Pensando Bem...

2 II- I'm begging you!


Notas iniciais
Detalhe: a palavra "espadashin" está mantida em sua forma original de escrever em romaji* (quarto alfabeto japonês), não está errada, não estranhem, eu sou uma escritora bem tradicional com gramática *-*Mas espero que isso não incomode a leitura de vocês!

Robin hoje estava bem mais tranquila que o normal, na verdade, se sentia preguiçosa porque passou a noite toda lendo, então seu sono resolveu atacar durante o dia... estava com uma roupa bem cigana, roxa com detalhes em dourado, e uma fita amarela no cabelo que tirava sua franja da testa, queria dormir, mas não podia, hoje ela ajudaria a limpar a sala de observação...

Para a surpresa dela (enorme surpresa) e de todos, Zoro estava... lendo?! Sim, Zoro estava lendo e o pior de tudo, não sentia sono algum.

Como assim o cara mais sonolento do Going Merry não está com sono e está lendo?!

No café, Luffy fora obrigado a sentar muito longe de Robin, claro, depois de ontem com certeza não poderia se aproximar por um tempinho dela... A morena entrou bocejando, os olhos marejados e embriagados de sono enquanto um certo espadashin entrava introsado em sua leitura.

–EH, ZORO-KUN VOCÊ TÁ LENDO?! -Nami levou um susto tão grande que a arqueóloga até abriu os olhos meio desesperada-

–Não, tô comendo o livro! -ironizou, Franky e Chopper começaram a rir, logo depois entrou Brook com sua música... mas o que a ruiva notou foi Robin com a cabeça repousada na mesa quase dormindo enquanto Zoro lia atentamente, aquilo era alguma magia, feitiço, maldição?...

–É impressão minha ou vocês resolveram trocar de lugar? -a navegadora falou com ímpeto a perversão-

–O quê? -Zoro finalmente resolveu dar atenção a cena, até que olhou a frente e viu uma Nico-chan quase ressonar a mesa... que perfeição ela é dormindo, aquilo o fez corar de leve, mas Robin não podia dormir no café... -Ne, Robin... acorda... -ele a chamou encostando em seus ombros de leve, o que deixou Sanji com ciúmes, mas não iria gritar de raiva para ver uma arqueóloga assustada... Nisso ele a chacoalhou muito levemente, sabia da força que tinha e sabia que a machucaria se usasse a força que normalmente usa.

Ela acordou muito singela e encarou os olhos escuros dele, um negro que refletia sua imagem, ela se via perfeitamente naqueles olhos...

–O que foi? -ela perguntou amena, estava com muita preguiça-

–Se está com sono pode voltar pro quarto... -Zoro respondeu com suavidade, era difícil acreditar que ele estivesse sendo tão respeitoso assim, ainda mais com ela.

Nami podia jurar que “pintou um clima”, mas deixou em off já que não sabia ao certo o que era de verdade...

Robin sentiu-se vencida pela voz sensualmente rouca de Zoro, acordou de vez, e sorriu para o mesmo, agradeceu por acordá-la e tomou seu café, só que segundos depois fez a cara mais “WTF?!” que já existiu...

–E-Espadashin-san, você está mesmo lendo? -ela nesse momento jurava não precisar de Luffy para engasgar-

–Sim, você disse que eu acharia interessante e como você terminou de ler ontem eu comecei hoje, ou ainda irá usá-lo? -o maior perguntou já notando o quanto ela estava ruborizada, era tão inacreditável assim Roronoa Zoro lendo?... Qual é! Ele sabe ler e sabe que gosta de livros, mas não tanto quanto Robin.

–B-bem, pensei que não levaria a sério... -a arqueóloga corou mais um pouco e resolveu desviar o olhar para a parede, realmente não achava que Zoro fosse ler o livro, mas gostou de saber que ele admira essa sua pequena mania...

*

*

*

*

Hora de limpar a sala de observação, Robin já sabia que teria de limpar, mas por estar cansada provavelmente não acabaria tão cedo, então Zoro foi ajudá-la...

Lá, ele primeiro limpou as paredes e as janelas enquanto ela tirava os livros e arquivos das estantes para tirar o pó. Até agora nenhuma palavra foi trocada, quando a mesma resolve perguntar;

–Está gostando do livro?

–Sim, é bem mais interessante do que pensei... -ele respondeu ainda de costas para ela, limpando esforçadamente os vidros-

–E já chegou no meio da leitura? -um sorriso se abriu no rosto dela, um sorriso... provocante, queria saber se ele encontrara a coisa interessante de verdade-

–Ainda não, mas estou quase no meio da história. -Zoro confirmou agora a encarando-

–Ah, esqueci de te agradecer por ontem... -a morena lembrou dando um pequeno suspiro de lembrança-

–Ah, não agradeça, teria feito isso por qualquer um. -ele fora mais ríspido dessa vez, mas aquilo não a incomodava, era o jeito dele, seu espadashin sempre foi grosseiro e com ela não era muito diferente quando sozinhos e quase nervosos para falarem um com o outro.

Ela sorriu alegre, encarou-o de relance quando o mesmo se virou para organizar as gavetas, estava quente, Zoro estava sem blusa, é realmente bonito... muito bonito, coisa que já sabia.

Mas o que atraía mais sua atenção era a cicatriz dele no tronco... Aquilo não tirava sua beleza, muito pelo contrário!...

O corpo muito bem definido e trabalhado, era quase que deleite para muitas moças, mas ela nunca o viu se interessar por nenhuma.

–Ne, espadashin-san, você já amou alguém? -uma pergunta tão direta impossível-

E após essa pergunta ele travou de vez e tropeçou em cima do balde com panos molhados, e nessa de tropeçar caiu em cima de Robin e ficou a milímetros de seus lábios, corou tanto quanto ela.

–M-mas que p-pergunta foi essa, Robin?! -ele tinha que gaguejar agora, droga?!-

–Ah, é que... fiquei pensando, de todos no navio você é o que menos se expressa, e... bem, nunca te vi se interessar por uma pessoa... -ela ainda não queria afastamento, estava tão bom senti-lo em cima de si...

–B-bem, e-eu nunca tive alguém, não... nunca me interessei em alguém antes... -ele estava vermelho, mas com ela se sentia mais seguro do que com suas espadas, estranho demais.

–E hoje em dia? -a voz dela pareceu tão sensual assim de perto...

–Até tenho, mas... ela está longe, e tão perto também... como se... eu não pudesse alcançá-la.

Zoro avermelhou tanto que Robin quase tem uma hemorragia nasal de tão fofo que ele fica com vergonha... Oh céus, que perfeição toda é essa?! E ele podia sentir seu cheiro doce, era meio afrodisíaco, mas bem doce e não enjoava...

–Espadashin-san, você acha que ela está tão longe assim? -Robin o cutucou na barriga de uma maneira bem provocativa e isso o fez cócegas, ele riu involuntariamente e depois fechou a cara;

–Não faça isso de novo! -ele bronqueou, ou pelo menos tentou, ele esqueceu que quando ela quer ser chata, é insuportável!

–O quê? Isso? -ela cutucou mais duas vezes seguidas e isso o deixou com mais vontade de rir;

–Então vai desafiar é? Ok... vamos ver se gosta então... -ele começou a fazer cócegas nela também, e ficaram nessa brincadeira por uns minutos, tanto Robin quanto ele, riam feito dois bobos, mais duas mãos da arqueóloga apareceram para tentar tirá-lo de cima, mas óbvio que não funcionou, ele tem o dobro de seu peso e consequentemente de sua força.

–P-para, Zoro eu não aguento mais! -ela exclamou alto, estava quase sem ar por conta das cócegas, ria tanto que estava meio azul, meio roxa, mas precisava urgente de oxigênio. O moreno também ainda sentia cócegas, muitas, aquelas mão maldosas de Robin o faziam perder o controle... Ela ria muito mais que ele, realmente Zoro é um tanto indelicado para a maioria das coisas, mas tem seu lado divertido e isso ela aprecia muito nele.

–Desiste? -ele perguntou já rindo da situação da morena-

–Zoro!... Eu preciso... de ar! -ela mais ria do que falava, então parou com as cócegas e ele também, um súbito ataque de risos atingiu-a.

Mas agora com ar nos pulmões se sentia muito melhor.

–Ok, chega de brincadeiras, temos que terminar de arrumar a sala. -ele se levantou e a puxou junto, seus olhos estavam próximos, era inevitável esse contato, era bom, relaxante e... quente...

*

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*

*

Nami terminou de limpar o convés e então foi procurar Robin para tomar um banho, se deparou com uma bela cena: Zoro terminando de ler o livro e em seu colo estava Robin, dormindo que nem criança... tão linda! Uma cena tão fofa que a deixou ter um ataque histérico por dentro... Saiu de fininho para não atrapalha-los e sorriu singela.

*

*

*

O fim da tarde... era lindo, tão misterioso e tão claro... A arqueóloga acordou assim, no pôr-do-Sol, estava belo.

Sorriu e encontrou um espadashin com uma cara um tanto maldosa, encostado sobe a mesa da sala;

–O-o que foi? -ela perguntou corada, encarando as orbes negras-

–Erotismo, a leitura deste livro é erótica! -ele exclamou dando um sorriso de canto, Robin abriu mais o seu, ficou aliviada por não ser algo que ela tenha feito errado (o que não se lembra de fazer) ou coisa do gênero...

–Bem... então parece que você gostou do livro... -ela concluiu se levantando do sofá-

–Sim, gostei, é uma leitura bem dinâmica até... -ele se direcionou até ela, e novamente os azuis daqueles olhos o prenderam num mar de desejo- Lembra da pergunta que me fez hoje cedo?

–Sim.

Ele já não aguentava apenas olhá-la, apenas estar na base da conversa, queria realmente sentir seu gosto, seu cheiro, sentir tudo...

–Você me perguntou se eu achava se ela está tão longe, a resposta é não, fisicamente, mas espiritualmente estamos muito longe, não gosto de tê-la longe nesse sentido, mas... -Zoro direcionou o olhar até os lábios finos e bem desenhados dela, encarou por uns segundos, mas depois voltou aos azuis intensamente brilhantes, nunca os viu assim, com tanta reluz. -Tê-la por perto no físico já o bastante pra mim...

Ela não podia deixar de ficar nervosa, seu coração parecia muito mais acelerado que o normal, Robin sentia-se quente, muito quente... queria poder beijá-lo, mas ele tinha razão, estavam distantes de alma.

Ela queria estar tão perto dele, tão junto dele, começou a ofegar do nada, seu corpo esquentou tanto que gerou uma febre repentina, ele notou;

–Robin você tá bem? -a preocupação do maior voltou, ela estava ficando vermelha, começou a sentir o ar faltar novamente, e não por causa de cócegas. Para Robin doía não estar “perto” dele, doía não senti-lo, não tê-lo para si... Era uma dor que machucava muito, mas não sangrava, sua visão ficou turva e sentiu uma tontura horrível... cambaleou um pouco e desmaiou nos braços de Zoro.

Mas o que diabos ela tinha agora?!

*

*

*

*

–Ela está com febre alta, provavelmente por causa do calor, mas... parece algo interno, seu corpo inteiro está quente, mas sua pele não queima. -Chopper diagnosticava-

–Mas afinal o que ela tem? -Luffy falou aflito, não aguentava ver nenhum companheiro sofrendo, fosse por doença ou por qualquer outra coisa.

–Eu não sei, parece uma briga entre ela e ela, é psicológico, não tem como saber do que se trata. -Chopper por fim afirmou... Aquilo desestruturou completamente o humor de Zoro, vê-la assim, era horrível e no fundo ele sabia, a culpa era dele.

De noite, ele foi até o quarto das meninas, só para ver sua amada Robin... Sentou-se na beirada da cama dela e encarou seu rosto, tão delicado, ameno, lindo... E quem dera ele pudesse estar em seu lugar porque sabia que era sua culpa, no fundo sabia, a febre baixara bastante, então era um bom sinal. Procurou a mão da mesma e segurou com todo o carinho do mundo, sentiu lágrimas escorrendo seu rosto, sim, Roronoa Zoro também chora.

Encostou sua testa na dela e respirou fundo, o mais fundo que podia para não de desmanchar de vez a frente da arqueóloga.

–Eu te imploro... acorde... Acorde logo... -não adiantava, suas lágrimas eram mais fortes, caíam molhando o rosto abaixo, Nami estava parada na porta, encostada num canto muito escuro, mas via a cena, sentia que Zoro estava sofrendo e foi aí que suas dúvidas deixaram-se esvair.

Não podia entrar lá com o espadashin chorando, vê-lo com aquelas lágrimas pesava muito nela também...

Nisso, ele ainda chorava, um pouco menos, mas chorava... sentiu-a retribuir o toque em sua mão, a outra estava por cima e logo este sorriu em resposta, mesmo chorando.

–Eu sinto muito fazer isso com você, a culpa é minha por estar tão longe... -e naquelas palavras tão sussurradas o espadashin a beijou muito levemente, um beijo muito simples que disse tantas coisas... Nami corou da cabeça aos pés, enfim os deixou quietos.

Robin o sentia, mesmo que indisposta para abrir os olhos e enxergá-lo sabia que era ele, sua voz, seus toques, suas lágrimas... apenas deu um breve sorriso e puxou o pescoço do mesmo para baixo, o obrigando a colarem suas testas, estava ótimo assim, não precisava de mais nada naquela noite...

Notas finais
taquem biscoitos!