Notas iniciais
Fala fantasminhas, finalmente aumentou um pouco os comentários, espero ver mais de vocês falando....

POV: Perseus Heitor Jackson.

À medida que descíamos pela estrada do palácio de Hades até os Campos de Asfódelos, o lugar ficava muito mais parecido com aquele da minha visita anterior: realmente depressivo e maldoso. Grama amarelada e choupos negros poucos desenvolvidos ondulavam a perder de vista, sombras vagavam sem rumo pelas colinas, saindo do nada e indo para o nada, conversando entre si e tentando lembrar quem foram em vidas passadas, bem acima de nós, o teto da caverna cintilava ameaçadoramente, estalactites enormes que poderiam esmagar um campo de futebol logo acima das nossas cabeças, se uma dessas caísse sobre nós, dificilmente sobreviveríamos, mas pelo menos não estaríamos longe do Submundo, na verdade, já estávamos dentro dele. Eu carregava o craveiro, o que me fez sentir bem estúpido, eu era o cara que guiava os semideuses no submundo com um cravo magico, isso soa ridículo, não é mesmo? Pois é, Nico nos guiava, já que sua lâmina podia abrir caminho através de qualquer grupo de mortos-vivos, falando em sua lâmina nova, foi um presente de Hades, uma espada de um metro de cumprimento, com desenhos de caveiras entalhadas no metal de Ferro Estígio, com a empunhadura feita de ouro, era uma bela arma, além de se transformar em um anel de caveira que ficava no dedo de Nico, era uma boa arma. Thalia basicamente resmungava o tempo todo, todo o tempo dizendo que ela deveria ter sido mais esperta, em vez de sair em uma missão com dois garotos idiotas, ela deveria ter ficado com as caçadoras no Acampamento se divertindo.

—--Percy, lá trás, você e Thalia estavam discutindo sobre Cronos e profecias, eu nunca ouvi sobre profecia nenhuma, você me pareceu saber o que ela quis dizer. ---Disse Nico seriamente, Thalia ficou séria ao nosso lado, ficou quieta e com uma expressão levemente irritada. Nico atravessou um bando de fantasmas, afastando-os com a lâmina de ferro Estígio. ---Ela tem a ver conosco, os filhos dos três grandes, então eu também preciso saber o que é, sei que sou novo no nosso mundo, se você sabe de algo, por favor me conte sobre essa profecia. ---Pediu Nico seriamente.

—--Nico, não é a hora de você saber dessas coisas, eu e o Percy descobrimos sem querer, não devíamos ter descoberto sobre ela...

—--Se você quiser saber, eu te contarei. ---Disse interrompendo Thalia, que me fulminou com o olhar, mas não por interrompe-la, mas sim por dizer que diria a verdade sobre a profecia para Nico. ---Mas não vai te agradar em nada descobrir sobre ela. ---Disse calmamente, Thalia me olhou irritada.

—--Percy, não é hora de contar isso pra ele, ele é jovem demais. ---Disse Thalia levemente irritada me repreendendo.

—--Pouco importa se ele é jovem Thalia, sendo velho ou jovem, há possibilidade de ser ele de quem a profecia fala, é direito dele saber a verdade, se ele se sentir preparado, achar que está pronto, coisa que somente ele pode saber, e quando ele quiser saber, eu contarei. ---Disse seriamente, Thalia me olhou seriamente, ela não tinha argumentos quanto a isso, mas eu via em seus olhos que ela não queria que contássemos para Nico a profecia, mas era direito dele saber. ---Se esse momento é agora, eu contarei.

—--Nico, não escute o Percy, é melhor você não saber agora, ainda é muito cedo pra você. ---Disse Thalia seriamente o encarando.

—--Eu contarei se você quiser saber, mas se eu fosse você escutaria o que Thalia fala, ela sabe das coisas, melhor do que eu. ---Disse o orientando. Nico continuou a caminhar em silencio, pensando se queria ou não saber a verdade, demorou alguns minutos para ele responder, um silencio súbito havia se instalado entre nós, Nico seguiu em frente espantando os espíritos e fantasmas, não importava quão cheios os campos estivessem, eram muitos e muitos espíritos, muito mais do que se podia contar, só pra você ter uma breve noção, se você já viu a Times Square na noite de Ano-Novo, sabe do que eu estou falando. Os espíritos abriam caminho diante dele, quando eu finalmente já achava que ele havia desistido em saber sobre a profecia Thalia disse.

—--Ele sabe lidar com multidões de zumbis ---Admitiu Thalia tentando quebrar o clima tenso que havia entre nós. ---Acho que vou levá-lo comigo da próxima vez que eu for ao shopping.

—--Eu quero saber da profecia, conte-a pra mim, Percy, por favor. ---Disse Nico por fim, parando na minha frente, Thalia suspirou ao meu lado.

—--Nico, não é uma boa ideia. ---Alertou ela seriamente.

—--Eu quero saber, por favor me fale, agora. ---Pediu Nico seriamente.

—--Tudo bem. ---Disse por fim.

—--Droga, odeio essa profecia. ---Reclamou Thalia mau humorada. Eu respirei fundo, eu lembrava perfeitamente cada letra, cada silaba, cada palavra e cada estrofe, daquela maldita profecia, então não tive o menor problema em recita-la para Nico, parecia que eu estava ouvindo-as da boca das três velhas bruxas.

—--Um meio-sangue, dos deuses antigos filho,

Chegará aos dezenove apesar de empecilhos.

Num sono sem fim o mundo estará,

Uma escolha o Olimpo preservar ou arrasar.

E a alma do herói para sempre se perderá." ---Assim que eu acabei de recitar a profecia, um novo silencio se estalou sobre nós. Voltamos a continuar caminhando em direção a nossa missão, todos em silencio e provavelmente com a cabeça na profecia que nos aguardava no futuro.

—--Então, Bianca também pode ser o “Herói” dessa profecia? ---Perguntou Nico por fim, eu sorri, mesmo que ele estivesse acabado de ouvir que a profecia era provavelmente para ele, que ele podia morrer e sua alma se perder, ele não pensou nessa possibilidade, ele pensou apenas em Bianca, em sua irmã, em como ela podia se machucar. Nico afinal de contas amava sua irmã acima de todas as coisas.

—--Não, na verdade não, Thalia e Bianca são caçadoras agora, são imortais, não envelhecem, nunca completaram seus dezenove anos, então a profecia fica entre nós dois, bem legal, não é? ---Perguntei forçando uma risada, tentando quebrar o clima pesado, mas em resposta a minha brincadeira eu recebi um soco no braço de Thalia.

—--Não brinque com isso, você sabe que as chances de ser você o herói da profecia são bem maiores do que as do Nico, então não faça piadinhas disso, não banque o idiota, se importe com sua vida e com sua alma. ---Brigou Thalia me encarando, seus olhos azuis elétricos brilhando irritados.

—--Você quer que eu sente no chão e chore? Esperneie? Amaldiçoe os deuses? quer que eu saia correndo e fuja? ---Perguntei seriamente para Thalia, ela me fulminou com seu olhar, ficando ainda mais irritada do que já estava.

—--Sim, é exatamente isso que eu quero, sente nessa droga desse chão e chore, esperneie, amaldiçoe os deuses, quero que saia correndo e fuja, se for preciso para se salvar, quero que você se importe com o que vai acontecer com você, você não está cansado de sofrer? ---Perguntou ela incrédula.

—--Não é questão de estar cansado de sofrer, logicamente que eu não quero sofrer, que estou cansado. ---Disse seriamente a encarando. ---Mas se esse é meu destino, eu lutarei com todas as forças para evitar que aconteça, mas se eu cair em batalha, será pelos meus amigos e por minha família, então não fugirei da luta, nunca abandonarei os que amo. ---Disse seriamente, Thalia me fulminou com os olhos ainda mais, acho que por pouco não fui explodido. Mas então ela se calou e continuou a caminhar pesadamente, em silencio.

—--Queria ter a coragem que você tem, você fala com tamanha confiança e simplicidade sobre a profecia, mas confesso que estou morrendo de medo do que acabei de ouvir, mesmo que as probabilidades apontem pra você, eu ainda tenho medo de ser eu o herói da profecia. ---Admitiu Nico seriamente me encarando.

—--Sem o medo, não existiria coragem. ---Disse seriamente o olhando. ---Mas nesse caso, não é coragem o que sinto, não é coragem que me faz seguir em frente, é o amor que me faz seguir em frente.

—--Amor? ---Perguntou Nico confuso.

—--Sim, amor, o amor que sinto pelos meus amigos, o amor que sinto pela minha família, pela minha mãe, meu pai, minha afilhada, o amor que sinto pela Thalia. ---Disse sorrindo para Thalia, um leve sorriso brincou nos seus lábios, mas ela ainda me encarava carrancuda. ---Eu irei fazer de tudo pra proteger eles, sempre.

—--Porque? Você não sente medo de morrer? ---Perguntou Nico.

—--Sim, eu tenho medo de morrer. ---Admiti para ele. ---Porém eu tenho ainda mais medo de viver sem essas pessoas que amo, então não importa o que aconteça comigo, eu sempre vou ter mais medo de viver sem elas, do que tenho medo da morte. ---Disse seriamente. Então com o canto dos olhos eu vi algo se mover rapidamente na nossa direção, sem hesitar com a mão livre que não segurava a planta em minha mão, peguei Contracorrente do bolso, minha caneta esferográfica simples, destampei ela com o meu dedo, a caneta cresceu em minhas mãos até que eu estava segurando uma espada grega de Bronze Celestial, com um 1,55cm de comprimento e punho de duas mãos envolvido em couro, a lâmina brilhava ligeiramente, lançando uma luz dourada. ---Se protejam, não estamos sozinhos. ---Alertei meus companheiros, Thalia girou seu anel de bronze em seu dedo, desta forma ela fez com que sua lança aparece em sua mão, ela bateu em seu bracelete de ouro em seu pulso, desta forma seu escudo Ágeis se formou, um grande escudo redondo feito de ouro, com a cabeça da medusa entalhado nele, uma das criaturas investiu contra Thalia, Thalia colocou seu escudo assustador em sua frente, assim que a criatura viu a imagem do escudo, ela se assustou e gritou e saiu cambaleando para trás. Eu os reconheci de imediato, eram Ghouls, são bestas sanguinárias, habitantes do Mundo Inferior, consomem carne humana viva ou em decomposição, são extremamente vorazes, e uma vez sedentos, realizam feitos inimagináveis para obter alimento, costumam viver em áreas escuras e isoladas como cemitérios no mundo lá de cima, já que são mortos-vivos e não necessitam de alimento constante, podendo passar longos períodos sem se nutrir, sua aparecia era horrenda, um humanoide de dois metros de altura, magro, muito magro, tendo uma magreza que chegava parecer doentia, pele branca como giz, sem pelos, olhos grandes e vermelhos, dentes pontiagudos, alguns usavam roupas maltrapilhas ou estavam nus. ---São Ghouls, e são muitos. ---Disse alertando Thalia, eu via pelo menos algumas dezenas deles, talvez uma centena, eles eram verdadeiros ratos sanguinários do mundo inferior, assustadores e amaldiçoados. Um deles veio na minha direção, cortei ele com Contracorrente o separando ao meio, ele explodiu em pó dourado, mas outro veio e atacou, desta forma começamos nossa batalha, Thalia e Nico estavam bem atrás de mim, institivamente os três estavam de costas um pro outro, desta forma não seriamos atacados por trás. Eu matei dezenas de Ghouls, Nico e Thalia também, Nico era habilidoso com a espada, apesar de ser um pouco lento, com um pouco mais de treinamento em velocidade, se tornaria um ótimo oponente com uma espada em punho.

—--Droga, eles não param de vir. ---Disse Thalia irritada, ela parecia um pouco ofegante já, ela tinha razão, mais e mais Ghouls eram atraídos pelo barulho do combate, acho que eles normalmente não tinham sangue fresco aqui em baixo e eles podiam sentir isso de muito longe.

—--Eles são uma praga aqui em baixo. ---Reclamou Nico, cortando outro Ghoul, sua voz soou bastante cansada, acho que ele não estava em um ótimo físico ainda.

—--Precisamos de um plano, se não ficaremos o resto da vida aqui embaixo lutando com eles. ---Disse seriamente. Eu precisava pensar em algo, comecei a pensar no mito dos ghouls mais afundo, talvez tenha algo que possa me ajudar a combater eles, os Ghouls também são conhecidos como carniçal, é um monstro folclórico associado com cemitérios e que consome carne humana, comumente classificado como morto-vivo, oriundo da mitologia árabe, sua origem, é um monstro canibal que habita debaixo da terra e outros lugares desabitados. O nome de origem da criatura é الغول (ghūl), significando demônio. Carniçal então é o nome de um demônio habitante de desertos que assalta túmulos, bebe sangue, rouba moedas, come cadáveres e que assume a forma de sua última presa, apesar de na realidade eles não terem essa capacidade de assumir a forma ou em alguns mitos ainda mais surreais, eles assumirem as lembranças de quem devoram. Mas então algo me ocorreu, uma fraqueza dos Ghouls, como eles habitam lugares muito escuros, eles não suportam a luz do sol, claridade, então eu tinha uma ideia de poder afasta-los com pouco esforço e sem correr riscos. ---Eu tenho uma ideia. ---Anunciei alto, enquanto cortava mais um ghoul com a minha espada. ---Nico, pegue aqui a planta, preciso das duas mãos. ---Disse chamando ele, ele assentiu, eu joguei a planta para ele, ele pegou ela no alto, mas então um Ghoul apareceu atrás de Nico, que estava distraído segurando a planta que eu joguei para ele, o Ghoul iria atacar ele pelas costas, mas então eu joguei Contracorrente, minha espada girou e cravou-se no peito do Ghoul que explodiu em pó dourado que caiu sobre Nico. Eu me concentrei em formas dois discos de magias em minhas mãos, uma em cada, então eu imaginei as escritas sendo formadas nos discos rapidamente e forneci o Mana para a magia acontecer. ---FECHEM OS OLHOS. ---Alertei gritando bem alto. Então deixei a magia expandir com muita força, a claridade foi intensa e em todas as direções, quase como quando um deus entra em sua forma divina, escutei e vi a centenas de Glouls gritarem de dor e saírem correndo para direção oposta, indo em direção a escuridão, todos eles se afastaram rapidamente, logo não restava mais nenhum Ghoul em um raio de pelo menos 200 metros da gente, então eu comecei a diminuir a magia, até que elas voltaram a ser apenas a claridade comum de uma lanterna, tirando o fato de estarem saindo diretamente do meu disco de magia. ---Pronto, podem abrir os olhos agora. ---Disse para meus companheiros, então eles começaram a abrir os olhos e me encaravam de olhos arregalados.

—--Por um instante, pensei que você estivesse entrando na forma divina de um deus. ---Disse Thalia seriamente.

—--O que é isso em sua mão? ---Perguntou Nico encarando a magia que eu invocava.

—--Isso é magia, mas especificamente uma magia chamada de Fos, traduzindo: Luz. ---Disse para Nico, ele me olhou com uma sobrancelha levantada.

—--Você agora é um bruxo? ---Perguntou ele rindo, ele parecia maravilhado com a magia que eu manipulava.

—--Não exatamente, sou um feiticeiro, aprendiz de feiticeiro na verdade, bem recentemente comecei a aprender isso. ---Disse desfazendo um dos discos de energia e deixando apenas uma das minhas mãos com luz, somente uma delas poderia afastar os Ghouls, duas era um exagero e perca de energia.

—--Desde quando você aprendeu usar magia? Ganhou uma benção de Hécate pra isso? ---Perguntou Thalia confusa.

—--Não preciso da benção de Hécate, outra hora eu explico como funciona a magia pra vocês, agora vamos indo antes que o tempo se esgote. ---Disse seriamente, pegando o cravo magico da mão do Nico. ---Agora eu ilumino e guio na direção certa, enquanto isso vocês lutam. ---Disse seriamente, ambos assentiram já com suas armas em mãos. ---Então continuamos nosso caminho na direção que o Cravo magico nós levava, mas para dentro do Submundo, os campos Asfódelos estava chegando ao fim, eu afastei com a luz alguns Ghouls que ousaram chegar mais perto, mas assim que apontava a luz na direção deles, corriam feito cachorrinhos feridos, Nico ia mais na frente, um pouco afastado da claridade da magia Fos, acho que ele prefere a escuridão do que a claridade, enquanto Thalia estava bem próxima de mim. ---Então? Como a imortalidade está tratando você? ---Perguntei para Thalia, ela revirou os olhos.

—--Não é imortalidade total Percy. Você sabe disso. Nós ainda podemos morrer em combate. É que... nós nunca envelhecemos ou ficamos doentes, o que é muito bom, então vivemos para sempre, contanto que nenhum monstro nos faça em pedaços. ---Conclui Thalia.

—--Isso é sempre um perigo. ---Disse para ela.

—--Sempre. ---Concordou Thalia colocando fim a nossa conversa animada. Continuamos mais alguns metros, Thalia olhava em volta, percebi que observava atentamente os rostos dos mortos, fui tomado por um calafrio. Lembrei que a mãe de Thalia morrerá numa batida de carro alguns anos atrás, elas nunca haviam sido próximas, mas Thalia não teve a chance de se despedir, havia a possibilidade da sombra de sua mãe poderia estar vagando por ali... Era natural que Thalia parecesse exaltada. ---Se eu fosse você não ficaria procurando por ela. ---Nossos olhos se encontraram e eu senti que ela compreendeu do que eu estava falando, sua expressão suavizou.

—--Tudo bem, vamos acabar logo com isso. ---Disse Thalia impaciente. Outra pétala caiu do cravo enquanto caminhávamos, não fiquei feliz quando a flor nos indicou a direção dos Campos da Punição, eu até tinha esperanças ingênuas de que pudéssemos ser conduzidos para os Campos Elíseos para estar com pessoas bonitas e festejar, mas não, a flor parecia gostar da parte mais difícil e cruel do Mundo Inferior, pulamos um córrego de lava, que eu fiquei em dúvida se era apenas lava comum ou o rio de fogo do submundo, mas não parei para confirmar, estava com o prazo apertado. Então seguimos caminho por entre horríveis cenas de tortura, não vou descrevê-las porque você perderia completamente o apetite, a grande maioria delas eu já havia sentido na pele, então não gostava nenhum pouco de lembrar daquilo, mas eu gostaria de estar com algodão nos ouvidos para parar com os gritos. O craveiro se inclinou para uma colina a nossa esquerda.

—--Lá em cima ---Disse eu apontando para onde o craveiro mandou. Thalia e Nico pararam, eles estavam cobertos de fuligem negra por caminhar pelos Campos da Punição e pó dourado dos Ghouls que destruíram. Acho que eu não estava muito melhor. Um som alto e opressor vinha do outro lado da colina, como se alguém puxasse uma máquina de lavar gigantesca. Então, a colina foi sacudida por um BOM! BOM! BOM! e um homem xingou. Thalia me olhou.

—--Esse não é quem eu estou pensando que é, é? ---Perguntou ela.

—--Acho que sim. ---Responde seriamente. ---O maior especialista em enganar a morte. ----Antes que Nico pudesse perguntar o que eu e Thalia queríamos dizer, eu os levei até o topo da colina. O cara do outro lado não era nada bonito, e não estava feliz, parecia um daqueles bonecos de troll com a pele laranja, barrigão, braços e pernas mirrados e com um tipo de tanga-fralda envolta na cintura, tinha mais o menos 1,80cm, seus cabelos de rato estavam eriçados para o alto como uma tocha, ele pulava de um lado para o outro xingando e chutando uma pedra duas vezes maior que ele. Eu conhecia ele e sua história, Sísifo em grego: Σίσυφος, transl.: Sísyphos), filho do rei Éolo, da Tessália, e Enarete, era considerado o mais astuto de todos os mortais comuns. Foi o fundador e primeiro rei de Éfira, depois chamada Corinto, onde governou por diversos anos, casou-se com Mérope, filha de Atlas, sendo pai de Glauco e avô de Belerofonte. Mestre da malícia e da felicidade, ele entrou para a tradição como um dos maiores ofensores dos deuses, ele odiava seu irmão Salmoneu; perguntando a Apolo como ele poderia matar seu inimigo, o deus respondeu que ele deveria ter filhos com Tiro, filha de Salmoneu, que o vingariam. Dois filhos nasceram, mas Tiro, descobrindo a profecia, os matou. Sísifo se vingou. Outra vez, uma grande águia sobrevoou sua cidade, levando nas garras uma bela jovem, Sísifo reconheceu a jovem Égina, filha de Asopo, um deus-rio. Mais tarde, o velho Asopo veio perguntar-lhe se sabia do rapto de sua filha e qual seria seu destino. Sísifo logo fez um acordo: em troca de uma fonte de água para sua cidade, ele contaria o paradeiro da filha. O acordo foi feito e a fonte presenteada recebeu o nome de Pirene. Assim, ele despertou a raiva do grande Zeus, que enviou o deus da Morte, Tânato, para levá-lo ao mundo subterrâneo, porém o esperto Sísifo conseguiu enganar o enviado de Zeus. Elogiou sua beleza e pediu-lhe para deixá-lo enfeitar seu pescoço com um colar, o colar, na verdade, não passava de uma coleira, com a qual Sísifo manteve a Morte aprisionada e conseguiu driblar seu destino. Durante um tempo não morreu mais ninguém, Sísifo soube enganar a Morte, mas arrumou novas encrencas, desta vez com Hades, o deus dos mortos, e com Ares, o deus da guerra, que precisava dos préstimos da Morte para consumar as batalhas sangrentas, tão logo teve conhecimento, Hades libertou Tânato e ordenou-lhe que trouxesse Sísifo imediatamente para as mansões da morte. Quando Sísifo se despediu de sua mulher, teve o cuidado de pedir secretamente que ela não enterrasse seu corpo. Já no inferno, Sísifo reclamou com Perséfone da falta de respeito de sua esposa em não o enterrar. Então suplicou por mais um dia de prazo, para se vingar da mulher ingrata e cumprir os rituais fúnebres. Perséfone que era um pouco mais bondosa que Hades, lhe concedeu o pedido. Sísifo então retomou seu corpo e fugiu com a esposa. Havia enganado a Morte pela segunda vez. Sísifo recebeu esta punição: foi condenado a, por toda a eternidade, rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível, invalidando completamente o duro esforço despendido, se tornando um círculo vicioso que eu estava vendo nesse exato momento.

—--Não vou! ---berrava ele muito irritado. ---não, não, não! ---Então, ele lançou uma sequência de pragas em vários idiomas diferentes, se eu tivesse um daqueles potes que você coloca uma moeda para cada palavrão, teria feito uns quinhentos dólares nesses últimos dois minutos que estávamos observando ele. Ele começou a se afastar da pedra, mas, depois de dez passos, deu uma guinada, como se uma força invisível o puxasse. Cambaleou de volta e começou a bater com a cabeça na pedra. ---Tudo bem! ---Gritou. ---tudo bem, maldito seja! ---Ele coçou a cabeça e resmungou mais alguns palavrões. ---Mas essa é a última vez. Você está me ouvindo?

—--Vamos falar com ele, enquanto ele não tenta de novo. ---Nós descemos a colina. ---Sísifo. ---chamei ele, o cara de troll levantou os olhos, surpreso. Depois arrastou-se para trás da pedra.

—--Ah, não! Vocês não vão me fazer de idiota com esses disfarces. Eu sei que vocês são Fúrias! ---Acusou ele.

—--Não somos Fúrias ---Retrucou Nico. ---Só queremos conversar.

—--VÃO EMBORA. ---Gritou ele. ---Flores não melhoram a situação. É muito tarde para se desculpar!

—--Veja, nós queremos apenas... ---começou Thalia a dizer, mas ele começou a gritar.

—--Lá, lá, lá! ---Berrou ele. ---Não estou escutando! ---Brincamos de pega-pega com ele em torno da pedra até que finalmente Thalia, a mais rápida, agarrou o velho pelos cabelos.

—--Parem. ---Choramingou ele. ---Eu tenho pedras para empurrar. Pedras para empurrar!

—--Eu empurro sua pedra! ---Ofereceu Thalia. ---Apenas cale-se e fale com meus amigos. ---Assim que ela ofereceu isso, Sísifo parou de resistir.

—--Você vai... vai empurrar minha pedra? ---Perguntou o espirito sofredor incrédulo.

—--É melhor que ficar olhando para você. ---Disse Thalia, então ela me olhou seriamente. ---Seja rápido com isso. ---Então ela conduziu Sísifo até nós. Ela apoiou os ombros contra a pedra e começou a empurrá-la bem devagar para cima. Sísifo fez cara feia para mim, desconfiado, então ele tentou beliscar meu nariz, mas eu me afastei antes disso.

—--Então você realmente não é uma Fúria. ---Concluiu maravilhado. ---Para que a flor?

—--Procuramos uma pessoa. ---Respondi. ---A planta está nos ajudando a encontrá-la.

—--Perséfone. ---Ele cuspiu no chão do submundo. ---Esse é um dos seus artifícios de busca, não é? ---Ele se inclinou para frente e senti um bafo desagradável de velho-que-está-rolando-uma-pedra-por-uma-eternidade que quase me fez cair de costas. ---Eu a fiz de boba uma vez, sabe, eu fiz todos eles de bobos. ---Nico olhou para mim.

—--Tradução? ---Perguntou-me ele.

—--Sísifo enganou a morte. ---Expliquei para Nico. ---Primeiro ele acorrentou Tânatos, o ceifador de almas, para que ninguém pudesse morrer. Então, quando Tânatos se libertou e estava prestes a matá-lo, Sísifo disse a esposa que fizesse um funeral com os rituais errados, para que ele nunca descansasse em paz, seu corpo nunca foi enterrado, desta forma ele pediu para Perséfone que o deixasse retornar ao mundo mortal, para se vingar da esposa que o desonrou em morte, ele enganou Perséfone, ela cedeu, mas era um truque, ele não retornou para cá. ---O velho gargalhou feliz com a lembrança.

—--Continuei vivo outros trinta anos antes que eles finalmente viessem atrás de mim! ---Disse o velho feliz. Dei uma olhada para o lado, Thalia estava na metade do caminho agora. Ela cerrava os dentes, empurrando a pedra com as costas. Sua expressão dizia: Apressem-se!

—--Então essa foi a sua punição. ---Conclui Nico para Sísifo. ---Rolar uma pedra até o alto da colina para sempre. Valeu à pena?

—--UM RETROCESSO TEMPORÁRIO. ---Gritou ele para Nico. ---Eu vou sair daqui em breve, e quando eu sair, todos lamentarão!

—--Como você vai sair do Mundo Inferior? ---Perguntou Nico. ---Está trancado, você sabe disso?! ---Disse Nico, Sísifo forçou um sorriso fraco.

—--Isso foi o que o outro me perguntou. ---Disse ele, eu olhei para ele sorrindo, então estávamos falando com o cara certo.

—--Alguém mais pediu a sua opinião? ---Perguntei seriamente.

—--Um jovem irritado. ---Sísifo lembrou. ---Não muito educado, colocou uma espada na minha garganta, não se ofereceu para rolar a minha pedra nem nada.

—--O que você disse a ele? ---Quis saber Nico. ---Quem ele era? ---Sísifo massageou os ombros, ele olhou de relance para Thalia, que estava quase no topo da colina, o rosto dela estava vermelho e encharcado de suor.

—--Ah... é difícil dizer. ---Sisifo respondeu sem vontade. ---Nunca o vi antes. Ele carregava um pacote longo todo embrulhado em tecido preto, Esquis, talvez? Uma pá? Uma espada? Talvez, quem sabe se vocês esperarem aqui eu possa ir procurá-lo...

—--O que você disse a ele? ---Perguntou Nico.

—--Não lembro. ---Nico apontou sua espada na garganta dele. O ferro Estígio era tão frio que produziu vapor no ar quente e seco dos Campos da Punição.

—--Faça um esforço. ---Disse Nico sorrindo sinistramente, Nico até tinha jeito para um guerreiro durão, só precisava deixar de ser magricelo e ganhar alguns músculos. O velho fantasma estremeceu.

—--Mas que tipo de pessoa carrega uma espada como essa?

—--Um filho de Hades. ---Disse Nico. ---Agora me responda! ---Ordenou Nico, Sísifo ficou pálido.

—--Eu disse a ele que falasse com Melione! Ela sempre tem uma saída! ---Nico baixou sua espada e me encarou. Eu senti um calafrio percorrer minha espinha, ao ouvir aquele nome, Melinoe, é a deusa dos fantasmas e também das oferendas e cerimônias fúnebres, todas as noites essa deusa vagava pela terra com uma legião de fantasmas, assustando todos que passassem por seu caminho, este seria umas das razões pelos quais os cães ladram sem motivo algum durante a noite, ela é filha de Zeus, que para seduzir Perséfone, rainha do mundo dos mortos, se metamorfoseou no seu marido, Hades e teve relações com a própria filha. Na maior parte do tempo, eu me sentia enojado de pensar em como Zeus era um ser terrível as vezes, mesquinho e extremamente egoísta, fazer isso com sua própria filha, não gosto de lembrar disso. Mas o fato é que Melione é barra pesada.

—--Você está maluco? ---Disse irritado para Sisífo. ---Isso é suicídio!

—--Já enganei a morte antes. Posso fazer isso de novo. ---Disse o velho, dando de ombros.

—--Como era esse semideus? ---Perguntou Nico.

—--Hum... ele tinha um nariz ---Disse Sisífo a contragosto. ---Uma boca. E um olho e...

—--Um olho? ---Interrompi ele, não conhecia nenhum semideus com apenas um olho, mas saber disso ajudava facilmente diferenciar este semideus.

—--Ele usava tapa-olho? ---Perguntou Nico rindo, eu também tive que rir.

—--Ah... talvez sim. ---Respondeu ele ---Mas ele também tinha cabelos na sua cabeça. E... ---Ele arfou e apontou por cima do meu ombro, fingindo estar extremamente alarmado, eu havia percebido o truque, a forma que ele estava respondendo minhas perguntas, ele estava ganhando tempo para planejar uma fuga. ---lá está ele! ---Nico não era tão malandro, então ele caiu nessa, assim que Nico se virou, Sisífo escapou colina abaixo. Não me dei ao trabalho de correr atrás dele, sabia que ele não iria muito longe.

—--Estou livre! Estou livre! Estou... ARGH! ---A três metros da colina, sua corrente invisível estendeu-se ao máximo e ele caiu de costas, eu ri do tombo que ele levou, foi um belo tombo. Fui até ele e eu e Nico agarramos seus braços e o rebocamos de volta. ---Malditos sejam! ---Ele soltou xingamentos em grego antigo, latim, inglês, francês e muitas outras línguas que eu não reconheci de tão antigas. ---Nunca vou ajudá-los! Vão para o Hades!

—--Já estamos nele. ---Resmungou Nico.

—--Chegando. ---Thalia berrou chamando minha atenção. ---Não, não, não escapa... merda. ---Levantei os olhos e devo ter falado palavrões, a pedra descia a encosta, bem na nossa direção. Nico pulou para o lado, mas eu não pulei para outro, fiquei parado, Sísifo gritou:

—---NÃÃÃÃÃO! ---Enquanto a coisa fazia o caminho até nós dois, então eu levei minha mão a frente e parei a pedra com facilidade, ela não era muito pesada.

—--Incrível, que força maravilhosa. ---Disse Sisífo eufórico, vendo a facilidade que eu tinha parado a pedra. ---Você conseguiria facilmente parar a pedra lá em cima.

—--Conseguiria, mas isso não é meu trabalho. ---Disse sorrindo para ele, seus olhos se arregalaram quando ele percebeu o que eu estava prestes a fazer.

—--NÃOOO... ---Gritou ele, mas já era tarde demais, eu dei um empurrãozinho na pedra para cima e saltei para o lado, deixando a pedra descer por cima de Sisífo, mas então ele agarrou e parou a pedra, ele não era assim tão fraco quanto parecia. ---POR FAVOR, PEGUE-A DE NOVO. ---Gritou ele. ---Por favor, não posso aguentar mais.

—--De novo não, já deu pra mim. ---Ofegou Thalia parando ao meu lado, ela estava cansada. ---Agora é com você. ---Ele nos tratou com uma linguagem bem pior. Estava claro que não ia nos ajudar mais, então o deixamos com sua punição.

—--A caverna de Melione é por aqui. ---Disse eu apontando para a esquerda, onde o cravo mágico indicava. ---Mas se vamos lidar com Melione, temos grandes problemas, vamos. ---Enquanto nos afastávamos, Sisífo gritava.

—--Tudo bem, mas essa é a última vez. Estão me ouvindo? A última vez que tento subir com essa droga de pedra! ---Pude ouvir os gritos de Sisífo. Thalia tremeu.

—--Você está bem? ---Perguntei a ela.

—--Acho que... ---Ela hesitou o que quer que fosse dizer, eu entendia, aquela pedra era mágica ou encantada a querer fazer você subir ela até o topo, os poucos segundo que tive com ela em mãos, eu senti a vontade de tentar subir com ela até o topo. ---Percy, o assustador é que quando eu cheguei ao topo, achei que tinha acabado. Pensei “Isso não é tão difícil. Posso fazer a pedra ficar”. E quando ela rolou de volta, eu quase me entusiasmei a tentar de novo. Achei que pudesse conseguir numa segunda vez. ---Ela olhou para trás melancolicamente.

—--Vamos. ---Disse eu apertando os ombros de Thalia e sorrindo confiante para ela, ela sorriu de volta. ---Quanto mais cedo sairmos daqui, vai ser melhor.