Percy Jackson e o Ciclope (Percabeth)
2 Minha discussão com Annabeth
Notas iniciais
Depois de uma hora, me encontrei com Annabeth na praia. Um barco lançava suas luzes no mar um pouco mais à frente. Não era enorme como o de Luke, nem chegava perto, mas tinha um tamanho razoável para levar três ou até cinco pessoas.
Não havia figura nem nome na proa. Era simples, mas eu gostei.
Embarcamos e arrumamos nossas coisas. Havia duas suítes muito grandes, cada uma com vários refrigerantes, doces e outras coisas nada saudáveis na geladeira.
— Uau!
— Seu pai caprichou, Cabeça de Alga – disse Annabeth – Agradeça a ele.
Murmurei um agradecimento a Poseidon e então subi para olhar o mar. Era noite e não consegui enxergar muito além, mas sabia exatamente onde estávamos, minha orientação marítima era ótima.
— Esse barco vai nos levar até a ilha. Você não precisa controlar – disse Annabeth. Não percebi que ela subira também.
— Ótimo, vou dormir então.
— Eu faço a primeira vigília.
— No mar?
- Claro, nunca podemos deixar alguma brecha. Há monstros marinhos, sereias, outros navios que podem nos atacar...
— Ah, já entendi! – cortei — Me acorde quando for dormir e eu assumo.
— Percy – Annabeth chamou – Você não vai dormir de verdade, vai? São sete horas!
— Eu estou cansado.
Ela levantou uma sobrancelha.
— Não, não vou – confessei – Só vou...
— Não precisa dizer, já entendi – cortou ela.
— Não é por sua causa, Annabeth. É que há tanta coisa acontecendo, preciso colocar a cabeça em ordem.
Ela virou para o mar e assentiu.
A verdade: eu não queria falar com ela. Ainda estava bravo depois da última conversa e não queria outra dose de Luke.
Annabeth me acordou depois de algumas horas e eu assumi a vigília. O mar estava calmo e só vi alguns lampejos de monstros, como o dorso de uma serpente marinha, mas estes passaram longe.
Annabeth acordou sete horas. Comemos um café da manhã esplêndido de barrinhas de cereais e suco de caixinha.
— Algum monstro? – perguntou ela
— Nada importante.
— Estranho. Pela nossa sorte, já devíamos ter sido atacados.
Eu ri.
— Talvez nossa sorte esteja melhorando.
— Eu não creio nisso. Acho que logo teremos algum desafio.
— Seu otimismo me emociona — ironizei – Annabeth, eu...
Mas ela olhava para o horizonte.
— Percy...
Virei-me e vi uma bela ilha. Palmeiras contornavam o litoral e um bosque estendia-se mais além. Parecia um tipo de lugar perfeito pra um resort.
- É uma ilha. O que tem de mais? O barco vai contornar.
- Não, Percy. Olhe ali! – ela apontou a extremidade da ilha.
Então eu vi: gigantes com três a cinco metros caminhavam por ali. Todos brandindo bastões e espadas enormes. Eram os gigantes canibais que serviam a Cronos.
- Lestrigões? – indaguei
Annabeth assentiu.
- Não sabia que viviam por aqui – observei
- Não vivem. Provavelmente é uma base das forças de Cronos – explicou Annabeth – Um ponto de apoio. Cronos irá parar aqui para repor soldados ou suprimentos quando estiver rumo à ilha do ciclope.
- Vamos pedir ao barco que passe bem longe.
- É o melhor a fazer.
Nesse momento, uma flecha quicou no casco do navio.
- Eles nos viram! – gritou Annabeth – Abaixe-se!
Abaixei-me justamente quando uma saraivada de flechas passou por cima de minha cabeça. Ordenei às ondas que empurrassem o barco, fazendo-o ganhar velocidade. Quando achei que estávamos salvos, olhei para Annabeth e meu coração parou.
Seu braço tinha um ferimento que fumegava, as bordas estavam de uma cor nauseante de verde. Annabeth trincava os dentes de dor, próxima a ela havia uma flecha.
- Annabeth! – ajoelhei-me ao seu lado – O que aconteceu?
- Uma flecha com veneno raspou em mim...
Seu rosto estava pálido.
- Vou pegar néctar!
Desci as escadas às pressas, peguei meu cantil e o ofereci à Annabeth. Em pouco tempo, a cor voltava ao seu rosto e a ferida começava a fechar.
Annabeth tentou levantar-se, mas perdeu as forças e caiu. Eu a peguei.
- Sente-se. O veneno era muito forte.
- Percy, agora Cronos saberá que estamos atrás do ciclope.
- Qual é o problema? Nós estamos bem longe, ele nunca nos alcançará!
- Eu sei, mas...Isso não é bom.
- Esqueça, você tem que descansar. Pode ir dormir um pouco, eu cuido de tudo.
- Não, vou ficar aqui com você. Não vou deixar tudo nas suas mãos, Cabeça de Alga!
Certo, ela devia estar melhorando.
- Percy, o que você queria me perguntar antes de avistarmos os lestrigões?
Um nó formou-se em minha garganta.
- Acho que é melhor dizer quando você melhorar.
Isso teve o efeito contrário ao que eu queria. Apenas aumentou a curiosidade de Annabeth, que agora iria me pressionar até que eu contasse.
- Não estou tão mal assim! Pode falar.
- Annabeth, eu queria dizer que tenho medo da sua reação caso tenhamos que enfrentar Luke, aliás, Cronos.
Como eu imaginava, ela fechou a cara imediatamente. Era isso que mais me irritava, a aversão de Annabeth a esse assunto, mesmo sendo ele de extrema importância.
- Eu irei enfrentá-lo, é simples.
- Não creio nisso. Você provavelmente vai tentar fazê-lo enxergar a verdade, e isso irá nos matar.
- Percy, eu não sou burra. Sei o que fazer na hora certa.
- Não foi isso que aconteceu da última vez, no Labirinto. Você ficou paralisada!
- Aquilo foi diferente, Percy! Eu tinha acabado de saber no que ele se transformara, se essa é a palavra certa.
- Ele não se transformou, ele sempre foi mau.
- Você não o conhecia!
- Acho que conhecia o suficiente para saber que Luke é um traidor.
- Eu não quero mais falar sobre isso...
Eu explodi.
- Annabeth, você não percebe? Luke, agora Cronos, não medirá esforços para nos matar e você tenta protegê-lo! Sempre que tento falar de algo importante sobre ele, você se esquiva!
- Percy, você não percebe o que os outro sentem? Eu simplesmente não consigo falar sobre Luke, não consigo!
- Acho que é você quem não percebe o que os outros sentem.
Então me levantei, deixando-a sozinha, e fui para meu quarto. Novamente, minha conversa com Annabeth terminou em briga.
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