Percy Jackson o Guerreiro Sem limites
141 Capítulo 141
POV: Perseus Heitor Jackson.
Eu estava em um lugar diferente, nunca havia estado aqui antes, era uma espécie de corredor estreito, eu podia tocar de um lado ao outro ao mesmo tempo, estava muito escuro, quase não havia luz, eu só podia enxergar porquê tinha meus poderes derivados de Atena, o calor era quase insuportável, as paredes eram velhas, havia muita poeira, sujeira no chão, o cheiro também não era nada agradável, olhei para cima, poucos metros acima havia mais parede, era um lugar sufocante, sujo e medonho, com certeza não entraria aqui por vontade própria, isso sem contar que a sensação estranha que eu estava sentido, eu podia estar ficando louco, eu devia estar ficando louco, mas eu quase podia ouvir uma pulsação, como se um coração estivesse batendo, mas não havia vida próxima a mim. De repente escuto um barulho vindo na minha direção, passos rápidos, o barulho era alto e contínuo, o que me levava a crer que havia pelo menos mais de uma pessoa e eles estavam correndo, isso ou o monstro tinha várias patas, não, se fosse isso o barulho seria mais ritmado. De repente vejo duas formas vindo na minha direção, aparentemente eram duas pessoas, duas mulheres para ser mais exato, elas estavam correndo como podiam, a menor delas estava mancando bastante, enquanto estava sendo apoiada pela maior, ambas estavam muito sujas e pareciam um pouco selvagens, como animais feridos.
—--Espera... ---Tentei parar na frente delas, mas elas continuaram a vir andando na minha direção, e literalmente passaram dentro de mim, como se eu fosse uma espécie de miragem. ---Espera, vocês duas. ---Chamei-as novamente, em alto e bom som, mas elas não me deram ouvidos e continuaram seu caminho, eu as segui, tentei mais algumas vezes chamar elas, mas elas pareciam não me ouvir, isso me parecia um sonho, eu tinha certeza que era um sonho.
—--Chega, chega. ---Choramingou a menor, sua voz transbordava dor, a garota estava muito suja, mas ela tinha um belo corpo, sua pele era branca, apesar de toda a sujeira eu pude ver, seus cabelos negros estavam uma bagunça, cheio de sujeira, seu corpo era muito belo, seios Médios e redondos, cintura fina, e grande coxas e bunda, eram enormes. ---Eu não aguento mais correr. ---Elas foram diminuído sua pouca velocidade e recostaram na parede. Espera um segundo, eu conhecia aquela voz, mesmo com toda a dor, era a..
—--Drew, vamos, temos que continuar. ---Disse a voz da garota maior, seu corpo era um pouco musculosa demais para uma mulher, sua pele era branca, seu grande busto, estava escondido por uma camisa velha e rasgada é muito suja, a garota tinha pernas grossas e bunda grande e tinha um cintura muito fina, ela usava uma calça jeans azul clara, bem, pelo menos um dia foi, já que ela estava horrível, seus cabelos negros e grandes, estavam emaranhado e sujos, provavelmente fazia dias que ela não tomava um bom banho, foquei melhor em seu rosto, era um rosto muito bonito, olhos castanhos avermelhados, eu reconheci ambas garotas, mesmo que por cima de toda a sujeira, eram Clarisse e Drew, fazia vários meses que elas haviam desaparecido.
—--Clarisse, Drew, meninas. ---Gritei chamando-as, mas elas não me deram ouvidos, isso era apenas um sonho, memória ou uma premonição, elas não podiam me ver, eu não estava lá fisicamente. Foquei no rosto da Drew, seus olhos negros eram puxados em um jeito oriental, mas o que mais chamava minha atenção era um corte em sua bochecha, ainda estava ensanguentado, não parecia nada bom.
---Eu preciso descansar, Clarisse. ---Disse Drew, ela caiu sentada no chão e analisou a ferida em sua perna, estava feia, a calça estava toda rasgada, assim como a pele, era uma mordida de uma boca muito grande, mordida de cachorro, talvez um cão infernal. Clarisse analisou a ferida da namorada.
—--Você não devia ter se jogado na frente daquele cão infernal, você estava desarmada, sua louca. ---Disse Clarisse com a voz tremendo, seus olhos estavam um pouco marejados.
—--É deixar ele te matar, não seja idiota, você é minha namorada, não ia te deixar pra trás. ---Disse Drew sorrindo, Clarisse limpou as lágrimas da sua bochecha com a mão.
—--Sua mestiça teimosa. ---Brigou Clarisse, mas ela sorria para namorada, elas eram lindas juntas. Estava contente em ver que elas ainda estavam vivas, mas onde será que elas estão? Será que isso aconteceu recentemente? Ou ainda vai acontecer? Eu precisava ir ajudar elas, mas eu estava aqui preso nessa guerra idiota. ---Vamos, beba um pouco de néctar. ---Disse Clarisse tirando um pequeno cantil do bolso da calça e oferecendo pra Drew.
—--Não, essa é a última porção, só deve ter mais um gole aí dentro, se eu tomar vai acabar com tudo e você precisa mais que eu. ---Negou-se Drew, Clarisse bufou irritada.
—--Para de bancar a heroína, se você não puder correr, do que adianta? Nunca vamos sair desse inferno, anda, beba logo. ---Brigou Clarisse, mas ela desrosqueou a tampa e deu para Drew beber, ela deu a última golada na garrafa. Olhei para a ferida na perna, ela começou a se curar, quase havia sumido por completo, havia apenas alguns arranhões dos enormes buracos feitos pelos dentes do cão infernal, mesmo com o enorme estrago, devia ter sido um dos pequenos, já que normalmente eles poderiam ter amputado a perna com apenas uma mordida. ---Bem melhor, acho que você já consegue andar sozinha, agora.
—--Tem gosto do chocolate quente que o Percy fazia pra mim. ---Disse Drew sorrindo, eu ri com aquilo, lembrava disso, era a receita secreta de chocolate quente que dona Hera me ensinou.
—--Percy, estou com saudades daquele cabeça de vento. ---Disse Clarisse tristemente.
—--Queria que ele estivesse aqui conosco, as coisas teriam sido mais fácies com ele. ---Disse Drew tristemente.
—--Aonde vocês estão? Falem pra mim, eu preciso saber. ---Disse alarmado, mas elas não podiam me ouvir, se elas dessem uma dica mais precisa de onde estavam, era um lugar subterrâneo, fora isso eu não fazia ideia de onde elas estavam. De repente um latido ao longe foi ouvido, aquilo fez meu sangue gelar é meu coração falhar uma batida.
—--Meus deuses, esses malditos cães não param de aparecer. ---Disse Clarisse entre os dentes, Drew levantou-se com dificuldade, ela pegou a mão da Clarisse e começou a puxa-la pelo corredor.
—--Anda, temos que correr. ---Drew disse puxando Clarisse, ambas começaram a correr o mais rápido que podiam, até que elas dobraram para direita, alguns metros na frente e eu as perdi da minha vista, elas desapareceram na escuridão novamente, quando estava prestes a tentar correr na direção delas, escutei novamente o latido e me virei para trás, o barulho dos latidos estavam mais próximos de onde eu estava e estavam ficando cada vez mais próximos, estava vendo a hora que os cães apareceriam na minha frente.
Levantei em um pulo, estava ofegante, minha respiração e batimentos estavam muito acelerados, passei a mão no meu peito, eu normalmente quase não transpiro, exceto quando tenho pesadelos, meu peito estava suado, mas isso era irrelevante, eu precisava encontrar Clarisse e Drew, deuses, como eu podia ajudá-las se eu nem ao menos sabia onde elas estavam, eu tinha que arruma um jeito de encontrá-las, mas como eu vou fazer isso se estou nessa guerra maldita? Espera, eu estava lutando contra o Oceano, de alguma forma eu estava até tendo vantagem, de repente as coisas deram muito errado, Tétis se intrometeu na nossa luta, salvando o marido, eu estava à beira da morte, mas então eu fui salvo por minha avó, meu pai e Roda, depois disso eu apaguei. Espera um segundo, onde eu estou? Olhei para os lados e percebi que não estava mais no mar, eu não estava na enfermaria ou no meu quarto, bem, na verdade estava no meu quarto, mas não no meu quarto em Atlântida, e sim no meu quarto no Olimpo, no palácio da minha mãe, como eu vim parar aqui? Não consigo entender. De repente a porta do meu quarto foi aberta, e de dentro dela saiu uma pessoa que me fez sentir uma felicidade tremenda, fez toda a preocupação sumir da minha cabeça, qualquer dúvida ou medo. Ela não havia mudado nem um pouco, ela era a mulher mais linda que eu já havia visto, aparentando ter seus 25 anos, seu rosto era extremamente belo, sua pele branca como a neve, seu cabelos castanhos eram lisos e longos, até chegar na sua cintura, ela tinha 1.70cm, seu corpo era perfeito, seios fartos e redondos, cintura fina, coxas e bunda perfeita, sua postura era perfeita, como de uma Rainha, ela estava vestida como uma pessoa normal, calça social branca e uma camiseta social vermelha. Pulei da minha cama e corri em sua direção, ela estava distraída com algo, então ela só me percebeu quando eu estava a esmagando em um abraço de urso.
—--Percy, você está me sufocando. ---Gemeu ela em meu abraço, rindo. Eu separei o abraço e olhei para ela sorrindo, segurando seu rosto com ambas as mãos, olhando aqueles lindos olhos, estava tão feliz em vê-la.
—--Mãe, que saudades. ---Disse a abraçando apertado novamente, não tão forte quanto antes, ela beijou meu rosto e apertou o abraço de volta.
—--É muito bom te ter de volta, meu amor. ---Disse ela docemente, mas assim que ela disse "meu amor", eu lembrei-me de Ligea, da minha namorada morta e por mais que eu tenta-se segurar o choro, eu não consegui, era uma sensação de dor e medo avassaladora demais, então eu comecei a chorar compulsivamente e alto. ---Shiu, meu bebê, pode chorar, chora, tira toda essa dor e raiva do seu peito, eu estou aqui, por você, sempre estarei. ---Disse minha mãe me confortando, as lágrimas e a dor me dominaram por completo, desde que a Ligea se foi, desde que ela morreu, eu não consegui me abrir com ninguém, nem com meu pai, nem com Roda, nem com a minha avó Atena, acho que nem mesmo sozinho, a dor em meu peito era esmagadora, eu só sentia raiva, medo e culpa, Ligea estava morta, a mulher que mais me trouxe amor e carinho, ela nunca me decepcionou, nunca me fez sofrer, ela só me amou do jeito que eu era, ela me trouxe carinho, amor, companheirismo, é o que eu trouxe pra ela? A morte, a dor, eu não consegui protege-la, eu nunca consigo proteger ninguém. Deuses, como eu poderia encarar a Antonieta, como eu poderia olhar pra ela e dizer que deixei sua eterna rival morrer daquela forma.
—--Mãe... Eu deixei ela morrer... ---Disse chorando compulsivamente.
—--Aaa não meu filho, você não deixou ela morrer, você amava ela, ela amava você, meu bebê. ---Disse minha mãe docemente, sua voz transbordava compaixão e carinho, mas mesmo assim eu não conseguia me sentir melhor, nem ao menos conseguia parar de chorar. Ela me caminhou até a cama e sentamos nela.
—--Eu falhei... Falhei com ela, eu só trouxe dor pra ela... Eu só trago dor e desgraça a todos ao meu redor...
—--Não, Percy, não diga isso, você está mentindo pra si mesmo, Ligea somente te amou, você só trouxe coisas boas pra ela. ---Ela beijou meu rosto e acariciou minha bochecha, o seu toque em minha pele me acalmou um pouco, fez aquela explosão de dor se acalmar, mesmo que momentaneamente, eu ainda estava triste, mas já não estava tão desesperado como antes. ---Você sempre traz amor as pessoas, especialmente na minha vida, só trouxe amor na minha imortalidade, Percy, desde que você me aceitou com sua mãe, você só me trouxe amor e felicidade, orgulho, não há um dia sequer que eu me arrependa de ter adotado você, seu enorme coração, só traz amor por onde você passa, meu filho, tenho certeza absoluta que Ligea diria a mesma coisa a seu respeito, ela estava tão, tão feliz, o amor que transbordava dela, de vocês dois, era tão belo, eu podia sentir a pureza, então não diga, pelo amor dos deuses, nem por um segundo que você só traz dor, desgraça as pessoas, você nunca esteve tão errado.
—--Mas eu não consigo proteger aqueles que eu amo, nunca consigo, eles continuam a morrer. ---Disse chorando alto.
—--A não meu amor, não diga coisas assim, por favor. ---Disse minha mãe chorando um pouco. Eu sabia que ela não tinha reposta para aquilo, é isso não me fazia sentir melhor, na verdade me fazia sentir-me pior por trazer meus problemas pra ela, mas eu não conseguia evitar, não agora.
—--Mãe a imagem do corpo quase morto da Ligea, não saí da minha cabeça, o tempo todo, o tempo todo, ela estava cortada ao meio, ao meio, eu tentei mamãe, tentei com todas as minhas forças curar ela, havia muito sangue, muito sangue na água. ---Disse entre os soluços, em minha mente a imagem do corpo de Ligea despedaçado ao meio, se fez tão nítido, tão real, que eu quase podia sentir o sangue na água. Minha mãe me abraçou com muita força, com muita força, ela chorava junto comigo.
—--Como eu queria arrancar essas memórias da sua cabeça, só pra não te ver sofrer. ---Disse minha mãe chorando junto, vê-la sofrendo assim cortava meu coração ainda mais, só que eu estava tão fudido, tão fudido, que eu já não tinha forças para segurar minhas emoções e eu não conseguia parar. Durante algum tempo, minutos, ficamos abraçados, chorando juntos, as vezes minha mãe dizia doces palavras no meu ouvido, meu coração se partia em dois enquanto eu chorava, por mais que eu tentasse parar de chorar e aguentar firme a dor, para não fazer minha mãe sofrer, ao mesmo tempo sua presença e seus carinhos, me faziam desabafar e chorar como um bebê.
—--Percy. ---Ouvi uma voz infantil chamar minha atenção, quando ergui meus olhos, vi uma linda garotinha, por volta dos 3 anos, ela não havia mudado muito desde a última vez que eu a vi, ela estava vestindo um pequeno vestido vermelho, que realçava sua pele branca e seus olhos vermelhos como fogo, seus cabelos encaracolados estavam um pouco maiores, passando um pouco dos ombros agora, seu rosto era muito lindo, era meu pequeno anjinho, minha afilhada, Antonieta Aika, ela estava linda, ela correu rapidamente na minha direção, eu me separei dos braços da minha mãe a tempo de pegar Antonieta que se jogou no meu colo, rindo feliz e me abraçando com força.
—--O meu amor. ---Disse docemente, apesar da minha voz ter saído meio chorosa, beijei o topo da sua cabeça, sentindo seu cheiro de flores dominar minhas narinas. Antonieta afastou seu rosto e beijou minha bochecha com força, seu beijo era muito gostoso, então ela afastou seus lábios da minha bochecha e me encarou sorrindo, mas então seu sorriso desmanchou, acho que ela percebeu que eu estava chorando.
—--Porque você está chorando? ---Perguntou Antonieta tristemente, seus pequenos olhinhos começaram a lacrimejar, tentei segurar minhas lágrimas para tentar não fazer minha pequena anjinha chorar. Mas então eu lembrei da minha promessa, lembrei da promessa que havia feito a Antonieta, promessa essa que não fui capaz de cumprir, deixei Ligea morrer, sua eterna rival, meu peito estava se desmanchando em dor. ---Percy, não chora não, onde está a Ligea? ---Perguntou Antonieta, aquilo foi a gota d’água, meu coração se partiu em dois, me fez chorar mais ainda, tentei algumas vezes falar, mas não saia nada, só lágrimas.
—--Com licença. ---Ouvi uma voz da porta do meu quarto, chamando minha atenção para uma mulher que aparentava seus 20 anos, 1,70 cabelos longos e lisos, preto e loiro ao mesmo tempo, sua pele era branca, corpo escultural, muitas curvas, seios fartos, olhos caleidoscópios verdes e azuis, vestindo uma camiseta vermelha e uma calça jeans azul escura, era Afrodite. Ouvir sua voz fez uma lembrança voltar a minha mente, suas palavras, seus doces e mentirosas palavras bombardearam minha mente. ---Antonieta entrou correndo na minha frente. ---Ver Afrodite na minha frente fez meu peito se encher de raiva, uma raiva muito grande, está maldita deusa do amor, ela gosta de ver os outros sofrendo por amor, gosta de ver a dor, ver as pessoas sofrendo, esse é o maldito amor que ela representa, aquela frase que ela me disse antes de ir pro mar, ela sabia que isso ia acontecer, ela sabia que eu iria me apaixonar e que Ligea ia morrer, eu me lembrava perfeitamente daquela maldita frase que ela me disse na reunião do Olimpo: "Ele precisa ir, algo importante espera ele, algo bom" tirei Antonieta do meu colo e coloquei ela sentada na cama e me levantei rapidamente, indo na direção daquela maldita deusa.
—--"Ele precisa ir, algo importante espera ele, algo bom" ---Disse imitando a voz da Afrodite, ou pelo menos tentando, ela me olhou confusa.
—--O que disse querido? Percy? ---Perguntou ela confusa, ou melhor dizendo, fingindo estar confusa, ela com certeza sabia perfeitamente o que eu estava falando.
—--Eu descobri, o motivo de me apoiar para ir para aquela guerra, era por isso que você queria que eu fosse pra guerra, não é mesmo?! ---Disse nervosamente parando em frente a Afrodite, ela pareceu aturdida com a minha reação violenta.
—--O que você quer dizer, Percy? Não estou te entendo. ---Disse ela fingindo confusão.
—--NÃO MINTA PARA MIM. ---Gritei irritado, ela recuou um passo com meu tom de voz agressivo.
—--Percy, o que é isso meu filho. ---Minha mãe parou do nosso lado, ou melhor, entre nós, colocando a mão no meu peito.
—--Você sabia que eu iria me apaixonar e que a Ligea ia morrer, isso era o ALGO BOM QUE ME AGUARDAVA NO MAR, MAS ISSO É BOM PARA QUEM? NÃO É BOM PRA MIM. ---Gritei nervoso, lágrimas desceram dos olhos de Afrodite, já ouviram falar do ditado de lágrimas de crocodilo? Era exatamente isso que eu via aqui, lágrimas falsas, lágrimas forçadas, sabia que ela adorava ver isso.
—--Não, Percy, eu não sabia disso. ---Disse Afrodite chorando.
—--NÃO CHORA NÃO, SUA VAGABUNDA, MALDITA DEUSA DO AMOR, VOCÊ GOSTA DE VER OS OUTROS SOFRENDO POR AMOR, É ESSE O MALDITO AMOR QUE VOCÊ REPRESENTA. ---Gritei irritado, Afrodite foi indo para trás, recostando na parede.
—--PERSEUS, PARA COM ISSO. ---Gritou minha mãe, mas eu estava irritado demais para dar ouvidos a ela, minha vista estava vermelha, vermelha de puro ódio.
—--EU VI A MULHER QUE EU AMAVA SER PARTIDA AO MEIO, ESSE É O MALDITO AMOR QUE ESSA DESGRAÇADA ME FEZ SENTIR. ---Gritei irritado, Afrodite chorava, encolhida atrás da minha mãe.
—--Percy, para com isso. ---Ouvi a voz chorosa de Antonieta, mas eu estava muito irritado para parar. As palavras daquele dia antes da minha ida para o mar bombardeavam minha mente, como ela disse que eu iria descobrir o que o amor significava pra mim e eu havia descobrido, finalmente eu havia descobrido.
—--AGORA EU SEI O QUE O MALDITO AMOR SIGNIFICA PRA MIM, PRA ESSA MINHA DROGA DE VIDA MISERAVEL, O AMOR SÓ SIGNIFICA DOR, DOR E MAIS DOR. ---Gritei para Afrodite, ela balançou a cabeça negando, enquanto seu rosto se banhava em lágrimas.
—--Não, não Percy, o amor nunca é dor... ---Ouvir aquilo, fez minha vista ficar momentaneamente branca, eu estava perdendo o controle, mas ela ainda clareou.
—--ENTÃO O QUE É ISSO QUE ESTOU SENTINDO? NÃO É FELICIDADE, DISSO EU TENHO CERTEZA. ---Gritei chorando alto, interrompendo a baboseira qualquer que aquela maldita deusa iria dizer. ---É ASSIM QUE VOCÊ ME RETRIBUI POR FAZER MEU IRMÃO VOLTAR A TRÁS NA SUA ESCOLHA, É ASSIM QUE VOCÊ AGRADECE SUA VAGABUNDA. ---Gritei irritado, minha vista ficou branca novamente, dessa vez foi mais difícil não deixar o ódio dominar, ela clareou novamente.
—--Eu juro que eu não sabia. ---Disse Afrodite chorando.
—--Para com isso. ---Ouvi a voz chorosa de Antonieta ao fundo, mas meu ódio estava tomando conta de mim e eu simplesmente estava ficando totalmente cego de raiva.
—--PERSEUS, SE CONTROLA, PARA DE FALAR ESSAS BOBAGENS. ---Gritou minha mãe me empurrando pra trás, mas eu apenas dei alguns passos pra trás.
—--EU QUE DEVIA ESTAR CHORANDO, AFRODITE SUA MALDITA DEUSA DO AMOR, ESSE É O MALDITO AMOR QUE VOCÊ GOSTA DE VER, NÃO É? A DOR E O DESESPERO, VOCÊ É RIDÍCULA. ---Gritei a todos pulmões, então senti pequenos punhos me socando na altura da perna, olhei para baixo e vi Antonieta me batendo, ela chorava alto, aquilo foi um choque tremendo, fez toda a raiva se desmanchar.
—--PARA DE GRITAR COM A MINHA MÃE, VOCÊ TÁ FAZENDO ELA CHORAR, PARA COM ISSO. ---Gritou Antonieta entre os socos. Por Poseidon, o que eu estou fazendo? Eu estou magoando Antonieta, olhei para minha mãe, ela me olhava com medo, chorando, lágrimas banhavam seu rosto, o que eu estou fazendo? Estou descontando minha raiva nas pessoas erradas, olhei para Afrodite, ela chorava alto, tampando os ouvidos, ela não tinha culpa, eu estava sendo um completo idiota, como ela podia saber que Fórcis iria matar Ligea, ninguém podia saber que isso ia acontecer, se Afrodite quisesse mesmo fazer meu relacionamento dar errado, ela não teria abençoado nosso amor, ela não precisa matar Ligea, ela não era maldosa a esse ponto. Ver Antonieta daquele modo, cortava meu coração, precisava sair daqui, como eu poderia encarar aquelas mulheres maravilhosas novamente, Afrodite sempre me tratou tão bem, me mimou e cuidou de mim, quase como se fosse uma mãe, ela sempre foi um amor comigo, como eu poderia dizer tais crueldades pra ela, ainda mais na frente da pobre Antonieta, por Poseidon, no que estou me transformando? Esse ódio, essa raiva, esse monstro que tem dentro de mim.
—--Me perdoem, me perdoem. ---Disse chorando, eu estava tremendo, minhas pernas estavam bambas, o ódio, a raiva estavam me dominando novamente, mas dessa vez não era por Afrodite, não era por minha mãe ou muito menos pela pequena Antonieta, era por mim, eu era um maldito bastardo imundo, eu precisava sair daqui, precisava extravasar essa raiva, antes que eu machuque ainda mais as pessoas que amo.
—--Calma, Percy. ---Disse minha mãe docemente, sua voz estava saindo chorosa, olhei para ela, lágrimas saiam dos seus olhos, aquilo cortava ainda mais meu coração. Então eu olhei para trás, Afrodite chorava compulsivamente, de joelhos no chão, com as mãos enterradas no rosto e Antonieta estava tentando consolar a mãe, acariciando seus cabelos.
—--Calma mamãe, o Percy não fez por mal. ---Disse Antonieta me defendendo, ela chorava. Mesmo depois de tudo que acabei de fazer, Antonieta ainda me defendia, eu não merecia as pessoas que eu tinha a meu redor, não merecia mesmo.
—--Como eu consigo ser tão desprezível. ---Disse chorando alto, com raiva de mim.
—--Não, não diga isso, nós vamos resolver as coisas... ---Antes que minha mãe pode-se dizer mais algo, desapareci em chamas, direto para minha casa em Montauk, mais especificamente para o pequeno banheiro do meu pequeno chalé, aqui era meu esconderijo secreto, ninguém poderia me encontrar aqui nesse lugar, exceto meu pai. A raiva e o ódio em meu peito estava crescendo, como eu podia ser um ser tão desprezível? Magoar aquelas mulheres que foram tão boas em minha vida, como eu posso cuspir no prato que é me servido com tanto carinho e amor, tentando de alguma forma encontrar um culpado pra minha desgraça, um culpado que não fosse eu, por Poseidon, como sou hipócrita. Fui até a pia e joguei água no meu rosto, esfreguei com força, tentando limpar o meu rosto pra fora, olhei para o meu reflexo no espelho, pude me ver, esse lixo de ser humano, meu cabelo preto e a mecha branca logo a frente, bagunçado como sempre, mas eu foquei nos meus olhos, aquele maldito verde-mar, esse era os malditos olhos que Antonieta, Afrodite e minha mãe viram, quando estava dizendo aquelas coisas horríveis, olhar nos meus olhos me enfureceu ainda mais, então fiz o que senti vontade de fazer, socar esse retardado que eu via. ---SEU RETARDADO. ---Gritei irritado, socando o espelho do banheiro, ele se espatifou em meu punho, dor e sangue saíram do meu punho, por um momento, aquela dor que sentia fisicamente, me fez sentir-me melhor, como se estivesse punindo, não, não como se estivesse, eu estava punindo, estava me punindo, eu merecia, mas aquela dor não era o suficiente, não era uma punição justa pra dor que causei aquelas doces mulheres. ---IDIOTA, IDIOTA, IDIOTA. ---A cada idiota, eu batia minha cabeça no espelho, fazendo o sangue manchar meu rosto, deixando minha vista vermelha, mas ainda não era o suficiente, então soquei a pia também, ela se espatifou em mil pedaços sobre o peso do meu punho. ---VOCÊ NÃO PASSA DE UM MALDITO COVARDE, PERSEUS. ---Gritei alto, chutando a banheira, partindo a no meio, a porcelana da banheira cortou minha perna, senti uma dor aguda e vi sangue manchar minha calça. ---NÃO É DOR SUFICIENTE. ---Gritei alto, então soquei o caixa da privada com a outra mão, ela espatifou em mil pedaços, mas a porcelana não me cortou dessa vez, eu sai do banheiro mancando, sai diretamente na sala, bem em frente a uma cômoda de madeira, dessa vez não usei o punho, usei minha cabeça, joguei ela contra a cômoda, partindo-a no meio, senti o sangue banhar meu rosto ainda mais, embaçando minha visão, continuei manquitolando até o sofá e o chutei pra cima, ele saiu voando e se espatifou na prateleira de vidro onde eu guardava alguns whiskies, e bebidas alcoólicas. ----AAAHHHHH... ---havia uma mesa de centro, feita de madeira e vidro, sem hesitar eu me joguei nela, de barriga, queria sentir dor, eu me espatifei no vidro, senti uma dor aguda na barriga, algo afiado perfurando. Com dificuldade eu me virei no vidro quebrado, a dor que sentia no meu corpo, não era nada comparado a dor que sentia no meu coração, eu havia perdido Ligea, eu havia magoado tantas pessoas, eu não merecia estar vivo. Eu pensei em uma das minhas Sais, uma delas apareceu na minha mão direita, talvez esteja na hora de colocar um fim a todo esse sofrimento, a toda essa vida miserável, que acaba destruindo a vida das pessoas ao seu redor. Agarrei uma sai com ambas as mãos e fechei os olhos, chorando alto, minha mão estava tremendo muito, muito. ---Você não merece viver, nunca mereceu, nunca vai merecer, só mereço os campos de punição.
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