Percy Jackson e o Ciclope (Percabeth)
3 Uma visita inesperada
Notas iniciais
Os dois dias seguintes passaram sem grandes ameaças. Annabeth me evitou no começo, mas depois começamos a voltar ao normal. Ou seja, conversávamos, mas quase nunca conseguíamos terminar a conversa sem querer estrangular um ao outro. O assunto de Luke não veio mais à tona.
Annabeth estava ficando um pouco paranóica.
– Percy, é muito estranho ainda não termos sido atacados... – disse ela
– Os lestrigões que quase te mataram não contam? – indaguei
– Mas não foram eles que vieram atrás de nós. Aproximamo-nos de sua base e eles defenderam-se. Foi defesa, não ataque. Entendeu a diferença? – ela olhou para mim, esperando.
– Hã...
– Além do mais, todos os monstros, como serpentes marinhas, nos ignoram!
– Talvez elas sejam passivas. Não estejam do lado de Cronos... – sugeri, esperançoso.
– Mas algo já devia ter vindo – ela olhava para trás, como se esperasse que algum monstro surgisse. O que era bem possível
– Cronos é ardiloso. Ele pode querer que pensemos que não há perigo e, quando deixarmos alguma brecha, nos atacar.
– Acho que não é isso. Acredito que ele guarda o maior perigo para o final...e nos quer vivos para enfrentá-lo – especulou Annabeth.
Que desafio tão terrível seria esse que fizera o Senhor dos Titãs adiar nossa morte, só para nos ver enfrentá-lo? Isso era assustador.
– Torça para que esteja errada – disse a Annabeth
Isso era um conflito de ideias para ela. Annabeth odiava estar errada, mas também não queria enfrentar esse perigo que especulava.
Mais tarde, recebemos uma visita inesperada.
Estava anoitecendo e nós observávamos as estrelas, quando uma luz iluminou o navio. Fechamos os olhos com a claridade e, quando os abrimos, uma mulher de cabelos pretos e olhos cinzentos estava parada na proa.
– Mãe! – gritou Annabeth.
– Olá, Annabeth! E...Percy – não sei porque, mas ela parecia não gostar muito de mim
– Mãe, não quero ser grosseira, mas...Por que está aqui? – Annabeth perguntou
– Precisava contar-lhe uma coisa- começou Atena, olhando apenas para sua filha, como se eu não existisse – Sei que não posso interferir em missões, mas é importante. Percebi que você está perguntando-se por que nada os atacou ainda.
Annabeth assentiu.
– Nada os atacou por que Cronos quer que cheguem ao ciclope vivos – explicou Atena.
Isso me desconcertou.
– Mas...por que? – perguntei – Ele não quer que Bruce se junte à sua tropa? Por que iria querer que nós o achássemos primeiro e, com sorte, o convencêssemos a juntar-se aos deuses?
– Você já tem a resposta: com sorte – disse Atena – Cronos está apostando que vocês não terão essa sorte. O que eu, francamente, também não acredito que não terão...
– Obrigado pelo apoio – murmurei
– Se falharem – continuou ela, como se eu não houvesse interrompido — Cronos ganhará vantagem, pois terá um argumento para convencer o ciclope. Poderá dizer a ele que os deuses o estão coagindo e, então, o ciclope ficará contra nós.
– Mas, se ganharmos, Cronos ficará sem suas armas. Ele não se arriscaria assim se não tivesse certeza de que iríamos falhar – concluiu Annabeth
– Exatamente, minha filha. Vejo que meus filhos são inteligentes.
Atena olhou para mim pelo canto do olho, como se disesse: Ei, você é burro! O que acho que queria mesmo dizer.
– Era sobre isso que eu precisava lhes informar — disse ela – Agora, vou deixá-los completar a missão. Boa sorte, vocês precisam. E, antes que eu me esqueça...Percy, como você não atendeu ao pedido que fiz no solstício de inverno, eu repito: fique longe da minha filha.
Eu corei, mas Annabeth me superou, ficou extremamente vermelha.
Então, Atena assumiu sua forma divina e nós desviamos o olhar.
– Despedida legal – observei
– Vamos voltar a vigiar, Cabeça de Alga.
– Mas ela disse que Cronos não vai mandar nenhum monstro! – retruquei
– Não importa, vamos vigiar...
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