Notas iniciais
Eae galera, hoje sai dois capítulos.

POV: Perseus Heitor Jackson.

Depois que meu pai foi embora, eu treinei mais um pouco, não tentei usar a chama sagrada azul, resolvi não arriscar, ainda estava com os pensamentos bastante conturbados pelo que descobri sobre os problemas relacionados a minha mãe e o meu nascimento, então apenas tentei meditar, mas por fim sempre acabava divagando meus pensamentos com algo, depois de tentar por mais algumas horas acabei por desistir, minha cabeça não parava de pensar. Então eu resolvi tirar um cochilo, estava cansado, manipular muito a chama sagrada azul, me esgota bastante e muito rapidamente, dominar uma nova habilidade era cansativo ao extremo, ainda mais uma habilidade tão destrutiva como a chama sagrada. Mesmo assim, cansado, eu demorei a pegar no sono, mas quando consegui, o sonho não demorou a vir pra mim, no meu sonho, eu estava em um lugar claro, a brisa da tarde cortava meu rosto, um calor reconfortante do verão, o verde e o azul faziam parte da minha visão, apesar delas serem as cores predominantes, haviam outras, arvores de diversas cores, amarelo, vermelho, laranja, entre tantas outras, borboletas e pássaros voavam entre elas, vivendo suas vidas pacificamente, a água estava calma, parecia um espelho de tão belo, ainda mais refletindo as cores do pôr do sol, era um lindo pôr do sol, ele ia se pondo ao horizonte, olhei mais para baixo um pouco e avistei alguns prédios, enormes prédios, eu reconheci o lugar, era o Central Park, estava um tanto vazio, normalmente nesse horário do dia tinha bastante crianças, pais e animais de estimação brincando e se divertindo em uma bela tarde ensolarada e quente.

—--Para meu amor, se você continuar me mimando assim, eu vou explodir. ---Disse uma voz alegre atrás de mim, eu reconheci aquela voz, cheia de ternura e amor, eu já havia ouvido ela e com certeza eu conseguia ligar aquela voz a alguém, me virei lentamente e vi a dona daquela voz encantadora, era uma linda mulher por volta dos 20 anos de idade, sua pele era branca como a neve, seus cabelos loiros brilhavam a luz do sol, seus olhos me fizeram ter certeza de quem era aquela linda mulher, aquele cinza tempestuoso, era lindo e inteligente, tanto quanto os da minha avó, seu corpo estava diferente do que me lembrava, não era um corpo escultural, com muitas curvas, ela estava um pouco gorda, sua barriga em si estava enorme, aquela mulher era minha mãe, Sally, e ela estava grávida de mim, sua gestação já estava avançada, já que sua barriga era enorme, ela estava sentada em uma manta verde sobre a grama, ao seu lado havia várias guloseimas e tudo cheirava deliciosamente bem, apesar de que ela tentava segurar o braço de um cara grande, que tentava força-la a comer um sanduiche delicioso, esse cara grande era meu pai, Poseidon, ele ainda era o exato homem que sempre conheci, sem tirar e mudar nada, exceto pelo sorriso, pois ele dava um sorriso radiante, seus olhos verde-mar brilhavam de felicidade, como quando ele descreveu minha mãe pra mim. ---Poseidon, chega, eu não aguento mais comer. ---Queixou-se minha mãe levemente irritada.

—--Deixa de bobagem, Sally, meu amor, você tem que comer muito, para que nosso filho nasça muito forte e bonito como pai. ---Disse meu pai sorrindo, tentando mais uma vez fazer minha mãe comer o sanduiche, mas ela desviou o rosto rindo.

—--Poseidon, se eu comer mais vou virar uma baleia por completo. ---Disse ela fazendo biquinho, meu pai riu e deu um selinho rápido nela.

—--Eu não me importo, seria uma baleia extremamente linda. ---Disse ele encarando os olhos da minha mãe, ela suspirou apaixonada pelo que meu pai disse a ela.

—--Você é um verdadeiro cavalheiro, Poseidon. ---Disse minha mãe passando as mão no rosto dele, acariciando sua bochecha, em resposta meu pai colocou sua mão sobre a dele e beijou sua mão docemente, sem cortar o contato visual do dela. Tenho que admitir, meu pai era bom, minha mãe estava abobada com o jeito dele, ele sabia de verdade como tratar uma mulher.

—--Eu não sou um cavalheiro, mas por você eu seria o melhor de todos, minha rainha. ---Disse meu pai, minha mãe suspirou novamente, sorrindo bobamente, em resposta meu pai inclinou-se sobre ela docemente, tomando cuidado com a enorme barriga que me carregava ainda como um bebê, ele beijou minha mãe docemente, enquanto acariciava sua barriga docemente, ainda sobre a larga camisa que minha mãe usava. Senti uma lágrima involuntário escorrer pela minha bochecha, mas não era uma lágrima de tristeza, era de felicidade, de ver aquela linda cena que via, ver como meu pai tratava minha mãe e de como ambos pareciam tão felizes em estarem um com o outro. De repente um trovão alto ecoou sobre o dia ensolarado, meu pai interrompeu o beijo rapidamente, se virando e olhando para cima, sua cara era séria e preocupada.

—--O que foi isso? ---Perguntou minha mãe preocupada.

—--Zeus. ---Disse meu pai levemente irritado, ele mal fechou a boca e um raio muito brilhante desceu da nuvem mais próxima diretamente para o chão, bem próximo do casal, o barulho do impacto foi alto e intimidante, quando olhei novamente para o lugar de onde o raio saiu, eu vi uma enorme bola negra queimada sobre a grama verde, em alguns lugares algumas chamas pequenas queimavam, mas o que realmente chamava atenção era o homem parada no meio dela, um rosto familiar, Zeus, ele tinha sua expressão séria de sempre, seus olhos azuis elétricos brilhavam de pura energia. Meu pai levantou-se rapidamente e caminhou em direção a Zeus, minha mãe se levantou também, com certa dificuldade por causa da enorme barriga. ---O que te traz aqui, meu irmão? ---perguntou meu pai seriamente.

—--Preciso falar contigo, Poseidon. ---Disse Zeus seriamente, ele se virou brevemente para minha mãe, seu olhar ainda era bastante sério. ---Nós de licença por um minuto, Sally.

—--Claro, Lorde Zeus. ---Disse minha mãe fazendo uma breve reverencia, ela se afastou lentamente para direção oposta, eu foquei nos dois deuses presentes, Zeus fez um sinal coma mão para que meu pai o seguisse. Eles começaram a caminhar lentamente, até que meu pai disse.

—--Fale o que você precisa falar comigo, Zeus. ---Incentivou meu pai impacientemente.

—--Você anda um tanto displicente de suas funções como um deus, isso não é bom para nós, os deuses menores sempre estão a procura de pequenas brechas, de fraquezas, qualquer coisa que possam usar contra nós, os Olimpianos. ---Disse Zeus seriamente.

—--Sim, eu sei disso, mas o que isso tem a ver comigo? ---Perguntou meu pai confuso.

—--Como disse no começo, você anda displicente com suas funções como deus dos mares, você tem passado tempo demais no mundo mortal, junto de sua amante mortal...

—--Ela não é minha amante, ela é a mulher que amo. ---Rosnou meu pai, mas Zeus não deu importância a irritação dele, ele balançou a mão.

—--Bem, tanto faz, o fato é que você tem demostrado fraqueza demais ultimamente, vivendo como um mero mortal em uma pequena casa de praia, isso não é coisa que um deus supremo como eu e você possa fazer. ---Disse Zeus severamente. ---Além disso aquela criança no ventre daquela mulher é uma afronta ao nosso acordo feito após a segunda grande guerra...

—--Do que você está falando? Não seja hipócrita, você foi o primeiro a quebrar o acordo. ---Disse meu pai irritado.

—--Eu sei disso, foi apenas uma observação, mas esse não é o ponto, o ponto é que eu tive sim outra filha semideusa, mas você me vê bancando o marido mortal e vivendo a coma mãe da minha filha no mundo mortal. ---Disse Zeus severamente pro meu pai, este que em resposta riu da cara do rei dos deuses.

—--Se fizesse isso, Hera o mataria. ---Disse meu pai seriamente, Zeus deu de ombro.

—--Você provavelmente tem razão, mas vamos direto ao assunto, eu estou te alertando para se afastar deles, voltar ao mar e de preferência reatar o casamento com Anfitrite. ---Disse Zeus seriamente, meu pai olhou espantando para ele, exatamente a mesma reação que eu estava tendo de ouvir aquilo. Ele parou na frente de Zeus e o encarou profundamente em seus olhos.

—--Eu nunca vou fazer isso, eu amo Sally, não amo mais Anfitrite. ---Disse meu pai seriamente. ---Nem mesmo você vai me fazer voltar a trás.

—--Eu acho bom você reconsiderar melhor suas escolhas, nunca se sabe o que pode acontecer se um deus ficar tempo demais mimando seu filho. ---Disse Zeus seriamente, pode parecer loucura, mas eu quase achei que ele estivesse ameaçando meu pai, em resposta meu pai segurou Zeus pela gola de seu paletó e o ergueu do chão, os olhos do meu pai se tornaram totalmente verdes, poder emanava dos seus olhos.

—--Se você tocar na minha mulher e no meu filho, eu juro que você vai se arrepender de ter nascido. ---Disse meu pai entre os dentes. Os olhos de Zeus brilharam por um instante e ele disse:

—--Considere-se avisado. ---Disse Zeus seriamente, então um trovão foi escutado e ele desapareceu das mãos do meu pai. Não tive muito tempo para parar e pensar no que tinha acabado de ver, de repente a imagem trocou rapidamente, eu continuava no meu corpo, eu podia ver meus braços e pernas, eu estava flutuando, eu me sentia muito forte, poder corria dentro de minhas veias, o que significava que eu estava debaixo da água, novamente, no fundo do mar, na verdade, eu reconhecia o lugar rapidamente, estava no campo de batalha, criaturas marinhas lutavam ferozmente umas contra outras, havia sangue verde e pó dourado, por todo parte, eu sabia exatamente onde estava, onde meu sonho me levará, mas eu não sabia exatamente quando, futuro, presente ou passado, muito menos o porquê de estar ali, mas com toda a certeza, o lugar era a atual guerra, estive nesse campo de batalha bastante, por longos meses de guerra, então sabia do que estava falando. Prestei atenção melhor nas criaturas, Tritões, Sereias, Serpentes marinhas, entre outras, então notei algo, ou melhor, eu notei alguém, era Ligea, ela trajava sua armadura de bronze, com desenhos de tridentes, ela usava seu capacete, ele tinha penachos verdes, ela estava com sua terrível, Alabarda, era uma arma brutal, em sua extremidade superior, existem três lâminas, uma no topo, como uma lança, e mais abaixo, duas laminas de machado, uma um pouco menor que a outra, a arma é semelhante a um machado. Ela lutava com alguns Tritões aliados, eles enfrentavam uma enorme Serpente Marinha, eles estavam indo bem, Ligea com certeza era incrível, ela lutava como uma verdadeira guerreira, mesmo sem usar suas transformações, ela era incrível com sua Alabarda em mãos, ela era muito rápida, ela desviava das investidas da Serpente com facilidade. Eu entendi sua estratégia, era inteligente e audaciosa, um pouco perigosa, mas era boa, ela servia de distração, mantendo a Serpente focada nela, enquanto os Tritões atacavam o corpo da Criatura, quando a Serpente, tentava atacar algum dos Tritões, Ligea a pressionava, batendo com sua Alabarda, fazendo um dano razoável, naquela armadura natural da Serpente, mas ela conseguia seguir com seu plano, e estava funcionando, visivelmente, a Serpente parecia perder ritmo e sentir dor, os Tritões aos poucos, iam drenando a força é a vida da Serpente, com certeza, era uma estratégia boa. Eles estavam indo bem, a Serpente não demorou a explodir, espalhando sangue verde e pó dourado pela água, drenada pelas centenas de golpes que sofrerá, era inevitável sua derrota, tudo ocorrerá incrivelmente bem, as coisas pareciam estar sobre controle, o que confesso, me deixou muito feliz, saber que Ligea estava bem. Então depois de muito tempo, tive um sonho que não possa ser uma premonição de morte ou desgraça, acho que na verdade, foi a única vez, o ponto principal é que era algo bom. Os Tritões comemoravam, as coisas realmente pareciam estar indo muito bem. Então eu vi ele é percebi, o quão ingênuo eu sou, que minha esperança, de achar que eu teria um sonho e que ele seria algo bom, era praticamente impossível, eu sou um semideus, pior que isso, eu sou eu, simplesmente isso. Bem, ele era Nereu, ver ele depois de todos os meus sonhos, digo, pesadelos, sobre o que aquele maldito fez com a Ligea, sua própria filha, com a pobre da Dóris, sua esposa, lembrar daquilo, fez meu sangue ferver nos meus ouvidos e o ódio crescer em meu peito. Sua aparência ainda era a mesma dos meus sonhos, parecia um cara com um milhão de anos, porém diferentemente de quando eu o encontrei no píer, ele não era mais um gordo, agora ele era grande e musculoso, devia ter uns 2 metros de altura, com uma grande barba branca que havia se tornado amarela, seus olhos eram de um verde opaco, eles brilhavam com uma luz sinistra, ele usava um short maltrapilho marrom, e estava sem camisa, mostrando seus grandes músculos, ele não tinha nenhuma arma consigo, mas até onde eu sei sobre Nereu, ele nunca usava armas mesmo e para piorar a situação, ele não estava sozinho, ele estava escoltado, por mais um pequeno contingente de Tritões, eles não passavam de vinte e poucos, mas eram mais que os Tritões que Ligea tinha naquele momento. Nereu abriu os braços e sorriu, seus dentes eram tortos e amarelos, alguns pretos de sujeira e podridão.

—--Filhinha. ---Chamou ele, fazendo Ligea se virar rapidamente na direção do pai, seus olhos se arregalaram em surpresa. ---Papai veio te dar um abraço apertado e um beijo. ---Levantei em um pulo, suado e ofegante, eu estava em meu quarto, no palácio do meu pai, no fundo do mar, em Atlântida. Já disse o quanto eu odeio meus pesadelos? Então, eu odeio eles, respirei fundo, controlando minha respiração, mas eu ainda estava agitado, eu me sentia esquisito, meu peito estava pesado, eu sentia um mal estar, uma ansiedade e um nervosismo estranho, eu não entendia o que estava acontecendo comigo, já havia tido vários pesadelos antes, centenas deles, dependendo do que sonhava, eu tinha um tipo de reação diferente, já sonhei coisas muito piores, como eu sendo morto, torturado, torturando pessoas, e nunca tive essa sensação, era como se eu estivesse... errado, era como se eu precisasse estar em outro...

—--Lugar, deuses, Ligea precisa da minha ajuda. ---Levantei da minha cama, eu havia entendido meu sonho, toda aquela visão, os acontecimentos, essa sensação esquisita que estava sentido, eu precisava ir para a batalha, encontrar Ligea, ela está com problemas, correndo risco de vida. Corri em direção da porta, mas travei, eu estava preso, minha avó me prenderá, por minha imprudência em campo de batalha, eu não podia sair do meu quarto, haviam dois guardas nas portas. Eu sinto muito vovó, não tenho outra opção, a situação é delicada, requer medidas drásticas, então vou ter que desobedece-la, novamente, além disso, até convence-la do perigo, tendo como base um sono aleatório e uma sensação esquisita, ela não entenderia e mandar-me-ia de volta para cá, então Ligea já poderia estar morta. Abri a porta e me deparei com dois golfinhos, parados de guarda costas, ambos com lanças de bronze na mão, eles eram aparentemente Golfinhos comuns, cinza e branco, porém eles ficavam de pé, quase como pessoas, e seguravam suas lanças de Bronze, em suas nadadeiras.

—--"General Perseus, por favor, retorne novamente ao seu quarto." ---Disse o maior deles, na minha mente. Eu não podia perder tempo, pensando em um bom plano para enganar estes dois, então teria que usar dos meus poderes mentais, usar o poder da minha mãe, Cruel realidade, seria maldade demais e um pouco desnecessário, uma vez que tenho outros menos violentos e que chegariam ao mesmo resultado sem grandes efeitos colaterais, então resolvi usar os de Héstia, e colocar ambos para dormirem, olhei para os olhos deles e usando, o Controle de emoções, esse poder tem o efeito de como o próprio nome diz, controlar as emoções dos seres vivos, manipular as emoções, basicamente eu posso tranquilizar as pessoas, ou quando forço bastante, posso faze-las apagarem, caírem em um sono profundo.

—--Me desculpem. ---Disse para eles, então eu fiz, mandando pensamentos calmos e serenos a princípio, eles ameaçaram usar suas armas para me conter, mas não demorou para eles começaram a balançar, suas lanças caíram das nadadeiras. Eu forcei ainda mais, aprofundando para pensamentos sonolentos, então não demorou para que ambos os Golfinhos, tivessem perdido a consciência. Me virei e sai correndo pelos corredores. ---Por favor, eu preciso chegar a tempo.

POV: Ligea.

As coisas tinham ido muito bem, eu com a ajuda dos Tritões, conseguimos destruir aquela Serpente Marinha enorme, meu plano de distração havia funcionado perfeitamente, e agora estávamos comemorando a vitória dessa batalha. Retirei meu capacete, para poder respirar melhor, eu estava distraída, pensando em certos olhos verde-mar, os lindos olhos do Percy, eu não entendia muito bem o que sentia por ele, eu devia sentir ódio, raiva, nojo, mesmo que sem querer é claro, ele acabou destruindo tudo que era valoroso pra mim, meu relacionamento com Tritão, eu o amava, ele costumava ser doce, gentil, carinhoso, bondoso, assim como o Percy é, claro que o Percy era mais bonito, charmoso e irresistível que o Tritão, deuses, o que eu estou pensando, eu não posso pensar nessas coisas. O fato era que, depois que o Percy nasceu, Tritão mudou tanto, começou a ser mais parecido com Anfitrite, no começo apenas apoiando a mãe, tentando fazer Poseidon, reconsiderar a separação, mas depois, ele piorou muito, já não me escutava, Anfitrite o envenenará com palavras de vingança e ódio, até ele cometer a loucura de tentar assassinar seu próprio pai. Mas Percy, eu estava confusa, há centenas de motivos para que o nós, nunca exista, por mais que eu sonhe com isso, pra começar, ele assassinara o único homem que amei, sim, foi por proteção a Roda e seus amigos, além disso, Percy nunca procurou problemas com Tritão ou minha irmã Anfitrite, eles que caçavam o pobre garoto, desde criança, como um animal, fazendo todas aquelas coisas horríveis com ele, além disso, é eu? Sou uma Ninfa, uma Nereida, não passo de uma mera serviçal, uma babá de honra ao rei divino do mar, e em épocas de guerra, capitã do exército de Poseidon, mesmo que Poseidon, aceitou o meu namoro com seu filho, Tritão, Anfitrite nunca aceitou ou apoiou nosso relacionamento, por isso, nunca nos casamos, além disso, o Percy ainda era mais complicado, ele era neto da nova Rainha, Atena, deusa da sabedoria, além de ser filho da Rainha Hera, a deusa mais exigente e super protetora, pelo que Poseidon me dissera, se Anfitrite nunca me aceitou para seu filho, imagine essa duas deusas. Percy era incrível, um verdadeiro Príncipe encantado, daquelas histórias infantis, não somente pelo fato de ser um príncipe, príncipe de verdade, filho de dois deuses reis, ele era tanto príncipe e herdeiro do mar, quanto era príncipe do Olimpo, o lar dos deuses Olimpianos, quando dizia que ele era um príncipe encantado, era na sua aparência, no seu caráter e força, ele salvará o mundo, mais de uma vez, era o General mais jovem que ouvirá falar, tanto no nosso mundo, quanto no mundo mortal, mas isso não o intimidou ou ele deixou a desejar, por ser tão jovem, muito pelo contrário, nesta guerra, ele fez a frente, lutando na linha de frente, sujando as mãos, mas ele não era somente músculos é selvageria de combate, ele era muito inteligente, um estrategista incrível. Resumindo, ouso dizer, sem a menor dúvida, que ele fora até aqui, a peça mais importante da guerra, além dele ter me salvado mais vezes, que gostaria de admitir, mesmo que tenha sido apenas uma, já era muito. Agora você faz ideia do quanto nossos mundos são distintos, a enorme existência que existe entre nós, mas teve aquele momento, aquele momento antes do começo da guerra, aquele momento não saí da minha cabeça, quando nossos corpos estiveram próximos, colados, seu coração acelerado, sua respiração ofegante se misturando com a minha, se Roda não tivesse aparecido, acho que teríamos nós beijado. Balancei a cabeça afastando tais pensamentos. É daí que houve aquele pequeno clima entre a gente, quem sou eu perto dele? Além disso tudo, há Esmeralda, rainha das Sereias, há rumores que eles estão juntos, se isso for verdade, que chance eu tenho? Esmeralda era incrivelmente bela, considerada muitas vezes, a mais bela deusa do mar, sua beleza era comparada a Afrodite e a Roda, um nível totalmente distante do meu, maldito Paláimon, tubarão sem cérebro, ele tinha que me fazer pensar no Percy, a verdade é que, desde aquele jantar, eu não deixo de pensar no General, Percy Jackson.

—--Filhinha. ---Ouvi uma voz que a muito não ouvia, jamais esquecerei aquela voz. Me virei rapidamente e tive a confirmação dos meus medos, parado a minha frente, junto a um pequeno contingente de Tritões, estava meu pai de braços abertos e sorrindo pra mim, ele não havia mudado nem um pouco, nesses milhares de anos que eu não o via, eu nunca mais o vi, nunca fiz questão, desde a morte da minha mãe, ele também não fez questão de me ver, então nunca o vi desde então. ---Papai veio te dar um abraço apertado e um beijo.

—--Papai. ---Disse surpresa.

—--Que bom, você ainda lembra do seu pobre e velho, pai. ---Disse ele sorrindo de escárnio. ---Já que você não respondeu as minhas mensagens, eu vim pessoalmente falar com você, minha querida flor. ---Eu sabia do que ele falava, antes da guerra começar, ele tentará por diversas vezes, se comunicar comigo, inclusive naquele noite, em que eu e o Percy, quase nos beijamos. Ele me mandara mensagens, por isso estava tão inquieta e confusa naquela noite.

—--Senhora, capitã Ligea....

—--Não, não, não. ---Se adiantou meu pai, fazendo Depp se calar. ---Não atrapalhe meu reencontro, com a minha querida menina, seu... O que exatamente você é? Um Tritão? ---Perguntou meu pai, bem, eu entendia a sua confusão, Depp era o Tritão mais humano que conheci. ---Bem, tanto faz. ---Disse ele dando de ombros, ele se virou ao seu pequeno batalhão. ---Vocês já sabem o que fazer. ---O pequeno contingente atacou em resposta, sem hesitar, preparei minha arma e me pus de guarda, mas nenhum dos Tritões me atacou, eles me ignoram por completo. ---Não, não minha querida, eu e você temos muito o que conversar, fazem muitos anos que não via você. ---Ele começou a nadar na minha direção, ao fundo eu podia ouvir a batalha entre os Tritões. Ele parou na minha frente, não abaixei minha guarda. ---É mesmo, quando você partirá, era apenas uma menininha, tão magricela e feia, agora vejo que bela mulher se tornou, tão linda quanto Dóris. ---Ao escutar o nome da minha falecida mãe, me afastei de meu pai, sem abaixar a arma. ---O minha menina, não precisa ter medo de mim, eu sou seu pai, você é sangue do meu sangue, herdou as minhas melhores habilidades, eu não quero lutar com você, eu vim aqui, para te fazer uma proposta.

—--Proposta? ---Perguntei receosa.

—--Sim, claro, uma proposta, uma oportunidade de sermos novamente uma família, eu e você, sua irmã se fora, Tritão se foi, não há mais razões para que você sirva aqui, para que você fique aqui, venha comigo, lute ao lado de Oceano, o lado vencedor. ---Aquela proposta me pegou de surpresa, de certo modo, ele tinha razão, eu vim para Atlântida, com o propósito de servir a minha irmã, Anfitrite, depois fui designada a servir Tritão, agora ambos se foram, mortos. Mas havia Poseidon, ele sempre foi um rei incrível, bondoso, generoso e justo, além disso, ele sempre me ajudou, me protegeu, de certo modo, ele sempre me tratará como uma filha, ele me tratava tão bem quanto ele tratava sua própria filha, Roda, ele foi um pai, muito melhor que o meu verdadeiro, agora eu trair essa pessoa, por causa de um homem que mal conheço, toda as lembranças que tinha dele, era dele me maltratando, dizendo o quão inútil eu era, por não conseguir usar as habilidades que herdei dele, além disso, havia a pequena Roda, ela era a pessoa que eu mais amava no mundo, era como se ela fosse minha filha, se eu traísse Poseidon, trairia ela também, mas agora havia o Percy, bem, eu não sei, só sei que esse sendo o lado errado, perdedor ou não, era o lado que eu tinha que estar, não havia mais o que se pensar.

—--Como eu já havia dito antes, a resposta é não, jamais vou trair meu rei, Poseidon. ---Disse firmemente, Nereu suspirou.

—--Você teve sua escolha, escolheu o lado errado, que grande desperdício, você seria de grande ajuda, ainda mais por ter herdado tanto de mim, minhas habilidades especiais. ---Disse ele tristemente.

—--Você já sabia da minha resposta, não precisava nem ao menos perguntar. ---Disse para ele, ele sorriu em resposta, ele começou a se alongar, erguendo os braços.

—--A idade chega, o corpo já não é mais o mesmo de quando eu era jovem. ---Disse ele sorrindo. ---Antes da nossa luta começar, me responda uma coisa, por que? Porque você escolheu Poseidon, ao seu pai? Me lembro que quando eu te enviei para cá, você odiou, chorou e esperneou.

—--Do que adianta eu te falar, você nunca vai entender.

—--Tente. ---Incentivou ele.

—--Pode até ser verdade, o que você disse, no começo eu odiei a ideia, mas era por causa da minha mãe, só por ela, depois que ela se fora, não havia mais nada que me prendia naquele lugar, mas quando estive aqui, com o passar dos anos, apesar de Anfitrite sempre judiar e me maltratar, eu era feliz, conheci pessoas maravilhosas, como Roda, como Poseidon, são por eles que eu luto, pela minha família.

—--Você tem razão, eu não entendi. ---Disse ele com desdém. Então ele atacou, ele se transformou em uma enorme Arraia, de uma ponta à outra, devia ter pelo menos uns 7 metros de comprimento, ela tinha uma coloração escura. Ele me atacou sem hesitar, eu sabia que tinha que lutar de igual pra igual com ele, se não, não teria a menor chance, então me transformei em um polvo gigante, joguei meus tentáculos para agarrar a Arraia que meu pai havia se transformado, mas ela era bem rápida, ela desviou dos meus tentáculos e partiu para cima, eu sabia que aquela cauda, tinha um veneno poderoso, então tinha que tomar bastante cuidado. A Arraia, Nereu, avançava rapidamente na minha direção, eu sendo um polvo enorme, era muito mais lento que ela, mas tinha a vantagem de se conseguisse pegar e segurar a Arraia com meus tentáculos, ele não escaparia facilmente, joguei novamente meus tentáculos na Arraia, eu consegui agarra-la, ela se debateu em meus tentáculos, mais quanto mais ele se debatia, melhor os tentáculos o segurava, aquelas centenas de pequenas ventanas eram bastante poderosas. Mas meu pai foi inteligentes, ele começou a mudar novamente, logo ele era um enorme Tubarão Branco, de 10 metros, ele mordeu os tentáculos, aquilo doía bastante, ainda mais com aquelas centenas de enormes dentes pontiagudos. Tive que trocar de forma, me transformando em uma enorme Carcholete, aproveitando que estava por cima, usando a velocidade, tamanho e peso da Carcholete, eu investi no Tubarão Branco, usando a dura cabeça da Carcholete, levando o Tubarão para o fundo, para esmagar o Tubarão contra a dura areia do fundo do mar, mas Nereu foi esperto, ele começou a mudar novamente, diminuindo, logo ele era uma Moréia, de 2 metros de comprimento, azul e amarela, a Moréia nadou rapidamente, já que seu corpo era viscoso, ela escorregava facilmente, e acabou saindo da zona de impacto, comecei a mudar novamente, me transformando em um Crocodilo, de 8 metros de comprimento, eles eram muitos velozes, me virei rapidamente, mordendo o meio da Moréia, ela se mexeu com muita dor, agora que ela estava na minha boca de Crocodilo, não escaparia, eu como Crocodilo, tinha muita força na boca, toneladas de força. Mas Nereu começou a mudar novamente de forma, eu não podia deixa-lo escapar, então mantive meu aperto firme, mas então ele voltou a ser meu pai, meu velho pai, ele estava com Icor escorrendo pelos ferimentos que meus dentes causavam, eu travei, ao ver meu pai em minha boca, prestes a ser despedaçado até a morte, ele era meu pai, sangue do meu sangue, mesmo que ele tenha sido um pai horrível, eu não o odiava, ele continuava sendo meu pai, família e família. Eu comecei a afrouxar meu aperto, então rápido como nunca, ele se transformou em uma pequena cobra marinha, negra e pequena, então me mordeu, aquele veneno não, ele era incrivelmente potente. Estas são as serpentes que possuem o maior e mais potente veneno entre todas as cobras, conhecidas pelos homens, o veneno começou agir rapidamente no meu corpo, eu ainda tentei esmagar Nereu em minha boca de Crocodilo, mas eu não consegui manter a transformação, então voltei ao meu corpo normal, minha armadura de volta em seu lugar, bem, eu usava um tipo de armadura encantada, quando me transformava, ela desaparecia, mais quando voltava ao meu corpo normal, ela retornava junto. O veneno era intenso demais, ele me deixou vendo dois quase instantaneamente, me drenando muito rápido.

—--Confesso que fiquei impressionado, minha querida, você ficou tão forte, por um instante, pensei estar morto, mas você fraquejou. ---Disse meu pai, eu podia ver sua forma dobrada em cima de mim, minha respiração estava pesada. ---Se você não tivesse fraquejado, eu estaria morto agora, realmente é uma pena, você podia me superar um dia. ---Disse ele tristemente. ---Acho que você tem uns 10 minutos ainda, antes que o veneno te mate.

—--Pai, por que? ---Perguntei fracamente.

---Não tem um porque, Ligea, estamos em uma guerra, em lados opostos. ---Disse ele calmamente, tão frio, ele não tinha coração, nunca teve. ---Acho que tenho que dizer isso, muito bem, eu estava errado, Dóris tinha razão, você era especial, no fim das contas. ---Disse ele, eu fiquei feliz em ouvir aquilo, acho que pela primeira vez, eu ouvi ele me elogiar, mostrar algum sentimento bom, sobre mim. Ele levou a mão ao meu rosto, eu já sentia meu corpo arder em fogo, ele acariciou meu rosto, seus olhos desceram dos meus, ele levou sua mão ao meu peito, eu olhei para onde ele olhava, a Safira, o presente de despedida da minha mãe, ele segurou a joia, eu tentei afastar sua mão, mas eu não tinha forças, ele empurrou minhas mãos de volta, segurou o colar e puxou do meu pescoço.

—--Não, por favor papai. ---Implorei para ele.

—--Está joia, foi meu presente de casamento, eu dei ele a sua mãe, eu a amava, mas ela me traiu, tentou me matar, ela preferiu você a mim, então eu a matei. ---Disse ele, aquilo me pegou de surpresa, ele havia matado a minha mãe.

—--Não, não, foi uma serpente marinha enlouquecida. ---Disse chorando.

—--Não, fui eu minha querida, enquanto ela morria, ela chamava seu nome, sua preciosa joia. ---Disse ele entre os dentes, então ele esmagou a joia, pude ouvir a Safira se partir em vários pedaços, dentro da mão dele.

—--NÃOOOO... SEU MALDITO, NÃO, MINHA MÃE, VOCÊ TIROU TUDO DE MIM. ---Gritei a todos pulmões, eu tentei me levantar e esmagar ele, mas já não tinha forças.

—--Você tem razão, eu tirei tudo de você, sua mãe, sua joia preciosa é por fim, inclusive sua vida, se você encontrar sua mãe, diga a ela que eu mandei lembranças. ---Disse ele sorrindo sadicamente. ---Adeus. ---Disse ele calmamente, ele se levantou, segurou a alça da minha armadura e armou o soco. Mamãe, eu estou indo, onde quer que você esteja, eu vou te encontrar, para conversamos, muito, eu quero te abraçar e contar tudo que vive, eu fui feliz na maior parte do tempo, apesar de tudo. Quando ele estava prestes a me matar, um vulto muito rápido, passou ao meu lado, uma lança de gelo, ela se cravou no ombro de Nereu, ele urrou de dor e cambaleou para trás. Senti dois braços fortes me envolverem, me erguerem do chão, um cheiro forte e gostoso de maresia invadindo minhas narinas. Então olhei para cima, e vi o Percy, seus cabelos negros estavam bagunçados como sempre, aquela mecha branca, se destacava afrente, descendo sobre sua testa, ele estava com roupas comuns, camisa preta lisa, calças jeans, ele não usava nenhum tipo de armadura ou proteção. Ele olhou para mim, especificamente para meu corpo, aquilo me fez corar, mas então percebi que ele olhava para meus ferimentos, eu olhei em seus olhos, eles estavam extremamente sérios e irritados, ele olhou meu rosto e depois se virou para Nereu.

—--Você vai pagar por isso, vai pagar por tudo que fez com Ligea, isso é uma promessa.