Percy Jackson e o Ciclope (Percabeth)
4 Confissão...ou mais confusão
Notas iniciais
A propósito, acho que vão gostar desse capítulo...
Naquela noite sonhei com Annabeth.
Eu estava em sua casa em São Francisco. Sua família sentava-se à mesa de jantar. O pai na ponta, lendo um jornal, os dois meio-irmãos de Annabeth em um lado da mesa e ela no outro. Sua madrasta estava em pé, cozinhando.
– Certamente posso te ajuda, querida – falou a madrasta. Agora ela e Annabeth pareciam ter um relacionamento tranquilo.
– Obrigada. Eu estou perdida! – confessou Annabeth. Ela...perdida? Que estranho.
– Bom, vamos começar com uma pergunta vital, mas não a mais importante: acha que ele gosta de você? – quem era ele? De repente, fiquei com raiva.
– Não sei. Ele não demonstra. Apesar de todas as dicas que dou, ele parece não entender o recado – confessou Annabeth
– Bom, ele pode estar com medo de sua reação, que você o rejeite.
– Não sei... – Annabeth parecia magoada. Acredito que o fato de ele a ignorar, machucava-a muito.
– Agora – disse a madrasta – A pergunta mais importante: você gosta dele?
Annabeth demorou a responder.
– Eu não entendo o que sinto. Está tudo muito confuso. Mas, sim, acho que gosto dele.
Sua madrasta sorriu.
– Acho que isso é um bom começo.
De quem estavam falando? De quem Annabeth gostava?
Uma mistura de fúria e tristeza me atingiu.
– Ele parecia um bom menino quando veio aqui – disse seu pai.
Ele, seja lá quem for, visitou Annabeth. Eu tinha vontade de chutar algo, mesmo em sonho.
– Concordo – disse a madrasta.
Ótimo, também era o queridinho dos pais de Annabeth.
– Ah, ele é uma ótima pessoa – concordou ela
Agora eu queria chorar.
– Acho que você deveria conversar com ele, querida – disse a madrasta
Annabeth pensou e enfim respondeu:
– Certo, obrigada pela conversa – ela agradeceu à madrasta – E, se tudo der certo, vou conversar com Percy.
Acordei assustado.
Eu passara o tempo todo em que estive sonhando tentando descobrir de quem Annabeth gostava. Mas...Percy? Isso me pegou de surpresa.
Ela falava de mim? Ou havia, por incrível coincidência, outro Percy? Será que aquilo acontecera mesmo ou fora uma invenção de minha cabeça maluca? Annabeth gostava mesmo de mim?
Eram tantas perguntas que eu estava zonzo. Além disso, estava com fome. Então, subi para tomar café da manhã.
Annabeth olhava o horizonte quando subi.
– Bom dia, Cabeça de Alga – cumprimentou ela, sem olhar para mim.
– Bom dia.
Fiz um sanduíche, que era uma maravilha depois de tantas barrinhas, e sentei-me ao lado de Annabeth.
– Dormiu bem? Quer dizer, antes de ficar de vigília — perguntei
– Não – respondeu ela – Sonhos. Na verdade, nada de revelador. Apenas coisas do passado, coisas que eu não queria relembrar.
Acho que eu sabia que esses sonhos, alguns pelo menos, tratavam-se de Luke. Então, mudei de assunto.
– Eu, hum, não tive sonhos.
Não iria contar a verdade. Não tinha nem certeza se aquilo realmente acontecera. Afinal, Annabeth não falara comigo sobre o assunto. Porém, ela disse “se tudo der certo” e nada correra muito bem.
Ficamos algum tempo em silêncio, que foi quebrado por Annabeth, que ainda não me olhava.
– Percy, eu...
Ela se interrompeu. Parecia envergonhada e a ponto de desistir do que quer que fosse falar, mas continuou.
– Eu gostaria de saber se você...se você vai atender ao pedido de minha mãe.
A príncipio, fiquei confuso, mas então compreendi. Annabeth se referia ao pedido de Atena para que eu ficasse longe de sua filha.
– Não, não vou atender — confessei
Annabeth agiu como se eu tivesse tirado um peso enorme de suas costas. Ela olhou para mim e seus olhos brilhavam.
– Obrigada.
– Disponha – eu sorri e ela retribuiu, um pouco relutante.
– Sabe – ela começou, um pouco mais animada – Estamos apenas no começo de nossa jornada e, bem, acho que devíamos parar de brigar um pouco.
– Eu não sei se você pensa assim, mas antes parecia mais fácil.
Annabeth olhava para o horizonte de novo.
– Eu também acho. Mas, olha, nós não podemos contornar os acontecimentos recentes e conviver normalmente de novo?
Perguntei-me se ela também incluíra nesse plano de “contornar” o beijo que me deu. Se pretendia esquecê-lo. Esse pensamento me entristeceu.
– Acho que sim – respondi, mal-humorado
Ela percebeu meu tom de voz e virou-se para mim.
– O que foi? – perguntou. Havia preocupação em seus olhos.
Eu não queria confessar. Era a primeira conversa que tínhamos sem brigar e sermos atacados. Porém, seus olhos pareciam vasculhar minha mente, tentando ver o que eu escondia.
– Eu só fiquei pensando... – hesitei. Ela ainda fixava em mim seus olhos cinzentos – Se você enquadra nisso de “contornar e esquecer” o beijo que me deu.
Sua expressão passou a espanto, mas não do tipo: como teve coragem de dizer isso? Vou socar a sua cara. Parecia mais um espanto do tipo bom, como se ela quisesse que eu tocasse no assunto, mas não achava ser possível. Eu definitivamente, a peguei de surpresa.
– Hã...hum...
Ela ainda estava pasma, não conseguia falar. Eu acredito que nunca vira Annabeth assim.
– Não...quer dizer, isso não significa que...Não, não é isso! Espere.
Ela fechou os olhos e respirou fundo.
– Olhe, Percy – falou, ainda de olhos fechados — Não me arrependo de que fiz, mas...quer dizer, isso não significa que... Ai, espere! – ela pediu de novo.
Ela iria dizer: Não me arrependo do que fiz, mas isso não significa que eu goste de você. Porém, aparentemente, algo a impedia, como se ela sentisse que era necessário dizer aquilo, mas que não era exatamente a verdade. Era a razão lutando com os sentimentos.
Eu devia interromper seu sofrimento e dizer “deixa para lá”, mas eu queria muito ouvir a conclusão a qual ela chegaria.
Annabeth esfregava as têmporas. Eu a obrservava.
Enfim, ela abriu os olhos. Estavam vermelhos, como se o esforço a fizesse a chorar.
– Olhe, você precisa saber – começou. Ela aparentemente reunira coragem e decidira o que fazer, olhava-me decidida – No Monte Santa Helena, estava com medo que você morresse, que nunca mais te veria...
Ótimo, pensei, ela vai me dizer que não sente nada por mim.
Mas ela contrariou meus pensamentos.
– E beijei-o. O problema é que não sei se fiz isso porque queria que, caso morresse, você soubesse o que eu sentia – agora ela baixou o olhar- Ou se te beijei para poupar a mim mesma do arrependimento. Arrependimento porque, se eu descobrisse mais tarde que realmente gostava de você, sofreria sabendo que deixei de expressar meu sentimento.
Ela falava sem nenhuma pausa. Então, parou para respirar e continuou, ainda sem olhar para mim.
– Eu fiquei muito tempo pensando nos dois casos. Queria descobrir porque te beijei para definir meus sentimentos. Mas agora acabei de perceber que, nos dois casos – ela focou o olhar em mim –, eu iria te beijar porque eu realmente gosto de você....
Fale com o autor