Notas iniciais
Fala fantasmas, bora comentar ai, quero saber quantos me acompanham por aqui... Então deem sinal de vida.

POV: Perseus Heitor Jackson.

Estava descendo as escadas da minha casa animadamente, indo em direção da cozinha, era muito cedo, não tinha amanhecido ainda, eu iria fazer um café da manhã reforçado, para poder treinar bastante hoje, faria meu ritual de aquecimento matinal, depois um treino mais especifico com as minhas Sais de Ferro Estige, depois iria treinar minha chama sagrada até Emuna acordar e vir me ajudar com o meu treinamento de Magia, estava animado, já havia acabado de ler boa parte do meu Grimório, pelo menos a parte de magias e rituais, agora faltava ler a parte das poções, amuletos, cajados, não deu tempo ontem e essa parte era bastante extensa, claro que algumas magias eu tinha que pular, por não conhecer o dialeto escrito, precisava aprende-lo também. Então deu minha hora de dormir e tive que dormir, senão não aguentaria a rotina de hoje. Entrei na cozinha rapidamente esperando fielmente que estaria sozinho, mas não estava, haviam duas figuras conhecidas, que estavam conversando seriamente, uma delas era a minha mãe, majestosa como sempre, mas ela parecia muito séria, ela estava conversando com uma mulher conhecida, mas que a muito tempo eu não via, ela tinha por volta de 1,78 cm de altura, sua pele era muito branca, uma cor pálida, cabelos negros e longos, olhos verdes como as das folhas das arvores, bela e poderosa, corpo escultural, com muitas curvas, seios pequenos e redondos, coxas grossa, ela usava um vestido com diversas cores misturadas, flores vermelhas, azuis e amarelas brotavam do tecido, literalmente, mas eram estranhamente desbotadas comparadas a flores comuns.

—--Lady Perséfone? ---Chamei quando entrei na cozinha, chamando atenção das duas deusas presentes, não havia dúvidas, era Perséfone, forçou um breve sorriso para mim.

—--Percy, que bom rever você, por favor, junte-se a nós. ---Disse a Deusa sorrindo, mostrando a cadeira ao lado da minha mãe para me sentar. Eu achei estranho, minha mãe não era exatamente fã de Perséfone, ela era uma das filhas de Zeus, então uma traição do rei dos deuses, aposto que ela não viria para uma ceia de natal. Então alguma coisa estava bastante errada, muito errada. Sentei-me ao lado da minha mãe e dei uma boa encarada nela, tentando decifrar alguma coisa, ela tinha cara de poucos amigos, estava parecendo bastante irritada e séria. ---Bem, sei que faz muito tempo que não nós vemos...

—--Desde a época da minha luta contra Hades. ---Disse a interrompendo, ela continuou com seu olhar calmo. Apesar de todo meu desentendimento com meu tio, isso ocorreu a anos atrás, já me resolvi com ele, além disso Perséfone me auxiliou e me ajudou naquela época, talvez tenha até me impedido de fazer coisas realmente ruins, em especial ter matado Clarisse. ---Eu sei que você não veio aqui para comer o desjejum conosco, aconteceu alguma coisa no Submundo, presumo. ---Disse seriamente encarando-a.

—--Direto ao ponto, como sempre. ---Disse Perséfone sorrindo, eu a olhava atentamente. ---Bem, estive conversando com sua mãe, explicando a situação para ela, o Submundo está com um problema, meu marido está precisando de sua ajuda com bastante urgência...

—--Tudo bem, vamos ao submundo. ---Disse me levantando rapidamente, interrompendo Perséfone.

—--Percy, meu filho, espera um segundo. ---Disse minha mãe chamando minha atenção. ---Como você pode aceitar a missão se nem ao menos ter ideia do que está ocorrendo, sem ouvir Perséfone. ---Disse minha mãe seriamente.

—--Hades é meu tio, se ele está com problemas no submundo eu vou ajudar, com qualquer coisa, e se este problema é muito urgente, ele precisa que isso seja resolvido da forma mais rápida possível, então Lady Perséfone pode me contar o ocorrido a caminho do Submundo. ---Disse seriamente para minha mãe, em resposta ele sorriu. Além disso, se Perséfone já estava falando com minha mãe, e dona Hera aceitou sua presença em seu próprio palácio, então a coisa era realmente seria.

—--Você sempre me lembra seu pai, ele sempre foi assim, intenso e decidido, é uma das muitas qualidades dele, sempre admirei isso nele. ---Disse minha mãe sorrindo, eu corei com sua comparação, tudo bem, podem me julgar, mas eu ficava envergonhado de ser comparado com meu pai, convenhamos que ele é incrível. ---Tudo bem, então vamos chamar Emuna para ir com você...

—--Não, eu prefiro ir sozinho, não quero que Emuna vá comigo, deixe-a descansando mãe. ---Disse seriamente, a interrompendo. Minha mãe estreitou os olhos, me encarando, então fechei a cara e não deixei minha preocupação e meus sentimentos mostrarem o medo que sentia, eu não quero que Emuna vá, eu estou começando a gostar dela, então de alguma forma o medo de perde-la já me fazia sentir um aperto no peito, não tentarei esconder isso de Emuna, até porque não conseguiria, mas eu consigo esconder da minha mãe. Está ficou me encarando mais eu continuei com meu rosto inexpressivo. ---Ela precisa cuidar da Joia, ela não está muito bem pra ser deixada sozinha, ela passou mal com a carne que demos ontem a ela, está fazendo cocó toda hora, sei como a senhora não é muito fã da minha nova mascote, então você quer cuidar dela e de sua sujeira para que Emuna vá comigo? ---Perguntei seriamente, minha mãe fechou a cara e negou a cabeça rapidamente, esquecendo qualquer coisa que ela estivesse pensando sobre a minha decisão.

—--Tudo bem, é muito bom que Emuna fique e cuide daquele pequena ferinha, eu já vou cuidar da Antonieta hoje, o dia todo, não preciso de mais problemas, sou uma deusa muito ocupada. ---Disse minha mãe rapidamente. Entendam, minha mãe pode até ter me deixado ficar com Joia, com muita persistência minha, mas com certeza minha mãe não era fã da minha mascote monstruosa.

—--Então você está pronto pra ir, Percy? Não precisa pegar nada antes de irmos? Hades pode dar mais informações pra você. ---Disse Perséfone se levantando da mesa.

—--Estou pronto, tenho tudo que preciso comigo, podemos partir agora mesmo pro submundo. ---Disse seriamente. Afinal de contas eu não tinha nada para buscar, minhas principais armas sempre estavam comigo, nunca deixavam meu corpo, podia invocar minha mochila magica e pegar suplementos para me alimentar caso a missão seja longa, roupas e ferramentas se for necessário, Néctar e Ambrosia para ferimentos, além disso eu também poderia usar do meu arsenal agora, então sempre estou preparado para o que der e vier.

—--Então vamos indo, te contarei o que você precisa saber. ---Disse ela seriamente, se aproximando de mim, assenti seriamente. Me virei para minha mãe e olhei para ela sorrindo, ela me olhava seriamente, seus olhos cheios de preocupação como sempre, me aproximei e beijei seu rosto docemente.

—--Percy, tome cuidado, se proteja o tempo todo, você não sabe o que pode enfrentar naquele lugar. ---Disse ela me abraçando com força.

—--Mãe, eu vou tomar muito cuidado, não se preocupe, eu voltarei bem e vou resolver o problema do Submundo e vou ter o senhor dos mortos me devendo dois favores. ---Disse sorrindo, ela riu da minha brincadeira e apertou levemente minha bochecha.

—--Não abuse da paciência do seu tio, ele pode te deixar por uma longa temporada em seu reino. ---Disse ela me olhando divertida.

—--Não vou encher ele, não precisa se preocupar. ---Disse beijando o topo de sua cabeça e sorrindo. ---Até logo. ---Disse me virando e indo na direção de Perséfone.

—--Podemos ir? ---Perguntou-me Perséfone, eu assenti positivamente, parando ao seu lado.

—--Sim, podemos. ---Disse acenando para minha mãe, ela acenou de volta.

—--Até a próxima rainha Hera. ---Disse Perséfone em despedida, fazendo uma breve reverencia a minha mãe. ---A propósito, você tem um belo palácio. ---Antes de poder ouvir a resposta de minha mãe, as sombras a nossas voltas tornaram-se mais densas e fomos engolidos por ela. Fechei meus olhos por causa da vertigem, quando ela passou, eu abri meus olhos, o jardim era escuro, fileiras de flores prateadas brilhavam fracamente, refletindo enormes pedras preciosas que delineavam o canteiro: diamantes, safiras e rubis do tamanho de bolas de futebol americano, árvores arqueavam-se sobre nós, as copas cobertas de flores de laranjeira e frutas docemente perfumadas, o ar era frio e úmido, mas não como no inverno de Nova York, parecia mais com uma caverna, e na verdade era exatamente isso, o Submundo, era a maior caverna que existe, podemos dizer isso.

—--O jardim do Submundo, ele é lindo Perséfone ---Disse sorrindo para ela, ela deu um breve sorriso, ela realmente parecia bastante tensa, olhei para uma das arvores próximas, havia lindas frutas, elas pareciam muito saborosas, quase irresistível, mas eu não iria provar daquela fruta suculenta, uma só prova da comida do Mundo Inferior e eu nunca mais seria capaz de ir embora, de volta para superfície.

—--Muito obrigado, se eu pudesse ofereceria uma destas deliciosas frutas para você, mas sei que você conhece a lenda. ---Disse ela seriamente, arrancado uma das frutas e a olhando seriamente ---Hades é meu marido e mestre, eu o amo muito, eu faria qualquer coisa por ele, mas eu realmente odeio esse maldito lugar, e escuro, sujo, sem cor e sem beleza. ---Ela suspirou. ---Enfim, eu sou uma deusa da natureza, o mais próximo que você vai encontrar de beleza e natureza aqui, é meu pequeno jardim, pensa como é difícil ser deusa da primavera e viver 4 meses do ano nesse lugar horrível? ---Perguntou ela irritada, eu a olhei tristemente, eu conhecia sua história, e entendia sua raiva e amargor do submundo. Perséfone é filha de Zeus com sua irmã Deméter, assim como eu, Perséfone foi criada no monte Olimpo, lar da nobreza divina, quando os sinais de sua grande beleza e feminilidade começaram a brilhar, em sua adolescência, chamou a atenção do meu tio Hades que a pediu em casamento, Zeus advertiu seu irmão que Deméter não quer que nenhum deus chegue perto da sua filha, mas Hades, impaciente, emergiu da terra e raptou-a, enquanto ela colhia flores com as ninfas, ele conseguiu de alguma forma conquistar Perséfone, desposando-a e fazendo dela sua rainha, mas isso demorou um pouco, minha tia Deméter, havia ficado inconsolável, acabou por se descuidar de suas tarefas: as terras tornaram-se estéreis e houve escassez de alimentos. Ninguém queria lhe contar o que havia acontecido com sua filha, mas Deméter depois de muito procurar finalmente descobriu através de Hécate e Hélio que a jovem deusa havia sido levada para o mundo dos mortos, e junto com Hermes, foi buscá-la no reino de Hades, como entretanto Perséfone tinha comido algo, concluiu-se que não tinha rejeitado inteiramente Hades. Assim, estabeleceu-se um acordo, ela passaria 8 meses do ano junto a seus pais, a eterna adolescente, e o restante com Hades, quando se tornaria a sombria Perséfone, este mito justifica o ciclo anual das colheitas, além de sua tristeza.

—--Eu imagino como deve ser difícil pra você viver aqui nesse lugar, sem cor e sem vida. ---Disse docemente, mas por fim ela deu de ombros e deu uma boa mordida na fruta.

—--Pelo menos as frutas aqui são mais deliciosas do que qualquer outro lugar do mundo, a terra é muito fértil aqui embaixo, mesmo que não haja sol. ---Disse ela sorrindo para mim, eu olhei seriamente para ela, ela era um pouco bipolar, mas enfim, se a vida te dar limões, faça uma limonada, bem gelada e aproveite.

—--Tudo bem, então, pode me explicar qual é o problema do Submundo? Porque você própria foi me buscar no Olimpo? ---Perguntei seriamente.

—--Não seja impaciente, estamos esperando seus reforços. ---Disse ela se recostando na árvore, dando mais uma mordida na fruta e me olhando. ---Você vai rir.

—--Reforços? Rir? Que reforços? Eu não pedi reforço nenhum... ---De repente eu fui interrompido por gritos, me virei e procurei de onde vinha os gritos de puro terror, então eu avistei dois amigos que a muito tempo eu não via, um deles era um garoto por volta dos 13 anos, 1,65cm, um tanto magricelo, sua pele era muito branca, na verdade quase um pálido doentio, cabelo escuro e sedoso, mas seu rosto estava mais maduro do que da última vez que o vi, seu cabelo não estava mais em forma de tigela, estava mais longo, quase na altura dos ombros, estava vestindo uma camiseta preta lisa, por baixo de uma jaqueta de couro preta e calça azul clara, ele estava gritando muito alto, seus olhos negros como a noite estavam em pânico, mesmo que ele estivesse bem ali parado, de repente ele parou de gritar e piscou algumas vezes, retornando o controle, porém sua companheira não estava recuperando o controle, era uma garota muito conhecida e irritante, por volta dos 1,65cm de altura também, tendo seus quase 19 anos, sua pele era bem branca, cabelos negros e repicados, batendo um pouco abaixo dos ombros, ela continuava tendo um corpo bonito, ela estava vestida toda de preto, calça e coturno e uma camiseta com uma banda de Rock que eu não conhecia, mas ela estava vestida com o caso prata das caçadoras, ela já não usava aquelas Spikes assustadoras, ela gritava muito alto, seus olhos azuis elétricos em puro pânico, era minha boa amiga Thalia e Nico. Me virei e olhei para Perséfone rindo um pouco. ---Agora entendi a parte do rir. ---Olhando os dois gritando feitos idiotas, eu não conseguia parar de rir disso.

—--Onde estou? ---Perguntou Nico confuso, tomando o controle de novo, ele parecia assustado, olhando de um lado para o outro, fui me aproximando deles, tentando conter minhas risadas.

—--Mas que droga está acontecendo? ---Esbravejou Thalia encarando Nico, que deu de ombros olhando pra ela confuso.

—--Eu não sei, estávamos naquela clareira e do nada estamos aqui, provavelmente é o Submundo, mas eu não sei o que está acontecendo, não fui eu que nós trouxe aqui. ---Disse Nico olhando para os lados, de repente ele me viu me aproximando e seus olhos se arregalaram em surpresa. ---Percy? ---Perguntou ele confuso.

—--Olá. ---Disse acenando, chamando atenção de ambos pra mim, Thalia me encarou de boca a aberta. ---É muito bom rever vocês... ---Fui interrompido quando Thalia correu na minha direção e me esmagou em um abraço de urso, ela me apertou com tanta força que sentia a energia expandir do seu corpo e percorrer pelo meu, incomodava um pouco a eletricidade, então demorou um pouco para poder retribuir o abraço com a mesma intensidade, era bom ver aquela pequena encrenqueira.

—--PERCY. ---Gritou ela feliz, sorrindo, ela separou o abraço e me olhou sorrindo de orelha a orelha. ---Que bom ver você, meu irmão.

—--Também é muito bom te ver, Thalia. ---Disse beijando o topo de sua cabeça, ela me olhava sorrindo feliz, me virei para Nico, ele sorria feliz, mas ele apenas acenou me cumprimentando.

—--É muito bom te ver, Percy. ---Disse Nico sorrindo, voltei meus olhos para Thalia, ela ainda estava me abraçando e sorrindo de orelha a orelha, muito feliz, mas então seu sorriso se desmanchou.

—--Você não estava na guerra do mar? Se agora está no Submundo, isso quer dizer que você caiu em batalha? ---Perguntou Thalia tristemente.

—--Ele não morreu, se tivesse morrido eu sentiria. ---Disse Nico seriamente encarando Thalia.

—--Eu não morri não, felizmente, estou muito vivo. ---Disse sorrindo para Thalia.

—--Fico muito feliz em saber isso, mas quem nos trouxe aqui? ---Perguntou Thalia me olhando, eu fui responder, mas Nico se adiantou em dizer.

—--Nós fomos trazidos juntos aqui, mas por que? ---Perguntou Nico confuso.

—--Os três. ---Disse Thalia seriamente, pensando bastante. ---Isso não pode ser bom.

—--Do que você está falando? ---Perguntei confuso para eles.

—--Os filhos dos Três Grandes ---Disse Thalia seriamente. ---Zeus, Poseidon e Hades. ---Thalia respirou fundo e continuou. ---A profecia, mas você ainda não chegou aos dezenove, Nico ainda está mais longe que você e eu não completei a idade, você não acha que Cronos nos trouxe aqui pra começar com ela? ---perguntou Thalia, então eu consegui entender o que ela estava pensando, a grande profecia que eu e Thalia ouvimos daquelas três velhas bruxas horrendas, não gosta de lembrar disso, mas era basicamente: uma guerra estava a caminho, entre os titãs e os deuses, e o primeiro filho de um dos três grandes a completar dezenove anos, tomaria uma decisão que salvaria ou destruiria o mundo, isso se referia a um de nós, principalmente de mim, ao longo dos últimos anos, o Senhor dos Titãs, Cronos, tentou manipular cada um de nós separadamente.

—--O que é essa profecia que vocês estão falando? ---Perguntou Nico confuso.

—--Eu te conto uma outra hora. ---Disse me intrometendo na conversa, antes que ela se prolongasse ainda mais. ---Não foi Cronos Thalia, não se preocupe, ainda não chegou a hora. ---Disse sorrindo para ela, tentando tranquiliza-la. ---Foi Hades que nos trouxe aqui.

—--Hades? ---Perguntou Thalia surpresa.

—--Bem, na verdade não foi ele exatamente, foi Lady Perséfone. ---Disse apontando para o lado, todos se viraram e encararam Perséfone que veio andando na nossa direção e saindo das sombras da árvore.

—--Sou Perséfone ---Disse ela, sua voz bem tranquila. ---Sejam bem-vindos, semideuses. ---Nico ao meu lado esmagou a grama embaixo de sua bota.

—--Bem-vindos? Depois da última vez, você tem coragem de me dar boas-vindas? ---Disse Nico irritado, eu me mexi, inquieto, porque alguém que falasse desse jeito com um deus, pode ser transformado em tufos de poeira.

—--Hum, Nico, mantenha a calma... ---Disse tentando alerta-lo de que ele não era pareô para lutar com Perséfone.

—--Está tudo bem ---Disse Perséfone friamente ---Tivemos uma pequena desavença familiar.

—--DESAVENÇA FAMILIAR? É UMA PORRA. ---Gritou Nico bastante irritado, estava vendo a hora que ele atacaria Perséfone. ----Você me transformou em um dente-de-leão! ---Perséfone ignorou o enteado.

—--Como eu estava dizendo, semideuses, bem-vindos ao meu jardim. ---Disse ela calmamente.

—--Você enviou o cervo dourado? ---Perguntou Thalia.

—--Cervo dourado? ---Perguntei confuso.

—--Eu estava no Acampamento, de repente ele apareceu, pensei que era algo relacionado a Ártemis, algum tipo de sinal da deusa, faz meses que não a vemos, então eu persegui ele, então o cervo sumiu e eu encontrei Nico, conversamos por poucos minutos, de repente tudo ficou escuro e estávamos aqui, vendo você.

—--Sim, fui eu. ---Admitiu a deusa ---É a sombra que coletou vocês dois e os trouxe para cá, era necessário trazê-los juntos.

—--Por quê? ---Perguntou Nico levemente irritado, ele parecia irritado, mas não estava explodindo de raiva com a instantes atrás.

—--O Senhor Hades tem um problema ---Disse ela seriamente, quase como se fosse uma ameaça. ---E se sabem o que é bom para vocês, irão ajudá-lo.

—------------------------------------------ Quebra de Tempo. ------------------------------------------------------------------------------------------------

Sentamos em um terraço escuro com vista panorâmica para o jardim, que os deixava ainda mais belo de cima. As criadas de Perséfone trouxeram comida e bebida, que nenhum de nós tocou. Essas servas até seriam bonitas, se não fosse o fato de estarem mortas, ela na verdade me lembravam os Guerreiros esqueletos de Atlas, suas peles eram ressecadas e cinzas, magras, como verdadeiros ossos, na verdade elas eram apenas pele e ossos, vestidas de amarelo e usavam coroas de margaridas e plantas venenosas na cabeça, os olhos eram vazios e as vozes sombrias como o bater de assas de morcego, Perséfone sentou-se em um trono prateado e nos estudou.

—--Vamos direto ao assunto, vou adiantar algumas coisas antes que o senhor Hades venha se juntar a nós, neste caso precisamos da ajuda de vocês, e rápido, tem a ver com a espada do Senhor Hades... ---Começou Perséfone, mas então ela foi cortada pela risada de Nico.

—--Meu pai não tem uma espada. ---Nico desdenhou. ---Ele usa um exército e seu elmo das trevas.

—--Ele não tinha uma espada ---Corrigiu Perséfone. Thalia se levantou.

—--Hades está forjando um novo símbolo de poder, uma nova arma? Sem a permissão de Zeus? ---Perguntou a Thalia levemente irritada. A deusa da primavera apontou. Em cima da mesa, uma imagem tremulou e ganhou vida: ferreiros esqueletos trabalhavam sobre uma forja de chamas negras, usando martelos decorados com caveiras de metal, para moldar uma extensão de ferro em lâmina, ao fundo uma enorme forma chamava atenção, era um enorme Ciclope.

—--Aquele é Bratos? ---Perguntei para Perséfone, ela assentiu sorrindo.

—--Sim, ele é o responsável em forjar a nova espada de Hades. ---Disse Perséfone, olhei para ela animado. ---Sei que você tem interesse de conhecer ele, afinal se não me engano, você também é um ferreiro. ---Antes que eu pudesse responder alguma coisa, Thalia começou a dizer.

—--Pouco importa quem é esse Bratos, Zeus e Poseidon nunca permitiram que Hades forjasse uma nova arma! ---Thalia protestou. ---Isso desequilibraria o acordo de divisão de poderes entre eles. ---Perséfone balançou a cabeça negativamente.

—--Você quer dizer que faria de Hades um igual? ---Perguntou Perséfone seriamente. Não creio que armas diferenciem os poderes dos deuses, acredito mais que o próprio deus faz sua força, assim como nomes, semideuses. Antes que Thalia pudesse responder, Perséfone já emendou. ---Acredite, filha de Zeus, o Senhor dos Mortos não tem planos contra seus irmãos. Ele sabia que nunca entenderiam, e foi por isso que forjou uma nova arma em segredo. ---Eu entendia o ponto de vista de Perséfone, ela até tinha razão, não sei quanto a meu pai, creio que ele tenha os mesmo pensamentos que eu, então não se importaria em uma nova arma para Hades, mas Zeus não aceitaria uma nova arma poderosa para Hades, mesmo que agora ele seja um dos Olimpianos.

—--Hades não pode simplesmente forjar um novo símbolo de poder sem a permissão de Zeus...

—--Chega Thalia. ---Briguei com ela, fazendo-a se calar. ---A arma não é tudo, o poder está no deus que a empunha, agora para de falar como Zeus, você não é seu pai, esqueceu disso? ---Perguntei para ela, levemente irritado. Em resposta ela me fulminou com os olhos, mas se calou. De uma coisa eu sabia, ela não gostava de ser comparada a Zeus, na verdade ela não gostava muito de ser filha de quem era.

—--A guerra contra o senhor Titã está muito próxima ---Disse Perséfone se interpondo. ---Meu senhor, Hades, tem de estar preparado, agora como um dos Olimpianos, ele também tem que manter seus poderes em alta. ---De repente a imagem sobre a mesa tremeu, um ferreiro zumbi ergueu a lâmina, ainda ardendo com o calor, alguma coisa estranha estava presa na base, não era uma pedra preciosa, parecia mais...

—--Aquilo é uma chave? ---Perguntou nico. Então uma ideia surreal e amedrontadora me ocorreu.

—--As chaves de Hades? ---Perguntei para Perséfone de olhos arregalados. Agora eu entendia realmente o que aquela arma significava.

—--Espere. ---Interrompeu Thalia. ---O que são as chaves de Hades?

—--Hades tem um conjunto de chaves de ouro, que podem trancar e destrancar a morte. ---Disse seriamente. ---Pelo menos... essa é a lenda.

—--É verdade ---Afirmou Perséfone.

—--Como se tranca ou destranca a morte? ---Perguntou Thalia confusa.

—--As chaves têm o poder de aprisionar uma alma no Mundo Inferior ou libertá-la para o mundo lá em cima. ---Perséfone respondeu, engoli em seco.

—--Se uma daquelas chaves foi presa na espada...

—--Aquele que a utilizar pode ressuscitar os mortos. ---Perséfone completou as minhas palavras. ---Ou, com um mero toque, pode ceifar a vida de qualquer coisa e mandar a alma para o Mundo Inferior. ---Estávamos todos em silêncio, a água borbulhava em uma fonte tranquila, criadas flutuavam à nossa volta, oferecendo bandejas de frutas e doces que nos manteriam no Mundo Inferior para sempre.

—--Ótima espada ---Disse eu, afinal.

—--Seria impossível deter Hades. ---Concordou Thalia.

—--Estão vendo. ---Começou Perséfone. ---Porque vocês devem ajudar a recuperá-la. ---Eu a encarei perplexo.

—--Perdão, acho que não ouvi direito, você disse recuperá-la? ---Perguntei seriamente, torcendo bastante para que ela dissesse que eu havia sim, ouvido errado, que ela nos trouxe aqui somente para explicar a situação e convencer os outros Olimpianos que meu tio Hades merecia usar a espada. Mas os olhos de Perséfone eram bonitos e mortalmente sérios, como botões venenosos, e tiravam qualquer dúvida da minha pergunta, mesmo que ela não tivesse respondido em palavras ainda.

—--A lâmina foi roubada, quando estava quase pronta. ---Disse uma voz atrás de nós, me virei e encarei o rei do Submundo, aparentando seus 22 anos, 1.83cm de altura, era muito branco, seus cabelos negros preto-azeviche, e cumpridos até os ombros, seus olhos, orbitas negras sem esclerótica, ele era musculoso, mais o menos igual a Zeus, na verdade, eles se pareciam bastante e usava mantos de seda preta e estava com seu Elmo das Trevas em sua cabeça, era um elaborado capacete de guerra em bronze. ---Não sei como, mas suspeito de um semideus, algum servo de Cronos. Se a lâmina cair nas mãos do Senhor dos Titãs...

—--Se a lâmina foi roubada, provavelmente Cronos está com ela agora! ---Disse seriamente encarando meu tio.

—--A espada não pode ter deixado o Mundo inferior ainda. ---Disse Hades seriamente, parando ao lado de Perséfone.

—--O Senhor Hades usou as chaves restantes para fechar o reino, nada entra ou sai até que ele encontre a espada, e ele está usando todo o seu poder para localizar o ladrão. ---Disse Perséfone.

—--Então, para que você precisa de nós? ---Perguntou Thalia confusa.

—--Mesmo que Hades encontre o ladrão, se ele for um semideus, Hades não pode ataca-lo diretamente, as leis antigas restringem ele, se ele desobedecer haverá consequências, por isso usar nós semideuses é mais fácil e mais seguro, se ele usar os seus guerreiros ou monstros, eles podem danificar a arma ou perder para o Semideus, se este for poderoso. ---Disse a respondendo.

—--Esperto como sempre, Percy. ---Disse Hades seriamente

—--Além disso, a procura da lâmina não pode ser do conhecimento de todos no Submundo. ---Respondeu Perséfone. ---Nós trancamos o reino, mas não anunciamos o porquê, e os servos de Hades não podem ser usados na busca, eles não podem saber que a lâmina existe até que seja terminada, certamente não podem saber que está desaparecida.

—--Ou nem todos os seus servos são leais. ---Disse Thalia seriamente. Hades a olhou seriamente, ele não gostou da resposta dela, mas ela tinha razão e ele não tinha argumentos quanto a isso.

—--Se acharem que Hades está com problemas, eles podem desertar. ---supôs Nico. ---E podem se unir aos titãs. ---Hades não respondeu ao comentário do Filho, Perséfone também não respondeu, mas se uma deusa pode aparentar ficar nervosa, ela pareceu estar, o que era estranho, ela realmente parecia muito nervosa, parecia estar com medo, porém Hades tinha a expressão de calma de sempre.

—--O ladrão tem de ser um semideus, nenhum imortal pode roubar a arma de outro imortal diretamente, mesmo Cronos tem de respeitar a Antiga Lei, mas ele tem um herói aqui em algum lugar. E para pegar um semideus, devemos usar três. ---Disse Hades chegando a conclusão.

—--Por que nós? ---Quis saber Thalia.

—--Vocês são os filhos de nós deusas antigos, os Três grandes. ---Começou Hades seriamente. ---Quem poderia resistir aos seus poderes combinados?

—--Além disso, quando vocês recuperarem a espada de Hades, enviarão uma mensagem ao Olimpo. ---Começou Perséfone. ---Zeus e Poseidon não protestaram contra a nova arma de Hades se ela lhe for entregue por seus próprios filhos. Mostrará que vocês confiam em Hades.

—--Mas eu não confio nele. ---Retrucou Thalia, então ela olhou para Hades e completou. ---Com todo respeito.

—--Tudo bem, eu entendo. ---Disse Hades seriamente, ele realmente não pareceu se magoar ou ficar irritado. ---Eu posso te mandar de volta, não preciso de você, Percy pode enfrentar qualquer semideus e vencer, sem a ajuda sua.

—--Mas enquanto a mim? ---Perguntou Nico aparentemente magoado.

—--Isso foi ideia minha, será um bom treinamento para você meu filho, ver como o Percy batalha. ---Disse Hades seriamente olhando o filho. ---Você já evoluiu bastante com sua espada, tenho que admitir, mas ver um Espadachim como o Percy lutando, é um privilégio a qualquer outro. ---Disse Hades seriamente, eu corei com seu elogio.

—--Eu, entendo meu pai, eu vou fazer meu melhor para ajudá-lo e aprender algo com ele. ---Disse Nico seriamente, Hades assentiu, ele não era muito de sorrir e demonstrar sentimentos, mas acho que aquelas palavras eram muito boas e encorajadoras para Nico.

—--Você está pensando em ajudar Hades? ---Perguntou-me Thalia seriamente. Eu assenti positivamente. ---Você acha mesmo que isso é o certo?

—--Hades é um Olimpiano, eu jurei ajudar os Olimpianos, desde que eles não estivessem se prejudicando. ---Disse a encarando seriamente. ---Não vejo como ajudar meu tio com isso, irá prejudicar qualquer outro Olimpiano, vejo que vai fortalecer mais meu tio e isso auxiliará a guerra que está próxima, além disso minha mãe sabia disso e me permitiu vir, então ela apoia também meu tio.

—--O tempo está passando. ---Disse Perséfone seriamente chamando minha atenção. ---O ladrão deve ter cúmplices no Mundo Inferior, e estará procurando por uma saída. ---Franzi o cenho a encarando.

—--Pensei que você tinha dito que o reino estava trancado. ---Disse confuso.

—--Nenhuma prisão é hermeticamente fechada, nem mesmo o Mundo Inferior, meu caro Percy. ---Disse Hades seriamente.

—--As almas estão sempre encontrando saídas, com mais rapidez do que Hades pode bloqueá-las, vocês precisam recuperar a espada antes que ele deixe nosso reino, ou tudo estará perdido. ---Completou Perséfone.

—--Mesmo que quiséssemos fazer isso ---Começou Thalia. ---Como encontraríamos esse ladrão se nem mesmo lorde Hades não o encontrou?

—--Eu ainda não procurei, não tive tempo. ---Disse Hades seriamente, então ele olhou para Perséfone e está virou o rosto. Como assim Hades não teve tempo? Eu o conheço um pouco, mas sei que ele não é displicente com as coisas, especialmente se tivesse forjando uma nova arma. ---Estava mais preocupado em fechar tudo antes que ele fugisse com a arma. ---conclui ele por fim. Então ele se voltou para sua esposa. --- Perséfone, por favor. ---Então Perséfone fez um gesto com sua mão, e uma planta em um vaso apareceu na mesa: era um craveiro amarelo, doente com algumas folhas verdes, poucas folhas verdes, o cravo inclinava-se para o lado, como se tentasse encontrar o sol ou algo assim.

—--Isto vai guiá-los. ---Informou a deusa.

—--Um craveiro? ---Perguntou Nico confuso.

—--Um craveiro magico, Nico. ---Respondi para ele, lembrando da função desta feia, porém eficiente planta. ---A flor que sempre aponta para o ladrão, à medida que o ladrão se aproximar da fuga, as pétalas caíram, se não estou enganado? ---Perguntei olhando para Perséfone, não deu tempo dela responder a minha pergunta, foi só falar e uma pétala amarela ficou cinza e caiu flutuando para a sujeira.

—--Se todas as pétalas caírem, a flor morre ---Explicou Perséfone. ---Isso significará que o ladrão alcançou uma saída e que vocês falharam. ---Olhei para Nico. Infelizmente ou felizmente, eu reconheci a expressão em seu rosto, eu sabia o que era querer deixar um pai orgulhoso, mesmo que seu pai fosse difícil de amar como Hades, mas pai é pai, eu também tive meus momentos de querer impressionar os meus, porém essa fase de provação já passou. Nico ia executar a missão, com ou sem a gente, mesmo que custasse sua vida para tal. Depois olhei para Thalia, ela não pareceu muito entusiasmada com toda aquela coisa de “persiga-um-ladrão-com-uma-flor”, ela não parecia animada com aquilo, mas com toda certeza sua ajuda seria muito boa.

—--Eu confio no julgamento e na liderança do Percy, mas como já disse não confio no senhor, lorde Hades, então tenho apenas uma condição. ---Disse Thalia encarando Hades. Thalia estava sendo mandona como sempre, porém eu tinha que admitir uma coisa, Thalia era muito corajosa, olhar na cara do senhor dos mortos em seu reino e exigir algo dele, não é para qualquer semideus. ---Lorde Hades terá que jurar pelo Rio Estige que nunca usará essa espada contra os deuses Olimpianos.

—--Nunca tive em mente algo desse tipo, eu quero somente a paz com meus irmãos e com os outros Olimpianos, isso tudo graças ao Percy, então não tenho problemas em acatar seu pedido, desde que ajude a trazer minha arma de volta. ---Disse Hades a encarando, antes que Thalia pudesse responder outra pétala caiu do craveiro. Eu me virei para Thalia.

—--Eu seguro a flor, enquanto você acaba com o ladrão. ---Disse sorrindo para ela, dando uma piscada, ela riu da minha brincadeira. Então ela levantou e disse.

—--Tudo bem, cabeça de peixe, vamos pegar esse idiota.