Percy Jackson E O Sequestro Do Deus
2 Faço uma visita ao banheiro masculino
Alguns dias se passaram, e com eles as semanas. Fiquei ansiosa e ele nunca chegava. O que será que havia acontecido? Será que ele desistira? Tudo bem, um dia eu iria para o acampamento. Eu estava magoada, mas eu já me acostumara a esperar. E quem sabe talvez ele só esteja tendo problemas demais com monstros.
A vida continua- disse a mim mesmo.
E continuei minha rotina. Já era a penúltima semana de aula e eu estava bastante agradecida por estar quase no fim. Tudo ia bem, até já tinha certeza que passara de serie, graças a minha amiga Ana Isabella que sempre me ajuda, pois tenho algumas dificuldades de aprendizado. Estava confiante, o dia parecia agradável e cheio de expectativas.
Cheguei à escola com aquele velho e tímido sorriso. E me dirigi á meu lugar, que por um acaso era apelidado de "fundo dos rejeitados". Veja bem, nunca fui uma garota muito querida na escola, e minhas poucas amizades, tirando a Ana, eram garotos, e infelizmente eles não estudavam na mesma sala que eu. Nunca me dei bem com as garotas de minha sala, elas são fúteis e banais e os garotos, rum, parecem que no lugar de um cérebro tinham extrato de tomate. Bem, éramos eu e Ana contra o mundo.
A primeira aula era de matemática, com a Profª Lúcia, ela não gostava muito de mim, ela sempre me olhara com aquele olhar aterrorizado como se eu fosse uma aberração, mas já tinha me acostumado com tal fato, mas tudo correu bem, pela primeira vez no ano ela não me olhara com desprezo. E isso me deixou bastante preocupada, já estava imaginando que a qualquer momento ela iria se transformar em um monstro e tentar me matar. Mas ela apenas sorriu e disse que a minha média ficara excelente. Eu estava prestes á entrar em pânico quando o sinal tocou e ela se retirou da sala. Ufa, estou viva.
Eu devia estar com uma expressão muito assustada (e feia), pois Ana me perguntou o que havia comigo. — Nada- menti. Começara a minha aula favorita, história. É meio excêntrico eu sei, mas tudo depende do professor. Minha professora era a Senhorita Torres, ela era espanhola e adorava que chamássemos de senhorita, e era a minha professora favorita. Ele falava de um modo tão natural que até as guerras pareciam bonitas, era como se ela estivesse presenciado cada uma delas... Ela sempre estava feliz, mas hoje ela estava escandalosamente feliz. A aula passou voando e quando percebi já estava quase acabando. Era a última aula, pois por ser as ultimas semanas só teríamos 2 períodos. O sinal tocou, dei um rápido tchau para Ana e para a professora e saí depressa, pois estava morrendo de medo da profª Lúcia.
Estava quase no portão quando algo chamou minha atenção, uma menina loira. Ela me lançara um olhar preocupado e tinha os olhos mais cinzentos que já vi. Confesso que ela me deixou curiosa e fui em direção á ela, fazer o quê não sei, mas fui. Eu estava á uns 10 metros para chegar até ela e teria que passar na frente dos banheiros, era um caminho que eu não gostava muito de fazer, pois o cheiro não era dos melhores, e além do mais o corredor estava cheio e tive que passar bem perto da porta do banheiro.
Eu estava indo muito bem, até que alguém me puxou para dentro do abominável banheiro masculino e cobriu minha boca. Não deu pra ver quem era, mas logo logo iria descobrir e quando descobrisse iria arrancar a cabeça do individuo e jogar na privada. Fiquei tentando me soltar até que ele me disse:
- Ei, fique quieta, por favor! Só enquanto a escola esvazia. Estou tentando salvar sua vida.
Ok, fiquei quieta. Além do mais, não é sempre que um garoto te sequestra pra dentro do banheiro pra tentar salvar sua vida, apesar disto tudo soar maluco e completamente idiota. E aquela voz me parecia muito familiar, onde mesmo que eu tinha escutado aquela voz?
Passaram-se alguns minutos e a escola ficou silenciosa, isto significava que estava vazia. O menino me soltou e sai do banheiro. Já na aguentara aquele cheiro. Ele me seguiu. Virei-me para perguntar quem ele era e fiquei surpresa:
-Percy?
- É, acho que sim.
Fiquei tão surpresa que não sabia o que fazer. Não sabia se ria ou chorava. Se o abraçava ou dava-lhe um chute... Mas não deu tempo de pensar, antes mesmo de alguma reação minha a garota dos olhos cinzentos veio com um garoto que andava engraçado.
-Percy, temos que ir. Agora.- disse ela.
- É, Percy sinto cheiro de monstro. — disse o garoto estranho.
- Ah, é minha professora de Matemática. — Eu lhes disse.
- Aquela?- apontou ele. — Pois o cheiro vem dela.
- Não aquela é... Não pode ser... Ela é tão legal.
A partir daí tudo deu errado, ela nos viu e assumiu uma forma medonha. De todas as professoras daquela escola para se tornarem monstros e terem o propósito de me matar, a escolhida foi logo ela? A senhorita Torres, minha professora favorita? Não estava acreditando no que via, ela tinha uma das pernas feitas de bronze e a outra era peluda, sem contar que seu rosto me lembrava vampiros. Será que ela vai sugar meu sangue até eu virar muchiba? Pensamento idiota o meu, mas na hora do desespero eles são os melhores... E então a Profª Lúcia não era o monstro afinal, e a única professora que gostava de mim era um monstro. Perfeito. Acontece não é mesmo?!
- Uma empousa.- disse a garota.
Percy se pôs a minha frente e disse:
-Ok. Fique aqui. Cuidaremos de você. Apenas não faça nenhuma besteira.
Certo. Alias o que eu iria fazer. Eu não tinha uma caneta que virava espada, nem uma faca de bronze celestial e também não tinha uma flauta de bambu que fazia cresce raízes no chão. Então fiquei só olhando enquanto eles partiam para cima do monstro. Eles estavam indo bem até que tudo deu errado. A empousa deu um salto para trás pra tentar se salvar, e logo ao lado dela estava Ana. Eu quis gritar para que ela corresse. Mas Ana continuava vindo em minha direção. Ela só podia estar louca. Tinha um monstro do seu lado e ela continuava andando tranquilamente até mim. Percy e a garota não sabiam o que fazer. Ficaram mais atordoados que eu. Até que o pior aconteceu. Com apenas um golpe a empousa transformou minha melhor e única amiga em pó.
A raiva percorreu todo o meu corpo e quando me dou conta estou com a espada do Percy em minhas mãos e avanço para o monstro. Muitas coisas estranhas aconteceram simultaneamente. O bebedor explodiu e a água jorrou bem na cara do monstro, isso me deu uma chance de poder matá-la só que ela viu o que eu pretendia fazer e desviou de meu golpe. Fui rápida, deixei que a raiva me guiasse e desferi um golpe em sua perna cabeluda. E ela se desintegrou ali na minha frente, como a minha melhor amiga.
Fiquei desesperada e não sabia como consegui matar aquele monstro. E junto com o desespero vieram as lágrimas, um rio de lágrimas. Percy veio ao meu lado e me abraçou. Não sei o que aconteceu depois, pois veio um cansaço que eu nunca tinha sentido e ele obrigou meus olhos a se fecharem. Adormeci ali mesmo só que com um pequeno detalhe, estava nos braços do meu herói e tinha acabado de perder a minha única amiga.
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