Notas iniciais
Eae fantasminhas, prontos para mais um capítulo? espero que sim.

POV: Perseus Heitor Jackson.

—--Não sei se resisto a tanto amor. ---Disse deixando o sarcasmo bem presente em minha voz. Em resposta Zoë me beliscou levemente.

—--Não abuse da minha paciência, Percy. ---Disse Zoë se afastando e me olhando sorrindo, ela parecia mais linda do que nunca. ---Thalia já me adiantou sobre as coisas, tanto as boas como as ruins. ---Disse Zoë me dando um olhar triste e significativo, entendi de imediato que ela falava da situação de minha mãe e Zeus, embora tivesse sorrindo para Zoë, dizendo que estava tudo muito bem, eu sinceramente não tinha certeza disto, minha mãe me pareceu bem e forte, porém era difícil dizer se realmente estava tudo bem ou não, se não estivesse, dificilmente eu conseguiria arrancar a verdade dela. ---Mas vamos comemorar as boas notícias, certo? Senhor diretor do Acampamento.

—--Ei, ei, fale baixo, ainda é novidade. ---Disse a cortando, Zoë revirou os olhos e sorriu.

—--Você está um tanto atrasado, seu grande idiota, todo o acampamento já sabe da novidade. ---Disse Zoë divertida, me surpreendendo.

—--Todo o acampamento? ---Perguntei um pouco constrangido. Para responder minhas dúvidas, uma campista diferente, mas eu consegui a reconhecer da foto de tanto tempo atrás que vira na mesa de Quíron.

—--Boa tarde, senhor diretor. ---Disse ela sorrindo, ela era uma garota bonita, por volta dos 16 anos, 155 cm, por volta dos 45 kg, magra, mas não esquelética, seios pequenos e bundas e coxas medianas, pele morena clara, seu rosto era belo, olhos castanhos e cabelos até o ombro e liso, da mesma cor dos olhos ela vestia-se como uma campista comum, camisa do acampamento e calça jeans, eu a conhecia, era Shopia, filha de Deméter.

—--Boa tarde, Shopia. ---Disse sorrindo em reposta, meio sem graça por ter sido chamado de diretor, Shopia sorriu timidamente, ela parecia meio aturdida por eu saber o seu nome, porém acenou e continuou seu caminho. ---Droga, Thalia, tu és uma grande linguaruda. ---Resmunguei para Emuna, que riu de mim.

—--Espera um segundo, como você sabe o nome da Shopia? ---Perguntou-me Zoë confusa.

—--Eu vi uma ficha de inscrição dela a algum tempo atrás. ---Disse dando de ombros.

—--Assim, claro, sua memória. ---Disse Zoë dando de ombros, então ela se virou para Emuna, como se tivesse percebido só agora a Emuna ali. ---Então você é a famosa Emuna? Que salvou nosso Percy mais cedo, é um prazer conhece-la. ---Disse Zoë oferecendo sua mão para Emuna, Emuna sorriu em resposta e apertou-a.

—--E você é a famosa Zoë, que mantem nosso Percy a salvo desde que ele era um pirralhinho chato. ---Disse Emuna sorrindo, o que fez Zoë sorrir largamente.

—--Pois é, mas cá entre nós, ele ainda continua sendo um piralho, só que maior e mais forte. ---Disse ela me provocando, revirei os olhos, porém, sorri, era bom estar perto de Zoë.

—--Ei, estou aqui, podem por favor, parar de falar mal de mim. ---Resmunguei chateado, o que as fez apenas sorrir em resposta. Antes que elas continuassem a me encher, eu me adiantei em voltar minha atenção a Quíron e mudar rapidamente de assunto. ---Então Quíron, como estava dizendo, mostre-me as mudanças do Acampamento, por favor. ---Quíron sorriu com as minhas palavras e começamos a descer novamente, indo em direção dos chalés. Porém Emuna e Zoë se juntaram para fazer piadas sobre mim ou apenas falar mal mesmo.

—--Não liga não, Percy, é bom ser amado desta forma, preenche o coração de carinho. ---Disse Quíron me animando sobre a conversa de Zoë e Emuna.

—--Com toda certeza, estou me sentindo muito amado. ---Disse sorrindo de uma forma zombeteira para Quíron. Continuamos nosso caminho, vi muitos conhecidos quando passamos pelos chalés, vi meu bom amigo Connor, conselheiro do chalé de Hermes, ele estava como um louco arrumando seu chalé para a inspeção, seus muitos irmãos estavam em um frenesi de loucura, indo de um lado para o outro e guardando a bagunça em baixo da cama ou em mochilas, ou acusando um ao outro de ter roubado algo, bem, isso é bastante comum naquele chalé, uma vez que Hermes e o deus dos ladrões também. Silena Beauregard, conselheira do chalé de Afrodite, acenou para mim, indo em direção ao chalé de Hermes, ela estava fazendo a inspeção, vendo a ordem dos campistas e a arrumação das coisas, toda tarde um dos conselheiros passava com um pergaminho com uma lista de checagem, o melhor chalé ficava com menos tarefas para fazer no acampamento, o pior fazia trabalhos na cozinha após o jantar, limpar estábulos, limpar banheiros, ou coisas horríveis assim, normalmente o chalé de Hermes era sempre o pior, pois eles eram extremamente desorganizados, felizmente eu já não era mais um campista, então não tinha que me preocupar em arrumar meu chalé, ou meus chalés, então não parecia justo que eu tivesse inspeção de chalé quando tinha acabado de chegar ao acampamento, mas era assim que funcionava. Então me lembrei das palavras do meu velho pai.

—--Quíron, Tyson está no acampamento, certo? ---Perguntei animado, Quíron assentiu sorrindo a minha pergunta.

—--O jovem Ciclope chegou hoje pela manhã, ele fora pro chalé de Poseidon, me disse que tu viria para cá ainda hoje, depois Thalia chegou e disse sobre as novas mudanças... ---Então de repente o relógio de pulso de Quíron apitou, ele olhou para o seu relógio e fez uma careta. ---Ora, já é tarde assim? Preciso ir para a aula de arco e flecha para novatos. ---Disse Quíron seriamente. ---Percy, me perdoe, mas eu tenho que ir...

—--Certo, pode ir, sem problema, eu me viro, quero apresentar Emuna para o Tyson, depois vou ver o andamento dos treinamentos, não se preocupe. ---Ele se virou antes de partir cavalgando e acenou com a cabeça para Emuna e para Zoë.

—--Eu também preciso ir, quero ver se aquela irritante filha de Afrodite é justa na nota, nós vemos mais tarde, chato. ---Disse Zoë mostrando a língua pra mim, eu retribuo da mesma forma, então ela se virou para Emuna e sorriu. ---Até mais, Emuna.

—--Até. ---Acenou Emuna, então Zoë saiu correndo em direção do chalé de Ártemis, onde Silena acabará de entrar para fazer a inspeção, eu apenas desejei que aquilo não se transformasse em uma briga generalizada. ---Então, quero rever/conhecer o jovem Tyson. ---Disse Emuna seriamente, então me recordei que Emuna já havia conhecido Tyson, embora ela estivesse fingindo ser Deep, então ela já o conhecia, porém não em sua forma verdadeira, incrível como as coisas que acontece comigo são estranhas.

—--Então vamos. ---Disse sorrindo, oferecendo o braço para Emuna. Fomos caminhando em direção ao chalé de Poseidon, ele era o último, perto da praia, onde os filhos de meu pai, podiam sentir-se mais confortáveis, estando a poucos metros do domínio de nosso pai. Enquanto caminhávamos, notei que havia pouquíssimos campistas aqui, deviam estar treinando, porém eu vi o chalé de Deméter, haviam alguns campistas nele, acho que pelo menos a metade, estes estavam varrendo e fazendo flores crescerem nos vasos das janelas, só com um estalar de dedos eles podiam fazer crescer madressilva em cima da porta e margaridas cobrirem o teto, o que era totalmente injusto aos outros chalés, tinha que admitir isso, não acho que eles alguma vez pegaram o último lugar na inspeção, então avistei o chalé de meu pai, o chalé é comprido, baixo e sólido ele era feito de pedras marinhas cinzas com conchas incrustadas, ele tinha janelas grandes viradas para o mar, e sempre tinha uma boa brisa passando por elas, bem a cara do meu pai mesmo, simples e rústico.

—--Ele é bonito, me lembra um pouco a cidade de Atlântida, embora ele seja menos exorbitante como os outros chalés, é bonito. ---Concluiu Emuna ao meu lado, chamando minha atenção.

—--Pois é, eu gosto daqui. ---Disse sorrindo, disse subindo as escadas, a porta estava aberta, é um grande forma se destacava lá dentro, era Tyson, ele estava com mais de 2 metros de altura, seus cabelos iam até o ombro e eram estilo Dread, tinha um cor castanha clara, forte e musculoso, mais do que eu agora, ele estava vestindo uma camiseta preta sem desenho e uma calça jeans azul e tênis preto de corrida, ele estava varrendo o chão distraidamente, porém quando escutou o barulho de passos subindo as escadas, ele ergueu seu rosto e me encarou com aquele seu enorme olho castanho esverdeado.

—--PERCY! ---Ele gritou animado, ele soltou a vassoura e correu até mim. Se você nunca foi abraçado por um ciclope entusiasmado, não sabe o que é esticar a coluna.

—--Ei, Grandão! ---Eu disse sem fôlego, embora estivesse preparado para aquela reação, Tyson era forte demais. ---Opa, cuidado com as costelas. As costelas! AI AI... ---Então felizmente ele me soltou, então eu consegui sobreviver ao seu abraço de urso. Ele me colocou no chão, sorrindo loucamente, ele ainda era um colírio para os olhos, me senti extremamente feliz de rever ele. Eu não o via desde o dia que Ligea morreu, depois de tudo que aconteceu nestes últimos dias, minha missão no submundo, antes disso Emuna, a morte de Ligea até me pareceu a ser a anos atrás, mas na verdade fora apenas alguns dias, mas mesmo assim me doeu lembrar disso. Senti uma mão tocar meu ombro, me virei e encarei Emuna, ela sorriu docemente, provavelmente leu minha mente e percebeu que eu havia pensado sobre Ligea e fiquei um pouco mau. Porém não me deixei abater e sorri rapidamente para Tyson.

—--Quem é a moça bonita com você? ---Perguntou-me Tyson.

—--Tyson, te apresento Emuna, Emuna, te reapresento Tyson. ---Disse sorrindo para ele, Tyson ofereceu a mão para a Emuna apertar, ele sorria levemente corado.

—--É um enorme prazer te conhecer, Tyson. ---Disse Emuna sorrindo docemente para Tyson, que corou ainda mais, bem, Tyson sempre corava perto de mulheres bonitas.

—--Você está bem? ---Ele perguntou, sua expressão mudou de extremamente alegre para extremamente preocupada, por um momento, se tivesse piscado um pouco devagar, eu quase pensei que ele havia mudado de rosto, como os Centimanos faziam. ---Você saiu para lutar e de repente eu não achava mais você, eu fiquei muito preocupado, então maninha Roda apareceu contigo nos braços, você estava horrível, sua armadura toda destruída, havia sangue manchando ela, eu estava tão desesperado, então Atena apareceu e te mandou de volta para o Olimpo, para tia Hera. ---Aquilo estava cortando meu coração, o olho de Tyson estava vermelho e sua voz sai extremamente chorosa, ele estava à beira de um ataque de choro e confesso que vendo ele, eu também estava prestes a chorar. ---Eu não consegui me despedir, nem mostrar como ficou a armadura, o Texugueiro consertou muito bem, eu pedi para ele fazer com bastante cuidado.

—--Me desculpa, irmãozinho, eu fui egoísta e bobão, fiz coisas erradas, desafiei quem não devia desafiar, acabei fazendo uma grande burrada e não pensei nos seus sentimentos. ---Disse me desculpando, sentia meus olhos se enchendo de lágrimas, e uma enorme vontade de chorar, porém Tyson chorou alto e me abraçou de novo.

—--Não precisa se desculpar. ---Chorou ele alto. ---Eu só queria saber se você estava bem, só isso que importa.

—--O meu irmãozinho, não chora não, está tudo bem, eu estou muito bem, não se preocupa. ---Disse fazendo carinho em seus cabelos. ---Nós vamos nos divertir muito, vamos montar Hipocampos e vamos fazer coisas bem legais na forja, sabe de uma coisa, tenho um projeto novo, quero que você participe comigo, você quer?

—--Quero, vai ser legal aprender com você. ---Disse ele animado, embora sua voz ainda estivesse meio chorosa. Então eu olhei em volta e vi que Tyson tinha estado ocupado, o chão estava varrido, as camas dos beliches feitas, a fonte de água salgada havia sido limpa de forma que o coral brilhava, nos parapeitos das janelas, Tyson colocara vasos cheios de água com anêmonas do mar e estranhas plantas do fundo do mar que brilhavam, mais bonitas que qualquer buquê de flores que o chalé de Demeter poderia fazer. ---Tyson, o chalé está... ótimo! ---Aposto que Tyson pegaria os primeiros lugares na inspeção. Ele sorriu com as minhas palavras, agora toda tensão e tristeza havia sumido.

—--Você viu os peixes-pôneis? Eu os coloquei no teto! ---Ele apontou para cima, para um bando de miniaturas de cavalos-marinhos de bronze estava pendurado no teto, de forma que parecia que nadavam no ar, eu quase não podia acreditar que Tyson, com suas mãos enormes, pudesse fazer coisas tão delicadas.

—--São lindos, adorei a decoração. ---Disse sorrindo contente pra ele.

—--Enquanto a tia Hera, ela está bem? Estou com saudades dela. ---Disse Tyson sorrindo, então me adiantei em dizer que ela estava bem, omiti a briga com Zeus, Tyson não precisava saber disso, disse também que ela mandou beijos para ele e que ela queria que ele fosse vê-la o mais rápido possível. Depois disso, convidei Tyson para ir comigo andando pelo Acampamento, queria ver o que mais havia mudado desde o dia que parti meses atrás, enquanto caminhávamos, explicava para Tyson sobre o meu projeto, ele parecia muito animado em me ajudar, além de ficar repetindo diversas vezes que eu era um gênio, o que me deixava bem constrangido, mas não fiquei nem perto de ficar constrangido, como quando tentei explicar qual era minha relação com Emuna. Então de repente um barulho diferente, um toque de celular, então me virei e encarei Emuna, ela sorriu dando de ombros.

—--Alô... Sim... isso é um problemão... certo, estou a caminho. ---Disse Emuna desligando o telefone, ela parecia bastante apreensiva.

—--O que foi? ---Perguntei curioso, será que ocorreu um problema com a sociedade das Súcubos? Mas elas ligariam por telefone para informar isso? Acho que isso não faz bem o estilo das criaturas magicas.

—--Problemas com o filme, parece que um ator está hospitalizado, sofreu um acidente de carro. ---Disse Emuna preocupada.

—--Sério? Que horrível, você precisa ir então. ---Disse seriamente, ela assentiu sorrindo para mim, me deu um beijo rápido, acenou para Tyson e se teletransportou em chamas, indo para algum lugar da enorme Manhatthan resolver um problema com seu filme.

—--Ela faz filmes? Que tipo de filmes? ---Perguntou Tyson curioso, eu senti meu rosto corar, como explicaria isso para o Tyson? Ele não tinha idade suficiente para saber dessas coisas.

—--Bem... ela é produtora, bem famosa, ela faz filmes... Adultos. ---Disse de forma atrapalhada, enquanto apertava o passo na direção da arena de combate.

—--Filmes adulto, o que é um filme adulto? ---Perguntou Tyson seriamente, eu não sabia o que responder, nunca senti meu rosto ficar tão vermelho, eu com toda certeza não era indicado a dizer sobre isso para Tyson, até sei que é a função do irmão mais velho ensinar estas coisas ao caçula, mas eu ainda achava Tyson tão jovem para entender estas coisas.

—--É filme para adultos, ora, que pergunta boba, Tyson. ---Disse forçando um sorriso para ele, ele deu de ombros e felizmente não quis saber mais sobre o assunto. Fomos entrando pela arena, felizmente nossa conversa sobre a minha nova invenção, voltou a ser o tema principal, estávamos discutindo se deveria ou não ter cama na armadilha, minha ideia original era mais rustica e simples, mas Tyson estava quase querendo fazer um quarto 5 estrelas, igual meu quarto jaula no Olimpo. Então me surpreendi em notar que ela estava vazia, pelo menos essa parte da frente, então eu vi a razão de estar vazia, ou melhor dizendo, a razão da arena estar vazia veio de encontro a mim, um vulto negro gigantesco veio de encontro a mim, me jogando no chão com violência, e senti um peso enorme sobre o meu peito. ---Aiii... ---Gemi de dor, então vi uma enorme cabeça de um Mastim negro acima de mim, um cão infernal, sua cabeça era quase do meu tamanho, era o maior cão infernal que eu já vira na vida, mas ele felizmente não parecia irritado, parecia brincalhão, embora tivesse me derrubado com força no chão. Ele se afastou então sua língua enorme lambeu meu rosto, junto com quase toda parte superior do meu corpo.

—--A pequena totó, derrubou você. ---Riu Tyson animado, então o enorme cão infernal se virou em sua direção e latiu.

—--WOOF! ---O latido foi tão alto que quase me deixou surdo, além de ter feito o chão tremer abaixo de mim, na verdade o latido do cão sacudiu a arena toda, mas não foi um latido de raiva, foi mais um latido de excitação, o cão infernal me parecia quase dócil, pelo menos eu ainda não tinha sido devorado.

—--Tyson, me ajuda tirar ela de cima. ---Disse fazendo força, mas ela era pesada demais para minha atual situação.

—--Vamos pequena totó, sai de cima do meu irmãozão. ---Disse Tyson se aproximando dela, mas ela também lambeu ele, Tyson riu feliz com a afeição da cadela infernal gigantesca, eu estava um tanto aturdido e confuso, quase fui morto por cães infernais mais cedo, mas felizmente sentia que com este não devia me preocupar. Demorou um pouco, mas felizmente eu e o Tyson conseguimos tira-la de cima de mim, então eu finalmente consegui me levantar, cheio de baba de cachorro, mas contente em fazer um novo amigo, então eu finalmente pude ver o cão infernal em toda sua extensão, era enorme, não sabia como Tyson a chama de pequeno Totó, ela era o maior cão infernal que eu já tinha visto, de longe, quase do tamanho do Cérbero, digo, eu já vi uns cães infernais bem grandes, três do tamanho de um cavalo adulto, tentaram me matar hoje mais cedo, mas este cão era maior que um Mamute adulto, ela devia ter mais de 5 metros de altura, mais uns 7 metros de cumprimento e pelo meus cálculos, umas 15 toneladas de puro musculo, quando ela se mexia podia ver os músculos enormes se contraindo, sua enorme boca poderia facilmente engolir um adulto sem mastigar, e se precisa-se mastigar, aqueles enormes e pontudos dentes, com certeza fariam um belo trabalho. Eu não fazia ideia de como ela tinha passado pelas fronteiras mágicas do acampamento, ela parecia em casa, ela deitou de barriga, rosnando contente, enquanto esperava um carinho, não senti medo de ir até sua enorme cabeça e acariciar com força atrás das orelhas enormes, acho que talvez pudesse me esconder aqui, seu pelo era fofo e macio, muito diferente do que esperava de um Cão infernal, ela quase me parecia um gigantesco bichinho de pelúcia. Tyson a abraçava na lateral do seu corpo, resmungando o quanto ela era fofa.

—--De quem será que você é? Talvez uma nova ajuda para cuidar do acampamento? Você é totalmente inofensiva? ---Perguntei acariciando-a, que parecia gostar muito do carinho.

—--Na verdade ela não é tão inofensiva assim. ---Disse uma voz divertida atrás de nós, me virei e encarei um o dono da voz, era um homem, ele andava lentamente na nossa direção, sorrindo, ele estava com seus 50 anos de idade, acho, com seu cabelo grisalho curto e barba grisalha feita, seus olhos eram pretos, quase não podia ver a pupila, ele estava em boa forma para um cara mais velho, bons músculos, magro e esguio, vestia uma calça de caminhada preta e trazia uma armadura de bronze por cima da camiseta do acampamento, ele trazia uma espada junto do teu corpo, não sabia que timo de lâmina era, pois a arma estava guardada em sua bainha e na sua outra mão, um boneco de treinamento novinho em folha em armadura. ---Ela na verdade não gosta muito dos campistas, especialmente as caçadoras, vocês dois são os primeiros que vejo ela ser tão meiga e calma, esta é a minha cadela, Sra. O’Leary.

—--Sra. O’Leary? ---Repetiu Tyson, ao som de seu nome, o cão infernal latiu novamente. ---Bonito nome, melhor que pequeno totó. ---Concluiu Tyson, ainda acariciando a enorme cadela. Então a cadela notou o boneco nas mãos do senhor, então ela se levantou rapidamente e se colocou de guarda, olhando para o boneco.

—--Boa garota. ---O homem disse, ele estava agarrando o boneco pelo pescoço, ele balançou o boneco e o atirou na direção das arquibancadas. ---Pegue o grego! Pegue o grego! ---a Sra. O’Leary foi atrás de sua presa e atirou-se no boneco, amassando sua armadura, ela começou a mastigar seu elmo, que foi se quebrando sobre os dentes do cão infernal facilmente, então me lembrei que ela realmente não é tão inofensiva assim. Porém, Tyson se adiantou na direção dela, não demonstrando medo, então pegou os pés do boneco e começou a puxar na direção oposta.

—--CABO DE GUERRA. ---Gritou Tyson animando, enquanto brincava com a Sra. O’Leary, o cão infernal a cada sacudida, jogava Tyson para cima, porém ele não largava o boneco, e ela parecia contente com o seu novo amigo pra brincar.

---Sra. O’Leary é meu animal de estimação. ---Disse o senhor, então fiquei curioso em saber mais sobre esse senhor, um semideus com um monstro de estimação, acho que não sou o único que tem um monstro de estimação.

—--Pois é, eu também tenho um monstro de estimação, adotei-o recentemente, um filhote de Mishipeshu. ---Disse distraidamente, então a curiosidade me venceu e me adiantei em perguntar. ---Quem é você? ---Perguntei curioso, nunca virá um semideus velho como ele, exceto John, filho de Jano o porteiro do Olimpo.

—--Quintus, sou o novo treinador de esgrima do acampamento. ---Disse ele sorrindo, oferecendo sua mão, eu apertei sua mão, era áspera como uma lixa, o que era um tanto estranho. Então me recordei de Quíron ter mencionado Quintus uma vez, ele disse que Quintus era um semideus muito qualificado, um excelente espadachim, ele até disse que era tão bom quanto eu, porém disse que era um pouco sombrio e misterioso.

—--Percy Jackson. ---Falei.

—--Imaginei que fosse, então você é o novo diretor no lugar do senhor D. pelo que fiquei sabendo.

—--Sim, assumi o cargo hoje, os deuses fizeram uma votação. ---Disse meio sem jeito, não estava muito animado em falar sobre isso. ---Como você, hum...

—--Consegui um cão infernal como animal de estimação? ---Perguntou ele sorrindo, eu acenei positivamente. ---Longa história, envolvendo muitas quase mortes e alguns brinquedos de morder gigantes. ---Disse ele sorrindo, como se aquela resposta bastasse para contar toda história, então entendi o que Quíron quis dizer com misterioso, então resolvi não prolongar a história. Então na minha esquerda, houve um alto “BUMP”, me virei rapidamente e notei seis engradados de madeira do tamanho de mesas de piquenique, todos estavam empilhados, e eles estavam balançando, então senti algo estranho no fundo da minha consciência, era quase como um sussurro. Sra. O’Leary ergueu a cabeça e avançou na direção das caixas, deixando Tyson de lado.

—--Calma, garota! ---Quintus suavemente. ---Esses não são pra você. ---Ele a distraiu com o escudo-frisbee de bronze e arremessou para Tyson, que o pegou no ar e ele e a Sra. O’Leary voltaram a sua guerra de brincadeira. As caixas martelavam e sacudiam, havia palavras impressas nas laterais, mas com minha dislexia eu levei alguns minutos para decifrar:

RANCHO TRIPLO G

FRÁGIL

ESTE LADO PARA CIMA

Ao longo da parte de baixo, em letras menores:

ABRA COM CUIDADO. O RANCHO TRIPLO G NÃO SE RESPONSABILIZA POR DANOS PATRIMONIAIS, MULTILAÇOES OU MORTES EXCRUCIANTEMENTE DOLOROSAS.

—--O que tem nas caixas? ---Perguntei seriamente, o sussurro no obscuro da minha consciência estava começando a ganhar mais força.

—--Uma pequena surpresa. ---Quintus disse. ---Para o treinamento daqui duas noites, os campistas vão adorar. ---Disse ele animado, apesar de eu não estar certo sobre a parte da morte excruciantemente dolorosa, que estava escrito nas caixas. ---Os jovens precisam de mais desafios, não existiam acampamentos como este quando eu era um garoto.

—--Você é um dos meio-sangues mais velhos que conheci. ---Disparei sem querer, foi meio sem querer, estava nervoso com esse sussurro no fundo da minha mente, enquanto encarava aquelas caixas com alguma criatura dentro, eu não tive a intenção de parecer surpreso, mas era raro ver um semideus velho assim. ---Desculpe. ---Quintus riu baixo.

—--Não se preocupe, não tem problema, sabe alguns de nós chegam à idade adulta, sabe, nem todos nós temos grandes combates com deuses ou titãs, muito menos somos objeto de terríveis profecias.

—--Você sabe sobre a minha profecia? ---Perguntei curioso, ele estava começando a despertar meu interesse.

—--Eu ouvi algumas coisas. ---Disse ele distraidamente. Então o sussurro em minha cabeça começou a ficar ainda mais intenso, agora realmente era quase uma voz, na verdade era mais de uma, talvez por não estar tão forte, eu não conseguia distinguir muito bem, mas eu podia sentir que os seres que estavam dentro daquelas caixas estavam tentando se comunicar comigo, de alguma forma.

—--O que exatamente tem dentro dessas caixas? ---Perguntei seriamente para Quintus. Eu nunca havia sentido essa sensação antes, apesar de ser semelhante a sensação de comunicação que tinha com as corujas ou com os animais aquáticos, na verdade mesmo entre estas duas, havia uma diferença, pequena mais havia, porém está não era igual a nenhuma das duas, nem era semelhante a falar com pavões, isto era uma sensação de ódio, raiva, rancor, havia maldade naqueles seres presos dentro das caixas, eles não eram seres bondosos, eles eram feios e monstruosos de verdade. Então percebi uma coisa, está sensação, aqueles seres, eles vinham de uma coisa ruim, de um lado ruim da minha mãe, de sua maldade, nas inúmeras vezes que ela deixou seu lado rancoroso a dominar, em todas as vezes que ela fazia isso, ela controlava um tipo de animal maligno, porém especifico, eu até conseguia compreender o motivo de liberar está habilidade agora, o mesmo deus que fazia minha mãe sentir aqueles sentimentos horríveis, fez esse poder maligno ser despertado em mim, o ódio e rancor que estava sentido de Zeus agora, pelo que ele fez com a minha mãe mais cedo, fez minha habilidade de controle destes seres vir átona. Então antes mesmo de Quintus responder a minha pergunta, eu já sabia a reposta:

—--Estes são Escorpiões Gigantes.