Percy Jackson o Guerreiro Sem limites
105 Capítulo 105
Notas iniciais
POV: Perseus Heitor Jackson.
—--ELE VAI MATAR TODOS NÓS. ---Gritou outro.
—---ELE É AQUELE MALDITO DO PAI DELE. ---Gritou mais um deles.
—--Não... ---Tentei argumentar.
—--SEU MONSTRO, ASSASSINO DE CRIANÇAS. ---Disse outra voz atrás de mim, me virei e vê um Tritão, seu rabo de peixe da cintura para baixo e corpos humanos da cintura para cima, exceto pela pele, que era azul, seus olhos eram de um verde brilhante, como aquele fluído que se coloca dentro daquelas pulseiras fluorescentes, e seus dentes eram como os de um tubarão, mas ele era grande e musculoso, mais que os demais Tritões que eu conheci, ele estava com uma espada de Bronze de dois gumes, 1 metro e meio de lâmina, em suas mãos, era Singer, pai do Swirl, e ele não parecia nada feliz.
—--Foi um acidente. ---Disse para ele.
—--ACIDENTE? ---Gritou o Tritão irado, ele colocou sua espada em guarda, apontando ela na minha direção. ---Acidente vai ser eu partir sua cabeça, arrancar ela dos seus ombros. ---Dizendo isso, ele partiu para cima, mas antes que ele pudesse me alcançar, alguns outros Tritões chegaram, dois deles, agarraram Singer.
—--Calma cara, isso só vai te prejudicar. ---Disse um dos outros Tritões, Singer se debatia, tentando se soltar para me atacar, eu estava paralisado.
—--ELE MATOU MEU FILHO, MEU FILHO, ME SOLTEM. ---Gritava Singer tentando se soltar.
—--Tire-o daqui. ---Ordenou Ligea, tomando controle da situação, tudo havia fugido do controle.
—--Sim, senhora. ---Disse um dos Tritões que não estava segurando Singer, este fez um sinal com a mão, então eles começaram a arrastar com dificuldades o Tritão irado para outro lugar.
—--EU VOU TE PEGAR, ASSASSINO DE CRIANÇAS, EU VOU ME VINGAR, GUARDE MINHAS PALAVRAS, VOU ME VINGAR PELO QUE VOCÊ FEZ COM SWIRL. ---Berrou o Singer, eles arrastaram ele, até sumir de vista, depois sua voz foi sumindo também, até ficar um longo silencio. Os malditos pensamentos começaram a bombardear minha cabeça, eu havia matado uma criança, uma criança monstro, mais mesmo assim, era uma criança, qual era a diferença de Swirl para uma criança comum, uma criança semideus? nenhuma, meu peito doía, eu nunca pensei que tivesse que matar uma criança, eu me sentia ainda pior do que quando eu matei aquele semideus, Cris Rodrigues, ele era apenas uma criança que tinha sofrido uma lavagem cerebral, ele tinha razão, todos eles tinham razão, eu era mesmo um assassino.
—--General. ---Disse uma voz, me tirando dos meus pensamentos, eu ergui minha cabeça, para olhar o rosto, seus olhos estavam lacrimejando. ---Tudo bem? ---Perguntou ela docemente.
—--Sim, eu acho que está. ---Consegui dizer, eu olhava pra baixo, não conseguia encarar Ligea.
—--Precisamos acabar aqui. ---Disse ela, eu assenti lentamente,
—--Sim, vamos acabar aqui. ---Responde, então me caminhei de volta ao meu lugar, para continuar com meu trabalho, acabar de colocar todos os prisioneiros, não faltava muito, na verdade, apenas uns três. Mas eu mal dei um passo para ir para meu lugar, eu vê a adaga no chão, ainda manchada de sangue azul do Swirl, sangue que eu derramei, de uma criança, de um ser vivo tão novo, ele nunca sentiu o amor, nunca sentiu um calor de uma mulher, ele só sentiu ódio e raiva, é acabou morto, pelas minhas próprias mãos, meu poder. Eu me agachei e peguei a adaga do chão, assim que eu me endireitei com ela na minha mão, um dos pequenos Tritões, que chorava baixinho, gritou comigo.
—--SEU ASSASSINO, VOCÊ MATOU MEU MELHOR AMIGO.
—------------------------------------ Quebra de Tempo. -----------------------------------------------------------------------------------------
Depois de acabarmos de colocar o restante dos pequenos Tritões nas suas celas, sem nenhum novo problema felizmente, tirando o fato de ser tachado de assassino todo o tempo, Esmeralda tinha razão, apesar de ser pequenos, apenas crianças, eles tinham maldade, vontade de matar, é mesmo que eu não tivesse agido com intenção de matar Swirl, eu o matei, e nem mesmo o fato de eu ter agido, para que Ligea agora, não estivesse morta ou no melhor dos casos, gravemente ferida, eu realmente não queria que aquele Tritão tivesse que morrer, eu me senti um verdadeiro demônio, um amaldiçoado, eu matei muitos seres, monstros, deuses, até mesmo semideuses, mas nenhum deles, doeu tanto quanto Swirl, o tanto de dor que estava sentindo agora, eu nunca havia sentido aquilo antes. Balancei a cabeça, afastando aqueles pensamentos, eu não podia pensar assim, eu precisava me manter firme e forte, coisas piores irão acontecer nesta guerra, Swirl era um louco, estava louco, cego de ódio, ódio implantado por Oceano e seus aliados malditos. Bem, decidi que iriamos descansar aqui um pouco, antes de irmos de volta a Atlântida, de qualquer forma, sabia que não iria participar agora das batalhas, haviam arrumado um quarto rapidamente no palácio pra mim, mas me decidi não ficar nele, e resolvi dar uma volta na cidade Rodes, para tentar distrair a cabeça, afastar aqueles terríveis pensamentos que inundavam minha mente o tempo todo. Comecei a caminhar em direção a cidade, bem a cidade de Rodes, era tão bela quanto a de Atlântida, era linda, magnífica, haviam várias casas, feitas de tantos tipos de materiais e cores distintas, as ruas eram um verdadeiro encanto, haviam pérolas e pedras preciosas por suas calçadas e ruas, e diferente de Atlântida, as ruas estavam entupidas de criaturas marinhas, tubarões, polvos, ninfas, sereias, então eu vê um pequeno Tritão, ainda menor que Swirl, porém era tão parecido, de imediato a imagem de Swirl se esfaqueando, veio na minha mente, todo aquela merda aconteceu por causa da minha ação, o sangue azul se diluindo aos poucos na água, seu rosto desfigurado de dor, a imagem não saia da minha cabeça.
—--Senhor General. ---Disse uma voz, chamando minha atenção, me virei e me deparei com algumas criaturas, Ciclopes pequenos, ainda menores que o Tyson, realmente filhotes, acompanhados de Ciclopes fêmeas, algumas ninfas, as que eram provavelmente suas mães, também haviam pequenos Tubarões, filhotes, golfinhos, e outros peixes, eram os civis que evacuamos da cidade, eles pareciam excitados, fascinados. ---Você é mesmo o Príncipe General, Perseus? ---Perguntou um dos pequenos Ciclopes, ele me lembrava o Tyson, porém seu grande olho, era preto.
—--Sim, eu sou o General Perseus. ---Disse forçando um sorriso. Assim que confirmei quem era eles ficaram ainda mais agitados, começando murmurar uns com os outros, coisas do tipo: “Eu disse, era ele.” Ou também, “Me dá um autografo” Ou “Como ele é incrível.” Ou até mesmo, “Ele não me parece grande coisa.”. Foram tantas coisas e tão rápido, que fiquei atordoado, não sabia o que fazer, era a primeira vez que estive tão perto de monstros, criaturas marinhas, que realmente me idolatravam e me tratavam bem, sempre tive receio deles, mesmo que sejam apenas filhotes, eles são monstros.
—--“Está bom crianças, agora vão, deixem o General respirar um pouco.” ---Disse uma voz na minha mente, ela vinha de trás de mim, me virei e dei de cara com um enorme tubarão branco, devia ter pelo menos uns 6 metros de comprimento, mas eu notei ser uma fêmea, já que sua voz em minha mente, suou mais suave e feminina.
—--AAAHHH... ---Reclamaram as pequenas criaturas, em uníssono, o que suou meio esquisito é um tanto quanto familiar e comum.
—--“Nada de reclamar, vamos, vamos, ele é uma pessoa ocupada.” ---Disse a senhorita tubarão, ele nadou lentamente para frente, passando do meu lado, cutucando as criaturas para longe, elas saíram resmungando e triste. A enorme predadora, se virou na minha direção. ---“Se deixar, eles vão querer ser carregados nos braços.” ---Disse ela rindo, o que fez ela dar um sorriso com aqueles assustadores dentes.
—--É um pouco novo para mim e...
—--“Estranho? Confuso?” ---Perguntou ela me interrompendo, assenti sorrindo sem graça.
—--Para um semideus, não se é comum ver essas coisas, eles agem como se fossem...
—--“Apenas crianças?!” ---Respondeu ela para mim, assenti sem graça. ---“Senhor príncipe, desculpe a grosseria, mas não importa o lugar, a raça, se é humano, monstro ou criatura marinha, crianças são apenas crianças.” ---Disse ela em minha mente.
—--Eu confesso que nunca tinha parado para pensar sobre isso. ---Disse para ela.
—--“Com licença, vossa majestade, tenho meus afazeres.” ---Dizendo isso, ela se curvou na minha direção e partiu para o outro lado. Assim que ela se foi, parei para pensar no que ela disse, nunca tinha pensado nisso antes, mas ela tinha toda a razão, “...Não importa o lugar, a raça, se é humano, monstro ou criatura marinha, crianças são apenas crianças.” Aquele pensamento, me fez sentir ainda pior, fez eu pensar no quão monstruoso foi minha ação, eu tirei a vida de uma criança, não importa que era um Tritão, ele era uma criança, como todas aquelas que eu vi a pouco, meigas, inocentes, entusiasmada com a vida, mesmo que sabiam que uma guerra estava acontecendo, elas estavam a parte de toda aquela loucura, elas eram puras. Parei na entrada da cidade, e olhei mais adentro, todas as luzes, barulhos, as criaturas que ali estavam, as ruas estavam entupidas, para onde eu olhava via alguma criatura, aquilo me deixou feliz, o reino do meu pai, era incrível, ele era um bom rei. Estava prestes a retornar para meu quarto, estava tão perdido em meus pensamentos, que nem vê a aproximação, um solavanco, é eu estava no alto, nos ombros de um Ciclope.
—--OLHA O QUE EU ACHEI AQUI PESSOAL, O GENERAL PERSEUS. ---Gritou o Ciclope, chamando atenção de várias das criaturas, que se voltaram na minha direção.
—--Não, espera um pouco... ---Tentei argumentar com o enorme Ciclope que começou a andar para o meio da rua, me levando para a galera.
—--EU QUERO OUVIR UM VIVA AO GENERAL. ---Gritou o Ciclope alto, para todos ouvissem, eu ainda tentei argumentar, só que agora já tinha fugido do meu controle a situação, todos os olhos estavam em mim, todos me olhavam e começavam a se aglomerar a minha volta. Sem demorar ao insulto do ciclope, uma gritaria começou a ser ouvida.
—--VIVA, VIVA, VIVA.
—-------------------------------------- Quebra de Tempo. ----------------------------------------------------------------------------------------------
Eu havia finalmente conseguido escapar da multidão de súditos do meu pai, eles eram bastantes animados, me carregaram entre a multidão me saldando, como se eu fosse alguma espécie de herói, coisa que não sou, pelo menos para eles não. Depois de toda aquela bajulação sem sentido, eu finalmente consegui chegar no meu aposento, que prepararam para mim, haviam tirado a água dele, ele era enorme, muito branco para meu gosto, apesar de já estar acostumado com isso, o palácio por dentro era incrível, Roda podia ter muitos defeitos, mas mau gosto para arquitetura não era um deles, muito pelo contrário. Estava tão distraído, foi quando percebi que havia uma luz estranha no quarto, cores de arco-íris tremeluziam através do vapor, apesar de não haver nenhuma luz no quarto, exceto a lâmpada do banheiro, que eu estava prestes a entrar, então uma voz melódica e muito conhecida falou, era a voz de Íris, mas era uma mensagem gravada é claro.
—--Você tem uma mensagem, aceita?
—--Aceito. ---Respondi, a névoa tremulou, então uma imagem se formou na névoa, uma mulher, mais especificamente o rosto de uma linda mulher, sua pele branca como a neve, seus poderosos e lindos olhos castanhos claros, seu cabelo tinha quase a mesma cor dos olhos, ele era liso e longo, ela sorria feliz, era minha mãe, ela me mandava mensagens de Íris quase todos os dias, na verdade, estava mais para quase toda hora.
—--Percy, que bom ver seu rosto, meu amor. ---Disse ela sorrindo.
—--Mamãe, você me manda mensagens quase todos os dias. ---Disse rindo, ela fechou a cara.
—--Mau agradecido. ---Disse ela nervosa, mas logo sua expressão suavizou-se. ---Então meu bebê, como andam as coisas? ---Perguntou ela sorrindo, eu ri, só Dona Hera, minha mãe, pra me fazer rir em um momento como esse.
—--Estão bem, mamãe, eu estou em missão, escoltar alguns prisioneiros, que se renderam e pediram anistia, de Atlântida até Rodes...
—--O que aconteceu? ---Perguntou ela me interrompendo, a olhei espantado.
—--O que? Como assim? ---Perguntei confuso. Ela revirou os olhos.
—--Anda, falo logo, tem algo estranho em você. ---Disse ela seriamente.
—--Como você sabe? ---Perguntei espantado.
—--Rapaz, eu limpei sua bunda, te conheço melhor do que você mesmo. ---Disse ela sorrindo, eu ri, Dona Hera sendo Dona Hera. ---Agora fala, o que aconteceu? ---Perguntou ela, eu parei para pensar, eu realmente estava me sentindo mau, me sentia um verdadeiro lixo, sentia-me um monstro, matar uma criança, uma vida tão jovem, no que eu era melhor do que os Titãs? Na minha opinião em nada. Mas olhando ali para a imagem da minha mãe, me olhando com olhos preocupados, eu decidi desabafar com ela, somente ela poderia me ajudar, ela sempre me ajuda, como eu disse para o Nico, toda a ajuda possível nos momentos difíceis era bem vindo, ainda mais de uma pessoa como minha mãe.
—--Eu matei uma criança. ---Disse tristemente, olhando para baixo, pude ouvir ela suspirar surpresa com a minha resposta.
—--Como assim? ---Perguntou ela confusa.
—--O nome dele era Swirl, ele era um jovem Tritão, jovem demais para ter vivido o suficiente para uma batalha. ---Disse com lágrimas nos olhos, pude sentir meu rosto se banhando em lágrimas, meu peito se afundou de dor e raiva.
—--Percy, meu amor, me explica melhor o que aconteceu. ---Disse minha mãe docemente.
—--Estávamos colocando os prisioneiros em suas celas, tudo estava ocorrendo bem, mas então, Swirl, roubou uma adaga da capitã Ligea, é iria esfaquear ela, eu estava longe demais para segura-lo, então, eu fiz a água entre eles, solidificar, mas a adaga ricocheteou e.... ---Me interrompi, eu sentia meu corpo tremer de fúria, raiva de mim, a imagem de Swirl era um tormento constante na minha cabeça.
—--Percy, não precisa dizer mais nada. ---Disse minha mãe, docemente. ---Querido, olha pra mim. ---Incentivou ela, levantei meu rosto, para olhar sua imagem, ela me olhava com seus lindos olhos castanhos vermelhos, molhados de lágrimas, mas eles demonstravam amor, compaixão, bondade, aquilo me fez sentir melhor de imediato, mesmo que fosse apenas um pouco melhor. ---Meu amor, aquilo foi um acidente, você nunca quis matar Swirl, você apenas quis defender a Capitã Ligea, você não tem que se culpar por isso, meu amor.
—--Não é só por causa disso, mamãe. ---Disse tristemente.
—--Como assim?
—--Swirl, os outros Tritões jovens, eles estão na guerra por minha causa, por minha culpa. ---Disse chorando.
—--Como assim? Como pode ser sua culpa? ---Perguntou ela confusa.
—--Eles estão atrás de vingança, pelo que eu fiz com Tritão, eles são apenas crianças mãe, estão sendo manipulados para participarem da guerra, todos os outros Tritões jovens que morreram, na guerra, eles não deviam estar participando, eles estão participando por que querem me matar, como eu matei o deus deles...
—--Filho. ---Disse ela me interrompendo. ---Não é sua culpa, é culpa do próprio Tritão é do maldito do Oceano, ele é manipulador, ele brinca com a cabeça das pessoas facilmente, a culpa é dele...
—--Mas foi minha ação que causou a morte daquela criança. ---Disse a interrompendo. ---Você devia ter visto a reação do pai dele, a raiva e ódio em suas palavras, as coisas horríveis que eles me chamaram, a raiva de todos eles. ---Disse sentindo meu rosto se banhar em lágrimas e meu peito se afundar de dor. ---Eles... eles me chamaram... de assassino de crianças.
—---------------------------------------- Quebra de Tempo. ------------------------------------------------------------------------------------------
Depois de muita conversa com a minha mãe, ela conversou comigo por horas, eu finalmente consegui me sentir um pouco melhor, ela me disse muitas coisas, disse que eu não tive culpa, e que aquele pequeno Tritão já não estava mais em si, e que tinha sido um acidente, e que eu não devia me culpar, sinceramente eu me sentia melhor, mais ainda sim, eu não me sentia absolvido desse pecado, aconteceu, nada muda isso, mesmo eu querendo ou não, matar o pequeno tritão, ele morreu e foi minha culpa. Assim que acabei de tomar meu longo banho, deixando a água escorrer pelo meu corpo, tentando deixar que ela também lavasse minha culpa, os pensamentos ruins, eu deitei na cama, demorei a pegar no sono, mas quando finalmente consegui, o sonho não demorou para vir, eu estava em um lugar que a muito eu não via, ele não havia mudado em nada, eu estava em uma sala, a sala tinha um clima pesado, o ar pesado, o camarote era lindo em si, com seus objetos caríssimos, o que era a parte linda: enormes janelas curvas ao longo da parede dos fundos, dando para a popa do navio. Mar verde e céu azul se estendiam até o horizonte. Um tapete persa cobria o chão. Dois sofás de pelúcia ocupavam o meio da sala, uma cama com dossel em um canto e uma mesa de jantar de mogno no outro e outras coisas, mas ao mesmo tempo que tinha essa beleza, era horrível. A parte horrível: sobre uma plataforma de veludo no fundo sala havia um caixão dourado de três metros, um sarcófago, decorado com cenas de cidades da Grécia Antiga em chamas e heróis morrendo de modo pavoroso, apesar da luz do sol que se filtra pelas janelas, o caixão fazia a sala inteira parecer fria, ele emanava ainda mais energia maligna que antes, era o sarcófago de Cronos, Rei, Soberano dos Titãs, Titã representativo do tempo, é filho de Gaia e Urano, é mesmo apesar de ser o mais novo, foi o único a revoltar-se contra Urano, a pedido de Gaia e com a ajuda da mãe, Cronos recebeu uma foice da mãe e usou dela para castrar o pai logo quando ele foi unir-se a ela, com a derrota do deus celeste, Cronos assumiu a soberania do universo e governou de forma bem mais maligna que o pai, além disso, ele era com a Titânide Reia, pais dos deuses antigos, Deméter, Hades, Hera, Héstia, Poseidon e Zeus.
—--Finalmente nos encontramos. ---Disse uma voz grossa atrás de mim, me virei em um pulo, era um homem, aparentava ter por volta dos 25 anos, ele era alto, 1.90cm, sua pele era muito branca, pálida, ele tinha uma expressão sorridente, mas não era um sorriso bondoso, era um sorriso meio sinistro, maldoso, ele tinha cabelos brancos como a neve, lisos e longos, caindo por suas costas, ele tinha uma barba grande e branca, assim como aqueles olhos assustadores, que emanavam energia, totalmente brancos, sem pupila ou íris, seu corpo era muito musculoso, forte, ele estava com seu peito nu, ele usava um saiote preto, que ia até a metade das pernas, ele usava um tipo de sandália antiga, elas subiam em muitas tiras, por sua panturrilha, ele tinha algo semelhante em seu antebraço, tiras de coros por todo antebraço.
—--Quem é você? ---Perguntei rispidamente, me colocando de guarda, destapei Contracorrente, minha caneta esferográfica simples, cresceu em minhas mãos, pesando, até que eu estava segurando uma espada grega de Bronze Celestial, com um 1,55cm de comprimento e punho de duas mãos envolvido em couro, a lâmina brilhava ligeiramente, lançando uma luz dourada, ele em resposta, olhou para minha espada é sorriu de escarnio, tá, já não gostei dele, seja quem for.
—--Você não é tão inteligente assim. ---Zombou o homem de cabelos brancos, ele acenou com a mão, fazendo Contracorrente desaparecer da minha mão, olhei por um momento para ele, espantado, nunca vi alguém fazer isso com uma arma divina, nem mesmo o mais poderoso dos deuses, poderia fazer isso, a menos que fosse uma ilusão. Pouco importa, o que eu queria mesmo saber, era quem era aquele ser, não fazia a menor ideia, mas com certeza era muito poderoso.
—--Ser inteligente é uma coisa, agora adivinha é outra. ---Disparei para ele, o que o fez sorrir. ---Quem é você? Responda.
—--Eu sou seu avó, sou o lorde Titã, Cronos. ---Disse ele sorrindo, senti uma frio percorrer minha espinha, aquele era o rei titã, um dos inimigos mais terríveis do Olimpo.
—--Você é Cronos?! Você escapou do seu sarcófago? ---Perguntei para ele, ele sorriu de escárnio.
—--Infelizmente não, não estou tão forte assim. ---Disse ele sorrindo, senti um alivio no meu peito. ---Não fique tão feliz, garoto, não falta muito para eu estar forte o bastante, para realmente sair daquele maldito lugar. ---Disse o lorde titã irritado, apontando para o sarcófago de ouro.
—--Pra alguém que passou os últimos milênios naquele lugar apertado, você está em forma. ---Disparei sorrindo em desafio.
—--Ahh, isto? ---Disse ele apontando para o próprio corpo. ---é apenas uma ilusão, uma mera forma do que já fui um dia.
—--Tenho que dizer, seu visual herói antigo é legal. ---Admiti para ele, ele deu de ombros sorrindo.
—--É, antigamente as coisas eram mais rústicas, bem, não te trouxe aqui, para falar do meu visual.
—--Então, para que trouxe? ---Perguntei.
—--Para negociar. ---Disse ele sorrindo.
—--Negociar? Acredito que alguém como o você...
—--Senhor. ---Disse ele me interrompendo. ---Respeitar os mais velhos, é algo admirável, mesmo que ele esteja do lado contrário.
—--Bem, como dizia, alguém como o senhor, realmente saiba disso, mas se não, agora vai, mesmo que tivesse vontade de estar do seu lado, coisa que não tenho, diga-se de passagem, eu não poderia, estou ligado a um juramento sobre o rio Estige, nunca trairei o Olimpo, de forma alguma, o juramente me faria morrer de imediato, Estige me mataria...
—--Bla, Estige. ---Desdenhou Cronos. ---Acha que alguém como ela, me atrapalharia em algo? Eu sou o Lorde Titã.
—--Mas ela saberá que eu trairia os deuses. ---Argumentei.
—--Não, ela não pode ver aqui, o que negociarmos, está totalmente em sigilo, não se preocupe. ---Disse ele sorrindo malignamente, o que fez minha espinha gelar, só de imaginar o que ele iria dizer a seguir. ---Quem sabe, se você servisse de casca para minha consciência.
—--Casca?
—--Sim, você receberia minha mente, todo o meu poder, nós tornaríamos um, isso adiantaria as coisas pra mim, até eu estar forte o bastante para ter um corpo meu novamente. ---Disse ele animado, ele parecia estusiasmado com aquela ideia horripilante. ---Você, serviria de recipiente, seu corpo e habilidades são incríveis, você é bem treinado, você é o maior semideus da sua época, devo admitir. ---Disse Cronos indiferentemente, como se o fato do seu pedido ser totalmente irracional e doentio.
—--Por que eu faria isso? ---Perguntei incrédulo.
—--Por que eu pouparia sua mãe, Hera, para começar. ---Disse ele sorrindo, ele caminhou na minha direção, eu me afastei dele. ---Pouparia você das batalhas, te dar o descanso merecido, você já fez demais pelos deuses, demais por qualquer um, por qualquer pessoa nesse mundo, todo ser vivo hoje nesse planeta, deve sua vida a você e seus feitos.
—--Por que acha que eu aceitaria isso? ---Perguntei rispidamente para ele.
—--Por que você é uma pessoa doce, meiga, você pode ser poderoso, com toda certeza é, mas não tem o verdadeiro espirito de um guerreiro, você tem bondade demais, eu não faço ideia do quanto sofreu naquele maldito lugar, na prisão das almas, tendo que lidar com aquele maldito do Kraken, mesmo eu, não teria coragem de me aliar aquele ser, ele é algo incrivelmente mau, reencarnação da pura maldade, imagina ser torturado daquela forma é algo horrível, horrível demais mesmo para mim, eu te admiro muito meu neto, você foi incrível. ---Disse Cronos, eu não sei o que estava pensando, se estava louco, mas eu senti sinceridade nas suas palavras. ---Você foi obrigado a ser algo que não era, um torturador, um assassino, é realmente algo cruel de se fazer com alguém como você, você era apenas uma criança, você tinha que estar se divertindo, destruindo monstros inúteis, não enfrentando aquilo, eu vou te dar um presente, o melhor presente para alguém como você, vou te deixar desistir da batalha, eu prometo que só vou usar seu corpo, não vou te fazer mais mal algum, vou te colocar nós Campos Elísios, eu posso proporcionar isso a você, paz. ---Disse ele parando no meio da sala, ele se ajoelhou, exatamente onde havia uma mancha vermelha, mancha de sangue no carpete. ---Aqui, foi bem aqui, nesse exato lugar, foi o lugar que você matou a primeira pessoa, de verdade, o primeiro semideus, mesmo que não tenha sido a primeira vez, que realmente sentiu remorso, dor, desespero, eu pude ver que seu espirito, sua alma, estava destruída, dilacerada. ---Senti meus olhos se encherem de lágrimas, mesmo que eu tentasse a todo custo segura-las, elas escorreram pelo meu rosto, eu as enxuguei rapidamente, com as costas das minhas mãos. Ele passou dois dedos na mancha de sangue, quando ele ergueu, seu dedo estava manchado de sangue. ---Eu já vê isso acontecer antes, monstros nascem assim, da insanidade, do ódio, de coisas ruins, mas principalmente da dor, sinceramente, não sei como você ainda tem humanidade dentro de você. ---Disse Cronos tristemente, aquilo me atingiu em cheio, eu não sabia o que responder, por mais que soubesse a resposta certa, que eu não poderia abandonar minha família, tinha que lutar, proteger eles, eu vou confessar, eu estava tentado a aceitar aquilo. ---Vou te dar um tempo para pensar. ---Disse Cronos chamando minha atenção. Pensamentos ruins do passado foram tomando minha cabeça, eu vê Phoebe, seu corpo empalado em velhas sucatas, vê Yeasmin, se engasgando em seu próprio sangue... ---Se você recusar, meu generoso presente, mais dor você vai sentir, como o que sentiu hoje. ---Estava tão perdido em pensamentos, que não notei sua aproximação, ele colocou a mão no meu ombro, apertando, eu olhei para cima, diretamente no olhos brancos e antigos de Cronos, ele sorriu tristemente e continuou. ---Quando matou o jovem Tritão Swirl. ---Aquilo me pegou de surpresa, como ele sabia daquilo, aquilo aconteceu a poucas horas, poucas pessoas sabem daquilo. ---Agora, vou te dar um tempo para pensar na minha proposta, mas pense direito, acredite em mim, estás coisas horríveis mudam você, não se esqueça disso, monstros não nascem monstros, eles se tornam monstros.
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