a trair Minara.

—Depois do senhor? Como assim, meu Lorde? –Perguntou a serva, tentando dissimular a conversa. Ryotaro afastou-se o suficiente apenas para que ela ficasse de pé. Em seguida estendeu a mão à ela para que ela o seguisse. Aproximou-se da cama espalhando as almofadas pela cabeceira para que ficasse quase sentado ao se deitar. Em seguida tirou a camisa deixando seu peito nu e aconchegou-se na cama. Ritorirï estava de pé ao lado da cama e não compreendia o porquê dele estar fazendo aquilo.

—Vá até o biombo e tire suas roupas e depois vista aquele quimono que está pendurado nele e volte aqui. –Ordenou o Youkai, sério.

Ritorirï tremia de medo. Mas diante da expressão séria do Youkai, resolveu atender às ordens dele. Assim que se vestiu com o quimono fino designado por ele, voltou até onde o youkai a aguardava, visivelmente constrangida. Ao se aproximar dele, ele a puxou pelas mãos para que ela repousasse em seu peito. Ritorirï mal conseguia respirar, enquanto algumas lágrimas desciam pelo seu rosto. Percebendo o pavor que causara, o lorde tentou acalmá-la.

—Não se preocupe, não vou lhe fazer mal. Sei que isso é uma inconveniência enorme, mas é importante que seu cheiro fique em mim e no lençol. Enquanto isso, eu vou contar lhe por que, eu me importo com a princesa. E talvez depois disso você me diga a verdade. –Revelou ele, enquanto abria delicadamente o quimono da jovem serva e colava a pele alva da serva à sua, sem sequer lhe dirigir um olhar malicioso, buscando respeitá-la ao máximo que a situação permitia.

Ritorirï fez menção em dizer algo, mas estava constrangida demais para sequer abrir os lábios. Contudo, a postura respeitosa do youkai fênix se manteve.

—Não precisa dizer nada. Dou-lhe minha palavra que vai se levantar de minha cama tão pura quanto se deitou. Apenas me ouça. –Continuou ele se referindo à virgindade da serva youkai.

Diante do sinal positivo dela, ele começou sua história.

—Há muitos anos, meu pai, senhor das terras do Leste, estava intimidado com o poder de seu maior rival, o Lorde Inu no Taishou, senhor das terras do oeste. No início, meu pai temia por nosso reino, já que acreditava que pelo fato de minha mãe ser uma hanyou, sermos vistos como um reino fraco. Um dia, recebemos a visita de um dos generais das terras do leste que ofereciam uma aliança em troca de informações. O general era Shingeko e ele disse que o proprio Inu no Taishou, pretendia acabar com as terras do Leste. Ameaçado, meu pai aceitou a oferta de Shingeko, mas algum tempo depois, um ataque acabou por tirar a vida da minha mãe... Enlouquecido de ódio, meu pai se convenceu que precisava destruir as terras do oeste, e para isso teria de possuir a filha da grande youkai águia, Izanami, a maior aliada de Inu no Taishou. Ele não obteve sucesso nessa empreitada mas nunca deixou de tentar...

Anos depois, após muita guerra e morte, outro general das terras do oeste, este de nome Kuro Ookami, foi corajosamente até nossas terras para tentar negociar a paz. Ele propôs a meu pai que a filha dele, uma menina humana, neta de Izanami, fosse dada como fêmea, a mim, o príncipe das terras do Leste. Desde modo, o reino do leste teria finalmente a sua própria feiticeira do tempo. Meu pai concordou prontamente e assim eles selaram a paz entre os reinos. No entanto, o então senhor do clã dos Shiro Hebi, general Shingeko novamente convenceu meu pai de que tudo isso não passava de um plano para nos destruir em definitivo. Diante disso, meu pai e Shingeko arquitetaram um plano para não somente matar Inu no Taishou, como também exterminar seus herdeiros e demais generais e assim tomarem o poder das Terras do Oeste de uma vez por todas.

Eu sabia que tudo isso era uma grande loucura. A morte de minha mãe nunca foi responsabilidade de Inu no Taishou, mas meu pai se recusava a acreditar em mim. O ataque planejado por eles, foi um grande massacre. Meu pai e seus comparsas acabaram perdendo a vida naquele dia, assim como Inu no Taishou e alguns de seus principais generais e capitães. Até mesmo a menina, minha prometida, foi dada como morta. Mas eu sei que ela não morreu naquele dia. -Ryotaro falava com resignação.

—O que aconteceu à criança, meu senhor? – Perguntou a jovem serva, criando coragem para finalmente levantar o rosto e encarar o youkai fênix. O Lorde Youkai retribuiu o olhar e acariciou os cabelos da jovem serva, soltando –os delicadamente.

—Naquele dia eu fiz tudo o que foi possível para impedir meu pai. Mas ele estava cego... Ele chegou a me atacar violentamente me deixando inconsciente. Quando finalmente despertei, fui até o shiro de Kuro Ookami, e encontrei uma jovem serva youkai correndo desesperada, com a menina nos braços. Eu as abordei e ela me contou que os pais da menina estavam mortos assim como meu pai, e que outro general estava lutando com Shingeko. A criança sofrera um ferimento, próximo a uma importante veia do corpo e estava perdendo muito sangue. A chance de sobrevivência dela era muito pequena. Eu a peguei dos braços da serva e a trouxe para o único ser que poderia ajudá-la: A senhora de Meikakunamün. Para minha surpresa, ela já estava a nossa espera. Mas não foi nada fácil salvá-la. A ferida que ela possuía era proveniente de um ataque youkai, que impedia que ela cicatrizasse. As transfusões de sangue humano foram inúteis. Sangue youkai foi utilizado, associado a inúmeros feitiços e poções, para que ela se mantivesse viva, mas isso não foi o suficiente. Ela continuava muito fraca. A única alternativa que se mostrou relativamente efetiva, foi a transfusão de sangue da própria Izanami. Mas o frágil corpo humano da criança, não era capaz de se recuperar rapidamente. E ela permaneceu em um estado de dormência profunda.

Foram inúmeras transfusões, e feitiços. Perdi as contas de quantas poções ela bebeu. Para protegê-la, e também seu reino, a senhora Izanami ordenou que todos os acessos à Meikakunamün fossem fechados, isolando permanentemente o reino dos demais. E assim se passaram mais de 150 anos. Até que um dia, ela finalmente ficou curada. A poderosa Izanami deu sua até sua última gota de sangue para salvar a neta. Eu havia retornado ao meu Shiro, no dia seguinte a batalha fatal de meu pai, para sepultá-lo. Mas sempre me mantive informado sobre o estado dela. Nos últimos anos ela estava passando mais tempo acordada do que adormecida. Quando eu soube da morte de Izanami, enviei um dos meus melhores generais para protegê-la e ajudá-la a reestabelecer o reino. Mas algumas semanas depois que ele partiu, eu não tive mais nenhuma notícia dele. Enquanto me deslocava até aqui, descobri que Mizuki a viúva de Shingeko, havia juntado seus comparsas e formado uma aliança maligna, que visava destruir aos poderosos das Terras do Oeste, e para isso usaria a princesa. A minha única escolha foi me juntar a eles relembrando a antiga aliança alegando que queria vingança da morte de meu pai, para ficar perto dela e protegê-la. Proteger a minha prometida... A minha Minara! –Terminou o youkai fechando os olhos.

Ritorirï havia ouvido atentamente e conhecendo ela, parte da história, se deu conta de que ele dizia a verdade. A confissão do Lorde vinha em muito boa hora. Sem pestanejar, a youkai coelha, resolveu contar o que sabia.


—Senhor ela... Ela é muito forte, mas está sofrendo muito... Está abatida e muito debilitada, pelo grande esforço ao qual tem sido submetida. E mesmo assim, seus pensamentos estão sempre com seu povo... E agora que ela vai ficar o tempo todo sob o efeito do soro, eu temo pela vida dela.

—Eu sei. Eu conheço tão pouco dela, mas sei de sua devoção e admiro seu propósito. Por isso precisamos agir rápido. Eu tenho observado você há algum tempo, e sei da sua dedicação à Minara. Foi por isso que escolhi você para me ajudar.

—O que posso fazer ? Me diga e eu o farei! -Ritorirï afirmou convicta.

—Você deve ir até o Dai san no shiro, o terceiro castelo das terras do oeste. Mais ou menos seis horas de vôo daqui, ou doze de corrida. – Disse o youkai que se levantou com cuidado e fechou o quimono de Ritorirï que também se pôs de pé.

Ryotaro, foi em direção à porta do banheiro. Ao retornar tinha consigo um cadáver de uma fêmea youkai, envolto em um tecido grosseiro e sujo. Ritorirï pôs as mãos sobre a boca para abafar um gemido de pavor.

—O nome dela era Sakura. Ela, e a irmã, Misao, foram contratadas por Mizuki para eliminar um dos generais de Sesshoumaru, o senhor das terras do oeste. Mas parece que elas falharam e Mizuki mandou matá-las. A irmã fugiu, mas esta aqui, não teve a mesma sorte. Como vocês duas tem as dimensões de peso e altura, bastante parecidos, acho que posso pôr nosso plano em prática. Eu vou fazer Mizuki acreditar que você está morta, e desse modo você vai fugir daqui. Uma vez fora daqui, você tem de chegar até o Lorde Sesshoumaru e entregar a ele as informações sobre esta fortaleza. Com isso eles poderão planejar a invasão e salvar todos os prisioneiros sem colocar a vida de Minara em perigo.

—Senhor, o senhor disse, nosso plano? Há mais alguém que saiba disto? -A Serva questionou curiosa.

— A própria Minara me ajudou com isso. Eu pretendia arrancá-la daqui, mas ela não permitiu. E agora que ela está sob o efeito constante do soro, eu temo que Mizuki, acabe por usá-la contra mim.

—Mas senhor, o veneno está perdendo efeito. Dentro em breve ele não será suficiente para mantê-la sob controle.

—Sim, eu sei. E eu temo que Mizuki também saiba disso. Ela ordenou que Hayato buscasse uma das mikos que estão lutando ao lado do Lorde Sesshoumaru, pois acredita que o sangue dela possa fortalecê-la. Não tenho certeza do que porquê disso, mas desconfio que ela queira tomar os poderes de Minara. Estamos na lua nova, é a época em que os poderes de Minara ficam mais fracos. Como está com medo de perdê-la, Mizuki vai poupá-la. Isso significa que você tem uma semana. Após esse tempo ela vai usar a visão dela para saber dos acontecimentos futuros, e aí, não haverá nada que poderemos fazer. — Ryotaro ressaltou e Ritorirï engoliu em seco.

—Eu farei o meu melhor. Vamos conseguir salvá-la... Temos que conseguir isso! -A serva murmurou.

—Aqui, leve essas plantas da fortaleza, junto com você. Avise-os dos perigos e das armadilhas e de nossa desconfiança sob os planos de Mizuki de usar a Miko e a feiticeira deles, para tomar os poderes de Minara. -O youkai fênix caminhou até sua estante e pegou alguns dos pergaminhos cuidadosamente guardados para entregar à serva. Ritorirï assentiu com a cabeça.

—Está pronta? – Perguntou o Lorde, pegando as mãos dela sentindo a ansiedade da jovem youkai no tremer de seus dedos.

—E-eu... Estou!- Respondeu a serva criando coragem.

O youkai sorriu. Pegou sua espada e com um movimento rápido, passou atrás do pescoço de Ritorirï, cortando os longos cabelos dela na altura dos ombros. Em seguida enrolou os longos cabelos dela no cadáver. A serva ficou muito assustada. O youkai deu-lhe uma muda de roupas, e estendeu um grande manto negro a ela, juntamente com uma bolsa e uma pequena adaga.

—Venha, vista-se depressa. Temos que sair daqui agora. – O lorde ordenou. E caminhou de volta ao banheiro, onde vestiu sua armadura e tomou a aparência tenebrosa novamente.

Assim que terminou saiu e com a ajuda de Ritorirï já devidamente vestida, pôs as roupas da serva, no cadáver e queimou-o, na fronte, junto com parte de seus cabelos.

Em seguida enrolou o cadáver no lençol da cama onde estivera deitado com Ritorirï, saindo logo após instruir a serva a ficar ao redor dele.

—Feche a capa, ela lhe dará invisibilidade. Agora e vamos! – Disse o Lorde pondo o cadáver queimado nos ombros e saindo do cômodo.

Ritorirï, correu sorrateira e ia por trás dele usando a capa, que não permitia que ninguém a visse ou sentisse sua presença, e na escuridão do esconderijo seria praticamente impossível vê-la, mesmo para olhos youkais.

Conforme o lorde ia andando todos que o encontravam ficavam curiosos com o que viam. Ele no entanto agia com naturalidade. Ao se aproximar do salão principal, foram detidos por uma voz conhecida.

—Mas o que é isso que está levando, Lorde Ryotaro? –Perguntou um youkai de longos cabelos lisos e escuros.

Ryotaro, não respondeu apenas se deteve por alguns instantes. O outro Youkai se aproximou e Ritorirï pode ver a cara de contentamento de Yuu ao sentir o cheiro do cadáver.

—Ahh então é mesmo verdade, você estava com a preciosa serva de Mizuki? E pelo visto você acabou com ela não foi? – Disse o youkai levantando a ponta do lençol e olhando com desdém para o cadáver. Em seguida lançou um olhar malicioso para Ryotaro que permanecia impassível, em total silêncio.

—Eu posso falar com ela, se você quiser, você sabe que Mizuki me escuta bastante. Eu mesmo direi a ela que, matei sem querer, a serva dela. Mas vou querer um presente seu depois disso... – Repetiu o Youkai mordendo os lábios.

Ryotaro olhou para ele de lado, jogou o cadáver no chão e tirou de dentro de um bolso no seu cinto, uma pedra azul muito bonita e brilhante. Yuu pareceu desapontado, mas aceitou a pedra.

Em seguida o Lorde pegou novamente o cadáver e seguiu andando em direção ao portão principal, seguido atentamente pelos olhares desejosos de Yuu. Ritorirï estava aliviada, por não ter sido notada, mas mesmo assim seguia nas pontas dos pés, mantendo todo o cuidado. Alcançaram o portão e saíram sob os olhares apavorados dos soldados, que o tinham visto, sair com Ritorirï apenas alguns minutos antes.

Para eles agora ela jazia morta, e o burburinho sobre isso, logo tomou conta da fortaleza. O lorde caminhou ainda sob a chuva pesada, descendo, em direção à base da montanha. Após saírem do campo de visão dos soldados, o youkai fênix deu as últimas instruções à jovem e assustada serva.

—Tome, fique com isto. Um dos meus generais, está à sua espera na estrada. Mostre isto e ele vai levá-la em segurança até o dai san no shiro. –Sussurrou o youkai, retirando do próprio pescoço, um colar com uma enorme pedra de rubi.

Ao tê-lo nas mãos o colar se partiu e deu origem há duas pedras iguais e do mesmo tamanho de antes. Ele entregou um deles à Ritorirï que ela prontamente colocou em seu pescoço.

—Senhor eu prometo que voltarei o mais rapidamente possível... Até lá, cuide da princesa. Ela precisa do senhor! – Disse a serva, corajosamente. Ryotaro sorriu de lado e assentiu com a cabeça.

Em seguida fez sinal para que ela corresse depressa. E assim ela o fez. Usou sua velocidade e sua desenvoltura para desviar dos pequenos contratempos do caminho enquanto corria veloz como a lebre que era.

O trovão fez um barulho ensurdecedor do lado de fora do shiro. Lá dentro Kagome deu um pulo de susto. Não que tivesse medo. Afinal, no colo de Inuyasha ela se sentia perfeitamente protegida.

—Calma Gome. Ele não vai te pegar! — Disse ele, enquanto ajeitava uma mecha do cabelo, atrás da orelha dela.

Kagome sentia que ele estava ainda muito assustado com os últimos acontecimentos, mas o alívio em seus olhos era perceptível. A conversa com Raijin havia sido esclarecedora, e permitia que Inuyasha se sentisse mais tranquilo. Ele acariciava os cabelos dela enquanto a olhava com ternura.

—Você é tão bonita Kagome. Como pude ser tão idiota, quanto fui com você? Eu te ignorei e te tratei tão grosseiramente. Espero que algum dia você possa me perdoar por isso.

—Eu já perdoei. Mas eu também não fui nenhuma santa... Lembra-se do Colar?

—Claro que me lembro! Ainda sinto gosto de terra quando me lembro dele!

—O que aconteceu com aquele colar?

—Bem, eu o retirei depois de um tempo. Não condizia com o treinamento. Mas, não tive coragem de jogá-lo fora, já que ele me lembrava você e tudo o que passamos juntos. Assim que tive certeza que era você quem eu amava, eu fiz algo com ele... -Inuyasha respondeu enigmático.

— Você ainda tem ele? Espera... O que você fez?- Kagome questionou curiosa.

—Droga... Era para ser uma surpresa para o nosso noivado, mas... Acho que você vai gostar mais se vir isso agora. –E dizendo isso abriu a gaveta de trás de sua mesa, e tirou de lá uma caixa de madeira, que entregou a Kagome. Assim que ela abriu deu um grande grito de excitação.

—Noossa que lindo! São para mim? – Disse Kagome fascinada com o que via: dois colares, de prata, com apenas três contas pertencentes ao colar enfeitiçado de Inuyasha, e duas pedras brancas cada uma em uma lateral.

—São para nós... O maior é meu e o menor é seu. Mas só devíamos usar isso depois da nossa festa de noivado.

—Não senhor, eu quero usar agora mesmo! E você também vai por o seu agora! Vem me ajuda, a por o meu.

—Mas, Gome!? Ahh... Está bem. – Disse ele ao perceber que ela não mudaria de ideia.

Em seguida com a ajuda dela pôs o seu. E ficaram, um admirando o outro. Kagome então pulou nos braços de Inuyasha.

—Eu te amo... Muito Inuyasha. — Disse ela olhando nos olhos dele.

—Eu também te amo muito minha Kagome. –Ele sussurrou e beijou a novamente.

Kagome pressionou o hanyou contra a parede atrás deles em seguida, beijou e chupou os dedos dele, para em seguida colocá-los dentro de sua blusa. Inuyasha prontamente pegou os seios dela, apertando os com cuidado e força. A jovem humana gemeu baixinho. Ao perceber que o clima estava esquentando rápido demais, Inuyasha, parou as carícias e deu um beijo casto na testa dela. Kagome, no entanto se ofendeu.

—Inuyasha, eu quero tanto você. Não quero esperar, mais nada. Apenas quero ser sua. Por que você não me toma e me faz logo sua?- Perguntou ela, sem conseguir deixar passar o desapontamento que sentia. Inuyasha encarou-a sério.

—Por que quero fazer tudo certo, com você, Kagome. Você merece ter uma noite de núpcias adequada, em uma cama adequada, e não em qualquer lugar feito um animal. –Respondeu ele decepcionado com a insensibilidade dela.

—Inuyasha me desculpe, eu não queria ser ingrata, sei que está pensando em mim, mas eu só estou dizendo que quero muito você. — Disse ela tentando contornar a situação.

—Eu sei bem no que está pensando. Quer que eu marque você, como Raijin fez com Kikyou? Sem pensar em como ela seria exposta com essa situação? É isso que quer de mim, que eu seja um sem escrúpulo como ele? –Perguntou ele, com ressentimento. Kagome percebeu a mágoa nas palavras dele.

—Não Inuyasha, por favor, eu não quis dizer isso! Eu só quero ficar ao seu lado!

—Mas É SÓ ISSO QUE EU TAMBÉM QUERO! Você acha que eu não te desejo? Acha que foi fácil para mim, ficar longe de você todos esses anos? E agora tenho você aqui, e eu optei por fazer as coisas de um jeito certo! Kagome... O que Raijin fez com Kikyou NÃO FOI CERTO. Nem ela nem você tem noção do quanto ele foi irresponsável. Uma marca, não pode ser feita de qualquer maneira. Vocês duas mereciam ter ciência de que a vida de vocês nunca mais será a mesma. Mas apenas você terá esse privilégio. –Exclamou ele, ainda mais magoado.

Kagome se sentia a pior das criaturas, mas quanto mais tentava se explicar mais ele se irritava. Resolveu ficar em silêncio, e depois de alguns minutos Inuyasha saiu do escritório com a desculpa que precisava de ar. Dentro de poucas horas começaria a reunião deles. E ela achou melhor ir para seu quarto e se preparar para isso. Do jeito que o hanyou estava, nada que ela fizesse poderia mudar a mágoa dele. Era melhor esperar ele se acalmar.

O barulho da porta do quarto de Inuyasha batendo, chamou a atenção de Sesshoumaru que estava irrequieto com a tempestade que se abatera sob o shiro. As lembranças ainda frescas do corpo de Rin colado ao seu, ainda o deixavam incomodado. Nunca se sentira daquela forma, com fêmea alguma. Talvez estivesse sentindo falta de seu shiro e de seu harém. Talvez estivesse sob muita pressão. Mas o fato era que ele sentira seu corpo se manifestar apenas por ter dois dedos dela colados em sua nuca. Instintivamente passou a mão pela nuca alisando-a para tirar um pouco do enorme estresse que sentia.

Ritorirï, depois de ter seus cabelos cortados.

Notas finais
Quero agradecer a quem deixa os comentários. Obrigada, isso me incentiva muuuuuitooo mesmo! Também quero avisar que no próximo cap, tem hentai, e uma personagem que esteve presente no Mangá¡ original, e que quase ficou esquecida, mas que vai chegar, chegando e correndo atrás do que é seu! (Ou pelo menos ela acha que é dela...)! Então nos vemos nos próximo cap, não deixem de comentar e favoritar a fic! Obrigada e até a próxima!