— Com os pés cansados, sentei-me no banco da praça e tirei as sandálias. Abri minha bolsa, tirei o livro de dentro, e comecei a reler as folhas amareladas pelo o tempo. Respirando devagar, começo a rir pela ignorância do personagem, um homem de terno passa em minha frente e olha-me estranho. ‘Que maluca’, devia pensar. Folheando outra vez, chegando na parte do mistério, tentando juntar as partes para descobrir a solução, concentrada, uma senhora senta a pé de mim.

- Dia quente, não? — falou abanando-se.

- Hmm, hmm.

Eu estava absorvendo todos os detalhes de cada ação do personagem, a senhora suspirou e tornou-se a seguir o seu rumo. ‘Mal educada’ ouvi-a murmurar.

Passei para outra página onde o drama acontece. Comecei a ficar com raiva com todo o lenga-lenga dos personagens. Um jornaleiro para a minha frente e pergunta:

- Quer um jornal? Ele esta atua…

- Não — respondi seca.

O homem fez cara feia e saiu a murmurar alguma coisa sobre pão-dura.

Lendo com veracidade, chego a parte tocante, a triste, a depreciativa. Cada frase parecia penetrar meu coração com a realidade dos fatos. Sem conter-me vejo as lágrimas deslizando sobre meu rosto. Uma mulher de mais ou menos minha idade chega, senta ao banco, pousa a mão em meu ombro e pergunta:

- Porque choras?

- Ah, não é nada.

Franzindo os olhos, pergunta como alguém chora por nada.

- É o livro — respondi.

Ela faz uma careta estranha.

- Não entendo como alguém ler o que o faz chorar. — e saiu andando.

Olhando para aquela mulher, rio, e penso. ‘Ah, essas pessoas sem a leitura. Nunca saberão o que significa entrar em outros mundos permanecendo no mesmo lugar’.