Pensamentos Voadores

16 Sonhando pela Metade - part. I e II


Notas iniciais
Olá, queridos(a) leitores(a)! Este é um pequenino conto que eu escrevi, que se chama Sonhando pela Metade. O caso é que eu o criei em tamanhos pequenos para postá-los separadamente em meu Tumblr:(floresdecerejeiras.tumblr.com/), e ele foi dividido em quatro partes. Postarei aqui no Nyah com essas mesmas 'divisórias', mas colocarei somente em dois capítulos. Esse, por exemplo, postarei a primeira e a segunda parte,no próximo postarei a terceira e a última parte. Espero que gostem. Aproveitem:

Sonhando pela Matede — part. I

Eu estava em um local abandonado e meu subconsciente dizia-me que era um hospital (na minha vida quase nunca fui a um hospital). Tudo estava escuro e sujo, o que mostrava que ninguém tinha pisado naquele lugar faz tempo. Encontrava-me com uma roupa de inverno, grossa e vermelha — estávamos no ápice no verão -, mesmo assim, não fiquei incomodada.

Arrisquei um passo e surpreendi-me com o eco provocado pelo salto que usava. Fiquei confusa. Porque eu estou aqui? Pensei. Continuei a andar pelos corredores e via portas abertas passarem pelos meus lados. Andei tanto que comecei a ficar agoniada. Onde estar a saída desse lugar?

Aos poucos o ambiente foi ficando mais frio — e mais macabro. O medo estava despido-me a roupa e tive que abraçar-me para manter-me aquecida. Não aguentei andar em círculos e decidi entrar nas salas. E qual foi a minha surpresa por ver um laço de fita — o meu laço vermelho que costumava colocar no cabelo quando era criança — amarrado na lâmpada. Peguei-o e então percebi que eu não estava mais no hospital.

Era um campo lindo, aberto com arbustos e flores espalhadas. O cheiro da primavera era palpável. Era possível ver árvores e mudas perdidas por alguns lugares distantes umas das outras.

— Olá! — gritou alegremente uma voz atrás de mim.

Virei assustada e vi uma garotinha de, acredito eu, uns nove anos parada com um vestido preto com centenas de bolinhas marrons. Eu tinha uma roupa igual a esta quando era menor… Não pude reprimir um suspiro ao ver que a menina não dava medo algum.

— Oi. — minha voz saiu tremida — Como se chama, pequena?

— Helena.

Helena. Meu nome é Helena. Será que…

— Venha, quero mostrar algumas coisas para você. Mas primeiro, dê-me esse laço vermelho que esta em sua cabeça. Adorei-o. Vamos ver isto como uma compra, okay? O dinheiro é o laço e a mercadoria é o passeio que proporcionarei a você. Eu sou a vendedora.

Ela falava aquilo com tanta segurança que nem estranhei o fato de o laço estar em meu cabelo. Peguei-o e entreguei a ela.

— Para onde vamos? — perguntei.

— Passear.

— Sim, isso eu sei. Mas passear por onde?

Ela me olhou com um olhar que fez-me arrepiar e repensar se o campo era melhor que aquele hospital.

— Você só descobrirá se vir comigo, Helena.

Fim part. I

Sonhando pela Metade - part II

Particularmente, sempre achei sonhar um pouco estranho. Pesadelos, momentos inimagináveis, tudo criado por alguma parte de sua mente, como se ela decidisse te assustar ou te surpreender. Incômodo. Sim, eu acha estranho e incômodo; principalmente sonhos grandes, com história. Sonhos como este que já comecei a narrar para você, querido leitor.

Helena, a garota cujo tem o nome igual ao meu, parece comigo, mas não é eu (disto tenho plena certeza) pegou em minha mão, meu laço e começou a correr. Sem alternativas, corri também. Sei que na vida real poderia ter ultrapassado-a facilmente, mas em minha imaginação, quanto mais eu corria para acompanhá-la mais distante ficava da garota.

— Espere, Helena! — gritei para depois ouvir a voz dela responder de longe:

— Não será preciso, bobinha!

E então a cena mudou novamente. Eu estava em pé — ao lado da garota — em frente a um Colégio. Eu estudei aqui.


— Sabe esse Colégio, Helena — a menina começou a dizer -, o Colégio em que você estudou não existe mais. Ele foi destruído e totalmente esquecido. Ninguém ligou mesmo, estava quase falindo.

Eu sabia que aquilo não era verdade. Ainda moro na mesma cidade que fui criada e passava todo mês pela frente de minha antiga escola quando ia visitar uma amiga de infância, a Júlia. Ela (a escola) duplicou de tamanho e tem muitos, muitos alunos. Mesmo assim, no sonho, fiquei assustada e olhava vidrada para o pátio do Colégio. Se aquilo realmente tivesse acontecido, parte de minha vida tinha sido jogada por terra.Eu tenho uma história aqui. Como algo assim pode ter ocorrido?


— Não se assuste, Helena. — ela enrolava o laço vermelho por entre os dedos — é a vida. Veja, veja, aquela boneca é sua, não é?

Ela apontava o dedo para uma boneca com um vestido vermelho no meio da grama. Aquele brinquedo realmente tinha sido meu. Helena saiu correndo, pegou a boneca e voltou.

— Adorei-a! Pode me dar? Ela é tão linda, tão linda!

Apenas assenti com a cabeça. Eu estava um tanto quanto enjoada e minha cabeça rodava. Não estava entendendo nada do que acontecia. Olhei novamente para o Colégio. Ele estava em pé em meu sonho e aquilo não fazia sentido algum de acordo com o que a menina disse, mas eu fiquei triste. Muito triste, na verdade.

— Obrigada! Eu quero conhecer seu trabalho, Helena. Vamos, caminhe! Caminhe!

E, totalmente entregue, a segui.

Fim part. II

Notas finais
Parte III e IV no próximo capítulo.