Notas iniciais
Eae Galera, tranquilo, espero que gostem.

POV: Perseus Heitor Jackson.

Eu abri meus olhos, o quarto estava escuro, mas diferente de todas as vezes que acordei antes, eu não estava assustado e ofegante por ter tido um sonho ruim, eu apenas estava triste. Eu senti lágrimas banharem meu rosto, as palavras que Cronos me disse, inundavam minha mente, é ele tinha razão, por mais que eu soubesse que era errado pensar daquela forma, concordar com o rei maligno, eu sabia que ele tinha razão, sobre tudo, toda a dor que senti, as torturas físicas e psicológicas que eu sofre, me machucaram tanto, até hoje, ainda sinto dor e raiva, as memórias de tudo que eu sofre naqueles anos, que estive na Prisão das Almas, foram mais de 20 anos de sofrimento, algo que nem consigo descrever, mas Cronos tinha razão, eu era apenas uma criança, eu devia estar me divertindo, brincando, não lutando uma luta impossível, sendo mandado para aquela maldita missão, ter que prender novamente o Kraken, mesmo que fosse uma missão horrível eu tentei fazer meu melhor, mas a verdade é que eu falhei, acabei por ser preso na prisão das almas, ser tirado da minha época, ser torturado daquela forma. Balancei a cabeça afastando os pensamentos, me levantei e caminhei até o banheiro, direto para pia, olhei no espelho do banheiro, eu vi minha imagem refletida nele, meus cabelos estavam mais bagunçados que o comum, meus olhos estavam vermelhos, envolta das minhas íris verde-mar, joguei uma água no rosto, para afastar o sono, esfreguei meu rosto com as mãos, então voltei a olhar para o meu reflexo no espelho, é tudo que veio em minha mente, ao ver minha imagem, foi as palavras que ouvira hoje: “assassino”, “monstro”, então os pensamentos e as palavras de Cronos voltaram para minha cabeça, todas as dores que eu senti até hoje, cada coisa ruim que aconteceu comigo, doeu, mas o que mais doeu foi, com toda certeza, foi quando eu comecei a torturar outras pessoas, mesmo que depois eu fiquei sabendo que tudo aquilo, nunca aconteceu, que todas as milhares de pessoas que torturei, que eu matei, nunca existiram de verdade, não passaram de ilusões criadas pelo Kraken, para me mudar, para me tornar alguém como ele, um monstro, é mesmo que ninguém realmente saiba, o que aconteceu comigo lá, naquele inferno, essas coisas não saem da minha cabeça, eu tento esquece-las, ignora-las, mas é algo que como o próprio Cronos disse, estas memórias horríveis, elas estão gravadas, marcadas, eternizadas na minha alma, na minha mais profunda consciência, mesmo com toda a ajuda que tive da minha mãe, com toda sua ajuda, ela manteve boa parte das lembranças trancadas, eu me lembro de quando ela fez isso.

Memórias ligadas.

3 Anos atrás.

Desde que sai daquele inferno, da Prisão de almas, há 3 semanas, lá naquele maldito lugar, onde minha alma foi dilacerada, distorcida, quebrada e recolada de forma brutal, todas as lembranças daquele inferno, me atormentavam dia e noite, principalmente nos meus pesadelos, eu já não tinha vontade de dormir, sabia que aquele inferno voltaria nos meus sonhos, mas mesmo acordado, eu sentia culpa, que dilacerava meu peito, toda a dor que eu causei, as coisas horríveis que fiz lá dentro, elas vinham em forma de pesadelos, tão vividos, tão reais, que as vezes me questionava se tinha mesmo conseguido escapar de lá, quando eu finalmente consegui escapar de lá, desde que voltei, não tive uma noite livre de pesadelo, mas agora, as coisas estavam ficando ainda piores, não era somente enquanto dormia que as imagens daquele inferno vinham na minha mente, agora, quando eu estava acordado, as imagens de corpos mutilados, corpos que eu mutilei, com as minhas próprias mãos, mesmo depois de ter desabafado com eles, aquela noite, em meu quarto, as coisas não melhoraram, elas pioraram, na verdade.

—--Filho. ---Disse uma voz de mulher, me chamando de volta a realidade, está mulher, era a pessoa que mais me amava no mundo, ela aparentava ter seus 25 anos, seu rosto era extremamente belo, sua pele branca como a neve, seus poderosos e lindos olhos castanhos claros, me olhavam atentamente, demonstrando grande preocupação, seu cabelo tinha quase a mesma cor dos olhos, ele era liso e longo, até chegar na sua cintura, ela tinha 1.70cm, seu corpo era perfeito, sua postura era perfeita, como uma Rainha, ela estava vestida como uma pessoa normal, calça jeans azul clara, tênis branco e uma camiseta social preta. ---Você estava sonhando acordado novamente?

—--Não, mãe, só estava pensando. ---Disse forçando um sorriso para ela.

—--Vem, deita na minha cama. ---Ordenou ela, eu a obedeci, deitando na sua cama, ela me ajeitou. ---Eu vou dar uma olhada, sabe, ver como está sua mente, preparado? ---Perguntou ela, eu assenti positivamente. Ela colocou sua mão direita na minha cabeça, ela fechou os olhos, respirou fundo, se concentrando, quando ela abriu novamente os olhos, eles haviam mudado, eles estavam totalmente castanhos, a íris havia tomado todo o espaço dos olhos, deixando-os sem esclerótica ou pupila, só castanho, que emanavam pura energia, durante um tempo, ela ficou assim, naquela posição, eu não sabia muito bem, o que estava acontecendo, o que ela estava fazendo, mas então depois de um tempo, ela começou a chorar, lágrimas começaram a escorrer da sua face, livremente. ---Filho, eu vi tudo que você sentiu, tudo, deuses, me perdoe, me perdoe. ---Disse ela chorando desesperadamente, ela se afastou da cama. Aquilo me encheu de desespero, eu não queria que ela visse aquilo, visse tudo que eu tinha feito, tinha sofrido, sabia que tudo aquilo, acabaria com ela, ela era a mãe mais super protetora do mundo. Me levantei e corri na sua direção, ela chorava desesperada, eu estava sem fala, não sabia o que dizer, então eu a abracei muito forte, ela enterrou a cabeça no meu peito e chorou alto.

—--Mãe, o que você viu? ---Perguntei chorando, eu não conseguia ver minha mãe chorando, sem chorar junto, ainda mais quando ela estava chorando por minha causa. Ela parou de chorar, demorou um pouco, mas ela conseguiu, ela me olhou, seus olhos haviam voltado ao castanho normal de sempre, só que eles estavam muito vermelhos de choro. Ela limpou as lágrimas com as costas das mãos.

—--Eu vi o que o Kraken fez com você, todas as torturas, o que você fez com aquelas ilusões. ---Disse ela seriamente, assenti de cabeça baixa, eu me envergonhava de ter sido fraco a ponto de aceitar aquela maldita oferta, torturar outras pessoas, mesmo que agora, saiba que tudo aquilo nunca foi real, mas foi real pra mim, eu achava que era real, eu sentia tudo, o sangue manchar minha mão, ele era quente, viscoso, as entranhas pulsando, os gritos, lágrimas, eu sentia tudo, eu vivia tudo como se fosse real. Senti a mão macia da minha mãe, limpando minhas lágrimas, eu olhei para seu rosto, ela sorriu firmemente, o que me fez retribuir. ---Filho, eu vou tirar isso de você, eu vou te ajudar, eu posso, eu consigo.

—--Eu sei que a senhora consegue, mãe. ---Disse firmemente, ela sorriu. Ela me guiou de volta para cama, me deitando nela.

—--Vamos começar com o processo. ---Bem, caso você não saiba, minha mãe, é Hera, a rainha do Olimpo, apesar de muitos não saberem e acharem que ela é somente uma deusa do casamento inútil, que foi tantas vezes traída e enganada pelo seu marido, uma pobre coitado. Se pensas assim, está redondamente enganado, ela é poderosa, muito poderosa, principalmente com poderes relacionados a mente, está é sua especialidade, ela pode destruir uma mente, com muita facilidade, ela não ficou famosa como os outros deuses, porque ela não era muito de entrar em brigas e lutar, apesar de ser um pouco rancorosa e maldosa, sabendo disso, em resumo ela é poderosa o suficiente para matar deuses, apenas usando de poderosos ataques mentais para isso, Zeus não há escolheu como esposa somente por causa da sua beleza, mas também pelo seus poderes. ---Agora, o processo que eu vou realizar contigo é perigoso, muito perigoso, qualquer deslize meu, eu irei destruir sua mente, talvez a destruindo sem volta. ---Aquilo me pegou de surpresa, eu nunca tinha visto minha mãe duvidar dela própria, duvidar de seus poderes. ---Eu vou tentar fazer uma barreira, uma prisão dentro da sua mente, dentro dela, vou guardar todas as suas mais horríveis experiências lá na Prisão de Almas, para que você possa ter controle da sua mente novamente, para que aquelas memórias horrendas, não voltem a te atormentar, mas filho. ---Ela se interrompeu, lágrimas escorriam pela sua face. ---Eu não posso garantir nada, nunca fui tão fundo assim, pelo menos não com a intenção de não matar, ainda mais em uma mente tão fragilizada como a sua está, prometo ter cuidado, se tudo ocorrer bem, não vai haver sequela nenhuma, talvez eu aprisione um pouco dos seus poderes mentais junto.

—--O que isso quer dizer? ---Perguntei confuso.

—--Você não vai perder nenhuma de suas habilidades mentais, mas elas vão ser reduzidas, essa parte reduzida servira de prisão as memórias ruins, elas vão impedir que você... ---Ela se interrompeu, procurando a palavra certa para dizer. ---Enlouqueça. ---Aquilo me pegou meio de surpresa, fiquei com medo, mas eu sabia que se minha mãe optou por isso, quer dizer que ela não tem uma opção melhor, se tivesse, com certeza ela tentaria, como ela já tentou outras, mas infelizmente acabou falhando.

—--Eu confio em você, sei que vai conseguir. ---Disse sorrindo para ele, mesmo que tenha sido um pouco forçado. Ela voltou a se concentrar, fechando seus olhos, ela respirou fundo novamente, ela abriu seus olhos novamente, eles haviam voltado a ser totalmente castanhos, sem esclerótica ou pupila, eles emanavam energia.

—--Não tente resistir. ---Advertiu ela, assenti positivamente, respirei fundo, tentando me acalmar. ---Vou começar. ---Disse ela, ela colocou a mão na minha cabeça, no mesmo instante, eu senti uma pontada na minha cabeça, é tudo rodou, imagens, flashes, em um ritmo frenético passaram na minha cabeça, em uma delas, eu me vê em uma cadeira, todo ensanguentado, machucado, queimado, mesmo que aqui nessa dimensão, eu não possa me queimar, naquela, eu fui queimado, muitas vezes, eu estava praticamente morto. Em outra imagem, mostra uma criatura horrenda, era uma criatura humanoide, ele parecia com um homem, mas sua pele era verde escuro, como a de um polvo, uma de suas mãos eram todas feitas de tentáculos, seus olhos eram inteiramente negros, ao invés de uma barba longa, havia tentáculos verdes, que se mexiam como se tivesse vida própria, seu cabelo era semelhante a barba, era o maldito Kraken, seu sorriso era horrendo, seus dentes eram quase pontiagudos como um tubarão, fileiras irregulares, umas atrás as outras, indo para dentro da boca, exatamente como um polvo. Em outra, eu me via novamente, mas dessa vez, eu não estava machucado, mas eu ainda sim, estava coberto de sangue, mas não meu sangue, era o sangue de outra pessoa, eu segurava uma faca ensanguentada na minha mão, mais meu olhos, eu estava chorando. Então a imagem mudou, me mostrando uma garota, eu a reconheci, era Maggie, uma garota magricela, ruiva, ela estava toda machucada, muito ferida, literalmente com alguns dos seus órgãos amostra, eu me lembrava dela, como eu poderia esquecer dela, mesmo que ela nunca tenha realmente existido, ela foi a primeira vítima, a primeira pessoa que torturei, que eu tirei a vida.

—--AAAAAHHHHHHHH.... ---Gritei a todos os pulmões, porque senti meu corpo todo doer, em todos os lugares, como se eu estivesse sendo torturado novamente, como se lâminas e fogo me machucassem. Então levantei em um pulo, me afastando da minha mãe, assustado com as imagens que vi é a dor que havia sentido.

—--O que você fez? Você conseguiu? ---Perguntei ofegante, os olhos da minha mãe, voltaram ao normal, ela deu um sorriso, um largo sorriso.

—--Eu acho que sim.

Memórias desligadas.

Ela havia conseguido, em parte, os pesadelos diminuíram bastante, apesar de as vezes, principalmente quando eu estava desequilibrado emocionalmente, os pesadelos voltarem, mas eu nunca mais tive imagens acordado, pesadelos acordado, o que foi ótimo, mas com aquela prisão, aquela parede que ela fez dentro de mim, ela acabou por congelar alguns dos meus poderes mentais, restringindo minha habilidade de usar eles, não perdi nenhum deles, mas eles tiveram seus efeitos diminuídos, por causa da parte da minha memória e mentes trancados, eu sabia que ela tinha se esforçado, tinha feito o seu melhor é com toda certeza, está parede aqui dentro, é o que me mantem de mente sã, eu nunca penso na parede dentro da minha mente, não gosto de lembrar daquilo. Eu escutei um barulho vindo atrás de mim, me virei a tempo de ver um vulto, vindo na direção do meu rosto, foi tão rápido, que minha única reação, foi colocar meu braço esquerdo na frente, então senti uma dor intensa, dor de lâmina entrando na carne, então pude ver o meu atacante, primeiro eu vi seus olhos, eram de um verde brilhantes, como aquele fluído que se coloca dentro daquelas pulseiras fluorescentes, depois eu vi seus dentes, eles eram como os de um tubarão, olhei para meu braço, uma espada de Bronze de dois gumes, 1 metro e meio de lâmina, estava enfincado profundamente na carne, indo até o osso, ele continuava me pressionando, apertando a lâmina para baixo, afundando mais ela no osso. Eu chutei seu peito, o arremessando longe, mas para meu azar, a lâmina continuou seu movimento, é acabou de partir o osso do meu antebraço, arrancando toda minha mão esquerda, mais um bom pedaço do meu antebraço junto.

—--Aaaahhh... ---Urrei de dor, o ódio dominou meu peito, eu iria arrancar a cabeça de quem quer que fosse, ele arrancou meu braço, com meu braço direito, peguei Contracorrente do bolso, peguei minha caneta esferográfica, é a destampei usando meus dentes, minha espada cresceu em minhas mãos, pesando, até que eu estava segurando uma espada grega de Bronze Celestial, com um 1,55cm de comprimento e punho de duas mãos envolvido em couro, a lâmina brilhava ligeiramente, lançando uma luz dourada, eu parti para cima daquele maldito, mas então eu congelei, assim que eu reconheci quem era, seu rabo de peixe da cintura para baixo, havia sumido, dando ao lugar do rabo, duas pernas humanoides, mas da cintura para cima, ele ainda era o mesmo Tritão, ele era grande e musculoso, eu não tinha a menor dúvida, era Singer.

—--VAMOS, SEU ASSASSINO. VOCÊ MATOU MEU DEUS, MINHA RAINHA E AGORA MEU FILHO. ---Gritou Singer, ele começou a levantar, do canto da sua boca sangue azul escorria, ele pegou sua espada do chão é gritou novamente. ---VAMOS, MATE-ME TAMBÉM, SEU ASSASSINO. ---Gritou ele, sem esperar por uma resposta, ele avançou na minha direção, ele começou a atacar, eu me defendia, desviava, tentando fugir dos seus ataques, mesmo que meu braço decepado doesse demais, eu tive muitas chances de contra atacar, podendo inclusive, dar golpes fatais, já que Singer atacava apenas com brutalidade, sem nenhuma técnica e estratégia, apenas puro ódio. Em um movimento rápido, eu desviei de uma de suas estocas, é bate com o punho da minha espada em sua mão, fazendo com que a espada dele, escapasse de suas mãos, mas eu não ataquei, apenas rodei e sai de perto dele. ---Por que não me ataca? Seu assassino, você só mata crianças, só mata crianças indefesas seu monstro? Seu assassino maldito...

—--CALA A BOCA. ---Gritei para ele, sentia meus olhos se encherem de lágrimas, meu peito se afundar de dor, dor ainda maior do que eu sentia do meu braço decepado, a dor de ouvir da boca de todos, todo a hora, que eu era um assassino, então eu desabafei. ---Eu sou um assassino, matei muitos monstros, criaturas, até mesmo deuses, mas eu sempre matei quando já não havia mais solução, para proteger os outros, para proteger a minha vida, eu já matei Anfitrite por vingança, por ódio, por que ela matou minha amiga é minha mãe. ---Disse chorando. ---Mas eu não matei seu filho porque eu quis, eu tentei proteger Ligea, do ataque dele, Swirl, ele me odiava, com todas as forças, mas eu nunca quis matar ele, nunca. ---Dizendo isso, eu cravei Contracorrente no chão do palácio, é me ajoelhei. ---Então, eu peço que me perdoe, porque mesmo assim, ele acabou morrendo por minhas mãos. ---Singer chorava, lágrimas escorrendo por sua face, livremente. ---Toda dor que eu causei a você e sua família, eu peço que me perdoe. ---Ele nada disse, ele andou lentamente para sua espada, pegou ela do chão, é veio andando na minha direção, com a espada em punho. Ele havia decidido me matar, mesmo com tudo que eu disse para ele, eu verdadeiramente conseguia entender ele, eu nunca tinha tido um relacionamento assim, ter um filho, o mais próximo disso que eu senti, foi com a Antonieta, se alguém a machucasse, se alguém a tirasse de mim, por mais que fosse por um acidente, acho que não teria forças e nem bondade suficiente para poupar a vida daquele que a mata-se. Ele parou na minha frente, eu abaixei a cabeça e fechei os olhos. Eu acho que alguém como eu, devia mesmo estar morto, isso seria apenas menos um assassino no mundo, eu acho que assim, com Singer me matando agora, as coisas melhorem para todos, Cronos não vai mais me tentar, nunca mais, assim ele nunca terá meu corpo, assim com sorte, ele não ache alguém que suporte sua consciência, comigo morrendo agora, eu ganharia algum tempo para os deuses, minha família. De repente escutei a porta se abrindo.

—--General, que barulheira.... ---Escutei uma voz conhecida, tinha certeza que era da Ligea. Então eu senti um impacto, mas não foi o impacto de uma espada, foi de um corpo, caindo sobre mim, quando abri meus olhos, vi Singer caído ao meu lado, sua espada estava cravada em seu peito, até o cabo, sangue azul escorria do ferimento, da sua boca é nariz, saiam sangue azul.

—--Por que você fez isso? ---Perguntei ao lado do seu corpo no chão.

—--Deuses. ---Exclamou Ligea se aproximando, ela se ajoelhou na minha frente. ---O que aconteceu? ---Perguntou ela me olhando, seus lindos olhos azuis turquesas me olhando nervosamente, mas antes que eu pudesse responder, Singer se adiantou em dizer.

—--Eu matei o verdadeiro culpado pela morte de Swirl. ---Disse ele com dificuldades. ---Eu errei como pai, falhei com ele, fez ele sentir ódio, sentir ódio da pessoa errada, eu sempre segui Tritão cegamente, nunca questionei seus ideais, suas formas de agir, esse foi meu erro, eu passei essa lealdade cega a Swirl, príncipe Perseus, eu sempre te odiei, sempre te culpei pela morte do nosso deus, pela morte da Anfitrite, pelo reino de Poseidon que se enfraqueceu pela separação deles, mas eu nunca vê seu lado. ---Ele tossiu sangue. Eu pensei em tirar a espada, mas notei que de nada adiantaria, ela estava no rumo do coração, deve ter o perfurado. ---Você é apenas uma pessoa boa, uma pessoa doce e bondosa, eu tenho certeza disso. ---Senti meus olhos se encherem de lágrimas. ---Só que coisas ruins aconteceram com você, muita coisa horrível, eu já tinha ouvido falar disso, rumores, mas nunca acreditei, até ouvir suas palavras hoje, só te peço uma coisa, assim como você ofereceu sua vida em troca da vida de Swirl, eu ofereço minha vida a você, continue sendo você mesmo, proteja os outros, quem necessitar, custe o que custar, você é um homem forte. ---Disse Singer com dificuldade, assenti para ele, lágrimas banhavam meu rosto livremente.

—--Eu prometo que vou.

—--Que bom, sei que o futuro do mar está em boas mãos. ---Disse Singer com dificuldade, seu peito se mexia lentamente, sua respiração falhava bastante, mas mesmo assim ele deu um largo sorriso, mostrando seus dentes pontiagudos de tubarão. ---Eu vou me redimir, onde quer que Swirl esteja, eu vou encontra-lo, vou me desculpar com meu filho, dizer o quanto eu amo...eu amo... ---Sua voz falhou, seu peito parou de se mexer, seu corpo começou a se desfazer em pó dourado, até não haver mais nada do seu corpo. Meu braço decepado doía muito, mas meu peito e minha alma, doía muito mais, por mais que eu tentasse não pensar nas palavras de Cronos, agora, elas faziam muito sentido para mim, cada uma delas, ele tinha razão, ele me conhecia muito bem, ele sabia como eu era, como aquelas coisas horríveis me afetavam, como as mortes e as dores acabavam comigo.

—--General, o seu braço. ---Disse Ligea me trazendo de volta para realidade. ---Você precisa de ajuda, você está perdendo muito sangue. ---Disse ela, olhei para meu ferimento melhor, havia muito sangue saindo, eu já sentia tontura, perderia a consciência logo. Coloquei minha mão direita sobre o ferimento, tentando conter o sangramento, eu precisava ir até a água.

—--Não se preocupe. ---Disse me levantando do chão, assim que fiz isso, senti uma forte vertigem, é quase cai de cara no chão, teria caído, se Ligea não tivesse me segurado.

—--Você não consegue nem andar. ---Disse ela me segurando, sua voz parecia bastante alarmada.

—--Me leve para banheira, pra água, eu posso me curar. ---Disse fracamente. Ela assentiu e começou a me guiar para o banheiro, ela me ajudou a deitar na banheira, meu braço doía demais, sentia o sangue caindo sem parar, por mais que eu tentasse estacar o sangue com a mão. ---Água. ---Disse fracamente, sentia minha vista embaçada, mal podia ver, apenas sombras. Mas então eu senti a água escorrer pelo meu corpo, me revitalizando, me dando força, minha vista foi ganhando cor, meus pensamentos começaram a clarear, então eu pude me concentrar em curar meu braço, sinceramente, nunca havia tentado curar um ferimento tão grave, como metade de um braço amputado, ainda mais em mim, mas eu tinha que fazer algo, não tinha tempo para procurar ajuda. Então senti a água cobrir todo meu corpo, agora era a hora. Comecei a me concentrar no meu poder de cura, logo senti um aperto no meu estômago, então senti o poder começar fazer efeito, senti meus ossos serem reconstruído aos poucos, os ossos Rádio e a Ulna, depois os ossos da mão, o Carpo e depois dos dedos, as Falanges, depois senti a cartilagem e os tendões sendo reconstruídos, depois os músculos, vasos sanguíneos, e por fim, a pele e as unhas, eu senti tudo, mas assim que eu acabei, senti uma fraqueza ainda maior. Me forcei a levantar da banheira, Ligea me olhava admirada, fascinada.

—--Seu poder de cura, de regeneração é incrível. ---Disse ela impressionada, olhei para meu braço esquerdo, minha mão estava nova em folha, como se nunca tivesse saído do lugar, ela só estava um pouco pálida demais.

—--Eu não sabia se ia conseguir. ---Admiti. ---Nunca tentei curar um ferimento tão grave sozinho.

—--Mandou muito bem. ---Disse ela impressionada.

—--Dei sorte.

—------------------------------------- Quebra de Tempo. --------------------------------------------------------------------------------------------

Assim que expliquei o que havia ocorrido aos outros Tritões, o que não foi nada fácil, a maior parte deles, queria me atacar e matar, graças aos deuses, Ligea viu o que aconteceu, é por ela ser capitã das tropas de Tritões, ela tinha uma grande influência sobre eles, então ela explicou a real situação, dizendo que Singer que me atacou, é por fim, ele próprio tirou sua vida. Assim que tudo foi explicado, eu finalmente consegui sair de Rodes, Ligea veio comigo, eu tinha um assunto delicado a tratar com minha avó e meu pai. Assim que cheguei a Atlântida, fui direto a torre de comando, eu me sentia bastante fraco, mesmo que eu tivesse vindo toda a viagem em contato com a água do mar, eu havia perdido bastante sangue. Assim que cheguei dentro da sala, encontrei minha avó, ela estava trajando sua bela armadura, dourada, entalhada no peito da armadura, um desenhos de asas de corujas abertas, ela estava sem seu capacete, aquele que parecia uma cabeça de coruja com penachos negros em cima, seus cabelos estavam soltos e seus olhos estavam ainda mais sérios que o comum, aquela tempestade cinzenta estava quase parecendo-me preocupada.

—--Percy, que bom que você está bem. ---Disse ela sorrindo. Roda veio caminhando na minha direção apressadamente, ela estava trajando sua armadura completa, branca com desenhos de tridentes verdes, nos ombros e no peito, seus cabelos negros esverdeados, que normalmente iam até a metade das suas costas, estava amarrado em um coque alto, seus olhos eram de um verde claro, estavam me olhando preocupado. Ela não disse nada, apenas começou a me examinar, ela abriu meus olhos com os dedos, olhando para eles, depois sentiu minha pulsação, depois ela analisou meu rosto, o que me fez corar.

—--Você está pálido, perdeu muito sangue. ---Concluiu ela, ela estalou os dedos é uma bolsa de sangue apareceu já em um suporte de hospital. ---Sente-se.

—--Não, tudo bem, Roda. ---Disse forçando um sorriso para ela, ela revirou os olhos.

—--Eu não pedi, eu mandei. ---Dizendo isso, ela me empurrou para trás, eu tropecei em algo é cai sentado, era uma cadeira, que a um segundo atrás não estava ali.

—--Filho. ---Disse uma voz chamando minha atenção, levantei o rosto e encarei meu pai, ele estava trajando sua armadura completa, verde-mar, brilhosa, com um enorme desenho de tridente negro em seu peito, o capacete não estava em sua cabeça, mas ele estava segurando um enorme bastão, dourada, feito de ouro do mar, era seu Tridente, mas quando ele não estava em batalha, ele ficava dessa forma. ---Ligea nós informou de tudo que aconteceu, eu sinto muito por isso. ---Disse meu pai, seus olhos demonstravam muita tristeza, eu forcei um sorriso para ele, mas então eu senti a agulha entrando no meu braço, nada suavemente, Roda estava irritada.

—--Não se preocupe, papai. ---Disse sorrindo para ele.

—--Ótimo trabalho, Ligea. ---Disse meu pai.

—--Obrigado, senhor. ---Disse ela se curvando. Então lembrei do porquê de eu vir para cá, precisava contar para eles sobre meu sonho.

—--Pai, vó, eu antes do ataque se Singer, eu tive um sonho, bem, não foi um sonho, foi uma visita...

—--De quem? ---Perguntou minha avó impaciente com a minha demora.

—--Cronos. ---Assim que disse isso, o clima pareceu ficar ainda mais pesado, silencio súbito, meu pai e minha avó trocaram olhares nervosos, Roda me olhava atentamente, assim como a Ligea.

—--Percy, você tem certeza que era Cronos? ---Perguntou meu pai, eu assenti positivamente. ---Isso não é nada bom, ele deve ter conseguido fugir do seu sarcófago.

—--Ele não fugiu do seu sarcófago ainda, ele me disse. ---Disse para eles, os olhos do meu pai se acalmaram um pouco.

—--Isso é bom. ---Disse minha avó. ---Mas, Percy, o que ele queria com você?

—--Negociar. ---Disse para ela.

—--Negociar o que? ---Perguntou Roda.

—--Ele queria meu corpo, eu serviria como uma espécie de casca para sua mente, consciência, essência. ---Disse para ela.

—--Sim, faz sentido. ---Disse minha avó pensativa. ---Isso adiantaria as coisas para ele, ele usaria o corpo do Percy como fonte de energia, o que o deixaria livre para focar suas energias para seu próprio corpo, ainda fornecendo formas dele próprio poder liderar o ataque ao Olimpo.

—--Desculpem me intrometer, mas, por que o Percy? ---Perguntou Ligea para minha avó.

—--Somente o corpo do Percy é forte o suficiente para isso, com o alto fator de cura que ele tem, Percy tem poder suficiente para suportar o processo, Cronos não poderia fazer isso com outro Deus, Titã ou Monstro, já que todos estes são imortais, não é fácil destruir suas consciências, quase impossível, muito menos um mero mortal, o corpo deles nunca suportaria, mas seria fácil tomar o corpo deles, destruir suas mentes, porém, somente os semideus, tem um poder muito maior e tem o lado mortal também, esses dois fatores os tornam perfeitos para isso, suportar todo aquele poder. ---Disse meu pai pensativo.

—--Perfeita explicação, querido. ---Disse minha avó, meu pai sorriu para ela. ---Hoje em dia, nem um semideus está a essa altura, talvez com a maldição de Aquiles também possa fazer um corpo forte o bastante para suportar a essência e consciência de um Titã, mas se o corpo não for forte o bastante, também vai ser destruído no processo, assim que entrar no Rio Estige, Cronos sabe disso. ---Disse minha avó pensativa. ---Mas o mais importante. ---Disse minha avó me olhando atentamente. ---O que você respondeu para ele? ---Perguntou ela, os olhos de todos voltaram-se para mim, me olhando atentamente e com expectativa.

—--Claro que eu neguei.