Pequenos Paraísos
2 Capítulo 1 - Problema de ex
Depois de me jogar no sofá da pousada verifiquei o relógio na parede à minha frente: eram quase três da manhã. A sala estava vazia e a casa silenciosa. Minha cabeça ainda estava rodando e havia um esboço de sorriso em meu rosto. Fiquei contente por não ter ninguém ali para vê-lo.
Processei lentamente o que tinha acabado de acontecer, revivendo cada momento, desde que me sentei na areia da Praia dos Sonhos. Era um lugar mágico, podia ser tudo só uma fantasia. Não fossem meus lábios ainda quentes, eu realmente acreditaria nessa possibilidade. Eu havia mesmo beijado aquele estranho. Minha cabeça estava bagunçada. Há mais de dois anos eu não beijava ninguém que não fosse Matheus, meu ex-namorado. Há tempos não tinha um primeiro beijo com alguém, principalmente com alguém que acabara de conhecer. Eu estava meio fora de forma.
De manhã, Camila e Natália não se importaram em saber a hora que eu tinha chegado. Pularam na minha cama às oito da manhã, me fazendo abrir os olhos e revelar uma cara amassada, cansada de quem está querendo virar para o lado e dormir mais.
– Não, pelo amor de Deus, se mandem! – berrei.
– Está achando que vai fugir pra sempre? – Camila ameaçou enquanto Natália roubava meu travesseiro de baixo da minha cabeça, fazendo-a cair diretamente na cama.
– NATÁLIA! – berrei – Devolve isso agora!
– Luciana, levante-se. – Camila falou muito séria. – Você fugiu ontem, não vai fugir hoje de novo. Aliás, por onde você andou por tanto tempo? Já era tarde quando fomos dormir e nada de você.
– Sem celular. – completou Natália.
– Celular. Odeio. – falei tentando fazer com que elas se esquecessem de questionar por onde andei.
– Eu sei que você fugiu da roda do violão ontem. Mas terão várias outras e você não vai conseguir escapar pra sempre. O que custa, Lu? – Camila insistiu.
Ah, a roda de violão! Agora eu sabia do que tinha fugido. Eu não tinha saído necessariamente para isso, mas olhando por esse lado, era a desculpa perfeita. Sempre, em todos os lugares do mundo que alguém tinha um violão, não importava onde e nem o motivo, se começasse uma cantoria, alguém apontava para mim. “Canta aquela, Luciana”; “Aquela, daquela banda”; “Não, aquela outra”. Eu odiava. Está certo, eu gostava de cantar sim. Mas cantava no meu quarto, acompanhando a minha playlist ou no meu banho. Odiava público pra qualquer tipo de coisa.
Se existe algo nessa vida que eu faço qualquer coisa para evitar é atenção direcionada a mim. Pelo menos nisso eu e minha irmã não precisamos competir. Ela gosta de ser o centro e eu fico bem com meu lugar discreto, sem alarmes. Cantar era um desvio disso. Mas eu gostava que fosse um hobbie só meu e continuaria sendo. Minha plateia estava destinada a ser sempre exclusivamente meu chuveiro.
– Vocês sabem que eu não gosto. – resmunguei ainda tentando reaver meu travesseiro da posse de Natália.
– Sai dessa cama. Tomar café da manhã e ir para a praia está te amedrontando também? Você veio para dormir? – ela provocou.
– Dormir! Como se vocês deixassem. – eu estava encolhida na cama quando decidi me dar por vencida, apenas no que incluía o café da manhã e a praia.
– Vou tomar um banho e já desço para o café. – falei para elas que já estavam de biquíni, sainha e se lambuzando de protetor solar, prontas para cair na água. Sem perceber, me dirigi ao banheiro cantarolando a mesma canção que ele havia usado na noite passada: Lucy in the sky with Diamonds. Quando percebi o que estava fazendo, reparei que Camila me lançou um olhar desconfiado e me apressei para o banheiro a fim de evitar interrogatórios.
Quando saí, com uma toalha enrolada no cabelo e meu roupão, vi que Natália havia descido, mas Camila não. Eu sabia que ela tinha percebido algo. Ela era a minha melhor amiga desde a infância, esconder qualquer coisa dela era impossível. Ela sabia pelo meu jeito de respirar, acho. E era recíproco, eu podia notar quando algo diferente acontecia com ela, mesmo antes que ela dissesse. Nossa cumplicidade havia evoluído quando começamos a nos interessar por garotos e compartilhar nossas experiências. Eu a conhecia desde os três anos de idade, pois nossos pais trabalharam juntos e, consequentemente, frequentamos o mesmo colégio. Natália chegou depois, quando já estávamos crescidas, mas era uma garota tão doce e incrível amiga que abrimos um espaço para ela em nossa relação. Ela só não conseguia captar algumas coisas como Camila conseguia.
– Fale mais sobre ontem, Luciana. – ela estava sentada em sua cama, com as pernas cruzadas e seu olhar inquisidor que eu conhecia bem.
– Já disse, fugi da cantoria e do constrangimento. – tentei parecer casual.
– E o que mais?
– Fui para a Praia dos Sonhos, como sempre. – estava tentando não dar detalhes demais. Eu sabia que era em vão, mas ainda queria preservar aquela história para mim.
– Mas você nunca demorou tanto por lá.
– Você é impossível, hein? – bufei, enquanto tirava um biquíni da mala depois de derrubar quase todas as roupas na cama.
– Conta logo.
– Conheci um cara, ficamos conversando e aí perdi a hora. – simplificando. Minha tentativa de parecer casual e simples foi tão fracassada que eu nem precisei falar mais nada.
– Você ficou com esse cara! Te conheço! – ela estava sorrindo, mas também estava admirada. – Ele é bonito? – ela abraçou uma almofada.
– Eu te odeio. – resmunguei, revirando os olhos. – Foi só um beijo inesperado quando ele veio me trazer em casa.
– Gostoso? – os olhos dela brilhavam.
– Meio gato. – falei e ela apertou os olhos para mim – Ok. Totalmente gato. Meio surfista, sabe? – suspirei.
– Preciso conhecer os amigos dele então. – ela riu.
– Não é pra espalhar, ok? Não é porque você tem um pacto mediúnico com entidades estranhas da adivinhação que tem que espalhar para todo mundo. Eu vou contar para a Natália depois.
– É fácil. Você pegou um gostosão da praia. – ela arregalou os olhos, percebendo outra coisa – Você tá deixando de ser caretona! – gargalhou.
– Eu não sou caretona. – reclamei.
Camila tinha a mania de me chamar assim quando estávamos a sós. Era brincadeira, eu sabia, mas ela sempre teve muito mais histórico com caras que eu. Ela era morena, com os cabelos ondulados escuros e os olhos bem arredondados. Meio mulherão, com cintura fina e pernas grossas. Eu era branca e mais magra e, principalmente, mais tímida. As curvas do corpo de Camila haviam sido conquistadas com sua vida inteira de dedicação ao balé enquanto eu, bem, eu corria no parque aos domingos e já era um grande esforço.
Começamos a nos interessar pelos garotos mais ou menos na mesma época, mas, enquanto ela estava deixando todos apaixonados por ela, eu me apaixonava por um e sofria horrores. É até engraçado lembrar, mas antes de namorar o Matheus eu havia tido dois rolos mais duradouros, mas que não chegaram a virar um namoro de fato. Quando terminamos e decidimos continuar sendo apenas amigos, há seis meses, Camila tentou me converter e fazer com que eu fosse mais descontraída, mais social. No entanto, mesmo diferentes, éramos tão unidas que talvez não déssemos tão certo se fôssemos mais parecidas.
Quando terminei de me arrumar, descemos e ainda encontramos a maior parte do pessoal na sala, a nossa espera.
– Vocês não foram? – me surpreendi.
– Estamos terminando de colocar um pouco de cerveja aqui nessa caixa térmica. – Matheus explicou, tirando as últimas latas e arrumando de maneira adequada.
– Opa! Pode me dar uma já! – Camila percorreu a sala até chegar ao freezer, que ficava em um segundo ambiente, uma espécie de copa, ao lado.
– Lu, você quer? – Matheus perguntou.
– Eu nem tomei café da manhã ainda. E, por acaso, você também não Camila. – apertei os olhos para ela, dei a volta na mesa da copa e peguei uma maçã. Já ia servir.
– Quem precisa? – ela deu um primeiro gole na cerveja – Geladíssima!
– Então vamos logo? – Lara se apressou.
– Espera. Só a Natália e o Bruno foram antes? – reparei.
Olhei para Camila que balançou a cabeça querendo dizer “fazer o quê?”. Nada. Não tínhamos mais nada a fazer. Natália estava tão afim de Bruno que todos percebiam isso sem nenhuma dificuldade, menos ele. Caio e Matheus levaram a caixa a frente e nós os seguimos até a praia. Era bem pertinho e ali era o melhor lugar para passar o dia.
O melhor de estar na praia era: não ver o tempo passar. Chegamos de manhã e, antes que nos déssemos conta já tinha passado a hora do almoço. O normal era comermos todas as bobeiras que eram vendidas nos quiosques e fazíamos isso com muito gosto. Dona Sueli sempre mandava sua filha vir avisar sobre o almoço, mas ninguém tinha mesmo muita vontade de sair de lá para comer comida de verdade.
Enquanto os garotos jogavam bola, eu e as meninas estávamos sentadas em nossos lenços sob a areia, conversando e tomando alguns drinks servidos no quiosque. As meninas estavam analisando todos os caras da praia. Como a maior parte dos turistas estava chegando, o movimento ia aumentando devagar. Lara fazia questão de atribuir uma nota para cada homem jovem que passasse por nós e classifica-lo em sua lista de “prioridades”. Era a primeira vez, desde sempre, que eu estava realmente solteira ali.
Minha mente voltou a pensar em Daniel e na última noite. Enquanto nos divertíamos, ele deveria estar trabalhando. Tirando-me de meus pensamentos, Guto se aproximou de nós. Ele era filho do dono do bar mais movimentado da noite em Paraíso. Tinha nossa idade e ficou amigo da turma desde a primeira vez que estivemos ali. Ele estava com outros dois amigos, também locais, trazendo um monte de panfletos.
– A turma mais bonita de Paraíso não vai faltar na festa de hoje à noite, né? – ele se aproximou de nós e entregou um panfleto para cada uma, enquanto os outros dois foram abordar os caras durante o jogo.
– Claro que não, Guto. Tradição é tradição. – comentei, apreciando o panfleto.
– As outras pousadas já estão lotadas? Já chegou muita gente, Guto? – perguntou Bia.
– Acredito que até a noite a maioria já vai ter chegado. Estamos deixando os convites nas recepções também, para não correr o risco de alguém nos arredores não ficar sabendo. – ele explicou simpático.
– E estamos programando mais festas ainda para esse mês. Tem coisas boas para todas as noites. – Guto acrescentou, para os garotos ouvirem também.
– Você vai, Lu? – Matheus perguntou, tentando ser discreto. No entanto, existe uma lei no universo que diz: tudo que pode constranger a Luciana, assim o fará. Foi bem o momento daquele silêncio coletivo entre um assunto e outro e todos ouviram.
Desde que terminamos, era difícil nos desvencilharmos completamente, afinal, nossos amigos eram e sempre seriam os mesmos, em algum momento. Foram quase quatro anos juntos, e um tempo em que estávamos ficando antes de oficializar. Antes de começarmos a namorar éramos da mesma turma e já tínhamos o mesmo ciclo de amigos. Depois, embora tenhamos conhecido novas pessoas na faculdade, quando nos encontrávamos com essa turma, nossa eterna turma do colégio, ainda erámos os mesmos. Tínhamos combinado de levar a amizade, afinal, não tinha sido um término traumático. O namoro só não parecia mais um namoro, éramos amigos de novo. Aquela paixão tinha passado, pelo menos para mim.
– Todo mundo vai, né? – respondi, corando. Camila logo puxou outro assunto sobre os trajes e as bebidas da festa, tirando a atenção que ficou por instantes, focada em Matheus e eu.
Quando voltamos à pousada, o sol já estava se pondo e havia uma mesa cheia de delícias de Dona Sueli para matar a nossa fome, ou pelo menos, para por algo decente em nosso estômago.
Natália estava decidida a falar com Bruno nessa noite. Vestiu e tirou quase todos os vestidos que trouxe na mala. Camila e eu estávamos entediadas sentadas lado a lado na minha cama, observando sua indecisão. Não adiantava nosso veredito, ela nunca se contentava com roupa nenhuma.
Eu estava bem simples, afinal, roupas para festas não faziam parte da minha mala de praia. Usei um vestido branco, com alguns bordados em volta da barra, que era apenas um palmo acima do meu joelho. Coloquei uma faixa verde na cabeça, para segurar meu cabelo, afinal, eu também não queria passar nenhum tempo em baixo do secador. Eles ficaram caídos para trás, com leves ondulações. Eles eram de um castanho escuro, mas não chegavam a ser pretos, como os de Camila. Ela estava com uma trança (ninguém no mundo era melhor para fazer tranças que ela), uma saia estampada e uma blusa também branca.
Quando, finalmente, Natália se decidiu, aprovamos o visual imediatamente. Ela optou (depois de vestir e tirar o mesmo três vezes) por um vestido azul claro, longo, mas de um tecido convencional, parecia confortável, porém tinha um decote ousado. Era lindo e combinava com seus olhos, também azuis. Fazia parecer que iam pular de seu rosto de tão brilhantes. Deixou os cabelos loiros soltos e qualquer cara babaria por ela.
– Vocês acham que o Bruno vai, pelo menos, notar que eu existo? – ela estava insegura – Quero dizer, sem ser como amiga dele.
– Se ele não fizer isso, ele é oficialmente um babaca. – concluí.
Nós três nos juntamos e programamos a câmera para bater uma foto nossa. Na imagem, Natália pareceu se convencer um pouco mais sobre como estava bonita.
A festa já chamava a atenção na entrada. Guto mandou colocar uma enorme faixa colorida de boas vindas aos turistas. Embora o bar oferecesse festa todos os anos, nunca era algo repetitivo. Eles eram muito bons em inovar, tanto na decoração, como na música. Esse ano, o bar estava todo decorado com acessórios que lembravam barcos.
Entramos e as meninas encontraram a nossa turma. Meu olhar estava inquieto, vasculhando vários lugares do ambiente. Quando nos aproximamos, todos já estavam bem servidos e até conversando com outras pessoas. A maioria dos rapazes estava tomando cerveja, e Camila também optou por uma. Natália estava tão nervosa que ainda não tinha se decidido.
– Então, a mais bonita da festa chegou. – Matheus apareceu do meu lado, inclinando-se para falar perto de minha orelha, em um tom mais baixo. Ele tinha percebido que a situação mais cedo tinha me constrangido. E, que ótimo, ele já estava falando esse tipo de coisa – sóbrio.
– Obrigada, Matheus. – respondi e senti necessidade de acrescentar algo mais – Mas, sabe, você não precisa fazer isso.
Andei para o lado das garotas antes que ele falasse mais alguma coisa. Encontramos algumas das pessoas da cidade que ainda não tínhamos visto. Também eram nossos amigos de temporada ali.
– E as novidades de vocês? – Miriam perguntou – Quero saber sobre a faculdade! Estou doida pra passar logo no vestibular e me mudar para a Capital.
– O que você vai tentar, Miriam? – perguntei.
– Psicologia. – ela sorriu orgulhosa, e pareceu estar satisfeita com a sua escolha.
– Estou estranhando uma coisa. – Laila fez sinal para mim e logo depois olhou para Matheus.
– Eles terminaram. – Lara acrescentou, alto demais. Revirei os olhos para a indelicadeza.
As pessoas tinham certa dificuldade em lidar com casais que não eram mais casais e frequentavam os mesmos ambientes. Eu achava totalmente maduro seguir em frente. Só porque não funcionávamos como um casal, não significa que deveríamos nos odiar.
– Sinto muito, Luciana. – Laila se desculpou.
– Tudo bem. Essas coisas acontecem. Normal. – balancei a cabeça, casualmente, indicando que podiam mudar de assunto. Não havia nada para fofocar ali.
– Bola pra frente, né? – Aline berrou.
No entanto, esse assunto incomodou Matheus. Ele estava bem ao lado, ouvindo e saiu depressa.
– Eu vou lá falar com ele. – me senti na obrigação.
Procurei entre as pessoas e lancei meu olhar para longe, o máximo que consegui. Por um momento, esqueci que era Matheus que eu estava procurando. Parei na ilha temática de bebidas mais próxima e pedi uma vodca com morango. Eu estava precisando dopar um pouco as minhas ideias. Por coincidência, vi Matheus sentado em uma mesa próxima. Ele estava sozinho e me aproximei, sentando-me de frente para ele.
– Vai embora, Luciana. – ele estava ríspido.
– O que é isso, Matheus? Você não precisa agir assim. – o repreendi – Você sabe tão bem quanto eu que não estava dando certo.
Ele levantou os olhos para mim, mas não disse nada.
– Nosso namoro já era mais uma amizade que um namoro propriamente dito. – concluí.
– Para você, né, Luciana. – ele finalmente falou – Você sabe que... Droga. – ele deu um grande gole em sua cerveja – Sabe que eu sou doido por você.
– Você disse...
– Eu achei que ia ser mais fácil, sabe. A gente longe, cada um na sua rotina, se vendo ás vezes. Mas, porra, o seu cheiro está no quarto ao lado do meu agora. – ele explodiu, virando o resto da cerveja que havia na lata.
– Olha, eu... – eu parei. Não sabia mesmo o que dizer. Então eu tentei ser sincera – Eu não quero estragar as coisas pra você aqui. Posso tentar um quarto no primeiro andar... Ficar mais longe ou sei lá. É a nossa turma aqui. Tem coisas, como esses comentários, que não dá pra evitar. – falei de uma vez e respirei fundo.
– Deixa para lá. Não quero mais falar sobre isso. – ele disse e se moveu para se levantar da mesa. Ele me conhecia, sabia quando eu estava mesmo sendo sincera. E quando eu não ia mudar de opinião.
– Mas...
– Esquece isso. Vai curtir a sua festa. Vai passar, é coisa da minha cabeça mesmo. Desculpa. – ele apertou os lábios e balançou a cabeça positivamente, de leve. Eu também o conhecia. Eu sabia que isso era exatamente o “eu vou me virar”. E logo depois, se perdeu entre as pessoas novamente. Virei o resto de bebida que estava no meu copo antes de me levantar para voltar ao restante do pessoal.
Passei na ilha temática novamente e pedi um novo copo. Antes que me notassem, percebi que estavam começando a sessão no karaokê. Dei meia volta. Era demais lidar com karaokê. Fui até a saída, tomar um ar e respirar um pouco da brisa do mar.
Quando me aproximei da entrada, avancei tão rápido que não deu tempo de desviar da outra pessoa que estava entrando. Não deu tempo nem de ver quem era. Trombamos de frente, e toda a minha bebida tinha vindo parar no meu vestido. Branco. Quando dei dois passos para trás, para me afastar, acabei me desequilibrando e a vítima da nossa colisão me segurou para que não caísse. Quando levantei os olhos para me desculpar estava esperando alguém completamente enfurecido e com a roupa suja, embora eu acreditasse que a minha havia sofrido mais.
Toda a preocupação com a roupa desapareceu quando fixei meus olhos naquele rosto. Ele já estava sorrindo. O sorriso. Os cabelos cacheados bagunçados.
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