Pequenas coisas, grandes janelas
10 A voz dos sinos
Notas iniciais
O delivery é a salvação de Jace, dia de comida italiana, massa até os tímpanos explodirem e maratona de Supernatural na TV, seu celular avisa a cada dois segundos a existência de uma nova mensagem. O grande desafio de qualquer um, no ensino médio dessa cidade, é fazer com que Jace Samuel Lawrence saia de casa no sábado à noite… Sábado à noite, domingo à noite, na verdade, se você conseguisse fazê-lo ir tomar um café depois das seis, bem, você será cultuado por ai.
A questão é: Jace não sai de casa para socializar a não ser que seja preciso. Apenas o estritamente necessário, nada mais. Uma ida a pizzaria depois do jogo, a reunião do conselho estudantil e depois ir a cafeteria do centro da cidade e pequenas coisas assim. Pequenas coisas que são o suficiente para manter as aparências, Jace não acha certo dizer que odeia 90% do tempo em que passa nesses lugares, nessas ocasiões, apesar de ele realmente odiar.
Susan diz que não é saudável, além do mais, ela não quer ver seu filho se tornando o Norman Bates da cidade.
A necessidade de ir a esses lugares, está ligada ao fato de Jace fazer parte de quase todos os times do colégio e das atividades extracurriculares. Isso, ele realmente gosta. “Mantem a cabeça e o corpo ocupados, no final do dia o que me resta é capotar na cama”.
Se ele tivesse prestado atenção numa chamada específica recebida por seu celular, talvez a sua noite fosse diferente, do outro lado da linha torcendo desesperadamente para que ele atendesse a garota Holtti amassava o telefone público em suas mãos magras e tremulas, ela desejava mais do que tudo poder ouvir sua voz de novo. Ela precisava ouvir sua voz de novo.
Em algum lugar, os sinos tocam...
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