Perdida Na Tempestade
14 Capítulo 14- A ferida sem cura
Notas iniciais
— Mizuki? Mas o que você... O youkai tigre não conseguiu terminar a frase. Foi interrompido por outro golpe e se ele não fosse tão veloz teria sido feito em pedaços pelo chicote de Mizuki.
Igraine que estava com ele, no entanto não se intimidou. Aproveitando-se que a youkai sequer olhara para ela, atacou-a com suas sais e conseguiu fazê-la recuar após um forte chute.
—Ninguém, tenta machucar o meu irmão e sai ilesa! Esse chicote se parece com o bote da cobra que tentou me atacar... Foi você quem a mandou, não foi? — Disse a hanyo já com seus olhos vermelhos e seus longos cabelos louros esvoaçantes envolvidos em seu miasma.
—Ora mas que surpresa... Você encontrou a cria da vadia humana de seu pai. Vejamos do que ela é capaz. -A youkai respondeu estreitando os olhos e partindo para atacar Igraine.
—Pode vir... Eu vou fazer você engolir esse chicote! -Bradou a hanyo pronta para o embate.
Neste instante Kikyou que se aproximara, pegou Hikaru pela mão e o puxou para sua própria barreira. Enquanto isso a youkai cobra e a hanyo, iniciaram uma luta acirrada e violenta. Hikaru tentou entrar na disputa mas foi impedido por Kikyou que o lembrou que o melhor naquele momento era ir até a fêmea que mantinha a barreira e detê-la.
Á contra gosto o youkai tigre avançou o mais rápido que pode. Embora as barreiras permitissem que se movessem quase que naturalmente, era nítido que os youkais estavam mais lentos e pareciam ter perdido parte de suas forças.
Enquanto Hikaru e Kikyou tentavam acabar com a barreira, Isamu conseguiu se aproximar de Sesshoumaru e Rin, para ajudá-los, mas antes que conseguisse foi atacado por outro youkai de cabelos e olhos arroxeados.
—Ora ora... Não é o senhor dos corvos? Dar-me-ia a honra de lutar comigo? -Riu se o youkai, com deboche.
—A honra é minha, mas o privilégio é seu, em morrer pelas minhas espadas SHI NO TSUBASA (asas da morte)- Gritou o youkai corvo enquanto atacava impiedosamente e seu oponente.
Seguidos por Inuyasha e Kagome, Hikaru e Kikyou conseguiram se aproximar da fêmea que estava cercada por um grande número de soldados que buscavam protegê-la. A luta estava durando mais do que o esperado e Kagome preparou sua flecha para tentar acabar logo com tudo aquilo, já que as barreiras estavam enfraquecendo.
Aproveitando-se do ataque preciso da miko, Hikaru preparou para atacar a tal fêmea com sua espada. Contudo quando a flecha de kagome se aproximou dela, a mulher desviou lentamente acertando apenas um pedaço da capa que a cobria e arrancando-a, mostrando assim sua identidade.
Hikaru estava pronto para atacá-la no ar, mas no momento em que ficou cara a cara com ela, sentiu o poder dela destruir sua barreira e ficou parado no ar, sendo obrigado a encará-la. Os longos cabelos vermelhos escuros, com cachos nas pontas, voavam ao redor dela. A pele morena amarelada. O belo rosto que o lembrava de alguém... Mas foi só no momento em que os olhos que estavam completamente brancos, começaram a tomar a cor castanha esverdeada, voltando a normalidade, que ele percebeu.
—Não... Não pode ser... – Murmurou o youkai tigre com seus olhos arregalados.
— Como isso é possível? Hikaru, cuidado! –Gritou Raijin que se aproximara em busca de Kikyou, tentando alertar o companheiro.
No momento que a capa da moça caia ao chão, Sesshoumaru viu um rosto que teimava em não sair de suas lembranças. “A serva” lembrou-se ele. E Sesshoumaru compreendeu finalmente de quem se tratava e mal conseguia acreditar em seus olhos.
—Minara... – O tigre dourado murmurou ainda sem conseguir acreditar.
Hikaru estava diante dela, e conforme ela ia voltando à normalidade, eles iam descendo lentamente e a barreira se desfazia. Ao chegar ao chão ela perdeu a força nas pernas, mas foi amparada por ele. Com o enfraquecimento da barreira do tempo, as mikos retiraram as barreiras, e Hikaru pode sentir o cheiro dela. Mas ele não acreditava no próprio olfato.
— Hikaru... Ajude-me... Por favor... – Disse ela deixando as lágrimas descerem por seus olhos.
E olhando para ela, assim de perto, ele pode ver marcas roxas em seus pulsos e no pescoço. Ela também estava muito magra, pálida e debilitada. E ele deixou as lágrimas descerem enquanto seus olhos ficavam negros de ódio.
Mizuki deu um grito pavoroso quando percebeu que a barreira estava se desfazendo. Em um momento de distração a youkai cobra quase foi ferida mortalmente por Igraine que a lembrou de que não poderia sair dali tão facilmente. Enquanto a hanyo se concentrava em sua oponente, outro chicote de cobra, lançou-se sobre a hanyou, atacando-a pelas costas. Novamente ela esquivou-se bravamente, mas acabou sendo atingida de raspão no braço. Em poucos segundos seu corpo começou a ficar pesado e ela vislumbrou com o cantos dos olhos, outra figura que fugira sem que ela conseguisse identificá-lo.
A youkai cobra preparou-se para desferir seu golpe fatal contra a hanyo mas Tatsuo chegou a tempo de retirar Igraine antes que fosse novamente atingida, usando sua forma energética para afastar-se alguns metros de onde Mizuki estava.
—Igraine, fale comigo! -Ordenou o youkai dragão, ainda com a hanyo nos braços, mas ela mal conseguia manter os olhos abertos.
Quando Tatsuo voltou-se para a youkai cobra, viu que ela fugira para perto de onde Hikaru se encontrava.
Sesshoumaru e Rin estavam se aproximando de Hikaru e Minara, quando outro youkai de olhos e cabelos vermelhos e rosto parcialmente coberto por uma máscara de ferro, se colocou à frente deles.
—Kyuura? Mas você está morto! -Sesshoumaru exclamou ao vislumbrar o demônio de fogo.
Este no entanto, não respondeu o lorde youkai, atacando Sesshoumaru imediatamente.
Hikaru tomou Minara nos braços e pretendia fugir com ela, quando outro ser mascarado colocou-se a sua frente. A figura feminina misteriosa criou e apontou para o céu um enorme arco de energia de onde lançou uma flecha de luz.
Repentinamente uma chuva de meteoros precipitou-se sobre eles seguida por uma saraivada de penas brancas recheadas de veneno. O tigre dourado conseguiu se desvencilhar do ataque das rochas, sem dificuldade, mas enquanto ele se esquivava, uma das penas acabou por acertar Minara.
Logo a barreira foi novamente reestabelecida e Minara ficou com seus olhos novamente brancos e começou a levitar. Todos acabaram presos nela e nem mesmo as mikos conseguiam criar novas barreiras.
O youkai patife que fugira de Isamu para recuperar à Minara, se aproximou do tigre dourado e o apunhalou com uma de suas adagas.
—Está vendo princesa? Isso é para que você aprenda que não pode tentar fugir de nós. -Disse o youkai pavão, se referindo à Minara que chorava sangue, mesmo estando sob controle do veneno.
O pavão branco ainda fez menção, em acabar com todos os demais generais ali mesmo. Mas o youkai que lutara contra Sesshoumaru, o impediu.
—Não temos tempo Yuu, ela está muito fraca. Temos que ir logo ou não vamos conseguir chegar! — Mizuki interveio, compreendendo que o mais importante naquele momento era manter a "arma" deles, viva.
A youkai cobra estalou novamente seu chicote e com uma batida dele no chão, fez um buraco no qual todos os soldados com as mãos carregadas de mercadorias e valores roubados, pulavam e desapareciam.
O demônio de fogo observou Hikaru por algum tempo antes de se aproximar de Minara e a tomar nos braços. Ele se transfigurou em um pássaro de fogo levou a para longe logo após a fuga de Mizuki e Yuu.
Quando a barreira se desfez não havia nada a ser feito pela vila e assim como Igraine, Hikaru jazia no chão gravemente ferido.
Com a ajuda de Kagome todos voltaram para o shiro quase que imediatamente.
Kagome correu para a cozinha do shiro para tentar encontrar as ervas que ela precisaria, para preparar um antídoto. Rin ajudou a Inuyasha a levar Igraine para o quarto dela a fim de tratá-la. Kikyou, Tatsuo e Raijin levaram Hikaru para os aposentos dele. Com a ajuda deles, ela tirou a parte de cima da camisa que ele vestia que estava suja com seu sangue. Viraram no de lado e perceberam que o veneno havia se espalhado rapidamente e no local do ferimento havia um grande abcesso.
—Tragam panos limpos! – Gritou Kikyou para as servas, enquanto usava Hinoken para rasgar o ombro de Hikaru por trás, em forma de X, na tentativa de tirar o veneno.
Em seguida, usou sua energia espiritual, para puxar o veneno, mas não obteve sucesso. Tomou então uma decisão drástica. Pediu à Raijin e a Tatsuo, para se afastarem, e fez a mão esquerda pegar fogo, para queimar a área atingida, fazendo com que o veneno se consumisse nas chamas. Hikaru estava semiconsciente, mas não exprimiu qualquer reação de dor ou sofrimento em relação ao ferimento. Nesse momento Kagome entrou no quarto correndo e trouxe com ela, um líquido de cheiro forte, que Tatsuo e Raijin conseguiram fazer Hikaru beber. Ele ainda ardia em febre, mas não parava de falar em Minara. “Minara... Você voltou para mim? Eu vou te salvar, minha menina, não se preocupe!” Repetia ele em seus delírios.
Kikyou mandou que enchessem a banheira da suíte, e assim que o fizeram, Raijin e Tatsuo o puseram lá para tentar baixar um pouco, a alta temperatura da febre. Yukina também foi ajudar, esfriando lentamente a água onde ele jazia. Depois de algum tempo os fortes youkais o retiraram da banheira e o enrolaram em uma toalha. Depois o puseram na cama. Kikyou terminou o curativo do ombro dele e suspirou. Não havia mais nada que pudessem fazer por ele. Do outro lado, no quarto de Igraine, Rin fazia o mesmo com a amiga, mas Igraine estava bem melhor do que Hikaru. A febre não estava tão alta e o veneno pode ser tirado por Rin, sem maiores complicações. Mas assim como no caso de Hikaru, eles só poderiam aguardar.
A noite chegou tensa e cercada de frustração. Haviam muito mais perguntas do que respostas depois do ataque.
Depois de se banharem os generais e as mikos, foram chamados para jantar. Rin assim como Kikyou e Isamu optaram por jantarem nos quartos ou nem jantarem.
Sesshoumaru sentiu a falta de sua protegida na sala de refeições. Quando terminou, saiu e fez um sinal de cabeça para Janken que compreendeu e foi executar as ordens de seu senhor. Rin havia acabado de comer, quando ouviu, batidas na porta. Era Janken que havia ido lá vê-la e saber se ela precisava de algo.
—Ahh senhor Janken muito obrigada! Eu não preciso de nada nesse momento! Talvez só de um abraço!! – Disse ela pegando o youkai sapo no chão e abraçando o.
—AAIIII Rin! Eu não sou um brinquedo! Ponha-me no chão! – gritou ele, protestando.
—Ok, não precisa ficar bravo! – Sorriu ela, enquanto o punha de volta ao chão.
— Ohh o que eu não faço pelo ssenhor Sessshoumaru! – Disse ele limpando a testa suada.
—O que? Foi o senhor Sesshoumaru quem pediu a você para saber se estou bem? –Disse a Jovem Miko com seus olhos brilhando de alegria.
—Sim, mas, por que o espanto? Você é a protegida dele, e que eu saiba mesmo depois de tanto tempo longe ele nunca deixou de ser! –Disse Janken, querendo arrancar alguma informação dela.
—Ele ainda quer ser meu Protetor? Eu sempre pensei que ele havia me deixado ir para a era de Kagome como desculpa para se ver longe de mim. Afinal uma humana morando com ele, andando com ele... Não me parece uma situação viável. –Disse Rin baixando os olhos.
—E você está coberta de razão! Um youkai na posição do senhor Sessshoumaru, não pode ser visto como uma fêmea humana! Mas dizer que ele deixou você ir por causa disso é uma grande tolice! Ele só permitiu que você fosse, por que pensava na sua educação. E hoje vemos que ele tinha razão, olha que moça adorável você se tornou! – Disse o Youkai sem perceber que a estava elogiando. Rin sorriu.
—O senhor acha mesmo isso senhor Janken? Que bom que pensa assim! Tomara que o senhor Sesshoumaru pense o mesmo. –Disse ela, primeiro alegremente depois com um tom preocupado.
—Acho difícil ele pensar depois de todas as barbaridades que disse a ele! Ele ficou muito contrariado. – Disse Janken fazendo cara de orgulhoso.
—Mas senhor Janken, é a verdade... Infelizmente, foi por causa do orgulho dele que o senhor Inu no Taishou se foi. Se o senhor Sesshoumaru, o tivesse ajudado, se tivesse aceitado Izayoi e Inuyasha, eles poderiam estar todos vivos ainda. –Disse ela com os olhos marejados.
Saber que o orgulho de Sesshoumaru tinha feito tão mal a tantas pessoas lhe cortava o coração. Por que para ela, ele era o ser mais impressionante, mais generoso e poderoso que existia. Rin o amava. Ela o amou desde o primeiro dia em que o viu e nunca escondeu isso de ninguém, nem mesmo de Kikyou e Kagome. E talvez tenha sido por isso que elas haviam demorado tanto para lhe permitir que lesse o diário. Elas não queriam que Rin se desiludisse. Janken olhava para a tristeza iminente no rosto de Rin. Ele sabia que ela estava dizendo a verdade. E uma ideia lhe passou pela cabeça. Ele se despediu de qualquer jeito dela e saiu em disparada para contar a Sesshoumaru.
—Ssenhor Sessshoumaru, eu tenho boas notícias! – Gritou ele assim que entrou no enorme quarto. Sesshoumaru estava sentado na sacada olhando as estrelas. Ele vestia um quimono leve de seda azul marinho com detalhes em branco, em um obi amarelo, e sequer se moveu para respondê-lo. Diante do silêncio de seu senhor Janken começou a contar o que descobrira.
—Ssenhor Sessshoumaru, eu falei com a Rin como o senhor me pediu, parece que ela leu o tal diário da fêmea de Teigure, e ela ficou muito magoada em saber dos eventos que envolveram o senhor e seu pai. E ela ainda está muito magoada, ela praticamente chorou na minha frente!- Sesshoumaru continuou a ignorá-lo, como se ele fosse um mero inseto.
—Explique-se Janken, como isso pode ser uma boa notícia? –Disse ele com a mesma calma de sempre.
— Ssenhor Sessshoumaru isso significa que ela ainda gosta do senhor, afinal se não gostassse, ela não se importaria! É assim que os humanos agem, eles deixam as emoções interferirem nos julgamentos deles, e quanto mais intenso o sentimento de mágoa maior a afeição que eles sentem por quem os magoou!- Vibrou o pequeno youkai. Sesshoumaru continuou olhando para o céu, sem nada dizer por longos minutos. Até que se levantou e caminhou até a beirada da sacada.
—O senhor vai a algum lugar senhor Sessshoumaru?- Disse Janken tentando prever as ações de seu mestre. Mas ele sequer olhou para trás. Ficou olhando o céu noturno. Depois se virou e tomou o caminho da porta principal. Abriu-a e redirecionou seu olhar a Janken que compreendeu de imediato.
— Até amanhã senhor Sessshoumaru descanse bem e não hesite em me chamar se necessário e... – Foi Interrompido pela porta que fechou na sua cara. Desanimado ele caminhou pelo longo corredor e desceu as escadas para procurar seu quarto que ficava no andar de baixo.
Assim que Sesshoumaru percebeu que ele havia saído do andar, caminhou lentamente de volta à varanda e ficou novamente junto da sacada. Em seguida levitou e foi até a sacada do quarto de Rin. Olhou para o quarto pela porta da sacada que estava entreaberta e percebeu que o cômodo estava às escuras. Mas o doce cheiro de Rin se fazia presente. Abriu a porta com cuidado e entrou, apesar da escuridão, viu claramente que ela estava deitada na cama adormecida. Aproximou-se dela e contemplou seu belo rosto. Apesar de não ser mais uma garotinha, Rin conservava o mesmo rosto de menina. A sua menina. Parou um pouco e se permitiu lembrar-se da pequena Minara. Ela era sempre tão alegre e independente. Ela adorava brincar com seus cabelos, brincadeira esta, que Sesshoumaru detestava, mas ela com seu jeito irreverente, sempre fazia com que ele permitisse. Lembrou-se que seus pais eram muito apegados a ela. Mas ela era humana, e como companheiro de Hikaru, ele, sempre o censurou pela relação estreita que ele mantinha com aquela criança. E naquele momento, olhando para Rin, pela primeira vez ele conseguia entende-lo perfeitamente. Algo dentro dele se remoeu e ele sentiu-se muito estranho. Talvez se ele tivesse dado mais atenção àquela criança. Talvez se ele não odiasse tanto os humanos por conta de seu orgulho exacerbado. Talvez Hikaru não tivesse perdido sua menina. Talvez Rin tivesse razão... “Não, não tem” Afirmou para si mesmo, afastando os outros pensamentos. E voltou a olhar para sua menina crescida. Instintivamente tocou o rosto dela, lembrando-se de como sofreu quando a perdeu. Mas os novos instintos de Rin fizeram com que ela acordasse.
— Senhor Sesshoumaru? O que faz aqui? – Disse ela sentando-se na cama e esfregando os olhos com delicadeza.
O longo cabelo castanho escuro caia pelos ombros como um véu. O corte ainda era o mesmo, mas a franja dela agora era mais longa. Sesshoumaru ficou alguns segundos, admirando a beleza dela.
—Eu só vim ver se você estava bem. Volte a dormir, sei que está cansada pela luta que tivemos hoje. – Disse ele friamente, como de costume. E se dirigiu até a entrada da sacada.
— Espere senhor Sesshoumaru. – disse ela se levantando rapidamente. Ela vestia uma camisola longa de mangas compridas e decote canoa, de algodão com floras miúdas cor de rosa, estampadas e saiu ao encontro dele tão rápido que sequer lembrou se calçar-se.
—O que você quer Rin? – Perguntou ele, parando, mas sem se virar para ela.
—Senhor Sesshoumaru, eu queria pedir desculpas pelo que eu disse ao senhor naquela reunião. Eu não queria te deixar irritado. Tudo o que quero é ficar ao seu lado, e provar que não sou mais um estorvo. –Respondeu ela, tentando justificar-se.
— E quem foi que disse que você era um estorvo? Você é minha protegida Rin, e é bom que não se esqueça disso. – Disse ele, voltando-se para ela, a tempo de perceber um sorriso nascer nos lábios dela. Rin não resistiu à proximidade dele e o abraçou.
—Ah senhor Sesshoumaru eu senti tanto a sua falta... – Disse ela pegando-o de surpresa.
—Contenha-se Rin, você não é mais uma menina. – Disse ele sentindo os seios dela contra as costelas.
A cabeça dela se encaixou em seu peito e ele sentiu o perfume de seus cabelos. Teve vontade de beijar os cabelos dela. Vontade de adormecer sentindo o calor do corpo dela. Estava com seus sentidos aguçados, excitado pela proximidade dela.
—Eu sei disso, mas sinto que quando estou com o senhor, posso ser sempre uma menina. –Respondeu ela. E Sesshoumaru retribuiu o abraço, desejoso de um pouco mais daquele calor. Mas em seguida afastou-a.
—Agora descanse Rin, você está exausta. Nos falaremos amanhã. E tranque essa porta, assim como fui eu a entrar poderia ser qualquer um. – Disse ele parecendo levemente irritado.
—Certo, senhor Sesshoumaru. Boa noite!- A jovem miko respondeu sorridente antes de trancar a porta e se deitar novamente.
Sesshoumaru voltou para seu quarto, tirou seu quimono e deitou-se nu como de costume. Rin ainda era a menina dele, e ele estava muito satisfeito com essa constatação.
O dia amanheceu preocupado, no Dai san no Shiro. Mas embora a noite anterior tenha sido confusa e cansativa o dia trazia boas notícias. Kikyou acordou mais cedo para ver Igraine e ficou feliz em ver que ela dormia profundamente e bem. Saiu sem fazer barulho e foi até o quarto de Hikaru, na esperança que ele também estivesse melhor. Encontrou-o sentado em sua poltrona na sacada olhando o nascer do sol.
—Bom dia Hikaru, eu imaginei que estivesse bem, mas você me surpreendeu! É muito bom ver que você esta se recuperando! – Disse a miko realmente impressionada com a recuperação dele.
—Eu tenho que estar. Igraine precisa de mim e, agora, Minara também... Como ela está? – Respondeu ele olhando para Kikyou.
E ela contemplou aqueles olhos, verdes, cristalinos e melancólicos, e lembrou-se de como Claire o descreveu. “Claire estava certa” pensou ela.
—Sua irmã está bem! Parece que o veneno não causou tantos danos a ela como fez com você. –Respondeu ela animada, tentando disfarçar o fascínio.
—Graças aos deuses, e a você... Você salvou a minha vida, assim como fez com Raijin. E a vida de minha irmãzinha. Eu vou lhe ser eternamente grato. Kikyou... É assim que você se chama, não é? –Disse ele, com um sorriso discreto e um semblante tranquilo.
— É Kikyou sim. Não precisa me agradecer. Eu estou aqui para ajudá-los lembra? E igraine é uma grande amiga, ela faria o mesmo por mim. — Disse ela se justificando.
—Eu me lembrei por que seu nome é um dos muitos nomes da minha flor favorita. Ela é chamada também de lírio do inferno, por causa da coloração negra e roxa das pétalas. Eu não tenho muito jeito com flores, mas gosto de conhecer o que tem no meu jardim. Assim que eu ouvi o Inuyasha gritar seu nome eu não o esqueci mais. – Continuou ele, com seu ar sério, mas de um jeito displicente. Kikyou estava impressionada. E demonstrou isso na expressão que fez enquanto ele falava.
—O que foi? Eu disse algo errado?- Perguntou ele.
—Não! De maneira alguma! Eu só fiquei surpresa por que poucas pessoas sabem a origem do meu nome, e além disso, eu nunca conheci um Youkai que gostasse de flores! –Afirmou Kikyou ainda duvidando do que ouvia. Hikaru abriu um sorriso de lado.
—Talvez você não conheça muitos youkais. – Respondeu ele, ficando levemente ruborizado.
Kikyou agora compreendia por que havia se encantado tanto, apenas lendo a respeito dele. Hikaru era a sedução na sua forma masculina. Lindo, gentil, inteligente, sensível e ainda por cima era um macho poderoso, respeitado e temido por todos. Era difícil acreditar que ele fosse realmente um youkai. Estava mais para um príncipe de conto de fadas. Mas apesar do encantamento que ele exercia, Kikyou, não se sentia seduzida por ele. Era algo mais parecido com admiração do que com o interesse romântico.
— Bem, vamos ver esse curativo?- perguntou ela, pegando um frasco com um ungüento feito por kagome. Hikaru consentiu e tirou a parte de cima de seu quimono fino.
Com perícia Kikyou retirou as bandagens. Em seguida limpou o local que ainda estava muito ferido, mas já apresentava marcas de cicatrização. Passou o ungüento e em seguida pôs bandagens novas e limpas. Assim que acabou foi ao banheiro lavar as mãos e quando retornou Hikaru estava de pé tentando vestir-se.
—Calma Hikaru, eu te ajudo. –Respondeu ela pegando a mão dele e vestindo a manga do quimono. Pegou depois o, sobretudo sem mangas que ele usava e vestiu-o.
Por fim pegou o Obi e enrolou-o na cintura dele, tendo que ficar muito perto do corpo dele. Assim que terminou, Hikaru olhou-a com gratidão, mas parecia ainda estar abatido. Kikyou pegou as mãos dele e segurou firme.
—Hikaru, nós vamos salvar Minara, assim que você ficar bom, eu prometo a você! –Disse ela ainda segurando as mãos do Youkai, que abriu um belo sorriso.
E no meio desse sorriso, Raijin abriu a porta.
A feiticeira do Tempo

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