Percy Jackson E O Sequestro Do Deus
12 Eu quase provoco um tsunami no meio do mar
Notas iniciais
Não conseguia dormir, aquele quarto estava abafado e muito quente, decidi então ir para a proa e dormi lá. Peguei uma coberta e um travesseiro e lá fui eu. Eu amava as estrelas, assim como eu, descobrira recentemente, que amava o mar. Deitei ali no chão frio mesmo e fiquei observando as estrelas e ouvindo o barulho do mar, havia algo nas estrelas que me intrigava uma constelação especial... Fiquei ali só olhando, deitado de bruços, por uns 10 minutos até que a sonolência me invadiu fechei meus olhos e me virei para a direita, e adivinha só, um belo susto eu levei. Nico di Angelo estava á uns 20 centímetros deitado no meu lado, olhando para mim.
-Olá- Ele disse.
- Olá? Você não acha que deveria avisar antes de dar um susto nas pessoas?- Eu disse, sem me mover.
- Se eu avisasse com certeza não seria susto, né?! – Ele deu de ombros e sorriu.
- Ok. E o que você faz aqui? Na minha cama? – Disse com petulância.
- Ah desculpa, não sabia que era sua cama. – Ele pareceu assustado — Mas eu queria falar contigo. Sabe, falar realmente o porquê eu vim nesta missão. Mas antes, porque você saiu do seu aconchegante quarto?
- Ah lá estava abafado — Eu disse e me deitei de bruço, pois estava desconfortável olhando para ele tão de perto, e ele fez o mesmo — Sabe, as estrelas e o mar são uma bela combinação, não acha? – Perguntei e virei a cabeça para poder olhar a expressão dele.
- Sim, realmente. É uma bela visão. – Nico concordou.
- Eu gosto da escuridão, sabe, ela esconde tantos segredos, mas ao mesmo tempo não. É complexo e surreal ao mesmo tempo. – Soltei.
- Eu que o diga, ein.- Ele disse e riu e eu acompanhei.
- Mas e a missão, que é porque de você está aqui? Com certeza não é apenas para ter a oportunidade de conhecer a garota super gente boa aqui. – Dei um sorriso entusiasmado para ele.
- Não, não. Na verdade eu tenho que te acompanhar e ver o desfecho da sua profecia, eu tenho que te proteger também, sabe tarefa difícil. Mas acho que eu conseguirei. E sabe, eu sei da sua profecia. E sabe, tudo ficara bem, a profecia pode dizer um milhão de coisas diferentes. Ela nunca vai ser clara o bastante para ser interpretada. — Ele olhou nos meus olhos e vi que ele estava sendo sincero. Eu fiquei feliz, tendo ele ali, ao meu lado, á 20 centímetros de mim. Talvez você pense besteira, mas ele é um garoto que valia a pena, um garoto que eu estava disposta, em outras circunstâncias, a dar meu coração, mas não do jeito que você imagina. Os olhos daquele garoto me diziam que sim, teríamos uma grande amizade. Uma amizade além da vida e da morte.
- Obrigada, fico lisonjeada tendo o senhor dos mortos júnior como segurança. Eu tenho que acreditar que tudo ficara bem. E obrigada mesmo Nico. Você é um ótimo amigo, apesar de eu te conhecer apenas a 1 dia. – Falei com sinceridade.
- Sabe, você também é uma ótima amiga, Purpurina.
- Purpurina?- Ele tava debochando de mim né?
- Sim, Purpurina, porque é exatamente o que você não é. Você é uma garota mais do que especial e diferente das outras. – Ok, isso foi estranho.
- hm. Isso foi um elogio? – Perguntei confusa.
- Talvez, mas não se vanglorie muito ok? Se você contar pra alguém eu posso ter um ataque de fúria e sabe... – Ele deixou as palavras pairando no ar a fim de por um certo tom de mistério.
- Isso foi uma ameaça, Caveirinha? – Também sabia por apelidos.
Ele não aguentou se fingir de bravo e riu, e sono estava me invadindo.
- Se você não se importa, eu gostaria de dormir. – Falei bocejando.
- Durma, ué. – Disse ele, pacientemente.
- Mas você está tirando toda a minha concentração, sabe fica bem caladinho e quietinho. – Tentei por um tom de ordem em minha voz.
- Ok, sou uma estatua agora. – Ele falou sério.
- Boa noite estátua e nem vem que eu não vou dividir minha coberta com você. – Olhei para ele e deu um ultimo sorriso.
Virei de costas para ele e dormi. Dormi mesmo.
Quando acordei estava no meu quarto e bem quentinha. Levantei e fui para a cozinha do navio, todos estavam lá, e estava bastante frio.
- Bom Dia!- Eu disse.
- Bom dia, dorminhoca- Leo disse- Teve uma boa noite?
Eu olhei pro Nico e dei um sorriso:
-Sim, até que foi boa. – Lembrei de minha conversa com o Nico na noite anterior.
-Kelly, eu tive um sonho.- Percy disse.
- Bem então diga-nos o sonho- Barbara disse- Só estávamos esperando a Kelly chegar.. – Disse impaciente.
- E a Kelly chegou, vamos Percy diga.- Eu disse.
- Bem, eu estava no deserto e vi nosso Pai, ele estava bem até, mais ele estava dizendo algo que não fazia sentido. Ele dizia que ele era como a isca, mas que nós seriamos o peixe. E no sonho tinha uma mulher, uma mulher que... – Ele parou, deixando a frase sem complemento.
- Que?- Nico disse.
Ele demorou um pouco pra responder e quando respondeu olhou diretamente em meus olhos:
- Sua mãe Kelly. Sua mãe estava lá. – Parei por um segundo e sentei na cadeira mais próxima. Com as mãos na cabeça eu disse:
- Não, não é possível.
Eu levantei sobressaltada e sai correndo até meu quarto e peguei a bolsinha de dracmas e peguei um dracma. Corri até a piscina que agora na borda formava um breve arco Iris. E disse:
- Oh, deusa aceite minha oferenda- joguei o dracma e disse: — Brasília, casa 15 avenida X.
A nevoa tremeluzia e nela apareceu uma casa, uma casa que com certeza não era a minha. Aquela casa estava bagunçada, na verdade revirada. Meu padrasto também não estava ali. A fotografia que estava no armário da sala estava quebrada e rasgada. Na fotografia que antes tinha eu, minha mãe e meu padrasto, agora só tinha meu padrasto.
Cai de joelhos, enterrei meu rosto em minhas mãos e comecei a chorar. Leo veio até o meu lado e me abraçou, exatamente como aconteceu naquele dia no acampamento, e me disse que ia ficar bem e que ia dar tudo certo. O problema é que eu não acreditava. Minha mãe, alguém tinha pegado minha mãe, e sabe, se você nunca viu uma filha de Poseidon com raiva e mais do que triste no seu próprio território, você não tem noção do tamanho das ondas que surgiam em meio à antiga calmaria.
- Temos que acalma-la. — Percy disse- Eu não consigo controlar tudo, ela está com muita força.
Eu ainda estava chorando e não estava nem ai pras ondas, alguém tinha levado a minha mãe e esse alguém ia morrer em breve, porque não iria deixar que isso ficasse assim. Leo e Nico me levaram para o meu quarto enquanto Percy tentavam "desviar" as ondas.
Leo me envolveu novamente em seus braços e começou a mexer em meu cabelo tentando me acalmar. De inicio não funcionou, mas logo já estava começando a me sentir melhor e relaxada. Era estranho que o toque dele pudesse me acalmar. Mas no momento não estava muito preocupada com isso. E sim com a vertigem que me atingiu. De uma hora para outra minha visão embaçou e eu pensei que pudesse ser as lágrimas me cegando, mas algo me levou para outra dimensão e eu estava totalmente no escuro. Sentia os braços de Leo ao meu redor. Mas não o enxergava, nem enxergava o quarto em que eu estava. Comecei a ficar ofegante e desesperada. Tentei me mover, mas não conseguia. Estava presa no abraço de Leo. Ao longe vi uma luz estranha se aproximando. Era uma luz que piscava. Quanto mais ela chegava perto, mais ela tornava uma forma. E logo percebi que era a forma de um homem. Todo seu corpo brilhava e eu não conseguia distinguir quem era e sua aparência. Pois ele era somente luz. Ele fez um ruído que parecia um riso. E após disse com a voz grave e forte o que eu mais temia. Ele disse com todas as letras, que a minha morte me esperava no deserto. Ele começou a ser puxado de onde veio e logo desapareceu. Tudo ficou escuro outra vez e dessa vez perdi a consciência e creio eu, desmaei.
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