Notas iniciais
Obrigada a todos os comentários! Bem, aqui está um novo capítulo. Este também tem ação. Espero que gostem.

Eu poderia ter dito muitas coisas. Poderia dizer: Eu sabia!.Ou talvez: Nossa, eu não imaginava. Até confessado que sentia o mesmo. Mas a única coisa que consegui dizer foi um inteligente Hã, gã...

Ela me olhava, esperando. Em seus olhos uma mistura de esperança, preocupação, dúvida, alívio, súplica...

- Hã – comecei – O que isso significa?

Não saiu como eu queria, provavelmente soou grosseiro. O problema é que eu queria enquadrar em uma só pergunta duas coisas. Se ela estava mesmo dizendo que gostava de mim e, se sim, o que aconteceria em seguida.

O rosto de Annabeth desmoronou.

- Eu não devia ter dito nada – murmurou, baixando os olhos

- O quê? – surpreendi-me – Não! Espere, você entendeu errado.

Ela ainda não me olhava.

- Escute, Annabeth – supliquei – Eu só não esperava que você dissesse isso. Entendeu?

- Você não disse o mais importante – ela sussurrou

- O quê?

Então entendi. Eu não havia dito que sentia o mesmo.

- Percy, eu não havia dito isso antes porque desconfiava que você não sentia o mesmo. Eu deixo pistas, deixo as coisas explícitas, e você nunca corresponde.

- É por isso que você me chama de Cabeça de Alga – ri

Ela sorriu.

- É, acho que sim. Você, posso dizer, não percebe as coisas, mesmo que estejam na sua frente.

- Desculpe, Annabeth. Mas, quero que saiba, eu sinto, sim, o mesmo.

Ela ergueu os olhos.

- Sério?

- Sim...

Então eu vi. Na verdade, vi pela segunda vez. À nossa frente, uma ilha com mais lestrigões.

- Não é possível – soltei

- O quê? – perguntou Annabeth

- Olhe – apontei para a ilha

- Mais? – ela indagou – Espere, Percy, esses não trabalham para Cronos. São aqueles que não se juntaram às suas forças, mas que também não se uniram aos deuses.

- Isso é bom, não é?

- Na verdade, não. Os de Cronos recebem ordem de nos levar a seu senhor, antes de matar. Mas esses – ela apontou para a frente – esses matam imediatamente qualquer coisa comestível que se aproxime. E, bem, para eles, nós somos alimento.

Então, uma lança fincou-se no casco. Em sua extremidade, havia uma corda, que era puxada por um gigante. Eles estavam nos levando até a ilha.

- Annabeth...

- Eu sei! Percy, corte a corda!

Eu destampei Contracorrente e desferi um golpe. Mas a corda devia ser protegida por algum encantamento. Minha lâmina retiniu, inofensiva.

- Isso é um problema – observei.

- O que faremos?

Estávamos chegando perto da costa. Então eu tive uma ideia.

- Pulamos! – sugeri – Sou filho de Poseidon, posso criar uma bolha de ar. Conseguiremos escapar pelo mar.

- Acho que não é uma boa... – começou Annabeth

- Não temos escolha. Venha!

Então, nós pulamos pela amurada do navio...Mas não caímos no mar.

Um gigante segurava-nos pela gola da camisa. Tinha água até os joelhos e um sorriso bobo na cara. Como não o vimos?

- Peguei! Peguei! – gritava ele

- Solte-nos – Annabeth tentava socá-lo e chutá-lo, mas nem conseguia alcançá-lo.

- Traga-os aqui, Briam – gritava um lestrigão da costa

- Vamos comê-los, Dean? – perguntou o nosso gigante, Briam

- Traga-os aqui primeiro, idiota! – gritava Dean

Briam começou a caminhar em direção à costa. Quando chegou, nos largou na areia, como sacos de farinha.

- Peguei! Peguei! – repetiu

Um bosque fechado estendia-se mais a frente e fumaça desprendia-se do meio da floresta, deveria ser uma fogueira.

- Vamos ter semideus para o jantar? – perguntou Briam

- Claro! Mas, antes, vamos escutar os meio-sangues implorarem, como sempre. Como se houvesse uma chance de eu os deixar ir. Não como há dias!

Tentei me levantar, mas me empurraram de volta para o chão.

- Ei – gritei – deixe-nos ir! Estamos numa missão importante. Algo que pode salvar o mundo!

Dean sorria. Aparentemente eu dera o que ele queria, estava implorando.

- Oh, que lindo! Acha mesmo que não sabemos da missão? Cronos já tentou nos convencer, mas não servimos a ninguém! Nem mesmo aos deuses!

- Mas nós nos importamos com o que irá acontecer com a civilização e gostaríamos de poder retornar à nossa missão!

- Nada disso, semideus.

Tentei me levantar novamente, mas Briam me empurrava. Desferi, então, um golpe com contracorrente, que ainda estava em minhas mãos, e sangue dourado saiu do ferimento. Eu teria de fazer um ferimento mais profundo para pulverizá-los. Porém, Briam me largou e começou a pular.

- Ai, ai! Dói!

Aproveitei a chance e ataquei Dean.

Antes que eu chegasse perto o bastante para golpeá-lo, ele esticou a mão e me agarrou pelo braço, deixando-me suspenso no ar.

- Que patético! Mas vejo que tem coragem. Por isso, vou me divertir com você antes de matá-lo – ele olhou para Briam – Ei, seu molenga! Pare de pular feito criança e mate a criança de Atena.

Meu coração quase parou. Eu estava imobilizado, não poderia salvar Annabeth.

Briam abaixou-se e a agarrou.

- Semideus de jantar! – cantarolou

- Ei – dirigi-me a Dean – Mate-me e deixe-a ir. Pode me torturar,qualquer coisa! Deixa-a seguir, voltar para o Acampamento.

- Percy, não – gemeu Annabeth

- Negócio fechado?

Estendi minha mão livre para Dean. Ele riu.

- Acha mesmo que vou abrir mão dela? Tenho dois semideuses sobre meu poder, vou comer os dois! Briam, ande! Mate-a!

- Não!

A raiva me tomou e uma carga de adrenalina desceu por meu corpo. Consegui passar contracorrente para a mão livre e golpear o lestrigão na barriga. Ele curvou-se, mas não me soltou. Então, fiz um ferimento mais fundo onde deveria estar o coração e ele desintegrou-se.

Virei-me para Briam, que me olhava boquiaberto.

- Solte-a – ordenei

Mas ele apenas riu. Jogou Annabeth, que bateu a cabeça em uma pedra e ficou inconsciente, e avançou para mim.

- Você matou meu irmão!

Estranho, agora ele parecia inteligente.

Esquivei-me de seu primeiro soco, mas ele me atingiu com a outra mão, jogando-me em direção às árvores. Caí no chão úmido e esperei que ele atacasse. No último momento, desviei-me e corri em direção às ondas.

- Volte aqui! – grunhiu ele

Mas eu já estava na água, minha fonte de poder. Concentrei-me e senti a pressão familiar em meu estômago. Ordenei às ondas que esperassem. Quando Briam estava a poucos metros, soltei toda a pressão acumulada e ele foi tragado pelas águas.

- Não!

As ondas o jogaram a muitos metros de distância a areia. Ele estava zonzo, vi minha oportunidade. Aproximei-me com a espada erguida e desferi o golpe. Briam se pulverizou.

Annabeth ainda estava desacordada e pálida. Havia um talho profundo em sua testa.

Eu a sacudi, mas de nada adiantou. Subi no navio e peguei um pouco de Néctar. Demorou o que pareceram séculos, mas enfim ela abriu olhos.

- Ei, está ouvindo? – perguntei

Seus olhos estavam sem foco. Dei-lhe um pouco mais de Néctar.

- Chega, Percy! Quer me ver reduzida a cinzas? Sou tão irritante assim?

Suspirei de alívio.

— Descanse um pouco. O navio está um pouco longe demais. Você não vai conseguir alcançá-lo.

- Certo.

Ela fechou os olhos, como se fosse dormir. Mas continuou conversando.

- Você pulverizou Briam também?

- Briam está descansando no Tártaro.

Ela riu.

- Você me salvou — disse

- Somos uma equipe, lembra? Além disso, você já me salvou inúmeras vezes.

- É, acho que te salvo umas duas vezes por dia – ela riu

- Ei, eu não me meto em tantas encrencas assim!

- Ah, se mete, sim!

Algum tempo depois, Annabeth disse já estar melhor e subimos novamente ao barco. Tive que ajudá-la algumas vezes, mas conseguimos. Estávamos, de novo, rumo à ilha do ciclope.

Notas finais
Gostaram? Deixem comentários e logo postarei mais um cápítulo. Obrigada por ler!