Percy Jackson E O Sequestro Do Deus
3 Digo adeus à minha mãe
Quando despertei estava um pouco trêmula. Percebi que estava na sala da diretoria, acredite em mim, eu reconheci, pois já estivera ali muitas e muitas vezes, ah essa vida...
Fiquei um longo tempo pensando em tudo o que havia acontecido, ou será que eu havia imaginado tudo aquilo? Eu estava tão confusa. Deitei ali no sofá da diretoria novamente e fechei os olhos tentando colocar as coisas em ordem. Ficaria ali por uma eternidade se pudesse. Eu estava com medo da realidade. Não, a palavra certa não é medo, é assustada. Estava assustada, pois acabara de perder minha melhor amiga. E de novo veio a minha mente a tal pegunta: "Será que eu havia imaginado tudo isso?”
Ouvi sussurros do lado de fora da diretoria, mas não deu para compreendê-los. E logo a porta se abriu. Era a garota dos olhos cinzentos.
- Desculpe-me, espero não ter te acordado.- disse-me ela.
- Não, eu estava acordada. Só... só estava tentando conciliar as coisas.
- Eu te entendo, é meio confuso eu sei. Mas pensei que você já estivesse conciliado esta história de ser uma semideusa. Além do mais você soube sozinha, né?
- Não estou falando dessa parte. Sabe, estou falando da parte de perder a minha melhor amiga e descobrir que minha professora favorita, e a única que parecia gostar de mim, tentou me matar.
- Ah, sim. Sinto muito. Queria poder ter salvado sua amiga. Desculpe-me, mesmo. Eu deveria protegê-la.
- Não é sua culpa, não peça desculpas.
- Mas como você descobriu que era uma de nós?
- Minha mãe me contou tudo...
- Sua mãe é diferente da maioria, pois a maioria prefere não contar. Ela disse como conheceu Poseidon?
- Sei que é estranho uma garota que mora em Brasília, longe do mar, ser filha de Poseidon... Mas foi assim: Minha mãe sempre sonhou em viajar pro Rio de Janeiro. E há 16 anos atrás ela conseguiu realizar este sonho. Ela foi morar com uma amiga dela e ficou lá por 1 ano aproximadamente. E lá ela conheceu meu pai. Ela sempre me dizia que era um cara diferente, e durante anos eu vim tentando descobrir o que significava esse "diferente". E sempre ficava pensando, ela viu a falta que ele me fazia, apesar de nunca ter o conhecido e me contou a verdade algum tempo atrás. E desde então minha vida vem mudado. Os acontecimentos estranhos se multiplicaram e minha professora vem e tenta me matar. E eu descubro que tenho um irmão. E eu aprendi muito sobre este outro mundo que não é tão outro assim.
- Mas você é esperta, você conseguiu passar por tudo isso sozinha. Você é uma guerreira. Nunca se esqueça disso. Agora me diga qual é o seu nome.
-Obrigada, me chamo Kelly. E você?
- Annabeth, filha de Atena. Você está pronta para irmos?
- Sim, mas será que podemos passar na minha casa antes para que eu possa me despedir de minha mãe? É aqui pertinho, só quinze minutinhos.
- Claro. Estávamos pensando nisso mesmo. Então vamos. Temos um longo caminho pela frente.
Levantei-me e segui Annabeth. Lá fora estava Percy, e o garoto estranho, Annabeth tinha me dito que ele se chamava Grover e tinha me falado também que era a namorada do meu irmão. Fiquei pensando como alguém conseguiria namorar o Percy, mas fiquei calada, não queria ofender ninguém, não é mesmo?
- Você está bem?-Perguntou Percy.
- Estou sim. Que tal irmos?
-Claro você que manda, e você que sabe o caminho então, né.
Fomos caminhando mesmo e eles iam soltando muitas informações, mas confesso que não estava escutando muito. Só estava pensando na minha mãe o que ela ia achar. Chegamos lá depois de 15 minutos, todos estavam animados. Eu? Eu estava com os olhos marejados. Dizer adeus para minha mãe seria uma tarefa muito difícil. Entrei em casa e ela estava na cozinha, fazendo experiências malucas, uma coisa típica da minha mãe, ela consegue fazer comidas surpreendentemente gostosas e criativas. Bem, ela estava lá e ouviu minha chegada:
-Kelly? Chegou cedo hoje- ela disse e veio vindo em minha direção para me dar um abraço como fazia todos os dias quando eu chegava da escola, aparentemente viva, mas ela parou quando viu meus acompanhantes.
-Er. Oi- disse minha mãe- Quem são vocês? Acho que não cheguei a conhecê-los.
- Esses são: Percy, Annabeth e Grover- disse eu apressadamente.
- Hm, a que devo a honra?
- Eles são do acampamento...
- Ele é o Percy, o seu irmão? Que você conversou com ele algumas semanas atrás?
- Sim, mamãe.
Os olhos de minha mãe transbordavam um monte de emoções e transbordavam também algumas poucas lágrimas.
- Acho que isso significa que você tem que dizer que tem que partir.
- Sim, mãe, sinto muito, queria que você pudesse ir comigo.
- Meu bem não se preocupe você ficara bem.
- Mãe e você, você ficara bem?
- Claro. Você sabe, eu vou ficar bem. E você pode mandar cartas e se comunicar comigo por mensagem de Iris.
- Sim.
Ela me deu um abraço e sorriu para mim, aquele sorriso que diziam um milhão de palavras, mas que diziam acima de tudo: Você vai ficar bem, meu anjo.
Peguei minha mochila com algumas poucas coisas. Algumas roupas, dinheiro, meias, fotos e um livro. E partir, deixando minha mãe ali no portão com os olhos cheios de lágrimas e sozinha.
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