Notas iniciais
mais uma em...

POV: Perseus Heitor Jackson.

Depois da minha estranha e esquisita luta com o deus Antigo Taumante, ele mas pareceu estar brincando do que realmente querendo me matar, não entendi muito bem o motivo dele ter vindo me enfrentar, o modo como agiu, era como se ele quisesse mesmo saber quem de nós era o mais forte e inteligente, tanto que quando meu pai enviou seu Tridente, sim, também estou ainda muito surpreso, Taumante recuou sem nem ao menos tentar me enfrentar, talvez ele só queira enfrentar adversários poderosos usando tudo de si. Não podia reclamar da sorte que havia tido, agora eu tinha que chegar até Ligea o mais rápido que eu podia, eu usei toda a minha velocidade para chegar até a localização que meu pai havia me dito, logo avistei uma enorme orca “assassina” de mais de 10 metros de tamanho atacando um ser humanoide gigantesco, ela mordia o ser com força, o braço dele estava todo dentro da boca da criatura, mas em sua outra mão havia um enorme machado duplo em mãos, ele acertou o corpo da Orca com o machado.

—--NÃÃÃOOOOO ----Gritei a todos pulmões indo ainda mais rápido, com certeza aquela Orca era Ligea transformada, assim que a Orca recebeu o golpe, seu corpo começou a diminuir, voltando a ser um corpo humano, o corpo da minha namorada, Ligea, mas a enorme criatura Humanoide atacou de novo, eu ainda estava longe demais para impedir o ataque. ---não, não. ---O golpe pegou em cheio, a enorme lâmina indo fundo no pequeno corpo. Aumentei ainda mais a velocidade que vinha, então para afastar o corpo humanoide que ataca minha doce namorada, eu fiz gelas de gelo e arremessei contra o corpo gigante, as lanças de gelo o surpreenderam, algumas encontraram brechas na armadura do gigante, ele urrou de dor e se afastou, deixando sua enorme arma presa ao corpo de Ligea, finalmente eu consegui chegar até o corpo dela, ele já estava próximo do chão, quando dei uma boa olhada nela senti meu coração se desesperar, o machado havia quase a partido ao meio, sangue vermelho manchava a água, Ligea já não estava mais consciente, mas ela ainda estava viva, podia sentir isso, mas sua vida estava apenas por um fio. ---Calma, calma meu amor, eu estou aqui, eu vou dar um jeito nisso. ---Disse com a voz trémula, minhas mãos tremiam, eu peguei o enorme machado duplo e retirei do corpo de Ligea, mais sangue jorrou do ferimento para meu desespero.

—--Tarde demais Generalzinho, ela já está...

—--CALA BOCA. ---Berrei irritado, olhando rapidamente para o humanoide que havia deixado Ligea nesse estado. Eu reconheci aquele maldito deus do meus sonhos, era Fórcis, ele apenas estava em sua forma divina, isso o deixava ainda mais feio, seu rosto era feio, sua pele era bastante pálida, ele aparentava ter por volta dos 40 anos, longos cabelos e barbas verdes, grande e musculoso, olhos verdes claros, ele usava uma armadura totalmente negra, feita de Oricalco, seu braço esquerdo estava literalmente arrancado do meio do braço pra baixo, Icor o sangue dos deuses manchava a água do mar, ele arrancou a última lança que estava cravada em seu ombro direito, havia mais dois buracos onde as lanças haviam entrado, um na coxa direita e o outro no abdômen inferior. ---Você vai morrer, mas antes disso vou salvar meu amor.

—--Quero ver você tentar. ---Disse ele sorrindo desdenhoso, não dei atenção para ele, precisava focar minha concentração para Ligea, eu tinha que salvar ela.

—--Aguenta, Ligea, amor. ---Disse docemente, respirei fundo tentando me acalmar, minha mão estava tremendo demais, cravei a base do Tridente no chão o afundando na terra dura do fundo do mar. Então usando todo o poder que tinha para curar, eu comecei a mandar energia para o corpo de Ligea, tentei juntar o ferimento de Ligea, ela estava quase partida ao meio, sangue escorria da sua boca, a hemorragia era muito séria, senti minha entranhas se dobrarem ao meio de tanto poder que eu mandava para Ligea, aos poucos o ferimento começou a se fechar, mas ainda era muito pouco. As pálpebras de Ligea se mexeram levemente, ela estava tentando abrir seus olhos, mas não conseguiu, mesmo assim isso era um bom sinal. ---LIGEA.. NÃO ME DEIXE... ---Gritei desesperado, aquilo pareceu animar Ligea, ela respirou mais firmemente, então ela conseguiu abri os olhos, aqueles lindos olhos azuis turquesas me olhando atentamente, senti um breve alivio no meu peito, foi inevitável não sorrir. ---Aguenta firme, Ligea. ---Disse eu chorando, me concentrei em mandar ainda mais energia para tentar curar o ferimento, foi então que vi algo que me desesperou, o coração de Ligea, havia se despedaçado com o ataque do machado, isso era muito ruim, sem ele para trabalhar a energia no corpo, bombear sangue, qualquer mortal ou mesmo um semi-imortal não teria chances para sobreviver, Roda havia me dito isso. Em resposta aos meus medos os olhos de Ligea começaram a tremer, ela não conseguia mantê-los aberto.

—--Percy... ---Ela conseguiu dizer baixinho, ouvi sua voz me encheu de felicidade e um esperança enorme aumentou no meu peito. ---Eu... te amo.

—--Eu também te amo, amo muito, eu vou te salvar... não. ---Disse chorando, os olhos de Ligea foram perdendo o brilho rapidamente, mesmo com todo o esforço que eu fazia para manter ela viva e tentar curar ela. O brilho foi desparecendo a vida saindo daquele corpo dilacerado. ---Não, não, não... por favor não... LIGEA, NÃO ME DEIXE. ---Gritei desesperado chorando, eu não conseguia mais sentir a respiração, os batimentos, o sangue percorrer suas veias e o calor de Ligea, tudo havia deixado ela, a vida havia a deixado. Abracei o corpo inerte de Ligea chorando, meu coração estava se separando em dois. ---NÃO, TUDO MENOS ISSO, VOLTA PRA MIM. ---Gritei desesperado, de repente algo chamou minha atenção o corpo de Ligea começou a brilhar, fortemente, quando o brilho cessou a armadura danificada de Ligea desceu rapidamente para o chão por causa do peso, mais algo chamou minha atenção, havia uma pequena concha madrepérola azul, azul turquesa, flutuando na água, descendo para baixo lentamente, aquela concha foi tudo que restou de Ligea, isso, e meu coração despedaçado de dor e desespero. Agarrei a concha madrepérola azul turquesa docemente, ela não era maior do que meu polegar, havia um pequeno furo na junção da concha, aquela concha furada representava muito bem o meu coração, meu coração estava furado, dilacerado por dentro, eu chorava compulsivamente, não conseguia controlar.

—--AAAAHHH... ---Escutei Fórcis se deliciando, como se aquilo fosse a coisa mais deliciosa que ele havia provado. ---Que delícia, além de ter a chance de matar você, ver você desmoronando por uma mera serviçal, uma ninfa qualquer, não tem preço. ---Aquilo me enfureceu, muito, muito mesmo, eu quase deixei minha visão ficar toda negra e o meu lado sombrio me dominar, mas eu tentei manter a calma, queria aproveitar esse momento. ---Você o grande General, herdeiro de Poseidon o temido e conhecido Exterminador entre o exército de Oceano. ---Ele ria freneticamente, como se tivesse ouvido a melhor piada do mundo, minha desgraça o divertia. Guardei minha última lembrança de Ligea dentro da minha mão esquerda com força, com a mão direita agarrei firmemente o Tridente de meu pai, energia voltou a dominar meu corpo, ela ia aumentando exponencialmente dentro de mim, expandindo dentro do meu corpo. Me virei lentamente na direção de Fórcis, ele ainda gargalhava gostosamente, assim que ele me viu ele parou de gargalhar e me olhou sorrindo. ---Nossa, que medo, esse olhar de raiva, estou tremendo de medo de você, olha só. ---Disse ele sarcasticamente me mostrando sua mão, tremendo-a de propósito. Sem dizer uma única palavra fiz várias lanças de gelo se formarem atrás de mim, assim que Fórcis viu a quantidade de lanças de gelo, seu sorriso desmanchou. Eu apontei o Tridente na direção do Fórcis, em reposta as lanças começaram a ir a uma velocidade absurda na direção de Fórcis, este ainda conseguiu desviar da primeira, mas então a segunda atingiu suas costas, entrando fundo, fazendo-o urrar de dor, mas seu grito foi cortado pelas outras dezenas de lanças que encontram o corpo dele, não havia um único membro em seu corpo que não havia lanças cravadas nele, exceto a cabeça, pra ela eu tinha algo especial, mas ele ainda sim parecia um porco espinho de gelo gigante, Icor manchou a água do mar, assim como o sangue vermelho de Ligea também manchou, eu podia acabar com essa luta bem rapidamente, mas eu não queria, Fórcis não merecia honra e misericórdia, balancei o Tridente para baixo em resposta às lanças de Gelo no corpo de Fórcis o levaram para baixo, o cravando no chão.

—--AAAHHH... ---Gemeu ele de dor, aquilo pareceu músicas para meus ouvidos, nadei lentamente até ele, concentrei-me em fazer as lanças de gelo retornarem a seu modo liquido, desaparecendo, restando apenas um corpo dilacerado, a armadura havia sido totalmente destruída pelas lanças, haviam dezenas e mais dezenas de furos em seu corpo, aos poucos ele foi reduzindo o seu tamanho, voltando a ter um tamanho humano, cheguei em frente ao seu rosto e o olhei sorrindo, seus olhos verdes demonstravam puro pânico e medo, retirei meu elmo, revelando meu rosto, queria que ele visse perfeitamente o rosto desse pobre filho de Poseidon, que o fez sofrer, sofrer como nunca antes.

—--Sabe, o corpo humano é engraçado. ---Disse olhando para seu corpo, aos poucos as feridas nele iam se fechando, era bem lentamente comparado a um deus é claro, já que eu havia acertado seu coração, sua fonte de energia, ele não curaria quase instantaneamente. ---Quando você tortura muito ele. ---Disse cravando o Tridente fundo no peito dele, fazendo-o gritar de dor. ---Ele não consegue mais sentir dor. ---Disse cravando novamente, só que agora na coxa direita, ele urrou de dor de novo, mas ele não tinha forças para sair daquela posição. ---O cérebro não consegue mais assimilar os estímulos. ---Cravei a lança novamente em seu peito, bem no coração, para não deixar ele se curar, ele urrou de dor, cuspindo Icor. ---Por isso não danifiquei sua cabeça, quero que você sinta tudo isso, dessa forma você vai entender a dor que estou sentido. ---Cravei o Tridente na sua pélvis, bem no seu órgão genital, fazendo-o urrar de dor.

—--Não, me mate logo. ---Implorou ele, eu ri alto, cravando novamente o Tridente no seu coração. ---AAHHH... ---Ele tossiu, cuspindo Icor.

—--Quando estive na Prisão de almas, sendo torturado diariamente, sem parar, sem descanso, eu pude aprender algumas coisas. ---Cravei o Tridente em sua perna e torci, quebrando a perna e expondo o osso da tíbia para fora. Ele urrou de dor. ---Por exemplo, deuses suportam muito mais tortura que um mero mortal. ---Cravei novamente o Tridente no peito de Fórcis, ele cuspiu Icor.

—--Chega, eu não aguento mais. ---Implorou ele, o que me fez gargalhar novamente.

—--Eu aguentei mais de 20 anos, você não aguenta 20 segundos, você é ridículo. ---Disse com desdém, quando estava prestes a espeta-lo novamente, senti uma movimentação na água, um tipo de rajada cortante e a cabeça de Fórcis foi cortada fora, em um único golpe misericordioso, seu corpo explodiu em pó dourado, restando apenas uma cabeça morta como suvenir da vitória da batalha. Me virei irritado para quem acabará de matar Fórcis e tirar minha vingança, estava pronto para destruir quem quer que fosse, mas eu travei com quem vi, parado na minha frente, estava meu pai, seus olhos estavam vermelhos, muito vermelhos e ele me olhava tristemente, pesarosamente, assim que vi ele, a raiva desmanchou no meu peito, toda raiva, somente a dor e o desespero sobrou, senti as lágrimas virem e não consegui me segurar, comecei a chorar, chorar alto e compulsivamente, meu pai me abraçou fortemente, seu Tridente escapou da minha mão e foi descendo para o chão, mas ele não pareceu se incomodar com aquilo, ele só queria me confortar, eu apertei-me contra ele, chorando desesperadamente. ---Pai, está doendo demais, doendo demais, não consigo suportar isso. ---Disse entre os soluços.

—--Calma, meu filho, eu sei, eu sei. ---Disse ele tentando me confortar, mas eu não conseguia me controlar.

—--Pai, isso foi tudo que sobrou dela. ---Disse chorando alto, mostrando para ele a concha em minha mão, meu pai fechou minha mão sobre a concha e disse forçando um sorriso, apesar de sua voz ter saído um chorosa também.

—--Guarde-a bem, guarde com muito amor e carinho, meu filho.

—-------------------------------- Quebra de Tempo. ---------------------------------------------------------------------------------------------

No dia seguinte.

As horas se passavam lentamente, meus olhos não se fecharam nem por um único momento naquele tempo que estive deitado na minha cama, sozinho, sem o amor da minha vida comigo, eu continuaria a chorar se pudesse, mas depois de duas horas chorando sem parar, não havia mais lágrimas para isso, tudo que eu mais queria era ter Ligea em meus braços, poder sentir o calor do seu corpo no meu, o cheiro gostoso daquela imensidão vermelha dos seus cabelos, poder ao menos ouvir sua voz, mas tudo que eu tinha era a dor da solidão é a imagem da minha querida Ligea quase separada ao meio, morrendo em meus braços, sangue para todo lado, aquela maldita imagem não saia da minha cabeça. Mesmo que tivesse tentado me segurar, tentar não pensar naquilo, eu não conseguia, não conseguia parar de pensar em Ligea, mas eu não conseguia pensar nos bons momentos, somente os maus, somente a dor, pensava apenas que amanhã eu não ia mais ver Ligea, na verdade nunca mais ia poder vê-la novamente, espíritos da natureza apenas deixam de existir, não existe um “céu” para eles, um campo Elíseos, se há algum lugar para eles irem na sua morte, nunca saberíamos dizer, o tempo que estive junto dela foi tão curto, passou tão rápido, foram momentos maravilhosos de felicidade, amor e companheirismo. Mas eu só conseguia pensar na dor de não estar mais com Ligea, na dor de não poder mais amar ela, não existia palavras para expressar a dor que estava sentindo. Levantei da minha cama, por mais que meu pai e minha avó tivessem insistido que eu passasse pelo menos o dia de hoje sem ir para guerra, eu iria, se continuasse ali naquela tortura solitária eu enlouqueceria, quem sabe o que poderia fazer ali sozinho, por mais que nunca tivesse tido muitos pensamentos de suicídio, aquela maldita noite a ideia nunca me pareceu tão tentadora, mas eu nunca faria aquilo, Ligea não ia querer aquilo pra mim, nunca, eu sabia disso, além disso mesmo se me mata-se, eu nunca mais ia poder ver Ligea, não importa onde eu procurasse. Então eu notei a pequena concha madrepérola azul turquesa em cima da minha escrivaninha, aquilo foi tudo que restou de Ligea, pequei a concha com carinho, depositei um doce beijo nela.

—--Me perdoe, Ligea, não consegui te proteger, mas prometo que vou sempre carregar isso comigo, assim como vou te carregar no meu peito, no meu coração, espero que de onde quer que você esteja agora, você consiga ouvir isso, ouvir minha voz e saber o quanto eu te amo, o quanto eu te amei. ---Disse com a voz chorosa, eu peguei e desamarrei meu colar de contas, minha mão estava um pouco trêmula, o cordão passou com dificuldade na pequena fissura da concha, agora não havia apenas as minhas três contas, havia algo mais, havia mais um pedaço do meu coração junto as contas, a primeira conta: era um pingente azul escuro, com o desenho amarelo de um raio, a segunda conta: era verde, com o desenho de um Velocino, na cor amarelo ouro, a terceira conta: ela tinha o fundo preto, acima, entalhado no metal, havia o desenho, quase tão lindo quando a mortalha da Phoebe, o desenho de um meio sol amarelo ouro, e uma meia lua, azul viva, ambos estavam juntos, dividindo o mesmo espaço, fazendo o perfeito Yin e Yang, um completando o outro, e agora havia uma pequena concha azul turquesa madrepérola, um pouco maior do que as contas do acampamento. Escutei uma batida na porta do meu quarto, enxuguei as poucas lágrimas que desciam pelo meu rosto.

—--Pode entrar. ---Disse alto, a porta foi aberta e de dentro dela saiu minha irmã, Roda, ela não estava vestindo sua armadura, apenas um vestido branco comum, meu pai também havia dado um dia de descanso para ela, sabendo do quanto Roda também era apegada a Ligea. Roda parecia bem, apesar de que seus olhos estarem bastante vermelhos, ela veio caminhando lentamente na minha direção, quando ela estava poucos passos ela começou a chorar, chorar desesperadamente, ela me abraçou e chorou, alto, ela soluçava. Eu segurei minhas lágrimas como pude, não queria chorar mais, Ligea não ia querer que eu ficasse nessa zona de luto, pena própria e ódio, então eu tinha que ser o mais forte que eu podia para ajudar Roda, então eu apenas acariciei sua cabeça, enquanto a abraçava com força. ---O minha linda, não chore, Ligea não ia gostar de te ver assim, meu amor.

—--Tá doendo tanto, tanto. ---Disse Roda chorando alto, ela tremia em meus braços, aquilo cortava ainda mais meu coração. ---Eu quero a LIGEA...

—--Eu também quero, e como eu queria. ---Disse segurando o choro, enquanto fazia carinhos em seus cabelos. ---Mas infelizmente não podemos mudar algumas coisas que aconteceram, mas... ---Beijei o topo da sua cabeça, me afastando do seu corpo e indo em direção a minha armadura que estava no suporte, esperando para ser colocada. ---Podemos nos esforçar para que mais mortes não sejam necessárias.

—--Você vai para a batalha? ---Perguntou Roda incrédula.

—--Sim, eu vou. ---Disse calmamente, começando a vestir minha armadura.

—--Mas você não está em condições de lutar, você não está preparado psicologicamente para isso, não pode sair assim. ---Argumentou Roda irritada.

—--Eu nunca estou em condições de lutar. ---Disse distraidamente, ajustando a minha armadura peitoral e apertando as tiras. ---Nunca estou, apenas tenho que lutar, não tenho muita escolha.

—--Você não pode sair, Percy, você vai se machucar. ---Disse Roda irritada, eu já estava quase acabando de colocar minha armadura, já estava nas pernas.

—--Eles não vão conseguir me machucar. ---Disse tristemente, sem me virar para Roda. Não tem mais nada para me machucar, nada mais que possa realmente me ferir, pelo menos não mais do que já estou ferido, eles não podem mais fazer nada, agora é minha vez de machuca-los. Me virei para Roda, ela me olhava atentamente, tentando notar algum desequilíbrio em mim, mas eu forcei um sorriso e deixei minha voz transbordar confiança. ---Não precisa se preocupar, vou me cuidar, afinal Ligea não ia querer que eu morresse nessa guerra maldita.

—------------------------------------------ Quebra de Tempo. -----------------------------------------------------------------------------------------------------

Estava ordenando que as correntes marítimas me levassem em grande velocidade na direção da batalha, estava procurando mais algum monstro maldito para destruir, eu queria mais, eu até podia sentir que estavam tentando se comunicar comigo. Mas eu estava sozinho durante várias horas, sem liderar nosso exército, sem Meia-noite, sem seguir ordens, apenas eu e os inimigos, nada mais, eu batalhei durante bastante tempo, minha cabeça não estava realmente na batalha, eu apenas cortava, desviava e destruía, sem nem ao menos pensar no que estava fazendo direito, estava em um modo automático louco, minha cabeça apenas via o rosto de Ligea, o rosto do meu amor ensanguentado e seus olhos sem vida, essa imagem estava diante dos meus olhos durante todo o tempo, durante toda a batalha, aquela dor doentia dilacerando meu peito. O longo tempo que estive na batalha me levaram para longe, eu avancei para muito longe do nosso exército, procurando a todo tempo uma criatura que eu possa descontar minha raiva, uma criatura que eu possa destruir, estive todo o tempo controlando meus pensamentos, tentando manter longe qualquer um que pudesse querer se comunicar comigo, mesmo meu pai, Atena ou qualquer outro, eu só queria estar sozinho, fazendo o que eu nasci para fazer, Exterminar criaturas infernais. De repente notei uma figura parada na minha frente, eu a reconheci de imediato, o real motivador dessa maldita guerra, o verdadeiro culpado das milhares de vidas perdidas nessa maldita guerra, guerra sem sentido por mais poder, já não bastava o que ele tinha, ele queria mais, e isso custou vidas, em especial a vida perdida da minha namorada, da minha amada namorada Ligea, vidas perdidas apenas pela ganância daquele homem, daquele maldito Titã. Parado na minha frente estava Oceano, ele não estava em sua forma divina, então ele era apenas um jovem homem, por volta dos 25 anos, pele clara, uma longa barba negra, seus cabelos negros e lisos, desciam pelas costas, no topo da sua cabeça, havia chifres que mais pareciam duas pinças de caranguejo, seu peito estava nu, ele era musculoso, já sua parte de baixo, era como de uma serpente negra, ele trajava sua estranha arma, ao invés de uma espada ou lança, ele bradava uma serpente viva, ela devia ter uns 1 metro cumprimento, tinha uma cabeça triangular, era totalmente negra, com pequenos olhos vermelhos com fendas negras, aquela maldita criatura olhava diretamente pra mim, Oceano sorriu calorosamente pra mim.

—--Ora, Ora, o que temos aqui? O que um príncipe como você, faz tão longe da proteção do papai? ---Perguntou Oceano desdenhando.

—--Eu estou me exercitando um pouco. ---Disse sorrindo sarcasticamente, a fúria em meu peito estava aumentando em grandes escalas. ---O que um rei velho e gordo, faz tão longe do seu trono gelado? ---Disparei contra o Titã, ele riu alto.

—--Sua língua e realmente afiada, mas pelo que fiquei sabendo, parece-me que sua espada não é tanto assim, pelo menos não como sua língua. ---Disse Oceano sorrindo, apontei Contracorrente na direção de Oceano, ela já estava em sua forma de espada, pronto e afiada para arrancar a cabeça daquele maldito e acabar com tudo isso.

—--Chega de papo, vamos acabar com isso, eu e você, aqui, é agora. ---Disse entre os dentes, Oceano sorriu de escárnio.

—--Imaginei que você iria pedir algo assim, então tomei a liberdade de bloquear nosso sinal do radar de Atena, eles não poderão ajudar você.

—--Não pediria algo melhor do que isso. ---Disse me colocando de guarda, eu não estava tão cansado, ainda tinha bastante poder para usar, iria acabar com as coisas aqui e agora, ou eu mataria Oceano ou não viveria o suficiente pra ver o final da guerra, de qualquer forma esse era o fim de alguma forma.

—--Antes de começarmos, eu estou realmente me sentindo caridoso hoje, então tenho que dizer isso. ---Disse Oceano abaixando sua arma serpente e me olhando seriamente, eu não entendi de imediato, mas esperei o que quer que fosse que ele tinha pra me dizer. ---Entre todos os Olimpianos, o que mais respeito e tenho carinho, é sua mãe, Hera, talvez o único que se depende-se de mim, não sofreria nem ao menos um hematoma, ela fez tanto por mim, tanto pelo meu casamento, eu realmente sou muito grato a ela, não quero machuca-la, de nenhuma forma, mas minha bondade em te poupar nessa guerra, me custou caro, eu acabei ignorando demais suas habilidades e seu poder nessa guerra e isso me custou aliados inestimáveis contra seu pai, sei que você perdeu sua querida namorada ontem, sei o quão irritado você está e quão doloroso é essa situação, talvez eu me arrependa disso, mas eu realmente não quero te matar, não quero machucar Hera.

—--Vai se foder, enfia sua bondade no seu rabo de enguia, seu maldito, você não entende nada, você sacrifica milhares de vidas, apenas por sua ganância por poder, sua gula de querer mais e mais, eu apenas queria amor, eu apenas queria ter o amor da minha vida do meu lado, nada mais que isso, mas não, NÃO, SUA MALDITA GANÂNCIA ACABOU COM TUDO, AGORA EU VOU ACABAR COM VOCÊ. ---Sem espera por resposta eu parti pra cima, ordenando que a Corrente Marítima me levassem o mais rápido que eu podia na direção de Oceano, por mais que o ódio puro queimasse no meu peito, eu ainda tinha consciência dessa luta, minha chances eram muito pequenas, mas eu tinha um plano, enquanto Oceano estivesse em sua forma humana, seus poderes eram limitados, se houvesse uma chance de derrota-lo, seria enquanto ele estivesse nessa forma, eu tinha que pressiona-lo, lutar rapidamente, não dar a menor chance para ele se transformar. Eu ataquei um corte lateral da direita para a esquerda, mas Oceano defendeu com sua serpente marinha, a serpente era dura, o barulho de Contracorrente contra suas escamas eram como se duas lâminas se encontrassem, Oceano e eu ficamos fazendo aquela pequena “queda de braço.” Vendo quem tinha mais força bruta.

—--Você é realmente muito veloz, talvez quase tão veloz quanto minha forma humana. ---Disse Oceano sorrindo com desdém.

—--Não sou apenas rápido, sou bastante forte. ---Disse apertando ainda mais a força do meu ataque, aos poucos minha força foi se sobressaindo contra a de Oceano, o sorriso desdenhoso de Oceano foi desaparecendo, quando Contracorrente estava prestes a ferir o corpo de Oceano, a Serpente que o defendia atacou, literalmente, seu corpo se esticou aumentando o comprimento e ela tentou morder meu rosto, mas eu desviei no último segundo e me afastei, Oceano voltou a sorrir.

—--Realmente incrível, nunca vi um semideus tão poderoso, mesmo Héracles não foi tão promissor quanto você é. ---Disse Oceano pensativo. ---Chega a me assustar imaginar o quão poderoso, você seria se um dia chegasse a se tornar um deus.

—--Chega de baboseiras, eu vou te matar. ---Disse irritado indo novamente para o ataque, agora dessa vez não forcei um único ataque, eu cortei e ataquei de diferentes direções, com força e velocidade, mas mesmo com todo meu poder e velocidade eu não conseguia ferir Oceano, porém eu mantinha-o encurralado, ele mal conseguia contra-atacar, mas eu não podia derrota-lo dessa forma, precisava de um plano, e felizmente não demorei para ter um, sem deixar espaços para Oceano, eu me concentrei em solidificar a água atrás dele, lentamente, sem despertar grande alarde na água, além disso eu o pressionava, mantendo-o focado 100% em mim.

—--Você pode estar me pressionando, mas não vai conseguir me matar assim, nossos níveis de habilidade são semelhantes nessa forma. ---Disse Oceano desviando do meu ataque, então eu parei e apontei Contracorrente na sua direção, ele estava perfeitamente onde eu queria.

—--Mas isso é apenas uma distração. ---Disse sorrindo, Oceano estreitou os olhos, mas já era tarde demais, eu avancei, ao mesmo tempo que ordenei que lança de gelo atrás dele o ataca-se, Oceano se preparou para o ataque direto, mas antes que ele pudesse se defender do meu ataque a lança de gelo entrou em suas costas, bem na altura do coração, foi perfeito, acertei perfeitamente a fonte de energia do Titã, ele agora não poderia mais se elevar a forma divina e nem controlar grandes poderes. Oceano ainda tentou se proteger com sua serpente marinha, mas eu bati ela para o lado, então girei Contracorrente e estava prestes a pôr um fim a toda essa luta, estava prestes a arrancar a cabeça de Oceano do seu corpo inútil. Mas antes de poder fazer isso, senti a água se mover muito rapidamente na minha direção, era um ataque vindo rapidamente na minha direção, tentei controlar as correntes e me proteger, mas não fui tão rápido, senti diversas dores agudas em meu corpo e fui arremessando para longe de Oceano, fui arrastado pelo chão duro do fundo do mar, quando meu corpo parou, olhei para a lateral esquerda do meu corpo, haviam várias lanças de gelo cravadas no meu corpo, senti minha vista embasar, estava abeira de desmaiar. Levantei meu rosto com dificuldade, então pude ver quem fora que me atacará, uma linda mulher de oito metros de altura, por volta dos 21 anos, sua pele era azul, tinha longos e sedosos cabelos negros, seus olhos eram extremamente azuis como o mar, ela trajava uma armadura branca completa, sem elmo e estava com seu Tridente em punho, porém o metal de sua arma era prata, não faço ideia de que material era feito, mais a enorme arma emitia um forte brilho azul, era Tétis, ela me pegou de surpresa, estava tão distraído no meu ataque, que não notei o ataque dela, acabei cometendo o mesmo erro de Oceano. Tétis nadou até o marido e o olhou com desaprovação.

—--Você, seu teimoso. ---Resmungou ela irritada.

—--Desculpa, amorzinho. ---Disse Oceano sorrindo, Oceano pegou a lança de gelo em seu peito e a retirou lentamente, Icor o sangue dos imortais manchou a água, porém o ferimento foi se fechando rapidamente.

—--Eu disse para não brincar, se tivesse lutado desde o começo em sua forma divina, o garoto não teria a menor chance, mas não, você tinha que mostrar e provar qual dos dois tinha o pinto maior. ---Disse ela irritada. Eu estava frito, mau podia lutar com Oceano, quem diria com os dois Titãs soberanos do mar.

—--Eu sei, eu sei, mas eu não queria matar o garoto, só queria ver o quão poderoso ele era, mas ele acabou me surpreendendo. ---Disse Oceano, eu precisava pensar em algo, tinha que levantar pra recomeçar. Comecei a me levantar lentamente, com muita dificuldade, minha visão estava turva e eu sentia o gosto de sangue na minha boca, o ataque de Tétis havia feito uma enorme cratera na terra, eu estava dentro dela, quase morto. ---Não é possível, como ele ainda pode levantar, não depois desse ataque, ele já devia estar morto.

—--Este garoto é mais teimoso que Hera e Poseidon juntos, além de ser prodígio como Atena, ele não vai desistir. ---Disse Tétis seriamente, minha visão clareou um pouco, agora ambos estavam em suas formas divinas, me encarando atentamente e parece que finalmente encontrei meu fim. Tétis levantou sua mão direita então uma bola de energia se formou em sua mão, ela era verde brilhante, e feita de pura energia destrutiva. Resumindo, aquele era meu fim, sem grandes profecias suicidas, isso restaria para Nico resolver, sinto muito meu querido amigo, não pude estar contigo no final, mas sei que você vai salvar a era dos deuses, vai dar tudo de si e você tem muita ajuda meu amigo, Bianca, Thalia, Zoë, Grover, Annabeth e todo o acampamento pra isso, meus amigos, como eu sentiria falta deles, onde quer que eu fosse. Eu não teria mais que sofrer por amor, não sentiria mais a falta de Ligea, não sentiria mais meu peito despedaçado e tudo fudido na minha mente. Não veria mais meus pais, Poseidon e Hera, minhas queridas e amadas tias, eu não veria mais minha amada Antonieta, queria tanto ver o quão linda ela está agora. Meus irmãos, Tyson e Roda, quanta falta sentirei deles, dos seus sentimentos lindos que eles tinham por mim, só podia-me sentir honrado por todos esses seres maravilhosos que estiveram em minha vida e triste por partir dessa forma, sem me despedir. Ainda pude ouvir a voz de Tétis. ---Desculpe-me Hera, mas este menino causou problemas demais, ele tem que ser destruído. ---Então pude ver a enorme esfera de energia ser lançada na minha direção, não tinha mais forças para desviar aquilo ou ao menos sair da frente, só podia aceitar minha má sorte e aceitar que no fim, acabei sendo destrutivo a ponto de me destruir por nada. Desculpe-me mãe, acho que não pude fazer a senhora feliz como eu queria que fosse, vou causar mais dor ao seu enorme coração carinhoso, que me acolheu e que me amou, amou tanto que chegou a doer, não foi, mamãe? Me perdoe mais uma vez por partir assim. Me perdoe papai, você fez tanto por mim, fez tanto pelo meu bem estar, se colocou em perigo tantas e tantas vezes, apenas para meu bem estar, foi contra tudo e todos apenas para me ter como seu filho, tenho muita honra de ter sido seu filho. Vovó Atena, acho que não vou mais te decepcionar, somente mais essa vez e nunca mais. Então fechei meus olhos para receber o ataque, mas ele nunca veio, apenas escutei o barulho de energia ser rebatida para o lado, então senti energia dominar meu corpo, energia extra, era o poder de cura de Roda, abri meus olhos fracamente e pude ver o lindo rosto de Roda me olhando seriamente, atrás dela haviam dois enormes seres imponentes, mais de 6 metros de alturas, um deles estava trajando uma armadura dourada, ela estava de costas pra mim, mas eu pude reconhecer seu capacete, que parecia uma cabeça de coruja com penachos negros em cima, também pude ver a Aegis original, um escudo que era feito de ouro com pele da medusa, com a cabeça da Medusa entalhado nele e na outra mão dela havia sua lança, Σοφία a sabedoria, uma enorme lança de guerra, havia corujas desenhadas nela, a lança era feita de ouro do mar, era minha querida e amada Atena, ao lado dela estava meu pai, em seus trajes completos de batalha, armadura a Tridente em punho, minha visão embaçou novamente, estava prestes a cair na inconsciência, antes de desmaiar, tive um vislumbre dos lindos e preocupados olhos verdes claros de Roda e pude ouvir a voz da minha avó.

—--Você não é deusa suficiente para ceifar meu neto, Tétis.