Pequenas coisas, grandes janelas

11 Os talvezes de volta pra casa


Notas iniciais
acho que vou começar a deixar algumas musicas de recomendação por aqui, musicas que me ajudam a escrever essas palavretas... com vocês https://www.youtube.com/watch?v=qu577tNp1hA

Talvez eu devesse deixar pra lá e apenas aceitar as escolhas que Cassie está fazendo por mim… Ou talvez eu devesse pirar como estou fazendo no momento. Procuro pelo numero marcado em pelo menos três lugares diferentes. Precaução nunca é de mais.

– "Seja mais organizada"

Imito de forma falha a voz de Cass que martela em minha cabeça, tenho além dessa opção a de auto flagelação, mas a minha cota de palavrões multilingue da semana já acabou.

Por minutos me perco entre as caixas de papelão, em todas elas estão escritas meu nome com um canetão vermelho e, até então, boa parte delas estavam lacradas com fita adesiva, mas agora estão abertas com seu conteúdo jogado a sua frente, como se assim eu fosse capaz de encontrar o que eu quero mais rápido. Mas eu não sou.

– Hayley...

Respiro fundo, minhas costelas parecem estalar como madeiras numa lareira, de certa forma tudo está queimando aqui dentro. Os Plopt estão cada vez mais frequentes. Encaro a porta e a figura de Joe grande e carinhosa parada ali, me observando pelo vão aberto, apoiado no batente.

– Porque é tão insistente? Eu disse que não devia... — Dou passos tortos em direção a porta e ele me segura pelos pulsos.

– O número dela está na gaveta do lado do telefone, foi a primeira coisa que você fez quando chegou aqui… Eu sei que ele está aqui e que você não gostaria que estivesse, mas eu acho… todos nos achamos que você precisa parar de fugir…

Meus braços são libertos e Joe desce as escadas rapidamente, sem dizer nada, sem ao menos se voltar a mim. Talvez, ele esteja cansado das minhas desculpas, dos meus argumentos idiotas e da minha paranoia. Talvez, ele esteja certo, talvez, eu precise parar de fugir.

Com o número que eu tanto procurava em mãos me sento no meio fio, são quase cinco da tarde, não há uma alma em lugar algum, Joe foi caminhando pro Rivers e me deixou com a chave de seu carro, imprudente e no minimo loucura, e me disse pra fazer o que eu achasse certo.

O que eu realmente acho, é que tudo isso está indo rápido de mais, quem está escrevendo essa maravilhosa história sobre a minha vida, notavelmente não se importa em me deixar sem fôlego enquanto acompanho meus próprios passos. O que eu realmente acho, é que eu sou a adolescente mais estúpida de toda a América, no mínimo. Cassie sempre disse que eu tenho a terrível mania de complicar as coisas e talvez eu realmente tenha.

São alguns talvezes… e minha cabeça está doendo, só pra variar um pouco.

Respiro fundo algumas centenas de vezes antes de apertar os botões do telefone sem fio na ordem que agora o faz ligar pra Linda, escuto o toque ritmado avisando que a chamada está sendo completada e ela termina, segundos depois, caindo na caixa postal.

– Você ligou para Linda Rose, sou eu. Oi! Ligo quando puder… BIP…

A caixa postal espera que eu diga algo, e eu espero o mesmo de mim mesma, mas eu não sei o que, algo como: “Oi, Rose, eu só queria que você me ajudasse a decidir se eu mato a minha tia, ou, viro uma pessoa normal… Pois é, depois de dois anos, eu te ligo pra dizer que quero matar alguém… A propósito, estou com saudades.”

– Rose… Sou eu, Hayley… Eu não quero que as coisas comecem a dar errado… Eu…

– Hayley?

Um pequeno grito de alegria escapa dos meus lábios e pela segunda vez no mesmo dia, numa incrível marca de recorde mundial, eu sinto vontade de chorar, mas dessa vez, tão estranho quanto, é por estar feliz.

– Rose?

– Meu amor! O que aconteceu? Você está bem? Aonde você está?

Sua voz rouca se embaralha fazendo seguidas perguntas rápido de mais, mas eu não me importo nem um pouco, ela é minha visão de fora da história, ela nunca me julga, nunca me questiona e sempre me apóia, assim como a Mary sempre fez, talvez eu seja mimada de mais por elas, agora apenas por ela, me julguem. Hayley a mimada. Não me importo.

– Eu estou em casa, Rose… Eu voltei pra casa.

Notas finais
aviso que provavelmente estarei meio sumida por um tempo, mas como recompensa deixo aqui um cap ligeiramente maior, não tão bem elaborado, mas que vai levar a história a novos rumos. Beijo como sempre para dudademigodos melhor pessoat comedoras de ameixas universal... e você pessoinha que não comenta, estou de olho em você o.o