Pequenas coisas, grandes janelas
13 Bons meninos tomam café da manhã, bons meninos não perdem suas irmãs
Notas iniciais
Eram três da manhã… Ele caminhava pela festa lotada procurando pelos cabelos loiros desgrenhados de sua irmã mais nova. Faziam duas horas desde que ele a tinha visto pela última vez, ela era uma boa garota que não havia posto uma gota de álcool na boca até a aquela presente festa, mas ele realmente estava achando que ela havia feito algo estúpido.
Ele mesmo não estava completamente sóbrio, mas pelo menos não estava descendo a escada pelo corrimão completamente nu, ou nadando sem roupa na piscina. Qual seria a obsessão dos bêbados com a nudez a final?
Tudo o que ele mais queria agora era ter dado uma de Jace Lawrence e ter ficado em casa no sábado a noite, tudo o que ele mais queria era que ela ainda tivesse cinco anos pedindo pra ele amarrar seu cabelo num coque pra aula de ginastica. Ele queria sua irmã de volta e nada mais.
– A culpa é sua… Entenda que nada disso teria acontecido se você não fosse o pior irmão do mundo!
Pela milésima vez e contando a mãe do garoto pragueja bêbada sobre a mesa da cozinha, seus olhos vermelhos e a pele pálida e flácida por conta de anos fumando a fazem parecer uma múmia que saiu das catacumbas dizendo ser a responsável por dar a luz a ele.
– O que você quer que eu faça?...
Encostado no batente da porta de braços cruzados e respiração difícil ele a observa em seu estado deplorável mais uma vez, ela está cada vez mais próxima do fundo do poço e quando ele acha que não pode piorar, adivinhe só, piora.
– Eu a quero de volta!
Ela pula pra fora da cadeira e lança a garrafa que estava em suas mãos em direção ao garoto, que desvia e a encara incrédulo. Por alguns segundos algum sentido louco de sobrevivência o fez querer bater nela até fazê-la engolir cada palavra de ódio, mas respirando fundo ele raciocina que realmente não quer aparecer naqueles programas sobre crimes cometidos por adolescentes em que eles depositam a culpa nos video games.
– Então faça alguma coisa… Faça merecer ter ela de volta.
Ele não espera pela resposta cheia de xingamentos de Liz e corre para fora de casa com sangue nos olhos e uma tremenda dor de cabeça. “ Bons meninos tomam café da manhã, sim eles tomam.”
– É vovó, eu não tomo um café da manhã descente a tempos.
Por segundos ele pensa no quão estranho é responder uma memória, a sua avó dizendo a ele pra comer e virar um bom homem, mesmo que agora ela não esteja mais aqui, e nunca mais estará, agora ele só tem Liz e nada de café da manhã, nada de irmã mais nova.
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