Percabeth - I Knew You Were Trouble
24 Capítulo 23
Notas iniciais
Ele se sentou ao meu lado e suspirou, irritado.
–Não era pra isso acontecer. — Murmurou para si mesmo.
–Acontecer o quê? Pra onde estão me levando? — Perguntei, tentando olhar pelas janelas do carro. Elas tinham aquela cobertura plástica preta e o fato de já ser noite não facilitava.
–Fique quieta, está bem? Não vai acontecer nada com seu namorado. — Ele tentou passar a mão no meu braço, mas eu me afastei com um calafrio, olhando-o horrorizada. Qual era o problema daquele cara? — Isto é, não vai acontecer nada se ele me obedecer.
–Obedecer? — pisquei, surpresa. — Ele está vivo então?
Luke me encarou, sério por alguns instantes, analisando minha expressão com seus olhos verdes frios.
–Sim. — Uma sensação de alívio me percorreu. Não havia percebido que tinha prendido a respiração, até soltá-la, aliviada. — Eu não deixaria Ethan matá-lo. Ainda.
–O que há entre vocês dois? — Perguntei, preocupada. — O que.. O que ele vai ter que fazer pra você?
–Acho que ele não te contou, não é? — Luke riu, e a motorista do carro riu também. — Percy é o cara mais ferrado de Nova York. Está devendo dinheiro à todas as pessoas mais terríveis que existem aqui.
–Devendo dinheiro? — franzi o cenho. — Porque ele pegaria dinheiro emprestado?
Luke me olhou com uma expressão curiosa.
–Acho que ele é quem deve te contar isso. — Suspirou. — De qualquer modo, muitas dessas pessoas me pagaram uma grana pra eu vir aqui e colocar um pouco de , digamos, pressão, nesse cara. Ele precisa arranjar o dinheiro até amanhã, ou senão... Bom, essa terá sido a última vez que você viu ele, Annie.
Ele sorriu de um jeito assustador, quase como se gostasse da minha expressão assustada. Resolvi ficar impassível, e virei o rosto em direção à janela.
–E quanto à Reyna? — A pergunta saiu de meus lábios, de repente. — Ela tem algo a ver com isso?
–Ah, é claro. Ela merece seu crédito. — Luke riu, como se houvesse alguma piada interna entre eles. — Ela quem me contou sobre sua relação com Percy, e de como esta poderia ser aproveitada. Não é, Reyna?
–Exatamente, Luke. — Uma voz feminina falou no banco do motorista. Horrorizada, olhei pelo espelho retrovisor e pude ver os longos cabelos negros e a pele pálida. Seus olhos negros me encararam de volta pelo espelho. — Tudo bem, querida? Eu disse que nos encontraríamos de novo.
–Pensei que vocês tivessem terminado. — Falei, e só depois percebi o quão tola eu soava. Reyna soltou uma gargalhada.
–Acha mesmo que ligo para o que aquela pirralha da Calypso faz? Ah, ela é tão baixo nível. Assim como você. -Ela fixou os olhos na estrada. — Mas confesso, fiquei um pouco irritada. Até ver aquela cara de cachorrinho pidão de Luke, pedindo desculpas, com um presente bem interessante nas mãos. Então aceitei, e aqui estamos de novo. Não é tão fácil acabar conosco, queridinha.
Eu fiquei calada. Não podia me dar ao luxo de responder aquilo, presa em um carro em movimento com as pessoas que mais pareciam me odiar. Se bem que estava curiosa em saber qual presente fora aquele.
–Mas eu tenho que admitir — Reyna continuou seu discurso. -Calypso... Você a magoou bastante. Nunca vi uma garota abrir o berreiro como aquela, uma criancinha, coitada. Chorou o resto da festa inteira.
Eu suspirei, decidida a não pensar naquilo agora. Mas céus, eu estava tão... confusa, triste e com medo. Só queria poder fugir, encontrar Percy para sentir aquela sensação de proteção novamente.
Mas agora eu percebi, ele não podia me proteger contra tudo. E fiquei feliz que ele não o tivesse feito essa noite, pois levaria um tiro e morreria. E talvez, eu também.
–Vocês vão me matar? — Perguntei, olhando o revólver preso no cinto de Ethan, que estava sentado no banco da frente.
Eles ficaram em silêncio por um tempo. Tempo demais.
Senti um arrepio percorrer meu corpo e me abracei, assustada.
–Bom, isso depende. — Luke falou, com a voz rouca. Pelo menos ele parecia receoso em atirar numa inocente. Ou talvez ele só estivesse fingindo.
–Onde vocês pensam que Percy vai arranjar esse dinheiro? — Questionei.
Luke sorriu, tranquilo.
–Isso até que vai ser bem fácil. Lembra do pai dele?
Eu encarei o chão, pensando na relação que Percy me contara que tinha com o pai. Como ele poderia aparecer na casa dele, simplesmente, pedindo dinheiro? Eu duvidava que ele iria dar.
Mas algo me dizia que Percy não iria pedir.
* * *
NARRAÇÃO EM 3º PESSOA
Percy estava estático na rua, olhando para o buraco de bala no posto ao seu lado. Se aquele tiro tivesse sido mirado cinco centímetros mais para o lado, acertaria em seu coração.
Sua respiração estava pesada e os olhos arregalados. O carro tinha acabado de partir, com a garota que ele amava dentro, sendo arrastada pelo seu antigo amigo Luke. Ele estava arrasado.
Se jogou na calçada, sentado com os braços apoiados do joelho, olhando para o chão tentando pensar. O que faria agora? onde iria arranjar 5 mil dólares?
Passou as mãos pelo cabelo, tentando pensar no que Luke lhe dissera, meses atrás.
~
–Cara, você está ferrado.
–Nós estamos, Luke. — Reyna o corrigiu, segurando seu braço. — Essa diversão foi muito cara. Devíamos parar.
–Certo, mas ainda assim, como arranjaremos esse dinheiro? — Luke os encarou, exasperado. Estavam os três ali, na estação de trem vazia. O relógio batia meia noite.
Reyna fez uma expressão amargurada.
–Podemos fugir.
–Eles nos encontrariam, e no dia seguinte nossos corpos estariam jogados na sarjeta. É sempre assim que acontece. — Luke murmurou, assustado. Todos eles estavam assim. Aqueles caras era simplesmente impossíveis de se desviar.
–Não acredito que nos metemos com isso. Somos uns idiotas. — Reyna coçou os braços, ansiosa. Percy os olhou, a pele pálida, com aqueles pequenos pontinhos vermelhos.
– Fale alguma coisa, idiota. — Luke começava a ficar irritado. Aquele era o primeiro sintoma.
Percy suspirou e os encarou.
–Bom, tem um jeito. — Ele se sentia meio lerdo, e um pouco tonto, mas firmou os pés no chão. — Meu pai.
–Seu pai. — Reyna repetiu, surpresa. — Exatamente! Peça o dinheiro à ele.
–Não é tão simples. Ele não vai nos ajudar... — Ele tentou focalizar seus olhos nela, mas era difícil, estava tudo borrado. — Ele não... Ah...
Percy sentiu suas pernas amolecerem e ele caiu no chão, deitado. Com os olhos abertos, conseguia ver o teto da estação, suas luzes brancas incomodando sua vista.
–Percy! — Reyna falou. E então, virou-se para Luke. — Venha, vamos tirá-lo daqui. Alguém pode ver.
Ele sentiu alguém pegar seus pés e foi arrastado pelos ladrilhos da estação, tendo um último vislumbre dos trens do metrô, parados ali, alguns abandonados.
Então fechou os olhos e tudo começara de novo.
* * *
Acordou de novo e estava encostado à parede de um dos banheiros da estação. Era sujo e com paredes cor de limão.
–Luke, ele acordou. — Reyna soltou uma risadinha. Percy recebeu um beijo dela.
Ela estava ajoelhada á sua frente, e Luke estava encostado à parede também, do lado de Percy. Ele sorriu ao vê-los ali, guardando-o como amigos de verdade. Percy viu que estavam bem mais relaxados e felizes agora, e ele sabia o porquê.
–Você está bem, cara? — Luke perguntou, a voz sonolenta ao seu lado.
–Estou ótimo. — Respondeu. — É como se eu tivesse estrelas no meu sangue.
Reyna soltou uma gargalhada da comparação.
–Você tem, meu amigo, você tem. — Luke sorriu. — E o que você estava dizendo sobre seu pai...?
–Ah, não dá. Ele nunca me daria dinheiro depois da briga que tivemos. — Percy deu de ombro. — Temos que dar um jeito.
Luke trocou um olhar significativo com Reyna, como se já tivessem planejado algo entre si. Percy pensaria nisso depois.
–Certo, daremos um jeito. — Falou, encerrando o assunto.
Percy fechou os olhos de novo, concentrado apenas em sentir todas as estrelas em seu sangue voarem.
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