Notas iniciais
Chegou o momento do grande confronto. Roman sobreviverá? Ou vai ceder ao que sente por Blake? Como ficam Remi e Weller nesse momento tão tenso? Boa leitura.

O SIOC amanheceu fervilhando com as novas provas trazidas por Patterson. Era agora ou nunca. Tinham poucas horas para se preparar e avançar contra os principais escritórios da HCI Global nos EUA enquanto a CIA invadiria aqueles que estavam espalhados pelo mundo. Todos sabiam que enfrentariam momentos difíceis. Eles não cairiam sem lutar.

Especialmente para o team, aquele momento carregava uma tensão ainda maior: o destino de Roman. Não tinham como avisá-lo que as prisões iniciariam naquela tarde e, depois de desencadeadas, ele seria o principal suspeito de traição por parte da diretoria da HCI Global. Sua vida estava em risco mais que nunca.

Outra preocupação que rondava todos era acerca dos sentimentos dele com relação à Blake. Toda aquela paixão havia realmente acabado ou ele poderia arriscar perder o acordo com as agências governamentais para fugir com a loura evitando sua prisão? O dia seria tenso e o desfecho imprevisível.

Reade, Tasha e Patterson colocavam todo seu empenho em agilizar a parte burocrática para liberar as equipes de campo. Weller e Remi, organizavam as armas e equipamentos de segurança enquanto repassavam o plano com os agente de campo.

Naquele dia aconteceria uma importante reunião da diretoria da HCI Global ali mesmo em NYC. As agências de segurança apostavam que Blake Crawford estaria presente. Jane e Patterson alimentavam a esperança que Roman também estivesse ali.

— O cerco ao local tem que ser rápido e discreto. Não podemos correr o risco deles perceberem e fugirem. – Remi reforçou com Weller assim que os outros agentes deixaram a sala.

— Será rápido. Quanto à discrição, faremos todo o possível, mas é uma reação em cadeia. Assim que a primeira equipe agir, não existe nenhum mecanismo que nos garanta o controle sobre as comunicações internas da HCI Global. A notícia pode se espalhar internamente e é esperados que alguns membros tentem fugir. Esperamos que o cerco seja suficiente para impedir que isso aconteça. – Weller respondeu, focado na verificação dos coletes à prova de balas.

— Reade precisa ser enfático com as outras agências para que a primeira ordem de prisão aconteça aqui em NYC, na reunião com Blake. Só assim garantimos a segurança de Roman. – ela voltou a insistir.

— Reade não tem voz de comando sobre as outras agências governamentais, Remi. Tudo está sincronizado para se desencadear dessa forma, mas não temos total controle. São países diferentes, com fuso-horários diferentes.

Ela bufou e ele se aproximou levando a mão até o braço dela para acalmá-la:

— Até o final do dia, tudo estará terminado e Roman estará seguro. Você sempre me disse para confiar em Roman que ele faria a escolha certa. Agora é hora de você confiar nele também. Vou mantê-la informada o tempo todo...

— Me manter informada? Como assim? Você não imagina que vou ficar aqui sentada enquanto a vida do meu irmão está em risco lá fora, não é?

Weller respirou fundo, buscando uma forma de lidar com Remi em meio a toda a carga de tensão que aquele dia já tinha:

— Remi, já conversamos sobre isso. A segurança do bebê está em jogo. Roman sabe se defender.

— Esse bebê está dentro de mim e eu sei muito bem defender nós dois, Weller! Eu vou com vocês!

— Remi, por favor, seja sensata...

— Não há nada no mundo que me afastaria dessa operação, Weller. Entenda! – e de repente, toda a força e frieza desapareceu de sua voz: — Eu preciso estar lá...

Ele fechou os olhos e amaldiçoou a si mesmo por não resistir aquele jeito dela falar. Contrariado, disse:

— Ok. Você pode fica na van.

Remi se jogou nos braços dele e o abraçou forte. Ele entendeu isso com um acordo. Para ela, era só uma forma de evitar novos embates.

Estava tudo pronto para a operação. As equipes se posicionaram e aguardavam a autorização para invasão sincronizada aos prédios da HCI Global ao redor do mundo. FBI, CIA e ASN fizeram uma operação conjunta. Nas veio a Nova York e ficou encarregada de cuidar da sincronização das prisões no plano geral dentro dos EUA, mas não foi até o SIOC. Weller e Zapata liderariam as equipes alfa e beta, respectivamente, ambas encarregadas do cerco à sede da organização em NYC. O monitoramento havia confirmado que Blake Crawford estava no prédio. Patterson e Remi estavam na van em frente ao prédio.

Poucos minutos antes do horário combinados, a Nas autorizou o início da operação nas demais localizações dos EUA e a CIA a seguiu fazendo o mesmo ao redor do mundo. A informação chegou ao team como uma verdadeira bomba. Blake já saberia que seria presa. Precisavam agir rápido.

Dentro do escritório da HCI Global de NYC

A tensão já se tornara habitual para ambos. Era uma questão de amor e honra aquele embate tão aguardado por eles. Blake estava segura de tudo que precisava ser feito, independente das consequências ou sentimentos ainda guardados no coração. Roman estava em pé na frente da sala dela. Tudo parecia diferente e ao mesmo tempo igual as outras vezes em que esteve ali. Um dia ele se entregou por completo e fez tantos planos... Agora estavam próximos do fim. Ele se arruma uma última vez e avalia a si mesmo. Estava desarmado. Pela primeira vez. Desarmado tanto de munição como nas palavras a ser ditas. Ele iria limpo para ela.

No interior da sala nada parecia fora de lugar. O computador ainda estava ligado no último relatório realizado naquele dia, e com a pressa em sair não foi possível desligá-lo. Blake estava apreensiva e relutante mesmo tendo se preparado para a reunião de hoje por dias. Sem se virar da cadeira e ainda olhando para a janela, ela disse:
— Pensei que não viria.
Roman fecha a porta garantindo que ficariam sozinhos:
— Eu sempre cumpro o que prometo.
Risos sarcásticos ecoem na sala. Blake não conseguiu disfarçar:
— É engraçado, senhor “cumpre o que promete”. Estamos aqui exatamente por uma coisa que você não cumpriu.
— Você é a única culpada pelo que está acontecendo, Blake. Eu... — Ele a olhava ainda de forma carinhosa. Em seu coração ainda resistia a vontade de ouvir dela uma declaração de amor para ambos fugirem juntos de tudo isso.

— Bem, Tom Jakeman ou seja lá qual for o seu nome, já que você ainda não me disse toda a verdade, — ela se levanta da cadeira e anda em direção a janela — acho que podemos começar a nossa pequena reunião, se você não se importar.
— Blake, eu... – vê-la com medo diante do futuro roubavam suas palavras. Seu coração pulsou forte no peito, gritando que ainda havia uma chance para os dois, que ele devia protegê-la e avisá-la sobre a invasão do FBI, dizer que lamentava não tê-la poupado disso e que estava disposto a tudo por ela.

O telefone tocou e ela atendeu. Ela disse uma ou duas palavras confirmando que entendeu a mensagem e sua tensão aumentou consideravelmente. Ao desligar, Blake respirou e disse:
— Estão invadindo as sedes da HCI Global por toda a parte. Alguém vazou informações comprometedoras. Foi você, não foi? Eu sempre sem entender suas meias palavras. Você me usou o tempo todo, Tom! Mentiu e me fez acreditar que você me amava quando tudo que você queria era vingança.
— Eu te amei de verdade, Blake...
— Amou? Você não sabe o que é amor... sempre sozinho, remoendo seus traumas e semeando dor por onde passa!

Roman estava visivelmente abalado. As duras palavras de Blake tiveram um impacto que ele não esperava. Ela continuou:
— Não preciso do seu pseudo amor... Seja sincero comigo ao menos uma vez: valeu a pena? Preciso saber, Tom Jakeman, valeu a pena acabar com a minha vida?
— EU TE AMEI! Você sabe disso. — ele não falava mais, e sim gritava. Olhando fixamente para ela. — Foi tudo verdadeiro Blake, eu..
Ela vira para ele pela primeira vez desde quando a conversa havia iniciado:
— A única verdade aqui é que você não passa de uma mentira. – O olhar dela tinha raiva, rancor e todos os piores sentimentos.
— Blake, eu estou sendo sincero, por favor. Eu posso provar...
— Então tá... me prova. Diz que ainda me ama comigo olhando nos seus olhos.

— Blake, eu te amo.

Ela esboça um sorriso. Por um instante, olhando aquele sorriso que já foi tudo pra ela, Roman sentiu-se no céu. Mas antes que ele pudesse retribuir o sorriso, o som do tiro ecoou na sala. Só então ele percebeu a arma na mão de Blake. Seu abdômen queimou. Instintivamente, ele levou a mão até o ferimento e sentiu o sangue escorrendo:
— O que você fez, Blake? – disse já caindo de joelhos
Ela se aproxima:
— Eu só fiquei com você porque o sexo valia a pena. Mas eu nunca te amei. Sempre soube que acabaria assim. É assim que eu trato gente da sua laia! Morra sozinho. É isso que você merece. Ela guarda a arma na bolsa e sai da sala indo em direção à saída de emergência que dava acesso ao terraço do prédio.

Roman, já caído no chão, só sentia dor, medo e solidão...

Fora do prédio

Assim que souberam que a sequência da missão havia sido corrompida, dentro da van, Remi e Patterson trocaram olhares compreendendo que uma não deixaria a outra ir a campo sozinha. Num acordo não verbal, deixaram o veículo e invadiram o prédio indo se juntar à equipe beta.

Assim que chegaram ao décimo primeiro andar, onde ficava o escritório principal, as meninas invadiram a sala e o cenário não poderia ser pior: Roman estava caído no chão envolto em sangue. Rapidamente, as três o cercaram e se abaixaram, descobrindo que ele ainda estava vivo e consciente. Com dificuldade disse:

— Blake subiu... vai tentar fugir...

— Ela não vai escapar. Eu prometo! – Remi disse tomada por raiva – Patterson, tente conter o sangramento. Tasha, dê apoio à ela e acione a equipe de resgate. Eu vou atrás de Blake. – e desapareceu através da porta que dava acesso ao topo do prédio onde ficava o heliporto.

— Não... Remi... – Roman tentou impedi-la. Depois olhou suplicante para Patterson – Eu não... devia... ter dado uma chance a Blake...

— Por favor, tente não fazer nenhum esforço agora. Isso é importante para eu conseguir manter esse sangramento sob controle. – Patterson respondeu esperando que sua voz não estivesse trêmula como suas mãos.

Então Roman voltou o olhar para Tasha que falava nos comunicadores ajoelhada e segurando sua cabeça:

— Ajude Remi... por favor...

A latina revirou os olhos:

— Eu queria poder fazer isso, Roman. Mas se deixar Patterson sozinha pra conter o sangramento e direcionar as equipes de resgate, você não terá a menor chance de sobreviver. E é isso que Remi mais quer: você vivo. Então vê se para de falar e faz o que a Patterson tá pedindo para todos sairmos vivos daqui.

Roman alcança a mão de Patterson e a segura forte:

— Estou com medo...

Tudo que Patterson queria era poder levar a mão até o rosto dele para tranquilizá-lo, mas suas mãos estavam ocupadas pressionando o ferimento para conter o sangramento. Então, só restou a ela dizer:

— Vai ficar tudo bem. Estou aqui com você.

Zapata observou a cena e revirou os olhos de novo. Patterson envolvida emocionalmente com um cara perigoso como Roman era tudo que ela não queria. Mas, naquele momento, a vulnerabilidade dele conseguiu tocar até mesmo ela que acariciou o lado de seu rosto com o polegar, olhando para a amiga e demonstrando que estava fazendo por ela e disse:

— Claro que tudo vai ficar bem. Não somos a melhor equipe do FBI à toa. Mas eu garanto que se vocês me fizerem chorar, vão se arrepender.

Weller estava terminando de algemar o último membro da diretoria da HCI Global quando Nas o surpreendeu entrando na sala:

— Mas uma missão de sucesso. Você é um líder nato, Kurt. Deveria vir trabalhar conosco na ASN. Eu cuidaria para você ter um cargo e um salário bem mais adequado à sua capacidade extraordinária.

— Agradeço, Nas, mas o que faço no FBI é muito importante para mim. Ainda mais agora que Jane e eu estamos esperando um bebê. – Kurt tomou o cuidado de se referir à esposa como Jane.

— Um bebê? Eu não sabia... Você decididamente é um homem de coragem! Agora que Remi está de volta – ela marcou bem sua fala deixando claro que sabia do contexto atual do caso Times Square – não me parece o momento mais adequado. Espero que essa gravidez não tenha sido apenas uma estratégia dela para evitar sofrer as consequências de seus atos como terrorista.

Toda vez que Nas se referia a Jane ou Remi apenas como uma terrorista, Weller sentia-se tentado a esquecer todo o apoio que já recebeu dela:

— Ela não é mais uma terrorista, Nas. Você sabe disso. E esse bebê foi feito antes do acidente que trouxe Remi de volta, então você pode deixar essas insinuações de lado.

— Jane não era uma terrorista. As agências de segurança fizeram acordos com ela e não com Remi. Você precisa estar alerta para isso.

— E eu estou, Nas. E também conto com a ética daqueles que comandam as agências para manterem o acordo que fizeram com Jane. Inclusive você.

— Kurt, por favor. Só estou querendo ajudar. Sei que você sempre está muito envolvido emocionalmente quando se trata de Jane e pode deixar detalhes importantes passarem despercebidos. É só por isso que vou perguntar: se o bebê foi concebido antes do acidente, é prudente deixá-lo nascer? Ele pode ter sequelas graves decorrentes de tudo que ela passou. Não seria mais responsável interromper essa gravidez?

Weller respirou fundo e deu às costas à paquistanesa. A saúde do bebê era uma grande preocupação do casal e os exames mostravam que tudo estava bem. Seu coração de pai também lhe dizia isso. Ele não se deixaria abalar pelas observação de Nas que sempre é fria demais diante das situações, ele pensou. Mas aquela conversa serviu para ele se lembra de Remi e no quanto o dia de hoje poderia afetá-la. Acionando os comunicadores, Kurt entrou em contato com Tasha:

— Tasha, é Weller. Encontraram Roman? Está tudo bem?

— Estou com ele, Kurt. Blake o baleou. A equipe de resgate está subindo....

Kurt sentiu um mal estar no estômago e já se direcionou para o elevador tentando ter acesso ao andar onde eles estavam. Faria de tudo para salvar Roman, por Remi.

— Patterson está aqui comigo. – Zapata adiantou preparando o terreno para a bomba final – Remi foi a atrás de Blake. Ela precisa de apoio.

A reação de Weller foi imediata:

— Todas as equipes disponíveis, acesso rápido ao telhado! Remi precisa de apoio! – disse já dentro do elevador.

Antes da porta de fechar, ele pode ver Nas lhe dizendo:

— O FBI não autoriza grávidas em campo. Pobre bebê...

No heliporto do prédio

Ao acessar o terraço do prédio, Remi não visualizou Blake. Entretanto um helicóptero se aproximava ao longe. Assim, ela ainda devia estar ali. Andou cautelosamente até ouvir um barulho baixo do seu lado esquerdo. Virou rápido com a arma já posicionada. A loura pareceu ter se materializado ali, com a arma apontada para ela.

— Acabou, Blake. Você está presa! Abaixe a arma.

— Por enquanto, só acabou para aquele verme do Tom Jakeman ou seja lá qual for o nome do seu informante.

— Ele é meu irmão. E é melhor você pensar dez vezes antes de se referir à ele dessa forma novamente!

— Wow. Uma agente do FBI nervosinha. Você não pode fazer nada contra mim. Nem você nem sua agência. Meus advogados tem tudo sob controle. A lei me favorece e você verá. Quanto ao verme que tive a felicidade de eliminar para o bem da humanidade, vou cuidar para que a memória dele e sua podridão não seja esquecida.

— Entregue-se, Blake. E cale a boca. Ou...

— Ou o quê? Você não pode nada contra mim. Agora eu posso acabar com vocês todos. Tenho dinheiro e poder e é isso que manda no mundo! Se eu quisesse, tirava a sua vida agora mesmo. Mas já que é irmã da verme, preciso que viva pra me ver triunfar apesar de tudo que ele fez pra me derrubar!

— Você tem o direito de permanecer em silêncio. Tudo que disser pode e será usado contra...

— Shshshshshshsh. Quietinha, senhorita agente do FBI. Minha carona está chegando. Pena que você precisa viver... – e olhou para a barriga de Remi. – Mas só preciso de você. Eu posso arrancar um pedaço maior da sua família. – e apontou a arma para a barriga de Remi.

Antes que Blake pudesse puxar o gatilho, Remi mirou bem na cabeça e atirou três vezes.

O corpo da loura caiu sem vida. Remi demorou alguns segundo para voltar a si. Um tremor forte percorria todo o seu corpo, sua respiração estava descompassada. Ainda trêmula, ela desceu as escadas para se encontrar com Tasha e Patterson, a tensão aumentando a degrau vencido. Será que encontraria seu irmão vivo? Será que o team entenderia que o bebê estava em risco e só por isso ela atirou? Será que Kurt entenderia por que ela deixou a van? Tudo isso teria algum efeito sobre o bebê?

Assim que entrou na sala, Zapata veio até ela:

— Ele está estável. A equipe médica o levou. Patterson foi acompanhando.

Nesse instante, Kurt saiu do elevador a tempo de ouvi-la dizer:

— Blake está morta.

Aliviado por vê-la bem e ainda sob efeito do nervosismo despertado por Nas, ele explodiu:

— Você deveria ter ficado na van!

Ela não respondeu. Permaneceu imóvel.

— Eu não sei porque ainda confiei em você... – ele finalizou começando a dar as costas para ela, mas voltou, ouvindo o chamado de Zapata:

— Kurt... – disse baixo gesticulando em direção a Remi enquanto já colocava a mão nas costas da amiga. A falta de reação da morena não podia ser um bom sinal.

— Eu não estou me sentindo bem... – Remi disse baixo.

Notas finais
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