Perdida Na Tempestade
11 Capítulo 11 - A bela fera e a fera bela...
Notas iniciais
—Está trancado por dentro. –Disse um macho youkai de voz grave.
—O que? Mas o general acabou de sair daqui. Porque alguém se trancaria no escritório do general? — Disse o segundo.
—Sente algum cheiro? Parece cheiro de fêmea humana. Hmm... Uma virgem humana. –Grunhiu um terceiro.
—Humana ou não, ela certamente não tem permissão para estar em um lugar importante como esse. Peguem a chave mestra.
—Isso não será necessário. Eu sou Kikyou, miko do templo desta região. E sim, eu tenho permissão do próprio general para estar aqui. Posso ajudá-los em algo mais? -A miko abriu a porta e encarou os três youkais que pareciam atônitos em vê-la.
—Nos desculpe pela interrupção senhorita Kikyou. Mas recebemos ordens para vigiar todos os cômodos de livre acesso. -Um dos soldados youkais desculpou-se e reverenciou a miko.
—Eu compreendo. Estarei aqui terminando meus estudos. -Kikyou afirmou e estava prestes a fechar a porta quando o outro soldado colocou o pé na porta impedindo que ela concluísse a ação.
—Tenha cuidado senhorita. Há muitos youkais neste shiro esta noite. Uma humana virgem e sozinha é como um aperitivo precioso pronto para ser devorado... -Disse o outro soldado sorrindo malicioso, enquanto encarava a miko.
Por alguns segundos Kikyou sentiu seu sangue gelar e uma ojeriza tomar conta de si. Estava prestes a respondê-lo a altura, mas ele retirou o pé da porta e acompanhou os demais que riram com deboche.
"Malditos machos,". -Pensou ela consigo mesma, fechando a porta trás de si. Lembrou se subitamente do que lhe disse Inuyasha antes de sair e receou-se sobre sua segurança.
Alguns minutos se passaram até que ela se acalmasse, mas quando ela estava prestes a sair, notou uma nova presença se aproximar da porta. Desta vez quem quer que fosse estava se esforçando para não fazer nenhum barulho audivel. Kikyou afastou-se lentamente da porta mantendo se de frente para a mesma. Pé ante pé a miko caminhou tentando manter seus batimentos e respiração normais. Quando suas costas chegaram a parede a miko tateou pela mesma e encontrou a janela do segundo ambiente e após abri-la devagar, fez novamente o sinal de mãos para levitar. Ao olhar para baixo viu que o Shiro estava cercado pelos soldados da guarda. Como não podia descer Kikyou então entrou pela janela acima do escritório que estava entreaberta, e percebeu que se tratava de um quarto.
Ela mal havia tocado seus pés no chão do aposento, quando novamente um som de alguém se aproximando a colocou em alerta. A miko correu para esconder se dentro de um guarda vestidos (Armário grande e alto sem divisões) tomando cuidado para esconder sua presença e cheiro com uma barreira.
E pela fresta da porta do armário, conseguia ter uma visão geral do quarto, tanto da cama grandiosa à sua frente, quanto da porta de entrada (à sua direita), A janela e a sacada ficavam à sua esquerda. Segundos depois de se esconder, viu o quarto se iluminar e um macho Youkai e duas fêmeas entraram. O macho tinha longos cabelos prateados. Sua pele era mais clara que a de Inuyasha, e seus olhos eram cinza claríssimos. Como os olhos de um lobo. Seu rosto era belo, e másculo e remetia ao tipo de rosto dos homens europeus. Ele era alto e musculoso, mas não muito corpulento e parecia estar completamente bêbado.
—Ai Senhor Raijin, por que nos trouxe aqui, para este quarto? –Disse uma youkai com cabelos cor de rosa, e olhos azuis, que tentava parecer indignada.
— Oh Sakura, parece que ele nos toma por fêmeas fáceis! –Respondeu a outra com seus cabelos cacheados e azuis, e olhos lilases. Com um desempenho de atuação ainda pior do que a outra. Kikyou segurou as risadas.
—Ah sim Misao, Acho que ele pensa isso! Senhor Raijin é isso que pensa a nosso respeito? Mas que infâmia... – Sakura não terminou sequer a frase, pois, foi interrompida por Raijin que a puxou pelos cabelos com violência e a pôs de joelhos á sua frente. Em um movimento rápido, pôs o membro, grande e grosso, já um pouco ereto, na boca da youkai. Sakura nem pode dizer nada, pois o Youkai mantinha a mão na sua nuca, forçando a cabeça dela contra seu membro, cada vez maior.
— Cale-se e faça o que eu mando. É para isso que estão aqui, vadias. –Respondeu Raijin sem a menor demonstração de qualquer sentimento, mas com um brilho avermelhado nos olhos. Misao sorriu e tirou a roupa, ficando completamente nua. Depois se deitou na cama com as pernas bem abertas.
—Aqui, meu senhor, prove a sua vadia. — Disse ela se exibindo enquanto manipulava o clitóris. Raijin puxou Sakura novamente pelos cabelos e tirou o quimono dela com rapidez.
Em seguida mandou que ela fizesse sexo oral com Misao, e foi prontamente atendido. Ele deitou se com elas na cama e meteu seu membro pulsante em Misao com tanta força que ela teve de ser contida por Sakura que sentou- se no rosto dela, para que ela a masturbasse com a língua. Quando estava prestes a gozar, Raijin tirou seu membro, esperou alguns segundos e o enfiou novamente dessa vez em Sakura. Também com muita força. Tanta, que o sangue escapava pelas laterais do sexo da Youkai. Quando novamente sentiu que ia gozar Raijin cujos olhos estavam completamente vermelhos e com os cabelos esvoaçantes ao seu redor, tirou seu membro deixando seu sêmen cair sobre os corpos das fêmeas exaustas. Kikyou estava horrorizada com o que tinha visto. Aquele ser tão lindo era também monstruoso. Depois que terminou Raijin sentou-se na beira da cama ficando de frente para onde Kikyou estava escondida. As duas fêmeas jaziam na cama impossibilitadas de se levantar enquanto Raijin olhava para o vazio. Em seguida pôs os cotovelos em cima das coxas, apoiando o rosto com as mãos. Kikyou que observava a tudo percebeu que ele parecia perdido. Foi até o banheiro da suíte e se lavou e mandou que as fêmeas fizessem o mesmo. Assim que elas terminaram de se arrumar, ele já vestido com um robe longo de seda preta, abriu uma gaveta de uma cômoda que estava ao lado da porta e retirou de lá uma pequena caixa de madeira. Abriu-a e tirou dela duas joias, tão brilhantes que Kikyou pode vê-las brilhar de onde estava.
—Peguem, e vão embora. Já tive o que queria de vocês. – Disse Raijin dando as costas as duas, para se servir de uma bebida que estava em uma bandeja de prata em cima do mesmo móvel. As duas pegaram seus “pagamentos” e se foram sorrindo, mas antes de saírem, Kikyou viu Misao deixar algo que lhe pareceu ser uma pequena bolinha de vidro, cair propositalmente de seu quimono, um pouco antes de sair e fechar as grandes portas de madeira. Após encher novamente o copo Raijin, caminhou até a varanda, onde ficou absorto em seus pensamentos. Kikyou esperou alguns minutos e quando tudo pareceu tranquilo tentou sair do guarda vestidos. Abriu a porta delicadamente, primeira uma, depois a outra, desceu uma perna, e depois outra, deu o primeiro passo em direção á janela. Com cuidado para não fazer barulho foi andando devagar, mas já no segundo passo, viu que o youkai estava retornando da varanda. Como estava perto da enorme cama resolveu se esconder entre as cortinas do dossel. A barreira que ela havia feito estava consumindo sua energia espiritual, mas por conta do treinamento duro a qual havia se submetido estava ainda em condições de mantê-la. Esgueirou-se para a lateral da cama onde a cortina estava esticada e pôs se tendo que deitar na cama. Raijin passou por ela e foi direto ao móvel para se servir de mais bebida. Nem sequer olhou para a cama, quanto mais para o chão. Acabou por pisar na bolinha de vidro deixada por Misao. E nesse momento uma nuvem de veneno invadiu o quarto.
Mas não se tratava de qualquer veneno, era um veneno especifico e letal apenas para youkais. Kikyou percebeu logo isso, pois havia conhecido alguns pergaminhos antigos que falavam de tais venenos e ela até mesmo aprendera como fazer alguns.
Raijin caiu de joelhos tentava inutilmente não inalar o veneno, mas já era tarde. Em poucos segundos eu corpo dormente jazia caído no chão já sem conseguir se mover e entrando em estado de completa inconsciência. Kikyou teve de pensar rápido. Tentou sair pelas portas da varanda mas as mesmas se fecharam enquanto uma enorme barreira de miasma passou a recobrir todo o aposento.
Por mais que ela tentasse sair a barreira repelia seus ataques não permitindo sequer que o som saísse do aposento. Sem encontrar outra solução, a miko voltou sua atenção para o youkai moribundo á seus pés.
“Não acredito que estou fazendo isso” Pensou ela, enquanto fazia uma barreira maior para isolar a nuvem venenosa e afastá-la de Raijin. Assim que o fez, comprimiu o veneno até conseguir coloca-lo em uma das garrafas de bebida que ela esvaziou rapidamente na pia do banheiro.
Quando retornou ao quarto, a miko tocou na testa do youkai e percebeu que ele ardia em febre enquanto seu corpo tremia convulsivamente. Colocou-se de joelhos ao lado dele e colocou suas mãos sobre o peito do youkai, concentrando sua energia novamente para tentar tirar o veneno dele, sem purifica-lo, uma tarefa extremamente difícil. Com muito cuidado e depois de algum tempo conseguiu retirar uma boa parte do veneno que havia tomado os pulmões do Youkai. Fazendo com que ele recobrasse parcialmente a consciência. Mas como Raijin havia absorvido uma boa parte do veneno, ele ainda ardia em febre.
—Quem é você, sua maldita? Por que você esta tentando me matar? -Ele balbuciou lutando para manter se consciente.
—Eu não estou tentando matar você. Estou tentando salvá-lo! Se eu quisesse ver você morto eu não teria retirado o veneno!- Respondeu Kikyou, enquanto se levantava para pegar água e algumas toalhas para fazer compressas.
A miko se encaminhou novamente até o banheiro e pegou uma bacia de prata usada para a assepsia matinal. Pôs um pouco de água e rasgou uma toalha de rosto para fazer com ela duas compressas. Voltou e encontrou Raijin tremendo de frio. Sem pensar muito, em um movimento rápido, ela retirou a colcha da cama, pois estava suja das atividades praticadas por Raijin e suas ‘vadias’ e restos de veneno. Deixando o apenas no lençol que estava limpo. Quase exausta ela usou seus poderes de levitação para erguer o corpo do youkai, retirar dele o roupão sujo de veneno e enrolá-lo só de hakama, no lençol enquanto o colocava sobre a cama.
Mesmo depois de ser retirado do chão, o youkai ainda tremia como se estivesse se congelando e Kikyou começou a procurar por qualquer coisa que pudesse aquecê-lo.
Olhou no guarda vestidos e na cômoda, mas não encontrou nenhum cobertor. Havia apenas as roupas do Youkai e alguns pertences. Escolheu alguns quimonos mais pesados e o cobriu com eles, mas não adiantou muito
—Humana.... P-por... que... por que... Porque está me ajudando? –Perguntou Raijin, que observava Kikyou em seu desespero para ajuda-lo. Ela o fitou por alguns segundos e se deitou no peito do Youkai, que se espantou com o gesto, mas ao sentir o calor do corpo dela, se aconchegou abraçando-a.
—Porque estamos numa guerra... Agora fique quieto e trate de descansar. E lembre-se, se você tentar qualquer gracinha eu mesma te exorcizo! –Disse Kikyou com rispidez.
A miko ficou naquela posição por algum tempo, a princípio apenas para fazê-lo se aquecer e adormecer. Mas exausta, como estava depois de tudo, acabou por adormeceu junto com ele.
Kikyou despertou com os raios do sol em seu rosto. Tivera uma noite Atribulada com Raijin.
“Raijin” lembrou-se ela. “Eu dormi com ele? Ah não!” O quarto estava impecavelmente limpo. A roupa de cama havia sido trocada e não havia indício algum da noite agitada ou de Raijin. Sinal de que algum empregado estivera alí. Imediatamente fez menção de se levantar, e ir embora, mas descobriu que estava apenas com um quimono fino de dormir. Levou um grande susto com a constatação. Pôs as mãos na cabeça e ficou tentando se lembrar do que mais havia acontecido. Não conseguia se lembrar de nada. Ouviu, batidas na porta e em seguida uma empregada humana entrou.
—Bom dia Senhora Kikyou. Deseja seu banho agora? -Perguntou a moça sorridente.
—ahh sim... Por favor ... Mas creio que eu não tenha roupas apropriadas. Sabe me informar onde elas estão? – Respondeu Kikyou levemente envergonhada.
—Não se preocupe senhora, sua roupa foi providenciada. As outras foram postas para lavar. Venha comigo, vou ajuda-la a se banhar. -E Kikyou se sentiu impelida a segui-la.
Tirou o quimono e sentou-se na banheira de água quente com o cuidado de não molhar os cabelos. Enquanto se lavava percebeu que estava com o cheiro de Raijin e que ele teimava em não sair. Sorriu lembrando-se do modo como ele havia a abraçado quando estava com frio, dos olhos dele olhando para ela com desconfiança no meio da noite, das mãos dele buscando pelo calor de seu corpo. E no susto que ele provavelmente teria tido ao acordar com uma humana a seu lado e perceber que não se tratava de um pesadelo.
Terminou seu banho, ungiu-se e se vestiu com a ajuda de serva. Depois se penteou. Quando estava pronta, desceu para a sala de jantar onde segundo a serva estava sendo aguardada. “Inuyasha vai ficar furioso comigo” Pensou Kikyou, já escolhendo as palavras para se defender do ataque de seu amigo super protetor. Mas qual não foi sua surpresa ao constatar que não era Inuyasha que a aguardava. Pelo menos não só ele.
Na mesa com 20 lugares, ricamente posta, estavam presentes todos os generais de Sesshoumaru bem como o próprio e Yukina.
—Bom dia. -Disse ela se recobrando do choque inicial e sentando-se em frente de feiticeira youkai que abriu um sorriso acolhedor.
—Bom dia Kikyou... É muito bom ver você nesta manhã. -Disse Yukina admirada com a coragem da Humana e nitidamente agradecida.
—Miko por que está aqui? Por que voltou da era moderna sem o meu consentimento? -Perguntou Sesshoumaru que estava sentado na cabeceira da mesa.
—Por que eu não sabia que teria que pedir permissão para voltar a minha casa! -Respondeu Kikyou com calma e delicadeza enquanto sorvia uma xícara de chá.
Sesshoumaru encarou-a por alguns segundos e percebeu que a auto confiança que Rin demonstrava com certeza vinha da convivência com aquela bela fêmea humana à sua frente.
—Agora que está aqui, Kikyou, pode me dizer o QUE DIABOS VOCÊ ESTAVA FAZENDO NO QUARTO DO GERERAL RAIJIN??? –Gritou Inuyasha, quase tendo uma síncope.
“Afinal ele não mudou tanto assim.” Pensou a miko.
—Eu estava no escritório, onde você me deixou ontem, se lembra? Mas depois de algum tempo seus soldados tentaram abrir a porta. Eu os expliquei que estava ocupada e eles se foram. Minutos depois alguém tentou entrar sem ser notado no escritório. Eu segui as suas ordens e resolvi sair sem que me vissem. Acabei entrando por engano no quarto do general. Eu obviamente agi rápido e ele não percebeu minha presença. O que foi ótimo por que assim eu não estraguei a festinha particular dele. Mas uma das amiguinhas youkais que participou da orgia com ele, deixou uma esfera de veneno antes de sair e lacrar a porta com um feitiço de selamento. Esse feitiço deixa qualquer lugar lacrado como em uma bolha, por algum tempo, sendo impossível abrir o local lacrado, mesmo pela força. O general Raijin sem perceber pisou e quebrou a esfera liberando o veneno que só é letal para youkais. Então eu o ajudei. -Disse Kikyou encarando Raijin, que parecia perturbado ao vê-la. Ele nada disse. Apenas olhava para ela de soslaio.
—Eu não quero mais ouvir nada! Você, Kagome e as outras voltam para a nova era hoje mesmo!- Gritou Inuyasha.
—Eu detesto admitir, mas Inuyasha está certo, humana acha mesmo que pode ajudar em alguma coisa? –Disse Sesshoumaru com ironia.
—Meu nome é Kikyou, lorde Sesshoumaru. E você o conhece bem, eu não vou repetí-lo. Não passei tantos anos treinando e estudando tão duramente para ser enviada para longe quando o meu povo precisa de mim. –Disse ela, Encarando Sesshoumaru com altivez.
E Kikyou criou uma barreira de fogo azul ao redor de si, fazendo com que os youkais mais próximos dela se levantassem assustados. Em seguida algumas cadeiras começaram a levitar.
—Kikyou, já chega! – Disse Inuyasha, tentando se segurar na cadeira.
—Sinto muito, mas não sou eu. – Disse Kikyou sorrindo, pois sabia exatamente de quem se tratava. De repente um barulho veio do lado de fora da sala e a grande porta dupla de madeira foi aberta e dois soldados jogados para dentro por uma ventania muito forte.
Em seguida Rin vestida com seu jeans e tenis, apareceu empunhando seus leques abertos.
—Menina Rin? É a menina Rin? — Gritou Janken perplexo.
Ao entrar no aposento, ela pode contemplar os olhos de Sesshoumaru arregalados pela surpresa, coisa que a deixou ainda mais confiante.
—Vamos lá Igraine!- Rin sorriu de lado e em seguida chamou pela hanyo.
E a hanyou apareceu de cabeça para baixo pendurada no grandioso lustre que pendia no meio da sala. Com um salto caiu de pé em cima da mesa, Ficando visível e invisível. Ela vestia um short curto e com fendas nas laterais, destacado por um cinto largo com bolsos. Nos pés usava coturnos de cano longo também pretos. Na parte de cima uma jaqueta curta, terminada à baixo dos seios, de gola alta e mangas compridas, de cor roxa quase ameixa . Ela empunhava suas sais, pronta para atacar ao menor movimento deles.
—Muito bem pessoal, eu tenho duas armas bastante afiadas aqui e não tenho problema nenhum em usá-las, então, sugiro que fique todo mundo bem calminho nos seus lugares! – Disse a Hanyou, com seus belos cabelos louros soltos, como uma cascata dourada. No entanto perdeu a pose no momento em que viu um par de olhos tristes, que olhava para ela com curiosidade.
—Pode aparecer Kagome, eles não estão me mantendo presa! – Disse Kikyou sorrindo enquanto tomava mais um pouco de chá.
—Como quiser irmãzinha... — Apareceu Kagome saindo das sombras atrás de Kikyou, com um vestido justo de decote quadrado e mangas compridas, com a saia terminada no meio da coxa, de cor preta assim como a capa longa e com capuz, que ela delicadamente tirou da cabeça assim que se faz presente. Seu obi era verde escuro com estampas em outros tons de verde e azul. Ela usava botas também pretas que iam até um pouco acima dos joelhos e seu imponente arco nas mãos.
Os youkais pareciam muito surpresos e mesmo assustados com a facilidade que aquelas fêmeas haviam invadido a reunião. Mas Sesshoumaru havia voltado à sua expressão serena de sempre.
—Como podem ver não precisam se preocupar conosco. Somos perfeitamente capazes de nos defender. E de ajudar a defender nossa gente. – E dizendo isso, extinguiu o fogo ao seu redor, concentrando-o em sua mão esquerda e com a mão direita puxou das chamas uma espada.
—Essa é minha espada, Hinoken (espada de fogo) Ela foi forjada com o fogo sagrado que ardia em um templo na Mongólia há mais de 5 mil anos. Ela é capaz de exorcizar qualquer youkai que ouse cruzar o meu caminho. E com ela eu pretendo manter a paz entre o meu povo. E então lorde Sesshoumaru ainda pretende nos mandar de volta? -Continuou Kikyou apontando sua espada na direção do lorde de forma desafiadora.
—Você ousa me ameaçar? – Disse Sesshoumaru calmamente.
—Eu não faria isso até porque, sou grata a você por me dar a oportunidade de conviver com Rin e vê-la se tornar a mulher maravilhosa que ela é. Mas essa é nossa era. O nosso povo é o mais prejudicado com esses ataques. Não é justo deixar tudo com vocês. É obrigação de todas as sacerdotisas prezar pelo bem estar de todos os seres humanos. -Kikyou respondeu embainhando a espada.
—Quem foi que disse que vocês tem essa obrigação? -Sesshoumaru estreitou os olhos para elas. As mikos não deveriam saber sobre o acordo feito entre Inu no Taishou e os templos antigos.
— Senhor Sesshoumaru, nós já provamos que podemos ajudar! Por que quer tanto se livrar de nós? — Disse Rin se aproximando dele até chegar a sua frente.
Por mais que ela quisesse entender ela, ainda estava magoada com o fato de ele tê-la ignorado, e ainda mais por querer que ela fosse embora. “o senhor não vai me ignorar de novo”-Pensou a garota encarando-o.
— você não é mais uma criança Rin. Já pode compreender que já temos problemas demais, para nos preocuparmos com vocês. Mas se quer morrer de novo, fique à vontade já perdemos muito tempo com suas demonstrações débeis de poder. Agora respondam-me. Quem foi que lhes deu tais "obrigações" com seu povo? –Respondeu Sesshoumaru, irritado com o questionamento dela, sem sequer lhe dirigir o olhar.
Rin sentia o peito sangrar. Mas não podia ficar calada, era muito injusto ser tratada daquela maneira quando tudo o que ela queria era estar ao lado dele.
—Olhe para mim, lorde Sesshoumaru! O seu pai, confiava nos humanos! Por que o senhor, não? –Disse Rin, e encarando-o ainda.
Sesshoumaru olhou no fundo dos olhos brilhantes de Rin pela primeira vez desde que ela havia retornado. Havia uma profunda tristeza naqueles olhos e isso feriu o lorde de maneira muito íntima. Aqueles olhos antes tão alegres em vê-lo agora ostentavam uma força que ele desconhecia. Mas lá no fundo ela era a sua Rin e ele jamais conseguiria esquecer disso. O dai youkai sentiu vontade de tomá-la em seus braços e acalentá-la, como ele fazia quando ela era criança, e uma nostalgia o invadiu de maneira violenta, fazendo-o perder as palavras que pretendia dizer a ela e ele não teve outra escolha se não retirar seus olhos de dentro dos dela para não perder-se ainda mais.
— Confiar nos humanos foi à ruína de meu pai! –Disse Sesshoumaru se levantando com tanta violência que jogou sua cadeira no chão. Estava tomado por uma inundação de sentimentos que lhe deixavam acuado e atônito.
—Não senhor Sesshoumaru, a ruína de seu pai foi não ter a seu lado o apoio do próprio filho!- Declarou Rin com uma tristeza palpável na voz.
Os generais estavam todos admirados e até mesmo assustados com a coragem e petulância das humanas, mas sabiam que o que aquela jovem dizia, não era mentira. Em um movimento rápido, Sesshoumaru aproximou-se e pegou Rin pelo braço.
—Como ousa dizer tais coisas você sequer sabe o que aconteceu!- Repetiu ele entre os dentes.
—Está enganado, nós sabemos de tudo. E foi muito difícil para mim conhecer esse lorde Sesshoumaru tão intolerante. Porque eu conheço apenas o lorde gentil e afetuoso que cuidou de mim quando ninguém mais se importava. Igraine, por favor, mostre a eles. -Respondeu Rin soltando seu braço das mãos de Sesshoumaru que parecia dilacerado pelas palavras dela.
A hanyo tirou o diário de Claire de dentro de uma das divisórias de seu cinto. O objeto chamou a atenção do Youkai de olhos tristes e o reconheceu quase de imediato.
—Isso é... O Diário de Claire! –Respondeu ele assustado.
—Sim Hikaru, é o diário de Claire Wilhelm, a nossa mãe. -Respondeu a hanyou encarando-o com ternura nos olhos.
— isso não é... Possível...? A filha de meu pai! –Respondeu Hikaru confuso.
—É verdade Hikaru... Não há duvidas de que ela é mesmo a sua irmã. Parece que o que aconteceu foi que antes de sucumbir, Brunhilde enviou Claire para a era futura, por isso nunca encontramos o corpo dela, ou da criança. –Disse Yukina tentando acalmá-lo, e explicando a melhor teoria que tinham sobre o que havia ocorrido.
Sesshoumaru parecia ainda mais confuso. Algo nas suas memórias havia despertado. Lembrou-se da hanyou Brunhilde, a primeira fêmea por quem ele tinha se interessado.
—Brunhilde? Aquela hanyou imprestável que sequer conseguiu prever a própria desgraça? – Murmurou Janken, que foi censurado de imediato por um olhar assassino de Hikaru, que permanecia sentado e com expressão serena. Mas por dentro estava mais confuso que a comida revirada em seu prato.
—Então é por isso que vocês estão tão seguras... Vocês acham que conhecem a história daqueles que nos antecederam. E até trouxeram a irmã de Hikaru de volta. Bem, então, se é isso mesmo que querem, a partir de agora vocês estão dentro da guerra. Yukina você está incluída nisso. Vocês farão parte de um grupo especial que vai auxiliar a mim e a meus generais. Inuyasha quero que elas sejam inteiradas do assunto agora. -Disse Sesshoumaru saindo da sala sem sequer olhar para os presentes. Estava muito nervoso e irritado com tudo o que havia ouvido, principalmente de Rin e precisava urgentemente colocar seus pensamentos e sentimentos em ordem.
Assim que ele saiu, Janken que estava presente fez menção em falar algo, mas foi pego nos braços e apertado por Rin.
—OOOuuuaaah Pare com isso menina! Vai acabar arrancando meus olhos!
—Senhor Janken! Que saudade do senhor!- Repetiu Rin enquanto o punha no chão.
—Você sentiu minha falta?- Disse ele com os olhinhos marejados.
—Claro que sim! – Respondeu ela abaixando se para falar com ele.
No entanto, tiveram o reencontro interrompido por Inuyasha que tomou a palavra para resolver a situação imposta por Sesshoumaru. “Maldito Sesshoumaru, orgulhoso!” Pensava ele tentando manter o controle.
— Bem todos ouviram o senhor Sesshoumaru. Como só nos resta acatar suas ordens, eu sugiro que vocês agora prestem atenção no que vamos contar. Por favor, sentem-se. Yukina pode mostrar a elas. -Disse ele com os punhos cerrados.
—Certamente, general Inuyasha. Mas não acha melhor nos apresentarmos de maneira correta? Se vamos trabalhar juntos, então devemos ao menos saber quem somos. – Yukina sugeriu delicamente.
—Tem toda a razão senhorita Yukina. Permitam me que eu comece as apresentações. Eu sou o General Tatsuo, pertencente ao clã dos dragões do leste. -Disse o dai youkai ficando de pé.
Ele era alto e de pele bronzeada, seus olhos eram azuis turquesa, e seus cabelos também azuis e compridos estavam amarrados no alto da cabeça. Era altivo e muito atraente. Igraine sentiu imediatamente os pelos da nuca se arrepiarem com o olhar intenso que o Youkai dirigia a ela.
—Eu sou o General Isamu, pertenço ao clã dos Karasu. -Levantou-se o outro dai youkai de pele amarelada e traços orientais. Seus olhos vermelhos, contrastavam com seus cabelos escuros, lisos e igualmente longos.
—Eu sou o general Raijin. Sou o primeiro general das terras do oeste e pertenço ao clã dos lobos da neve. — Raijin disse, pouco animado, e sem se levantar.
—E eu sou o general Hikaru. Pertenço ao clã dos tigres dourados. É um imenso prazer conhecê-las. -Se levantou Hikaru, cordialmente. E sua beleza irradiou-se ainda mais no discreto sorriso que ele deixou escapar.
Após isso, uma a uma as moças foram se apresentando até que finalmente terminaram. Inuyasha fez um sinal com as mãos para que Yukina desse continuidade à reunião.
A lova da neve ficou de pé e fez um grande espelho de gelo que começou a mostrar a elas imagens cada vez mais nítidas.
—Essa é uma das vilas atacadas. -Disse Inuyasha mostrando a devastação ocorrida.
—Tudo o que era de valor foi levado em questão de segundos. As poucas testemunhas sobreviventes dizem que tudo aconteceu quase que imediatamente só se lembram de uma grande redoma de energia ter se formado depois uma luz forte em seguida tudo estava destruído.
—Isso é horrível... — Disse Rin olhando as imagens da destruição com pesar.
—Sim é... -Concordou Yukina fazendo o espelho desaparecer
—Mas é só isso? Vocês não sabem quem fez isso? –Perguntou Kagome aflita.
—Infelizmente, não. Não há rastros, apenas algumas pistas. Mas nenhuma delas nos levou a lugar algum. –Respondeu o general Tatsuo.
Raijin o primeiro general, das terras do Oeste, e Kikyou a sacerdotisa, finalmente adulta.

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