Percabeth - I Knew You Were Trouble
23 Capítulo 22
Notas iniciais
–Espera! Tem mais uma coisa que eu quero te mostrar. — Percy segurou minha mão, sorrindo. Eu adorava aquele sorriso, de lado, meio travesso. Adorava o jeito como os olhos verdes dele refletiam as luzes laranjas da cidade, agora que começava a escurecer. Adorava o jeito de como a gola V de sua camisa preta deixava aparecer aquela tatuagem que ele tinha logo embaixo do pescoço, um código de barras. Eu já tinha criado várias interpretações pra ela, mas nunca tentei perguntar.
– O que significa? — Apontei para a tatuagem. Percy sorriu, olhando para a frente enquanto caminhávamos pela rua.
–Ah, já faz algum tempo que eu fiz. — Ele passou a mão em cima dela, distraído. — Pra que servem códigos de barras, Annie?
–Hum... — Pensei um pouco. — Para diferenciar cada coisa.
–Exatamente. — Percy riu. — Pode parecer meio tosco, mas... Eu acho que cada um tem esse, hã, "código".
–Não é tosco. Não tanto. — Sorri. — Estou brincando.
Ele passou o braço pela minha cintura, me puxando pra perto enquanto caminhávamos.
–O que você quer me mostrar agora, Percy? — Perguntei. — Chega de surpresas.
–Por que? Surpresas são tão divertidas... — Eu lancei um olhar irritado à ele. — Certo, Certo. Já que estamos chegando, acho que já posso contar. Porque você acha que eu roubei uma joalheria, Annie?
–Pensei que tinha sido uma loja de roupas femininas. — Ergui uma sobrancelha, rindo. Ele me olhou irritado. — Certo, Certo. Parei. Não sei, Para pegar jóias?
–Jura? Sério mesmo?- Ele me encarou, sarcástico.
–Percy, pare de enrolar e me diga, droga. — Revirei os olhos. Ele olhou em volta rapidamente e entrou em um dos becos escuros que passávamos. — Hã... Aonde está indo?
–Eu o escondi em algum lugar por aqui, antes de ser pego... — Murmurou, revirando algumas caixas de papelão jogadas. -Ah, aqui está.
Ele voltou à luz da rua com as mãos atrás da cintura.
–Feche os olhos. — Pediu e eu obedeci. Senti ele pegar minha mão direita delicadamente e segurá-la. Com a ponta dos dedos, ele segurou meu dedo anelar e senti uma coisa fria deslizar por ele. — Pode abrir.
Quando olhei para a minha mão, lá estava, refletindo as luzes da rua, um delicado anel de ouro com uma pedra de diamante no topo.
–Ah meu deus. — Expirei. Meu coração pareceu bater mais forte por um segundo e eu simplesmente não sabia o que dizer. -Eu... Eu...
–Nós tínhamos brigado por uma coisa tão estúpida. — Ele suspirou, segurando minhas mãos. — Eu tinha que me desculpar, Annie. Eu não consigo viver sem você. Simplesmente... não dá.
– Percy, eu...
–Então, eu ia roubar esse anel e dar pra você e dizer tudo que eu queria dizer. Mas aí, como eu sou muito esperto, me prenderam. — Ele riu, envergonhado. — Enfim, de qualquer modo... Esse pode não ser o lugar mais romântico pra dizer isso, mas só vou poder dizer agora. Eu acho que... Eu te amo, Annabeth. E não podia deixar que uma discussão tão idiota nos separasse. Não quero mais nada com Reyna, com Cally, com nenhuma delas. Eu quero você, Annabeth.
Eu ouvia tudo com a boca entreaberta de surpresa. Ele continuava segurando minhas mãos e me olhando fixamente nos olhos, me deixando completamente hipnotizada.
– Eu quero oficializar tudo entre nós. — Ele se aproximou e encostou a testa dele na minha, sua respiração batendo delicadamente em meu rosto completamente surpreso. — Você ainda quer ser minha namorada, certo?
–Eu... — Fiquei irritada por essa ser a única palavra que eu conseguia dizer, mas era agora. Eu tinha que dizer algo. Mas eu sabia que agora, se eu aceitasse, eu estaria completamente presa à ele. E eu sabia que nunca mais conseguiria me soltar.
Não pude me controlar e lancei os braços em volta do seu pescoço, o puxando para perto de mim. Senti ele sorrir durante o beijo e ele passou as mãos pela minha cintura, me erguendo do chão.
Assim que nos separamos, eu mal podia deixar de sorrir.
–Quero Percy! Eu quero! — E então mal percebi que eu estava beijando-o de novo.
Estávamos tão imersos em nossa cena de amor, que ficamos alheios aos estranhos que se aproximavam.
* * *
–Certo, agora acho que podemos chamar um táxi. — Falei, ainda sorrindo. — Está ficando tarde e eu preciso estar em casa.
–Tem certeza de que não quer dormir comigo? — Ele perguntou, e então percebeu o que tinha dito. — Hã, quero dizer, lá em casa. Haha.
–Não posso, sinto muito. — Revirei os olhos. Às vezes ele era tão bobão, por mais fofo que isso parecesse.
–Er.. Tudo bem. — Ele passou a mão na nuca e olhou em volta. — Mas... Eu não estou vendo carro algum por aqui.
Olhei em volta, e era realmente verdade. A rua estava deserta, a não ser por um carro preto estacionado na esquina.
–Talvez... Talvez nós devêssemos procurar alguma rodovia ou algo assim. Com mais movimento.
–Eu posso indicar um lugar. — Uma voz rouca atrás de nós disse. Assim que me virei, me deparei com aquele garoto de cabelos loiros e regata preta, alto e musculoso.
–Luke. — Percy pronunciou o nome dele com raiva. — O que está fazendo aqui?
–Ah, eu ia falar com você, mas não queria interromper essa linda cena de amor. — Ele riu, secamente. Ele saiu das sombras do beco e veio para a luz da rua, se aproximando de nós. Estava acompanhado de um garoto baixinho, mas forte, que tinha uma das mãos no bolso e a outra coçando um dos olhos, que tinha um grave ferimento.
–O que aconteceu com você? — Perguntei, assustada.
O garoto simplesmente me olhou de cima a baixo.
–Ethan não fala com estranhas. É por isso que não tem nenhuma garota. — Luke riu novamente.
–Diga logo o que você quer, Luke. — Senti algo na voz de Percy que nunca tinha ouvido. Parecia angústia, não sei. Misturado com ódio, tornava o seu tom de voz sombrio.
Olhei para os dois, e cogitei que Percy apenas me contara um dos motivos que tinha pra ter raiva de Luke. Sentia que havia muita coisa por trás.
–Você me deve algo e você sabe disso. — Luke cruzou os braços na frente do peito e nos encarou.
–Do que ele está falando? — Perguntei. — Luke, o que está acontecendo?
Ele me encarou com frieza, fazendo eu me afastar, receosa. Céus, eu tinha tomado um café com aquele garoto e havíamos conversado amigavelmente. O que estava acontecendo?
–Eu ainda não estou pronto pra fazer isso. — Percy desviou os olhos para o chão.
Luke suspirou, irritado.
–Que pena. Vou levar minha garantia, até você parar com essa estupidez. — Ele agarrou meu braço, me puxando com força.
–Me solte! Ei! — Tentei arrancar a mão dele do meu braço, mas ele seguiu me arrastando pela rua até o carro preto, parado no estacionamento. — Percy! Faça alguma coisa!
Ele me encarou, estático e então começou a correr atrás de nós. Luke se apressou, tentando me arrastar enquanto eu fincava os pés no chão, mas Percy nos alcançava.
–Ethan! — Luke parecia dar um comando. O garoto tirou a mão do bolso e vi que segurava uma coisa preta, apontada diretamente pro rosto de Percy.
Uma arma.
Esse foi meu último vislumbre antes de Luke me empurrar pra dentro do carro e fechar a porta.
Até que ouvi o som de um tiro.
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