Percy Jackson e o Ciclope (Percabeth)
5 Quase morremos...de novo
Notas iniciais
Eu poderia ter dito muitas coisas. Poderia dizer: Eu sabia!.Ou talvez: Nossa, eu não imaginava. Até confessado que sentia o mesmo. Mas a única coisa que consegui dizer foi um inteligente Hã, gã...
Ela me olhava, esperando. Em seus olhos uma mistura de esperança, preocupação, dúvida, alívio, súplica...
- Hã – comecei – O que isso significa?
Não saiu como eu queria, provavelmente soou grosseiro. O problema é que eu queria enquadrar em uma só pergunta duas coisas. Se ela estava mesmo dizendo que gostava de mim e, se sim, o que aconteceria em seguida.
O rosto de Annabeth desmoronou.
- Eu não devia ter dito nada – murmurou, baixando os olhos
- O quê? – surpreendi-me – Não! Espere, você entendeu errado.
Ela ainda não me olhava.
- Escute, Annabeth – supliquei – Eu só não esperava que você dissesse isso. Entendeu?
- Você não disse o mais importante – ela sussurrou
- O quê?
Então entendi. Eu não havia dito que sentia o mesmo.
- Percy, eu não havia dito isso antes porque desconfiava que você não sentia o mesmo. Eu deixo pistas, deixo as coisas explícitas, e você nunca corresponde.
- É por isso que você me chama de Cabeça de Alga – ri
Ela sorriu.
- É, acho que sim. Você, posso dizer, não percebe as coisas, mesmo que estejam na sua frente.
- Desculpe, Annabeth. Mas, quero que saiba, eu sinto, sim, o mesmo.
Ela ergueu os olhos.
- Sério?
- Sim...
Então eu vi. Na verdade, vi pela segunda vez. À nossa frente, uma ilha com mais lestrigões.
- Não é possível – soltei
- O quê? – perguntou Annabeth
- Olhe – apontei para a ilha
- Mais? – ela indagou – Espere, Percy, esses não trabalham para Cronos. São aqueles que não se juntaram às suas forças, mas que também não se uniram aos deuses.
- Isso é bom, não é?
- Na verdade, não. Os de Cronos recebem ordem de nos levar a seu senhor, antes de matar. Mas esses – ela apontou para a frente – esses matam imediatamente qualquer coisa comestível que se aproxime. E, bem, para eles, nós somos alimento.
Então, uma lança fincou-se no casco. Em sua extremidade, havia uma corda, que era puxada por um gigante. Eles estavam nos levando até a ilha.
- Annabeth...
- Eu sei! Percy, corte a corda!
Eu destampei Contracorrente e desferi um golpe. Mas a corda devia ser protegida por algum encantamento. Minha lâmina retiniu, inofensiva.
- Isso é um problema – observei.
- O que faremos?
Estávamos chegando perto da costa. Então eu tive uma ideia.
- Pulamos! – sugeri – Sou filho de Poseidon, posso criar uma bolha de ar. Conseguiremos escapar pelo mar.
- Acho que não é uma boa... – começou Annabeth
- Não temos escolha. Venha!
Então, nós pulamos pela amurada do navio...Mas não caímos no mar.
Um gigante segurava-nos pela gola da camisa. Tinha água até os joelhos e um sorriso bobo na cara. Como não o vimos?
- Peguei! Peguei! – gritava ele
- Solte-nos – Annabeth tentava socá-lo e chutá-lo, mas nem conseguia alcançá-lo.
- Traga-os aqui, Briam – gritava um lestrigão da costa
- Vamos comê-los, Dean? – perguntou o nosso gigante, Briam
- Traga-os aqui primeiro, idiota! – gritava Dean
Briam começou a caminhar em direção à costa. Quando chegou, nos largou na areia, como sacos de farinha.
- Peguei! Peguei! – repetiu
Um bosque fechado estendia-se mais a frente e fumaça desprendia-se do meio da floresta, deveria ser uma fogueira.
- Vamos ter semideus para o jantar? – perguntou Briam
- Claro! Mas, antes, vamos escutar os meio-sangues implorarem, como sempre. Como se houvesse uma chance de eu os deixar ir. Não como há dias!
Tentei me levantar, mas me empurraram de volta para o chão.
- Ei – gritei – deixe-nos ir! Estamos numa missão importante. Algo que pode salvar o mundo!
Dean sorria. Aparentemente eu dera o que ele queria, estava implorando.
- Oh, que lindo! Acha mesmo que não sabemos da missão? Cronos já tentou nos convencer, mas não servimos a ninguém! Nem mesmo aos deuses!
- Mas nós nos importamos com o que irá acontecer com a civilização e gostaríamos de poder retornar à nossa missão!
- Nada disso, semideus.
Tentei me levantar novamente, mas Briam me empurrava. Desferi, então, um golpe com contracorrente, que ainda estava em minhas mãos, e sangue dourado saiu do ferimento. Eu teria de fazer um ferimento mais profundo para pulverizá-los. Porém, Briam me largou e começou a pular.
- Ai, ai! Dói!
Aproveitei a chance e ataquei Dean.
Antes que eu chegasse perto o bastante para golpeá-lo, ele esticou a mão e me agarrou pelo braço, deixando-me suspenso no ar.
- Que patético! Mas vejo que tem coragem. Por isso, vou me divertir com você antes de matá-lo – ele olhou para Briam – Ei, seu molenga! Pare de pular feito criança e mate a criança de Atena.
Meu coração quase parou. Eu estava imobilizado, não poderia salvar Annabeth.
Briam abaixou-se e a agarrou.
- Semideus de jantar! – cantarolou
- Ei – dirigi-me a Dean – Mate-me e deixe-a ir. Pode me torturar,qualquer coisa! Deixa-a seguir, voltar para o Acampamento.
- Percy, não – gemeu Annabeth
- Negócio fechado?
Estendi minha mão livre para Dean. Ele riu.
- Acha mesmo que vou abrir mão dela? Tenho dois semideuses sobre meu poder, vou comer os dois! Briam, ande! Mate-a!
- Não!
A raiva me tomou e uma carga de adrenalina desceu por meu corpo. Consegui passar contracorrente para a mão livre e golpear o lestrigão na barriga. Ele curvou-se, mas não me soltou. Então, fiz um ferimento mais fundo onde deveria estar o coração e ele desintegrou-se.
Virei-me para Briam, que me olhava boquiaberto.
- Solte-a – ordenei
Mas ele apenas riu. Jogou Annabeth, que bateu a cabeça em uma pedra e ficou inconsciente, e avançou para mim.
- Você matou meu irmão!
Estranho, agora ele parecia inteligente.
Esquivei-me de seu primeiro soco, mas ele me atingiu com a outra mão, jogando-me em direção às árvores. Caí no chão úmido e esperei que ele atacasse. No último momento, desviei-me e corri em direção às ondas.
- Volte aqui! – grunhiu ele
Mas eu já estava na água, minha fonte de poder. Concentrei-me e senti a pressão familiar em meu estômago. Ordenei às ondas que esperassem. Quando Briam estava a poucos metros, soltei toda a pressão acumulada e ele foi tragado pelas águas.
- Não!
As ondas o jogaram a muitos metros de distância a areia. Ele estava zonzo, vi minha oportunidade. Aproximei-me com a espada erguida e desferi o golpe. Briam se pulverizou.
Annabeth ainda estava desacordada e pálida. Havia um talho profundo em sua testa.
Eu a sacudi, mas de nada adiantou. Subi no navio e peguei um pouco de Néctar. Demorou o que pareceram séculos, mas enfim ela abriu olhos.
- Ei, está ouvindo? – perguntei
Seus olhos estavam sem foco. Dei-lhe um pouco mais de Néctar.
- Chega, Percy! Quer me ver reduzida a cinzas? Sou tão irritante assim?
Suspirei de alívio.
— Descanse um pouco. O navio está um pouco longe demais. Você não vai conseguir alcançá-lo.
- Certo.
Ela fechou os olhos, como se fosse dormir. Mas continuou conversando.
- Você pulverizou Briam também?
- Briam está descansando no Tártaro.
Ela riu.
- Você me salvou — disse
- Somos uma equipe, lembra? Além disso, você já me salvou inúmeras vezes.
- É, acho que te salvo umas duas vezes por dia – ela riu
- Ei, eu não me meto em tantas encrencas assim!
- Ah, se mete, sim!
Algum tempo depois, Annabeth disse já estar melhor e subimos novamente ao barco. Tive que ajudá-la algumas vezes, mas conseguimos. Estávamos, de novo, rumo à ilha do ciclope.
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