Percy Jackson o Guerreiro Sem limites
73 Capítulo 73
Notas iniciais
POV: Perseus Heitor Jackson.
Nós chegamos à periferia de uma pequena cidade de esqui localizada nas montanhas, o aviso dizia: BEM VINDO A CLOUDCROFT, NOVO MÉXICO. O ar estava frio e fino, os telhados dos chalés estavam cobertos de neve, e grandes montes dela estavam empilhados nas laterais das ruas, altos pinheiros teciam o vale, formando sombras escuras, embora a manhã estivesse ensolarada, quando chegamos à rua principal, que ficava a mais ou menos 800 metros da linha de trem, conforme andávamos, contei ao Grover sobre minha conversa com Apolo na noite anterior, como ele me disse para procurar por Nereu em São Francisco, Grover olhou apreensivo.
—--Isso é bom, eu acho, mas temos que chegar lá antes. ---Disse Grover. Eu tentei não ficar deprimido com as nossas chances, não queria deixar Grover em pânico, mas eu sabia que nós tínhamos outro prazo se esgotando, além de salvar Ártemis a tempo de seu concílio dos deuses, o General havia dito que Annabeth seria mantida viva apenas até o solstício, isso seria na sexta-feira, distante apenas quatro dias, e ele falara algo sobre um sacrifício, não importa o quanto eu pensasse sobre o que isso significava, não fazia ideia do que esse sacrifício era, ou para que, ou de quem, mas eu sei que eu não gostava mesmo de como isso soava. Nós paramos no meio da cidade, você podia ver tudo muito bem dali: a escola, algumas lojas e cafés para turistas, algumas cabines de esqui e um armazém.
—--Ótimo ---Thalia disse, olhando em volta. ---Sem estação de ônibus, sem táxi, sem aluguel de carros é sem saída.
—--Há uma lanchonete! ---disse Grover.
—--Sim ---Zoë disse. ---Café é bom.
—--E pastéis ---Grover disse sonhadoramente. ---E papel encerado. ---Thalia olhou.
—--Certo, que tal se vocês forem pegar alguma comida para nós, e Percy, Bianca e eu vamos checar na mercearia, talvez eles possam nos dar algumas direções. ---Nós combinamos de nos encontrar em frente à mercearia em quinze minutos, Bianca não pareceu muito à vontade, mas foi, na mercearia, nós descobrimos algumas coisas valiosas sobre Cloudcroft: não havia neve suficiente para esquiar, a mercearia vendia ratos de borracha a um dólar cada, e não havia meio fácil de sair ou entrar da cidade, a menos que você tivesse seu próprio carro.
—--Você poderia chamar um táxi de Alamogordo. ---o balconista falou duvidosamente, era um senhor acima do peso, tinha um cabelo encaracolado e um bigode grande. --- É lá embaixo, na base das montanhas, mas levaria pelo menos uma hora para chegar lá, custa centenas de dólares. ---O balconista parecia muito solitário e eu comprei um rato de borracha para ajudar ele, então voltamos e esperamos na entrada.
—--Maravilha ---Thalia disse. ---Eu vou descer a rua e ver se alguém nas outras lojas tem alguma sugestão.
—--Mas o balconista disse... ---comecei, mas ela me cortou.
—--Eu sei ---ela me disse. ---Eu vou checar mesmo assim. ---Eu a deixei ir, eu sabia como é ser inquieto, eu me controlava bem, mas para Thalia era bem mais difícil, todos os meios-sangues têm problemas de déficit de atenção por causa de nossos reflexos natos nos campos de batalha, nós não podíamos simplesmente ficar esperando, além disso, eu achava que Thalia ainda estava chateada por causa da nossa conversa noite passada sobre Luke, Bianca e eu ficamos sozinhos de modo embaraçoso, quero dizer... eu nunca me senti desconfortável conversando frente a frente com garotas, mas depois da nossa discussão na tenda de Ártemis, acho que eu ela não seriamos o que possa se chamar de amigos, mesmo não tendo raiva dela e depois daquilo, eu nunca estive sozinho com Bianca antes, não sabia bem o que dizer, mas felizmente ela disse algo.
—--Belo rato ---ela disse por fim, eu o pus na grade do portão, talvez atraísse mais clientela para a loja.
—--E sim, um belo rato. ---Concordei sorrindo, ela sorriu de volta sem jeito. ---Então... o que você tem achado de ser uma Caçadora até agora? ---perguntei, ela me olhou com um misto de medo e receio, mas ela franziu os lábios.
—--Você não está mais... ---Ela fez uma pausa, procurando a palavra certa a dizer. ---chateado comigo, por ter me juntado a elas, está? ---perguntou ela receosa.
—--Sinceramente, realmente não concordo com o que você fez, e na verdade, eu não estava nervoso com você, estava comigo mesmo, por ter falhado com a Annabeth, e acabei descontando em vocês, me senti muito mal depois disso, então eu realmente, peço de todo coração, que você me desculpe, eu estava errado sobre o que disse de você, você e uma boa garota. ---Ela pareceu pega de surpresa.
—--Eu te desculpo, desde que você me desculpe, pela flechada que te dei. ---Disse ela olhando para o chão.
—--Tudo bem, são ossos do oficio, ser semideus e assim mesmo. ---Disse sorrindo para ela, ela era legal. ---Sabe, enquanto você estar na caçada, acho que desde que, você sabe... você esteja feliz.
—--Não sei se “feliz” é a palavra certa, com Lady Ártemis desaparecida, mas ser uma Caçadora é realmente legal, eu me sinto mais calma de algum jeito, tudo parece ter desacelerado ao meu redor, acho que é a imortalidade. ---Eu a olhei, tentando ver alguma diferença, ela parecia mesmo mais confiante do que antes, mais em paz, ela já não escondia seu rosto sob um gorro verde, ela mantinha o cabelo amarrado atrás, e me olhava bem nos olhos quando falava, com um calafrio, eu me toquei de que daqui a quinhentos ou mil anos, Bianca Di Angelo estaria exatamente como estava hoje, ela estaria conversando com outro meio-sangue bem depois da minha morte, mas Bianca ainda pareceria ter 16 anos de idade, mas ela continuou me tirando dos meus pensamentos. ---Nico não entendeu minha decisão. ---Bianca murmurou, ela me olhou como se quisesse garantia de que estava tudo bem.
—--Ele vai ficar bem --- eu disse. ---O Acampamento Meio-Sangue cuida de várias crianças. ---Ela deu um sorriso. --- então você tem cuidado do Nico praticamente sua vida toda? ---Ela assentiu.
—--É por isso que eu quis tanto aderir às Caçadoras, afinal, digo, eu sei que é egoísta, mas eu queria minha própria vida e amigos. ---ela disse com lagrimas nos olhos. ---Eu amo Nico, não me entenda mal, eu só precisava descobrir como seria não ser a irmã mais velha vinte e quatro horas por dia.
—--Realmente e muito egoísta, isso não e uma justificativa para abandonar ele Bianca. ---Disse calmamente, não queria brigar, mas realmente não concordo nem um pouco com aquilo.
—--Acho que ele vai me odiar para sempre. ---Disse ela soluçando.
—--Ele não te odeia, nunca odiou, ele te ama. ---Disse sorrindo, ela pareceu espantada por um momento, mas depois deu um pequeno sorriso. ---Ele apenas está um pouco ressentido, mas quer saber de uma coisa, enquanto eu estava pensando em ir ou não para missão, eu encontrei ele, ele queria vir atrás de vocês, para poder te proteger. ---Ela sorriu feliz, mas esse sorriso não durou.
—--Ele e um irmão muito melhor do que eu sou. ---Disse ela com a voz chorosa, acho que aquilo que eu disse, a atingiu como um soco no estomago. Achei melhor mudar de assunto, pois tinha tocado em um ponto realmente delicado.
---Bem, não se preocupe, ele e sua família, vai dar tudo certo. ---Disse sorrindo, ela sorriu de volta. ---É vamos resgatar Arty, ainda preciso me desculpar com ela, não é mesmo? ---Disse sorrindo.
—--Ela vai te perdoar também e encontremos Annabeth. ---Disse ela sorrindo, sorri de volta. ---Annabeth tem sorte, em ter alguém como você. ---Disse ela, mas então ela percebeu o quanto aquilo tinha soado estranho, é corou violentamente, e se apressou em dizer, mesmo que ainda gaguejando. ---Quero dizer, ela tem sorte de ter um amigo como você. ---Contive a risada, mas me sentia mal, por Annabeth ter sido sequestrada, por causa de eu estar fora de forma.
—--Não acho, que me ter como amigo, seja sorte.
—--Não se culpe, Percy, você arriscou sua vida para salvar ao meu irmão e a mim, quero dizer, isso foi seriamente corajoso, você é um cara legal. ---Sorri para ela, alguns metros à frente, Grover, Phoebe e Zoë saíram da lanchonete carregados com pastéis e bebidas. Olhei para Bianca mais atentamente, ela me lembrava muito um deus, Hades, e eu realmente não queria pensar nessa possibilidade, mais agora, eu estava cada vez mais convencido de que ela era de verdade filha do meu tio.
—--Então qual é a história de você e Nico? ---perguntei a ela. ---Onde vocês estudavam antes de Westover? ---Ela franziu as sobrancelhas.
—--Eu acho que era um internato em D.C. Parece que foi há muito tempo.
—--Vocês nunca moraram com seus pais? Quero dizer, com o mortal?
—--Disseram-nos que nossos pais estavam mortos, eu não sei ao certo, havia um fundo pra nós, muito dinheiro, eu acho, um advogado viria de vez em quando nos ver, aí Nico e eu tivemos que deixar a escola.
—--Por quê? ---Ela uniu as sobrancelhas, querendo pensar em algo a mais, forçando sua memória.
—--Tínhamos que ir a algum lugar, eu me lembro que era importante, viajamos um longo caminho, ficamos nesse hotel por algumas semanas, e depois... não sei. ---Disse ela confusa. ---Certo dia um advogado diferente veio nos buscar, disse que era hora de partirmos, ele nos levou de volta para o leste, por D.C. Depois a Maine. E começamos a frequentar Westover. ---Zoë, Phoebe e Grover chegaram com as bebidas e pastéis, Chocolate quente para Bianca e para mim, café para eles, eu peguei um bolinho de framboesa, e estava tão bom que eu quase pude ignorar o olhar que Zoë estava me dando.
—--Nós devíamos fazer o feitiço de rastreamento. ---Phoebe disse. ---Grover, tens alguma bolota sobrando?
—--Umm ---Grover resmungou. Ele estava mastigando um bolinho de frutas embrulhado no papel. ---Eu acho que sim, eu só preciso... ---mas ele se interrompeu, ele tinha congelado, eu estava para perguntar o que havia de errado, quando uma brisa quente passou, como uma rajada de primavera perdida no meio do inverno, ar fresco temperado com flores do campo e luz do sol, e outra coisa, quase como uma voz, tentando dizer algo, um aviso.
—--Grover, tua xícara. ---Disse Phoebe, Grover derrubou sua xícara de café, que era decorada com figuras de pássaros, de repente os pássaros saíram da xícara e voaram livres, um bando de minúsculas pombas, meu rato de borracha guinchou, ele correu da grade até as árvores, pelo de verdade e bigode de verdade, Grover desmoronou perto de seu café, que derretia a neve, nós nos reunimos em volta dele e tentamos acordá-lo, ele gemeu e seus olhos tremeluziram.
—--Ei! ---Thalia disse, correndo pela rua. ---Eu só... O que há com Grover?
—--Eu não sei. ---eu disse, Phoebe examinava Grover. ---Ele desmaiou.
—--Uuuuuhhhh ---Grover grunhiu.
—--Bem, levantem-no! ---Thalia disse, ela tinha sua lança na mão, ela olhou para trás como se estivesse sendo seguida. ---Nós temos que dar o fora daqui. ---Joguei Grover nas minhas costas e corremos, chegamos ao final da cidade antes que os dois primeiros guerreiros esqueleto aparecessem, eles saíram dentre as árvores de cada lado da estrada, ao invés de camuflagem cinza, eles usavam agora uniformes azuis da Polícia do Novo México, mas tinham as mesmas peles acinzentadas e transparentes e os olhos amarelos, eles sacaram suas armas, eu não gostava de armas, Luke me baleou a um tempo atrás, no dia em que ele fugiu do Acampamento para se tornar servo de Cronos, eu quase morre por causa do tiro, Thalia deu um tapa em seu bracelete, Aegis ganhou vida em seu braço, mas os guerreiros não titubearam, acho que eles não sentiam medo, seus brilhantes olhos amarelos me focavam, peguei Contracorrente e apertei o botão do meu relógio de pulso, meu escudo expandiu em seu tamanho máximo, Zoë, Phoebe e Bianca se apoderaram de seus arcos, mas Phoebe estava tendo problemas porque Grover continuava desfalecendo e se inclinando contra ela.
—--Recuem. ---Thalia disse, nós começamos a recuar, mas então eu ouvi um tilintar de correntes, quatro outros esqueletos apareceram na estrada atrás de nós, estávamos cercados, imaginei onde estariam os outros esqueletos, eu vi uma dúzia no Museu Nacional do Ar e do Espaço, então um dos esqueletos levou um celular à boca e falou nele, porém ele não estava falando, ele fez um som ruidoso, de estalos, como dente seco no osso, de repente eu entendi o que se passava, os esqueletos haviam se separado para nos procurar, estes estavam agora chamando seus irmãos, em breve teríamos uma festa completa nas mãos.
—--Está perto ---Grover gemeu.
—--Está aqui --- eu disse.
—--Não ---ele insistiu. ---O presente, o presente da Natureza. ---Eu não sabia sobre o que ele estava falando, mas me preocupei com sua condição, ele não estava bem para andar, muito menos para lutar.
—--Teremos que ir um contra um ---Eu disse. ---Cinco deles, cinco dos nossos, eu pego dois, talvez eles ignorem Grover nesse estado.
—--Não concordo.... ---Começou Phoebe.
—--A Natureza! ---Grover gemeu, um vento quente veio através do cânion, balançando as árvores, não dei tempo de Phoebe reclamar, então eu investi, o primeiro esqueleto atirou, o tempo passou devagar, não vou dizer que podia ver a bala, mas eu podia sentir sua trajetória, do mesmo jeito que sentia as correntes marítimas, eu a desviei com a borda da minha espada, outro esqueleto atirou na lateral do meu corpo, eu defendi com meu escudo, continuei atacando, o esqueleto sacou um cassetete e eu decepei seus braços na altura dos cotovelos, então passei Contracorrente por sua cintura e o cortei ao meio, bate com o escudo na cabeça do outro, esta saiu voando do pescoço, rodei Contracorrente e cortei na base dos seus joelhos, mas isso tinha sido fácil demais, mas como minha sorte e perfeita, seus ossos se desmontaram em uma pilha estalando no asfalto, quase imediatamente, eles começaram a se mover, unindo-se, o terceiro esqueleto bateu os dentes para mim e tentou disparar, mas derrubei sua arma na neve e arranquei sua cabeça com contracorrente, pensei que estivesse indo bem, me virei e vê os dois esqueletos com as armas apostas, eles atiraram.
—--Percy! ---Zoë, Phoebe, Thalia e Bianca gritaram, eu coloquei meu escudo na frente do meu rosto e peito, as balas pegaram inutilmente nele, mas senti uma dor aguda na minha cocha esquerda, eu desabei de joelhos no chão, Thalia atacou o segundo esqueleto, Phoebe, Zoë e Bianca começaram a disparar flechas no terceiro, quarto e no quinto, Grover ficou lá e levantou as mãos para as árvores, como se quisesse abraçá-las. Houve um som de colisão na floresta a nossa esquerda, como uma escavadeira, talvez os reforços dos esqueletos estivessem chegando, eu me levantei com dificuldade, minha cocha esquerda estava ardendo em fogo, espada e escudo em punho os dois esqueletos que eu havia cortado ao meio já estava totalmente remontados, vindo atrás de mim, eu não sabia como podíamos pará-los, eu não conhecia nada que possa para-los, não havia meio de pará-los, Phoebe, Zoë e Bianca disparavam diretamente em suas cabeças, mas as flechas apenas passavam sibilando através de suas caveiras vazias, só havia um jeito, eu tinha que tirar os esqueletos, os levarem para longe e salvar os outros, mas antes que eu pudesse por esse plano em pratica, um investiu contra Bianca, e eu pensei que ela estava perdida, mas ela puxou sua faca de caça e apunhalou o guerreiro no peito, o esqueleto inteiro irrompeu em chamas, deixando uma pequena pilha de cinzas e um distintivo policial.
—--Como fizeste aquilo? ---Zoë perguntou espantada.
—--Eu não sei ---Bianca disse nervosa. ---Golpe de sorte?
—--Bem, faz de novo! ---Disse Zoë, Bianca tentou, mas os cinco esqueletos que sobraram estavam atentos a ela agora, eles nos forçaram para trás, deixando-nos ao alcance do cassetete.
—--Plano? ---Perguntou Zoë, conforme recuávamos, acho que o golpe de sorte de Bianca não iria se repetir de novo, então era hora do meu plano.
—--Eu tenho. ---Disse sorrindo para ela.
—--NÃO. ---Gritou Zoë.
—--Isso fazia parte do Plano, desde que começamos a missão. ---Disse sorrindo, me preparei para correr, mas as árvores atrás dos esqueletos estavam tremendo, galhos estavam se quebrando, mas agora parecia que estava realmente muito perto.
—--Um presente ---Grover balbuciou. Então, antes que eu colocasse meu plano em pratica, com um possante rugido, o maior porco que eu já havia visto entrou na estrada, era um javali selvagem, nove metros de altura, com um ranhoso focinho rosa e presas do tamanho de canoas, tinham pelo menos 2,50cm, suas costas eriçadas com pelos marrons, e seus olhos eram selvagens e furiosos.
—--“REEEEEEEEET”, ---ele guinchou, e jogou os cinco esqueletos para o lado com suas presas, a força foi tamanha que eles foram voando sobre as árvores para o flanco da montanha, onde se quebraram em pedaços, fêmures e ossos do braço rodopiando para todos os lados, o porco se virou para nós, Thalia ergueu sua lança, mas Grover gritou:
—--Não o mate. ---O javali grunhiu e deu patadas no chão, pronto para atacar.
—--É o Javali da Erimantia. ---Zoë disse, tentando permanecer calma. ---Eu não acho que nós possamos matá-lo.
—--É um presente ---Grover disse. ---Uma bênção da Natureza! ---O javali disse.
—--“REEEEEEEEET!” ---e moveu suas presas, Zoë, Thalia e Bianca saíram do caminho, eu tive que empurrar Grover, para que ele não fosse arremessado para a montanha na ‘Presa do Javali Express’.
—--É, eu me sinto abençoado! ---falei. ---Espalhem-se! ---Nós corremos em direções diferentes, e por um momento o javali ficou confuso.
—--Ele quer nos matar! ---Thalia disse.
—--Mas é claro ---Grover disse. ---Ele é selvagem!
—--Então como é uma bênção? ---Bianca perguntou incrédula, realmente me parecia uma pergunta justa para mim, mas o porco se ofendeu e a atacou, ela era mais rápida do que eu havia imaginado, ela rolou fora do caminho dos cascos dele e saiu atrás da besta, a besta investiu errado com suas presas e pulverizou o aviso BEM VINDO A CLOUDCROFT. Eu forcei meu cérebro, a minha perna estava doendo e me tirando a concentração, tentando me lembrar da lenda do javali, eu tinha plena certeza de que aquele ridículo do Héracles havia lutado com essa coisa antes, mas não podia recordar como ele o havia derrotado, eu tinha uma vaga memória do javali ter posto abaixo algumas cidades gregas antes que Héracles o vencesse, eu esperava que Cloudcroft fosse segurada contra ataques de javalis gigantes.
—--Continua andando! ---Phoebe gritou, ela e Bianca corriam em direções opostas, Grover dançou ao redor do javali, tocando sua flauta enquanto o javali bufava e tentava pegá-lo, mas Thalia e eu vencemos o prêmio de má sorte, quando o javali se virou, Thalia cometeu o erro de segurar Aegis em modo defensivo, a visão da cabeça da medusa fez o javali guinchar injuriado, talvez parecesse muito com um de seus parentes, o javali nos atacou, corremos, minha perna doía bastante, nós apenas conseguimos nos manter à frente dele porque corremos ladeira acima, e podíamos nos esquivar das árvores enquanto o javali tinha que colocá-las abaixo, do outro lado da colina, eu vi um antigo trecho de linhas de trem, parcialmente enterradas na neve.
—--Por aqui. ---Eu agarrei o braço de Thalia e corremos pelos trilhos enquanto o javali rugia atrás de nós, escorregando e deslizando enquanto tentava correr sobre a encosta íngreme, seus cascos não foram feitos para isso, graças aos deuses, à nossa frente, vi um túnel coberto, além dele uma ponte velha sobre um desfiladeiro, eu tive uma ideia maluca.
—--Siga-me! ---Disse para ela, Thalia desacelerou, eu não tive tempo de perguntar por que, mas eu a puxei e ela me seguiu relutante, atrás de nós, um porco tanque de dez toneladas estava derrubando pinheiros e esmagando rochedos sob seus cascos enquanto nos perseguia, Thalia e eu entramos no túnel e saímos do outro lado.
—-- Não! ---Thalia gritou, ela ficou branca como gelo, estávamos na borda do precipício, abaixo, a montanha descia em um desfiladeiro de vinte metros recoberto de neve, o javali estava bem atrás de nós.
—--Vamos! ---eu disse. ---Vai aguentar o nosso peso, provavelmente.
—--Eu não posso! ---Thalia berrou, seus olhos estavam selvagens de medo, o javali esmagava o túnel, destruindo tudo em alta velocidade, ela olhou para baixo e engoliu em seco, eu juro que ela estava ficando verde, eu não tive tempo para processar o porquê, o javali estava investindo através do túnel, na nossa direção, destruindo tudo, e nós fazíamos parte desse tudo, então era hora do plano B, eu puxei Thalia e nos pus ao lado da borda da ponte, dentro da lateral da montanha, nós deslizamos em Aegis como um snowboard, sobre rochas e lama e neve, acelerando montanha abaixo, Thalia agarrou minha cintura e gritava tão alto que doía meus ouvidos, o javali foi menos afortunado; ele não conseguiu se virar tão rápido, então todas as dez toneladas de monstro atacaram o fino suporte, o qual arrebentou sob seu peso, o javali entrou em queda livre no desfiladeiro com um poderoso guincho e aterrissou em um monte de neve com um grande
POOOOOOF!
Thalia e eu derrapamos para parar, estávamos ofegando, além da minha perna que doía muito, eu estava ferido e sangrando, pequenos cortes insignificantes, Thalia tinha pedaços de pinheiro no cabelo, mas não parecia ter nenhum ferimento grave, mas ela parecia estar em total pânico, perto de nós, o javali selvagem estava guinchando e lutando, tudo o que eu pude ver foi uma ponta de suas costas, estava enterrado completamente na neve como um pacote de isopor, não parecia estar machucado, mas não ia a lugar algum, de qualquer forma, estava entalado, eu olhei para Thalia.
—--Você tem medo de altura. ---Disse para ela, agora que estávamos salvos na base da montanha, seus olhos tinham a aparência zangada de sempre.
—--Não seja estúpido.
—--Isso explica tudo, por que você se apavorou no furgão do Apolo, por que você não queria falar com ninguém sobre isso. ---Ela respirou fundo, então ela limpou as agulhas de pinheiro do seu cabelo.
—--Se você contar para alguém, eu juro ---Disse ela nervosa.
—--Não, não ---eu disse. ---Está bem, a filha de Zeus, o Senhor do Céu, com medo de altura? Não e uma boa coisa, relaxe, seu segredo está a salvo comigo. ---Ela sorriu agradecida, a voz de Grover chamou:
—-- Alôôôôôôôô?
—-- Aqui embaixo! ---eu bradei.
—--Percy, sua perna. ---Disse Thalia preocupada. ---você foi baleado.
—--Está tudo bem, não foi nada demais. ---Disse sorrindo, alguns minutos depois, Zoë, Phoebe, Bianca e Grover chegaram até nós.
—--Heitor. ---Disse Zoë chegando, quando ela estava realmente nervosa comigo, ela me chamava pelo segundo nome. --- você e um idiota. ---Disparou ela vermelha de raiva.
—--Um pouco. ---Disse sorrindo, ela ficou ainda mais nervosa.
—--OLHA SEU IDIOTA. ---Gritou Zoë, mas ela se interrompeu, seus olhos estavam vermelhos de pura raiva, acho que se ela tivesse o poder de me pulverizar com eles, eu morreria bem ali, mas ela não gritou, apenas bufou e saiu de perto pisando duro, sorri, era bom ter Zoë de volta.
—--Ela logo vai voltar a falar com você. ---Disse Phoebe se ajoelhando ao meu lado, e analisando minha perna. ---Senta aqui, precisamos retirar essa bala. ---Disse Phoebe.
—--Sim, senhora. ---Disse me sentando no chão, ela começou a retirar a bala que estava alojada na minha perna.
—--Uma bênção da Natureza ----Grover disse, apesar de agora parecer agitado, ela corria em volta do Javali preso, tocando músicas com sua flauta.
—--Eu concordo ---Phoebe disse. ---Nós devemos usá-lo.
—--Espere aí ---Thalia disse irritada, ela ainda parecia como se tivesse perdido uma luta contra uma árvore de Natal. ---Ele acabou de tentar nós matar, me explique por que você tem tanta certeza de que esse porco é uma bênção. ---Grover olhou adiante, distraído.
—--É nossa carona para o oeste, você faz ideia de quão rápido esse javali pode viajar? ---Perguntou Grover.
—--Divertido ---falei. --- Como... peões de porco. ---Grover assentiu, senti uma dor aguda na perna. ---AI PHOEBE.
—--Desculpa. ---Disse ela dando de ombros, ela segurava a bala numa pinça em sua mão. ---Falta pouco.
—--Nós precisamos montá-lo. ---Disse Grover, Phoebe derramou água no ferimento, senti toda a dor sumir, e a ferida se fechou. ---Eu queria... eu queria ter mais tempo para olhar em volta, mas já se foi agora.
—--O que se foi? ---Perguntei confuso, Grover não pareceu me ouvir, ele andou até o javali e pulou em suas costas, o javali já estava começando a abrir caminho no monte de neve, uma vez que estivesse livre, não haveria como segurá-lo, Grover pegou sua flauta, ele começou a tocar uma música horrível e jogou uma maçã a frente do javali, a maçã flutuou e ficou logo acima do focinho do javali, e o javali ficou doido, esforçando-se para pegá-la.
—--Direção automática ---Thalia murmurou. ---Ótimo. ---Ela montou atrás de Grover, e ainda sobrou bastante espaço para o resto de nós, Phoebe, Zoë e Bianca caminharam para o javali também.
—--Espere um segundo --- eu disse. ---Vocês duas sabem sobre o que Grover estava falando, sobre essa bênção da natureza?
—--É claro ---Zoë falou, ela não parecia muito feliz em falar comigo. ---Não sentiste no vento? Foi tão forte... eu nunca pensei que sentiria essa presença novamente.
—--Que presença? ---Ela me encarou como se eu fosse um idiota.
—--O Senhor da Natureza, é claro, apenas por um momento, na chegada do javali, eu senti a presença de Pã novamente.
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